Abuso Sexual e o #ficaemcasa

Anna Alvez-Lazaro

Quarentena horizontal (radical) e as consequências nefastas para as vítimas do tráfico humano e do abuso e exploração sexual infantil

De acordo com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes, as redes de crime organizado tem se beneficiado ainda mais da pandemia, uma vez que, restrições de locomoção, bloqueios, cortes de recursos e demais medidas extremas que deveriam conter a disseminação do novo corona vírus estão colocando as vítimas do tráfico de pessoas em risco adicional de exposição, especialmente crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual. Ainda de acordo com o Chefe da Divisão de Investigação Criminal do FBI, Calvin Shivers, o FBI identificou mais de 400 vítimas de abuso sexual infantil online por 75 dias durante a pandemia. Predadores online estão tirando grande proveito para os seus crimes durante a pandemia do COVID-19 aliciando crianças e adolescentes enquanto estão em casa passando mais tempo online.

A exploração sexual online acontece das seguintes formas:

Predadores podem coagir crianças a fornecerem imagens ou vídeos sexualmente explícitos de si mesmos e/ou de membros mais jovens da família.  Ameaçando publicar as imagens ou enviá-las aos amigos e familiares da criança, se a mesma não continuar enviando o material, são forçadas a um ciclo abusivo de exploração.

Outros infratores podem fazer contato casual com crianças on-line, ganhar sua confiança e introduzir conversas sexuais que aumentam a intimidade ao longo do tempo. Podendo resultar em um relacionamento on-line que inclui conversas sexuais, troca de imagens ilícitas e encontro físico da criança pessoalmente com o objetivo de se envolver em atividades sexuais ilegais.

Como muitas empresas e escolas se voltaram para reuniões e salas de aula virtuais, serviços de transmissão de vídeo como o Zoom se tornaram alvos do Material Sexual de Abuso Sexual Infantil.

Em 22 de maio de 2020, o FBI anunciou que “havia recebido mais de 240 denúncias de incidentes nos Estados Unidos e em outros países nos quais um participante do Zoom conseguiu transmitir um vídeo que mostrava material de abuso sexual infantil”. As vítimas dessas “interrupções de zoom” são numerosas.” É um crime violento, pois toda vez que o material de abuso sexual infantil é visualizado, a criança é novamente vitimada. Além disso, quem vê inadvertidamente material de abuso sexual infantil durante um evento virtual também é potencialmente uma vítima.

Há no site do FBI um formulário onde o individuo pode relatar esse tipo específico de atividade criminal: “Procurando vítimas na investigação de interrupções de zoom”.

Os predadores de crianças e adolescentes na internet sabem do fechamento generalizado das escolas, e que as potenciais vítimas estão em casa na dependência das plataformas da internet. Estes predadores sabem que tem uma excelente oportunidade de atacar as crianças e adolescentes em um ambiente tão fácil de acessar e transitar anonimamente.

Não resta dúvidas que a pandemia do COVID-19 mudou o cenário das ameaças cibernéticas.

Para ajudar a tornar o streaming de vídeo mais seguro contra ameaças de sequestro, o FBI recomenda que os usuários:

Não torne públicas as reuniões ou salas de aula. No Zoom, há duas opções para tornar uma reunião privada: exigir uma senha de reunião ou usar o recurso de sala de espera e controlar a admissão de convidados.

Não compartilhe um link para uma teleconferência ou sala de aula em uma postagem de mídia social irrestrita e disponível publicamente. Forneça o link diretamente para pessoas específicas.

Gerenciar opções de compartilhamento de tela. No Zoom, altere o compartilhamento de tela para “Somente host”.

Verifique se os usuários estão usando a versão atualizada dos aplicativos de acesso remoto/reunião. Em janeiro de 2020, o Zoom atualizou seu software. Na atualização de segurança, o fornecedor de software de teleconferência adicionou senhas por padrão para reuniões e desativou a capacidade de procurar aleatoriamente as reuniões para participar.

Por fim, verifique se a política ou guia de tele trabalho de sua organização atende aos requisitos de segurança física e de informações.

A crise do COVID-19 fez com que muitas organizações e escolas realizassem reuniões/eventos virtuais, alguns dos quais abertos ao público.

À medida que as pessoas continuam a transição para aulas e reuniões on-line, o FBI recomenda exercer a devida diligência e cautela em seus esforços de segurança cibernética.

Além das ameaças cibernéticas, o  confinamento radical tem promovido um alto nível de estresse, desempregos, recessão econômica, fome, depressão, aumento em casos de mortes por enfarto, suicídio, violência doméstica.

O número de internações de crianças por abuso sexual e outros traumas físicos durante o confinamento tem crescido assustadoramente. As vítimas de violência doméstica estão trancadas com seus algozes que aproveitam a oportunidade do confinamento para abusarem initerruptamente de suas vítimas sem serem denunciados. Há uma grande preocupação das autoridades e órgãos envolvidos na proteção da criança e do adolescente quando estes retornarem às escolas, pois somente nesta ocasião, saberemos realmente o tamanho do estrago. Urge que a sociedade faça uma reflexão profunda, honesta, despida de qualquer vaidade, sem qualquer cunho político ou ideológico e, principalmente, sem hipocrisia sobre as questões expostas neste artigo. A forma como a sociedade está lidando com a pandemia do COVID-19 irá afetar de maneira profundamente irreversível nas gerações futuras. Questione-se!