A difícil tarefa de educar filhos

Luciana Bistane

Filho não vem com manual de instrução, também não existem cursos que ensinem pais a educá-los. E quando a gente se depara com birra, falta de atenção ou atitudes que recriminamos, o que fazer? 

As gerações anteriores adotavam o castigo, o grito, a surra. Os adultos que tiveram pais bravos não se tornaram, obrigatoriamente, pessoas ruins, é verdade. Mas, os especialistas ensinam que um tapinha dói sim, e que castigar não é sinônimo de educar. As agressões físicas ou verbais marcam uma criança e podem trazer consequências, como deixá-los agressivos ou antissociais. 

Se o objetivo é impor limites – que eles tanto precisam – e ensinar como enfrentar conflitos, ter responsabilidade, respeitar o próximo e ser boas pessoas, as novas linhas de pedagogia ensinam o caminho.

Primeiro de tudo: a criança tem que entender o porquê da sua atitude ser recriminável; quais as consequências dos seus atos. Já os pais devem procurar saber porque o filho agiu daquela maneira. Queria chamar atenção? Está infeliz ou incomodado com algo? Está disputando com os irmãos? Ou está fazendo birra porque apenas está com sono, com fome, ou com algum outro desconforto físico ou emocional?

E para isso não há outra opção a não ser uma boa conversa, de preferência, num tom afetuoso para que a criança se sinta acolhida, só assim ela vai entender que apesar dos pais não terem gostado do modo que agiu, os sentimentos em relação a ela não mudaram.   

Se a criança estiver muito irritada, nervosa, descontrolada, o melhor é um abraço. Nada como um abraço para acalmar a situação e só aí, então, ter uma conversa, mantendo contato visual, se colocando à altura dela.

Para isso, os pais também precisam se preparar para não reagir intempestivamente. Nada como respirar e pensar um pouco antes de qualquer reação. E, claro, educar também exige paciência. Sim, talvez seja preciso repetir várias vezes a mesma mensagem. E o mais importante, exemplos valem mais do que sermões.

Para tratar desse assunto, o B&B deste mês ouviu a arquiteta Cláudia Sucena Patat e a bailarina Joice Henry. Elas contam como enfrentam os eventuais conflitos que surgem com os filhos. Em artigos assinados por elas, a pedagoga Renata Loyola, mãe de 3 filhos, e a psicóloga Gabriela Ribeiro Filipouski, especialista em crianças e adolescentes, também dão dicas importantes de como educar crianças saudáveis emocionalmente.

Boa leitura! 

A cultura do terror

A extorsão,

o insulto,

a ameaça,

o tabefe,

a bofetada,

o golpe,

o açoite,

o quarto escuro,

a ducha gelada,

o café da manhã 

obrigatório,

a comida obrigatória,

a proibição de sair,

a proibição de dizer o 

que pensa,

a proibição de fazer o 

que se sente,

a humilhação pública

são alguns dos métodos 

de penitência e tortura 

tradicionais na vida 

de família. 

Para castigo da 

desobediência e 

escarmento da 

liberdade, a tradição 

familiar perpetua uma 

cultura do terror que 

humilha a mulher, 

ensina os filhos a 

mentir e contagia a 

peste do medo.

Os direitos humanos 

teriam que começar 

em casa.

(Do livro “O livro dos abraços”, 

do escritor uruguaio Eduardo Galeano) 

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