Arthouse encontra Cultura Pop

Zumbis, terror, e vilões são os assuntos de filmes premiados em Outubro

Joker – 4 de Outubro

Não é a primeira vez que Joaquim Phoenix se dedica de corpo e alma a um papel. Em 2009, Phoenix anunciou para o mundo que estava mudando de carreira: queria se tornar um rapper e não mais ator. Durante um ano, Phoenix deu várias entrevistas agindo de modo estranho e errático, abrindo teorias sobre sua saúde mental. Em 2010, ele revelou que tudo aquilo fora apenas uma performance para o documentário fictício “I’m Still Here” (2010). Talvez essa estranha mas consistente experiência foi um dos motivos pelo qual foi escolhido para interpretar um dos vilões mais consagrados e conhecidos dos quadrinhos: o Coringa. Depois de entrar na cultura popular ao ser interpretado por Jack Nicholson na versão de Tim Burton, o arqui-inimigo do Batman foi reinventado por Heath Ledger, modernizando não só sua aparência, mas sua “mensagem” de caos e anarquia.

Nos quadrinhos, os vilões de Batman de certa maneira sempre refletiram uma psicose particular. Não apenas contentes em serem criminosos, eles têm ideologias e mensagens – o Espantalho espalha terror para obter controle, Pinguim é um político de dia, assassino de noite, “Duas Caras” adotou uma visão branca e preta da sociedade após sua carreira como promotor. Não é à toa, portanto, que esses vilões evoluam de acordo com o contexto da época em que reaparecem.

Joker, dirigido por Tod Phillips (The Hangover e Borat), claramente foi influenciado pela sociedade atual. Seu filme fala do isolamento, desconexão e desigualdade que permeiam o mundo de hoje, e talvez o mundo de amanhã também. A jornada de Arthur de comediante sem sucesso para vilão anárquico é tortuosa e dolorosa, mas intrinsicamente humana (há indícios de inspiração na história de atiradores em massa). Aqui o foco é a degradação devagar plausível de uma mente, não apenas um desejo de dominação mundial usando gás de risadas.

Não contente em apenas reinventar o Coringa, o filme também ganhou a atenção e respeito de críticos. Em agosto, o filme foi ao Festival de Internacional de Veneza, onde ganhou o Leão de Ouro – o principal prêmio oferecido. Influenciado por Taxi Driver e Scorsese, Tod Phillips parece ter acertado no alvo. Resta saber se a audiência fã dos quadrinhos vai gostar de sua interpretação.

 

Little Monsters – 8 de Outubro

Em junho, tivemos The Dead Don’t Die. Agora em Outubro, dois novos filmes de zumbi estão sendo lançados. Além da continuação da comédia Zombieland (2009), também estreia Little Monsters que conta com a presença premiada de Lupita Nyong’o (12 Year a Slave e Us) no papel de uma professora de jardim de infância que se vê no meio de um apocalipse zumbi. Responsável por uma turma de crianças pequenas, ela terá que ser criativa na hora de proteger seus alunos não só dos zumbis, mas da realidade a sua volta. Depois de abrir o Festival de Filmes de Sundance em janeiro, essa comédia será lançada nos cinemas por tempo limitado e depois seguirá direto para o serviço de streaming Hulu.

 

 

 

Parasite – 11 de Outubro

Bong Joon-ho é um dos mais renomados diretores sul-coreanos da atualidade. Seus filmes são únicos em estilo e história, trazendo sempre assuntos desconfortáveis para audiências de forma impactante, mas não necessariamente grosseira.

No ocidente, ele talvez seja mais conhecido pelos filmes Snowpiercer (2013) com Chris Evans e The Host (2006). Porém, cinéfilos o conhecem também pelos thrillers Memories of Murder (2003) e Mother (2009). Seja seus filmes de ficção cientifica, horror, ou mistério, Joon-ho é um mestre em criar e manter tensão. Em Parasite, a família Kim, pobre e no limite da fome, se insere na casa dos Park, ricos e afluentes. Usando de mentiras para tirar os empregados originais e substitui-los por seus familiares, o primogênito dos Kim garante o sustento de todos por um tempo. Porém as mentiras começam a destruir tudo a sua volta e empurram os Kim para extremos perigosos. A guerra entre as classes sociais nunca foi tão bem ilustrada sem cair numa lição moralista. Parasite ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes desse ano.

 

The Lighthouse – 18 de Outubro

Solidão e isolamento podem ser a receita perfeita para o horror. Em The Lighthouse, o diretor Robert Eggers (The Witch) coloca Willem Dafoe (The Florida Project e Spider Man 2) e Robert Pattison (Twilight) em um claustrofóbico farol perto do fim do mundo e os força a conviver dia a dia, presos um ao outro, sem aparente escapatória.

Filmado em branco e preto, o filme todo é uma experiência em loucura. Dafoe, atuado como Wake, se fecha toda a noite no topo do farol para admirar a luz que acredita ser mais prazerosa que sua esposa, enquanto seu assistente Winslow teme que a pequena ilha seja tomada pelas ondas cada vez mais altas. Uma história de fantasmas sem os fantasmas, The Lighthouse é o gótico de Frankenstein e o horror do autor H.P. Lovecraft revitalizado para as telas de cinema.

Por seu trabalho em The Lightrouse Robert Eggers ganhou o prêmio FIPRESCI também no Festival de Cinema de Cannes desse ano.

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