A importância dos avós

Luciana Bistane

O mundo mudou muito nas últimas décadas e com ele a composição das famílias. Os filhos têm pai e mãe biológicos, adotivos; dois pais, duas mães, só mãe, só pai. O que não mudou em nada foi o posto dos avós.

Ok, com o ingresso em massa das mulheres no mercado de trabalho, muitos avós têm atualmente vida profissional e social muito mais agitadas. E mesmo os aposentados ou donas de casas também já não se encaixam no esteriótipo da velhinha de xale na cadeira de balanço. 

Hoje os idosos são antenados, conectados e se aventuram no mundo digital, muitas vezes, só para estar perto deles, os netos. Mas, algo em geral – do mais tradicional ao mais moderno – permanece intacto: o amor por esse filho alheio, que também é seu, duplamente seu. 

No poema a “Arte de Ser Avó”, Rachel de Queiroz nos lembra que “um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino…aquela criança, longe de ser um estranho, é um menino que se lhe é “devolvido”. E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito sobre ele, ou pelo menos o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário, causaria escândalo ou decepção, se você não o acolhesse imediatamente com todo amor”. 

…“A avó oferece a sedução do romance e do imprevisto. Faz coisas não programadas. Leva a passear, não ralha nunca. Deixa lambuzar de pirulito. Não tem a menor pretensão pedagógica. É confidente nas horas de ressentimento, o último recurso nos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia. Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há divisória entre o proibido e o permitido, antes uma maravilhosa subversão da disciplina”. 

Não é preciso ser especialista para saber o quanto tudo isso cativa uma criança. Casa de avó é mesmo porto seguro, fonte de afeto. Mas, e os psicólogos, o que dizem dessa liberalidade toda, desse amor sem limites, dessa cumplicidade incondicional? 

Em seu artigo para esta edição do B&B, a psicoterapeuta Eliana Barbosa, explica porque é importante os avós agirem alinhados com os pais das crianças. E aponta o diálogo com os netos como a melhor forma de explicar limites e impor respeito amorosamente. 

A empresária Monique Vasconcelos, que mora no Brasil, conta como dribla a distância dos netos que vivem nos Estados Unidos. Ouvimos também a dona de casa Recycla Passos, uma avó “old fashion”, daquelas que mudam até de cidade para ficar perto dos netos. Já o Marcello Pires ficou viúvo e ocupa o lugar da avó, mas teve que se adaptar aos costumes de outro país.  Você vai ver ainda o depoimento da Rosana Almeida, uma avó moderna e ocupada, mas que sempre dá um jeito de abrir espaço para o neto Lucas na sua agenda. São histórias diferentes que mantêm o poema de Rachel de Queiroz, escrito no século passado, mais atual do que nunca!

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