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O que faz um poeta?

Peter Ho Peng

Lembranças do meu amigo Mario   

Mas como, Pedro, o nome do teu amigo não é proparoxítona? Não leva o acento agudo no á? Sim, é proparoxítona, mas ele é o Quintana! O Mario não leva acento! Quintaneiro, Mario escrevia quintanares (conforme Cecília Meireles) para nós, fazia quintanices conosco. Ah, meus amigos brasileiros, não sabeis o que perdestes!

(Frases soltas)

…até onde irá a procissão dos postes, unidos, pelos fios, à mesma solidão?

Senhor! Que buscas Tu pescar com a rede das estrelas?

De que me serve o molho de chaves, se joguei todas as minhas no mar?

Nasci em Shangri-La… Pois quem foi que não nasceu em Shangri-La?

As folhas enchem de fffs as vogais do vento…

Vidas e poemas têm a certeza do anacoluto…

(Sobre Camões): Seu nome retorcido como um buzio

(Poemas)

Um poema é como um gole d’água

bebido no escuro

Como um pobre animal

palpitando feri-i-i-do

Como uma pequenina-moeda-de-prata

perdi-i-i-da para sempre

na floresta escura…

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Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho!

Primavera cruza o rio

Cruza o sonho que tu sonhas.

Na cidade adormecida

Primavera vem chegando.

Catavento enlouqueceu.

Ficou girando, girando.

Em torno do catavento

Dancemos todos em bando.

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O mundo é fragil / Cheio de fremitos / como um aquário

O que faz um poeta? Escrever poesia? Eu acho que não é bem isso. O poeta é um amigo que faz todo dia ser um bom dia para lembrarmos dele. Como um parente, duas ou três gerações à parte, não importa. E como um parente, pode ser lembrado ou sorridente e bem tratado, ou ferido, com dor. Lembranças podem trazer alegrias ou tristezas. E suscitar perguntas. Algumas difíceis de responder. 

Como pode um escritor com um acervo tão extenso, tendo, ao longo mais de meio século, escrito doze livros e publicado várias antologias, e tendo traduzido Proust, Conrad, Voltaire, Virginia Woolf, Maupassant, Balzac, Graham Greene, Merimée, e outros, e ter sido admirado por Manuel Bandeira, Paulo Mendes Campos, Cecilia Meireles, Vinicius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, Erico Verissimo, como pode esse ser, patrimônio da humanidade de um país, ter sido despejado do hotel onde morava, e onde morou por longos anos, foi deixado apenas com uma mala na calçada, sem um tostão, aos 70 anos de idade. Não apareceu ninguém naquele povoado para pagar a conta!!! 

Aí apareceu o craque Falcão, nosso imortal camisa 5 (e olha que sou tricolor doente); e, sem alarde, o hospedou em seu hotel pelo resto de sua vida, por mais 18 anos. E tudo que escrevia, o fazia à mão, sobre papel. Como pode esse acervo ter sido ignorado por mais de doze anos por aquela gente, até que um instituto do centro do país o hospedou e hoje o preserva como riqueza inequalável? Como pode esse patrimônio cultural nacional ter sofrido esse risco de ter sido danificado e perdido? Como pode o Mario ter sido rejeitado por duas vezes para a casa de Machado de Assis, até que ele rejeitou uma terceira candidatura? Bem, agora aquele primeiro hotel que para mim ficou malfadado, depois foi tombado e virou a Casa de Cultura Mario Quintana, mas, como dizemos aqui, too little, too late. 

Tudo isso vale a pena rever, é o nosso auto-retrato, como sociedade, como povo. É um exercício de auto-conhecimento. Será que adianta? Não acredito, mas tento. Ah, antes que me esqueça, tem post-scriptum. Fiz uma sacanagenzinha. Inseri duas penguices no meio das quintaneiras… Foi o jeito de eu estar ao lado do meu amigo. 

MARCO Maciel, Edmar Bacha, Fernando Henrique Cardoso, Jose Sarney, Arno Wehling, Evanildo Cavalcanti Bechara, Domicio Proenca Filho, Rosiska Darcy de Oliveira, Paulo Coelho.

Hope & Justice Foundation no Enfrentamento da Violência contra a Mulher

Anna Alvez-Lazaro

Você sabe quais tipos de violência que uma mulher pode sofrer? Você conhece alguma mulher que está sofrendo algum tipo de violência? Leia a carta aberta à mulher vítima de violência, escrita por uma das voluntárias da Hope & Justice Foundation e se você precisar de ajuda, entre em contato conosco através do e-mail: gamvv@hopeandjusticefoundation.org  – GRUPO DE APOIO À MULHER VÍTIMA DE VIOLÊNCIA. 

Carta aberta à mulher  vítima de violência

 “Eu posso não lhe conhecer pessoalmente, posso não saber da sua história, posso não lhe ver, mas eu lhe escuto e sei que você está aí. Você não é culpada pelo seu abuso e pelo que aconteceu com você. Você não pediu por isso. Você não deveria ter que fingir que nada aconteceu. Você não deveria ser silenciada. Você merece ser ouvida. Você não deveria sentir como se não tivesse valor. Ninguém tinha ou tem o direito de lhe violar. Você é uma sobrevivente de abuso e agressão e esta violência contra você é um erro. Você deveria e deve ser tratada com dignidade e respeito.

 Você se acostumou a viver com medo. O seu agressor pode ter violado sua mente e seu corpo, tornando você receosa em agir, com medo de irritá-lo. Ele lhe machucou de maneiras inacreditáveis, usando as mãos e palavras. Você não entende o porquê das punições e agressões. A verdade é que você não merece isso, mas ele fala que foi você quem causou. Você não entende como num dia ele está violento, mas no outro ele está calmo.

 Controlada por ele, sem ter a escolha de ver quem quiser, de escolher um amigo, de ir a qualquer lugar, de comprar o que deseja, de vestir o que gosta. Você sente como se fosse uma marionete e ele o manipulador. Você não sabe mais o que é ter liberdade. Mas eu quero que saiba que tudo que seu agressor lhe falou é mentira.

 Eu sei que é difícil, que às vezes sente-se como se não conseguisse sobreviver, mas você consegue. Sei que pode-se sentir como se estivesse em pedaços, usada e esquecida. Mas quero que saiba que você pode se recuperar, que existe esperança e ajuda. Pedir ajuda e achar uma saída é difícil. Seu agressor pode ter lhe ameaçado ou, então, ameaçado seus filhos ou família. Você sente que fugir dessa violência é impossível, que sua autoestima e confiança são inexistentes. Mas não desista e, sim, persista.

Não precisa se sentir humilhada por ter que pedir ajuda, isso na verdade é ter coragem. As dificuldades não foram feitas para lhe desencorajar, mas para lhe ajudar a ser mais forte.

 Esse é um dos primeiros passos para livrar-se da constante agressão. Você pode se sentir desmotivada, mas existem pessoas para lhe ajudar. Você não está sozinha. Deixe sua mente processar as mudanças, você precisa de tempo para se recuperar e ajustar. Procure pessoas que possam lhe ajudar, organizações que lhe apoie, encontre atividades que lhe faça feliz, que lhe acalme. Você não é mais uma prisioneira. Você não tem nada para se envergonhar. Mas o mais importante é: lembre-se de que você consegue seguir em frente.

 Quero lhe lembrar que você tem valor. Quero lhe ajudar a se reerguer, mostrar que, por mais que você tenha presenciado tanta violência, a vida ainda tem muito a ser vivida, coisas que podem lhe alegrar e lhe dar esperança. Não tenho ideia do que se passa na sua mente, mas quero que coloque tudo para fora, que não guarde apenas para si. Compartilhe a dor, você não precisa carregar isso sozinha. Mesmo que as pessoas lhe julguem, lembre-se de tudo que enfrentou para estar aqui nesse momento, livre. As memórias podem não sumir completamente, mas agora é a sua vez de criar lembranças boas, que lhe encham de paz e que, aos poucos,  substituam as memórias ruins. Estou aqui para ouvir você rir, chorar, gritar e desabafar. Você é uma sobrevivente.”

10 ATITUDES PARA ABANDONAR JÁ!

Eliana Barbosa

Chegou a hora de dar um basta em atitudes que só atrasam sua vida e seu sucesso. Eis aqui 10 atitudes para você abandonar hoje, aqui e agora: 

1. Sofrer o medo de fracassar

Você já pensou quantas oportunidades perdeu por medo de se frustrar, de não dar certo? Entenda que o fracasso verdadeiro é não tentar acertar. 

2. Sentir-se culpado por tudo que acontece à sua volta e ficar pedindo desculpas o tempo todo

Esta atitude é sinal de baixa autoestima e as pessoas não confiam em quem não demonstra confiança em si mesmo. 

3. Sentir constrangimento em dizer “não” para os outros

É hora de abandonar essa mania de ser perfeito e bonzinho para todo mundo, e começar a ser mais sincero com você mesmo!  Seja bom, justo, solidário, mas bonzinho… Só para você mesmo! 

4. Ficar comparando a sua vida – que é real –  com a dos personagens das novelas ou dos seus amigos virtuais

É preciso aceitar sua realidade e ter maturidade para distinguir o que é verdadeiro do que é apenas criação artística ou ostentação.  

5. Aceitar relacionamentos tóxicos, de amizade ou amorosos

Quando você deixar de aceitar aquelas relações que lhe fazem mal, você poderá, enfim, entender o que é paz interior. 

6. Usar a crise como desculpa para suas dificuldades

Assuma a responsabilidade pelos seus pensamentos, emoções, escolhas e atitudes, e comece a ver a crise como a mola que vai impulsioná-lo a sair do marasmo e descobrir seu potencial de sucesso. 

7. Ficar dizendo que isso ou aquilo é imperdoável

É hora de abrir seu coração e se dispor a perdoar, limpando suas emoções e o seu corpo do lixo dos ressentimentos, deixando de dar importância ao ofensor, e seguindo em frente. 

8. Ferir os outros com críticas

Todo mundo tem qualidades e quanto mais você as valoriza, mais essas pessoas irão querer mostrar o que elas têm de melhor. 

9. Sentir-se uma vítima da vida, um azarado e ficar reclamando de tudo

Esse “coitadismo” só atrai para você mais razões de sofrimento. 

10. Fazer comentários sobre a falta de dinheiro

Focar na escassez é a forma mais rápida de atrair penúria para você! Por mais difícil que estejam suas finanças, comente e sinta profunda gratidão pelas bênçãos de sua vida.

A Questão do Valor

Jean Chamon

Nesse mês falaremos um pouco sobre gestão e valor. Com a grande concorrência atual, os mercados são impulsionados pela escolha. O cliente se encontra na fase em que tem muitas opções podendo escolher produtos por critérios de qualidade, preço, marca, tecnologia, grau de diferenciação ou apenas por status. Nesta situação de grande opção de escolha, o cliente se torna em muitos momentos o controlador do mercado, conduzindo através de suas necessidades e desejos todo o ambiente de mercado, dizendo o produto que quer, o preço que está disposto a pagar e a qualidade desejada.

Nesse mercado surge a questão do valor agregado e em como atribuir valor para o cliente, obtendo vantagem competitiva sobre os concorrentes. Então nos perguntamos o que seria valor em termos empresariais e de gestão. Segundo o Professor de Harvard, Michael Porter (1999) podemos definir valor como um montante que os compradores estão dispostos a pagar por aquilo que uma empresa lhes fornece. O valor é medido pela receita total, reflexo do preço que o produto de uma empresa impõe e as unidades que ela pode vender. 

Quando se concentra a atuação no valor econômico pode-se identificar quatro tipos de valor: 

• Valor de custo, como sendo o total de recursos medido em dinheiro, necessário para produzir/obter um item. 

• Valor de uso, como a medida monetária das propriedades ou qualidades que possibilitam o desempenho de uso, trabalho ou serviço. 

• Valor de estima, com a medida monetária das propriedades, características ou atratividades que tornam desejável sua posse. 

• Valor de troca, como a medida monetária das propriedades ou qualidades de um item que possibilitam sua troca por outra coisa. 

Observando várias definições e autores a noção de valor para o cliente é baseada na percepção da vantagem ou do benefício que ele recebe em cada transação com a empresa. O preço pago é apenas uma parte do esforço para obter o produto ou serviço. O cliente avalia também a rapidez e o conforto para obter o produto e a oportunidade de conseguir o que deseja.

Em um ano de pandemia na qual as relações de valor atingiram aspectos únicos na qual o conforto e as necessidades primarias foram de muitas formas alteradas, empresas como a gigante Amazon são um bom exemplo de como atingir vantagem competitiva por meio de agregação de valor.

Em 2004, após dez anos de fundação a receita anual da Amazon era algo em torno de 7 bilhões de dólares. Em 2018 a corporação atingiu receita anual maior que 230 bilhões de dólares. Nesse cenário a empresa tem crescido a uma taxa de 20% ao ano. É importante observar como a Amazon em duas décadas se transformou de uma simples vendedora de livros online na maior empresa em força de vendas e diversidade do mundo. Um dos grandes direcionadores se dá por trás de uma inovadora e eficiente cadeia de suprimentos que gera e agrega valor aos seus produtos e serviços de forma única. Em um ano de pandemia o gerenciamento eficaz da cadeia de suprimentos nunca foi tão relevante. 

A Amazon se tornou a empresa favorita para muitos devido a razão crucial que se dá pela sua rápida e eficiente gestão da cadeia de suprimentos que é baseada nos seguintes fatores:

• Uso inovador de forma sofisticada de tecnologia da informação;

• Extensiva cadeia de galpões, armazéns e centros de distribuição;

• Gestão de estoque de forma multicamadas e baseada em localização;

• Excelente rede de transporte e logística. 

Os serviços da cadeia de suprimentos da Amazon que tornaram a empresa única e inovadora como as entregas em até duas horas (prime now) ou entrega no mesmo dia somente é possível pela utilização de sua própria rede logística. A empresa com o passar do tempo compreendeu que a dependência de logística terceirizada aumentava em muito o prazo de entrega de seus produtos aos seus consumidores (Leblanc, 2020).

Outro grande diferencial da cadeia da Amazon é a forma única na qual ela gerencia seus estoque e armazenagem. Por exemplo, a empresa utiliza para diferentes tipos de produtos armazéns e galpões de tipos e em localidades diferentes. A empresa ainda seleciona seus produtos por tipo de entrega como por exemplo, prime delivery, one-day delivery, prime now, first-class delivery, entre muitos outros. A empresa baseia seus locais de armazenagem buscando atender as necessidades dos clientes fazendo com isso a sua logística de entrega um dos seus grandes diferenciais.

Sempre inovadora a Amazon em 2019 a empresa iniciou o uso de veículos automatizados chamado Amazon Scout, para entrega nas residências e casas da região noroeste dos Estados Unidos (Taylor, 2019). Podemos observar que a Amazon é uma referência quando falamos em cadeia de suprimentos e em como ela pode inovar e obter vantagem competitiva em sua cadeia de valor.

Citei o caso da Amazon por ser um caso conhecido e para que cada um dos leitores possa refletir que até a maior empresa do mundo deve e deverá estar sempre inovando. Existem inúmeras oportunidades para atingir clientes e gerar novos produtos e serviços. Todo empreendedor deve continuar buscando gerar valor e inovar constantemente. Positividade sempre! Forte Abraço!

Retomando a Arte em nossas vidas

Nereide Santa Rosa

A possibilidade de retomada da normalidade nos Estados Unidos traz a esperança para os artistas, músicos, pintores, e todos os profissionais que trabalham com Arte. A reabertura dos espaços artísticos como museus, orquestras, teatro e dança, nos traz esperança de um tempo de normalidade e a Arte poderá novamente estar próxima de nós, trazendo divertimento e conhecimento. Para reconquistar e rever a Arte, vale a pena relembrar alguns espaços expositivos na Flórida. Na cidade de Naples, um jardim botânico abriga uma ótima surpresa para nós, brasileiros: um mural de Burle Marx, considerado um dos arquitetos paisagistas mais influentes do século XX, premiado pela American Institute of Architects (AIA), em 1965. Ao se inspirar em mais de 50 espécies de plantas nativas encontradas nas paisagens exuberantes do Brasil, ele revolucionou o design de jardins fazendo composições abstracionistas, além de ser o responsável das famosas curvas sinusosas das calçadas de Copacabana. 

Por tudo isso, e muito mais, seu aluno, Raymond Jungles, um arquiteto paisagista norte-americano, instalou um mural de Burle Marx no Jardim Botânico de Naples, cidade localizada na West Coast da Flórida. O parque tem uma área de 170 acres, fundado em 1993, e desde então, incorporou jardins com temas de diferentes partes do mundo. 

O mural de Burle Marx foi instalado em novembro de 2009 no ponto alto de uma praça no espaço Jardim Brasileiro Kapnick, numa especie de palco, acima de uma cascata, podendo ser visto de vários pontos do parque. O mural é composto de um mosaico de 1325 quadrados de cerâmicas vitrificadas coloridas com o tamanho total de 8×17 fts, sendo o único do artista nos Estados Unidos. 

O mural ficou guardado por quinze anos até Jungles se decidir pelo Naples Botanic Garden. Foi montado em três dias de trabalho, e o resultado é maravilhoso. O mosaico colorido com diferentes espessuras brilha sob a luz do sol, refletindo luzes e cores na cascata e no lago, que abriga as nenúfares gigantes da Amazônia, ou para nós, brasileiros, nossa Vitória-Regia, flor de eterna inspiração para as lendas indígenas no Brasil.

Em Miami, o Pérez Art Museum Miami, é uma excelente opção.Localizado à beira da Bay Biscayne, cercado por uma paisagem extremamente generosa na luz e no brilho, o museu oferece espaços amplos com arte de qualidade, exposições de sua coleção permanente e as temporárias. Um dos destaques é o jardim das esculturas com obras de renomados artistas, perfeitamente integradas ao espaço, como a obra do artista brasileiro Ernesto Neto.

E na cidade de Saint Augustine, temos o privilégio de poder conhecer a maior coleção de obras fora da Europa e a maior dos Estados Unidos do pintor catalão Salvador Dali, um gênio da artes.

The Dali Museum possui, até o momento, um acervo com mais de 2100 obras do artista, entre pinturas, fotografias, esculturas e desenhos. O museu possui ainda um teatro, biblioteca, uma loja para os visitantes, um café e um agradável jardim com esculturas incluindo uma espécie de árvore dos desejos, onde os visitantes penduram fitas coloridas.

A premiada arquitetura do seu prédio chama a atenção dos visitantes. O arquiteto Yann Weymouth usou formas geodésicas nas grandes janelas, obra batizada O Enigma, feita com 1062 vidros triangulares à prova de furacão. Em seu interior, a escada em espiral foi inspirada na forma da molécula do DNA, a qual tantas vezes serviu de inspiração para o artista.



Ernesto Neto, Espaço divisório mínimo, 2008 Cor-Ten steel. Collection Pérez Art Museum Miami, gift of Jorge M. and Darlene Pérez. Imagem da autora
“Me esforço para dar minha opinião com calma”

Monique Vasconcelos

Para Monique se tornar avó “foi renascer”. E com Camille veio a certeza: “a função de uma avó é levar aos netos beleza, poesia, encantamento e, sobretudo, alegria”. 

“Viver é uma chance única, e deve ser aproveitada com todo vigor. Esta foi a mensagem que meus pais me passaram. E é a minha mensagem para meus netos”, ressalta.

Como fazer isso? 

Ela dá um exemplo: 

“Comprei uma tenda e mandei fazer um colchãozinho. Cobria a tenda com um cobertor para ficar bem escurinho. A partir dos 6 meses, ela começou a dormir no nosso quarto, na tenda, sobre o chão. Na hora do sono, introduzi um cd de músicas clássicas, adágios, porque são calmas. Ela criou gosto musical e passou a mergulhar no sono com rapidez”.

Quando os netos Camille e Lucas foram crescendo, a avó passou a recitar poemas, sempre de Manuel Bandeira, porque, segundo ela, “são sonoros e muitos deles são ótimos para crianças”.

As historinhas eram adaptadas para o contexto das crianças e “a gente vivia cada uma delas brincando”, Monique lembra e segue dando exemplos de como encantar a criançada.  

“Um dia, resolvemos fazer um museu no escritório de casa, com tudo de estranho que havíamos encontrado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Nossa! Como a gente aproveitava!!!”

“Outra farra  era o banho. Descobri bolas que coloriam a água da banheira. Eles ficavam fascinados. Com todas estas atividades, nossa relação foi criando raízes profundas”.

Vó à distância 

Camille e Lucas imigraram para Orlando, a menina com 6 anos e ele com três. 

“Foi um baque” – assim ela define esse momento. Teve que reinventar a relação e nada mais atual do que uma avó recorrer ao facetime, recurso que passou a ser utilizado todo domingo. Mas não costuma segui-los nas redes sociais para “poupá-los do mico perante os amigos”.

“Quando nos revemos em Orlando é uma festa! Vamos ao teatro, colhemos laranjas, fazemos Madeleine – biscoito francês, seguindo o Youtube. Quando me despeço deles para retornar ao Rio, digo: “Logo, logo vovó estará de volta. Aproveitem bastante a vida .” 

Monique se considera uma avó à moda antiga, que “se preocupa em transmitir valores e hierarquia”. E diz: “na casa deles, quem manda são os pais. Na educação deles, quem manda são os pais. Quando estão na minha casa, quem manda sou eu. Mas, não faço todas as vontades deles não, e imponho limites”. 

Quando discorda dos pais procura ser diplomática: “me esforço para dar minha opinião com calma”, mas não deixa de se posicionar.

“Procuro ser uma avó atual, seguir os conceitos do mundo atual, complexo e plural. Quanto a alegria de viver, esta não custa um tostão. Ela é simples, é clássica! Nunca sai de moda”, ela conclui.

“Nossa função é ajudar com a experiência e a maturidade”

Rosana Almeida

A empresária, Rosana Almeida, mora em Orlando, há mais de 20 anos e nunca deixou de trabalhar. Vive ocupada, mas sempre acha tempo para o neto Lucas. 

“Meu neto me fez voltar ao tempo: brincamos de massinha, pinturas, vemos desenhos animados e agora ele está aprendendo as bandeiras,  está com 4 anos, mais esperto, já demostra mais interesse”.

Rosana entende quem não quer ou não pode ser “avó full time”, mas para ela ser avó tornou-se sua prioridade. 

“Não deixo minha vida profissional mas, não abro mão de acompanhar o crescimento de meu neto Lucas, que amo de paixão” – se declara. 

Lucas tem 4 anos é uma relação “incrível” com a avó, segundo ela:    

“ Me liga pelo I cloud, quer sempre estar em casa, e sempre dou um jeito, encontro tempo para levar e buscar na escola, ficar com ele, levá-lo para dormir em casa. Durante a pandemia, o ensinei a nadar. Temos uma relação muito próxima”.  

E ao contrário de muitas avós que trabalham e se sentem culpadas, ou, ficam tristes quando não podem ajudar os pais nos cuidados com os filhos, Rosana é bem resolvida. “Minha filha e meu genro até me protegem quando percebem que estou ocupada e não posso ficar com o Lucas, eles me poupam. Não há ressentimentos por parte deles, nem culpa da minha parte”.

Quando discorda dos pais da criança, espera um momento oportuno e se manifesta: “dou minha opinião e eles decidem. Minha filha, às vezes, não gosta, mas escuta, analisa com o marido. Aliás, acredito que é nossa função ajudar com nossa experiência, maturidade”.

Rosana segura o neto Lucas enquanto compartilha a foto com os bisavós do menino
Com 4 anos de idade, Lucas já demonstra aptidão para as Artes
Vovó Full Time

Recylda Passos

Me considero uma avó tradicional e coruja. Acompanho meus 3 netos desde que nasceram –dois meninos, William e Walter, hoje com 7 e 3 anos; e uma menina, Elza, com 4 aninhos. Minha outra neta, Zelda, com 1 ano, foi a única que não vi nascer por causa da pandemia. Ela mora em Nova York e só fui conhecê-la no primeiro aniversário, em maio de 2021, embora tenha acompanhado a gravidez à distância.  

Faço as comidas e sobremesas que gostam. Sou até mais severa que os pais, mas acabo cedendo – deixo comer chocolate, chupar balas, ver desenho na televisão e no telefone. Eles adoram ficar na minha casa. E até mudamos da Flórida para Kansas para ficar mais perto deles.   

Como os pais são muito ativos na educação dos meus netos, não sinto obrigação de ser uma educadora. Pelo contrário, quero que se sintam livres, como quando estão com os amigos, sem pressão, mas, claro, sempre no limite do bom senso. E eles sabem que na casa deles a pressão volta ao normal.

 Minha vida mudou radicalmente com a chegada dos netos; eu brinco, rolo no chão, até esqueço do reumatismo e dos 72 anos nas costas.  Adoro sair e viajar com eles. Os pais estão na linha de frente. Fico na retaguarda, como suporte se e quando necessário. Isso me faz sentir útil. E sempre estou disponível para cuidar dos meus netos. Acomodo minha agenda para poder estar presente em todas as atividades e aplaudir o progresso deles. É muito prazeroso quando vejo que o de 7 anos já está lendo e a de 4 já está até ensinando ao de 3 tudo o que aprende. 

Nossa relação com o mundo digital também é forte e a tecnologia nos aproxima. Durante a pandemia tiveram aulas online e eu assisti algumas de suas apresentações. Nos vimos frequentemente pelo face time. Eles ainda não usam Whatsapp ou marcam encontro pelo computador, mas falta pouco!

Para uma avó de primeira viagem eu diria que sua vida vai mudar para melhor. Mas esteja preparada para o gap de gerações, não deixe a sua experiência negar aceitação à diversidade de opiniões e decisões deles. Devemos aceitar a individualidade dos nossos netos. É um constante aprendizado.

Em Kansas, a vovó Recylda não desgruda os netinhos, William, Walter e Elza Henry
Zelda Fox, que vive em Nova York, curte a vovó Recylda pelo Facetime
…Procuro entrar no mundinho dela.

Marcello Pires

O empresário carioca Marcello Pires chegou nos Estados Unidos há 24 anos com a mulher e 3 filhos, duas meninas e um menino. Há um ano, uma das filhas lhe deu a primeira neta, a  Isabella Mayse. 

“Uma das coisas que mais me tocou foi ver minha filha – mãe”, ele conta.

Marcello diz que a relação dele com a neta é “muito gostosa, só diversão. Quando estamos juntos procuro entrar no mundinho dela, me coloco como um amiguinho com tempo e paciência para brincar, jogar, dançar. A maior herança que se pode deixar para quem se ama é o tempo e os momentos que passamos juntos”. 

Na opinião dele, o papel do avô é dar suporte, dar um alívio para os pais, “uma vez que tempo integral com a criança desgasta, cansa muito.”

Marcello procura ajudar no que pode, mas acredita que se a primeira mulher, avó da menina, estivesse viva, ela poderia ficar ainda mais próxima da neta.

“Infelizmente não consegui substituir a avó de sangue no cuidado com Isabella”, ele lamenta. 

Habituado aos costumes americanos, ele avisa sempre quando vai visitar a neta, em respeito ao genro que é americano. Marcello também não ultrapassa os limites impostos pelos pais da criança. Ele não discute, acata porque acredita que é assim que os avós complementam a educação. 

“ A cumplicidade deve ir até o ponto que não crie choque e desavença com os pais”, ele afirma.

A importância dos avós nos dias de hoje

Eliana Barbosa

Tem coisa melhor do que nos lembrar dos nossos avós e sua presença em nossa criação? Sim, melhor do que isso é nos tornarmos avós! Falo com propriedade, pois tive avós muito queridos e presentes, e, hoje sou avó de três lindas crianças. 

Os avós, em todos os tempos, representam um elo de união e fortalecimento das famílias, que, com sua paciência e amorosidade, transmitem sabedoria, contando histórias, compartilhando experiências e preservando valores. No entanto, é preciso que estejam abertos para outros aprendizados, tais como a internet e redes sociais – o que os aproxima das novas gerações -, e que tenham cuidado para não impor seus conhecimentos aos netos. 

Nos dias de hoje, temos os avós aposentados, com tempo e disposição para cuidarem dos netos; os que vivem na mesma casa dos netos; aqueles que ainda estão ativos profissionalmente, sem tanto tempo para se dedicar aos netos; aqueles que se isolaram ou foram isolados pela família, perdendo a chance dessa convivência tão salutar; e os avós distantes, que felizmente têm ao seu dispor as novas tecnologias que amenizam a saudade.  

Se você, avô ou avó, vive com seus netos, ou mesmo cuida voluntariamente deles, de forma sistemática ou de vez em quando, saiba o quanto é importante se livrar desta crença de que avós deseducam os netos. Não!!! Avós precisam atuar alinhados com os pais das crianças e adolescentes, para que estes cresçam com limites, respeitosos e amorosos. Vocês, avós, não devem, em hipótese alguma, comprar o amor e a atenção de seus netos. Vocês já são amorosos, doces, e, com a maturidade que têm, são muito mais pacientes do que os pais de seus netos. Porém, essa paciência não pode significar permissividade, e sim, mais compreensão e diálogo com eles. 

Aos avós que ainda trabalham, recomendo que jamais se sintam culpados pelo pouco tempo de convivência com seus netos. Lembrem-se que vocês são modelos para eles, no sentido de que envelhecer não é desistir dos sonhos, e sim, buscar sempre algo novo para fazer e descobrir. Meu sogro de 94 anos, bisavô dos meus netos, viaja todos os dias para sua fazenda, é ativo e independente, e é o xodó da criançada, cheio de planos, muitas conversas, e juntos dão boas risadas. Um exemplo para todas as gerações!

Para as crianças, os quitutes saborosos, o passeio de carro, os filmes na TV, os jogos de tabuleiro, enfim todas as experiências alegres vividas com seus avós são de extrema importância para o desenvolvimento de uma personalidade sadia, porque os avós, de forma geral, são fontes de amor duplicado, abraços, incentivos e orientações. 

E para os avós, os netos são uma fonte rejuvenescedora, pela alegria e vitalidade que representam. 

E mais… Um estudo da Universidade de Boston, entre os anos de 1985 e 2004, concluiu que através desta interação entre avós e netos é possível diminuir o risco de depressão em quem já passou dos 70 anos, bem como nos jovens também.

Enfim, é uma bênção para avós e netos vivenciar momentos e lembranças juntos, enquanto a vida permitir! 

Portanto, aproveitemos!