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Uma ordem histórica
Peter Ho Peng

Um Papa digno de ser Papa

Na Quarta-feira de Cinzas passada eu estava no Brasil, e as manchetes locais celebraram a ordem papal mais importante, na minha opinião dos últimos séculos. Papa Francisco emitiu a todas as dioceses mundiais esta ordem: colaborem totalmente com investigações de todas as delegacias em casos de pedofilia (e abusos sexuais). Abusos de poder.

Em edições passadas do JB&B (Janeiro de 2019 e Janeiro de 2020) eu escrevi que esse tema era importante demais para ter recebido até então apenas vaga e incompleta atenção do Papa. Escrevi que eram casos criminais, e que a cooperação com investigações criminais de todas delegacias mundiais era a ação que eu pensava necessária. Naqueles artigos fui pesado na crítica ao Papa. Agora preciso me retratar.

A fim de entender melhor essa ordem papal, fui na arquidiocese de Porto Alegre, a primeira no Brasil a responder à ordem papal, e me informei como essa ordem estava sendo obedecida. Uma Comissão apropriadamente nomeada de Tutelar, pois foi constituída para proteger principalmente crianças, será composta por padres, irmãs, médicos, psicólogos e psiquiatras infantis, advogados, juízes, pedagogos, professores de direito, membros da Polícia Civil e Polícia Federal, num total de 12 pessoas, 4 homens e 8 mulheres, membros da sociedade porto-alegrense. Que orgulho senti.

Fui também à Unisinos, universidade jesuíta em São Leopoldo, cidade localizada a uns 40 km ao norte da capital. Que maravilha! Não encontro palavras para descrever minha surpresa. Criada do nada, tem um campus totalmente planejado, magnífica biblioteca, com seis andares, armazenando documentos e referências raras. O restaurante universitário, ou RU, é um restaurante por quilo da mais alta categoria. Uma incubadora de tecnologia ajuda empresas em fase de start-up e empresas já andando sòzinhas a crescer. Abriga também gigantes tecnológicos mundiais que encontram na Unisinos quadros bem preparados a um custo bem menor do que aqueles de seu país de origem. Por que fui lá? Eu sabia que a decisão do Papa tinha sido difícil. Tentei entender quão dificil havia sido. É que o Papa, por ser o primeiro jesuíta em dois mil anos a chegar ao papado, deve ter entendido há muito tempo, que precisava dar essa ordem; mas como chegar ao papado? Então fui lá na Unisinos, para tentar entender o pensamento dos jesuítas. Encontrei o apoio do curador da biblioteca, que conhece essa História de primeira-mão, sendo professor de História e tendo vivido 24 anos em Roma.

A ordem dos jesuítas, fundada por Santo Ignácio de Loyola, faz o juramento de trabalhar nas fronteiras. Essas fronteiras podem ser geográficas, mas podem ser também as fronteiras da pobreza. São os missionários, fazem o trabalho de base, de campo. Como então um jesuíta passa a fazer trabalho episcopal, de diocese, como entra na hierarquia da Igreja? Um bispo superior pode dar a ordem a um jesuíta de passar ao trabalho, digamos, burocrático. O convite pode ser recusado três vezes. O quarto convite passa a ser uma ordem. Passando ao bispado, dom Bergoglio eventualmente foi Arcebispo de Buenos Aires, e depois erguido ao cardinalato, em Roma.

Apenas cerca de 1% dos bispos católicos são jesuítas. Entendam a dificuldade política. Para chegar a ser Papa, dom Bergoglio teve que fazer muitas manobras. Uma delas, que recebeu mais atenção, ocorreu durante a ditadura militar, no caso da argentina, praticante de terrorismo estatal. Conhecida era a ocupação da Plaza de Mayo por las madres, centenas de mães de desaparecidos nas mãos da ditadura. Las madres de la Plaza de Mayo caminhavam em silêncio, com um lenço branco nos cabelos. Freiras que apoiavam essas mães foram assassinadas. Padres jesuítas que simpatizavam com os oponentes da ditadura foram ordenados por dom Bergoglio a se afastar dessa oposição. Na verdade, ele fez isso não porque favorecia a ditadura, mas para proteger esses padres. Dentro da igreja havia padres e bispos que colaboravam com a ditadura, como informantes. Dom Bergoglio seguramente sabia disso, e protegeu os padres jesuítas. Sem conhecer os detalhes, muitos, como eu, criticaram o bispo Bergoglio nessa ocasião.

Foram sete anos de papado, até Francisco sentir-se forte o suficiente para emitir essa ordem papal. Eu penso que essa questão, os abusos sexuais e a pedofilia dentro da igreja, é uma questão de vida ou morte da igreja, e o Papa Francisco seguramente pensava o mesmo há muito tempo. Bento XVI tinha em sua posse um dossiê que manifestava essa mesma avaliação. João Paulo II assinou esse dossiê, em seu leito de morte, ajudado pela mão de Bento XVI. Mas Bento XVI não se sentia forte o suficiente para emitir esse tipo de ordem. Renunciou, dando início ao papado de dom Bergoglio, Papa Francisco.

Sete anos de costuras políticas, e muitas outras antes do papado, e finalmente veio essa ordem papal. Notem que a percepção de que essa ordem seria um tema de vida ou morte para a igreja desafia a Igreja Católica dos Estados Unidos, e arrisca uma cisão vertical na própria Igreja. A Igreja Americana se opõe, agora obedece, mas poderia no futuro cindir. É que aqui (moro nos EEUU) existem os lawsuits e a igreja americana poderia quebrar finaneiramente. Os americanos são os maiores doadores mundiais.

Outra observação digna de nota. Esse crime ocorre em todas as igrejas, não é exclusiva dos celibatários. Esse crime não se restringe a religiosos, ocorre em organizações como os escoteiros, e nos exércitos. A Igreja Católica até agora foi a única a dar tal ordem.

Por tudo isso, peço perdão aos meus leitores pela contundência equivocada nos artigos passados, esperando que agora a História tenha sido retificada.Viva o Papa Francisco, dom Bergoglio, um ser humano dos Pampas, homem inspirado e corajoso, que lutou uma batalha de vida inteira, pela vida de sua Igreja.

Abuso Sexual e o #ficaemcasa

Anna Alvez-Lazaro

Quarentena horizontal (radical) e as consequências nefastas para as vítimas do tráfico humano e do abuso e exploração sexual infantil

De acordo com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes, as redes de crime organizado tem se beneficiado ainda mais da pandemia, uma vez que, restrições de locomoção, bloqueios, cortes de recursos e demais medidas extremas que deveriam conter a disseminação do novo corona vírus estão colocando as vítimas do tráfico de pessoas em risco adicional de exposição, especialmente crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual. Ainda de acordo com o Chefe da Divisão de Investigação Criminal do FBI, Calvin Shivers, o FBI identificou mais de 400 vítimas de abuso sexual infantil online por 75 dias durante a pandemia. Predadores online estão tirando grande proveito para os seus crimes durante a pandemia do COVID-19 aliciando crianças e adolescentes enquanto estão em casa passando mais tempo online.

A exploração sexual online acontece das seguintes formas:

Predadores podem coagir crianças a fornecerem imagens ou vídeos sexualmente explícitos de si mesmos e/ou de membros mais jovens da família.  Ameaçando publicar as imagens ou enviá-las aos amigos e familiares da criança, se a mesma não continuar enviando o material, são forçadas a um ciclo abusivo de exploração.

Outros infratores podem fazer contato casual com crianças on-line, ganhar sua confiança e introduzir conversas sexuais que aumentam a intimidade ao longo do tempo. Podendo resultar em um relacionamento on-line que inclui conversas sexuais, troca de imagens ilícitas e encontro físico da criança pessoalmente com o objetivo de se envolver em atividades sexuais ilegais.

Como muitas empresas e escolas se voltaram para reuniões e salas de aula virtuais, serviços de transmissão de vídeo como o Zoom se tornaram alvos do Material Sexual de Abuso Sexual Infantil.

Em 22 de maio de 2020, o FBI anunciou que “havia recebido mais de 240 denúncias de incidentes nos Estados Unidos e em outros países nos quais um participante do Zoom conseguiu transmitir um vídeo que mostrava material de abuso sexual infantil”. As vítimas dessas “interrupções de zoom” são numerosas.” É um crime violento, pois toda vez que o material de abuso sexual infantil é visualizado, a criança é novamente vitimada. Além disso, quem vê inadvertidamente material de abuso sexual infantil durante um evento virtual também é potencialmente uma vítima.

Há no site do FBI um formulário onde o individuo pode relatar esse tipo específico de atividade criminal: “Procurando vítimas na investigação de interrupções de zoom”.

Os predadores de crianças e adolescentes na internet sabem do fechamento generalizado das escolas, e que as potenciais vítimas estão em casa na dependência das plataformas da internet. Estes predadores sabem que tem uma excelente oportunidade de atacar as crianças e adolescentes em um ambiente tão fácil de acessar e transitar anonimamente.

Não resta dúvidas que a pandemia do COVID-19 mudou o cenário das ameaças cibernéticas.

Para ajudar a tornar o streaming de vídeo mais seguro contra ameaças de sequestro, o FBI recomenda que os usuários:

Não torne públicas as reuniões ou salas de aula. No Zoom, há duas opções para tornar uma reunião privada: exigir uma senha de reunião ou usar o recurso de sala de espera e controlar a admissão de convidados.

Não compartilhe um link para uma teleconferência ou sala de aula em uma postagem de mídia social irrestrita e disponível publicamente. Forneça o link diretamente para pessoas específicas.

Gerenciar opções de compartilhamento de tela. No Zoom, altere o compartilhamento de tela para “Somente host”.

Verifique se os usuários estão usando a versão atualizada dos aplicativos de acesso remoto/reunião. Em janeiro de 2020, o Zoom atualizou seu software. Na atualização de segurança, o fornecedor de software de teleconferência adicionou senhas por padrão para reuniões e desativou a capacidade de procurar aleatoriamente as reuniões para participar.

Por fim, verifique se a política ou guia de tele trabalho de sua organização atende aos requisitos de segurança física e de informações.

A crise do COVID-19 fez com que muitas organizações e escolas realizassem reuniões/eventos virtuais, alguns dos quais abertos ao público.

À medida que as pessoas continuam a transição para aulas e reuniões on-line, o FBI recomenda exercer a devida diligência e cautela em seus esforços de segurança cibernética.

Além das ameaças cibernéticas, o  confinamento radical tem promovido um alto nível de estresse, desempregos, recessão econômica, fome, depressão, aumento em casos de mortes por enfarto, suicídio, violência doméstica.

O número de internações de crianças por abuso sexual e outros traumas físicos durante o confinamento tem crescido assustadoramente. As vítimas de violência doméstica estão trancadas com seus algozes que aproveitam a oportunidade do confinamento para abusarem initerruptamente de suas vítimas sem serem denunciados. Há uma grande preocupação das autoridades e órgãos envolvidos na proteção da criança e do adolescente quando estes retornarem às escolas, pois somente nesta ocasião, saberemos realmente o tamanho do estrago. Urge que a sociedade faça uma reflexão profunda, honesta, despida de qualquer vaidade, sem qualquer cunho político ou ideológico e, principalmente, sem hipocrisia sobre as questões expostas neste artigo. A forma como a sociedade está lidando com a pandemia do COVID-19 irá afetar de maneira profundamente irreversível nas gerações futuras. Questione-se!

Livestream
Rafael Vergne Viana

Equipamentos esgotados nas lojas e nos sites especializados, mostram que o mundo acordou para o Livestream.

Nunca vimos tantas  pessoas ao vivo, basta abrir a rede social, estão todos ali, de braços abertos numa transmissão aconchegante bem naquele exato momento.

Tem Live de Sertanejo, tem de culinária, tem live de cachorrinho, tem discussão política e até aquele seu vizinho chato está transmitindo. Hahahaha risos? Fato! Mas o que eu quero te instigar a fazer com este papo? Quero ver a tua Live. Produza!

Uma das maiores características desta tecnologia, seria a ausência da dependência da edição, que exige alguns conceitos a mais, mas o stream tende a ser o que há de mais sincero do vídeo produzido.

Quando se faz ao vivo, basta encerrar a produção e lá está, gravado na galeria para você fazer o que quiser.

Tá ao vivo? Ta na rede, ja foi! Agora é partir pro abraço! Esperar o público viralizar seu post, ou simplesmente ignorar a chance de ficar famoso e continuar produzindo seu conteúdo, em paz, sem fazer guerra com ninguém.

Sabe outra coisa que está muito, mas muito mesmo difícil de fazer? Conseguir receber ajuda do pessoal do suporte, dos eletrônicos.

Carambolas! Basta que o seu vídeo game quebre e você já entra no clube dos desconectados, mudando de atendente virtual como se muda namorada no carnaval.

Mas vamos ao que interessa, já buscou na web aquelas mídias que você vai utilizar na sua live? Milhares de modelos, fotos, vídeos, então, vamos lá! Comente um vídeo, dê dicas sobre uma banda internacional, gere conteúdo, de preferência, algo que você saiba muito bem. Falar em frente a uma câmera hoje em dia pode ajudar muita gente. Não perca a oportunidade de fazer a diferença na vida de alguém. Coloque sua câmera de frente pra você, coloque tudo perto da janela e fique de frente para a fonte de luz, busque horários em que a luz fica difusa, como o entardecer e um pouco depois do amanhecer. Veja vídeos de exemplos na internet e seja um videomaker feliz. Equipamento não é tudo, mas sempre ajuda muito. Procure sempre por coisas originais e durabilidade reconhecida por outros usuários na internet, como lentes, bateria e cabos, acessórios que podem te deixar na mão.

Este tempo em casa, pode ser uma oportunidade para você se descobrir na área de áudio, vídeo e luz.

Então, por hoje e só pessoal! Fiquem em casa, produzam e permitam-se começar!

Um cérebro que não para de aprender
Marcio Alves

Burro velho não aprende a marchar”, diziam alguns dos meus parentes mais idosos, no meu tempo de menino. O antigo provérbio significava que, com a idade, perdemos a resistência física e começamos a resistir a quase tudo o que é novo. Noutras palavras, “quando a idade chega, já não aprendemos mais nada”. Mas, a moderna neurociência tem demonstrado que isto não é verdade não passa de uma antiga crença limitante.

Um ser humano nasce com bilhões de células cerebrais, os neurônios, muitos dos quais estão interligados através de redes neurais. À medida que a criança é exposta a certos estímulos, novas vias neurais vão sendo formadas.

Se uma criança acidentalmente toca uma superfície quente, uma nova rede neural se forma. Isto vai ajudar a alertá-la para não tocar a superfície novamente, evitando que ela se queime. Com a repetição, as redes se fortalecem. É por isso que a repetição pode ser vital no processo de aprendizagem.

Na medida em que a pessoa atinge certa idade, algumas das suas redes neurais podem se romper. Ao longo do tempo isto pode ter impacto na capacidade de recordar determinadas informações. No entanto, hoje se sabe que o próprio cérebro pode ajudar a reverter isto. E é importante saber desafiar o cérebro para formar novas redes neurais e contrariar o colapso que pode ocorrer ao longo do tempo.

As estimativas da quantidade de neurônios no cérebro humano variam muito. Na Escola de Medicina da Universidade de Stanford, em 2010, pesquisadores descobriram que um típico cérebro humano saudável pode conter até cerca de 200 bilhões de células nervosas, ou neurônios, ligados um ao outro por meio de centenas de trilhões de minúsculos contatos chamados sinapses.

Cada neurônio pode chegar a se comunicar com até 200.000 outros. Por isto se diz que o número de maneiras que a informação flui no cérebro humano pode ser maior do que o número de estrelas de todo o universo conhecido.

A comunicação entre um neurônio e outro é a base para a formação das redes neurais. Essas redes, começando a ser formadas desde a infância, são responsáveis por tarefas particulares do cérebro, como aprendizagem, reconhecimento de padrões e resolução de problemas.

Há vinte anos passados, acreditava-se que as redes cerebrais eram estáticas após o seu período de formação inicial. Pensava-se que, uma vez formadas, elas permaneciam “hard-wired” ou inflexíveis. No entanto, nas últimas duas décadas, a neurociência tem mostrado uma outra realidade: nossas redes neurais são, na verdade, adaptáveis, flexíveis e receptivas a mudanças. É o que a neurociência chama de “plasticidade cerebral”.

Durante décadas, o dogma prevalecente era que o cérebro humano adulto é essencialmente imutável, fixado em forma e função, de modo que ao atingirmos a idade adulta, ficamos presos ao que já sabemos. Sim, ele pode criar (e perder) sinapses – as conexões entre os neurônios que codificam as memórias e aprendizagem. Mas os últimos anos de pesquisas e novas descobertas têm derrubado o dogma.

Em seu lugar, veio a percepção de que o cérebro adulto mantém poderes impressionantes de “neuroplasticidade” – a habilidade de mudar sua estrutura e função, em resposta às experiências de vida. Em resumo, o cérebro pode continuar aprendendo, em qualquer idade, não com pílulas mágicas ou curas, mas com foco e treinamento disciplinado.

Por exemplo, um estudo com violoncelistas revelou que as regiões do cérebro que recebem e processarm sinais a partir das pontas dos dedos, tornam-se comparativamente muito ampliadas.

A revista New Scientist (2006/03/07) relata um exemplo real de neuroplasticidade, ocorrido com um paciente que passou 19 anos em coma. Terry Wallis, um homem de 19 anos, de Massachusetts (EUA), acordou depois de passar 19 anos em estado minimamente consciente. Quando os cientistas digitalizaram sua situação cerebral, combinando as tecnologias do seu PET (Tomografia por Emissão de Pósitrons) e DTI (Diffusion Tensor Imaging) encontraram evidências de que o cérebro de Wallis havia “desenvolvido novos caminhos e novas estruturas anatômicas completas para restabelecer conexões funcionais compensando, para o cérebro, as vias perdidas no acidente.”

Qual a importância, em sentido prático, da plasticidade cerebral? Há muitas implicações para o comportamento humano e padrões de aprendizagem. Primeiramente, o conceito de plasticidade cerebral desafia o velho ditado de que “burro velho não aprende a marchar”.

É claro que com a idade, torna-se cada vez mais difícil aprender novas coisas. No entanto, a capacidade do cérebro para se adaptar a mudanças perpetua-se ao longo da vida de uma pessoa.

Dr. Michael Marsiske, um membro da equipe de pesquisa e professor associado da Universidade da Flórida em Gainesville, afirma: “Eu acho, de forma conclusiva, que quando os idosos saudáveis colocarem esforço em aprender coisas novas, poderão melhorar a sua aptidão mental”.

Homenagem da ABI-I aos “Super-Herois” do seculo XXI

Um novo “super-herói” emergiu durante a crise gerada pela pandemia. Eles(as) não usam capa, não voam, mas usam máscara. Eles(as) não são necessariamente musculosos, mas são guerreiros(as), não têm super-poderes mas são corajosos(as).

Destemidos, eles(as) arriscam suas vidas diariamente para preservar a sua, a minha e a vida de todas as pessoas que estão em casa durante a pandemia.

Esta também é uma homenagem especial da ABI Inter aos jornalistas, editores, camarógrafos, fotógrafos, donos de veículos e toda classe ligada a comunicação que tem como missão comunicar, em qualquer situação.

A ABI-Inter agradece a todos os profissionais que trabalham na “Linha de Frente” que arriscaram suas vidas durante a quarentena: Médicos, Enfermeiros, Policiais, Bombeiros, Entregadores, Lixeiros, e Motoristas.

Que Deus os abençoe!

ABI-Inter tem novo Presidente

Apesar da quarentena, em Maio, foi realizada uma reunião virtual entre os diretores e membros da ABI-I (Associação Brasileira de Imprensa Internacional) para a escolha da nova diretoria para  o Biênio 2020-2022.

“Nesses momentos de crise, cada membro da associação precisa de apoio para se superar e seguir adiante. A nova diretoria está muito bem composta por pessoas extremamente capacitadas de diferentes vertentes da comunicação.  Além disso, temos o apoio de todas as diretorias passadas, e isso nos dá a segurança que precisamos nos unir para enfrentarmos novos desafios. Estamos aqui para somar”, disse o novo presidente eleito Antonio Martins.

Depois do COVID-19, Martins continua a prever que o futuro não será fácil, mas está otimista porque conhece muitas histórias de vida de brasileiros imigrantes e garante que estão acostumados a vencer dificuldades. O atual presidente quer uma aproximação maior de cada membro da instituição e espera estar pronto para oferecer suporte necessário como presidente. Antonio lembra que a ABI é uma ONG e todos os diretores atuam como colaboradores voluntário. Assim, espera que cada membro possa exercer seu papel de sócio, envolvendo-se, engajando-se de verdade, trazendo para o debate críticas construtivas para unirmos cada vez mais a ABI-Inter.

Segue abaixo os nomes e cargos da nova diretoria.
Presidente: Antônio Martins (Grupo Acontece/Flórida)
Vice-Presidente: Mara Rubia Sanfilippo (Mara’s List/Massachusetts)
Tesoureiro: Alex Colombini (JS News/Massachusetts)
Secretária: Alessandra Leme (Leme + Partners / South Florida)
Primeiro-Secretário: Celso Braz (Brasil Best/Califórnia)
Segundo-Secretário: Assis Mota (Revista People Circulando/Brazil)
Conselhereiro: Eraldo Manes (Jornal Brasileiras e Brasileiros/Orlando)
Conselhereira: Chris Delboni (Delboni Communications/Miami)
Regionais ABI Inter:  VP Ásia – Japão: Artur Muranaga
VP Europa – França: Mauro Cardoso
Representante ABI-Inter/Londres: Adriana Chiari
Representante ABI-Inter/Holanda: Pollyane Reis
BDO Song Festival 2020
Doris Nogueira

“O primeiro festival de música on-line para brasileiros que vivem nos EUA.”

Não é de hoje que os festivais de música movimentam multidões. Seguindo a tendência mundial, o Brazilian Day Orlando vai tomar conta da internet, em grande estilo, com shows musicais on-line pelo BDO Song Festival 2020.

A pandemia de Covid-19 impossibilitou a realização do evento no parque Lake Eola. Por esta razão, os organizadores do BDO decidiram criar um reality show para celebrar a cultura brasileira na América através da canção.

Serão 64 dias de competição com performances e conteúdos inéditos, em 10 episódios transmitidos ao vivo pela internet nas mídias sociais (YouTube e Facebook) do Brazilian Day Orlando e de seus parceiros.

As lives vão acontecer entre 17 de julho e 18 de setembro de 2020.

Os interessados em participar desta festa brasileira em Orlando precisam acessar o site www.bdolive.com para conhecer o regulamento e preencher a ficha de inscrição, gratuitamente, até o dia 05 de julho de 2020.

O participante poderá inscrever até duas composições inéditas e originais. Trinta e seis inscritos terão seus vídeos selecionados por uma comissão julgadora para participarem da primeira edição do BDO Live Song Festival.

O primeiro colocado vai receber como prêmio a produção da música apresentada, criação e produção do videoclipe, digital mídia marketing e será contratado para apresentação no show presencial Brazilian Day Orlando 2021.

O BDO Live Song Festival 2020 terá a participação especial de grandes nomes da música brasileira. O festival de canção on-line será exibido em programas semanais e vai envolver jornalistas, mídias comunitárias, professores, músicos, maestros, intérpretes, compositores e instrumentistas que vivem nos Estados Unidos.

O imigrante brasileiro que soltar a voz no festival on-line poderá ser visto de todas as partes do mundo pela TV, tablet, computador ou smartphone. A expectativa dos organizadores é de mais de um milhão de impactos únicos.

O BDO Live Song Festival é uma realização do Brazilian Day Orlando, Facebrasil, BR Plus e Studio 94. Parceiros: Radio Gazeta News, Jornal B&B e Jornal dos Sports.

Apoio: Consulado-Geral do Brasil em Miami, CFBACC (Câmara do Comércio da Flórida Central), City of Orlando, Visit Orlando.

UM TEMPO NA TERRA DA FANTASIA, ORLANDO – Reflexões saudosistas
Alice Mesquita

Foi com muita alegria, além da pitada de saudade de escrever nas páginas deste jornal, que recebi o convite para falar sobre meu tempo na América, em Orlando. E a razão pela qual mudei o plano e voltei.

Acredito que a experiência como imigrante, talvez a mais rica de toda minha vida, tenha sido por motivos diferentes da maioria dos que para lá foram. Fui viver um relacionamento, um romance, uma oportunidade de realizar um antigo sonho. Porém, o chegar imigrante é igual para todos, não importando os motivos que levam a esta experiência. Especialmente quase na primeira leva de inexperientes imigrantes, que desde o final da década de 80, buscavam saída para a crise brasileira com trabalho na atrativa era Reagan.

Antes de encontrar a comunidade brasileira em Orlando, encontrei a América e suas diferenças. Desde o funcionamento das torneiras até o comportamento no trânsito, onde as regras devem ser entendidas em sua razão e cumpridas. Aprendemos rapidamente a não passar primeiro numa porta, pois logo ouvimos alguém desculpando-se por ter atrapalhado; não encarar quem passa, pois constrangidos, acabam nos cumprimentando; o Stop Sign é para parar mesmo e contar até 3. Há muito para aprender e se encantar com a ordem, tranquilidade e praticidade da vida americana. Porém, é preciso observar e entender que é uma outra cultura, na qual vamos nos inserir e respeitar, sem perder nossas características ou querer impô-la. Um aprendizado fascinante para quem se propõe viver em harmonia.

Com o bailarino Fernando Bujones

Orlando é uma cidade multicultural, onde se pode dar asas à imaginação. Junto com as comunidades brasileira, hispana e americana, tive a oportunidade de ajudar a organizar inúmeros eventos culturais e musicais. E claro, cantei! Como colaboradora deste caro jornal, Brasileiras & Brasileiros, escrevi crônicas mensais, fiz entrevistas e cobri eventos culturais. Muitos encontros aconteceram…Peri Ribeiro, Léo Gandelman, o bailarino Fernando Bujones, Manfredo e Lili Fest, maestro Nilson Dizeu, maestro Armando Velasquez, Beth Tabakov, companheira de canto, Anthony Portigliatti, Maida e Eraldo, Chago Montez (que tocou com Carmem Miranda), Alejandro de La Fuente e seu flamenco, o Sheriff Beary, encantado com o Brasil, a prefeita Glenda Hood, e tantos…O 1º Encontro Musical de Orlando, a Associação Cultural Brasileira, a independência da CFBACC. As aulas de espanhol e português para americanos, indianos e cubanos.

Além dos acontecimentos, conheci muitas histórias, tantas. Algumas tristes, com denúncias, revelando o desagradável traço de desunião entre os brasileiros, “puxadas de tapete”. Porém havia amigos, tantos amigos que muito faziam pela imagem do Brasil. Gente que se orgulhava de ser brasileiro e havia entendido que cada um representava um imenso país. Tínhamos orgulho de nossa cultura, quando nos encontrávamos na pizzaria do João Neves!

No entanto, como dizem os americanos “a man’s got to do what a man’s got to do”. Meus pais precisaram de mim, pois a idade lhes chegou e os pegou sem apoio na cidade onde moravam. Fechei o American dream no coração, com saudade e muito aprendizado. E voltei sem querer voltar. Agora, tanto tempo depois, essa surpresa, este convite. Sempre lembro dos amigos de Orlando, alguns moram nas lembranças, outros voltaram para o Brasil e há outros que moram nas redes sociais, onde nos encontramos. 

Voltei sim, mas recomendo esta experiência fascinante de ser imigrante num lugar onde a cidadania e a verdade têm um valor inestimável e nos são recompensadas com a paz do cotidiano.

Alice Mesquita – Cantora, pesquisadora e palestrante na área de Literatura
alisss@uol.com.br
O alto custo não é fácil
Luis Sombra

Na verdade, quando chegamos na América a 4 anos atrás já programamos a troca da América pela Europa. Sabíamos que quando nossos filhos acabassem a High School teríamos o grande problema do alto custo das Universidades Americanas. Até por ser um imigrante, meu filho apesar de ser atleta em destaque em mais de um esporte na High School, o custo da sua Universidade passaria dos U$50,000 por ano. Na Europa, o custo de uma Universidade do mesmo nível não passa de U$1.100 por ano. A saudade não pesou nessa decisão, pois tínhamos parentes nos visitando o ano todo e os novos amigos supriram a saudade do Brasil.

Outra coisa que pesou bastante foi a saúde. Nos primeiros anos, usamos o plano de saúde anual porém com o tempo a seguradora de saúde não cumpriu os pagamentos ao Hospital utilizado alegando que seguro viagem não pode ser usado por um morador; isso nos custou U$13.000, somente por 5 horas em um hospital. Então, leve isso em consideração e siga este alerta se você pretende morar nos Estados Unidos.

Outros custos altíssimos são os seguro de carro, 3 vezes mais caro que na Europa. O IPTU (PROPERTY TAX) imposto residencial -que depende do valor da casa- chega a custar mais de U$5.000 por ano; e, por fim, o seguro do imóvel próprio que também é muito caro.

Deixamos investimentos e muitos amigos na América e também amamos o clima da Flórida. Logo que cheguei em Orlando formei a rede social Fácil com Sombra, que hoje somados passam de 600.000 seguidores, onde passo muitas dicas sobre Orlando e aconselho passeios pela Flórida. Então, voltamos pelo menos 3 vezes por ano para matar saudade e saber das novidades. Para finalizar, realmente o custo de vida na América é quase o dobro da Europa e isso com o câmbio atual faz muita diferença.

Meu conselho é: jamais vá para a América sem documentos legais e, se tem adolescentes, vá preparado para a dificuldade pós High School.

Luis Gustavo Sombra, 52 anos, economista, criador das redes sociais “Fácil com Sombra” participou da mídia de imprensa das Redes Disney e Sea World por 2 anos. Morou na Flórida por 4 anos até 2019. email: orlandofacilcomsombra@gmail.com
Legado de um visionário
Edilberto Mendes

O envelhecimento consciente, sereno e saudável é uma das maiores dádivas de Deus.

Entender a hora certa de parar e sair de cena é algo de consciência suprema.

Agir na hora exata de passar o bastão aos mais jovens para que prossigam e tentem novos passos, novos rumos é coisa de mestre. É assim que aprendemos e praticamos na vida… quando deixamos a escola, quando um filho se vai para a formação de uma nova família.

No meu caso, minha hora chegou e eu me retirei de cena. Entendi que o sonho que sonhei durante todo tempo fazer da comunidade brasileira uma presença forte na América, não foi em vão.

Tivemos conquistas expressivas. As próximas gerações hão de se orgulhar de nós, os precursores.

O retorno

Resolvi voltar ao Brasil em função de minha aposentadoria e para usufruir da companhia do que resta da minha família e de amigos…muitos deles já se foram e eu não estava aqui. Sensação de dever cumprido.

Hoje curto um Brasil diferente e genial, mas totalmente de cabeça para baixo, lutando para extinguir a corrupção. O país anda em busca de respostas.

As minhas considerações são importantes?

Sei lá… e nem sei se posso oferecer ideias para alguma mudança.

Mas como um Don Quixote estou sempre sonhando.

Ainda existe uma resistência muito grande de alguns setores, principalmente o cultural de aceitar ideias novas, de ouvir e aceitar a voz da experiência, mesmo que seja para melhorias significativas.

Muitos dos brasileiros que retornarem um dia à pátria amada gentil, na certa, sentirão a mesma sensação que eu tive em meu retorno.

Mas vale a pena tentar e descobrir um Brasil que a gente não conhece.

O Brasil é um pais maravilhoso, o brasileiro um ser humano sem precedentes, mas sem líderes de fato, sem propostas concretas, lutando contra a corrupção.

No meu entender, este é o pano de fundo.

Viver no Brasil não tem segredos

Viver o Brasil e no Brasil é coisa muito simples. Entender o país e seus problemas, suas mazelas e não comparar nada com aquilo que ficou para trás. Por mais idealista que seja não querer consertar nada e ninguém, mesmo que se tenha ideias geniais do primeiro mundo onde vivemos uma boa parte de nossas vidas.   

Por aqui encontra-se muito pouco aceitação. Let it be…

O país é lindo, o povo genial e uma natureza sem igual. Viver como é possível…

Uma pena… O sonho não foi em vão.

Simples e reto –  Nunca lamentar que as nossas muitas melhores ideias foram aplicadas no exterior, e não aqui, e algumas com absoluto sucesso.

Edilberto Luciano Mendes, morou nos EUA desde 1980. Visionário e idealista. Criou projetos ousados como a inclusão dos brasileiros no Census Americano, como uma etnia diferenciada de povos que falam português. Produtor executivo do Brazilian Day in N.Y e editor do jornal The Brasilians ,durante 30 anos. Um dos fundadores da ABI-Inter que aglutina a mídia brasileira no mundo. Vive atualmente em Belo Horizonte executando projetos culturais. edilbertomendes@gmail.com