A vida sob a ótica do aposentado

Paula e Olivia, duas senhoras recentemente aposentadas, velhas amigas vizinhas do quinto andar do edifício Paraíso, em Jundiaí, SP, desdenham da coragem de Marcinha, uma viúva que morava no quarto andar, que após se aposentar foi morar nos Alpes, com um italiano que conheceu na Internet. Esta história poderia ser obra de ficção se estivesse me referindo a meados do século passado. Em 2020, isso é perfeitamente possível para quem acha que aposentadoria não é um fim; mas um recomeço.

Aposentadoria é uma pauta tabu que o B&B já tratou diversas vezes durante os 26 anos de história. Desta vez, convidamos personalidades conhecidas da nossa comunidade brasileira imigrante para compartilhar suas experiências de vida como aposentados.

Os convidados são brasileiros da primeira geração de imigrantes que deixaram o Brasil no início da década de 1990 para viver nos Estados Unidos. A maioria pôde contribuir de alguma forma com a Social Security, (equivalente ao INSS no Brasil), durante o período que trabalhou nos Estados Unidos. Agora,  podem gozar dos benefícios previdenciarios americano.

Desde outubro de 2018, -durante o Governo de Michel Temer-, existe um acordo assinado entre Brasil e Estados Unidos, que reconhece os benefícios de imigrantes que trabalham ou trabalharam nos dois países. De acordo com o site oficial do INSS, esses acordos internacionais de Previdência permitem a contagem do tempo de contribuição dos trabalhadores aos sistemas de Previdência Social dos países para a obtenção de benefícios previdenciários como aposentadoria por idade, pensão por morte e aposentadoria por invalidez, além de evitar a bitributação em caso de deslocamento temporário. O Brasil já tem os seguintes acordos bilaterais em vigência: Alemanha, Bélgica, Cabo Verde, Canadá, Chile, Coreia do Sul, Espanha, França, Grécia, Itália, Japão, Luxemburgo, Portugal e Quebec. Já os multilaterais são estabelecidos com países do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai) e países da península ibero-americana (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, El Salvador, Equador, Espanha, Paraguai, Peru, Portugal e Uruguai).

Cada país tem sua lei de cotas, medida através de pontos acumulados pelo tempo de contribuição. Com este assunto gera uma série de dúvidas, inclusive após a Reforma Previdenciária que acabou de ocorrer no Brasil, em 2019, recomendamos àqueles que ainda não se aposentaram ou que estejam pestes a se aposentar, a consultar um advogado previdenciário, já que esta matéria não pretende entrar nos assuntos técnicos ligados à Previdência.

Vamos focar na vida de quem já se aposentou nos EUA e saber como vivem com o novo status. Geralmente são mulheres acima de 60 anos de idade e homens com mais de 62, que desfrutam apenas dos benéficos mensais. Aqueles que já atingiram os 65 anos de idade, têm direito também ao Medicare, um sistema que ajuda nas despesas médicas, hospitalares e medicamentos.

A aposentadoria do imigrante é relativamente inferior a de um cidadão americano, que teve mais tempo para planejar seu futuro financeiro. É comum na idade adulta, geralmente ao final do high school, o trabalhador americano iniciar sua contribuição previdenciária, o que poderá lhe garantir um futuro estável. Para a maioria dos brasileiros aposentados, seus rendimentos não permitem uma vida confortável nos EUA. Muitos optam por regressar ao Brasil para viver melhor em reais através de sua pensão referente em dólares.

Com o aumento da expectativa de vida, em vez de ficar em casa de “pijamas”, algumas pessoas preferem dar um novo sentido em suas vidas. Recomeçam uma vida amorosa, voltam a estudar, praticam um hobby, viajam, etc. Há também aqueles que preferem ficar próximo da família, dos filhos para curtir os netos e não se distanciar da zona de conforto.

Quem não está com a saúde em dia planeja se cuidar mais. Inicia um programa de exercícios físicos, começa uma nova dieta alimentar, tenta parar de fumar, reduz a ingestão de álcool, ou seja, tenta pôr em prática todos os bons hábitos que sempre procrastinou durante sua vida profissional.

Atualmente, o aposentado tem a seu favor um universo tecnológico. O isolamento de um indivíduo da terceira idade somente acontece se a saúde não o permitir ou por livre escolha. Inúmeros aplicativos de vídeo conferência nas redes sociais estão aí para promover infinitas oportunidades aos idosos de se entreterem.

Se a aposentadoria começa em torno dos 60 anos de idade, e pode-se esperar viver até os 90, isso significa 1/3 da vida ainda para ser explorada da maneira mais feliz e saudável possível. Nunca é tarde para escrever um livro, aprender música, praticar um hobby, viajar e encontrar um novo amor.

O Youtube -que está sendo considerado uma “universidade”- promove, gratuitamente, aprendizados (teóricos e práticos) que podem despertar novos conhecimentos e talentos, independentemente da idade.

Antes de encerrar e te convidar  a ler os depoimentos dos entrevistados, vale a pena lembrar que não existe limite de idade para sonhar. Se ainda é possível você pular de pára-quedas, viver num barco, comprar um Motorhome, andar de moto, ou, simplesmente, viajar, esta escolha depende só de você.

Boa Leitura!