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Escritores brasileiros na Flórida entre os mais votados do Focus Brasil NY 2021

Nereide Santa Rosa

O Focus Brasil New York 2021 e a Academia Internacional de Literatura Brasileira, que hoje congrega quase 600 membros, todos eles escritores brasileiros com obras publicadas, de todas as partes do mundo, recentemente anunciaram os cincos escritores mais votados em oito categorias do Prêmio Awards Destaques Literários de 2021. Entre os 40 escritores mais votados, aqui destacamos os escritores brasileiros residentes nos Estados Unidos. Parabéns a todos!!! A literatura brasileira também se destaca entre a comunidade brasileira nos Estados Unidos.

Angela Bretas reside nos EUA desde 1985, escritora, jornalista e poetisa. Idealizou e coordenou duas antologias nos Estados Unidos “Brava Gente Brasileira em Terras Estrangeiras” volume I e II , coletâneas pioneiras de escritores brasileiros radicados no exterior. Possui livros de poesia, de poetrix e de contos. Foi condecorada com prêmios na área da literatura; duas vezes vencedora do Brazilian International Press Awards, palestrante convidada na Universidade da Geórgia, participou do Focus Brasil NYC; é acadêmica da Academia Internacional Poetrix. Angela é catarinense e divide sua vida entre Flórida e Brasil.

Maristela Rocha Cerqueira, advogada, pós-graduada em Processo Civil, Pós-graduada em Desenvolvimento de Produto com Formação em Gestão de Grandes Projetos e Mídias Sociais, estudante, filha, mãe e empresária, construiu, além de uma linda família, uma empresa de sucesso que figurou entre as empresas que mais cresceu no Brasil. Seu livro “Think About It! – O poder da reflexão” narra a sua trajetória, uma mulher comum que soube extrair das muitas adversidades da vida o combustível para vencer no competitivo mundo empresarial e construir uma carreira vitoriosa sem abrir mão do melhor de sua essência. Ao apontar e analisar os caminhos que percorreu, Maristela conduz o leitor a uma profunda reflexão que o ajuda a rever suas escolhas pessoais. Este livro é também uma poderosa ferramenta para todos os que desejam fazer mudanças de carreira e até mesmo de país. O desafio de parar, refletir, decidir e agir levou Maristela a conquistar seus sonhos profissionais e pessoais, e pode ajudar igualmente qualquer pessoa que se predisponha, com sinceridade e fé, a fazer semelhante jornada de sucesso e paz interior.

Deocleide Britos vive em Orlando,FL há 22 anos é professora do ensino fundamental, pedagoga, pós-graduada em psicopedagogia. Casada com Amilton, mãe do Wesley e Sarah (in memorian). Coordenadora pedagógica do Projeto Português Como Língua de Herança do New Hope Assistance Center onde cria todo o programa curricular para o projeto. Há 6 anos trabalha na Hunter’s Creek Middle School como Portuguese Paraprofessional. Atualmente vem desenvolvendo uma Proposta Curricular para o Ministério de Educação Infantil da Igreja Nova Esperança. Em 2015 escreveu o livro “Sarah Britos Uma História de Amor e Fé”, onde ela conta a trajetória da família com a filha diagnosticada com Neuroaxonal Distrofy. Em 2017 ganhou o Prêmio Mulher Brazil USA, e, em 2018, ganhou o prêmio Focus Brasil/Personalidade da Língua Portuguesa. Atualmente está lançando o livro “Ostra feliz não produz pérolas”.

Patricia Fraga Rocha Rabelo é PhD em arquitetura, educadora e autora de diversos capítulos e livros na área de educação, arquitetura e urbanismo. Patrícia Fraga é fundadora da Abayomi, presidente da Planeta Ética, Inc e consultora para felicidade nos ambientes. PhD em arquitetura, educadora e autora de diversos capítulos e livros na área de educação, arquitetura e urbanismo, vem se destacando nos últimos anos pelo trabalho na aplicação da Metodologia Abayomi, uma proposta pioneira de promoção de espaços inteligentes e felizes. Publicou seu mais novo livro, “Cidades Inteligentes e Felizes: convergências e conexões”.

Marcos Rossi é romancista, descendente de italianos, brasileiro do interior paulista e morando nos EUA desde 2004, Marcos é o que se pode chamar de cidadão do mundo, tendo visitado a trabalho ou a lazer, mais de quarenta países em cinco continentes. Ele é fluente em inglês, português e espanhol e têm seus três livros publicados no Brasil e nos EUA.

Formado em Economia e em Administração de Empresas pela Unicamp, tornou-se especialista em Logística, trabalhando nesse campo por mais de duas décadas e ensinando a disciplina em uma grande universidade na área de Miami.

No entanto, seu profundo interesse pela psicologia e natureza humana o levou a estudar o assunto e a obter a certificação como Life-coach. Hoje ele ajuda organizações e pessoas a alcançar um patamar mais alto.

Espiritualista, Marcos estudou as principais religiões e aproveitou suas viagens para visitar sítios arqueológicos, templos budistas e hindus, mesquitas, sinagogas e igrejas cristãs, inserindo tais experiências em seus escritos.

Ele também ama História e usa a maior parte de seu tempo livre lendo e assistindo documentários relacionados, o que o levou a concentrar seus romances em momentos históricos de sua preferência.

Seu mais novo romance “A Mais Bela Travessia” conta a saga de Matteo, um jovem que imigra da Itália para o Brasil no final do século XIX e passa pelas mais diversas aventuras e experiências de vida em uma terra estranha, imerso em uma cultura e idiomas que ainda não entende. Ambientado em um Brasil de um século atrás, o drama aborda temas intrigantes, polêmicos e atuais como o racismo, sincretismo religioso, pandemia, emancipação feminina e disputas ideológicas. Mas Marcos segue com novos projetos e diversificando sua atuação como escritor, trabalhando agora em uma biografia. Marcos vive em Miami, é casado com Vania e é pai de Gianlucca e Gianpietro.

Mentalidade do Imigrante

Jean Chamon

Dando continuidade ao nosso texto da edição anterior que falava sobre mentalidade de crescimento, vamos aprofundar fazendo a correlação com a mentalidade do imigrante que geralmente atravessa múltiplos desafios nessa jornada. 

É sabido que cada pessoa tem sua própria configuração genética, mas hoje se acredita que por meio de experiências, treinamento e esforço pessoal muitas habilidades podem ser desenvolvidas durante um ciclo de vida. Atualmente, a postura e mentalidade tem a capacidade de mudar seu perfil psicológico e os resultados em sua vida, negócio ou família.

Conforme afirmado pela Dra. Carol Dweck em seus estudos, quando pessoas acreditam que suas qualidades básicas podem ser desenvolvidas e melhoradas, as falhas, desafios e frustrações quando acontecerem irão de toda forma trazer dificuldades e dores, mas certamente não serão definidores de uma postura ou situação. 

No caso do imigrante vejo que essas afirmações são um exercício diário, pois mindset de crescimento estimula o alcance de objetivos por meio de ações e trabalho duro (Yeager, Dweck, 2020). Analisando do ponto de vista do imigrante, o mindset de crescimento estimula uma melhor adequação e adaptação em vários estágios do seu processo imigratório como por exemplo: Podemos elencar inúmeras questões em que a mentalidade de crescimento favorecerá o imigrante para ser mais bem sucedido em suas escolhas de vida, encarando de forma aberta e plena os desafios e aprendizados oferecidos.

A Dra. Dweck (2006) apresentou estudo que podemos relacionar com a vida do imigrante. O estudo se deu sobre o aprendizado de línguas na Universidade de Hong Kong analisando os perfis de mentalidade fixa e de crescimento. As classes regulares na universidade são ofertadas em língua inglesa e muitos alunos não possuem proficiência na língua. A universidade pesquisou se a oferta da disciplina de língua inglesa para alunos não proficientes seria bem recebida pelos calouros. Como resultado da pesquisa os alunos identificados com mentalidade de crescimento afirmaram enfaticamente que teriam interesse em fazer a disciplina. Entretanto, os alunos com mentalidade fixa, negaram a possibilidade de fazer parte da disciplina ofertada.

Em uma análise simples relacionada ao expatriado, é sabido que muitos por questões de não proficiência na língua nativa do país em que vivem optam, por receio de falhar, em viver somente em comunidades de imigrantes da mesma etnia e continuar falando a língua pátria. Correlacionando com o estudo da professora Carol Dweck vejo um espelho que muitos dos imigrantes pelo pensamento fixo se colocam em situação de evitar desafios ou potenciais derrotas. De forma direta podemos inferir que o imigrante com pensamento e mentalidade de crescimento tem maior chance de aprendizado da língua local do país que decidiu viver.

Outro fator que podemos correlacionar o tema ao mundo dos negócios e carreiras. Muitos imigrantes de mindset fixo buscam continuar os mesmos tipos de negócios e atuações profissionais que anteriormente exerciam em seu país de origem, sem observar que o cenário mudou completamente.

De outra forma, bem como os CEOs de sucesso, a mentalidade de crescimento no imigrante pode auxiliar a possibilidade de inovar e desenvolver produtos, aptidões, carreiras e habilidades que lhe forem apresentadas entrando em um ciclo de aprendizado contínuo em toda a sua vida. Historicamente, muitas nações foram e são desenvolvidas por imigrantes inovadores que certamente apresentam mentalidade de crescimento em muitos casos.

O imigrante que foca cada situação como oportunidade de aprendizado, sairá ao final da jornada muito mais forte e preparado do que quando se posiciona de forma negativa e estagnada, visualizando apenas os problemas. Modificando o pensamento, tão logo construirá novos hábitos que resultarão em ações impactantes para os objetivos que querem alcançar. 

Positividade sempre! 

Forte abraço!

O Oriente Médio (novamente) em chamas

Peter Ho Peng

Parte III – A guinada mundial

O que há então de novo? O mundo repudiou Israel nesse conflito. A Europa quase inteira (menos a Hungria, não me perguntem por quê) irá reconstruir a Palestina. Não classificaram publicamente as ações de Israel de Terrorismo Estatal, mas para o bom entendedor meia palavra basta. Mesmo dentro de Israel os oponentes do primeiro-ministro Netanhyahu se unem para fazer um governo de coalizão, que substitua o atual. Essa coalizão vai de A a Z, compreende todo o espectro político do país. A maldade das “margaridas” israelenses foi tão óbvia que os judeus mundiais não querem se identificar com essas flores. A Anti Defamation League, organização judia anti-zionista, tradicionalmente liberal e associada à esquerda americana, está quieta.

Quem fez Israel foram os americanos, após a Segunda Guerra, e, com a simpatia mundial, após o holocausto, foram com tudo em cima dos palestinos, apropriando-se de suas terras paulatinamente. Houve retaguarda militar de outros países, mas não se enganem: foram os americanos que fizeram Israel. O século XX foi o século da pax americana; tudo que se fazia no mundo era feito com um só corretor: os EEUU. 

O dinheiro da ajuda humanitária mundial vai reconstruir a Palestina, mas deveria ser totalmente dinheiro americano; quem fez a cacáca foram eles, mas o resto do mundo vai ter que limpar. Porém os americanos estão dando uma guinada na sua política. Tradicionalmente o Partido Democrata sempre foi o maior apoiador de Israel. Agora a política atual de Israel não encontra eco no Partido Democrata. A condenação a Israel veio principalmente dos congressistas democratas. Enquanto Trump e Netanyahu, o chefe de Israel, eram gêmeos univitelinos, agora mesmo o Partido Republicano está em silêncio. Leitores do B&B, vós notastes esse silêncio? 

Biden prometeu ajudar na reconstrução de Gaza. Com um pequeno caveat, mais para inglês ver: diz que vai canalizar a ajuda americana não para Hamas, que os EEUU chamam de organização terrorista, mas vai canalizar dinheiro para a Autoridade Palestina, um governo que não funciona, corrupto e disfuncional. E sempre afirmando seu apoio incondicional a Israel. Biden tem que ajudar na reconstrução de Gaza. Claro, foram eles que fizeram o estrago. Como posso fazer essa afirmação? 

Aqui tem um dito popular: Follow the money = Siga o rastro do dinheiro. Como o seu dinheiro, ou o nosso dinheiro, os impostos que pagamos, como isso contribui para a guerra no Oriente Médio? Simples. Grande parte dos fundos americanos que vão para Israel, são arrecadados via um canal que o IRS (Internal Revenue Service) chama de 501(c)(3). São ONGs, filantropias que vivem de doações, os doadores recebem abatimento do imposto de renda. Judeus americanos, ricos ou não, e americanos simpatizantes com as vítimas do holocausto, contribuem para Israel. Existem mais de 20 tipos de ONGs 501(c). Mas essa filantropia é solicitada para pesquisa e desenvolvimento, educação, defesa, coisas desse tipo; não poderia ser destinada para ataque, destruição e ocupação. É evidente que os helicópteros Apache e suas bombas são usados singularmente para ataque e destruição. Nenhum contribuinte para Israel quer se identificar com o que Israel fez agora. Israel sempre fez isso, mas agora passou da linha. Aqui o IRS não dá moleza. Vejam o próprio Trump enroscado com o IRS. Essa torneirinha pode e deve ser fechada. Mas será fácil mudar de roupa.

Um probleminha: Como exército ocupacionista, Israel controla tudo que entra e que sai da Palestina. Essa ajuda humanitária, para reconstruir hospitais, escolas, usinas de tratamento de água e esgoto, moradias, vai ter que pagar imposto de entrada, os custos do exército ocupacionista para abrir,  vistoriar, inventariar, conferir, reconferir, fechar e lacrar cada contêiner. Fazer todo esse trabalhão deve custar os olhos da cara; digamos, 30% do valor dos conteúdos de cada contêiner. A nossa famosa rachadinha, vestindo outras roupas, ternos e chapéus pretos. 

Mostrei nos artigos anteriores como os EEUU, esse mesmo país, ele próprio, foi construído da mesma maneira que Israel vai sendo, destruindo a Palestina, no caso atual; e os americanos destruindo os nativos, no caso anterior. Os americanos dão aulas de moral ao resto do mundo, mas para quem conhece História, os EEUU não possuem autoridade moral para dar lições de moral ao mundo. O pobre Biden, com todos os seus pepinos que tem por aqui, ainda tem que descascar abacaxi no Oriente Médio (abacaxi plantado e cultivado por eles mesmos). O Biden fala ainda no “two-state solution”, a criação de um estado palestino, que possa conviver pacificamente com um estado vizinho. Eu não creio na sinceridade disso; afinal, fala-se nisso desde que Israel existe. Enquanto isso, o seu plano de tentar usar investimento estatal feito com dívida orçamentária para infraestrutura vai sendo diluído pelos republicanos. Mas o investimento estatal em tecnologia para combater a China vai em frente.

Já que falei na China, notaram que eles ficam quietos nesse questão do Oriente Médio? É da cultura chinesa não botar azeitona no pastel dos vizinhos. E os americanos, vivem fazendo isso, botando azeitona no pastel dos outros, enquanto os seus pastéis estão furando e afundando no óleo, já preto de tanto uso. 

Minhas previsões: 

– Os quadros do Hamas vão engrossar exponencialmente.

– Netanhyahu vai ser despojado do poder e vai enfrentar a justiça israelense por corrupção. Israel vai ter nova liderança mas não vai mudar.

– Se houver alguma solução, não será liderada pelos EEUU. Ninguém mais acredita em  pax americana. É simples: os EEUU tem um montão de problemas neste momento. China. Covid. China. Orçamento. Fraude eleitoral. China. Racismo. Xi. Aquecimento global. Mais racismo. As iniciativas republicanas para supressão eleitoral. 5G. Captação de recursos para financiar seu plano de investimentos estatais para competir com a China. Inflação. Eleições de 2022. Tratado nuclear com o Irã. China. Os 30% da população que não quer ser vacinada. Furacões. De novo  China. Ai ai ai. Sim, o Biden bem que gostaria de dizer: danem-se vocês aí no Oriente Médio. Mas ele tem que estar no meio da confusão. E falando sempre pelos dois lados da boca, pois não pode perder votos em 2022. E em 2024 tem a volta do Trump. Fraude eleitoral vai sair da primeira página. Voltará a China à primeira página.

Balanço final. Quem venceu essa guerra? Não foi Israel. Não foram os EEUU. Não foram os civis palestinos. Não foi Hamas. Não foi o povo de Israel. Não foram os judeus externos que sustentam Israel com doações.  Não foi Netanyahu. É isso.

O Fracasso Ensina

Eliana Barbosa

Muitas são as pessoas que, ainda hoje, apesar de tanta inteligência e potencial para o sucesso, não conseguem se destacar na vida profissional e nem serem felizes em seus relacionamentos. Provavelmente você conhece indivíduos que são esforçados ao extremo, estudiosos, mas que se consideram “sem sorte” porque nada que empreendem dá certo. Eles querem vencer e se sentir realizados, mas sempre ficam com a sensação de que falta alguma coisa nessa trilha da vitória. 

O primeiro passo para se resolver essa questão é o autoconhecimento, o olhar pra dentro de si, conscientizando-se de que a tão almejada transformação interior só é possível quando se decide mudar a postura diante das adversidades, do fracasso e das perdas, no sentido de desenvolver o autocontrole –habilidade que nos permite gerenciar emoções, desejos e reações, mantendo o foco em objetivos relevantes, e de persistir, mesmo em situações mais problemáticas.  

Autocontrole é uma das mais fortes características da inteligência emocional. 

Esse preparo para enfrentar problemas ou mesmo as derrotas, e acatar os “nãos” que a vida oferece, é uma competência que vem sendo bastante estudada em vários países. 

Neurocientistas e psicólogos têm descoberto que as crianças que, ao longo de sua educação, aprenderam a lidar com perdas e frustrações, sem negativismo e autopiedade, apresentaram um melhor rendimento escolar, afastaram-se dos vícios, conseguiram poupar  dinheiro, e tornaram-se adultos mais felizes e bem sucedidos. 

Nesse estímulo para o desenvolvimento de suas personalidades, foi ensinado a elas a importância de se combater o sentimento de urgência, compreendendo que mais vale uma recompensa maior no futuro do que uma recompensa menor disponível no presente. 

Embora a habilidade de controlar impulsos decorra, em parte, de nossa herança genética, é importante saber que há também influência do ambiente, ou seja, da família e escola. Por isso, com o objetivo de desenvolver o autocontrole de seus alunos e estimulá-los a encontrar soluções para desafios, no mundo todo tem aumentado o número de escolas que criam jogos cujo prêmio depende da habilidade em lidar com a frustração, fazer escolhas melhores e adiar decisões, quando necessário. 

Por isso, para que pais e educadores consigam realizar suas missões com louvor, é importante que estejam prontos para preparar crianças e jovens para as naturais dificuldades da vida. Como diz o psiquiatra e escritor Augusto Cury, “Bons jovens se preparam para o sucesso. Jovens brilhantes se preparam para as derrotas. Eles sabem que a vida é um contrato de risco e que não há caminhos sem acidentes”. 

E lembre-se: nunca é tarde para mudar, adquirir novas habilidades, e ser feliz e bem-sucedido. Basta afastar de sua mente a idéia da perfeição e fazer de cada fracasso vivido uma experiência de motivação e aprendizado.

Criptomoedas podem revolucionar os investimentos em cidades americanas

Ilton Caldeira

Um novo capítulo na história das moedas virtuais está surgindo no horizonte: as criptomoedas lançadas por governos locais. A primeira iniciativa do gênero foi apresentada no início de agosto pela cidade de Miami, na Flórida (EUA). A MiamiCoin é a primeira CityCoin lançada com o objetivo de apoiar projetos de interesse público na Magic City (apelido da cidade) com a possibilidade de gerar lucros aos investidores por meio da valorização desse ativo.

Em sua essência, uma criptomoeda é o equivalente a dinheiro digital descentralizado, projetado para ser usado na internet. O Bitcoin, lançado em 2008, foi a primeira divisa virtual e continua sendo de longe o ativo mais popular nesse segmento. Mais de uma década depois, o Bitcoin e outras criptomoedas cresceram e ganharam presença nos mercados mundiais como alternativas digitais ao dinheiro emitido pelos Bancos Centrais.

A moeda virtual de Miami, ainda em fase inicial, prevê que cerca de 30% dos ativos sejam direcionados para uma carteira específica para uso em investimentos na cidade. Os investidores, por sua vez, seriam remunerados via Bitcoins. Além de Miami, a cidade de San Francisco, na Califórnia, também prepara o lançamento de uma iniciativa nos mesmos moldes, com sua própria CityCoin.

O movimento capitaneado da Flórida pode se espalhar rapidamente pelos EUA. Miami e o próprio condado de Miami-Dade, onde a cidade está localizada, estudam ampliar o uso de criptomoedas para permitir que os cidadãos paguem impostos utilizando ativos virtuais conversíveis em dólares e que funcionários públicos sejam remunerados por meios da moeda local. Para isso, uma força-tarefa foi criada com 13 membros locais para examinar a viabilidade de permitir que os residentes paguem seus impostos municipais, bem como taxas e serviços, usando moedas digitais.

Especialistas em finanças nos EUA avaliam que especificamente no caso de Miami a criptografia poderia ser atraente para os residentes devido à grande população da cidade ser oriunda de outros países. Como a criptografia é armazenada em carteiras digitais e não está vinculada a um país específico, os investidores estrangeiros e residentes não precisariam pagar taxas de câmbio para mudar sua moeda local para o dólar e vice-versa.

Mas para que essas propostas ainda nascentes possam de fato conquistar terreno e diversos “cripto hubs” se espalharem, questões legislativas e regulatórias precisam caminhar em paralelo. Para avançar com seus projetos, Miami não pode fazer isso sem que o poder legislativo do estado da Flórida aprove um pacote de leis pró-criptografia.

Miami tem como vantagem sobre outros centros de criptografia emergentes, até mesmo Wyoming, que já tem leis estaduais de suporte à criptografia, ser uma cidade internacional com uma infraestrutura bancária desenvolvida, e ter capitalistas de risco e indivíduos com alto patrimônio interessados ​​em financiar a inovação e o mercado de ativos digitais.

Todos esses pontos são importantes, mas a clareza e a segurança jurídica são questões centrais para que esse ambiente financeiro aflore de fato. A maior parte do trabalho jurídico precisa acontecer no nível federal. O foco maior na discussão atual em Washington está voltado para o combate à lavagem de dinheiro, uma melhor cooperação internacional entre os diversos governos nacionais (países) e subnacionais (Estados, condados e cidades), a recuperação de ativos e uma estrutura bem azeitada de fiscalização tributária. 

As criptomoedas nasceram em território livre e sem amarras regulatórias, mas em um ambiente mais seguro e com regras claras é provável que se tornem mais presentes nos serviços financeiros, com mercados emergentes acelerando a utilização desses ativos, assim como os mercados mais desenvolvidos expandindo e criando novos produtos de financeiros baseados nesses ativos.

“Coloco minhas fichas no Texas”

Alex Colombini

Baiano de Jequié, Alex Colombini, 43 anos, trocou o Brasil pelos Estados Unidos há 15 anos. Mesmo antes da pandemia, em 2017, seduzido pelo bom clima da Flórida, trocou Boston por Orlando. E diz que está muito satisfeito com a mudança. 

“Em Boston e região norte o inverno é longo e rigoroso. Aqui as crianças aproveitam o clima o ano inteiro e podem fazer atividades ao ar livre” – diz ele.

Nos Estados Unidos, o casal Alex e Fernanda teve 3 filhos, Alex Jr, Giovanna e David, hoje com 13, 12 e 6 anos. A alteração – pra melhor – na rotina da família, não atrapalha em nada a vida profissional do pai, que incorporou o home office. Formado em Direito, ele é dono do Jornal dos Sports, que existe há 29 anos; e de uma agência de publicidade. Não consegue se beneficiar do pagamento menor de impostos porque as empresas continuam em Massachussetts, mas garante que o trabalho remoto está dando super certo:  

“Trabalho nas áreas de jornalismo e publicidade, com uma equipe incrível: jornalistas, distribuidores de jornal, diagramador, design gráfico; uma equipe muito boa que facilita bastante o trabalho à distância. Mas o contato olho no olho e o cafezinho com o cliente tem um peso muito forte, por essa razão vou a Boston duas vezes por mês. Quando estou em Orlando, trabalho pelo telefone e internet. A pandemia potencializou ainda mais o trabalho remoto; atendo muitos clientes via vídeo conferência. Com internet e uma boa equipe é possível trabalhar à distância e fazer um trabalho de qualidade, atingindo o objetivo final que é atender com excelência nossos anunciantes e leitores”. 

Atento às novidades, ele tem acompanhado com interesse essa onda de tecnologia que chega a Miami, mas não concorda que a região será o novo Vale do Silício. Acredita que por trás há uma jogada de marketing muito forte. Sua aposta é outra: “Coloco minhas fichas no Texas, que também está nessa briga por esse título de Novo Vale do Silício”.

“Orlando deve focar no turismo mesmo que já está consolidado e tem grande estrutura para isso” – ele conclui.

Orlando está na “corrida” para a tecnologia

Eraldo Manes Junior

Orlando já sente os reflexos da nova febre tecnológica que toma conta de Miami?

Eraldo Manes: A onda migratória que acontece nos Estados Unidos, formada por pessoas procedentes de estados como Califórnia, Texas, Nova York com destino à Flórida  não é algo exclusivo de Miami. Claro que Miami leva uma vantagem geopolítica entre as demais cidades do Estado, por dispôr de infraestrutura que favorece diferentes indústrias, como: comércio, negócios, finanças, transportes, saúde, turismo, etc. Miami tem porto, aeroportos, serviço alfandegário, excelentes rodovias, emprego, vida noturna, lazer, cultura, hospitais, escolas e praias. 

A cidade funciona como um hub que liga os EUA às Américas Central e do Sul, Europa e África; e atrai turistas do mundo inteiro. Especula-se que Miami pode se tornar o novo polo de tecnologia no país, semelhante ao que aconteceu nos últimos 40 anos na região conhecida como “Vale do Silício”, na Califória, que liga as cidades de San Jose a San Francisco, berço de empresas como Apple, Google, Ebay, Oracle, Tesla, Air BandB, Uber, Instagran, Yahoo etc. Apesar disso, Orlando está competindo fortemente nesta corrida.

Segundo a associação de corretores de Miami, os preços estão subindo com o aumento da procura?

Eraldo Manes: Sim, é fato que a pandemia do Covid-19 trouxe uma revolução nos costumes. O isolamento proporcionou a experiência do trabalho remoto. Logo, as empresas perceberam maior satisfação dos empregados, menor desperdício em deslocamentos, e maior produtividade. A logísitca foi então transferir esta mão de obra qualificada de estados com alto custo de vida e impostos, para estados menos onerosos, como a Flórida, que era tradicionalmente conhecida por receber turistas e público da Terceira Idade. 

Agora, a Flórida atrai perfis como “baby boomer”, “geração Y” e “millennium”. Apenas para efeito comparativo, de acordo com o site Zillow, uma casa de 1960 sq/ft, de 4 quartos, 2 banheiros construída em 1965, em San Carlos, Califórnia tem um valor estimado de $2,383.200. Com $700,000 é possível comprar uma casa nova, em Lake Nona, Orlando, Florida, com 2,952 sq/ft, com 4 dormitórios, 4 banheiros e piscina.  

Quais os benefícios e as desvantagens que esse momento pode trazer? Valorização dos imóveis para quem pretende vender?

Eraldo Manes: Isto já vinha acontecendo antes da pandemia. Em 2019, o déficit imobiliário nos EUA já era de, aproximadamente, 4 milhões de unidades. A pandemia também contribuiu para o aumento do preço da madeira de construção e a escassez de material de acabamento. Em 2010, uma casa que demorava entre 4 a 7 meses para ser construída e cumpria com o material do memorial descritivo, atualmente, os grandes construtores acabam utilizando materiais similares para entregar a obra entre 9 e 12 meses prometidos. 

O juro baixo para financiamento da casa própria é outro fator relevante para estimular o boom imobiliário nos últimos 5 anos. Isso torna o mercado favorável para o vendedor e complicado para o comprador. Com poucas casas à venda e muitos interessados, os preços sobem muito. No mercado de imóveis novos, é comum os interessados ficarem em lista de espera. Quanto aos usados, acaba ocorrendo uma “disputa” para conseguir que uma porposta seja comparada com outras 5 ou 10 oferecidas pelo mesmo imóvel. 

Maior difícil acesso à moradia para as classes de renda inferior? 

Eraldo Manes: Os tipos de financimanto da casa própria nos EUA são na forma de cash, ou através de financiamentos: convencional, FHA e VA. A primeira opção, fica geralmente para os investidores, enquanto as formas de financiamentos são adequadas a pessoas com estabilidade de emprego, bom histórico de crédito e aporte financeiro para entrada e custos de escritura. 

O FHA (Federal Housing Administration), programa que recebe subsídio do governo, chega até 96% do valor do imóvel e é oferecido para pessoas com crédito moderado. 

Os modelos VA são subsidiados para atender veteranos do serviço militar. Famílias de baixa renda, -que ganham menos de $30,000 por ano, no estado da Fórida,- acabam não qualificando para nenhum destes programas. 

O governo local do Orange County tem mostrado alguma iniciativa de criar moradia para público de baixa renda. Algumas áreas abandonadas da cidade, que ficam no entorno do downtown de Orlando, já recebem projetos que incluem comércio no piso térreo, apartamentos verticais, área de lazer e cultura para incluir a população mais carente.

Qual a sua mensagem para quem está pretendendo investir em imóveis, nesse momento? 

Eraldo Manes: No primeiro semestre de 2021, registraram-se vários negócios que receberam múltiplas ofertas logo depois de serem listados no mercado. Com previsão de inflação alta para 2021 e juros baixos com possibilidade de subida, a corrida para o investimento em imóveis foi enorme. Entretanto, já existe uma sinalização de estabilidade de preços no mercado de Orlando. Até o fechamento desta edicão, o MLS (Multiple Listing System) já mostrava um recuo nos preços de 1.5% em algumas propriedades listadas no mês de agosto. No dia 31 de julho, terminou o prazo da moratória que o governo americano havia oferecido para inquilinos se manterem em suas residências. De posse de seus imóveis, alguns proprietários estão preferindo vender suas propriedades para aproveitar os preços altos, do que relocá-los. 

Ainda é um bom negócio ou os preços já não estão tão convidativos?

Eraldo Manes: Qualquer coisa que disser é somente uma opinião. Empresas como Amazon, Walmart -que instalaram centros gigantes de distribuição de mercadorias por venda online-; a Disney promete relocar seus funcionários da Califónia na região da Flórida Central; o contínuo crescimento da Universidade da Central Flórida, -com mais de 60 mil alunos para o ano de 2021-, a migração natural de americanos mencionada nesta pauta levam a crer em um momento de celebração. Diferentemente de Miami, Orlando tem muito espaço para crescer. Com excelente infraestrutura de vias de acesso, novas escolas e hospitais vão continuar impulsionando a pujança do mercado imobiliário nas imediações como Kissimmee, Winter Garden, Windermere, Celebration, Davenport, Clermont, Minneolla, Oviedo, St. Cloud, Poinciana, Haines City, Winter Springs, entre outras preferidas pela classe média. 

Com o fim da pandemia, a Flórida deverá retomar o mercado do Turismo e voltar a atrair investidores no mercado imobilário como os asiáticos, latinos e brasileiros.

Eraldo Manes é paulistano, formado em Comunicação Social. Vive em Orlando há mais de 30 anos.

É fundador e publisher do Jornal Brasileiras & Brasileiros. (1994-2021).

Ex-presidente da Central Florida Brazilian American Chamber of Commerce (2016-2018); sócio fundador da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (2006-2021).

É Corretor de imóveis, licenciado pelo estado da Flória, e é Sales Agent na Pointon Realty. 

eraldo@pointonrealty.com

Buddy Dyer empenha-se para diversificar a economia em Orlando

Prefeito de Orlando Buddy Dyer

Orlando está num novo epicentro tecnológico. As cidades da Flórida já formam um centro financeiro que atrai investimentos estrangeiros de todo o mundo, principalmente da América Latina. Agora, estão trazendo startups de tecnologia e pessoas conectadas ao mundo da tecnologia. Orlando segue esse movimento?

Buddy Dyer: Como cidade, uma das nossas prioridades é abrir o caminho para o sucesso de empreendedores e start-ups, cuja profundidade de experiência e engenhosidade é um fator chave para o nosso sucesso como região. A cidade de Orlando está se esforçando para se tornar a principal cidade preparada para o futuro da América. Ser uma cidade preparada para o futuro significa estar preparado para aproveitar as vantagens dos avanços tecnológicos que vêm em nossa direção. Isso significa diversificar nossa economia e estabelecer novas empresas e carreiras com foco em inovação e tecnologia. À medida que essa indústria cresce em todo o estado, isso pode significar mais recursos para a indústria, mais empregos para o estado e um crescimento que irá melhorar a qualidade de vida dos residentes.

A pandemia do coronavírus afetou em cheio o setor de turismo e Orlando, um dos destinos mais visitados do mundo, sentiu os efeitos da crise.  Um fator a mais para o prefeito democrata Buddy Dyer, no cargo desde 2003, empenhar-se em diversificar a economia da Flórida Central. 

“Para isso, Dyer quer atrair novas empresas e aposta no setor de tecnologia – que gera empregos bem remunerados. Aqui, o prefeito de Orlando explica o já foi feito até agora e como espera concretizar o objetivo de firmar a cidade no mapa tecnológico mundial.

O governo da cidade de Orlando está criando incentivos para trazer empresas de tecnologia para a área? A cidade de Orlando tem interesse em se consolidar nessa área? 

Buddy Dyer: A cidade de Orlando criou recentemente o STRIVE Orlando Program (Strategic Targeted Recruitment Incentive for Valued Employment) para incentivar empregos com salários altos e medianos em setores específicos, sendo o de tecnologia um desses setores. Além disso, o Orlando Downtown Development Board aprovou recentemente um programa para incentivar empregos de alto valor e altos salários criados por empresas que se mudaram ou se expandiram no centro de Orlando. Orlando é um lugar que promove inovação, tecnologia e empreendedorismo. Construir um ecossistema mais forte para tecnologia e startups tornou-se uma prioridade para toda a nossa comunidade. À medida que esta indústria cresce na cidade, ela melhora nossa comunidade ao trazer empregos de alto valor e salários elevados para a região, um desenvolvimento significativo e impactante, e nos coloca no mapa como um centro de tecnologia de classe mundial.

Miami 2.0

Carlo Barbieri

Miami e Orlando sempre atraíram muitos turistas, jovens americanos em busca de praia e calor, muitos latino americanos e investidores estrangeiros. Não é de hoje que Miami é um consolidado centro financeiro; agora desponta como um novo polo de tecnologia, chega a ser comparada ao Vale do Silício, na Califórnia. Quais os motivos, na sua opinião?

Carlo Barbieri: Com a pandemia, muita coisa foi colocada em perspectiva e, muitos técnicos e mesmo empresas, se mudaram para estados vizinhos ou para a Flórida, que historicamente, era uma região referência nos mercados de entretenimento, imobiliário e turismo. E fatores macroeconômicos, incentivos governamentais e descentralização do mindset do Vale do Silício conspiram a favor de uma Miami 2.0.

São Francisco era incrível. O Vale do Silício e São Francisco se tornaram o epicentro da revolução tecnológica que mudou o mundo. Mudar-se para São Francisco foi como o Gold Rush de novo.

Agora, com a decadência econômica da Califórnia, altos impostos e alto custo de vida, o qual consequentemente resulta em salários mais altos que de outros estados para as empresas, esta realidade mudou. Ficou um local com pouca higiene e altos custos.

Empresas de tecnologia geram empregos. Além dos investidores que pensam em abrir uma startup, quem mais deve estar atento a esse movimento?

Carlo Barbieri: Nos últimos anos, vimos um aumento na economia dos “creators”. Junto com a explosão de NFTs e tecnologia blockchain, você já nota uma intersecção entre tecnologia, criatividade e arte que faz parte de um renascimento cultural.

Miami tem acesso direto a esse tipo de criatividade, já que Miami Art Basel é uma das principais feiras de arte do mundo, e traz até 4.000 artistas e mais de 260 galerias internacionais. A indústria criativa e das artes de Miami pode se beneficiar muito bem desse movimento.

No que tange a tecnologia, Orlando já tenha se tornado uma referência em outras áreas, fora entretenimento, nas áreas de medicina, tecnologia e até mesmo produção cinematográfica.

Seguramente os setores dependentes de IA (Inteligência Artificial), devem e precisam ficar atentos, pois são os principais beneficiários desta nova realidade na Flórida em geral e nestas cidades em particular. 

Um pequeno investidor consegue entrar nesse mercado? O que seria uma quantia modesta e mínima para se arriscar nessa

Em Orlando, por outro lado, a UCF Technology Incubator ajuda a desenvolver startups, e a The Hispanic Business Initiative Fund Florida fornece assistência bilíngue a aqueles que tentam estabelecer ou expandir seus negócios na área?

Carlo Barbieri: O estado da Flórida e, em especial, as cidades de Miami e Orlando, oferecem inúmeros incentivos e ajudas para quem quer começar um negócio. Só para dar uma ideia, Miami Beach oferecerá entre US$ 180.000 e US$ 240.000 para cada empresa qualificada que pretende criar novos empregos na cidade, e também, uma startup qualificada e focada em pesquisa e desenvolvimento pode usar um crédito contra US$ 250.000 por ano em impostos sobre a folha de pagamento. As empresas podem reivindicar o crédito mesmo que não paguem imposto de renda e independentemente de sua rentabilidade.

Em Orlando, por outro lado, a UCF Technology Incubator ajuda a desenvolver startups, e a The Hispanic Business Initiative Fund Florida fornece assistência bilíngue a aqueles que tentam estabelecer ou expandir seus negócios na região. A Florida High Tech Corridor Council também ajuda a desenvolver negócios de tecnologia da Flórida. O Programa BANC (Business Assistance for Neighborhood Corridors) do Condado de Orange fornece subsídios para pequenas empresas locais.

E, também existe o SBA (Small Business Administration). Um dos programas é Small Business Innovation Research (SBIR) e Small Business Technology Transfer (STTR), A Enterprise Florida também oferece o SBIR/STTR Phase 0 Grant Program. O SBA também oferece o 504 Loan Program, que ajuda empresários a encontrar lenders para fornecer um empréstimo ao negócio, tudo com o apoio e recomendação do SBA.

O prefeito de Miami, Francis Suarez, embarcou nessa ideia e fez campanha para que realmente o novo polo faça jus à comparação com o Vale do Silício. O senhor acredita que essa onda tecnológica diminuirá no curto prazo, é mais uma jogada de marketing, ou, é realmente promissora e veio para ficar?

 Carlo Barbieri: A pandemia continuou a ter um efeito borboleta nas migrações domésticas nos Estados Unidos, da Califórnia e Nova York  à Flórida. Cerca de 10-12 mil driver’s licenses estão transferidas do estado de New York para a Flórida, mensalmente.

De dezembro de 2020 a janeiro de 2021, Miami registrou uma migração líquida de 145%, enquanto a região da Área do Vale do Silício-Baía registrou migração líquida de -47,2%. Houve 40% mais mudanças para Miami do que fora de Miami em 2020 e 2,3 vezes mais pessoas se mudaram da Área da Baía de São Francisco em 2020.

A Flórida é um dos 9 estados que não cobram imposto de renda estadual. É significativo para um investidor que quer se aventurar por aqui? 

Carlo Barbieri: Muitos investidores que fogem do Vale do Silício estão se mudando para estados que não tributam renda pessoal, incluindo Flórida, Texas e Washington. Os impostos podem fornecer a alguns investidores uma nova razão urgente para deixar a Califórnia, particularmente se eles tiverem grandes ganhos, incluindo os obtidos no mercado de ações, por exemplo. Califórnia tem a maior taxa marginal de imposto de renda para pessoas físicas no país, que vai até 13,3%, para quem ganha em torno de $500,000.  

Como esse movimento de migração chega a fortalecer a Flórida, como um todo? Tampa e Orlando, por exemplo, podem ser beneficiadas? De que maneira? 

Carlo Barbieri: Orlando recentemente sediou o desenvolvimento de novos negócios com a Digital Orlando, e Tampa é o lar da Synapse, uma comunidade de inovação da Flórida que traz pessoas em tecnologia em todo o país para dois dias de seminários e oportunidades de networking.

A paisagem da Flórida é vibrante e diversificada e recentemente Tampa Bay foi classificada como uma das 40 principais cidades dos EUA para empreendedores e o mercado mais bem classificado para empresas de propriedade feminina.

O mercado imobiliário sentiu os reflexos dessa nova febre – as ofertas estão escasseando e os preços aumentando, e antigos moradores estão recebendo ordem de despejo porque os proprietários querem vender o imóvel – segundo a associação de corretores de imóveis. O que isso pode gerar a médio prazo, levando em consideração que Miami – uma cidade muito desigual – já vive uma crise histórica de moradia? E Orlando que tem o mesmo boom?

 Carlo Barbieri: É uma abertura que tem imóveis do sul da Flórida salivando. Desenvolvedores, corretores e proprietários de escritórios estão antecipando esse Gold Rush das Big Tech que se basearia no sucesso recente que Miami teve com empresas financeiras. 

Na parte imobiliária residencial, o aumento foi muito alto e poderá haver um reajuste nos preços imobiliários, mas não sofrerá como em 2008. Pessoas se deslocando do norte e com as taxas de juros muito baixas gerou uma maior demanda para casas, mas vamos ver logo em breve uma equilibrada nesses valores. 

Miami tem um problema de espaço, não existe muito mais para onde crescer mas não chega a ser como San Francisco que é bem mais apertada. Em Orlando, isso não é bem a realidade, pois há bastante terreno para se expandir dentro da cidade e principalmente nas suas redondezas.

Carlo Barbieri é consultor, jornalista, analista político, palestrante e educador, empreendedor, ativista cívico e líder de muitas organizações relacionadas ao Brasil, seu país de origem e CEO do maior grupo de consultoria para brasileiros nos EUA, o Oxford Group.

Formado em Economia e Direito com mais de 60 cursos de especialização no Brasil e no exterior, cursos estes realizados em diversas Instituições, como: Fundação Getúlio Vargas, Universidade Federal de Brasília, Universidade Mackenzie, Sorbonne, University of Chicago, Harvard e Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Flórida: península do Silício

Luciana Bistane

Miami tem levado a fama de “novo Vale do Silício”, mas não está sozinha na intenção de transformar a Flórida num polo global da indústria tecnológica. As políticas do governador Ron de Santis incentivando as empresas a migrarem para o estado e os altos custos operacionais na Califórnia estão colocando também Orlando e Tampa nesse mapa tecnológico. 

Miami leva a vantagem de ter praia e porto – o que favorece as importações e exportações. Em compensação, Orlando, por exemplo, tem espaço para crescer, o metro quadrado é mais barato e muitas empresas como a Amazon e a Tesla já têm na cidade depósitos de distribuição de produtos.

Mas como nem tudo são flores, acaba trazendo também efeitos indesejados, como o aumento dos preços de imóveis.” 

Os prefeitos também estão empenhados. O de Miami, Francis Suarez, vem proporcionando eventos e oferecendo incentivos para atrair startups e se refere a cidade como “Miami 2.0”. O de Orlando, Buddy Dyer, conversou com a gente e garante que “construir um sistema mais forte para a tecnologia se tornou prioridade”.

E a disputa pelas empresas de tecnologia tem outro concorrente de peso: o Texas, com a economia praticamente livre de regulações, inserida no conceito de não interferência do Estado, defendida pelo partido Republicano. 

Elon Musk, dono da Tesla e gigantes do setor, como a Oracle e a Hewlett-Packard, se mudaram para Austin, a capital do estado que já vem sendo chamada de Sillicon Hill´s – a Colina do Silício. Pelo visto, a briga é boa e vai render muitos frutos ainda.  

Mas, o que tudo isso tem a ver com os moradores dessas cidades? Por quê o B&B entrou nesse assunto? A resposta é simples: esse boom tecnológico movimenta a economia, o fluxo de pessoas, gera empregos mais bem renumerados e está criando novos nas áreas de logística, armazenamento e transporte de cargas. Mas como nem tudo são flores, acaba trazendo também efeitos indesejados, como o aumento dos preços de imóveis. 

O corretor de imóveis, Eraldo Manes, mostra quais os reflexos desse boom no mercado imobiliário. O economista, Carlo Barbieri, indica os setores que devem estar antenados para surfar nessa onda tecnológica e dá o caminho das pedras para os pequenos investidores que querem entrar nesse mercado. E o empresário, Alex Colombini, dono de jornal, que trocou Boston por Orlando, aponta os fatores fundamentais para que o trabalho remoto dê super certo.