Beti Rozen:  A arte de escrever para crianças

Nereide Santa Rosa

A escritora brasileira Beti Rozen está lançando o livro Sem Palavras em português aqui nos Estados Unidos. Residente desde 1991, Beti é escritora de sucesso internacional, reconhecida por seus textos inclusive adotados em escolas bilingues e junto aos programas de Português como língua de Herança.

Conheça sua trajetória: um exemplo para novos escritores brasileiros que vivem no exterior.

Nereide: Qual foi sua motivação para se tornar escritora de livros infanto-Juvenis?

Beti Rozen: Eu comecei escrever poesias aos 17 anos. Participei de concursos de poesias, tive alguns prêmios e meu primeiro livro de poesias Bolas de Sabão, em 1982. Em 1984, meu primeiro livro infantil foi Robinho, o Robozinho e outras Histórias, traduzidos para o chinês, hebraico e italiano, publicado em revistas infantis na China e Israel adaptado para teatro, em 1987. Em 1986, publiquei Tancredo Neves: Gente pra Gente Lembrar e Relembrar, sobre a vida do ex-presidente para crianças.

Em1988, foi editado o Diário de Uma Jovem em Israel, sobre minha vida naquele país. Vindo para os EUA em 1991, publiquei, em 1994, o meu primeiro livro bilingue, Um Coração Sem Dono no País das Trevas/A Heart Alone in the Land of Darkness, depois veio Stolen Spirit, Without Words pela Sem Fronteiras Press, que agora está sendo lançado em português, Sem Palavras, pela Underline Publishing, Annabelle: A Child on the Way (EUA), Two Continentes, Four Generations, Temos de Encontrar o Froggy. Minha motivação para escrever para crianças surgiu com um amigo escritor de livros infantis na época-Reynaldo Vallinho Alvarez. Ao escrever para crianças libertei a criança que sempre esteve dentro mim, e o meu imaginar. Nunca abandonei a poesia e recentemente tive dois poemas musicados por Jo M. Alcoforado.

Nereide: Como você escolhe o tema de seus livros?

Beti Rozen: Os temas variam sobre espiritualidade, temas brasileiros, história do Brasil, imigrantes e até inspirados na minha família como o Dois Continentes, Quatro Gerações.

Nereide: Conte um pouco de sua parceria autoral com seu marido Peter Hays.

Beti Rozen: Escrevemos diversos livros. Ele é autor teatral, com vasta experiência, e adaptou dois livros para teatro: A Heart Alone in the Land of Darkness e Stolen Spirit.

Nereide: Recentemente você lançou o livro Sem Palavras. Qual é a importância desse livro para os jovens imigrantes e filhos de brasileiros?

Beti Rozen:  O tema do livro Sem Palavras é direcionado aos que vivem entre dois países, os imigrantes, seus filhos, uns nascidos aqui e outros que vieram do Brasil e a sua adaptação no exterior. Como disse Daniel,  “considero um livro politicamente correto para crianças porque traz uma mensagem de alerta importante para os adultos sobre a importância de se combater o preconceito contra os imigrantes.”

Nereide: Quais são os seus planos futuros?

Beti Rozen: Pensamos na continuação do Dois Continentes, Quatro Gerações. O mundo está mudando, e nossos temas também. Por exemplo, eu e Peter usamos outros tipos de linguagem como a dança a partir de cenas do livro A Heart Alon, poemas musicados e teatro.

Nereide: Deixe uma mensagem para nossos leitores.

Beti Rozen: Através dos nossos livros, eu e Peter Hays passamos valores de elevação espiritual, como não nos apegarmos apenas aos valores materiais e a busca excessiva pelo poder. Começando pelas crianças e jovens, onde está o futuro de nosso planeta. Daniel Azulay contribuiu muito neste mundo com sua espontaneidade, alegria, ensinando as crianças a desenhar, colorir este mundo. E sou muito grata por um dia ter tido a oportunidade de conhecê-lo e ter ilustrado Without Words que agora sai em português com o título Sem Palavras.

Daniel Azulay, nossa homenagem ao desenhista recentemente falecido no Brasil.