A Despedida do Raciocínio Linear

Rafael Vergne Viana

Olá meus amores, caros e damas, queridos leitores. Interessante falar de amores em uma carta pública como esta, mas dedico o substantivo a uma classe que amo de verdade, o departamento dos amigos que por hora questionam a minha ausência momentânea deste periódico. O que sucede é que venho trocando de tarefas, dentro da minha atividade profissional principal, novos desafios, novas manobras, ações e reações, para lidar com este nosso “novo normal”. 

A grata surpresa é que a idade e a experiência começam a fazer as honras, e tais mudanças vêm acontecendo para bem melhor, e estou muito feliz, sou fã de boas notícias, e estarei pronto para compartilhá-las em minhas caixas privadas das redes sociais, assim que solicitadas. 

Então aí está a deixa, pode contactar, querido leitor. Como sou defensor dos meios impressos e participo com entusiasmo nestas manifestações escritas, não poderia deixar de fazer esta coluna se comportar como tudo que hoje há, de qualquer forma vou burlar minha falta e apresentar esta nova série de escritos intelectuais, estes que tenho bastante curiosidade sobre sua absorção por parte de vocês, meus queridos leitores. Mas, também tenho convicção da partilha destes assuntos por aqueles que nunca imaginariam que alguém pensaria de forma parecida. Que legal! Veja só, exemplo um:

Quando você está prestes a mudar de residência, aparecem desafios muito interessantes sobre as coisas que você dá ou não, importância. Se você mora sozinho, a coisa fica um pouco, somente um pouco mais branda. Mas se você mora com alguém, aí sim, tudo começa a ser questionado. Muito legal, vejam só!

O grande desafio é provar militantemente que aquele treco, que às vezes seu companheiro (a) nem sabe o que seria, é algo muito importante pra você, e merece ser baldeado de casa em casa, muitas vezes um objeto sem utilidade, mas por conta de um valor sentimental, aquilo te persegue anos e anos ocupando os mais variados espaço de sua casa. O problema é que o espaço nem sempre é somente teu! lol! 

Mas o que este exemplo tão comum e óbvio tem a ver com o título, que parece tão científico?

Vou resumir a ciência do pensar em nossas necessidades básicas, o pensar está em tudo, você pensa quando planeja, pensa quando está indo e pensa quando está voltando.  Você pensa sempre, às vezes isso lhe traz muito lucro, muita alegria e às vezes muitas outras coisas, enfim, você pensa!

E a forma de pensar tem suas variadas formas, e quando se fala de um pensamento linear, estou falando de quando você fala a seguinte expressão: Peraí! Vamos por partes! Ou senão você fala: fulano (a), vamos fazer sim, porém uma coisa de cada vez!

Engraçado, neh? Estamos sempre dividindo tudo em “filas imaginárias” em nossas mentes, para que cada necessidade seja pensada (processada) em seu devido tempo, e em sua devida prioridade. 

Okay, isso tem vários apelidos, como foco, organização, planejamento, etc. Mas tudo isso tem um nome, chamado Raciocínio Linear

Venho aqui defender a ideia de que um dia, não iremos mais pensar linearmente, e sim de forma multilateral. 

O que ocorre é que nós tendemos a recusar aquilo que não investimos pensando, como as coisas dos outros, dada a situação acima como exemplo, quando alguém que está com você perde o interesse em algo que pra você pode ser muito importante, ela simplesmente “não tinha pensado naquilo”.

Voltando a falar da fila do pensar, eu acredito que nós fomos fortemente influenciados pelos computadores, em nossa forma de agir e pensar.

Os pioneiros da informática, tinham um desafio, que é na realidade o principal desafio até hoje: trazer para o nosso cotidiano, a cultura da organização, baseado em escritórios, como o próprio nome em inglês deu a um conjunto de aplicativos, nós fomos moldado a pensar de forma linear, como os processadores fizeram por muitos anos, colocando uma tarefa de cada vez, em fila, para poderem ser computadas.

Apesar de nosso cérebro ainda ser o “computador” mais rapido (e também o mais subutilizado) do mundo, eu vejo que quando “pensamos” em fazer algo, quando utilizamos nossa cabeça para resolver alguma coisa, sempre tendemos a criar uma lista de prioridades, e ir resolvendo uma a uma.

No falar, onde o pensar muda tudo no jogo da vida, se você pensar linearmente, você pode acabar falando muita besteira, ou ser taxado como uma pessoa antiquada.

Acho que resolver as coisas de forma passo a passo, pode ser uma solução muito genial. Porém, acredito que precisamos ao menos saber, que os computadores que nos influenciaram no passado, com as suas tarefas em fila, por conta de limitações de capacidade, estes aparelhos evoluíram meu querido (a), eles evoluíram!

Assim como os computadores hoje são capazes de executar várias linhas de computação, em nosso caso raciocínio, pode ter certeza de que estamos aprendendo a agir e pensar como eles, já que hoje somos rodeados de equipamentos.

Uma dica de ouro com tudo isso, é que assim como você olha para os dois lados ao atravessar uma rua, te exorto meu caro (a) a “pensar” para os dois lados antes de falar algo, ou produzir algo, seja este algo um vídeo, uma foto, um meme, o que quer que seja. Pense de forma multilateral.

Não há mais espaço para o raciocínio linear neste mundo tão multi.  Não dá pra processar em partes, tudo que é atirado em nossas realidades de uma vez só. Em algum momento vamos responder, em algum momento vamos reagir; e a forma como vamos fazer isso, pode nos ajudar ou nos prejudicar.

Por isso, defendo o raciocínio multilateral, para pessoas públicas, com a supracitada, isso deveria ser obrigação, ao falar em público, deveria ser criado um filtro, onde o limite da razão, fosse supervisionado pela moral, pelo zelo daqueles que são diferentes de nós.

Já vi pessoas sendo “canceladas” por serem bem sem noção, esses foram evitados em certos grupos de amigos, ou estilo de vida.

O grande advento veio por conta de uma pessoa que estava bem mergulhada em seu mundo; e, talvez pela primeira vez, foi solicitada a se expressar, a opinar, a julgar, seu intelecto foi posto, ou melhor exposto à prova, e não houve tempo nem oportunidade de se avaliar no que tanto ato particular iria causar ao público.

Agradeço pelos milhões de espectadores que desviaram suas atenções da cena trágica que o mundo passa, para se reunir de frente à tv, para votar na moça que chocou o nosso Brasil, e ao mesmo tempo expõe uma realidade ignorada de nossas próprias deficiências internas, onde o número do desenvolvimento humano se mostra cada vez mais abstrato, e nossas lutas se mostram cada vez mais carnavalescas do que propositais, onde se protesta pelo avesso, e se grita pelo silêncio de nossas próprias razões, eu afirmo: se pensarmos de forma linear, todos nós seremos um dia Carol com K!

Deixo vocês com esta reflexão, espero que gostem, espero também que sejamos mais multilaterais todos os dias, ao falar, lembremos dos “diferentes” de nós, vamos focar em dar importância aos que não são de nossa total estima, vamos focar em respeitar os que nao são de dentro do nosso ciclo de amizades.

Vamos lembrar que hoje precisamos ser muito mais multilaterais, precisamos ofender menos, cancelar menos, e julgar menos.

Queria que cada voto daquele programa fossem os votos de uma nova administração, ou de algo que nos trouxesse algo relevante, algo para nossa nação. Até a próxima votação!

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