O abraço nos irmãos ficou pra depois.

Mara Rubia Sanfilippo

E de repente, a vida não é mais a mesma! Estar “confinada” com a família, em pleno mês de março aqui em Boston, não é novidade, haja vista que é pleno inverno por estas bandas, já se sai só o suficiente mesmo. Esse período de quarentena (que começou em março), tem sido ótimo com meus dois filhos. Estamos bem de saúde e novas práticas foram surgindo aqui em casa. Meu filho mais velho está apaixonado por cuidar do quintal e plantar sementes de verduras. Ele também está cozinhando com mais frequência e recentemente virou um churrasqueiro de primeira, só pra nós, aqui no quintal onde celebramos nossa ceia de Páscoa. O mais novo iniciou o levantar de manhã, fazer vitamina de frutas e andar até três horas por dia. E eu? Haja, eu no fogão cozinhando – adoro! Ponto positivo pra quarentena!

Logo na primeira semana a dor maior deste isolamento foi não poder abraçar pessoalmente, minha melhor amiga que perdeu a netinha, já às vésperas do dia do parto de sua filha. Foi difícil entender este novo momento onde temos que nos afastar para proteger. E como serão os abraços das pessoas daqui pra frente? Não sabemos ainda.

Na igreja que congrego os cultos já eram transmitidos online há anos, mas desta vez só com o Pastor e alguns membros do louvor – e a santa câmera de transmissão. Todos celebraram a Páscoa em suas casas, assistindo ao culto online e partindo o pão e vinho com suas famílias. 

O abraço nos irmãos ficou pra depois. Mas como será que abraçaremos daqui pra frente?

Todo o benefício que levo através do meu trabalho como Professional Organizer teve que esperar – entrar na casa das pessoas não é mais algo simples assim. No início da quarentena, pensando na importância da Organização Residencial para o bem estar e convivência pacífica da família, ofereci gratuitamente um curso de 10 aulas no meu Instagram, com acompanhamento pelo WhatsApp. Ao todo 86 mulheres participaram e o resultado foi além do esperado – pessoas que tiveram suas vidas literalmente transformadas através da eliminação de excessos e criação de sistemas de organização. Estou gravando para meu canal no Youtube a ser lançado ainda em abril e continuo fazendo consultorias individuais e aulas em grupo virtuais, agora cobradas normalmente, pois afinal “alguém tem que trabalhar nesta casa”!  Mas como será que trabalharemos daqui pra frente?

  Oferecer marketing nas mídias digitais como eu faço também, parece bem cômodo nestes dias, desde que os seus clientes tenham algo para oferecer. Alguns parados, alguns se reinventando e outros ainda tentando entender “qual foi o caminhão que nos atropelou”. Tudo mudou. E como será que faremos nossos negócios daqui pra frente?   

Aqui em Boston vejo que as pessoas estão começando a entender a importância de um preparo financeiro para o futuro. Nossa comunidade tem se mostrado muito vulnerável nesta área. Com o desemprego e insegurança, muitos estão contando com a ajuda de organizações locais brasileiras ou não, que vão desde auxílio para aluguel, até a distribuição de alimentos. A comunidade está unida e solidária! Centenas de brasileiros costuraram máscaras para hospitais, asilos, polícia e Corpo de bombeiros. Ponto positivo para a quarentena.

Graças a Deus a “curva” não está tão ascendente por aqui. Continuamos em casa à espera da pandemia do corona vírus passar. Esperança lá em cima, mas a pergunta que não quer calar – como será que passaremos depois que ela passar?

Mara Rubia Sanfilippo é Professional Home Organizer @homeorganizingbymara e Social Influencer. Comunicadora apaixonada por gente!
Criadora do Mara’s List – Guia de Negócios no Facebook, com quase 30 mil brasileiros somente de Massachusetts. Membro da diretoria da ABI-Inter, Media Relations e Produção/Focus Brasil Boston. Mãe do Ravy e Julyano.