Procurar por:
Os três circos da nossa vida
Peter H. Peng

Saudades vem sempre junto com o antigamente. Alegria vinha quando o circo chegava na cidade. Antigamente era o circo de lona, o itinerante, acompanhado de ciganas que liam nossas mãos. Eu acompanhava a chegada dos caminhões, quatro, ao terreno cedido pela prefeitura de Porto Alegre para esse que era o grande evento da minha infância. Eu chegava lá todas as tardes, depois da escola, de bicicleta, costeando a Rua do Riacho, ou Arroio Dilúvio, e ia ver o pessoal cravar a ferragem inclinada no chão, esticar a tenda, e erguê-la, tendo as cordas grossas fazendo a protensão, e o tronco de eucalipto no centro, levantando tudo. Até o dono do circo metia a mão na massa, dirigindo e verificando a qualidade e a segurança. Eu seria seguramente um futuro cliente. O que é que esse guri chinês veio fazer aqui de bicicleta? Depois montavam as arquibancadas e o círculo de proteção. Eu conversava, conversa de piá. “Prá que serve isso, seu moço? E moça. E o que é aquilo?” Eu ouvia seus nomes ou apelidos serem trocados entre si, e memorizava os mesmos. Era sempre mais fácil guardar os apelidos. Por que será? Óbvio. Depois eu os chamava pelos nomes próprios. Todos os trabalhadores e trabalhadoras me tratavam bem. E sabia que esses eram os próprios artistas.

Saudades e alegria, artificialismo e o último palhaço

Os caminhões ficavam estacionados num quadrado, protegendo o acampamento dos artistas, e as jaulas dos animais. Eu ia adivinhando quem seriam os palhaços, os domadores, o equilibrista, os malabaristas, as dançarinas, o baterista. O mestre-sala, claro, seria o dono do circo. Era pouca gente para todo o show. Evidentemente que os artistas seriam de multi-talentos. Apenas uma cozinheira não participava do circo, isto é, ela ficava no acampamento, cozinhando. Café da manhã, almoço e janta. E triturando os restos para os animais. O aroma da cozinha se espalhava por cem metros. Churrasco com farofa, arroz e legumes, num dia, feijão e arroz carreteiro, sopa de legumes no outro, Claro, tudo basedo no caldo de osso, a ser roído depois pelas feras.

Os circos completos vinham com roda gigante, carrossel de cavalos, e alguns com carrossel sobe-e-desce, e a loja de cachorro-quente, algodão azul, amendoim, refrigerante e pipoca, jaulas de macacos e leões; mas, para mim, o circo era só o circo.

No grande dia eu estava lá, levado pela empregada, pois meus pais, imigrantes da classe alta da China, não se misturavam com o povo. Eu ia lá, com o meu chapéu Nat King Cole, a empregada com o lanche dela e a sua coca-cola numa sacola. Mas eu levava uns cruzeirinhos para comprar o amendoim e o cachorro-quente. O amendoim, sempre o doce. E depois, de sobremesa, o algodão azul. Aí vinha a verdadeira delícia. Começava com as palhaçadas, dois palhaços fazendo cambalhotas, gozando com as platéias, soprando aquele apito que se esticava, e puxando o nariz de bola, para nosso deleite, um de cada lado, e o terceiro, da perna-de-pau, lá no alto, jogando balas por cima da rede de proteção. Eu tentava reconhecer quem era quem, por baixo da maquiagem. Para meu deleite particular, quando eu reconhecia um deles, gritava o apelido da platéia. Na batida do gongo, vinham os malabaristas, primeiro um, jogando garrafas no ar, aqueles pinos de bolão, depois outro, fazendo o mesmo. Depois do show das garrafas, vinha o que eu mais gostava de ver. Malabarismos com bolas. Primeiro duas bolas no ar, trocando de mão, depois duas bolas numa mão, jogando no ar e aparando numa só mão. Depois o mesmo na outra mão. Daí, três bolas no ar, quatro, cinco. Ai vinha o segundo e fazia a mesma coisa. Aí vinha o desafio. SEIS bolas no ar. O primeiro conseguia. O segundo conseguia. Depois era ver quem fazia isso por mais tempo, até um deles vencer. O gongo decretava o empate. O tira-teima seria com SETE bolas no ar. (Anos depois, vi um malabarista jogando OITO bolas no ar!!!) Apenas um deles conseguia, o outro reconhecia o vencedor e ambos saíam do palco pendendo-se nas várias direções, agradecendo as palmas e os urros da platéia, e os mais altos gritos, os meus, chamando o vencedor pelo apelido: Carioca! Foguinho!

Depois, o equilibrista, que fazia também papel duplo de palhaço perna-de-pau, dava aquele show na corda bamba, com os premeditados cai-não-cai, o silêncio da bateria e o AHHH da platéia. Naquele tempo eu acho que a vara era de bambú, antes dos tempos do grafite. E sempre com a bateria aumentando o suspense nos momentos críticos. No meio disso o leão, os tigres, e o domador, no chicote, comandando os animais de estimação. E o mágico, fazendo as cartas desaparecer e subir para dentro da cartola sem ninguém perceber. Ou de repente os números do baralho se transformarem num único número, e num único naipe, em geral o 8 (oito) de ouros, bem distinguível de longe. Tudo isso desapareceu.

O circo ficou moderno, profissional, tipo Disney. Artificial. Não mais ciganas lendo as mãos. Não mais acampamentos. Não existe mais terrenos baldios perto do centro das cidades para receber um circo itinerante. Eu moro perto da Disney. Que merda sem alma. Que pobreza. Pobres meninos ricos. Pobres meninas ricas. As crianças de hoje perderam tudo. Por falar nisso, isso também vai morrer em breve. O coronavirus vai matar esse tipo de aglomeração para sempre.

O circo moderno morreu, mas o pós-moderno existe. Basta ligar a televisão para ver esse circo. São circos one-man-show, com milhares, ou milhões, de coadjuvantes que não fazem nada, em cargos comissionados, falsários igualmente, só assistem. Nosso one-man-show, Trump. Ele faz mágica com os numeros, altera as enquetes, mente quanto aos casos de Covid-19, quanto aos testes disponíveis, PPE, ventiladores, mortes, tudo. E faz o “blame game.” A culpa é da China. Num passe de mágica, ele faz os números da economia também mudarem. Ele faz tudo, um palhaço que pinta a cara de laranja, usando lâmpada UV, faz malabarismos misturando tudo ao mesmo tempo no mesmo ar: Lysol, cloroquina, luz UV, vacinas, rendesevir, equipamentos PPE, China, Biden, curvas ascendentes de coronavirus, pretos, latinos, velhos, enfim, no final deixa tudo cair e se espatifar no chão. “Deixa morrer, eu quero mesmo é me reeleger.“ Dá samba! Na nossa macaquice congênita, o nosso médico charlatão, sem CRM, assina as mesmas bulas, faz as mesmas palhaçadas, as mágicas com os números, e canta o samba igualzinho. E nossos coadjuvantes são charlatões ignorantes, quer fardados, falsos empresários, ou economistas que não pensam, intelectuais falsos, sim, todos esses coadjuvantes com número-de-série. E, sim, comissionados, e, como um deles, o único que veste máscara, não para proteger do corona, mas para não se identificar na gangue, como esse mesmo disse, todos parasitas (1) do Estado. Ninguém mais os leva a sério. O mundo veio abaixo. Caiu o circo. Mas podemos re-erguer a lona velha, encardida, e reconstruir nossa felicidade. Depende de nós. VOTE!!!

(1) Para quem não adivinhou ou não acompanhou a história do parasita, ou não identificou o ministro mascarado, foi o Guedes que chamou os funcionários públicos de parasitas, isto é, chamou-se a si mesmo de parasita.
TRÁFICO HUMANO: PARA SUA SEGURANÇA CONHEÇA ESSA REALIDADE
Anna Alves-Lazaro

O Governo Federal tem mobilizado um crescente esforço de recursos para o enfrentamento desse crime, também, para  ajudar os sobreviventes a reconstruírem suas vidas. Considera que uma das formas eficaz de combater ao TH* é processar e julgar traficantes de maneira eficiente.

The Federal Human Trafficking Report 2019**,  do The Human Trafficking Institute fornece uma visão abrangente do TH* e ações judiciais em 2019, identificando os principais casos e destacando tendências emergentes destes casos.

Perfil da Vítima

Em 2019, 91,8% (1.462) das vítimas em casos ativos foram casos de tráfico sexual, e 8,2% (130) foram casos trabalho forçado.

Sexo das Vítimas

O Tráfico Humano, particularmente o tráfico sexual é comumente retratado como um crime baseado em gênero que principalmente afeta as mulheres. No passado, a maioria das vítimas em casos ativos de TH* em 2019 foram do sexo feminino (95,1%,1.372) e apenas 4,9% (70) do sexo masculino. Os casos de Tráfico Sexual, em particular, inclinam-se mais fortemente para as vítimas mulheres, representando 97,9% (1.331) das vítimas em atividade casos de Tráfico Sexual em 2019.

Traficantes também, obrigam homens para a realização de atos sexuais comerciais; no entanto, apenas 2,1% (28) das vítimas identificadas em casos de tráfico sexual ativo eram do sexo masculino.

Além disso, no subconjunto de casos ativos de tráfico sexual que os envolvidos réus eram compradores, a porcentagem de vítimas do sexo masculino aumenta para 9,2% (11), com as mulheres com 90,8% (109.20). Em comparação, casos de trabalho forçado, os policiais e promotores identificaram um número quase igual de homens e mulheres vítimas. Em casos de trabalho forçado ativo em 2019, 50,6% (42) das vítimas do sexo masculino e 49,4% (41) do sexo feminino.

Idade das Vítimas

Em todos os processos de TH*, a idade da vítima é um fator importante que o tribunal irá considerar ao determinar pena de um traficante e a quantidade de restituição devida. Além disso, a idade de uma vítima em uma acusação de tráfico sexual determina se um promotor deve provar coerção para responsabilizar o traficante e qual a pena de prisão mínima estatutária será imposta após condenação.

Além de seu impacto sobre o criminoso e acusação, a idade da vítima também pode ter duradouras implicações para a sua saúde física e mental, incluindo a necessidade de cura do trauma infligido pelo traficante que pode manifestar de forma diferente, dependendo das circunstâncias de vida da vítima e estágio de desenvolvimento no tempo de exploração.

Embora sejam os homens a maioria dos réus em casos de trabalho forçado também, houve um grande aumento na porcentagem de réus do sexo feminino em casos de trabalho forçado do que casos de tráfico sexual em 2019, que é consistente com os anos anteriores. Dos réus ativos em casos de trabalho forçado, 58,5% (38) do sexo masculino e 41,5% (27) do sexo feminino.

Idade dos Réus

A média de idade dos réus ativos em 2019 foi de 35 anos, com o mais velho sendo uma mulher de 80 anos de idade acusada em um caso de trabalho forçado; e o mais jovem sendo vários de 18 anos de idade homens e mulheres em casos de tráfico sexual.

A idade média dos réus ativos em casos de tráfico sexual foi de 34 anos, um ano abaixo da média geral. Além disso, os réus mais antigos em um caso de tráfico sexual foram dois de 71 anos, réus compradores. Quando se observa apenas para casos ativos de réus compradores, a idade média salta de 34 para 42 anos. Finalmente, a idade média é ainda maior, 46 anos, para réus ativos em casos de trabalho forçado, o mais jovem sendo uma mulher de 20 anos.

Através desses relatórios oficiais é possível traçar um perfil preciso da realidade do TH* e desenvolver ações de enfrentamento a esse crime hediondo de maneira assertiva, eficiente e eficaz.

Informações sobre suspeita de Tráfico Humano de criança na Flórida: Florida Abuse Hotline  (1-800-962-2873).

Informações sobre suspeita de Tráfico Humano de adulto em qualquer lugar dos EUA ou de criança fora da Flórida – National Human Trafficking Resource Center 1-888-373-7888.

• TH – Tráfico Humano
•• The Federal Human Trafficking Report 2019
– Fonte Pesquisa
Margarette Mattos: quando a Arte resgata vidas
Nereide Santa Rosa

Em tempos de isolamento social, a busca pela justiça social e o grito da sociedade se tornaram mais fortes, abrangentes, significativos e determinantes. E a Arte acompanhou esse movimento de explosão de sentimentos que estavam guardados esperando um motivo para mostrar a sua força. Logo após esses movimentos eclodirem, surgiram manifestações artísticas para representá-lo: painéis, grafites, pinturas, arte digital, e tantas mais ainda irão surgir.

A Arte é conhecimento, é história, é compreender o que somos e o que fomos. A Arte nos faz conhecer culturas diversas, nos faz aceitar o outro e a diversidade cultural de povos e países. Conhecer diferentes artistas, suas histórias e as diversas mídias visuais amplia a nossa leitura de mundo e nos faz compreender a história de cada ser humano. Margarette Mattos é um dos nomes mais atuantes no panorama das artes visuais dos brasileiros nos Estados Unidos. Seu ateliê em Cambridge, Massachusetts, demonstra sua intensa produção, em meio a telas, pinceis, pigmentos e a diversidade de materiais que utiliza em suas obras. Realizou inúmeras exposições individuais e coletivas em diversas cidades nos Estados Unidos, na Europa e no Brasil, com grande sucesso de público e da crítica especializada, por suas obras de arte. Ganhou diversos prêmios e reconhecimentos, entre eles o “Focus Brasil Visual Awards”.

Margarete nos conta sobre sua vida e trajetória.

Nereide Santa Rosa: Conte um pouco sobre o seu percurso profissional.

Margarete Matos: A Arte surgiu em minha vida há cerca de 30 anos, em Vitória, Espírito Santo, durante um período difícil em razão de uma depressão. Já estava casada e com filhos. Por sugestão de meu marido, entrei em um curso de Arte e me apaixonei. Comecei então a participar de eventos e exposições, e desenvolvi uma técnica própria e única, trabalhando com minérios e pigmentos. Desde então, estou envolvida com o mundo maravilhoso da Arte.

NSR: Qual é a sua inspiração para suas obras?

MM: Vejo as obras de arte como portais. Quando produzo penso em portas e janelas que me levam para um mundo de cores, texturas e emoções. Vou então, seguindo minha intuição, reforçada pelo contato de minhas mãos, meus instrumentos de trabalho, com os materiais que utilizo, criando minhas obras.

NSR: Como você define o seu estilo de Arte visual?

MM: Minhas obras podem ser definidas como “arte expressionista abstrata”, composta por figuras geométricas com cores fortes, materiais únicos e texturas diferenciadas.

NSR: Comente sobre a sua participação no Focus Brasil Visual Awards.

MM: Detentora de diversos prêmios e reconhecimentos, considero os mais importantes os recebidos durante os eventos do Focus Brasil Visual Awards, criado por Carlos Borges, em razão de serem votados inicialmente pelo Board do Focus e, no último estágio, pelos próprios artistas, o que lhes assegura uma importância ímpar.

NSR: Deixe uma mensagem para nossos leitores.

MM: Estou envolvida agora, junto com o artista Sid Degois, no projeto “Mostra sua Cara”, que acontece na plataforma Zoom, de segunda-feira à sexta-feira às 7:10 pm horário da costa leste. No “Mostra sua Cara” batemos um papo com os convidados, pertencentes a várias áreas profissionais, principalmente ligadas às artes. Também, com a criação e envolvimento no projeto “VidArte”, onde trabalho com pessoas que sofrem de depressão através da Arte, sempre digo que “Arte não é só um quadro na parede, Arte resgata vidas”.

Experimentem!

Empreender na América é possível
Jean Chamon

Hoje falaremos da questão do imigrante e do empreendedor. O foco do nosso artigo é no imigrante que veio nos últimos 10 anos devido a crise moral, política, social e econômica que assolou o Brasil.

Muitos imigrantes possuem ou possuíam carreiras consolidadas e de destaque em nosso país. Em rodas de amigos, sempre levantamos a questão que nossa pátria está exportando gestores, executivos, empreendedores, médicos, engenheiros, mestres, doutores, enfermeiros e vários outros profissionais que são a mola mestra de qualquer nação. Todos com o mesmo sonho envolvendo segurança, estabilidade e exercício do seu direito de ir e vir.

Adaptações brasileiras do tipo “gambiarra” nem sempre funcionam na terra do Tio Sam.

Observando a realidade da Flórida, um grande contingente de imigrantes brasileiros possui estabilidade financeira no Brasil e por conta da proximidade da cotação dólar x real conseguiam manter seus negócios no Brasil e viver com tranquilidade em solo americano. Com as altas cambiais dos últimos anos, para os que ainda não estavam empreendendo em solo norte-americano a diferença de quase 6 vezes ficou inviável, nos fazendo lembrar o jogo Brasil x Alemanha durante a copa de 2014, ou seja, um placar duro de empatar.

Vida nos EUA e renda no Brasil. Fica a interrogação em como fazer o chamado “make a living” em dólar.   Ficam duas opções: revalidação dos títulos e diplomas para continuidade da carreira ou empreender.

A grande questão é como empreender na América? Compreendo, que muitas vezes é difícil começar ou recomeçar do zero. Mais complexo ainda, em um outro país sem o conhecimento dos hábitos do consumidor, legislação, mercado, sistema tributário e as vezes da língua. Para tanto, sugiro a reflexão de alguns fatores:

  • • Reinvente-se como profissional e empresário participando de todas as etapas possíveis do seu projeto. O custo de mão-de-obra é muito mais elevado se comparado ao Brasil. Ignore essa sugestão se você imigrou milionário e não tem problemas em gastar (perder dinheiro) em seu novo empreendimento.
  • • Cerque-se de tecnologia substitutiva de mão-de-obra. A revolução 4.0, que devido ao alto custo, é inviável no Brasil aqui é um grande parceiro do empreendedor.     
  • • Tome cuidado ao tentar trazer um segmento de negócios do Brasil para os Estados Unidos. A princípio pode aparentar ser uma ótima opção. Entretanto, tenha cautela com a pesquisa de mercado, adaptação e adequação ao novo cenário. Realize o “soft landing” do seu negócio.
  • • Aprenda a língua local. A barreira imposta pelo não conhecimento da língua é um grande divisor de águas ao empreendedor brasileiro. Aprenda a língua inglesa o quanto antes e se possível o básico da língua espanhola.
  • • A dinâmica de negócios é diferente e o modo de fazer negócios também. Nós brasileiros somos prolixos se comparados ao norte-americano.  “Time is Money”.
  • • Esteja sempre cercado por bons profissionais, consultores, advogados, contadores. Aprender as regras do jogo constitui etapa fundamental.
  • • Faça um BP adequado a realidade e formato de negócios norte-americano. Adaptações brasileiras do tipo “gambiarra” nem sempre funcionam na terra do Tio Sam.

Saiba separar o joio do trigo. Cerque-se de bons profissionais que complementem as suas especialidades. Lembre-se que equipes multidisciplinares aumentam a possibilidade de sucesso do negócio.

Aproveite as oportunidades oferecidas por meio dos escritórios do SBA, Câmaras de Comércio e muitos outros atrativos. Finalizando, espaços de “Coworking”, fomento, incubação e aceleração podem ajudar nesse processo dando a liberdade e o know-how necessário ao seu negócio.

Pense positivamente!

Empreender é possível!

Viajando com seu Pet
Lucia De Cicco

Viajar com animais de estimação é uma tendência crescente. Mas, mesmo o pet mais precioso não é necessariamente um bom passageiro. Levar ou não seu Pet para uma viagem não é tanto uma questão de “você pode?”; mas, uma questão de “você deveria?”

Ninguém conhece o seu animal melhor do que você, então ninguém está mais qualificado para responder a essa pergunta tão importante. Se a resposta for afirmativa, continue lendo: vamos dar algumas dicas que podem ajudar, não só você; mas, também o seu animalzinho.

Se quiser levar seu cão para a praia, fique sabendo que esta é uma prática nada bem vista pelas autoridades sanitárias e pelos médicos veterinários de um modo geral. As razões para tanta preocupação dizem respeito aos acidentes que ocorrem em praias e outros locais públicos. Também à possibilidade de transmissão de doenças que podem afetar as pessoas e a própria saúde do animal; às vezes apresentando problemas pelo excesso de calor, ingestão de restos de peixes e crustáceos, areia ou água salgada.

Os proprietários devem sempre usar o cinto próprio para cães ou caixa de transporte.

Se o seu pet está acostumado a só ficar em casa, você deve prepará-lo para andar de carro. Dirija distâncias curtas e vá aumentando a cada dia assim seu cão ou gato irá se acostumando. Gatos normalmente não têm problema em relação a viagens de carro.

Os proprietários devem sempre usar o cinto próprio para cães ou caixa de transporte. Levar cães de qualquer tamanho solto dentro do carro é perigoso e o motorista pode se distrair e provocar acidentes. Cães que viajam na frente podem ser esmagados pelo airbag e podem morrer ou sofrerem ferimentos sérios.

Se você viaja com seu gato mantenha-o sempre dentro das caixas de transporte. Normalmente gatos não toleram andar de carro e quando estão dentro das caixas de transportes se sentem mais confortáveis além de mais seguro.

Quando você parar o carro nas áreas de descanso sempre tire seu cão do carro com a coleira e com a guia. Não esqueça de limpar a sujeira antes de ir embora. Nunca deixe seu gato livre nessas áreas de descanso. Se você precisar tirá-lo da caixa mantenha-o sempre na coleira. Gatos costumam correr e ficará muito difícil pegá-los. Além disso, eles podem correr o risco de serem atropelados.

Quando você for viajar com eles de avião é muito importante planejar bem a viagem e verificar com a companhia aérea quais são os procedimentos. Se for viajar fora do país onde reside, verifique junto aos consulados quais são os protocolos corretos. Esses procedimentos mudam de país para país.

Tenham uma boa viagem, aproveitem e não esqueçam de planejar tudo com muito cuidado antes de levar seu pet com você. E, se você deixar o seu animalzinho para trás não esqueça que ele é um membro da sua família. Por isso, deixe-o sempre com alguém responsável ou em algum hotel com boas referencias.

Dicas gerais de viagem para animais de estimação:

  As vacinas devem estar em dia.
  Ter identificação é muito importante no caso dele(a) se perder. As tags (placas de identificação) devem constar nome, telefone e endereço.
O ideal é o seu animalzinho ter também um microchip.
  Se seu pet está tomando alguma medicação, leve o suficiente para não faltar.
  Leve sempre coleira extra, guia, litter (no caso de gatos), comida e água.
  Não esqueça os brinquedos e, se possível, a cama onde dorme. Assim ele(a) se sentirá familiar no hotel ou camping.
  Traga sacolas plásticas para recolher a sujeira que ele(a) fizer.
  É muito importante ele(a) estar usando remédio preventivo contra dirofilariose (verme do coração) e pulgas.
Os três T’s da trama Trump Tik Tok
Rafael Vergne Viana

Tão complicado como falar o título desta matéria é entender, às vezes, o que rola no mundo político, ainda mais em outro país, termos técnicos nas palavras de nosso presidente dos EUA viram simplesmente: “Top, Lixo, Gostei e Proíbe. lol!”

Vou te falar, com milhares de coisas para resolver, esta posição é mais normal do que imaginamos no cotidiano dos grandes cargos. Ainda mais se tratando da máquina chamada Estados Unidos da América, para qual todos estão de olhos voltados, para onde o mundo se converge, fique você meu caro leitor(a), pensando que é fácil ser o centro das atenções?

Eu, a cada dia abuso da dádiva de não ser ninguém, porque basta chamar um pouquinho de atenção, e então lá vamos nós nos proteger de coisas que nem sabíamos que existiam. Muitos artistas abandonaram fortunas comprando, com esta renúncia, a paz do anonimato e a leveza de ser uma pessoa normal, Steven Seagal (hoje xerife) que o diga. Bastante complexo, não? Bastante complexo, meu amigo (a)!

Entretanto, a birra “laranja” de nosso presidente Trump não está totalmente fundamentada neste momento tenso entre os governos americanos e chineses. E, as acusações, não são somente políticas; há argumentos fortes tecnológicos e detalhes que precisamos discutir sobre o aplicativo mais falado do momento.

Resumindo publicações e artigos, por mais que os executivos da plataforma afirmem a não colaboração da empresa fornecendo dados para a inteligência Chinesa, que exige isso por Lei local, temos que concordar que nossos amigos orientais crescem a ritmo absurdo em tudo. A principal característica deste “foguete” de desenvolvimento é colocar certos valores de lado em prol do avanço, assim podemos ver nas condições de trabalho e nas condições que algumas coisas são comercializadas que já chegam quebradas em nossas casas. Sic.

Papais e mamães, somos alertados neste momento sobre o que está sendo entregue aos nossos filhos pelo aplicativo

Falando nisso, toda esta intriga começou com a suspeita desta crise pandêmica ter sido uma manobra da China para um atalho ao topo do mundo, que para os sensatos soa exagero, mas para quem conhece as práticas daquele povo, não seria nada de surpreendente. Mas com tanta novidade, este assunto foi colocado de lado, ufa!

Como falei acima, as tensões já estavam instaladas por conta da baixa avaliação em relação ao controle sanitário e comprometimento com o resto do mundo do Regime Comunista. A possibilidade do uso dos dados dos usuários da rede para questões de espionagem representaram uma preocupação governamental americana, onde a postura muito fraca das políticas de privacidade e a falta de preocupação da plataforma com seus usuários, somente compuseram a ópera da discórdia que estamos ouvindo todos os dias.

Segundo rumores, a empresa não se preocupa com seus usuários, há comportamentos duvidosos sobre a plataforma, onde existe censura para banir vídeos de pessoas feias, e casas pobres em plano de fundo dos seus vídeos, e retirada de vídeos de cunho político do ar. Mas, por outro lado, deixam passar exibições de desafios que colocam a vida das pessoas em risco, como o desafio de contrair a doença COVID-19 iniciado por um jovem que fazia vídeos lambendo, isso mesmo, lambendo privadas públicas até adoecer, sendo seguidos por milhares de jovens.

A privacidade de menores também foi questionada e a falta de controle sobre usuários, abaixo de 13 anos de idade, também formam um conjunto de acusações, que montam uma característica muito arriscada, onde a maior preocupação mesmo da companhia é a de crescer, chegar no topo, custe o que custar, doa a quem doer.

Nós, papais e mamães, somos alertados neste momento sobre o que está sendo entregue aos nossos filhos pelo aplicativo. Olhando por este lado, o risco se torna claro.

A forma e o estereótipo que se desenvolveu dos chineses é o avanço desenfreado de tudo, onde não se preocupam como o bolo irá crescer. A estratégia é jogar fermento! Engraçado que eles têm um controle absurdo para seu povo, como o Great Firewall que bloqueia parte da internet para os chineses. Já, do lado de fora  da redoma vermelha, a coisa corre solta. E isso acabou criando um incômodo para alguns países, que já começaram a retirar aplicativos chineses das lojas virtuais, começando com a Índia, Austrália e, agora, Estados Unidos.

Para encerrar este papo, porque lá a conversa ainda vai render muito pano pra manga, vou deixar algumas dicas para vocês cuidadores, papais ou mamães, darem uma checada no conteúdo dos seus pequenos internautas.

Como pai, você deve avisar ao investigado(a) mostrando a importância desta averiguação. Fale sobre o valioso futuro dele (a) e confisque seu celular por alguns minutos.

“Diga-me quem tu segues, que direi quem tu és”.

Avaliar o perfil das pessoas que o  investigado(a) segue pode dar um relatório de influências muito preciso, se o usuário(a) segue cinco contas que falam de armas dentre dez seguidos; significa que estamos lidando com um futuro atirador de elite. Ótimo, basta controlar, treinar e você terá um campeão (ã) em casa. Porém se você perceber que isso está trazendo um comportamento incômodo, basta iniciar um bate papo e sugerir uma solução para controlar a situação.

Seguir contas seguras de conteúdo, com perfis semelhantes ao que seu filho (a) está acostumado não serve apenas para iniciar um diálogo com a criança. O adulto deve apresentar novos assuntos que possam despertar novos interesses na criança, tais como: Ciências, Esporte, Música, etc.  Quem sabe dai não nasce um esportista para dar continuidade ao legado da família? lol!

Outra dica legal é ficar ligado no horário que  os conteúdos são acessados na internet. Aqueles que navegam de madrugada ou preferem locais mais escondidos,  podem estar buscando sites perigosos e   desconhecidos. Por isso, sugiro que você entre nesta jornada ao “descobrimento” junto ao seu (sua) jovem desbravador(a). Uma prática de criar um cantinho de recarga de eletrônicos na sala de casa ou em um local mais afastado do quarto pode vir a ser uma cultura que trará segurança e poderá permitir outras atividades no horário de dormir, como a leitura de um livro ou qualquer outra novidade.

É claro que na prática não é tão fácil como ler este artigo. Somente a prática desses exercícios poderão trazer mais segurança e mais qualidade para o futuro de nossas crianças.

Até o momento, especialistas informam que o aplicativo da rede chinesa com CEO americano (Ex Disney+), não coleta nada mais que a quantidade absurda de dados que as empresas americanas como Facebook, Instagram e Microsoft coletam juntos. Estes nomes estão entre os principais interessados na compra da operação do App na América, ainda está em análise sobre a manobra quase forçado pelo Governo, mas parece que o número está na casa dos 50 bilhões de dólares! Daqui a pouco, essa dinheirama toda muda somente de conta, e tanto os olhinhos puxados quanto os engravatados a laranja vão ficar felizes e em paz até a próxima novidade Chinesa!

Use o link na minha bio para enviar perguntas, se comunicar e sugerir o nosso próximo papo tech, no jornal de maior credibilidade da Flórida!  Beijos queijos e Vimes!

“Sempre me senti muito bem acolhido e entrosado com todos.”
Daniel Janequine

Acredito que a decisão da minha mãe de se mudar do Brasil para Orlando foi corretíssima, porque minha adaptação aqui foi super tranquila.

Em 1991, Orlando era uma cidade bem pequena ainda, com muitas plantações de laranja, principalmente na área do Metrowest e Windermere.

Para vocês terem uma ideia, a rua Apopka Vineland, -entre a Sand Lake Rd e a área de Lake Buena Vista, não era de mão dupla. Não existia o parque Universal’s Islands of Adventure e o restaurante Hard Rock era no formato de uma guitarra e ficava isolado do parque da Universal Studios. Ainda nem se falava em Metrowest e restaurante brasileiro. Só tinha o Sabor Latino, na I-Drive, o Brazilian Pavillion, em Winter Park e a churrascaria Porcão, em Miami.

Uma cidade que também não tinha muitos brasileiros morando e, os poucos que tinham, na sua grande maioria trabalhava com turismo fazendo transfer de passageiros, comércio na I-Drive ou na US192, em Kissimmee, guia de parques ou donos de operadoras de turismo.

A Southwest Middle School foi a minha primeira escola nos EUA. Que diferença do que estava acostumado no Brasil em termos de ensino, estrutura e o dia dia de alunos e professores. Me lembro da maneira em que o professor de matemática ensinava divisão. O que era aquilo? Até hoje, não sei fazer divisão da maneira americana. A escola fez de tudo para me ajudar na adapção, inclusive colocando um intérprete para auxiliar. Mesmo assim, isso não evitou alguns desastres do tipo entrar no período errado e assistir aula achando que estava “tirando onda”, mesmo porque não entendia nada do que o professor falava. Fora as diversas vezes em que em me perdi pelo colégio. A verdade é que meu intérprete era muito paciente comigo. Me lembro que no colégio tinha somente 5 brasileiros e a grande maioria morava aqui há pouco tempo. Logo percebi que tinha que dominar o idioma o mais rápido possível e assim foi feito.

A parte cultural também foi um choque muito grande para mim. Um ano antes, tinha ocorrido o Rock In Rio II e as grandes sensações da época, no Brasil eram as bandas americanas como Guns n’Roses, Faith No More, Metallica, Bon Jovi e Skid Row. Crente que eu iria chegar aqui em encontrar um bando de metaleiros na escola,  me deparei com o pessoal escutando muito Hip Hop, tipo Kris Kros, NWA e Dr. Dre. Eu, acostumado a usar roupas da marca Company e Redley chego aqui e vejo o pessoal usando aquelas roupas largas com as calças caindo mostrando a cueca. A minha primeira impressão foi que estava no meio de um manicômio.

Já na Dr. Phillips High School, as coisas foram ficando melhores. Já tinha uma turma um pouco maior de brasileiros. A escola era bem maior; eu já estava melhor entrosado com os colegas de turma. Naquela época, a grande dificuldade  para um jovem que veio da Zona Sul do Rio de Janeiro, acostumado com as festinhas e os saraus dos Colégios Andrews, Princesa Isabel, CEU, Gink e Santo Inácio; a turma do curso de Inglês do IBEU de Ipanema; a natação no Clube de Regatas do Flamengo, na Gávea; praia, surfe; Jiu-Jitsu, na Academia do Pinduka; futebol na Lagoa; e as matinês de sábado, na Papillon e Babilônia, isso aqui era um tédio porque não tinha nada para fazer.

Fora os parques temáticos, que depois de um certo tempo você enjoa, só tinham o Rock On Ice, um boliche na Universal Blvd, um cinema no antigo Downtown Disney -que na época não era nem 1/3 do tamanho do que é hoje. No verão, tinha um Summer Night mixuruca no Wet n’ Wild que juntava um pessoal, mas sempre terminava cedo. É aos 16 anos de idade, quando a vida de um adolescente na América muda bastante, porque já é permitido dirigir. Tínhamos um pouco mais de liberdade e nessa mesma época aconteceu um fato “historico”, que ficou marcado na memória dos adolescentes da época. Nos sábados à noite, a JJ WHISPERS, localizada na Lee Road, era a única “night” na cidade para adolescentes, mas ficava muito longe de onde eu morava.

Muitas histórias boas para contar.Porém, algumas proibidas só conto em “off” rsrsrs… Para lembrar de uma coisa, Orlando Downtown se resumia ao Rosie O’Gradys, na Church Street, que era um ponto turístico e mais nada. Não existia o Downtown Orlando dos dias de hoje.

Para você ter uma ideia, escutava a minha mãe dizer que saía com as amigas para uma balada chamada “Kookaburra”, em Lake Buena Vista. Nas férias, ía sempre visitar a minha familia no Brasil e, volta e meia, sempre tinha algum familiar nos visitando, o que ajudava bastante em relação à saudade. Com o tempo, a cidade foi crescendo e a comunidade também. Naquela época, não tinha internet, então a forma de saber notícias do Brasil era através de um fax, que recebíamos diariamente pela manhã. Acho até que quem enviava este fax era o pai do meu intérprete na Southwest Middle School.

Futebol, nem pensar! Tinha que pedir para o meu avô gravar os jogos do Flamengo em fita cassete e mandar por alguém que estivesse vindo para Orlando. Me lembro que, um pouco mais tarde, começou a a distribuição do Jornal O Globo, que vinha no vôo diário da TransBrasil.

Enfim, tudo isso foi muito bom porque acabei criando uma identificação muito grande com a cidade e com a comunidade local. Sempre me senti muito bem acolhido e entrosado com todos. Mais tarde, fui fazer faculdade na FSU, em Tallahassee e aí foi uma outra fase muito boa da minha vida.

Durante a vida como universitário, também fui muito bem acolhido e até cheguei a fazer parte de um grupo de fraternidade, tipo coisa de filme americano da década de 80. Durante a temporada do futebol americano, a cidade fica em festa e lembra o espírito de uma Copa do Mundo para o brasileiro. Uma coisa que me marcou muito, foi quando me formei e retornei para Orlando. Após 4 anos, logo percebi o quanto a cidade de Orlando tinha crescido, principalmente, a comunidade brasileira. As pessoas pensam que Orlando só vive em torno dos parques temáticos. Na verdade é muito mais do que isso. Uma comunidade vibrante, acolhedora e bastante diversificada, que vem crescendo cada vez mais.

Espero que continue assim, porque não é à toa que Orlando é conhecida como City Beautiful

Daniel Janequine nasceu em março de 1978, no bairro do Leblon, Rio de Janeiro.
Imigrou para Orlando, com 13 anos de idade, com a família, em fevereiro de 1991.
Estudou na Southwest Middle School, faltando 2 meses para terminar a 8ª série.
Cursou 4 anos na Dr. Phillips High School, 2 anos no Valencia Community College, em Orlando; e, 3 anos, na Florida State University, em Tallahassee, onde recebeu o bacharelado em Finanças e Marketing.
Há 15 anos, trabalha no setor financeiro. Incialmente, em vários cargos no Bank of America; e, atualmente, trabalha no JP Morgan Chase, como Business Relationship Manager.
É casado, há 16 anos, com Katia Janequine, uma brasileira do estado de Goiás, que trabalha no ramo de Real Estate, com quem tem uma filha de 13 anos, Gabriela Janequine.

 

Pretendo passar o resto da minha vida aqui e só desejo manter a cultura brasileira presente na minha família
Gabriela Oliveira

Absolutamente, a decisão de meus pais migrarem para os Estados Unidos foi correta. Minha vida mudou completamente porque moro nos EUA. Acredito que ter sido criada aqui me deu um mundo de oportunidades e enriquecimento que poderia ser mais difícil de alcançar no Brasil. Apesar disso, existem os contras. Ficar longe da família é difícil, mas acho que com o FaceTime e o mundo virtual em que vivemos, tudo fica mais fácil.

Acho que de certa forma foi difícil me adaptar nos EUA. Como meus pais não foram criados nos Estados Unidos, tivemos que aprender muito juntos. Coisas como SAT, compreensão de leitura, vocabulário sempre foram algo que eu não ouvia ou praticava em casa porque falamos português. Eu não acho que isso me impediu de alcançar o que eu queria, mas tornou tudo um pouco mais difícil.

Nas fotos, Gabriela aparece com o namorado, Christian Pierce e com os pais, Maria do Carmo e Edsel Oliveira.

Sinto muita falta da família no Brasil. Como mencionei acima, sinto falta de ver meus primos crescerem e meus avós envelhecerem. No entanto, é algo que sempre fez parte da minha vida e não sei como seria diferente. A tecnologia através do FaceTime e das ligações gratuitas pelo WhatsApp tornou a adaptação mais fácil.

A cultura entre os dois países é diferente. A forma como você cumprimenta as pessoas, algo tão simples, é completamente diferente. Acho que os relacionamentos em geral são muito mais profundos no Brasil. Por exemplo, com seu dentista, manicure, cabeleireiro, você conhece a vida deles e se torna amigo. Já nos Estados Unidos, os relacionamentos podem ser muito mais distantes e isso é algo a que nós brasileiros temos que nos adaptar.

Estou muito feliz nos EUA. Pretendo passar o resto da minha vida aqui e só desejo manter a cultura brasileira presente na minha família.

Gabriela Oliveira nasceu em São Paulo, SP, em1995.
Chegou em Orlando,Fl com os pais, quando tinha apenas 3 meses.
Estudou na Windermere Preparatory School & na Florida State University
Profissionalmente exerce o cargo Senior Internal Auditor. É solteira e reside atualmente na Califórnia.
Os americanos incentivam o crescimento e a responsabilidade mais cedo
Tatiana Souza

Hoje em dia, não tenho a menor dúvida de que meus pais tomaram a decisão certa de sair do Brasil. Os primeiros anos, durante a transição foram mais difíceis, acredito que pela minha idade na época. Tinha apenas 16 anos e estava completando o segundo ano do colegial no Brasil. De repente, tive que me desligar do meu ciclo de amizades, família e de tudo que estava acontecendo e encarar uma nova vida em outro país.

Imagino que eu tenha tido mais dificuldades de adaptação nos EUA do que meus pais, devido à minha idade na época que essa mudança aconteceu, e, por não ter feito a escolha…rs. Meus pais estavam decididos e felizes com a decisão tomada.

Ao longo dos anos, grande parte da minha família migrou para Orlando; o que fez com que a saudade fosse por um período curto. Atualmente, somente o meu pai reside no Brasil, e antes do confinamento do COVID-19, ele nos visitava a cada 3 meses, o que é bastante confortador para todos nós.

São muitas as diferenças culturais entre os dois países. Acredito que hoje não sinto tanto o choque cultural porque já estou aqui há 21 anos. No começo, a alimentação me surpreendeu, visto que aqui se come muita comida congelada, fritura e fast food. A individualidade do americano faz parecer que são frios; mas com a convivência, na realidade é o oposto. A forma como eles encaram a vida com seriedade, são pontuais e profissionais. Nós brasileiros, somos mais sentimentais em relação à super proteção, enquanto os americanos incentivam o crescimento e a responsabilidade mais cedo. Por exemplo, comecei a trabalhar com 16 anos e se tivesse morando no Brasil, com certeza isso não aconteceria.

Hoje em dia não penso mais em voltar para o Brasil..na verdade me sinto tanto americana como brasileira. Já vivi mais tempo da minha vida aqui do que no Brasil. Me formei aqui, estou me realizando profissionalmente e constitui uma família.

Tatiana com os avós e a mãe, Rosana Almeida, que abraça o neto Lucas
Tatiana Almeida Souza nasceu na cidade de São Paulo, SP, em 1983.
Chegou nos Estados Unidos com os pais, com 16 anos de idade.
Estudou nos EUA, na Cypress Creek High School e University of Central Florida
É Vice President of Sales na Meritage Homes Orlando, sétima maior construtora nos EAU.
Desde 2013 é casada com o brasileiro, Luciano Medeiros, com quem tem um filho, Lucas de 3 anos.
Graças ao meu trabalho, me facilita visitar o Brasil várias vezes ao ano.
Danielle Nascimento Edri

Não tenho a menor dúvida que meus pais terem deixado o Brasil para começar uma nova vida, nos Estados Unidos, foi a melhor decisão para toda a nossa família.

Comparado a meus pais, tive mais dificuldade de adaptação por causa da escola. O meu maior obstáculo foi chegar com 12 anos de idade, sem falar inglês; principalmente, porque a 30 anos atrás tinham poucos brasileiros vivendo em Orlando. Na minha escola, só conheci uma menina que falava o Português. Os primeiros 6 meses foram terríveis, porque sou muito tímida.

Com o tempo, aprendemos a lidar com a saudade. No início, a comunicação com os familiares no Brasil era feita através de cartas. A ligação telefônica era caríssima. Hoje em dia, tudo mudou e com a tecnologia tudo ficou mais fácil. Converso com os meus avós frequentemente via Facetime. Graças ao meu trabalho, em companhia aérea, por 20 anos, me facilita visitar o Brasil várias vezes ao ano.

Ariela, Danielle, Ethan e Sharon

Na minha opinião, existem muitas diferenças culturais entre os dois países. É difícil afirmar qual cultura é melhor, porque amo as duas; e, em ambas, existem seus pros e seus contras. Respeito o jeito de ser, mais reservado, dos americanos, que aos olhos dos brasileiros pode parecer muito frios.

Desde 1990, quando passei a residir em Orlando, tenho sido muito feliz e nunca pensei em sair daqui. Gosto de viajar e conheço vários países do mundo, o que me possibilita o conhecimento de comparar lugares e outras culturas. Jamais pensei na possibilidade de voltar a viver no Brasil. Não me acostumaria com a burocracia, com a falta de segurança e com a corrupção ao extremo.

Danielle Nascimento Edri nasceu em São Paulo, Capital, em 1978. Chegou aos EUA, com os pais, em 1990, com 11 anos de idade.
Estudou no Westridge Middle School, Cypress Creek High School e no Valencia Community College.
Há 20 anos, trabalha na Virgin Atlantic Airways, como Gerente de Cargas.
É casada com o israelense/ americano, Sharon Edri, com quem tem 2 filhos: Ariela, 14 anos e Ethan, 12 anos.