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Geração Z e a satisfação no ambiente de trabalho

Jean Chamon

A o longo do tempo a população humana cresce e se expande. Para os estudos comportamentais e sociais usa-se o termo Geração para classificar e descrever um grupo de pessoas com idades similares em um período influenciados pelas mesmas circunstâncias sociais. Estudos apontam que os indivíduos que vêm da mesma geração têm um modo de pensar parecido em consequência de viver as mesmas experiências econômicas, culturais e políticas.

Essas similaridades do modo de pensar influenciam diferentemente as atitudes e comportamentos de cada geração. Concomitantemente, no mundo do trabalho, três gerações estão tendo que trabalhar juntas, sendo elas os “Baby Boomers” (nascidos depois da Segunda Guerra Mundial), geração “X” (1965-1976) e geração “Y” (1977-2000). Atualmente, a Geração “Z”, (nascidos a partir dos anos 2000, alguns estudos incluem os que nasceram após 1995) começa a se juntar ao mercado de trabalho.

O século XX apresentou novos desafios como o aumento em mais de trinta anos de expectativa de vida, estimando que em 2050, 22% da população terá mais de 60 anos. As inovações tecnológicas cada vez mais rápidas bem como a visão de autodesenvolvimento do ser humano para lidar com essa nova realidade. 

A geração “Z” é conhecida como um grupo de pessoas que nasceram em um mundo digital na qual as tecnologias têm um grande impacto nas atividades humanas estando a tecnologia intrínseca em suas personalidades. Alguns estudos descrevem essa geração como conectada, comunicativa, centrada em conteúdo, computadorizada, orientada pela comunidade, e como a geração de mudanças, também chamada geração “C”. 

Outra característica é a presença constante de criatividade e inovação com acesso a informações ilimitadas. Com tantos estímulos e acesso ilimitável à informação, a geração “Z” tende a ser mais focada a tarefas, a ter muitas opções de escolha, ser mais educada e sofisticada, também gosta de prestar sua opinião com sinceridade. Tem uma excelente habilidade de absorver informação e de realizar diferentes tarefas e ser mais produtiva. No entanto, a geração também tem a tendência a mudar facilmente algo, quando não está gostando, ou seja, acaba tendo dificuldade de comprometimento com uma organização. 

De outra forma, pesquisa realizada em 2021 pela CCB (Carson College of Business) com mais de 1000 trabalhadores da geração “Z” indicaram que:  

• Eles se preocupam muito com sua carreira. Eles são preocupados com o crescimento na carreira, têm altas ambições, mas exigem um ambiente estimulador e querem ser reconhecidos por seu trabalho. 

• Eles estão preparados para voltar aos escritórios – A maioria da Geração “Z” já nasceu com as telas e tecnologias em suas mãos. Porém com a pandemia, eles estão apresentando alguns prejuízos a saúde mental pelo trabalho remoto. Comparados as gerações mais antigas, a geração “Z” tem mais chances de ser impactados pelas distrações, alteração de foco e desbalanceamento entre trabalho e qualidade de vida que o trabalho remoto tem gerado. 

• O valor organizacional importa – 83% dos entrevistados relataram que querem trabalhar em uma empresa onde possam impactar e contribuir positivamente para o mundo. E 75% relataram que eles valorizam um equilíbrio saudável entre trabalho e vida. 

• Eles são preparados e prontos para o trabalho. Eles trazem habilidades técnicas e criatividade para o ambiente de trabalho. Eles são tecnologicamente hábeis, são mais criativos e desenvolveram maiores habilidades de ciências, matemática e tecnologia. 

• Eles são otimistas em relação ao futuro – 68% dos entrevistados estão otimistas em relação ao futuro mesmo após a pandemia. Se os empregadores forem leais com os funcionários, trabalharem para a reputação de suas marcas e ajudá-los a desenvolver seus talentos eles alcançarão uma melhor performance. 

Segundo a mesma pesquisa do CCB  para que os líderes empresariais consigam atrair e reter os talentos da geração “Z”, é importante reconhecer os valores e as expectativas dessa geração. Segue um resumo das suas principais expectativas: 

• Desejo de fazer um impacto positivo 

no mundo (83%).

• Ter uma ambição e altas perspectivas (79%).

• Equilíbrio saudável entre trabalho 

e qualidade de vida (75%).

• O desejo de trabalhar em uma empresa cujos valores estão alinhados com os seus (70%).

• Gratificação pelo trabalho bem desenvolvido (63%).

• Poder ser promovido rapidamente (63%).

É preciso estar atento a essas transformações, pois inclusive já estão alterando o ambiente de trabalho, considerando que os “Baby Boomers” estão se aposentando e a demanda pela geração “Z” vai aumentar consideravelmente. As empresas precisam elaborar estratégias para entregar o que a Geração “Z” espera e trazer o melhor deles para o mundo do trabalho. 

A geração “Z” se motiva com trabalho significativo querendo influenciar tudo o que fazem. Gostam de fazer escolhas e de se expressarem. Tem atitudes mais leves e descontraídas. Assim sendo, conhecendo as características nessa nova geração, as empresas e os líderes podem inserir mudanças em sua cultura organizacional para que esses novos entrantes no mercado de trabalho performem em todo seu potencial, e uma vez que eles estão satisfeitos e motivados, as empresas conseguirão uma retenção maior desses profissionais. 

Positividade Sempre! Forte abraço.

Qualidade de vida é pauta na Flórida

Nereide Santa Rosa

Conheça essa brasileira que está se tornando uma referencia no tema tão necessário e atual sobre aquecimento global e melhoria da qualidade de vida. Patricia Fraga, moradora na Flórida, é mãe de 5 filhos, arquiteta e urbanista, escritora, palestrante internacional, professora, PhD em arquitetura e possui PhD (ABD) em Educação. Fundadora e Chief Happiness Officer na Abayomi LLC, diretora executiva na Abayomi Academy e presidente da Planeta Etica Inc, tem experiência multidisciplinar e intercultural, navegando na Engenharia, Construção, Tecnologia, Educação, Educação a Distância, Cidades Inteligentes, Sustentabilidade, Promoção da Felicidade, Pesquisa e Inteligência, entre outras. 

Nereide: Conte para nossos leitores sobre seu percurso profissional e como foi a sua opção de vir morar na Flórida? 

Patricia: Desde criança, eu já demonstrava interesse pelos temas relacionados ao urbanismo e à arquitetura. Me lembro que, aos 11 anos, desenhei uma “cidade ideal” e, ao entrar na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFBA, anos mais tarde, descobri que havia desenhado uma “cidade-jardim”. Também sempre fui muito inquieta em relação a conhecer o mundo, outros idiomas e outras culturas. Estudei inglês, francês, espanhol, catalão e japonês, dança afro, flamenco, ballet e capoeira. Na adolescência, participei de grupos de acolhida a estudantes de intercâmbio que chegavam na Bahia. Recebemos uma estudante da Costa Rica que passou a ser minha irmã, mais tarde minha comadre e vive em Maryland. Nunca fui apenas arquiteta e urbanista. Meu sangue estava ligado à educação. Com pais educadores, fiz meus estudos na faculdade de arquitetura e minha prática na faculdade de educação. Participei do programa pioneiro em Educação a Distância no Brasil, pela Faculdade de Educação da UFBA em 1990. Ao concluir o curso, queria morar em outro país, viver uma experiência internacional e fui aceita no Doutorado na Universidade Politécnica de Catalunha, aos 21 anos e me mudei para Barcelona. Um ano depois de me mudar, meu irmão mais velho faleceu, decidi voltar para Salvador e fiquei na ponte-aérea por mais 2 anos. Ainda realizando o doutorado, comecei a dar aulas em cursos de pós-graduação, depois entrei para a universidade e segui a carreira acadêmica com docência e pesquisa em diferentes universidades no Brasil e no exterior, paralelamente à carreira de consultoria nos temas de ambientes, educação e tecnologia. Em 2014 nos mudamos para Maryland com o objetivo de dar uma oportunidade para os filhos de viver outra cultura e aprender o inglês. O que seria temporário já leva mais de 7 anos e virou permanente. Em 2018 nos mudamos para a Flórida pelas oportunidades de trabalho, para ficar mais perto do Brasil e fugir do frio. Continuo trabalhando com arquitetura, urbanismo, tecnologia e educação através da Abayomi LLC e da Abayomi Academy em contato com profissionais dos quatro cantos do planeta.

Patricia Fraga

Nereide: Sobre seus projetos literários que envolvem sua família, como foi esse processo de descoberta sobre ser arquiteta, escritora e produtora? 

Patricia: Meus pais, Nívea Rocha e Fernando Floriano Rocha, eram escritores e herdei deles essa paixão. Meu pai escreveu seu primeiro livro técnico quando tinha 19 anos e ainda estava entrando na universidade. Eles sempre foram minha inspiração e principais apoiadores. Eu gostava de escrever contos e poesias, mas só fui começar a publicar depois de concluir a faculdade. Comecei publicando textos para o jornal A Tarde de Salvador sobre Educação Ambiental e Urbanismo, há mais de 25 anos. Publiquei diversos artigos científicos em português e alguns em inglês e artigos para livros também. A parceria com meus pais me levou a me inserir ainda mais nesse meio. Eu gostava de saber o que estavam fazendo, aprender e contribuir. Colaborei nos 17 livros da coleção “Educação, Desenvolvimento Humano e Responsabilidade Social: fazendo recortes na muldisciplinaridade”, realizada por minha mãe ao longo de 15 anos. Ela também foi a responsável por inserir meus filhos nessa jornada de autores. Foi com ela que eles começaram a escrever o “Planeta Ética” entre 3-11 anos de idade. E não pararam mais. Acredito que o incentivo e o exemplo da família contribui para despertar o amor pela leitura e pela escrita, como outras habilidades também.

Nereide: Conte sobre a Abayomi e sua proposta sobre Cidades Inteligentes.

Patricia: Meus interesses na arquitetura e no urbanismo eram voltados para a sustentabilidade e o bem estar, desde criança, quando desenhei a tal “cidades-jardim”. As pesquisas na área da tecnologia e da construção despertaram o interesse pelo estudo das Cidades Inteligentes. Mas o fato de ser denominada “inteligente” e focar exclusivamente em tecnologia, me incomodava. Em 2014, logo após me mudar para os Estados Unidos, comecei a estudar as Cidades Felizes e desenvolver uma análise crítica sobre estes conceitos. Em 2018 tive a oportunidade de apresentar minhas ideias na Assembléia de Cidades Inteligentes na Georgetown University, com a proposta de evolução do conceito de Cidades Inteligentes para Cidades Inteligentes e Felizes e esse foi o começo do que hoje é a Abayomi – uma empresa de consultoria voltada à promoção de ambientes que além de fazerem o uso mais inteligente dos recursos disponíveis, ajudam a promover a felicidade das pessoas. A Metodologia Abayomi foi desenvolvida a partir de anos de estudos e discussões com uma equipe de profissionais multidisciplinares, a maioria brasileiros, e “costurada” juntamente com meu amigo e colega arquiteto, Arnaldo Lyrio, do Rio de Janeiro. Nessa metodologia, a análise dos ambientes envolve não somente a parte física do espaço, mas é complementada com proposta de gestão inovadora, de comunicação, de relações humanas e de saúde e bem estar. Após a pandemia, a discussão sobre promoção da felicidade a partir dos ambientes tem se intensificado ainda mais. As pessoas não querem apenas morar em uma casa legal ou ter um trabalho que pague bem. Elas querem ser felizes nas suas casas e nos seus trabalhos. E a Abayomi ajuda a conquistar esse ambiente. Por ser um tema muito novo e haver uma demanda muito grande por educação, surgiu a Abayomi Academy, uma associação de membros sem fins lucrativos com o objetivo de cuidar da parte educacional e de pesquisa relacionadas a essas temáticas. Entre as atividades que a associação oferece, temos a revista SHE – Smart & Happy Environment, que reveza publicação em português e inglês e o blog disponível para os associados, com matérias e contribuições de profissionais internacionais multidisciplinares. Cursos de certificação nos temas também são oferecidos para membros, profissionais em geral e empresas.

Nereide: Quais as próximas atividades que vocês vão realizar? 

Patricia: Em novembro, a Abayomi Academy estará realizando o II Smart Cities, Happy Citizens World Summit 2021, online, promovido em parceria com o Instituto Happiness do Brasil (São Paulo), com o intuito de inspirar profissionais para esse novo mundo pós-pandemia. Teremos palestrantes de diversos países do mundo trazendo suas experiências e conhecimento. O evento acontece em português e inglês. Workshops presenciais estão sendo planejados para São Paulo e Salvador para novembro e outras atividades para 2022, incluindo países da Europa e Ásia no roteiro. A Abayomi está formalizando parcerias com investidores e empresários para a criação de novos empreendimentos no Brasil e nos Estados Unidos que já vão nascer baseados no conceito de ambientes inteligentes e felizes. 2022 promete ser um ano de muito trabalho, conexões e realizações.

Violência Doméstica nos EUA

Anna Alves-Lazaro

A violência doméstica é um crime com violência ou abuso em ambiente doméstico, como em coabitação ou casamento. Frequentemente usada como sinônimo de violência por parceiro íntimo, que envolve um cônjuge ou parceiro íntimo. Porém, pode acontecer a qualquer pessoa de qualquer idade e pode ocorrer tanto em relações heterossexuais como em relações homossexuais. A violência doméstica também pode incluir violência contra crianças, pais ou idosos e pode assumir várias formas, incluindo abuso físico, verbal, emocional e sexual.

O agressor geralmente acredita que o abuso é um direito, aceitável, justificado ou improvável de ser denunciado. As vítimas, muitas vezes, sentem-se presas pelo agressor em situações de violência doméstica por meio do isolamento da família e amigos, falta de dinheiro, medo, vergonha, aceitação cultural, poder e controle.  As vítimas podem desenvolver deficiências físicas e problemas crônicos de saúde, bem como distúrbios psicológicos graves.

Nos Estados Unidos, cerca de 10 milhões de pessoas sofrem violência doméstica todos os anos. De acordo com a Coalizão Nacional contra a Violência Doméstica, cerca de 20 pessoas por minuto são abusadas fisicamente por um parceiro íntimo. Cerca de 1 em cada 4 mulheres e 1 em 9 homens experimentam violência física grave pelo parceiro íntimo, violência sexual e / ou perseguição do parceiro com lesão, PTSD, contração de DST, etc.

Se você ou alguém que você conhece é vítima de violência doméstica, vários recursos estão disponíveis para ajudar.  

Ligue para a Linha Direta Nacional de Violência Doméstica em 1-800-799-SAFE (7233). Em Orlando, Flórida a  Hope & Justice Foundation atende vítimas de violência doméstica através de equipe multidisciplinar com profissionais licenciados na área de aconselhamento, saúde e jurídica. Além de oferecer Programas de suporte às vítimas.

Entre em contato com a Hope & Justice Foundation através do e-mail: contact@hopeandjusticefoundation.org e conheça os serviços e programas oferecidos. 

Quebre o silêncio, busque ajuda! 

8 dicas poderosas para lidar com a “montanha russa” da vida

Eliana Barbosa

Na vida, uma hora a gente ganha, em outra a gente perde. Normal. Porém, a forma como encaramos cada etapa é que faz a diferença.

Por isso, compartilho aqui como você pode lidar com os naturais altos e baixos da vida:

1. Sem dramas

Nada de se ‘descabelar’ diante das crises. Nesses momentos, ter autocontrole vai lhe trazer clareza para encontrar a melhor solução. 

2. Plano B

Em seu cotidiano, seja sempre otimista, esperando o melhor, mas também realista, preparando-se para o pior (caso aconteça). Ou seja, tenha sempre um Plano B, para cada área de sua vida. 

3. Ganhos e perdas

Entenda que mudar faz parte do jogo da vida, e se você não decidir mudar por conta própria, acabará mudado pelas circunstâncias. Então, prepare-se para os ganhos e as perdas inerentes às mudanças. Quanto maior o preparo, menores as frustrações!

4. Chega de usar “mas…”

Para vencer nesse jogo, é preciso que você dê um basta às desculpas que o impedem de agir. Pare de ficar dizendo: “… mas isso é difícil!”, “…mas não vou conseguir!”, “…mas ele não me valoriza!”

5. Mude suas perguntas

Ao invés de ficar se perguntando “Por que isso aconteceu comigo?…”, “E se eu tivesse sido mais amado?”…, saia do passado – que você não pode mudar -, e mire-se no futuro: “O que eu posso fazer para isso não acontecer mais?” ou “Como posso expressar meu amor por mim mesmo?”

6. Gratidão

Em tempos de ventura, agradeça e desfrute das bênçãos. Em tempos de crise, coloque foco naquilo que, apesar de tudo, ainda está bem em sua vida, valorize cada acontecimento e seja grato! Tudo passa mais rápido quando você para de reclamar do que falta e começa a agradecer por tudo que tem. 

7. Perdão

Para se libertar de uma fase ruim e caminhar para tempos felizes, disponha-se a perdoar – a si mesmo por escolhas erradas e àqueles que o feriram ao longo da vida. Lembre-se: o perdão faz tão bem para a sua saúde que, mais do que um ato de misericórdia, é um ato de inteligência e de amor-próprio!

8. Pense no benefício 

No jogo da vida é preciso saber perder com dignidade e positividade, encarando cada problema como a semente de um grande benefício. Dias melhores virão, com certeza!

A importância do planejamento financeiro

Ilton Caldeira

Você já deve ter ouvido falar que ter um planejamento financeiro é algo extremamente importante para a vida em suas mais diferentes fases.

Quando o assunto é viver no exterior, seja em que país for, esse planejamento ganha um peso ainda mais relevante e fundamental. Se para realizar uma mudança de endereço em um mesmo bairro, na mesma vizinhança já conhecida planejar é necessário, imagine para  realizar uma transição de vida para um outro país.

Para minimizar surpresas negativas, o planejamento de um modo geral é extremamente importante. Isso vale para quem vai trabalhar, estudar ou desenvolver negócios em outra parte do mundo.

Informe-se sobre os custos como moradia, alimentação, transporte e seguro de saúde para viver na cidade escolhida. Tenha recursos para se manter por alguns meses até estabilizar sua vida no novo país. 

Reserve dinheiro para qualquer emergência e garanta tranquilidade durante o período de transição. Procure conhecer as regras fiscais federais e locais antes de começar uma nova vida. Isso pode te poupar tempo, dinheiro e dor-de-cabeça

Quando se pensa sobre a necessidade de ter uma reserva monetária e adequar os gastos, significa que ter um planejamento financeiro é viver dentro do seu orçamento. Não adianta pensar em viver o hoje, e quando o amanhã chegar ter a percepção de que a realização de alguns projetos ficaram comprometidos por lacunas na execução do fluxo do orçamento.

É sempre importante ter em mente que colocar em prática um planejamento financeiro e a construção de uma reserva não significa não consumir, mas consumir com consciência ou adiar algum tipo de consumo para um momento mais favorável no futuro. Assim pode ser possível construir um colchão de segurança que permitirá a aquisição de bens e serviços em melhores condições para negociar preços.

Em um país como os Estados Unidos, com cenário econômico um pouco mais estável e até certo ponto mais previsível, essa disciplina e planejamento financeiro fazem ainda mais sentido seja para quem já vive no país ou para quem planeja essa transição.

Todos sabemos que os Estados Unidos exercem há muito tempo uma forte influência no imaginário coletivo de milhões de pessoas no mundo todo. A presença americana em dezenas de países se dá por meio de tendências, tecnologia, marcas, produtos, música, moda, estilo de vida, cinema e mais recentemente, nas últimas décadas, pelas inúmeras séries de TV.

Sendo assim, dentro desse contexto propagandeado a todo momento, o país também é o destino mais procurado do mundo para pessoas que buscam melhores condições de vida e novas oportunidades de emprego, educação, segurança, entre outros.

Os brasileiros não diferem muito desse perfil imigratório e enxergam na maior economia do mundo uma oportunidade para realizar o sonho de uma nova vida, seja temporária ou definitiva.

Quando planificamos a vida financeira conseguimos enxergar melhor as metas e equalizar os desejos dentro das  reais possibilidades, mitigando riscos.

Um planejamento adequado poderá trazer a tranquilidade de que a execução dos projetos de vida ocorrerão e terão maiores possibilidades de sucesso sem danos ao seu orçamento e ao de sua família.

Uma dose de risco calculado

O Boteco

Com a experiência de proprietário de restaurante em polos turísticos como Nova York e Búzios, o empresário José Márcio visitava Orlando, durante a pandemia, quando vislumbrou a oportunidade de assumir a operação de uma casa que já funcionava no coração da International Drive, a uma quadra do Orlando Premium Outlets: o Boteco.

“Foi uma visão de grande risco, porque não dava para saber quando seria o final da pandemia. Mas sabia que esse dia chegaria. E o que são os negócios, senão feitos de riscos?”, revela o empresário, que acumula mais de 30 anos no setor de turismo e comércio.

José Márcio conta que, mesmo atuando em locais tradicionalmente turísticos, sempre se dedica à construção de uma sólida base local de clientes. “É fundamental agradar o morador. É ele que vai falar bem do seu negócio, gerar boca a boca”.

E foi justamente essa direção que fez com que o Boteco venha crescendo sustentavelmente desde que o empresário assumiu os negócios. “Com boa música ao vivo, comida saborosa e transmitindo jogos de futebol, nossos clientes se sentem em casa. São grupos que acabam interagindo entre si para celebrar”, é como a gerente Marry Rua descreve o tom animado dos frequentadores da casa.       

Entre os preparativos para a esperada chegada dos visitantes à cidade, estão previstas a realização de parcerias com empresas de turismo, a colocação de mais mesas na área externa, o melhoramento da estrutura interna, a ampliação e o treinamento de equipes e o fortalecimento da marca online. 

José Márcio se diz feliz com a decisão do governo de retirar a exigência de quarentena. Realista, porém, aponta a escassez de mão de obra e restrições de diversas naturezas para a fabricação de produtos como um dos maiores obstáculos a serem contornados.

“Em função da pandemia, há importantes gargalos logísticos que precisam ser resolvidos, mas que impactam diretamente nas cadeias produtivas das diversas indústrias ao redor do mundo. A redução na produção tem gerado escassez de produtos e aumento de preços. Além do mais, as companhias aéreas encontram dificuldades para atender a demanda reprimida e isso impacta diretamente os negócios em Orlando”, avalia.

Convidado a estimar uma data para o retorno à normalidade, o empresário aposta que “em seis meses tudo deve estar normalizado”, mas alerta: “isso sem a ocorrência de novos fatores, tais como variantes do vírus que escapem das vacinas, ou mesmo, quem sabe, uma pandemia provocada por outro vírus?”

“A lição que se tira da pandemia é a de que nada é certo na vida, que nenhuma cidade é blindada. Ficou mais claro do que nunca que a chance de os negócios sobreviverem e prosperarem em crises depende da capacidade de se operar com custos muito bem controlados”, conclui.

Aposta no sabor brasileiro

Jimmy Pizza

Se a pandemia apareceu para muita gente como crise, levando muitos empresários a fecharem seus negócios, houve quem, munido de muita coragem, enxergasse uma oportunidade ímpar para se lançar no mercado.

Esse é o caso de Jimmy Gomes, que em fevereiro de 2021, abriu uma pizzaria que leva o seu nome, na International Drive, e que, desde então, tem visto seu negócio crescer de forma sustentável. 

“Quando assumimos a operação, a receita não pagava os custos. Mas tenho certeza que fizemos a coisa certa. Hoje, com muito trabalho e paixão, conseguimos triplicar nosso faturamento. E agora estamos nos estruturando para atender a tão esperada volta dos turistas à cidade”, conta o empresário.

Jimmy conta que sua pizza tem o sabor da boa pizza de São Paulo – ele acumula mais de 20 anos à frente de fornos de estabelecimentos de alto padrão e, desde que abriu, tem atendido basicamente o público local, sendo composto por 90% de brasileiros e 10% de americanos, para os quais já tem sabores adaptados no seu cardápio.

Como está localizado muito próximo ao Orlando Premium Outlets, ele sabe que a vocação do seu ponto é iminentemente turística e portanto aguarda com muita expectativa a chega dos novos visitantes.  

Quando perguntado que estratégias tem em mente para servir essa nova demanda, Jimmy afirma: “estamos produzindo folhetos para distribuição; dobrei a capacidade produtiva de nossos fornos, e finalmente consegui trocar o letreiro, que ainda estava com o nome de estabelecimento anterior”.

E as ações do dublê de empresário e pizzaiolo não terminam por aqui. Trabalhando com uma equipe reduzida e com recursos escassos, Jimmy, tem reformado paulatinamente o seu salão, “para torná-lo uma combinação equilibrada entre o moderno e o clássico, que combine com os sabores que oferecemos”.

Além disso, fez parcerias com uma empresa de logística o delivery de pizzas. Ele revela que a entrega não pode exceder 10 milhas, para que a pizza não chegue fria e comprometa a qualidade, e também passou a trabalhar com os aplicativos Uber Eats e DoorDash. 

Com todas essas ações, após o retorno dos turistas à cidade sem a necessidade de quarentena, Jimmy espera passar a abrir de domingo a domingo e a obter um crescimento na ordem de 30% nos três primeiros meses.  

“Vejo que o turista adora a cidade e suas atrações, mas é muito comum que estranhe as opções gastronômicas americanas. É aí que a gente entra, oferecendo uma pizza com matéria prima italiana e feita com muita paixão”, enxerga o empresário.

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Satisfeitos com os resultados

Edro’s Salon

Inaugurado em outubro de 2020, o Edro’s Salon, localizado no coração turístico da International Drive, é outro bom exemplo de empresa que nasceu durante a pandemia e, na contramão do que poderia esperar uma análise precipitada, vem mostrando que a aposta valeu à pena. 

Fundado por iniciativa dos brasileiros Edson Batistel e Leandro, o salão cresceu 120% em um ano. “Nosso movimento começou a melhorar com o início da campanha de vacinação nos Estados Unidos. Agora esperamos que haja um novo boom, mas reconheço não tem sido fácil encontrar profissionais com as qualificações que desejamos para acompanhar o esperado crescimento na demanda”.  

Para os empresários, as constantes altas do dólar frente à moeda brasileira devem atrapalhar o turismo de menor renda, que tipicamente vem com o objetivo de passear em parques. Por isso, eles também consideram que, quando a quarentena deixar de ser exigida, o perfil de visitantes será majoritariamente de classe alta.

“A abertura se dará em um momento oportuno, no início da alta temporada. Muitas clientes vêm passar o final de ano por aqui, visitar suas propriedades e se não estiveram antes por aqui é porque não queriam ter de cumprir quarentena”.

Mesmo sem experiência empresarial prévia, Leandro ressalta que fazer gestão no mercado americano não é muito complicado. “Aprendemos como empresariar no dia a dia mesmo. Vejo, por exemplo, como por aqui, ao contrário do Brasil, fica fácil encontrarmos produtos de alta qualidade a um preço acessível”.

Leandro conta ainda que o fato de ter aberto durante a pandemia não trouxe nenhuma vantagem específica. “Não tivemos desconto na locação do espaço nem para equipar o salão”, mas sabia que, com sua experiência profissional, que inclui anos de bancada no Brasil e, mais recentemente, em Miami, eles iriam prosperar em Orlando. 

Hoje seu público é composto por 60% de brasileiras, 20% de americanas e 20% de hispânicas. “Notamos que o público brasileiro aumenta pelas recomendações pessoais, o tradicional ‘boca a boca’. Já a consumidora americana opta pelo salão pelas avaliações que encontra no Google”, conta Leandro.

O profissional avalia que não tem a pretensão de concorrer com salões americanos com o Edro’s, ao mesmo tempo em que revela que a cliente brasileira é visivelmente mais exigente que a americana, a quem considera bem mais fácil de agradar. 

“Investimos em qualidade. Não queremos ser o maior salão brasileiro nos Estados Unidos, mas sim um salão de referência. O mercado de beleza e estética no Brasil é muito mais dinâmico. Nós sempre trabalhamos em grandes salões, e na bagagem trazemos um histórico de cursos feitos em Paris, Nova York, Milão, Buenos Aires, Rio e São Paulo. Agora mesmo o Edson está indo ao Brasil para fazer um curso de atualização em mechas com o renomado Romeo Felipe”, revela.

Prateleiras Arrumadas

Yes Brasil

Antever o perfil do turista que deve chegar a Orlando a partir de novembro é fundamental para que a loja de produtos Yes Brasil, localizada na International Drive, e cuja clientela é composta por 90% de pessoas que visitam a cidade, consiga maximizar seu volume de negócios. 

Uma das decisões cruciais a ser tomada diz respeito à composição do mix de produtos da loja, para que esta oferta esteja o mais aderente possível ao perfil desse novo turista. 

“Acredito que, com as dificuldades econômicas vividas hoje no Brasil e com a forte desvalorização do real ao longo dos últimos anos, não veremos mais tantos turistas das classes C e D, e lidaremos quase que exclusivamente com um público com alto poder aquisitivo, que não vê problemas em pagar mais de mil dólares em um modelo recente de óculos da Gucci”, analisa o gestor Christian Moraes.

Christian conta que sempre foi um consumidor voraz de notícias, mas que, com a pandemia, se viu obrigado a ampliar consideravelmente o volume de veículos consultados.

“Sem exagero, procuro ler diariamente quase duas dezenas de jornais entre americanos e brasileiros, assisto ao noticiário no rádio e na televisão, busco sites de confiança para obter informações e conseguir tomar as decisões que possam impactar favoravelmente os nossos negócios”, conta o gestor.  

De fato, a definição do mix de produtos é apenas uma das decisões que são tomadas quase que diariamente na gestão da loja, que ficou fechada por 16 meses e foi reaberta ao público em julho de 2021. 

“Desde o início a gente vinha acompanhando a cobertura da pandemia. Mas quando, em março de 2020, soube que a Disney iria fechar, foi que me ative o quão profundamente a crise atingiria os nossos negócios”, relembra.

Christian reputa a correção das decisões tomadas até então à estrutura montada ao longo dos 32 anos da Yes Brasil no mercado. “Uma das coisas que optamos foi por não fazer um saldão do nosso estoque. Vi que muitas lojas fizeram essa escolha, mas sabíamos que uma hora a pandemia iria acabar e não poderíamos abrir as portas com as prateleiras vazias”.   

O gestor conta que os novos turistas que visitarem a Yes Brasil encontrarão agora basicamente dois tipos de produtos: os que tinham sido adquiridos pouco antes do fechamento das portas e os novos lançamentos.

“Nosso estoque vai atender o turista que já tinha a viagem contratada, mas que vem com um perfil de consumo mais racional, por conta da crise econômica e do câmbio. Já os novos lançamentos chegarão com preços consideravelmente mais elevados. Esses atenderão ao turista de alto poder aquisitivo, que não tem vindo a Orlando porque não queria fazer quarentena”, conclui Christian.

Recuperação deverá ser gradual

Carlo Barbieri

A reabertura dos voos entre o Brasil e os Estados Unidos fazem florescer novamente as expectativas de muitos dos negócios que têm nos Estados Unidos, em geral, na Flórida e Orlando em particular, e que têm um nível de dependência forte da presença de brasileiros.

Isso se vê em quase todos os aspectos da economia, desde o turismo receptivo: pessoas que  recebem os passageiros nos aeroportos, os que os dirigem dentro da cidade, e oferecem passeios independentemente dos parques de diversão.

Também como os prestadores de serviços em geral, como o aquecimento de piscina nas casas de férias de brasileiros e também ocorrerá aumento do valor da locação das casas assim como nos restaurantes e outros negócios locais.

O comércio em particular, é extremamente dependente dos brasileiros, particularmente aqueles que estão ou estavam habituados a tê-los como o seu grande cliente, pois os brasileiros compram em média de cinco a seis vezes mais do que os turistas que vêm do norte dos Estados Unidos ou inclusive que vinham da Europa quando as fronteiras estavam abertas. Isso lógicamente está criando uma grande expectativa.

Claro, que isto não vai acontecer de uma hora para outra nem na quantidade desejável. O Brasil que normalmente levava aos Estados Unidos cerca de um milhão e duzentos até um milhão e seiscentos mil turistas ao ano. Isso vai demorar um certo tempo para recuperar essa quantidade.

Espera-se mais ou menos algo em torno de mil passageiros por dia para os Estados Unidos, ou seja, 30 mil ao mês, porém contando que esses voos inicialmente estarão distribuídos entre Miami, Nova York e Orlando, teremos um aumento da presença brasileira boa, mas insuficiente para suprir as expectativas dos empreendedores brasileiros na cidade.

As outras companhias que atendem brasileiros, como a Copa Airlines e Avianca tratarão também de atender a demanda dos brasileiros, mas ainda serão insuficientes para todo o público desejado que ficou acumulado durante os últimos dois anos. Mas gradualmente esse fluxo volta a ganhar espaço e defrontando-se com a limitação das empresas de transporte aéreo que ao longo desse tempo encontrarão novas rotas.

As empresas brasileiras de aviação reposicionaram seus aviões para voos domésticos, que não podem ser desassistidos de uma hora para outra. A Azul já está levando seu pessoal para treinar nos EUA , de tal maneira que poderá voltar a voar a partir do dia 8 de novembro, diretamente para Orlando e outras companhias estão fazendo o mesmo.

Há que considerar também que a falta de pilotos nos Estados Unidos vai fazer com que as companhias aéreas que voam EUA-Brasil tenham também dificuldade, não só apenas pela falta de equipamento como também a disponibilidade de pilotos para suas aeronaves.

Outro desafio, para o florescimento do negócio com os brasileiros, que vão ganhar um espaço significativo a partir da reabertura, é a questão dos vistos.

Há uma quantidade muito grande de pessoas que tiveram seus vistos vencidos durante o período da pandemia. Os consulados americanos estão marcando visitas para a renovação de passaporte até o ano de 2023. O cônsul americano em São Paulo espera que deve levar em torno de três anos para acertar toda essa posição de vistos atrasados, além dos novos vistos a serem solicitados.

Ou seja, deverá haver um aumento significativo adicional de uma nova demanda para pessoas que não tinham vistos para os Estados Unidos, e a estruturação do consulado para atender tudo isso não ocorrerá de uma hora para outra, mas de qualquer forma haverá um aumento significativo de brasileiros voltando a viajar para a Flórida. E vale a pena lembrar que o que foi dito pelo próprio ex-governador da Flórida Rick Scott, de que apenas os turistas brasileiros representavam o emprego de 320 mil pessoas na Flórida. Logicamente, esse número deve voltar a crescer de forma significativa a partir de 8 de novembro.