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Uma velha guerra, mas uma nova guerra…Parte I

Como o inevitável acontece (em três partes) – O Oriente Médio (novamente) em chamas

Peter Ho Peng

Devido às nossas limitações de espaço, trataremos desse tema em três capítulos, e, ainda assim, todos sintéticos, pois o tema dá muito pano para mangas. No primeiro tomo, mostrarei por quê essas guerras são inevitáveis. No segundo, tentarei mostrar como os Estados Unidos criaram e mantêm esse panorama. No terceiro, mostrarei o que há de novo nesse cenário, e o que mudou nessa equação.

Como sabemos, em História nada sabemos. Segundo bem disse Harry Truman (o vice do FDR), ‘As únicas novidades que existem no mundo são aquilo que nunca nos foi contado.’ (História é escrita pelos vitoriosos.) De novo, guerra no Oriente Médio. E tudo se encaminhava para o mesmo escaninho da História quando aparentemente a equação mudou. O que mudou? Aguardem os próximos JB&B!

Como começou essa guerra? Como sabemos pelos textos bíblicos, os judeus foram expulsos do Egito, numa guerra territorial. Moisés comandou os judeus que sobreviveram caminhando 40 dias e 40 noites pelo deserto e chegando à costa, partiu o Mar Vermelho ao meio, conforme os livros sagrados, escapou da África, e iniciou os dois mil anos dos judeus vivendo em pogrom – diáspora. 

Em diáspora, conhecemos bem a perseguição que os judeus sofreram, tendo como exemplo supremo o nazismo e Auschwitz. Com o repúdio ao nazismo, e sua derrota na Segunda Guerra mundial, os judeus sobreviventes ao genocídio foram acolhidos mundialmente. E o movimento para apoiar o retorno dos judeus ao seu território histórico começou a tomar corpo. Tudo que foi feito depois da vitória dos Aliados contra o Eixo foi liderado pelos EEUU. O século XX foi o American Century, e as guerras, as ditaduras, tudo fez parte da Pax Americana. O novo estado de Israel foi a moldura de ouro desse quadro. Era a hora de voltar à sua terra histórica. O problema foi fazer isso sem negociação com os que ocupavam esse território que os judeus pensavam ser seu território original. Os americanos lideraram, financiaram e armaram o novo Estado de Israel, que se instalou nesse território, dando um chega prá lá, a cotovelada aos seus vizinhos. Cotovelada armada, pois os americanos estavam por cima do mundo, e a superioridade militar que eles deram aos judeus era infinita. Estado Ocupacionista pura e simplesmente, desde então e para a eternidade, ou até a destruição total da Palestina.

Começando com cem mil e poucos habitantes, o novo Estado de Israel foi atraindo mais e mais imigrantes, pois quem não quer voltar para sua terra? E os israelitas foram expandindo gradualmente seu território, e dando sempre um ‘chega prá lá’ aos palestinos. Imaginem agora, com uma população de quase dez milhões.  Do seu território original, Israel ocupa hoje mais de 100 vezes a área inicial, se bem que a maior parte consiste de desertos. Com esse defeito de origem, as guerras são inevitáveis. A maioria do Estado de Israel consiste de territórios ocupados à força, dada a sua grande superioridade militar. Porém a grande vantagem dos israelitas foi haver organizado um estado que funciona, ocupando territórios onde não existia um estado organizado. Armados militarmente pelos americanos, e intelectualmente por conhecimento de judeus do mundo todo, Israel prosperou tremendamente. Sim, os séculos após séculos de diáspora vão formando, geração a geração, aquela mentalidade competitiva, não fìsicamente, pois os judeus não se destacam atlèticamente em nenhum esporte, mas se preparam intelectualmente. O exemplo pinacular, é claro, Albert Einstein. O exemplo militar é o arsenal de 200 bombas nucleares que Israel detém (atualmente).

O primeiro grande esforço de Israel foi produzir alimentos no deserto. Sem água doce, Israel desenvolveu primeiro métodos de desalinização de água do mar. Mas não pararam aí. Israel é hoje um país com alto nível de educação, renda, saúde, expectativa de vida, e alto em todos os parâmetros usados para medir qualidade de vida e desenvolvimento. Na pandemia recente, serviu de exemplo. 

Mas sua formação teve um defeito de origem que nunca foi solucionado. O Estado de Israel não foi negociado. Foi feito na marra. À força militar, ocupando territórios ocupados por outro povo, os palestinos. E até hoje é mantido por força militar. O mais recente “conflito” foi precipitado pelo despejo de seis (6) famílias palestinas de suas casas geracionais para fazer lugar a imigrantes judeus. As ações de despejo são justificadas por um velho argumento: essas terras são nossas: nossos antepassados eram donos desses terrenos. Como a Palestina não é um estado organizado, tem governos disfuncionais, não possui mecanismos para contestar esses argumento israelitas. Os novos imigrantes judeus são radicais, armados e completamente identificados com o método do “chega prá lá” ou da cotovelada. A ação de despejo é de demolir totalmente o que foi construido nesses terrenos contestados, e esse foi o estopim da recente guerra entre Israel e Hamas. Hamas é o braço armado dos palestinos, e é classificado pelos EEUU como uma organização terrorista. 

Para milhões de palestinos, essa rotina da ocupação israelita faz parte da humiliação diária que o Estado ocupacionista lhes inflinge.

Muhammad Sandouka construiu sua casa há mais de 15 anos. Ele e seu filho, nascido nessa casa, demoliram essa casa, para resgatar materiais de construção depois que as autoridades israelitas decidiram que a casa deveria ser arrasada para melhorar a vista dos turistas do Templo nos arredores. O Sr. Sandouka, 42 anos de idade, instalador de cozinhas, estava trabalhando quando um inspector confrontou sua esposa com duas opções: Demolir sua casa, resgatando os materiais de construção, ou o governo de Israel iria arrasar tudo e cobrar dez mil dólares da família pelos seus custos. Assim é a vida dos Palestinos sob uma ocupação militar. Sempre sob o pesadelo da visitas das autoridades que vestem a estrela de seis pontas; o terror perene daquele “knock on the door”.

Tráfico Humano, Mitos e Verdades.

Anna Alves Lazaro

O tráfico humano é caracterizado pelo “recrutamento, transporte, transferência, abrigo ou recebimento de pessoas, por meio de ameaça ou uso da força ou outras formas de coerção, de rapto, de fraude, de engano, do abuso de poder ou de uma posição de vulnerabilidade ou de dar ou receber pagamentos ou benefícios para obter o consentimento para uma pessoa ter controle sobre outra pessoa, para o propósito de exploração”. A definição encontra-se no Protocolo Relativo à Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas, em Especial Mulheres e Crianças, complementar à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional, conhecida também como Convenção de Palermo.

É um crime transnacional que tem vitimado mais de 40 milhões de pessoas ao redor do mundo. Uma triste e cruel realidade que precisa ser combatida.    No entanto, para fazer uma mudança real, precisamos entender a questão – que é ainda maior e mais complexa do que a maioria das pessoas imagina.

Por meio da minha experiência de estudos e  pesquisas sobre tráfico humano tive a oportunidade   de  compreender  as origens, redes e cultura por trás desse crime hediondo.

O tráfico de pessoas ocorre em quase todos os países e tem uma vasta rede de agentes criminosos bem articulados e infiltrados em praticamente todos os setores da sociedade ​​dificultando sobremaneira as investigações.  De acordo com as Nações Unidas, existem mais de 40 milhões de escravos no mundo.

O Departamento de Estado dos EUA cita que 600.000 a 800.000 pessoas são traficadas através das fronteiras todos os anos.  Mas esses números geralmente são subnotificados e as vítimas geralmente ficam escondidas nas sombras, o que significa que as estatísticas têm um certo grau de relatividade.

Além disso, há muitas informações incorretas que são propagadas tornando mais difícil ainda a prevenção e proteção das vítimas. Fala-se sobre o tráfico de pessoas como um problema que precisamos enfrentar e erradicar, mas para isso, primeiro precisamos separar os fatos da ficção.

Aqui estão alguns dos mitos de tráfico mais comuns e a verdade sobre o que realmente está acontecendo.

Mito: Tráfico de Seres Humanos e Contrabando de Pessoas são a mesma coisa.

Embora os dois termos sejam freqüentemente usados ​​alternadamente, tráfico de pessoas não é contrabando de pessoas.  Tráfico é o recrutamento, transporte, abrigo ou recebimento à força de uma pessoa para explorá-la para fins de prostituição,venda de órgãos, casamento forçado,  trabalho forçado ou escravidão.  O contrabando de pessoas, por outro lado, é o transporte de um indivíduo de um destino para outro, geralmente com o consentimento dele – por exemplo, além de uma fronteira.

É uma distinção importante – e que deve ser clara para que os responsáveis ​​pela aplicação da lei e os formuladores de políticas abordem cada questão de maneira adequada.

Mito: a maioria dos traficantes é o que os filmes mostram a você.

Os traficantes nem sempre são gangsters poderosos da maneira como filmes convencionais como Taken tendem a retratá-los.  O tráfico de pessoas ocorre  em uma ampla gama de classes socioeconômicas, e as pessoas envolvidas podem ser qualquer um – não existe um tipo único de traficante. Em muitos casos, os traficantes são  políticos, policiais locais e personalidades famosas. Em muitas situações, tais traficantes  são empresários, donos de restaurantes, hotéis e escolas, e hospitais.

Embora o crime organizado desempenhe um grande papel no tráfico global de pessoas, as comunidades, os governos locais e até as famílias também estão frequentemente envolvidos no processo.  Muitas vezes, é unicamente sobre o aspecto financeiro – aqueles que vendem seus filhos podem não ser pessoas “más” ou “más”, eles simplesmente sentem que não têm outra escolha para sobreviver e dar uma “melhor condição de vida” aos filhos. 

Mito: Tráfico de Seres Humanos Refere-se Apenas à Prostituição Forçada. 

Existem milhares de crianças, mulheres e homens em todo o mundo forçados ao trabalho escravo em minas de carvão, na agricultura, em fábricas. O tráfico de pessoas nem sempre é igual à prostituição – pode incluir servidão contratada, outra exploração na força de trabalho e até mesmo o comércio de órgãos.

Mito: Somente Mulheres são Traficadas. 

Homens e meninos também são traficados e freqüentemente recebem muito menos atenção do que as mulheres traficadas.  Em parte porque é muito difícil tirar meninos do tráfico, especialmente do trabalho sexual, porque a atividade gera o tipo de dinheiro rápido que não pode ser feito em nenhum outro lugar.  Homens e meninos muitas vezes permanecem invisíveis no diálogo sobre o tráfico, ou presume-se que são traficados apenas para trabalho. 

Mito: Todos os traficados são sequestrados ou enganados.

Quando pessoas respondem a anúncios de entretenimento ou empregos de garçom ou garçonete, elas correm o risco de cair em agências de colocação fraudulentas, que podem confiscar seus documentos e forçá-las a trabalhar com sexo.

Mas outras vezes, as vítimas de tráfico entendem claramente as situações em que estão entrando e sabem que serão exploradas.  Eles optam por ir de qualquer maneira porque acreditam que no final terão lucro.  Alguns optam pelo tráfico devido à falta de empregos em suas comunidades.  Em outros casos, as famílias pobres enviarão suas próprias filhas para o trabalho sexual ou trabalho para o pagamento único lucrativo, bem como o potencial para mais no futuro – assim que uma pessoa traficada saldar sua “dívida” (a viagem  e as taxas de documentos que os traficantes dizem às suas vítimas que eles devem), ela pode começar a ter lucro.

Quando as crianças estão envolvidas em trabalho forçado ou trabalho sexual, elas não fizeram essa escolha por si mesmas.  Isso em todos os casos é tráfico humano.

Mito: o tráfico só acontece em outros países, não nos Estados Unidos. 

Embora o tráfico seja frequentemente considerado algo que acontece além das fronteiras internacionais, também acontece na América – todos os dias.  De acordo com o Polaris Project, existem de 100.000 a 300.000 crianças prostituídas na América e muitas mais em risco.

Embora seja assustador – e às vezes deprimente – tentar entender o tráfico humano em nível global e local, também é fortalecedor.  Depois de conhecer a realidade do tráfico humano, você estará mais bem preparado para aumentar a conscientização e começar a agir.

Aprenda como se proteger e proteger sua família, informe-se e compartilhe as informações.  Não silencie, denuncie. Visite o site da Hope & Justice Foundation e saiba como você pode fazer a diferença. 

www.hopeandjusticefoundation.org

Redes Sociais e Autoestima

Eliana Barbosa

É inegável a importância das redes sociais como poderoso instrumento de publicidade e comunicação, bem como responsáveis por mudanças de comportamento e costumes. Pesquisas recentes têm demonstrado que as redes sociais influenciam diretamente – de forma negativa ou positiva – na autoestima de seus usuários, principalmente dos jovens. 

Aqueles que têm a autoestima fragilizada são propensos a se sentir rejeitados e com sua autoconfiança abalada quando suas publicações não são “curtidas” como eles gostariam, quando leem comentários negativos a seu respeito, ou quando se deparam com fotos de amigos ostentando passeios, romances e felicidade. 

Já as pessoas com a autoestima em alta usam as redes sociais para compartilhar  conteúdo relevante e positivo, o que lhes traz mais aprovação e admiração, fortalecendo, assim, sua marca pessoal. 

Veja aqui, então, 5 dicas de como usar as redes sociais de forma sensata e madura: 

– Evite ao máximo se expor

Nada de ficar ostentando seu corpo, o namorado ou marido, seus filhos, sua casa, seu carro, etc… Ostentação é sinal de insegurança e baixa autoestima. E a privacidade é um direito muito valioso para ser desprezado! 

– Nada de informar sua localização atual

Não é seguro para você, nem para seus familiares. Se quiser contar sobre um passeio, publique as fotos e comentários depois que voltar. 

– Jamais utilize as redes sociais para desabafar sobre alguém que o desagrada 

Se for preciso, diga à própria pessoa, por mensagem particular. Maledicência, falta de educação e de ética são formas de denegrir a sua própria imagem. 

– Use as redes sociais para espalhar o bem

Postando textos e vídeos que sejam de utilidade pública (inclusive denúncias comprovadas e sérias), assim como mensagens que sirvam para gerar motivação para seus contatos. 

– E, finalizando, utilize os três crivos ensinados pelo filósofo Sócrates (469 a.C. – 399 a.C): 

O crivo da Verdade (tenha absoluta certeza do que vai dizer), o da Bondade (o que for comentado deverá ser em benefício de alguém) e o da Utilidade (o que for dito deverá ser útil para as pessoas). 

Pense nisto!

Inteligência Emocional

Jean Chamon

Nesse mês, falaremos um pouco sobre um assunto que afeta nossas vidas em família, profissionalmente e em quaisquer outras situações ou tarefas diárias. Vamos abordar de maneira simples a tão falada Inteligência Emocional (IE).

Do Ponto de vista profissional, atualmente pela grande competitividade dos mercados globais, as corporações desejam que seus funcionários atuem em equipes de trabalho com habilidades colaborativas e lidando com competências e habilidades que envolvem muito mais que as capacidades cognitivas enfrentando fatores emocionais como tomada de decisão sob pressão e resolução de conflitos.  

Infelizmente, várias pesquisas demonstram que as instituições de ensino superior focam na formação de profissionais com habilidades cognitivas. Entretanto, devido à grande pressão dos mercados globais, a formação dos profissionais deve também se preocupar em preparar os requisitos comportamentais e atitudes requeridas por um mercado professional atualmente contextualizado pela alta competitividade. 

Cada vez mais tem crescido a ênfase sobre a importância no mundo dos negócios de habilidades interpessoais, Inteligência Emocional (IE) e capacidade de resolução de conflitos. 

Podemos definir Inteligência Emocional como a habilidade de monitorar os próprios sentimentos e dos outros discernindo em relação aos mesmos e sobre o fato da utilização dessa informação para direcionar e guiar pensamentos e ações. Vários pesquisadores e profissionais da área afirmam que a Inteligência emocional é duas vezes mais importante que conhecimento técnico e o Quociente de Inteligência (QI) para obtenção de sucesso profissional em todos os níveis.

Também é colocado a IE como a habilidade de perceber, entender e regular as emoções próprias e de outras pessoas. As emoções permeiam as relações humanas e podem significativamente determinar as experiências pessoais nos locais de trabalho influenciando seu bem-estar, motivação, satisfação e performance. Infelizmente, pela dualidade cartesiana as emoções, foram colocadas de forma oposta da razão sendo o estudo das emoções relegado a segundo plano nas pesquisas organizacionais. 

Uma habilidade que é altamente impactada pela IE é a capacidade de resolução e gestão de conflitos. Pode-se entender por gestão de conflitos como a abordagem individual usada na resolução de conflitos e com o objetivo de encontrar uma metodologia para resolução satisfatória dos problemas. De acordo com vários autores os gestores e líderes organizacionais utilizam 25% do seu tempo lidando com conflitos. 

Muitos profissionais em diversas situações encontram dificuldades de relacionamentos e barreiras entre gestores e executivos. Infelizmente, muitos desses líderes apresentam baixos níveis de inteligência emocional. Pesquisando sobre o assunto, encontrei algumas dicas interessantes de 5 formas simples de desenvolver a Inteligência Emocional que gostaria de compartilhar:

O desenvolvimento da Inteligência Emocional envolve tempo e predisposição para encarar de forma proativa os desafios cotidianos e utilizar as técnicas existentes para melhor gerenciamento das emoções. Um nível elevado de IE vai propiciar um melhor relacionamento profissional e pessoal. Trabalhe diariamente sua Inteligência Emocional!

1- Gerenciar as emoções negativas. Quando as emoções negativas são gerenciadas e reduzidas existe uma menor possibilidade de que o líder, gestor ou profissional se sinta sobrecarregado. Uma forma de se trabalhar a questão é observar uma mesma situação em diversos pontos de vista e praticar essa postura com frequência.

2- Observar a forma como coloca e verbaliza seu vocabulário. Existem muitas formas de verbalizar problemas e situações. De toda forma, devemos sempre buscar colocar problemas e situação cotidianas de forma a apresentar um cenário claro de forma específica e apresentando cenários e soluções positivas.

3- Praticar a empatia em seu local de trabalho. Observar e se colocar na situação de colegas de forma simples pode auxiliar a entender os cenários e situações cotidianas de trabalho. Procure interpretar as dicas verbais e não verbais para observar que cada um possui suas próprias questões internas de comportamento.

4 – Identificar os fatores que potencializam seu stress. Observar fatores estressores em seu cotidiano auxiliam de forma clara e inteligente a nos auxiliarem a gerenciar de forma proativa e evitar situações em que te colocam em rota de colisão ou nervosismo.

5- Encarar as adversidades de forma positiva. Posicione-se em cada situação problemática ou desafio de forma a superar e atravessar as barreiras impostas, evitando pessimismo e reclamações. Tente sempre aprender algo em qualquer situação adversa. 

A arte de Edson Campos no Albin Polasek Museum

Nereide Santa Rosa

O carioca Edson Campos desde jovem se interessou por artes visuais em múltiplas mídias. Mudou-se para os Estados Unidos, em 1978, e a partir de então, tornou-se um artista consagrado expondo em várias cidades norte-americanas, culminando com Orlando Modern Art Collection lhe homenagear com o título de “Artista do Ano”, em 2003. Em 2021, retomando a vida cultural na Flórida, Edson Campos comemora sua exposição no Albin Polasek Museum, em Winter Park.

Entre os museus de arte na Central Florida, mais especificamente em Orange County, Albin Polasek Museum & Sculpture Gardens é destaque e referência. Fundado em 1961, o museu tem uma coleção de arte com foco principalmente na escultura do artista Albin Polasek. O museu oferece visitas guiadas à histórica residência de Polasek, um jardim de esculturas ao ar livre, uma galeria com exposições rotativas e uma loja de presentes. 


Albin Polasek Museum & Sculpture Gardens 

“Fall of a dream”, Edson Campos , 82″ x 40″ 
Obra premiada com medalha de ouro no Historic French Salon,
em 2020 que estará exposta.

Nascido na província da Morávia (atual República Tcheca), Albin Polasek imigrou para os Estados Unidos como um jovem entalhador, em 1901. Mais tarde, frequentou a Pensylvania Academy of Fine Arts na Filadélfia e a Academia Americana de Arte em Roma. Durante sua influente carreira artística e educacional, Polasek ganhou muitos prêmios por seus trabalhos e foi encarregado de criar inúmeras esculturas públicas, agora encontradas em vários países da Europa e na América. 

Polasek dedicou sua vida ao incentivo ao estudo, apreço e aprofundamento da arte e aposentou-se quando morava, em Winter Park, Fl, em 1950, após quase trinta anos como chefe do Departamento de Escultura do Art Institute of Chicago. Albin Polasek projetou sua casa com um estúdio em funcionamento no centro, rodeado por jardins pitorescos. Em 1961, a Fundação Albin Polasek foi formada a pedido do escultor, e sua galeria foi aberta ao público como um museu. A partir de 1998, os curadores do museu renovaram seu compromisso de promover ativamente o legado de Albin Polasek com base em um plano de melhoria de longo prazo e, em 2008, o museu foi reformado e pintado de novo com fundos gerados de maneira privada. Este plano em andamento se concentra na renovação e expansão do museu, aumentando a conscientização pública sobre o museu e desenvolvendo o profissionalismo cultural e educacional. Como resultado desses esforços, o museu foi adicionado ao Registro Nacional de Lugares Históricos. Albin Polasek recebeu a honra de Great Floridian 2000 e foi incluído no Hall da Fama dos Artistas da Flórida em 2004.

Uma curiosidade sobre o prédio histórico que faz parte do complexo do museu, a histórica Capen-Showalter House, em Winter Park que seria demolida em 2013. Com a apoio do Museu, dos Amigos da Casa Feliz e centenas de apoiadores da comunidade, a casa histórica, um prédio de 200 toneladas, foi resgatada e literalmente movida por empreiteiros que cortaram a casa em duas metades – apelidados de Fred e Ginger – e flutuaram as partes através do Lago Osceola em um evento único que atraiu cobertura nacional de notícias. O processo de renovação incluiu a reinstalação das duas metades da casa, restaurando os pisos originais de pinho de 1885 e equipando a estrutura com banheiros acessíveis. O projeto ganhou o Prêmio de Realização Organizacional de 2014 do Florida Trust for Historic Preservation em reconhecimento a essa conquista notável. E a arte de Edson Campos, um artista visual brasileiro se faz presente neste museu tão especial. A exposição, A Classical Conversation: Jack Hill and Edson Campos revela a forma clássica e a beleza dos dois talentosos artistas, Jack Hill e Edson Campos, residentes na Flórida. Uma versão moderna e às vezes surrealista do corpo humano executada de forma graciosa e hiperrealista, que alude às inspirações clássicas de cada artista, respectivamente. A exposição estará aberta entre 20 de julho e 3 de outubro de 2021.

Vale a pena conferir e prestigiar Edson Campos, um dos nomes mais representativos da arte de brasileiros na Florida e nos Estados Unidos. 

“Inicialmente, foi um susto”

Kalina Cysneiros

Por algum tempo a tristeza predominou, lembra Kalina Barros Cysneiros, mãe do Lucas e da Melissa e enfermeira de currículo admirável. Entre os cargos, o de membro da Sociedade Brasileira de Enfermagem e Endoscopia. 

Apesar de todo entrosamento profissional com a área da saúde, quando recebeu o diagnóstico do filho Lucas, desabou: “inicialmente, foi um susto – ela lembra – um diagnóstico inesperado que me  desestruturou emocionalmente. Tive ajuda de familiares, amigos, terapeutas, igreja… e percebi que a tristeza me tirava a crença no futuro”.

Superado o impacto da fase inicial, Kalina foi em busca de todos os recursos para investir no desenvolvimento do filho, “preocupada com o tempo terapêutico, ou seja, quanto mais precoce as intervenções, mais chances de um futuro promissor” – ensina a enfermeira. 

Poder contar com o marido Paulo nessa jornada também foi fundamental. “Ele foi meu porto seguro. Sua confiança e fé de que tudo ficaria bem, foi o que me motivou a sair do quadro de tristeza que me abateu”.

Kalina acredita que é um suporte e tanto quando o casal pode compartilhar as dores e receios.

“A vida não é linear, nem o casamento. 

Questões emocionais e de saúde ocorrem em todas as famílias, quer com filhos especiais ou não. E esse entendimento, esse acolhimento, esse suporte oferecido um ao outro, fortalece ainda mais o casal, especialmente quando se tem  desafios extras a serem vividos. 

Nós encontramos na empatia, no diálogo, na oração e no lazer, toda fonte para fazer nosso amor continuar florescendo. Somos eternos namorados!”.

Gostaria de fazer um agradecimento especial à Adriana Matos.  Essa pessoa generosa e de coração grande, que continuamente traz luz pra tantas famílias, e nos mostra possibilidades que nos enche de esperança. Somos privilegiados por ela fazer parte  de nossas vidas.

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Kalina Barros Cysneiros é mãe realizada do Lucas (no espectro autista) e da  Melissa. Esposa apaixonada do Paulo!  Graduada em enfermagem com Mestrado em Ciências da Saúde pela Universidade de Pernambuco. Apaixonada pela natureza e por um estilo de vida mais simples.

Possui graduação em Enfermagem pela Universidade de Pernambuco (1996); Especialista em Programa de Saúde da Família pela FACISA-PB (2005); Mestre (M.Sc) em Ciências da saúde pela Universidade de Pernambuco (2011). 

Foi gerente de enfermagem do serviço de endoscopia do Hospital da Restauração- Recife/ PE, por 12 anos. Membro da Sociedade Brasileira de Enfermagem em Endoscopia e foi presidente do Capítulo Pernambuco da Sociedade Brasileira de Enfermagem em Endoscopia Gastrointestinal-SOBEEG. 

Tem interesse por pesquisas nas áreas de processamento de acessórios e aparelhos de endoscopia, estruturação de serviço de endoscopia digestiva, biotecnologia, doenças inflamatórias intestinais, biologia molecular, doenças infectocontagiosas, Arboviroses, metodologia e execução da pesquisa. 

Foi Docente do Grupo CEFAPP- Curso de Pós graduação em Enfermagem – desde 2007-2018. Foi coordenadora do programa de residência em enfermagem do Hospital da Restauração/SES (2011-2015); Membro do comitê de ética e pesquisa do Hospital da Restauração/SES.

“Essa é uma jornada feita de uma longa trilha”

Adriana Matos

Para a empresária Adriana Almeida Matos, o caminho para chegar ao diagnóstico do filho Jonathan, hoje com 9 anos, foi ainda mais complicado. Por ser o primeiro, não se pode fazer comparações com o comportamento dos irmãozinhos mais velhos, o que ajuda muitas mães a desconfiarem de algo.

Embora o menino tivesse dificuldade para se expressar, se jogava no chão, não falava de maneira compreensível, ele foi mal interpretado. Ganhou selo de birrento, criança mimada.

“Confiei na opinião dos médicos que diziam que ía passar e das pessoas que falavam que com o tempo ele iria superar sozinho. E esse foi um grande erro. Ele já estava atrasado no desenvolvimento em relação a outras crianças. Uma boa avaliação diagnóstica teria respondido muitas dúvidas mais cedo”, lamenta-se. 

Quando o transtorno foi identificado, Jonathan passou a fazer fono e terapia ocupacional.  Aos 3 anos, foi matriculado numa escola pública, numa classe especial com suportes específicos. Atualmente, faz vários esportes, como artes marciais e futebol para crianças especiais. 

“Teve um período que passamos a fazer as terapias em casa, eu levava a terapeuta aos lugares onde íamos com o Jonathan para nos ajudar. A escola com ênfase em ABA (Applied Behavior Analysis) foi uma das melhores experiências que tivemos, mas devido à pandemia, hoje ele está no home schooling, e está indo super bem”.

Adriana lembra que no estado da Flórida, até os 3 anos, a criança tem direito a intervenções precoces e avaliação com terapias médicas e educacionais gratuitas. Dos 3 aos 5 anos, o suporte é dado pela escola, mas as terapias médicas só podem ser feitas no particular ou através de seguro médico. Após os 5 anos, a avaliação é mais demorada, mas em qualquer idade, será avaliada e terá um plano educacional individual. 

Outra dica da Adriana que também pode ser útil:

“Através de vários grupos de Whatsapp, Facebook e Instagram, nós, mães de crianças no espectro autista que fazem parte da Comunidade da Flórida Central, compartilhamos dúvidas, oferecemos suporte e trocamos experiência. Nosso grupo anuncia um evento ou uma nova temporada de futebol, e assim nós nos vemos nos eventos. Algumas mães que se tornaram veteranas oferecem mentoria às mães que estão iniciando”. 

Ela se reiventou profissionalmente e hoje trabalha com turismo; especializou-se em viagens para autistas. E sugere mudanças que poderiam facilitar a vida e a interação social das crianças e das famílias:

“Restaurantes podiam ter uma área mais silenciosa e oferecer opções veganas e gluten free. Empresários e instituições poderiam propor eventos que promovessem a interação social de grupos com crianças especiais, ao invés de só fazer palestras e tentar nos vender produtos. Incluir é interagir com nossas crianças, é se envolver com as famílias, e ouvir o que elas têm para dizer. Muitas famílias brasileiras querem participar de esportes, mas notamos que muitos lugares brasileiros não sabem como dar esse suporte, e para isso é importante aprender, informar-se e implementar o que se aprende”.

A empresária deixa também uma mensagem para as mães:

“Essa é uma jornada feita de uma longa trilha. Ande devagar e esteja sempre presente! Se conecte com quem já está lá na frente do caminho. A cura para a família está em sair do isolamento, encontrar pessoas que entendem do assunto. Enfrente o desconfortável lá fora com suportes. Curta os pequenos momentos hoje!”

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Adriana Almeida Matos é Empresária na área de viagens de luxo pela Amex Travel, especializada como Profissional em viagens em autismo pela IBCCES. E com certificação profissional em Early Childhood Development pela Harvard University.

Adriana é mãe da Julia, de 6 anos, e do Jonathan, de 9 anos, no espectro autista e casada com o Jorge. Nascida em São Paulo, imigrou para os EUA aos 18 anos e vive aqui nos últimos 24 anos. 

É graduada em Música, ensinou orquestras, corais a crianças incluindo crianças especiais. Após o nascimento do seu filho e diagnóstico, reinventou-se nos últimos 10 anos, e mudou para a área de Viagens de Luxo pela American Express Criadora de grupos de suporte e conexões de recursos a famílias brasileiras na Flórida pela Teautismo.org

https://www.instagram.com/eautismo/
“Vale a pena embarcar nessa aventura!”

Renée Lobo

A especialista em marketing, Renée Lobo já morava nos Estados Unidos quando teve o Max, hoje com 10 anos. Pouco antes de completar 2 anos, os médicos constataram um atraso de desenvolvimento. Aos 2 anos e meio veio o diagnóstico completo: transtorno do espectro autista (TEA). 

“Ele teve um desenvolvimento normal na parte cognitiva e motora, porém eu percebia atraso na comunicação e interação social, em comparação com a minha filha mais velha, a Nicole,  de 14 anos. A confirmação foi muito difícil, uma sensação inexplicável, só quem passou entende. Muitas perguntas e preocupações na cabeça ao mesmo tempo. E, inicialmente, também foi difícil conversar com amigos e familiares sobre o assunto. Eu já tinha conhecimento do assunto porque na gravidez da minha filha já tinha lido bastante sobre o tema, mas meu marido chegou a duvidar, achava que eu deveria consultar outros profissionais e que muito poderia ser da minha cabeça” – lembra a mãe.

Não foi fácil encarar a confirmação, mas Renée agradece pelo resultado: “enxergo o diagnóstico como a ponte que nos liga aos tratamentos de ajuda necessária para o nosso filho, só assim pudemos começar a jornada. E ao longo dessa dura batalha de terapias, crises comportamentais, perdas e ganhos, formamos um grupo de suporte e conhecemos pessoas maravilhosas. Compartilhar experiências e dias difíceis com quem entende é muito bom”. 

Para ela os irmãos maiores podem e devem ser considerados aliados nessa batalha. 

“Tudo que o Max aprendeu de brincadeira, dança, joguinhos foi por causa da irmã. E tenho grande orgulho de compartilhar que alguns anos atrás ela veio pra casa com um award da escola por incentivar a inclusão na série dela. Um complementa o outro. Tem o lado positivo para ambos, mas assim como para os pais, tem o lado de questionamentos e dúvidas – por que meu irmãozinho é diferente? Será que um dia ele vai conseguir ser independente? São mil preocupações na cabeça de uma criança que muitos da mesma idade não tem. Os pais precisam encontrar tempo e forças pra ajudar todos os filhos na mesma proporção, o que muitas vezes é difícil devido a demanda de uma criança especial. Mas assim vamos crescendo e nos fortalecendo como família e indivíduos”.

Na escola, Max faz fono, terapia ocupacional e educação física adaptada. Fora da escola ele faz Applied Behavior Analysis (ABA). Os pais têm notado os progressos que atribuem a essas terapias e atividades esportivas, como futebol, tênis, basquete, atletismo e baseball, praticadas em clubes que desenvolveram turmas para crianças especiais. Atividades sociais também são muito bem vindas.

“Vivo repetindo que somos privilegiados pelos amigos que nos rodeiam. É um carinho imenso pela nossa família, sempre nos incluindo em eventos e festinhas. Como eu disse durante a minha participação no Focus Brasil – Orlando, como pais, lutamos diariamente para equipar e preparar nossos filhos pra um mundo que talvez nunca venha estar preparado para eles, mas quem aprende somos nós… todos que incluem as crianças especiais só têm a acrescentar. Elas nos ensinam a maior lição sobre a escola da vida”. 

Renée que ama viajar, conhecer outras culturas, lugares, comidas…não abandonou essa sua paixão. Muito pelo contrário, pega a estrada com a família e abriu uma página no instagram para mostrar viagens com uma criança no espectro autista (@onthespectrum_wanderlust). A ideia surgiu porque sempre que planejava uma viagem pesquisava em blogs, sites, contas do instagram em busca de informações de como seria para uma família especial conhecer aquele lugar e não encontrava muita coisa.   

“Por isso, decidimos compartilhar nossas experiências e incentivar outras família a levar seus filhos para explorar novos horizontes. Pra nós, tem sido maravilhoso. As crianças criam memórias incríveis a cada viagem, e nosso filho lembra de cada uma! Ele consegue nos dizer nomes das cidades que viajamos, o que ele mais gostou, tudo tem ajudado a expandir a comunicação dele e sair da zona de conforto. Vale a pena embarcar nessa aventura!”

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René Lobo nasceu no Rio de Janeiro e vive em Orlando desde 1993. 

É Gerente de Marketing no ramo farmacêutico e é Formada em Marketing pela University of Central Florida – UCF. Esposa do Fábio, mãe da linda Nicole, 14, e do anjo Max, 10 —este no espectro autista. 

No Instagram, mostra o cotidiano, alegrias e desafios de viajar com uma criança especial. 

@onthespectrum_wanderlust

“O que me faz pular”

Regina Maki

A farmacêutica bioquímica Regina Maki, suspeitava que a filha caçula tinha déficit de atenção. Na época, a menina estava com 5 anos e frequentava a pré-escola. Junto com o questionário sobre o problema, recebeu da neurologista um outro relacionado a autismo. 

“Autismo? me perguntei!  Na época fiquei espantada com esta hipótese. Meu conhecimento sobre o autismo era somente de filmes como “meu filho, meu mundo” e ” Rain Man”. Seguimos com a avaliação e recebemos o diagnóstico: autismo” 

A notícia veio em 2015, quando a família ainda se adaptava à nova vida em Orlando. Fazia apenas um ano que a Regina, o marido e as duas filhas haviam se mudado para os Estados Unidos. Além da surpresa, ela sentiu um certo alívio e explica porque:

“Aliviada pois entendi tantas diferenças notadas durante o desenvolvimento da Amanda, quando comparado ao da Mariana, minha filha mais velha. Ainda no Brasil, Amanda teve que fazer fisioterapia porque demorou muito para andar; fez sessões de fonoaudiologia porque demorou muito para falar, era extremamente sensível aos sons, não tinha noção do perigo” – ela lembra. 

Já a surpresa veio pelo fato de ser uma menina sociável, simpática. A reação da bioquímica foi a melhor possível: passou a se informar sobre o transtorno.

“Comecei a ler tudo a respeito de autismo. Estudando sobre o assunto e compartilhando o diagnóstico descobri que o autismo em meninas pode ser muito diferente e conheci pessoas maravilhosas!”

Regina explica que há meninas no espectro “autismo clássico”, ou seja, com as características mais conhecidas, mas há muitas meninas, como é o caso da Amanda, que camuflam as dificuldades de interação social imitando as pessoas socialmente aceitas. Tanto que muitas meninas no espectro podem sofrer de ansiedade e depressão pois vivem constantemente na tentativa de se adequarem ao meio onde estão inseridas. Nestes casos, o diagnóstico em meninas torna-se difícil e muitas vezes acontece tardiamente. 

Hoje, Amanda está com 10 anos. Depois do diagnóstico fez várias terapias e tem se desenvolvido bem. Atualmente tem uma agenda repleta: faz Kumon, piano, um programa de leitura para dislexia porque também teve este diagnóstico e vai começar a temporada de natação no Special Olympics. A menina também está cursando o terceiro ano em uma escola pública, onde tem um plano de educação individualizado  – IEP – com sessões de fonoaudiologia, terapia ocupacional, além do suporte de uma professora de educação especial, mesmo frequentando uma classe regular.  E, em agosto, ela recomeça a temporada de outono de habilidades sociais da UCF card (Center of Autism and Related Disabilities), uma entidade do governo da Flórida, que fornece um grande suporte para os indivíduos no espectro e suas famílias.



Nas foto, à esquerda, vemos Regina Maki com o esposo e as filhas Mariana e Amanda. Na foto acima e de fundo, Regina compartilha seu momento com a caçula Amanda

Quais terapias ela acha que funcionam melhor? 

Difícil saber, já que o transtorno do espectro autista requer um tratamento multidisciplinar. 

“Fazemos tantas intervenções simultâneas que é difícil apontar a melhor. Acredito que o resultado vem dessa combinação de estímulos e fatores. Mas percebemos que o progresso não é linear e que trata-se de uma jornada onde o que funciona é o “devagar e sempre”, sem ansiedades, onde ela precisa estar feliz e nós também”.  

Regina considera um desafio encontrar esse equilíbrio familiar, ela sabe que a caçula requer mais atenção, precisa de um suporte maior, mas sabe também que não pode só focar apenas na menina. A solução é envolver todo mundo nas atividades. Todos vão assistir às competições de natação da Amanda, mas todos também vão às apresentações de teatro da Mariana, a filha mais velha. 

Para ilustrar a importância da harmonia familiar, inclusive para o autista, Regina conclui com uma sugestão de leitura. 

“O livro – O que me faz pular – foi escrito por Naoki Higashida, quando o menino tinha 13 anos. Ele diz para os pais de autistas: “Sofremos quando vocês sofrem, não desistam da gente, o que mais queremos é que vocês sejam felizes”.

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Biritibana, da Grande São Paulo, graduada em farmácia bioquímica pela USP e pós-graduada em bioquímica pelo Instituto de Química da USP em parceria com a Universidade de Kyoto- Japão. Atuou como especialista e gerente de produto na GE Healthacare Lifesciences do Brasil e em 2015, aproveitando a oportunidade de transferência do marido que atua na área de informática, imigrou para os Estados Unidos com a família. Mãe da Mariana hoje com 13 anos e da Amanda de 10 anos, que está no espectro autista, teve a oportunidade de ser dona de casa quando se mudou para Orlando. Ganhou um livro de receitas dos colegas de trabalho do Brasil e até aprendeu a cozinhar. Recebeu o diagnóstico da Amanda em 2016 e desde então mergulhou no mundo do autismo, terapias, educação especial e conheceu pessoas maravilhosas!

Autismo: seus aspectos e seus espectros

Luciana Bistane

Chegar ao diagnóstico já é um grande desafio. Pra começar, o autismo não é uma doença, é um transtorno, com vários espectros, que vão do mais leve ao mais severo. Já se sabe que a descoberta precoce faz toda a diferença para a criança, se houver um acompanhamento adequado, com médico, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, psicólogo e pedagogo. Mas, não é fácil levantar essa suspeita, especialmente para as mães de primeira viagem, sem filhos mais velhos para comparar o comportamento das crianças. 

Também não existem exames laboratoriais ou de imagem que ajudem a identificar o autismo. Pra complicar ainda mais, o desenvolvimento físico é o esperado, o que vai chamando a atenção, no início, são sinais discretos e que podem confundir, como um atraso para dizer as primeiras palavras, uma demora para atender chamados. Com o tempo, podem surgir transtornos de linguagem, repetição de movimentos e palavras e, em casos mais sérios, apatia ou inquietação exacerbada e até gestos violentos.   

O autismo costuma ser identificado entre 1 a 3 anos. O TEA evidencia algumas características comuns, mas cada indivíduo apresenta habilidades e dificuldades próprias. A comunicação, a adaptação e a capacidade de aprendizado podem ser afetadas. A forma classificada como baixa funcionalidade exige tratamento para a vida toda. Na média funcionalidade, a pessoa tem dificuldade de comunicação e repete movimentos e comportamentos. Na alta funcionalidade, o portador pode estudar, trabalhar, constituir família.

As pesquisas sobre o autismo começaram na década de 1940, mas as causas ficaram nebulosas por décadas. Somente nos anos 1980, os cientistas chegaram a conclusão que o transtorno é ligado a falhas no desenvolvimento neurológico, que podem ser provocadas por disfunção metabólica ou anomalias cromossômicas. 

A organização Mundial de Saúde estima que o autismo afete 70 milhões de pessoas no mundo todo. Nos Estados Unidos, de acordo com o Centro de Controle de Doenças e Prevenção, uma em cada 59 crianças apresenta traços de autismo.   

Um tema que o B&B aborda nessa edição por considerar importante a divulgação de informações que contribuam para o bem dessas crianças e das famílias que enfrentam o desafio de acompanhá-las nessa jornada da vida. 

Ouvimos quatro mães de crianças no espectro autista. A enfermeira Kalina Barros Cysneiros chama atenção para a importância do diagnóstico precoce. A empresária Adriana Almeida Matos conta sobre as dificuldades que enfrentou até chegar ao diagnóstico do filho Jonathan. A farmacêutica bioquímica Regina Maki Sasahara revela sua estratégia para manter a família unida e resguardar a harmonia do casal. E a especialista em marketing, Renée Lobo dá o caminho das pedras para uma viagem especialíssima para as famílias especiais.