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Notícias Sub-reportadas em 2020 – Aqui e lá

Peter Ho Peng

Na tradição de rever o que foi notícia sub-reportada em 2020 pela grande mídia, do Brasil e dos EEUU;  escrevi isto. Num ano dominado por Covid-19; pelo linchamento público de George Floyd; e pela campanha eleitoral, com o perdedor alegando fraude; um negacionismo paralelo ao negacionismo do aquecimento global e da própria pandemia; o que não faltaram foram temas sub-reportados. 

Foi ampla a cobertura da passagem do deputado John Lewis, herói do movimento negro pelo direito de voto, da Marcha de Selma, Alabama, cruzando a ponte Edmund Pettus; Pettus, um Grand Dragon da Ku Klux Klan, os encapuçados que linchavam negros e incendiavam suas casas. E ampla a re-celebração do movimento pelo direito de voto dos negros (tão recente quanto 1965). 

Sim, 400 anos de escravidão, apartheid e servidão. Pena que a profundidade do racismo na sociedade não tenha sido bem descrita. Não se falou que, do início dos anos 60, até o seu assassinato, em 1968, Martin Luther King Jr. ainda era o mais odiado negro americano, por sua tática de não-violência, de tomar cassetada passivamente, não revidar, o que deixava os racistas loucos, doidos por um pretexto para matar. 

Não se falou suficientemente o quanto esse ódio racista continua vivo. Essa ponte ainda tem hoje o mesmo nome; os odientos membros da Klan semi-enterrados na lama da história americana, porém seus herdeiros vivos. Sim, ruas e avenidas com o nome MLK existem em todas as grandes cidades americanas, mas réplicas do rifle que foi usado para assassinar MLK ainda adornam os topos das lareiras americanas e são vendidas on-line. 

Outra mentira. O rifle que James Earl Ray supostamente usara para assassinar MLK em Memphis, Tennessee, levou 30 anos para ser examinado por simples testes de balística banais; e os resultados não batiam com os exames das balas recuperadas do corpo de MLK. Por isso os 70 milhões de votos do Trump surpreenderam o país; a mídia não conseguiu fazer soar quão racista é este país. 

O racismo nunca foi encarado, como, por exemplo, fez Nelson Mandela com sua Truth and Reconciliation Commission. Agora, levemente, começa a emergir pelas bordas a conversa de reparações, surge o conceito de Transitional Justice, que reconhece que reformas sociais desse tipo precisam ser amplas, não podem ser graduais, visto que reformas graduais vão sempre deixando gente prá trás, gerações perdidas para sempre.

Nem tudo que foi sub-reportado é coisa ruim. A Zero Hora, meu jornal brasileiro, havia fechado 2019 com uma bela reportagem sobre a adoção de uma adolescente de 17 anos, Jocasta, que foi abandonada pela mãe, aos 9 anos, junto com 4 irmãos menores, e nunca conheceu o pai. Antes de ser abandonada, criava os irmãos, fazendo de tudo dentro de casa. Depois, na casa-lar de Porto Alegre, seguiu criando os irmãos mais moços. Um por um, viu os irmãos sendo adotados. Quanto mais tempo passa, menor a chance dela mesmo ser adotada, visto que pais adotivos preferem recém nascidos ou crianças bem pequenas. Jocasta se atrasou na escola, mas chegou à nona série. Aí apareceram dois brasileiros, um casal do Rio de Janeiro, que residem e trabalham em Portugal, sem filhos, e com pouco mais de 40 anos de idade, que acharam a Jocasta e foi amor à primeira-vista. Jocasta estava por um fio de esperança de algum dia ter pais, e nem acreditou quando recebeu uma nova certidão de nascimento. Uma história de amor, que mereceria ser mais contada e recontada. Brasileiros do exterior, mas vale.

Vejamos 2020 na nossa terra, relembremos um pouco. Elegemos um presidente que prometeu desinchar o estado, combater a corrupção, abrir as caixas pretas do BNDES. Seus artífices seriam os ministros da Justiça e o da Economia; Moro e Guedes; os dois ministérios-chave. Do ponto de vista da base eleitoral, ele tinha os evangélicos, dando tudo para revogar as leis do aborto, e os militares. Algum paralelo com o Trump? (“I will drain the swamp”). 

Vejamos alguns pontos principais que aconteceram desde então. Antes volto atrás para explicar o que é caixa-preta: esse termo foi usado para denunciar operações dos governos anteriores. Seguindo as leis existentes de sigilo bancário, o presidente do BNDES, Joaquim Levy, negou abrir as contas. Demitido Levy, um novo presidente foi nomeado, e, super-empolgado, no estilo “I will drain the swamp” deu entrevistas sensacionalistas, e trabalhou um ano inteiro obsecado por abrir a tal de caixa-preta. Contratou do exterior uma super-auditoria, por 84 milhões, procurou, fuçou, procurou e no final nada encontrou. Eu jamais diria que o erário público nunca foi lesado. Mas ladrão brasileiro profissional não passa recibo, não deixa provas, é muito competente. Então o assunto saiu das manchetes e esse sujeito sumiu do mapa, seguindo, contudo,  mamando do BNDES, quietinho como um gato.

Com o Moro foi um pouco diferente. Baluarte do movimento anti-corrupção, depois de apenas um ano, pediu demissão, por não conseguir resistir a pressões para mudanças na Polícia Federal, que investigavam os esquemas dos filhos do presidente, principalmente as rachadinhas com funcionários-fantasmas nomeados e comissionados-laranja. E a cada dia apareciam mais sujeiras: um tal de Queiroz, policial desligado, mas ainda ligado aos milicianos suspeitos do assassinato de Marielle Franco, vereadora carioca que denunciava os crimes praticados pelos milicianos, foi também identificado como o portador dos fundos de rachadinhas, dinheiro em espécie, que iam às famílias do presidente, e desapareceu; depois foi preso num condomínio no interior de SP, propriedade de um dos advogados ligados à família do presidente, sendo que o tal ilustre doutor falou que nem sabia quem estava morando lá, e fica tudo por isso mesmo. Afinal, é Brasil.

E as reformas? Os pilares do programa do Guedes eram a Reforma da Previdência e a Reforma Administrativa. Digo primeiro que a Previdência, falida, tinha mesmo que buscar uma saída. Mas a solução aplicada foi triste. Já na reforma administrativa, dois secretários especiais, o Salim Mattar, da Privatização, e o Paulo Uebel, da Desburocratização, após 2 anos de se gabar, pediram demissão. Usando a linguagem do Guedes, debandaram. Tudo continua tão burocrático como sempre. Quanto à privatização, ou desestatização, cito apenas 2 casos ilustrativos. Após 2 anos de blá-blá-blá, o Salim levantou uns 100 bilhões de nossos pobres reais  de um patrimônio estatal de 1,5 trilhões, designados para venda à iniciativa privada (desinchar o Estado, conforme o Guedes). Sim dois anos para vender 6,5% dos ativos à venda. Duas privatizações /desestatizações emblemáticas:

1) O  Complexo Eólico dos Campos Neutrais (CECN), localizado no meu estado, o RS, nos municípios de Santa Vitória do Palmar e do Chuí, vendido pela Eletrobrás por 500 milhões (meio bi) à empresa Omega Energia, empresa sem nenhum pedigree em energia, feita apenas para arrematar as barganhas que o governo iria oferecer. O CECN foi construido com investimentos de 3,1 bi. Com uma capacidade instalada de 583 MW, o CECN gerou em 2017 um lucro líquido de 345 milhões. Para efeito de comparação essa potência é pouco menos do que 5% de Itaipú. Anda em curso uma ação contestando a ilegalidade e inconstitucionalidade do leilão. Tomara que alguém tenha vergonha na cara, mas eu duvido, truco, quero, invido, real-invido e vale-quatro.

2) A TAG – Transportadora Associada de Gás, uma malha de gasodutos no Norte e Nordeste do Brasil, da Petrobrás, foi arrematada (90% das ações) por 33,5 bi, que recebeu de lambuja o perdão de uma dívida de 3,9bi com o BNDES. O lucro annual da TAG foi de 7 bi. Só a Petrobras paga 4,9 bi anualmente pelo aluguel dos ramais da TAG, dos quais 50% é lucro, que voltavam à Petrobras. Agora a Petrobras continua a pagar os 4,9 bi anuais de aluguel, mas apenas 10% do lucro voltariam a seus cofres. Aliás, enquanto eu escrevia, a Petrobras já vendeu os 10% remanescentes do seu partrimônio na TAG, a um preço que dará o retorno ao comprador em UM (01) ano. Isso mesmo. Negócio da China.

Há menos de um ano, Salim falou, numa palestra, todo empolgado, do seu orgulho em trabalhar para o minitrump. Confiram se quiserem.  HYPERLINK “https://youtu.be/hKl6x1zc2R4″https://youtu.be/hKl6x1zc2R4 ou busquem no google: “O país que recebemos” por Salim Mattar.

Essas foram apenas duas das jóias da coroa que o Mattar orgulhosamente “desestatizou” – desinchou o Estado, privatizou, a troco de banana, entregou o nosso patrimônio, sim, nosso. Por que esse esforço capitaneado pelo Guedes (o “Posto Ipiranga”) dá com os burros n’água? 

Pensem um pouco: há 25 anos, tivemos o pacote econômico mais feliz da nossa história como país. O Plano Real. De uma hiperinflação de 4 dígitos, baixamos a 1 dígito, que se manteve por mais de duas décadas. Quem fez isso? Foram o Presidente Itamar Franco, com o FHC, Ministro da Fazenda, e a equipe de economistas, Pérsio Arida, André Lara Rezende, Gustavo Franco, Pedro Malan, Edmar Bacha e Winston Frisch; coordenados por Clóvis Carvalho, um advogado. Carvalho, FHC e Itamar, não eram economistas, mas ótimos políticos, costuradores. Tem algum destes economistas de competência mundial, na equipe do Guedes? NÃO!!! Por que não? Porque a ideologia do Bolsonaro e do Guedes e do Mattar é divisionista, incapaz de unir e montar uma equipe forte com base na diversidade. Para eles, é nós, de um lado e os outros, doutro. Tudo comunista, independentemente das diferenças entre eles. Sim, FHC e Lula são indiferenciáveis para o Mattar. Mentira minha? Então vejam o link fornecido e pensem no contexto, à luz da recente debandada.

Aí a pandemia escancarou a incompetência do trump-minhoca. O Brasl se transformou no epicentro do Covid-19, batendo recordes. Com o trump-minion boicotando a saúde da população, sabotando a vacina do Butantã, simplesmente por ser de origem chinesa, e com o filho zero-um emendando o chute contra a China do alto do Itamaraty. 

O resultado é sempre o dólar saltando alto e desregulando as cadeias produtivas, a cada vez que esses dois abrem a boca. Enquanto tudo isso acontece, silêncio do Guru Olavo. Por que ele não digita, como sempre ofende os outros, tuitando “homúnculo gayzista precheca chamuscada de fiofó libertino” para o Mattar? Simples: por que é tudo cria dele, o astrólogo terraplanista. 

Mas o filho zero dois, comparsa (e óbvio chefe) do Queiróz, nunca deixa passar em branco, tuitando sempre: “TEM QUE DENUNCIAR!!!” Triste que tenha que ser este jornalista amador que sequer mora no Brasil que precisa escrever isso.

Para completar, aí apareceu o tio que estuprou a sobrinha de dez anos de idade, no Espírito Santo (reparem o nome do estado), e a menina engravidou. No hospital que operaram a menina e retiraram o feto ainda não formado, os médicos foram fisicamente atacados por turbas de evangelistas, naturalmente, base eleitoral do trump-minhoca. A criança de dez anos foi assim estuprada duas vezes, uma vez pelo tio e de novo pelos evangelistas. Isso escreveu um jornalista brasileiro, e eu assino em baixo. É isso.

Vida do avesso…será mesmo?”

Eliana Barbosa

Tempos atrás, encontrei esta mensagem, de autor desconhecido, e a compartilho, hoje, com você, para refletirmos juntos: “De repente a vida te vira do avesso e você descobre que o avesso é o seu lado certo.”

Neste momento de incertezas, com todas as consequências da pandemia que assolou o mundo inteiro, é importante que você desenvolva dentro de si a serenidade e a criatividade. Tudo parece um caos, do avesso mesmo, mas você deve mudar o foco, virar uma chave em sua mente. É hora de cessar as lamúrias e ativar a gratidão, porque, afinal, apesar de todos os pesares, temos uma tecnologia avançada que nos permite, mesmo em tempos de isolamento social, estar “perto” dos nossos familiares. 

Se você  mora nos EUA há muitos anos deve se lembrar como era caro e difícil ligar para os familiares no Brasil, e hoje, a saudade é muito mais branda porque você não gasta nada para vê-los pelos aplicativos de celulares, quantas vezes quiser, ao dia. 

Por isso, foque na gratidão e entenda que toda dor traz a semente de um benefício e que muitas oportunidades aparecem em nossas vidas disfarçadas de tempestades. 

A minha sugestão é que você pare de lamentar pelo que poderia ter sido e não foi, e aproveite este “novo normal” para descobrir o quanto você pode ser criativo e, quem sabe, se deparar com novos talentos dentro de si, até então desconhecidos. 

Se estiver perto dos seus familiares, é hora de estreitar os laços entre vocês, e se estiver sozinho, aprenda a apreciar sua própria companhia, invista em autoconhecimento, estude, dê a si mesmo a chance de conhecer outras áreas profissionais que talvez você nunca tenha pensado a respeito. É hora de se reinventar! 

Saia da posição de vítima e assuma que você é capaz de superar esta crise mais fortalecido e preparado para vencer os próximos desafios que, com certeza, virão! Tudo é crescimento! 

E, seja como for, esteja como estiver, lembre-se que este é um momento precioso para você aprimorar sua espiritualidade e descobrir como é bom ser solidário, como é gratificante fazer o bem! Então, pare de reclamar e comece a servir!

No final deste pesadelo que o mundo está vivendo descobriremos, juntos, que valeu a experiência, porque nos tornamos pessoas melhores!

E, mais uma vez… Guarde isso: “De repente a vida te vira do avesso e você descobre que o avesso é o seu lado certo!” 

Fé, força e muita saúde pra você! 

2021 Escolha Ser Feliz

Jean Chamon

Aqui nos encontramos em um novo ano e mesmas velhas questões para trabalharmos. Como é começo de ano talvez seja o momento oportuno para virarmos a página e abandonarmos todo um movimento de tristeza e destruição que tem tentado abafar a vida de muitas famílias ao redor do mundo. Esse sentimento negativo de uma conspiração infinita tem que parar. A única forma que vejo é se vibramos nossos pensamentos de forma positiva e vendo todas as dificuldades como forma de crescimento e nos colocando em direção do Criador.

Talvez você nesse momento possa estar se indagando e concluindo que minha vida está ganha. Te garanto que não: nesse momento tive que parar e repensar vários planos de início de ano e redirecionar alguns objetivos para 2021. Eu e minha família fomos diagnosticados com COVID-19 e enquanto escrevo estou em completo isolamento social e com as dificuldades e sintomas que a doença nos impõe. Pensei inclusive em escrever ao nosso editorial e informar que não encaminharia meu artigo mensal.

No meio desse turbilhão de pensamentos e preocupações me veio a intuição de que devemos refletir sobre algo maior para as nossas vidas. É chegada a hora da TOMADA DE DECISÃO. Muito falamos sobre esse tema, nas empresas e nas escolhas do cotidiano. Talvez devêssemos utilizar o processo de tomada de decisão e abandonarmos definitivamente os problemas inflacionados pela mídia e optarmos pelo autocontrole das nossas vidas, com fé, em família e focado na busca da felicidade.

Para tanto, vejo que além do processo de tomada de decisão algumas ações e posturas devem ser incorporadas em nosso cotidiano para o alcance de um ano mais estável e feliz:

POSTURA DIANTE DAS DIFICULDADES 

Todos passamos por problemas e as vezes a forma como enxergamos ou encaramos faz toda a diferença. Grandes pessoas transformam desafios e obstáculos ao seu favor. Muitas ideias surgem em momentos de dificuldade.

Deixe de lado a SÍNDROME DO COITADINHO

Ficar parado esperando alguma mudança em nada ajuda a enfrentar ou retirar as pedras do caminho. Creio que ação proativa em direção a resolução de problemas é o primeiro passo. Seja autor das mudanças da sua vida.

Busque ajuda e apoio naqueles que te puxam para cima

Busque na sua fé, terapia, aprendizado ou onde quer que as opções se apresentem.  Fomente hábitos e atitudes que possam mudar positivamente a sua vida.

Vigie a sua postura

Busque encarar sempre os desafios com uma postura de quem pode atravessar e vencer todas as batalhas. 

A PRIMEIRA COISA QUE TODO VENCEDOR POSSUI: VONTADE DE VENCER

No isolamento em que me encontro, tenho refletido sobre aquilo que realmente vale a pena e o que é total desperdício de tempo. Temos que iniciar e incitar um movimento do bem em direção as coisas boas e que nos fazem bem. Se ficarmos vibrando no emprego que perdemos, dívidas que acumulamos, problemas de família ou ainda em todo o movimento político-social que tenta nos transformar em escravos das News e Fake News quase instantâneas, será muito mais difícil seguirmos adiante.

ESTÁ NA HORA DE FALAR:  QUERO SER FELIZ

Esse é o primeiro passo, o da tomada de decisão! Posteriormente virão as etapas do como, onde e de que maneira. Estude para aprender algo novo, procure estar mais próximo de Deus, reconcilie com sua família. Cada um sabe dentro de si o que realmente necessita. Reflita e procure fazer algo construtivo e que poderá ajudar alguém. Quando ajudamos, creio que somos mais que ajudados. 

Mais uma vez reafirmo que se virarmos a página e decidirmos ser mais felizes a vida fica mais leve e gostosa de viver! 

FORTE ABRAÇO E POSITIVIDADE SEMPRE.

A arte de escrever de Beti Rozen

Nereide Santa Rosa

Beti Rozen é mais uma brasileira de sucesso nos Estados Unidos. Sua surpreendente carreira foi o tema da entrevista deste mês. Uma escritora que comemora uma carreira vitoriosa com prêmios e reconhecimento internacional. Sua perseverança, envolvimento e a busca incessante por novos desafios fizeram com que Beti se tornasse uma personagem que se confunde com a literatura brasileira nos Estados Unidos. Atualmente atua no comando do programa Mostra Sua Cara Kids, seus versos são musicalizados e continua publicando novos livros. Um exemplo de mulher escritora que conquista e assume seus espaços. Conheçam mais sobre Beti Rozen.

Nereide Santa Rosa: Conte um pouco de sua história de vida até ser uma escritora brasileira de sucesso nos Estados Unidos. Até que ponto as suas experiências pessoais influenciaram a sua obra literária?

Beti Rozen: Comecei escrevendo poesias no Brasil e, com o boom da literatura infantil, resolvi escrever livros infantis e meu primeiro livro foi editado em 1984, depois do de poesias, em 1982. Depois publiquei dois outros livros, para jovens e crianças. Muita batalha no início, batendo na porta de editoras, vendendo livros em bares/restaurantes no Rio de Janeiro. Buscando patrocínio para meus livros, como foi o caso de “Diário de Uma Jovem em Israel”, que foi patrocinado por uma agência de viagens e distribuído aos passageiros que viajavam para Israel. Até o meu livro “Robinho, o Robozinho e outras Histórias” foi distribuído nas excursões da Cidade da Criança e adotado em escolas no Rio de Janeiro. Um dos contos foi traduzido para o chinês e hebraico e publicado em revistas infantis na China e Israel. Outro conto do livro foi adaptado para teatro e esteve em cartaz no Rio. Isto tudo através do meu networking e também batendo em portas. Morei em Israel e lá batalhei bastante. Tive um poema traduzido para o hebraico e um conto editado na revista Pilon. Depois de todo o meu trabalho no Brasil e em Israel, vim para os Estados Unidos com um título que gostaria de editar e conheci meu marido Peter Hays, também escritor, que na época somente escrevia peças de teatro, e juntamente com um outro sócio, que não está mais na parceria, criamos a Sem Fronteiras Press para editar este livro. Foi uma edição bilíngüe, português e inglês e adaptado para o português de Portugal. Aí começou a nossa trajetória pelas comunidades brasileiras e portuguesas. Mais tarde, editamos o mesmo livro reilustrado em inglês e depois começamos as parcerias com editoras no Brasil e foi lançado “Um Coração a Procura de Abrigo” adaptado ao português do Brasil. Lançamos outros livros em inglês e vendemos direitos para editoras do Brasil mesmo porque começamos a visitar muitas feiras de livros internacionais e divulgar nossos livros. Em uma destas feiras conseguimos vender direitos para dois de nossos títulos em espanhol para a Colômbia. Assim minha carreira já estava em diversos países. Minhas experiências pessoais têm muita influência nos meus livros. O que vejo, minha família, minhas viagens, meu mundo interior, minha vida de imigrante, como os livros “Dois Continentes, Quatro Gerações” e “Sem Palavras”.

NSR: Como você escolhe o tema de seus livros? 

BR: Baseados em várias experiências da minha família, imigrante, minha vida em Israel, o que aconteceu com meu filho, e um em especial “Annabelle: Uma Criança a Caminho” uma inspiração baseada num bebê que não vingou, aborto espontâneo. O livro “Temos que Encontrar o Froggy” foi baseado numa experiência que aconteceu com nosso filho na Califórnia.

NSR: Os seus livros em português são muito apreciados pela comunidade brasileira nos Estados Unidos. Dê a sua opinião sobre o uso de seus livros em projetos que envolvem o ensino de Português como Língua de Herança.

BR: Os nossos livros em português são muito utilizados, além do Brasil, nos Estados Unidos em escolas da Flórida e outras. Creio que com a minha experiência de vida e vivendo quase 30 anos nos Estados Unidos, tenho histórias que se adaptam muito a realidade das crianças que vivem aqui e dos pais delas também. Mas alguns temas são universais e gosto muito de mensagens positivas e educativas. Muitas são espiritualizadas, mas sem tratar de religião. É muito importante passar esta mensagem hoje em dia, pois me preocupo muito com o materialismo excessivo. Isto é tratado no meu livro “A Heart Alone in the Land of Darkness” (Um Coração a Procura de Abrigo). O livro “Without Words” (Sem Palavras) trata da adaptação de um menino que veio do Brasil e tenta se adaptar nos Estados Unidos. Muitos pais e filhos se identificam com isto.

NSR: Quais são os seus planos para o futuro? 

BR: Meus planos para o futuro seriam cada vez mais ajudar as novas gerações com meus livros, sempre editando novos, fazendo peças de teatro e gostaria de fazer um filme com um de meus livros. Mas isto tudo, só Deus sabe. Podemos fazer planos, mas temos que ser flexíveis pois a Terra está passando por um processo de regeneração, e tudo muda de repente. Espero que meus livros criem leitores e transmitam sempre mensagens positivas. No programa Mostra sua Cara kids tento divulgar a literatura infanto-juvenil, pois entrevisto educadores, ilustradores e escritores. Todos que contribuem para esta literatura ficar cada dia mais forte.

NSR: Mande uma mensagem aos nossos leitores.

BR: Para os pais: leiam para seus filhos, sempre estimulem a leitura. Para os filhos: leitura pode ser uma coisa divertida, podem acompanhar esta era tecnológica, mas nunca esqueçam que ler um livro também pode acompanhar um vídeo game. Tudo é válido! Mas ler livros também pode ser uma atividade que possa dar prazer. Aí estão uma diversidade incrível de escritores, ilustradores, livros interessantes para serem lidos.

Sinais de alerta de tráfico humano

Anna Alvez_Lazaro

Você conhece alguém que já foi ou está sendo traficado? O tráfico de pessoas está acontecendo na sua comunidade?

O reconhecimento de possíveis sinais de alerta e o conhecimento dos indicadores do tráfico de pessoas são um passo fundamental para identificar mais vítimas e ajudá-las a encontrar a assistência de que precisam.

Uma das formas mais comuns de aliciamento de vítimas pelos traficantes são as propostas e promessas de uma vida melhor em países estrangeiros. São promessas de vida próspera com excelentes trabalhos e remunerações feitas em geral a pessoas que vivem uma vida de muitas dificuldades financeiras em seu país de origem e a jovens mulheres que sonham com uma carreira de modelo profissional.

As vítimas de tráfico são frequentemente de outros países e elas podem apresentar comportamentos e características típicas de pessoas traficadas. Mas o tráfico de pessoas também acontece dentro do próprio país, a vítimas são traficadas entres os Estados e até mesmo entre as cidades. Medo de autoridades policiais, por exemplo. O medo está sempre presente no olhar, nos gestos e atitudes, e na fala da vítima. Essas vítimas passam por um cruel processo de manipulação para submissão aos traficantes sob ameaças contra a própria vítima e seus familiares e isso faz com que a própria vítima proteja o seu traficante e não tente escapar.

Exibem sinais de trauma físico e/ou psicológico, como ansiedade, falta de memória de eventos recentes, hematomas, ferimentos não tratados.

É comum muitas dessas vítimas não se darem conta de que foram traficadas, ela acreditam que se apaixonaram pela “pessoa” errada, ou que apenas estão em um emprego ruim, ou que a “pessoa” que está fazendo isso não é de toda ruim , apenas é o “jeito”, “cultura” dessa “pessoa”.Esse é um comportamento característico de vítimas que são acometidas pela Síndrome de Estocolmo ou síndroma de Estocolomo (Stockholmssyndromet em sueco) é o nome normalmente dado a um estado psicológico particular em que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia e até mesmo amor ou amizade perante o seu agressor.

Vítimas do tráfico humano tem a sua liberdade de movimentação limitada, seu direito de ir e vir livremente sem “supervisionamento” é restringido. Exerce “trabalho” não remunerado ou insignificantemente remunerado. Todo seu dinheiro e documentos ficam retidos por “gerentes”. Não tem nenhum ou quase nenhuma acesso a cuidados médicos, pois os médicos e hospitais podem reportar a polícia qualquer situação suspeita.

As vítimas do tráfico sempre estão em dívida com alguém , pois essa dívida nunca é quitada. Elas não tem passaporte ou o passaporte está em posse de terceiros.

Uma das estratégias utilizadas por traficantes de pessoas para desviar a atenção sob eles e suas vítimas é sempre estar mudando as vítimas de lugares, áreas, cidades, Estados e Países, o que dificulta muito a localização e resgate dessas vítimas.

Os traficantes de pessoas são exímios manipuladores, verdadeiros mestres da manipulação, não é incomum eles controlarem suas vítimas através de rituais satanicos e bruxarias.

Identificando os sinais de vítimas 

de Exploração Sexual

As casas em bairros residenciais, motéis, resorts, hotéis turísticos, hotéis residenciais comuns estão sendo usados ​​cada vez mais para prostituição e para manter vítimas do tráfico para exploração sexual. Além de lugares mais tradicionalmente usados para esse propósito como bordeis, strip clubs, casas de massagens, saunas, etc.

As pessoas forçadas à exploração sexual são transportadas entre esses lugares mencionados, e também de cidade para cidade, ficando “hospedadas” neles. Pode-se observar nessas pessoas uma quantidade limitada de roupas, das quais a maioria são roupas sensuais e provocativas, roupas tipicamente usadas por protitutas. Essa pessoas são forçadas ao uso de drogas ilícitas, forçadas, coagidas e intimidadas a prestarem serviços sexuais e são submetidas a sequestro, agressão e estupro.

Não viajam sozinhas e livremente, repassam o dinheiro recebido para um cafetão e/ou traficante.

É comum essas vítimas serem tatuadas como “gado”, as tatuagens exibidas identificam que são propriedades de um traficante. As tatuagens mais conhecidas são: código de barra, símbolo do dinheiro ($), nome do cafetão como “propriedade de John”, ou o nome “Daddy”.

Identificando vítimas do 

trabalho forçado

Onde todo o trabalho é feito sob a ameaça, coação , intimidação e imposição de uma penalidade caso a pessoa não realize bem o trabalho . Quando a pessoa não se ofereceu voluntariamente  foi forçada e não consegue sair da situação, pois é mantida presa ou sob ameaça.

Se for observado ameaça ou dano físico real com restrição do direito de ir e vir ou confinamento. Além disso servidão por dívida, ou seja, trabalhando para pagar uma dívida ou empréstimo, muitas vezes a vítima recebe muito pouco ou nada pelos serviços, devido as deduções, retenções ou reduções excessivas de salários. Também, retenção de documentos, passaporte. Ameaça de revelar às autoridades um status de imigração irregular. Empregador é incapaz de produzir os documentos necessários para oficializar a relação de trabalho, não cumprir as normas de saúde e segurança adequadas. Utilizar de requisitos para pagar por ferramentas e alimentos, ou local de acomodação, dedução de impostos realizadas pelo “ empregador” sem nenhuma base legal, salário inferior ao salário mínimo, sem acesso ao contrato de trabalho, horas de trabalho excessivas / poucas pausas está caracterizado o crime de trabalho escravo, trabalho e, regime de escravidão e então esse “empregador” criminoso deve ser denunciado.

Identificando sinais do Abuso e 

Exploração Sexual infantil

Crianças e adolescentes são os alvos mais vulneráveis, mais fáceis de serem alcançados pelos predadores. Pela inocência da criança, pela rebeldia e impulsividade da adolescência, por todas as características de vulnerabilidade dessas fases são as mais frequentes vítimas. Os predadores são conscientes da fragilidade desses alvos e se sentem poderosos e dominadores diante deles desenvolvendo assim as mais diversas formas de abordagens. Tais abordagens podem ser de forma rápida, violenta e fatal, ou podem ser de forma lenta, astuciosa, sensível e constante . É muito importante a vigilância ininterrupta dos pais e responsáveis sob suas crianças e adolescentes.

Você pode perceber quando uma criança ou adolescente pode estar sendo vitimada por um predador através de muitos sinais, mas vejamos aqui, alguns deles: crianças e adolescentes que passam muito tempo longe dos pais sem que estes saibam onde eles estejam e com quem estejam , escondem amizades, conversas, criam uma atmosfera de segredos e exigem privacidade. Privacidade é algo para adultos responsáveis e independentes, não para crianças e adolescentes.

Quando a criança ou adolescente aparece constantemente com dinheiro e/ou presentes inexplicáveis, sinais de uso de álcool ou drogas.

“Amigos” mais velhos sempre prontos a ajudar, presentear, fazer as vontades há grandes chances desse “amigo” ser um predador.

Está sendo convidado por pessoas mais velhas para atividades que não condizem com a idade da vítima. Visto entrando e saindo de veículos e casas de adultos desconhecidos. Evidências de agressão física e sexual, doenças sexualmente transmissível, apresentando sinais de baixa auto-estima, auto- mutilação, transtorno alimentar, agressividade, isolamento e medos.

Identificando algumas atividades criminais associadas ao crime 

de Tráfico Humano

A pessoa (vítima do tráfico) é recrutada e forçada/aliciada a realizar alguma forma de atividade criminosa, como furtar carteiras, cultivo de maconha e se beneficiar de fraude.

Propriedades utilizadas para os crimes tem suas janelas permanentemente cobertas por dentro com placas de madeira, papelão e uso de grades. As visitas a estes locais ocorrem em horários incomuns. A propriedade pode ser residencial ou comercial . Barulhos, ruídos incomuns vindos da propriedade. Mau cheiro, odores estranhos, pessoas vigiando as entradas e saídas, vigiando a área externa da propriedade.

Se você passar por uma propriedade e identificar tais sinais não se omita, ainda que você não tenha 100% de certeza. Seu gesto poderá salvar vidas. Lembrando que as denúncias podem ser anônimas.

Identificando os sinais do tráfico 

humano para a servidão doméstica

A escravidão doméstica é forma particularmente grave de negação da liberdade; isso inclui a obrigação de fornecer determinados serviços e a obrigação de morar na propriedade de outra pessoa sem a possibilidade de alterar essas circunstâncias. Em geral a vítima vive e trabalha para uma família em casa particular. É tratada de forma rude, fria, humilhante, sendo proibida de comer na mesa da família, não pode utilizar os demais banheiros e dependências comuns da residência e tem um pequeno quarto e banheiro separados do restante da família. Forçada a trabalhar 24 horas por dia, sem direito a descanso. Proibida de sair sozinha, sai somente como o empregador. Apresenta desnutrição, medo, tristeza e até marcas de violência física. Vive sob a ameaça do “empregador” em ser acusada de crime se tentar escapar.

Para solicitar ajuda ou denunciar suspeita de tráfico de seres humanos, ligue para a Linha Direta Nacional de Tráfico de Pessoas, 1-888-373-7888 ou envie o texto “Help” para BeFree (233733). Junte-se à luta!

Receba alertas e atualizações de ações sobre tráfico de pessoas através do Instagram @hopeandjusticegroup

“Quero te ver no caixão”

Luciana Bistane

O bloqueio de Donald Trump em várias plataformas digitais foi legítimo ou é um cerceamento à liberdade de expressão? 

Antes de responder a essa pergunta, a jornalista Patrícia Maldonado lembra que essa discussão requer um amplo debate e profunda reflexão. 

“É um tema que rende uma longa conversa, poderíamos falar horas sobre isso, sob vários aspectos. É um assunto polêmico. São muitos interesses envolvidos, inclusive econômicos”.

Feita a ressalva, a jornalista se posiciona a favor de uma regulamentação das redes sociais. 

Patrícia Maldonado já trabalhou em televisão e ainda trabalha como free-lancer para emissoras brasileiras. Morando em Orlando, na Flórida, há 6 anos, hoje ela tem uma empresa de comunicação e também um blog. Já sentiu na pele a força das agressões, tão comuns hoje em dia no cyberespaço.

“Atualmente, evito falar do Brasil, meço muito as palavras nas redes sociais porque já recebi mensagens horríveis. Falam o que querem. A internet se tornou o maior veículo de comunicação do mundo, não pode ser terra de ninguém. O que aconteceu com o presidente Donald Trump vai servir de alerta para que as pessoas tenham mais responsabilidade, inclusive outros políticos” – ela espera. 

No seu blog, ela trata de temas como: maternidade e sugestões de passeios turísticos. No blog nunca recebeu uma ofensa, mas lembrou de um episódio que ilustra bem o quanto essas agressões podem ferir e trazer problemas.

“Uma mãe escreveu contando que estava preocupada porque a filha de 8 anos recebeu uma mensagem de um colega dizendo pra menina – “quero te ver num caixão”. Isso causa um impacto, as pessoas têm que ter consciência que coisas desse tipo podem dar processo, que elas serão responsabilizadas”.

Quando o discurso de ódio, a apologia à violência parte de um líder político, na opinião da jornalista, o problema é ainda mais grave. Respondendo a pergunta feita no início, ela conclui:  

“Não sei se a própria rede social deve fazer esse controle sobre quem pode ou não ter voz, ou escolher o que deve ou não ser bloqueado, mas, no mínimo, essas plataformas digitais também devem ser responsabilizadas pelo que veiculam, como acontece com qualquer empresa de comunicação”.

Patrícia Maldonado é jornalista e uma das Mestres de Cerimônias mais requisitadas do Brasil. Trabalhou em 3 das principais emissoras do país (Globo/Sportv, Record e Band).

​Teve como companheiros alguns dos mestres da profissão como Armando Nogueira, Paulo Henrique Amorim, Luciano do Valle e Ricardo Boechat. Cobriu diversos eventos internacionais como Grammy, Jogos Panamericanos, 500 milhas de Indianápolis, Mundiais de Vôlei, Abertos de Tênis, Mundiais de Motovelocidade, além de 3 Copas do Mundo.

​No currículo da jornalista constam ainda 10 anos em que foi a principal apresentadora do Band Folia, programa que mostra para o Brasil inteiro o carnaval de Salvador, considerada a maior festa de rua do mundo!

E a liberdade na democracia?

Edinelson Alves

O ciberespaço transformou-se numa grande avenida pela qual trafegam virtualmente cidadãos de todo mundo. Vivemos a era da concretização da “Aldeia Global” prevista pelo professor e pesquisador canadense Marshall McLuhan. Basta um computador ou um celular com internet para se conectar a esse fantástico mundo virtual. Os interesses dos usuários vão desde simples amizades, passando por empreender negócios e infinitas outras possibilidades numa verdadeira Torre de Babel. Ocorre que os políticos e seus marqueteiros também descobriram o poder da mídia virtual e a converteram num jogo de vale tudo.

Não há um marco regulador capaz de estabelecer limites claros e objetivos do que pode e do que não pode ser postado nessas redes sociais. Nos Estados Unidos, existe a  Seção 230 da Lei de Decência das Comunicações, “criada para isentar empresas como Google, Facebook e Twitter de responsabilidade legal sobre o conteúdo publicado por seus usuários”. No Brasil, o Marco Civil da Internet busca nortear a relação das empresas de internet com os seus clientes. Três fatores são fundamentais na definição e regulamentação dessa lei: a neutralidade da rede, a privacidade e a fiscalização. E assim também outros países têm suas respectivas legislações com suas variáveis e peculiariedades próprias. 

O grande problema enfrentado pelo Twitter, Facebook, Instagram  e outras empresas similares é que, se antes elas simplesmente publicavam postagem de seus usuários, devido à crescente alta da temperatura política e suas grandes polêmicas, elas passaram a exercer o papel de editor e ao mesmo tempo de censor. E esse é um terreno nebuloso porque o aspecto principal é de pura interpretação, algo muito subjetivo no qual nunca haverá consenso entre as partes. E é a partir desse papel de editor e de censor de conteúdos que entendo que essas empresas têm errado muito.  Vivemos num mundo dominado pela  relatividade,  dividido – principalmente em alguns países como Estados Unidos e Brasil – por questões ideológicas em que os adversários  se transformam em fanáticos na defesa de suas convições e sem qualquer abertura ao diálogo.  

A polêmica entre Trump e as redes sociais é antiga, mas vamos analisar aqui apenas as duas declarações que motivaram o Twitter a banir a conta do ex-presidente: 

“Os 75 milhões de grandes patriotas americanos que votaram em mim… terão uma VOZ GIGANTE por muito tempo no futuro. Eles não serão desrespeitados ou tratados injustamente de nenhuma forma”. 

A outra: 

“A todos os que me perguntaram, não irei à posse no dia 20 de janeiro”. Os analistas do Twitter viram nessas duas frases um grande potencial explosivo para incitar a violência. Na minha modesta opinião – e isso também é relativo – entendo que jamais o Twitter – ou qualquer outra empresa do gênero – poderia ter tamanho poder de censurar um presidente dos Estados Unidos, justamente a nação que nasceu e cresceu tendo como fundamento sólido a defesa intransigente da liberdade.  

Banir um maníaco, um abusador de criança e outros criminosos é uma coisa, mas censurar um presidente dos Estados Unidos, por mais que suas idéias sejam polêmicas ou contraditórias, é um ato injustificável num país democrático. Censura e banimento são armas usadas comumente nos países de regime autoritário e isso jamais deveria ocorrer nos Estados Unidos. Encerro citando a memorável frase de Thomas Jefferson, ex-presidente e um dos pais da fundação da nação americana: 

“Nossa liberdade depende da liberdade de imprensa, e ela não pode ser limitada sem ser perdida.”

Edinelson Alves é jornalista formado em Comunicação Social pela Universidade Estadual e em Estudos Sociais pela Fundação Estadual de Educação de Paranavaí. 

Tem vasta experiência em jornais, tendo atuado como repórter, redator, editor e correspondente em Brasília e nos Estados Unidos.

Como assessor, trabalhou na Câmara Federal, Associação Brasileira de Municípios e outras entidades representativas.

edinelsonalves@uol.com.br

Sou contra…Sou a favor!!!

César Augusto

Donald Trump foi banido do Twitter. Eu sou contra… ou a favor. 

Tanto faz, ninguém vai ouvir ou concordar seja lá qual for a minha posição.

É isso que acontece hoje em dia. A esmagadora maioria das pessoas que frequentam as redes sociais tem uma “verdade particular”. Essa maioria é contra, não interessa contra o que.

Para piorar, 100% dos assuntos, de uns tempos para cá, viraram política.

E a política, durante a pandemia, se transformou no esporte favorito do planeta.

Um esporte com torcedores apaixonados, fanáticos e extremamente agressivos. Todos eles, sem exceção, especialistas em qualquer assunto.

Trump foi expulso por incitar a violência.

A “torcida do outro time” concorda com a medida, vibra e, na mesma rede social, deseja a morte de quem incitou a violência.

Não é maluco isso? Você, para se posicionar do lado da paz, deseja a morte de alguém.

Eu, particularmente, não gosto do Trump. Não gosto da figura dele, do jeito. Acho que Donald nunca seria meu parça. O presidente, o Trump político, eu não tenho conhecimento técnico para avaliar. Ele ser expulso do Twitter não mudou nada na minha vida. Aposto que não mudou na sua também. Eu não seguia o Trump, assim como não sigo o Biden nas redes sociais. Acho muito mais divertido seguir a Luana Piovani. As tretas da Luana são muito mais divertidas.

Voltando ao assunto, o jogo da turma da Censura contra a turma da Liberdade de Expressão dura muito mais do que 90 minutos. Pode durar uma eternidade. E, o que é mais interessante, no fim os dois times acham que ganharam… e perderam.

O mundo só perde com isso. O mundo só perde com a falta de educação das pessoas, com a falta de diálogo, com a falta de respeito, com a falta de amor. A verdade é que nós, pobres mortais, não sabemos jogar o jogo da política. Nós, pobres mortais, não conhecemos as regras. Nós, pobres mortais, somos as peças movimentadas sabe-se lá por quem ou para que casa. Nós, pobres mortais, perdemos sempre. Isso eu não tenho nenhuma dúvida. Não interessa quem está no comando, de quem é “a vez de jogar”, nós perdemos.

Para piorar, o jogo virou uma febre mundial e foi exportado para vários países. O Brasil, claro, está nessa lista. Na versão brasileira do jogo o Trump não é tão colorido (ia escrever laranja, mas aposto que isso seria tirado de contexto) e ganhou um ar mais “tiozão do pavê”. O outro lado, o time da oposição, parece não ter descoberto como jogar os dados ainda. Outro dia vi um candidato jogando Among Us com um influenciador digital. Claro que poderiam fazer isso, mas pensar que era parte da campanha para prefeito da maior cidade do país. Não sou tão criativo para imaginar uma coisa dessas.

Para não ficar totalmente em cima do muro, acho que o Trump passou do ponto… e acho que o Twitter passou do ponto… e acho que todo mundo tenta passar do ponto de propósito ultimamente. Afinal de contas, isso pode viralizar e render milhões de seguidores.

Minha dica sobre esse assunto é: assista a algumas séries da Netflix. Pode ser “Designated Survivor”, “House of Cards”, “The Crown”… 

Muitas dessas séries mostram um pouco de como esse jogo é jogado. Deve ser divertido participar. Tem dinheiro, poder, crimes, falcatruas… mas não é para mim.

Agora vou abrir minhas redes sociais para ser xingado pela torcida da direita, que tem certeza que sou da esquerda. E, claro, xingado pela torcida da esquerda, que tem certeza que sou da direita. Se quiser me xingar, estou no twitter como @b2cesar 

Pode mandar sua posição. Serei contra para garantir a graça do jogo. 

Grande abraço e até a próxima temporada.

César Augusto – atualmente narro jogos para o DAZN, sigo “frilando” como repórter para a TV Globo e produzo conteúdo para alguns canais do YouTube e para o Instagram. 

Fora isso, finalmente tomei coragem e abri, com a minha esposa e um casal de amigos, uma Casa de Chocolate. 

A ideia é, com isso, deixar a vida ainda mais doce. Depois de 16 anos de EUA, me mudei para Portugal. 

O futuro… ele chega de qualquer jeito, não me preocupo com isso.

Contato

@b2cesar – Twitter e Instagram

As Leis no mundo digital

Marcella dos Reis Manes

O bloqueio das contas do Presidente Donald Trump em várias plataformas digitais, depois da invasão ao Capitólio, no início de janeiro, instaurou uma polêmica.

Vários líderes internacionais1 criticaram a postura das plataformas digitais, sugerindo que referida conduta seria uma forma de censura e que violaria a liberdade de expressão.

Ocorre que a liberdade de expressão, assim como os demais direitos tidos como fundamentais, não pode ser exercido de forma abusiva.

Assim, por mais que as redes sociais prezem pela liberdade de expressão dos seus usuários não podem admitir que as suas plataformas sejam um ambiente anárquico, pelo contrário, devem preservar a segurança dos usuários e a integridade, razão pela qual, não só tem o direito, mas o dever de impor regras de uso para coibir o excesso de liberdade de expressão e com isso evitar discursos de ódio e incitação de violação.

Neste sentido, visando manter suas políticas sempre atualizadas e inibir tais condutas durante as eleições presidenciais dos EUA, o Twitter e o Facebook lançaram atualizações de seus termos de uso: o Twitter2 expandiu sua política sobre integridade cívica, permitindo rotular ou remover publicações de usuários que contivessem informações falsas ou enganosas com “intenção de reduzir a confiança pública em eleições ou outros processos cívicos”; e o Facebook3 passou a adicionar rótulos de desinformação em publicações que questionassem o resultado das eleições ou discutissem, sem fundamentos, a legalidade dos métodos eleitorais nos EUA4 

Portanto, quando um usuário, independentemente de quem seja, comete uma conduta que viola os termos contratuais estipulados entre as partes, as plataformas digitais estão agindo no exercício regular do seu direito ao bloqueá-lo ou removê-lo.

No caso concreto, por se tratar do Presidente da República dos EUA, as plataformas digitais devem ter ainda mais atenção sob o conteúdo postado, diante da ampliação e alcance das suas manifestações que pode afetar inclusive o “mundo real”, como aconteceu na invasão do Congresso.

Em suma, a decisão de banir um usuário não é simples, mas visa impedir os excessos de liberdade de expressão e está plenamente de acordo com as políticas de uso das plataformas digitais, não podendo ser considerada ilícita. 

1- https://www.bbc.com/news/uk-politics-55609903 

1- https://apnews.com/article/merkel-trump-twitter-problematic dc9732268493a8ac337e03159f0dc1c9

2- https://help.twitter.com/pt/rules-and-policies/election-integrity-policy 

3- https://about.fb.com/br/news/2020/10/preparando-para-o-dia-das-eleicoes/ 

4- https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/o-banimento-das-contas-de-donald-trump-no-facebook-e-twitter-07012021

Marcella dos Reis Manes é Advogada do escritório TozziniFreire Advogados nas áreas de Direito Digital e Direito Eleitoral. 

Possui pós-Graduação em Direito Penal Econômico pela Faculdade Getúlio Vargas e graduação em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, além de especialização em Direito Empresarial na Economia digital pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. 

mmanes@tozzinifreire.com.br.

Quem pode se manifestar neste mundo digital?

Luciana Bistane

Driblando o bloqueio nas plataformas digitais, o ex-presidente Donald Trump, despediu-se do cargo com um discurso veiculado na conta do governo americano no Twitter, palanque virtual que ele perdeu sob alegação de que incitou a invasão ao Capitólio pelos seus seguidores, no início de janeiro.

Deixou a presidência quebrando uma tradição de mais de 150 anos, ao não comparecer à transmissão do cargo de seu sucessor, o democrata Joe Biden. 

Como um jogador que não aceita a derrota e se recusa a cumprimentar o vencedor, desejou apenas “sorte ao novo governo” sem citar o nome do novo presidente.  

A transição política nos Estados Unidos vem atraindo todos os holofotes desde que Donald Trump começou a atribuir a sua derrota à acusações falsas de fraude eleitoral e passou a elevar o tom dos discursos nas redes sociais, o que culminou com o bloqueio de sua conta em diversas plataformas digitais, além do Twitter.

A tentativa de calar a voz do ex-presidente na internet, levantou uma polêmica: o bloqueio foi legítimo ou fere um dos pilares da democracia: a liberdade de expressão, assegurada na primeira emenda da Constituição norte americana.

Mesmo líderes mundiais que não apoiam Donald Trump, como a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, manifestaram preocupação com o poder que as companhias privadas demonstraram ter para decidir o que pode ou não ser veiculado. 

Quem pode se manifestar nesse mundo digital?

Que Donald Trump se excedeu é consenso. Até mesmo o líder republicano no Senado, Mitch McConnel, concorda. Chegou a dizer: 

“A invasão ao Capitólio se alimentou de mentiras. 

Eles foram incentivados pelo presidente e outras pessoas poderosas”.

A liberdade de expressão teria limites, então? Ultrapassar esses limites merece punição? São as companhias privadas que devem regulamentar um assunto tão polêmico e que envolve de conceitos filosóficos a manipulação da opinião pública; do uso indevido por políticos às prioridades do poder econômico? 

O B&B deste mês embarcou nessa discussão e convida os leitores a refletir sobre o tema. 

Ouvimos a blogueira Patrícia Maldonado, que conhece bem as agressões verbais tão frequentes no universo virtual. Trazemos também artigos assinados pela advogada brasileira Marcella Manes e pelos jornalistas Edinelson Alves e César Augusto. 

São pontos de vista que apontam diferentes aspectos a serem considerados, na hora de analisar essa questão.