A Arte do Cartoon entre os brasileiros

Nereide Santa Rosa

Ao longo dos anos, desde as primeiras décadas do século 20, a arte de desenhar cartoons avançou a passos largos e se tornou mais uma mídia para representar o cotidiano das pessoas de maneira leve, critica e divertida. Em tempos como os atuais, em que a comédia se torna limitada por tantos pré-conceitos, as tirinhas das famosas Histórias em Quadrinhos deliciam os leitores de gibis, revistas e jornais impressos.

O cartunista se inspira em temas cotidianos, e em poucas imagens, transmite mensagens ao leitor que podem variar desde aventuras, situações dramáticas ou cômicas, situações do cotidiano, caricaturas de personalidades, e muito mais.

Nos últimos anos surgiram personagens antológicos que se perpetuam para além de seus criadores: Mafalda, Kevin, Snoopy, Monica e Cebolinha, Garfield, e evidentemente, todos os personagens do universo Disney, a começar pelo Mickey.

Walt Disney e Carmen Miranda, em 1943, no Hotel Copacabana Rio de Janeiro

Durante a segunda guerra, em tempos de bom relacionamento entre Brasil e Estados Unidos, Walt Disney visitou o Rio de Janeiro. Na ocasião, ele conheceu o cartunista brasileiro J. Carlos que já desenhava na revista Tico-Tico. Reunindo-se com Carmen Miranda, outro ícone brasileiro da época, Disney criou o personagem Zé Carioca em 1943 nas salas do Hotel Copacabana Palace dizendo que era uma homenagem ao cartunista brasileiro.

O primeiro filme do Zé Carioca, Alô Amigos foi exibido em 1942, e o personagem se apresentava dizendo “Alô amigos, a vocês uma querida saudação, um gostoso aperto de mão. Amigos fazem assim, alô amigos”.

 

Aurora Miranda, irmã de Carmen Miranda no filme Los Tres Caballeros de 1944

O Zé Carioca ou Joe Carioca, como foi concebido inicialmente por Disney e sua equipe, teve a influência de um notório boêmio da noite do Rio de Janeiro, conhecido como Dr. Jacarandá, de quem Zé Carioca tomou emprestado o paletó, o chapéu e o guarda-chuva, e de um músico paulista, José Patrocínio de Oliveira, o Zezinho. A primeira história do Zé Carioca produzida para uma revista em quadrinhos foi O Rei Do Carnaval escrita por Carl Buettner para a revista Walt Disney’s Comics and Stories onde o personagem tenta conquistar uma jovem sambista inspirada em Carmen Miranda.

Em 1944, o roteiro das tiras de quadrinhos com Zé Carioca era escrito pelo norte-americano Bill Walsh e desenhado por Bob Grant e Paul Murry incluindo o personagem Panchito e do Pato Donald, no grupo conhecido como Los Tres Cabaleros.

Atualmente, a tira diária de jornal e, mais recentemente, os álbuns de quadrinhos constituem um veículo de arte sequencial. e o potencial dessa forma de arte foi ficando mais evidente em publicações vistosas para um público mais exigente.

As tirinhas são tipos de história em quadrinhos mais curtas, compostas geralmente de três ou quatro quadros e que na maioria das vezes circulam em jornais.

Os desenhistas de histórias em quadrinhos representam histórias de ação rápida nos desenhos dos movimentos dos personagens assim como nas palavras em diálogos rápidos e curtos, escritos em balões.

A história começa com uma situação, depois evolui para um problema e fecha com a solução pelos personagens. As palavras têm relação direta com a imagem.

Um dos maiores exemplos de sucesso de personagens de HQs são os super-heróis da empresa Marvel Comics, com fãs pelo mundo inteiro. A primeira HQ desse grupo foi lançada em 1939, mas o sucesso chegou com a popularização dos super-heróis Homem Aranha, Homem de Ferro, Thor, X-Men, criados por Stan Lee e Jack Kirby. Hoje os seus personagens se expandiram para além das revistas de HQs aparecendo em múltiplas mídias como games, filmes de cinema, aplicativos, brinquedos e muito mais. O mesmo sucesso alcançado por Mauricio de Sousa no Brasil e que atualmente já repercute nos Estados Unidos.

Capas divulgação Monica Adventures Editora Papercutz, 2019.

Em 2019, a exposição “Portraits of Monica” aconteceu em Los Angeles com a presença do cartunista Mauricio de Sousa. Os personagens de Mauricio representam o sucesso da Arte brasileira em cartuns. Os gibis em ingles com A turma da Monica Jovem da editora Papercutz, podem ser encontrados nas lojas de comics em New York. Sucesso do Brasil!

 

 

 

 

 

 

Personagem Tipzik, 2020, criado pelo cartunista brasileiro Clayton

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nereide Schilaro Santa Rosa
Pedagoga, arte-educadora e escritora especializada em Arte, História e Cultura. Escreve sobre arte-educação, biografias de artistas e exposições de artes. Atua como palestrante em instituições educacionais, organizações não-governamentais nos Estados Unidos e Brasil. Publicou cerca de oitenta livros, vencedora do Prêmio Jabuti em 2004 pela coleção “A Arte de Olhar”, e outros prêmios conferidos pela Fundação Nacional do Livro Infanto juvenil, no Brasil. Esta coluna é um espaço dedicado a comentar arte e divulgar artistas brasileiros(as) que trazem aos Estados Unidos sua contribuição para o cenário artístico mundial. nereideschilarosanta@gmail.com