Procurar por:
Mercado editorial em perspectiva

Nereide santa Rosa

2020. Um ano para esquecer ou para lembrar? Ansiosamente a primeira opção surge como resposta imediata. Mas…refletindo racionalmente, este foi um ano de aprendizado. Aprendemos a nos reinventar, a encontrar novas soluções, a enfrentar nossos maiores medos. Como esquecer? Saímos de uma fictícia sociedade segura e controlada, para vivermos o imponderado, o inevitável, o assustador. 

A crise alcançou todos, a nível global. Porém, novas relações pessoais se estabeleceram virtualmente, inclusive a família se fortaleceu pela união no confinamento. Felizmente, o ser humano tem uma capacidade de adaptação rápida e criativa. E novos caminhos começaram a ser trilhados. Não sabemos ainda se retornaremos a valores antigos, mas há certeza que seguiremos em frente, conquistando tecnologias avançadas, e quebrando barreiras que separam ideias e ideais. 

Como CEO da Underline Publishing, uma editora norte-americana sediada na Flórida, que publica autores brasileiros, tive a alegria de publicar mais de vinte livros ao longo de 2020, sempre com qualidade editorial e gráfica. 

Impacto

Mas, aqui nos Estados Unidos e principalmente no Brasil, o  setor editorial sofreu sério impacto causado pela pandemia: cancelamentos de eventos literários, livrarias fechadas, e editoras repensando suas metas. 

Nos Estados Unidos, as editoras se adaptaram aos novos tempos, surgiram novos títulos e novos autores, afinal, um livro atualmente pode ser impresso sob demanda, o que reduz os custos e otimiza a produção. As vendas online cresceram de maneira consistente: nos Estados Unidos, o mercado editorial é atendido com qualidade de impressão e eficiência na entrega, ajudando os leitores a confiarem na produção online. Quanto ao ebook, diferentemente do paperback, é tido como mais uma opção; porém, como editora observo que o livro físico ainda é o preferido dos leitores e dos autores. 

Quanto aos escritores, a ansiedade foi geral, grande parte causada pela consciência do que vivemos, o que causou uma grande produção de textos, em diferentes gêneros literários. Surgiram poemas, contos, crônicas, romances, ensaios sobre os dias de confinamento da pandemia. Os temas se multiplicaram e os escritores produziram mais do que nunca em seu espaço de criação. 

O resultado foi uma grande produção ofertada a editoras que ainda estão enfrentando o desafio de selecionar textos, analisar o mercado futuro para produções literárias e estudar as biografias dos autores. 

Produção

Algumas editoras optaram em não se arriscar com novos autores, devido ao corte de gastos com funcionários. No Brasil, houve casos de livrarias e distribuidores de livros que não pagaram suas dívidas com editoras, o que acabou refletindo diretamente na produção editorial. Porém, um fato relevante foi a produção editorial em home office, diminuindo gastos. No final de 2020, por exemplo aconteceu a tradicional Bienal do Livro de São Paulo, de forma virtual quebrando recordes de audiência e de expositores. 

A Underline Publishing tem como meta dar continuidade às publicações, visto que estou com o cronograma de lançamentos para 2021 já fechado e aceitando apenas projetos para 2022. E, tão logo seja possível, a editora voltará a participar de feiras de livros, de palestras, encontros, e outros eventos presenciais. 

Superação

Como escritora, eu continuo o meu trabalho solitário, mas sempre atento aos fatos do cotidiano, e ao que a sociedade solicita. A capacidade do escritor está em seu conhecimento de mundo, sua leitura, suas descobertas e sua transformação. Assim é o meu trabalho, com paixão e dedicação, e se tudo der certo, superaremos essa fase e continuaremos a produzir muita literatura, mais e melhor. 

NEREIDE SANTA ROSA é escritora, arte-educadora e pedagoga.  Nasceu em  São Paulo e vive nos Estados Unidos desde 2017. 

Tem formação em  Arte, Música, Matemática  e Pedagogia. Desde 1990, desenvolveu  a carreira de escritora atingindo a cifra de mais de meio milhão de livros vendidos publicados em várias editoras brasileiras.  

Até 2020, publicou cerca de 85 livros e recebeu prêmios pela Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil e ABBY e no ano de 2004, foi agraciada com o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro.  

Atualmente continua escrevendo e publicando no Brasil e no exterior,  é colunista do JornalBB na Flórida, CEO da editora norte-americana Underline Publishing e coordenadora do Focus Brasil NY – Encontro Mundial de Literatura Brasileira, onde coordena a Academia  Internacional de Literatura Brasileira.  

contato: underlinepublishing@gmail.com

Momento para investir

Juliana Scolari

O mercado imobiliário na Flórida tem atraído investidores brasileiros há mais de uma década. O crescimento na Moneycorp entre buscas por investidores brasileiros transferindo recursos do Brasil para investimento no exterior cresce desde 2010, o que impulsionou a estratégia da nossa empresa em se tornar um banco de câmbio no Brasil devido à extrema demanda. 

Mesmo com a pandemia, ainda apresentamos crescimento, o que reflete o apetite do investidor brasileiro, mesmo em situações de incerteza.  Investir no mercado imobiliário é uma maneira de diversificar o seu portifólio e dolarizar parte do seu patrimônio. 

Dólar

O dólar é de fato considerado entre as moedas o que chamamos de “safe heaven”. (porto seguro)  Os investidores procuram portos seguros para limitar sua exposição a perdas em caso de desaceleração do mercado ou em tempos de turbulência. Que é exatamente o que se cria em uma pandemia. Somado à isso, é importante mencionar que a crise atual não é considerada pelos economistas como uma crise imobiliária, e sim uma crise de saúde e econômica. O momento favorável, contudo, é uma decisão individual de cada investidor, o qual deve realizar a sua devida diligência. 

Câmbio 

As oscilões cambiais sempre existirão como uma variável em investimentos envolvendo duas moedas. Um imóvel nos EUA é mais uma ferramenta de investimento muito utilizada como uma possibilidade de hedge (se proteger) contra uma maior desvalorização do real. Dependendo do tipo de imóvel, ele ainda pode oferecer receita de aluguel, além de potencial valorização. O investimento no mercado imobiliário é um investimento que geralmente oferece um retorno de médio a longo prazo. Para aqueles que se integram nesse tipo de apetite, considero ser um ótimo negócio.  

Burocracia

Em termos gerais considero não só fácil como simples O sistema imobiliário nos EUA é super estruturado. Um profissional licenciado de imóveis é provido de diversas ferramentas desde a busca de múltiplos imóveis pelo sistema MLS até o suporte das demais organizações envolvidas no processo, como a title company -empresas de títulos geralmente atuam como um agente neutro, protegendo os interesses do comprador e do vendedor na transação. 

Qualficação

O passo mais importante para o investidor é ter certeza que ele estará qualificado para essa compra. Para clientes que optarão financiar, conversar com um profissional da área -como um mortgage broker ou um lender – e para aqueles que irão optar por trazer recursos do Brasil para pagamento à vista ou para a entrada do imóvel, que esses investidores tenham a confirmação que estão autorizados a transferir recursos para fora Brasil através da instuição financeira que fará a sua operação de câmbio.

Remessas

Existe um processo de aprovação seguindo regras do Banco Central do Brasil e não é somente uma simples transferência doméstica. Esse ponto é de extrema importância e como especialista, sugiro sempre como um dos primeiros passos a serem tomados em relação à compra de imóvel no exterior. 

Reaquecimento

Acredito em um rápido reaquecimento. Com o anúncio da vacina, já estamos sentindo a retomada do mercado. A demanda está represada, mas ansiosa para finalizar as suas decisões de investimento de sua tão sonhada casa na Flórida.

Juliana Soclari e Kelly Cutchin

Juliana Scolari

Originalmente do Brasil, Juliana obteve seu diploma de Bacharel em Gestão Hoteleira, em São Paulo e se mudou para o Estado da Flórida em 2004 para trabalhar no Walt Disney World Resorts. 

Juliana ingressou na Moneycorp, em 2010 e chefia o desenvolvimento do corredor EUA-Brasil da empresa, produzindo crescimento significativo ano após ano. O negócio cresceu mais de 400% em 3 anos. 

Juliana é fluente em Espanhol e Português e tem mais de 15 anos de experiência em lidar com a clientela de negócios internacional.

Ela usa sua forte ética de trabalho, e sua personalidade positiva e expansiva para garantir uma comunicação e atendimento eficaz aos clientes.

Juliana possui Mestrado em Administração de Empresas pela Universidade Stetson na Flórida.

Vacina injeta ânimo na economia

Luciana Bistane

A economia vive de expectativas. E com a chegada de uma vacina, o mercado já começa a fazer planos, acredita o jornalista Adalberto Piotto, especialista e palestrante na área de economia.  

“O que perdemos com essa pandemia foi a previsibilidade, que a vacina vai devolver. Se a vacina atingir o alvo, como é o esperado, teremos uma maior estabilidade econômica”, diz ele. 

A confirmação de um reaquecimento, no entanto, vai depender de três variantes: como será o controle da pandemia daqui pra frente, qual a postura dos governantes e o comportamento das pessoas.   

Ele lembra que em relação ao consumo, que move uma alavanca importante da economia, fatores culturais das sociedades interferem. Não basta ter dinheiro em circulação, é necessário que haja desejo de consumo. Os americanos, tradicionalmente, são mais consumistas que os europeus, por exemplo.  

Outros fatores podem tornar essa recuperação mais rápida ou mais lenta. Um deles é a agilidade que cada setor terá para regularizar a falta de insumos, de matéria prima, outro problema criado pela pandemia. Mas, o mais significativo é a capacidade que cada país vai ter de superar as dificuldades.   

Os Estados Unidos, na opinião de Piotto, são uma potência nas áreas educacional e científica, diplomática, militar e econômica. O país, naturalmente, tem mais condições de reagir. Do Brasil, o jornalista destaca o agronegócio como um trunfo. Com ajuda da tecnologia, o campo está cada vez mais produtivo e preparado para atender uma demanda crescente de alimentos. Mesmo nesse ano conturbado a safra de grãos deve bater novo recorde. A previsão da Companhia Nacional de Abastecimento CONAB é de 268 milhões de toneladas, principalmente de soja e milho. E é um setor que gera emprego e impostos para o governo, além de ter um peso importantíssimo na balança comercial. 

Estamos falando de previsões para 2021, mas não podemos nos esquecer que há um curto espaço de tempo até lá, com casos de Covid em alta nos Estados Unidos, Europa e boa parte da América Latina. Período a que ele se refere como “uma vírgula”. A economia, nessa segunda onda, na opinião do jornalista também vai depender muito de cada governante. O futuro presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, por exemplo, já anunciou que não vai decretar o lock down, o que Piotto considera acertado. 

Seja como for, ele acredita que alguns setores não vão avançar. As empresas mais afetadas pelo coronavírus vão demorar mais a se restabelecerem, assim como deve demorar um pouco a volta dos empregos ceifados por essa crise.  

Mas, fazendo uma analogia com outros momentos difíceis que a humanidade já enfrentou, como a gripe espanhola ou a segunda guerra mundial, ele diz:  

“A dor de um corte no dedo, feito hoje, dói mais que um pé quebrado há um ano, porque o dedo está doendo agora. Mas temos que lembrar que o número de pessoas infectadas em 2020 que se recuperaram é muito maior do que os recuperados  durante a gripe espanhola. Mesmo assim, houve uma saída naquela época. E vamos encontrar também uma agora”, conclui o jornalista.

Adalberto Piotto dirige e apresenta o talk show de realidade brasileira “Pensando o Brasil”, em parceria com a TV CIEE. 

É jornalista com especialização em economia pela FEA-USP, âncora de notícias em rádio e TV, documentarista e diretor e produtor do filme “Orgulho de Ser Brasileiro”. 

É produtor e autor de séries em tv, web e cinema sobre realidade brasileira.

Pausa para pensar

Soco Freire

Está sendo muito mais um momento de pensar do que exatamente executar. Alguns projetos que eu faria com muito mais rapidez, hoje tenho mais tempo para pensar melhor na criação. Por outro lado, isto de certa forma melhorou a qualidade dos meus projetos. 

Com essa nova rotina, eventos e exposições foram cancelados e de certa forma isso acaba agravando as diferenças que já existem entre os grandes e pequenos artistas e galerias.

Questões como galeria digital e vendas online, por exemplo, ainda estão em fase de adaptação para o público e o artista. Medidas para promover mais acesso às plataformas digitais são necessárias para uma maior abertura no mercado das artes. Não é só o artista que tem que construir isso, cabe sim o total apoio do meio cultural para promover estes estímulos.

Porém nada chegará perto do que o contato direto com o público, com a emoção. Não tem nada a ver com essa linguagem mais fria que é a internet. Artistas, galerias e museus estão se adaptando, mas não descobrimos ainda a melhor maneira de apresentar a arte de uma forma digital sem comprometer as sensações que a arte te mostra ao vivo. 

Desejo que em 2021 possamos encontrar o jeito certo de lidar com toda esta transformação global e poder novamente trocar emoções, abraços e carinho com o público.

Soco Freire nasceu no Brasil e iniciou sua carreira artística, em 1996; e, hoje, é uma artista com grande projeção internacional. 

Soco passou a vivenciar o mundo das cores influenciado pelos desenhos de seu pai, que agora são referências ao seu trabalho. 

Em 2015 conquistou um espaço na renomada TAG Heuer. 

Soco Freire exibe sua arte em várias galerias, boutiques TagHeuer, edições da Art Basel Miami e edições do Red Bull Canvas, com grande destaque entre as celebridades.

socofreire@hotmail.com

TENDÊNCIAS 2021

Luciana Bistane

O ano que colocou todo mundo no mesmo barco e transformou uma vacina no objeto do desejo da humanidade, termina deixando marcas profundas e equações difíceis de resolver. 

Problemas muito diferentes dependendo de como os governantes enfrentaram a pandemia e da localização do planeta. Não é preciso ser especialista em economia para supor que determinados países vão ter mais fôlego que outros, para sair da crise.  

A chegada da vacina que tem a missão de nos proteger de um inimigo invisível e insidioso, basta para colocar o mundo em ordem? 

Em quanto tempo? 

O trabalho vai deixar de se intrometer na rotina familiar ou o home office veio para ficar? 

Tudo voltará a ser como era ou, nada mais será como antes? 

Como esse momento que atravessamos vai ditar os rumos que vamos tomar em 2021?  

Ainda são muitas as incertezas, mas a certeza da vacina já acalma o mercado financeiro, diz o jornalista Adalberto Piotto, que foi ouvido pela corresponde do B&B, Luciana Bistane.   

Sendo assim, já é hora de investir, fechar negócio? 

No ramo imobiliário da Flórida, sim, garante Juliana Scolari em artigo assinado por ela para essa edição. Juliana é diretora do setor de desenvolvimento de negócio para a América Latina da Moneycorp, empresa especialista em câmbio. Está acostumada a orientar brasileiros que querem comprar imóveis nessa região dos Estados Unidos e assegura que o setor está atravessando essa crise muito bem, obrigada.   

Já a área de entretenimento e cultura foi atingida em cheio pela pandemia. O isolamento social provocou o fechamento de livrarias, cinemas, museus, galerias e teatros. Cada setor se virou como pôde em busca do público perdido. 

Até mesmo museus renomados, como o MOMA de Nova York e a edição deste ano da Art Basel, em Miami e Hong Kong aderiram às exposições virtuais. 

E daqui pra frente, os novos formatos permanecem? 

O que muda nesse universo? 

A artista plástica Soco Freire e a escritora Nereide Santa Rosa, CEO da editora Underline Pubishing, também nos enviaram artigos, onde falam sobre os reflexos dessa crise nas suas áreas de atuação e como deverá ser a reação nesses setores. 

Opiniões que compartilhamos agora com nossos leitores, desejando que as boas previsões se concretizem em 2021.

O melhor dos dois hemisférios

Jean Chamon

Em nosso último artigo do ano não vamos falar sobre gestão, crise ou pandemia. Estou nesse momento escrevendo em solo brasileiro. Resolvi passar minhas férias de final de ano com a família no Brasil. Como muitos brasileiros que vivem em solo norte-americano desenvolvo muitas atividades profissionais nos dois países e por conta da pandemia vou poder celebrar a virada em nosso país. 

Nesse mês, gostaria de falar somente de positividade. Estando em terras brasileiras já há alguns dias e aclimatado ao nosso estilo de vida, escreveremos sobre o melhor dos dois hemisférios, ou como queiram do Brasil e do Estados Unidos.

Nesse ano em que todos atravessamos dificuldades, tentar ver o lado bom das coisas é fundamental. Claro que dificuldades temos nos 2 países principalmente para os imigrantes que necessitam de adaptação ao estilo de vida da pátria que nos recebeu.

Sabemos ainda que existem vários “Brasis” nos 27 estados brasileiros com suas comidas, sotaques, clima e cultura. Nos Estados Unidos contamos com diferenças consideráveis nos 50 estados que sempre que possível busco aprender e viajar para assimilar melhor a cultura norte-americana. 

Sugiro que cada leitor faça a sua própria lista de gostos, saudades e pontos positivos. Atribuir coisas boas e positivas onde quer que estejamos atrai coisas ainda mais positivas e benéficas. 

Falando de Brasil, analisando o ponto de vista profissional sempre valorizei a criatividade e adaptabilidade do profissional brasileiro que muitas vezes supera barreiras e cria produtos inovadores e inesperados. Vejo ainda que apesar de muito sofrido nosso povo segue sempre adiante. A resiliência do brasileiro é fenomenal.

O jeitinho brasileiro, quando usado para o bem é uma das melhores características do nosso povo que quando utilizado na resolução de problemas rompemos qualquer barreira.

Vou ao assunto que mais me encanta no Brasil que é a riqueza culinária. A forma de como nossa salada cultural é formada faz o Brasil gastronômico um lugar único, misturando o melhor de vários povos e culturas adaptados ao nosso paladar. Isso sem falar nos pratos regionais: comida mineira, nordestina, cafés coloniais da região sul, os peixes e iguarias da Amazônia. Posso passar horas redigindo e refletindo quais seriam as minhas comidas favoritas, mas infelizmente sou limitado pela quantidade de caracteres do editorial. 

Em resumo, quando se trata de Brasil sou apaixonado pela comida e pelo povo. Sugiro reflexão individual sobre suas preferências. Rememorar coisas boas vivenciadas é sempre um exercício de positividade. Lembre-se que somente rememoramos aquilo que vivenciamos.

Em relação aos Estados Unidos, pátria que muito bem acolhe milhões de expatriados a lista de favoritos é diferenciada e complementar a lista de favoritos brasileiros.

Primeiramente, uma das primeiras coisas que me encanta é a forma de organização e seguimento de normas e procedimentos o que torna a vida mais clara de se seguir e com menos atropelos ao caminhar. A rotina norte-americana em meu caso me torna uma pessoa mais estruturada.

Outro fator que vejo como positivo na América é que aprendemos quase tudo. O DIY faz parte das nossas vidas de maneira constante. Graças ao acesso à tecnologia e a quase todo tipo de ferramentas podemos desenvolver e descobrir novas habilidades.  O DIY faz a vida na América ser mais real e independente.

O respeito ao direito, cidadania e o civismo são pontos fortes na formação norte-americana. Vejo ainda que o sistema educacional valoriza a meritocracia e as competências e habilidades de cada um. Com esforço e dedicação todos tem oportunidades.  

Por último e não menos importante, o respeito ao trabalhador independente da sua formação profissional ou acadêmica. Na América se você trabalha, ao final de sua jornada você será remunerado com valor digno independente da sua formação ou trabalho exercido. Todos trabalham, do jovem ao idoso e o trabalho é visto como dignificante.

Como expatriado gostaria de lembrar que vivemos e viveremos sempre entre dois hemisférios e creio que podemos focar no bom que nos é proporcionado sempre. Meu sonho de consumo é que para 2021 eu possa mesclar um time Brazuca e Americano com o melhor dos dois, pois creio que as melhores equipes, sabores e novas descobertas são formadas pelas misturas e diferenças.

Vejo vocês em 2021!

Fiquem com Deus! Positividade sempre!

Semeando Esperança para Sobreviventes do Tráfico Humano

Anna Alves Lazaro

Recentemente,  estava em uma propriedade  rural, caminhando e observando toda aquela terra, plantas e árvores, entao,  percebi quanta paz e acolhimento existiam naquele lugar. Haviam enormes árvores e uma variedade de plantas que enchiam os meus olhos de alegria por tanta beleza.   Absorta   no momento, comecei a pensar sobre as maneiras como e por quem foram plantadas as sementes para que aquela vegetação maravilhosa existisse naquele lugar.

Sentindo a brisa suave balançando todas aquelas folhagens e o cheiro das plantas , comecei a visualizar todos sobreviventes do tráfico humano  que estavam em busca daquela Paz que o lugar transmitia caminhando entre as árvores e nos caminhos ladeados de lindas plantas. Todos sorridentes e felizes desfrutando da brisa serena que havia lá. Pensei em como um lugar,  repleto de Paz pode trazer esperança e alegria são essenciais para quem esteve  em um cativeiro, submetido a todo tipo de violência e abuso.   Comecei a pensar em abrigos onde esses sobreviventes pudessem ser alimentados e tivessem pessoas que se importassem e cuidassem deles. Pessoas semeando esperança ao coração desses sobreviventes.

ESPERANÇA, essa é a semente que eu convido você a plantar na vida dos sobreviventes do Tráfico Humano. A Esperança que deve ser regada pelo amor e pela solidariedade. Que você possa plantar uma floresta de esperança com árvores de Paz, Amor, Alegria e Prosperidade nas vidas que clamam por isso após terem vivido  tantas torturas, abusos e desespero. 

Advogar pelos sobreviventes aumentando a conscientização sobre o tráfico é plantar essa semente de esperança. 

Apesar da mídia hoje falar muito mais sobre o tráfico de pessoas do que jamais fez na história, ainda há muita desinformação sobre o tráfico sendo espalhada ao nosso redor.  O sensacionalismo promove mitos, tornando difícil para os sobreviventes do tráfico se identificarem como sobreviventes e difícil para pessoas bem-intencionadas reconhecerem os sinais de tráfico em sua comunidade.Devido à natureza negativa da divulgação de informações imprecisas, devemos promover  material que seja real sobre as experiências dos sobreviventes e devemos apenas divulgar dados de fontes confiáveis.  Você precisará se tornar dedicado ao processo de educação contínua sobre o tráfico e compartilhar sobre todas as tipologias de tráfico humano, incluindo: tráfico de mão de obra, servidão doméstica, tráfico familiar, tráfico que está acontecendo com meninos,  tráfico controlado por cafetão, tráfico controlado por gangues, tráfico que está acontecendo nas populações LGBTQ +, casas de massagem ilícitas, etc. Na medida que você receber mais treinamentos, você aprenderá como detectar sinais de tráfico em todos os tipos de vítimas e como relatá-lo às autoridades competentes.

Cultive um estilo de vida altruísta e seja gentil para com aqueles que necessitam de sua ajuda. 

Muitos sobreviventes de tráfico humano e outras experiências traumáticas estão andando ao nosso redor diariamente.  No entanto, como muitos desses indivíduos nunca revelaram sua vitimização a ninguém devido a estigmas e medos, eles lutam para receber os recursos e os cuidados de que precisam.  Para ajudar a passar a mensagem de que é seguro divulgar e buscar ajuda,  precisamos adotar um estilo de vida onde sejamos gentis com todos que encontramos, dando às pessoas o benefício da dúvida e acreditando no melhor delas.  Isso não significa que devemos tolerar um comportamento doentio ou abusivo, mas significa que devemos fazer da bondade um mantra na maneira como vivemos nossa vida.  Essa perspectiva é essencial porque, se quisermos tratar os sobreviventes do tráfico de pessoas com compaixão, mas tivermos uma atitude de que não trataremos outras pessoas com o mesmo tipo de amor, isso fará mais mal do que bem às vítimas desse crime.  Muitos sobreviventes do tráfico de pessoas, sobreviveram à tortura e a desumanidade que viveram porque aprenderam a ler a linguagem corporal de seus traficantes, bem como das pessoas que exploraram sua inocência.  Devido às maneiras como podem ler os indivíduos, os sobreviventes são hipervigilantes e podem dizer se uma pessoa está sendo transparente ou se estão fingindo simplesmente porque querem se sentir bem consigo mesmos.  Quando a gentileza é um estilo de vida, ela se torna um presente de nossa humanidade compartilhada versus algo que é exigido ou conquistado.

Procure “não causar danos” em todas as escolhas que fizer 

Se queremos apoiar sobreviventes do tráfico, precisamos parar de apoiar traficantes e indústrias que estão prejudicando as vítimas.  Por exemplo, pesquisas mostram que a pornografia está diretamente relacionada ao tráfico de pessoas.  Além disso, existem muitas indústrias como restaurantes, empresas de limpeza e empresas de paisagismo que não tratam seus trabalhadores adequadamente, assim como produtos que você pode usar diariamente, como roupas que você veste, chocolate e café, podem ser feitos com a escravidão moderna  .  Ao procurar “não causar danos” em suas escolhas, procure usar apenas produtos feitos de forma ética e advogue por justiça nas indústrias onde o tráfico está ocorrendo.  Embora as vítimas de tráfico não possam fazer escolhas, você pode e tem o poder de fazer uma escolha de liberdade.   Nunca subestime como sua paixão e consciência podem criar um movimento e mudar a vida de outra pessoa.  Você só precisa de coragem para ver as pessoas como humanas.

Estamos ao final de um ano e iniciando um novo ciclo em nossas vidas , façamos desse novo ano uma oportunidade para fazer a diferença nas vidas dos sobreviventes do tráfico humano. Abrace essa causa!

Uma história de sucesso – Conheça Adriana Sabino

Nereide Santa Rosa

Recentemente foi destaque no meio literário brasileiro o Festival Literário de Miami com a presença de renomados escritores como Nelida Pinon, Mary Del Priore, Beti Rozen, Toni Brandão e Chico Moura. Organizado sob a batuta de Adriana Sabino, o FLI Miami foi um sucesso reconhecido pela qualidade das palestras e o extremo cuidado de Adriana ao escolher seus palestrantes.

Adriana Sabino é a co-fundadora e presidente do Centro Cultural Brasil-USA da Flórida (CCBU), uma organização não governamental, sem fins lucrativos, fundada em 1997, por voluntários, em Miami, Flórida. Na sua atuação como presidente, ela se envolveu na criação dos programas e eventos que fazem o CCBU cumprir a sua missão: divulgar cultura brasileira no Sul da Flórida. Ela formou-se em arquitetura pela FAU-UFRJ (Escola de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ) e tem um curso de pós graduação em Urbanismo pela FAU-UFMG (Escola de Arquitetura e Urbanismo da UFMG). Em 1989 ela fundou a sua própria companhia de planejamento de interiores em Key Biscayne, Miami-Dade.

A seguir, conheça mais um pouco dessa brasileira que atua em prol dos brasileiros na Flórida, trazendo arte, cultura, informações e conhecimento.

Descreva quem é Adriana Sabino.

Sou uma brasileira-americana, residente em Key Biscayne, FL desde quando cheguei na Flórida, em janeiro de 1984. O interessante nessa história -essa aventura de vida que já tem mais de 36 anos-, começou de maneira casual. Sou carioca e recém formada em arquitetura pela FAU-UFRJ. Casei com um mineiro de Belo Horizonte e lá tive 2 filhas. Em Belo Horizonte também comecei a minha vida profissional, me tornando uma das sócias de uma firma boutique de arquitetura.

Em 1983, meu marido me propôs uma temporada de seis meses em Nova Iorque onde ele faria um curso sobre o sistema bancário americano, na NYU. Eu estava certa de que voltaria para Belo Horizonte no final desse ano. Ao final do curso meu marido apresentou outra proposta: uma temporada curta em Miami, a pedido da companhia, para averiguar oportunidades de negócios. Essa curta temporada foi se prolongando, ele criou negócios, criamos as duas filhas em Miami-Dade e continuo aqui até hoje.

Em 1996, notando o aumento de brasileiros que se mudavam para Miami e Key Biscayne, tive uma ideia, que propus ao então Cônsul Geral do Brasil, Luiz Fernando Benedini: criar um acervo de materiais sobre o Brasil no Consulado, um acervo brasileiro onde as famílias brasileiras pudessem apanhar emprestado bandeiras, trajes típicos, símbolos, mapas, para que as crianças representassem o Brasil nos dias internacionais em que as escolas locais celebram a herança cultural dos alunos. O Cônsul não só cedeu o espaço, mas sugeriu que eu fundasse um Centro Cultural, dentro das novas diretrizes do Itamaraty de transferirem para as crescentes comunidades brasileiras no mundo a representação cultural do Brasil. Encontrei um grupo de brasileiros que, como eu, acreditava que a melhor maneira de marcar presença numa comunidade multinacional como a de Miami, seria mostrando a riqueza da cultura brasileira. Em 1997, o Centro Cultural Brasil-USA da Flórida, Inc., nasceu formalmente como uma corporação sem fins lucrativos da Flórida, com status 501.c.3 (com isenção de imposto de renda). Sua missão desde então é divulgar a cultura brasileira no Sul da Flórida.

As primeiras iniciativas do CCBU foram os cursos de português como língua de herança – Origens e Raízes, criados por professoras brasileiras, especificamente para o CCBU.

Em seguida passamos a fazer parcerias com universidades, as redes de bibliotecas locais e de Broward County, outras organizações culturais, e promotores culturais para apresentar programas que mostrassem os mais diferentes aspectos da nossa cultura.

Já em 1999, fomos contatados pelo sistema escolar público de Miami-Dade para ajudá-los a criar o quinto programa bilíngue e bicultural na rede escolar pública -o programa português/inglês. A rede já oferecia os programas espanhol-inglês, francês-inglês, alemão-inglês e italiano-inglês. Durante quatro anos trabalhamos juntos e, finalmente, em 2003, foi criado o primeiro programa português-inglês, com conteúdo acadêmico brasileiro no sistema escolar público americano, na escola fundamental Ada Merritt K-8 Center. Um marco histórico na diáspora brasileira.

Como presidente do CCBU, qual é a sua mensagem para os brasileiros residentes na Florida?

Eu me orgulho muito da história pioneira do CCBU -que pode ser pesquisada no nosso website, www.centroculturalbrasilusa.org. Abrimos caminhos para a cultura brasileira em Miami e ajudamos a inseri-la na comunidade multinacional de Miami-Dade. Os alunos, brasileiros, hispânicos e americanos dos dois programas bilingues existentes na rede escolar pública -na Ada Merritt K-8 Center e na Downtown Doral Charter Schools serão, para sempre as pontes entre o Brasil e os EUA. E muitas iniciativas marcaram a presença brasileira em grandes eventos como a feira internacional do livro de Miami, em festivais de bibliotecas, em eventos comunitários.

Conte aos nossos leitores como foi a FLI MIAMI e qual é a sua expectativa para a próxima edição.

Em novembro, depois do sucesso pioneiro do primeiro Festival Literário de Miami – FLI MIAMI, estamos lançando o primeiro livro que registra as contribuições brasileiras em Miami – BRAZILinMIAMI. Outra ação pioneira que vai marcar a presença brasileira no exterior.

Viva o ano novo, o novo “novo” e aos “novos normais”! 

Rafael Vergne Viana

Muito difícil para mim escrever sobre uma data tão comemorativa, tão festiva, em tempos tão difíceis; mas, assim como o resto da humanidade, aqui estou eu, vivendo, e vencendo diante de ti, caro leitor!

Peguei Covid, encontrei um estágio abaixo do “sem grana” que não conhecia e não queria conhecer, risos com lágrimas hehehe, vi muitas coisas bastantes difíceis de aceitar acontecer, como os muitos que nos deixaram neste ano, e não tem como não concordar que foi realmente um período difícil para nós, meros terráqueos.

Mas agora eu preciso tocar pra frente, e acho que você também. Acho que o mundo precisa tocar pra frente, de mascarazinha e álcool em gel na cintura, devemos ir rompendo, eu acho que sim!

Porque o mundo está contando conosco, com nossa inovação, com nossas invenções e nossas novas adaptações ao novo normal, e muito esperam por uma atitude sua, isso mesmo, sua, eu falo.

Seja pela fé, pela perseverança, pelo seu natural e inquieto potencial de se mobilizar, não podemos esquecer que viemos nos movendo nesta ópera há milhares de anos, e entra ano e sai ano, e continuamos vencendo! Sim, vencendo! Amigo leitor, eu te garanto que diante do que nem passei, mas sim, vi pessoas passarem. Se você está lendo este artigo meu querido (a), pode levantar o punho da sua preferência para o alto, e dar seu grito de campeão!  Porque você até agora, vem vencendo uma batalha bastante difícil!

Mas para todo campeão tem os troféus, e quais seriam os nossos prêmios neste tiroteio? Muitos avanços e diversas tecnologias foram catapultadas pela necessidade, e veremos isso no futuro.

Assim como os melhores executivos do Brasil hoje, são os respeitados sobreviventes dos tempos loucos da hiperinflação, seremos muito mais fortes e conscientes depois de toda essa agonia acabar!

Se você ver alguém questionando sobre o tempo de eliminação de tudo isso, responda: O mundo não vai se reeducar da noite pro dia. Porque para vencermos juntos isso tudo, teremos sim, que nos reeducar.

Teremos que levar mais a sério o fator higiene e prevenção, e isso tem que virar rotina, isso tem que virar cultura, nossas mãos vão ter que se acostumar com o geladinho do álcool e vamos ter que inventar ou reinventar formas de nos proteger mesmo; e quando tudo isso virar o simples normal de nosso cotidiano, aí sim, estaremos livres de um vírus como este que nos atingiu em 2020, e a erradicação de doenças serão apenas as consequências, de um mundo mudado. E isso, convenhamos meu caro leitor, demanda tempo!

Muitos investidores têm mais oportunidades de avaliar empreendimentos domésticos, ideias que somente saíram do forno porque os donos delas tiveram que parar em casa para escrever.

Empresas se reinventaram diante de grandes prejuízos e inovam levando seus funcionários para suas casas inaugurando uma era de grandes lucros, pela falta de gasto com o desnecessário.

Pessoas que estavam descartadas do mercado, aparecendo com força nos trend topics do mundo business, se encontrando no meio de necessidades específicas, sim, eles e elas renasceram.

Renasceram e nasceram grandes empreendedores, grandes educadores, fomos forçados a engolir a importância dos professores, ainda que remotamente, ao menos aqueles que não sabiam.

Profissionais foram induzidos a avaliar outras áreas de atuação das suas profissões, e coisas novas nascem a cada dia. Sim, eu ainda não consigo fechar a conta, e nem sei se vou, mas avançamos muito e muito neste ano, eu garanto meus amigos! Avançamos e muito!

Avançamos no refletir das palavras, avançamos no raciocínio daquilo que não tínhamos tempo de pensar, avançamos em relacionamento com nossos filhos e esposas, e maridos, avançamos sim.

Avançamos no retroceder, na freada de nossa incontrolável e desenfreada vida, muitos que olhavam para prédios, acabaram seus finais de semana diante de lagos, ao lado dos filhos, não adianta, eu garanto, avançamos!

O que eu não garanto seria poder mensurar todo este avanço, e nem o tamanho dos prejuízos, mas mudamos nosso mundo de sobrenome, e 2021 nos aguarda, sim, o próximo ano, nos espera com uma grande vontade de avaliar nossas novas atitudes, nosso novo normal, e a natureza vai continuar respondendo cada atitude que entregamos a ela, vamos vivendo, “avançando”, vamos rompendo.

Eu quero parabenizar aqueles que tiveram o ano como um dos melhores de suas vidas, e quero deixar uma mensagem de fé e de paz para aqueles que foram surpreendidos em 2020:

A nossa caminhada no tempo é inevitável, se você deu o próximo passo, pode ter certeza, você está melhor do que antes, então parabéns! Você é um campeão!

Viva o ano novo, o novo “novo” e aos “novos normais”!

Papai Noel Existe?

Lucia De Cicco

Virginia O’Hanlon Douglas, filha de um médico de Nova York, escreveu para o jornal The Sun (o grande jornal da época nos USA) perguntando: “Papai Noel Existe?”

Isto foi em 1887. O jornal publicou a carta e a resposta do editorialista Francis Church. Ambas tornaram-se imediatamente famosas na imprensa mundial e o The Sun reproduziu-as anualmente, por ocasião do Natal, até o seu último número, em 1949. Depois, o texto acabou sendo publicado sob a forma de livro e batendo vários recordes de venda nos Estados Unidos. Abaixo, a carta e a resposta que comoveu milhões de pessoas.

Prezado Editor:

Tenho oito anos. Alguns de meus amiguinhos dizem que Papai Noel não existe. Papai sempre diz: “Se está no The Sun, é verdade”. Por favor, conte-me a verdade: Papai Noel existe?

RESPOSTA: Virgínia, seus amiguinhos estão errados. Foram contaminados pelo ceticismo de uma época cética. Só acreditam no que vêem. Eles pensam que não pode existir nada que não seja compreensível por seus pequenos cérebros.

Todas as mentes, Virgínia, de adultos ou de crianças, são estreitas. Nesse nosso enorme universo, o intelecto do homem é como o de uma formiga, tanto comparado ao mundo enorme e infinito que está acima dele, quanto diante da inteligência capaz de alcançar toda a verdade e conhecimento.

Sim, Virgínia, Papai Noel existe. Ele existe tão certamente quanto a generosidade, o amor e a devoção, e você sabe que há tudo isso em abundância, dando à vida as mais elevadas alegrias e belezas.

Ah! como seria triste o mundo se não houvesse Papai Noel. Seria tão triste quanto se não houvesse as Virginias.

Não haveria, então, a fé infantil, a poesia e o espírito de aventura que tornam a existência tolerável. Não teríamos prazer além dos sentidos. A luz eterna, com a qual inunda o mundo, estaria extinta.

Não acreditar em Papai Noel seria o mesmo que não acreditar em fadas. Você poderia fazer seu pai contratar homens para vigiar todas as chaminés e pegar Papai Noel na Noite de Natal. Mas, mesmo se eles não virem Papai Noel descendo, o que isso provaria? Ninguém vê Papai Noel, mas isso não quer dizer que Papai Noel não existe.

Alguma vez você já viu fadas dançando na grama? Naturalmente que não, mas isso não é uma prova de que elas não estejam lá. Ninguém pode conceber ou imaginar todas as maravilhas invisíveis e imperceptíveis do mundo. As coisas mais reais do mundo são aquelas que nem as crianças nem os adultos podem ver.

Você pode arrebentar em pedaços o guizo da boneca e ver o que faz o barulho lá dentro, mas há um véu cobrindo o mundo invisível que nem mesmo a força conjunta de todos os homens fortes que já viveram, poderia rasgar em pedaços, Virgínia.

Só a fé, a fantasia, a poesia, o amor, a aventura, podem abrir essa cortina, observar e descrever toda a beleza e a glória celestial. Tudo isso é real? Ah, Virgínia, em todo este mundo não há nada mais real e duradouro.

Não existir Papai Noel!? Graças a Deus ele vive e viverá para sempre. Daqui a mil anos, Virgínia – não, dez vezes mil anos, ele continuará a fazer feliz o coração da infância.

Nós, do Jornal B&B, desejamos a todos um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo.