A Mortandade das Abelhas

As abelhas estão desaparecendo ràpidamente. No Rio Grande do Sul, mel é um dos principais produtos. Dezenas de milhares de apicultores dependem de mel para sua sobrevivência. Com a mortandade das abelhas, suas vidas estão sendo também destruídas.

Começou-se notando que as abelhas estavam desaparecendo. Mas elas não morriam, elas apenas não conseguiam retornar às suas colméias. Elas se tornavam desorientadas. E não conseguiam retornar às suas casas. Depois, morriam. Também se observou que as colméias começaram a desabar. A forma octogonal, uma estrutura de cera extremamente resistente,  começou a se tornar disforme, e as colméias desabavam.

No país vizinho, Uruguay, mel é um produto de exportação importante. Navios inteiros carregados de mel iam, historicamente exportados, para a Europa. De repente, os navios começaram a ser devolvidos. Os Europeus não queriam mel contaminado com agrotóxicos.

Portanto a suspeita que agrotóxicos estavam causando a mortandade das abelhas e a destruição, o colapso da atividade econômica dos apicultores foi iniciada. As evidências estavam presentes, mas não haviam provas. Sem provas, não seriam possíveis ações legais.

Então, enquanto eu estava em Porto Alegre, as provas foram encontradas. Cientistas mundiais comprovaram que quatro agrotóxicos causavam essa mortandade das abelhas. Além de abelhas, outros insetos eram afetados. Estima-se que metade das espécies de insetos estejam em processo de extinção, e outros 30% estejam ameaçadas. Mas voltemos às abelhas.

O problema agora passou a ser o trabalho para montar um caso. A base legal para acionar os responsáveis existia, inclusive com restituição não apenas retroativa, mas também proativa, ou seja, por danos econômicos passados e também futuros, visto que uma atividade econômica geracional estava sendo destruida. Mas como fazer isso?

Para início de história, as dezenas de milhares de apicultores são pequenos agricultores, trabalhando em pequenas áreas, tìpicamente da ordem de hectares, de um dígito, produzindo para consumo familiar e para trocas com vizinhos. A base legal para mover uma ação já existe, mas não teria nenhuma chance contra os gigantes produtores de agrotóxicos, que tem lobistas e bancadas na lama, e também os grandes fazendeiros, que dependem dos agrotóxicos para manter o modelo de agricultura prevalente no Brasil, monoculturista, em tremendas áreas, que chegam a centenas de milhares de hectares.

O Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH) tomou a iniciativa, com advogados voluntários, educar e organizar os apicultores quanto aos seus direitos. Não apenas os direitos civis e criminais, mas direitos humanos, de trabalhar, de vida. O MJDH procura também informar e educar a população em geral sobre a importância das abelhas no mundo. Albert Einstein, não foi qualquer um, caramba!, lembram, foi o pai da teoria da relatividade, o que previu a existência de buraco negros, o que agora recentemente, um foi fotografado, notícia que chegou às primeiras páginas de todos os jornais do mundo, afirmou em 1932, que as abelhas eram os seres vivos mais importantes no Universo. Elas morrem, e nós morremos. O seu trabalho, de polenização, é fundamental na cadeia produtiva. Outros insetos, como borboletas e moscas, fazem isso também, mas nenhum tão eficientemente como as abelhas. Alguém calculou, e eu recito de memória, que para produzir um litro de mel, as abelhas polenizam quarenta bilhões de flores. Ou seriam milhões? Tarefa de escritor não é moleza, mormente para aqueles leigos que escrevem de memória, mas penso que deu para entender, é um paco de flores. É um trabalho gigantesco dentro da cadeia produtiva de NOSSA alimentação. E estamos nos matando. É nosso suicídio coletivo. Qual a diferença entre burro e ignorante? O ignorante é só o que não tem informação. O burro é o que tenha a informação ou não, não sabe o que fazer com ela. No nosso caso, não há dúvida, somos todos, humanóides, ambos. Quadrúpedes. Um planeta com vida há pelo menos 3 milhões de anos que, em 15 mil, vamos destruir. E nos vangloriamos de ser a espécie mais avançada do planeta. Temos bombas para destruirmos uns aos outros, em auto-devastação, pelo menos mil vezes, e no processo, tornar o planeta inabitável, pelo resíduo radioativo dessas bombas, por mais alguns milhares de anos. Mas esse outro suicídio é mais silencioso.

Agrotóxicos não são o único motivo pela morte das abelhas, e de todos os insetos que estão desaparecendo. A redução das áreas de habitat natural é outra razão principal. Todos esses fatores estão ligados à destruição da biodiversidade e desequíbiro ecológico que a espécie humana causou desde que apareceu na face da Terra, há dezenas de milhares de anos. Considere que a vida na Terra tem bilhões de anos, e a vida no planeta alguns milhões, e conclua que nosso modus vivendi é insustentável.

Eu tratarei desse tema com a profundidade que merece nas próximas edições do JB&B, entrevistando especialistas em quatro áreas:

– Biologia, ecologia, e biodiversidade.

– Direito civil e criminal.

– Justiça e direitos humanos.

– Governo.

Aguardem. E não se desesperem. Sobreviveremos, mas será um meio ambiente tão degradado que alguém observando de cima sentirá pena.

About Jornal Brasileiras & Brasileiros