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Aposta no sabor brasileiro

Jimmy Pizza

Se a pandemia apareceu para muita gente como crise, levando muitos empresários a fecharem seus negócios, houve quem, munido de muita coragem, enxergasse uma oportunidade ímpar para se lançar no mercado.

Esse é o caso de Jimmy Gomes, que em fevereiro de 2021, abriu uma pizzaria que leva o seu nome, na International Drive, e que, desde então, tem visto seu negócio crescer de forma sustentável. 

“Quando assumimos a operação, a receita não pagava os custos. Mas tenho certeza que fizemos a coisa certa. Hoje, com muito trabalho e paixão, conseguimos triplicar nosso faturamento. E agora estamos nos estruturando para atender a tão esperada volta dos turistas à cidade”, conta o empresário.

Jimmy conta que sua pizza tem o sabor da boa pizza de São Paulo – ele acumula mais de 20 anos à frente de fornos de estabelecimentos de alto padrão e, desde que abriu, tem atendido basicamente o público local, sendo composto por 90% de brasileiros e 10% de americanos, para os quais já tem sabores adaptados no seu cardápio.

Como está localizado muito próximo ao Orlando Premium Outlets, ele sabe que a vocação do seu ponto é iminentemente turística e portanto aguarda com muita expectativa a chega dos novos visitantes.  

Quando perguntado que estratégias tem em mente para servir essa nova demanda, Jimmy afirma: “estamos produzindo folhetos para distribuição; dobrei a capacidade produtiva de nossos fornos, e finalmente consegui trocar o letreiro, que ainda estava com o nome de estabelecimento anterior”.

E as ações do dublê de empresário e pizzaiolo não terminam por aqui. Trabalhando com uma equipe reduzida e com recursos escassos, Jimmy, tem reformado paulatinamente o seu salão, “para torná-lo uma combinação equilibrada entre o moderno e o clássico, que combine com os sabores que oferecemos”.

Além disso, fez parcerias com uma empresa de logística o delivery de pizzas. Ele revela que a entrega não pode exceder 10 milhas, para que a pizza não chegue fria e comprometa a qualidade, e também passou a trabalhar com os aplicativos Uber Eats e DoorDash. 

Com todas essas ações, após o retorno dos turistas à cidade sem a necessidade de quarentena, Jimmy espera passar a abrir de domingo a domingo e a obter um crescimento na ordem de 30% nos três primeiros meses.  

“Vejo que o turista adora a cidade e suas atrações, mas é muito comum que estranhe as opções gastronômicas americanas. É aí que a gente entra, oferecendo uma pizza com matéria prima italiana e feita com muita paixão”, enxerga o empresário.

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Satisfeitos com os resultados

Edro’s Salon

Inaugurado em outubro de 2020, o Edro’s Salon, localizado no coração turístico da International Drive, é outro bom exemplo de empresa que nasceu durante a pandemia e, na contramão do que poderia esperar uma análise precipitada, vem mostrando que a aposta valeu à pena. 

Fundado por iniciativa dos brasileiros Edson Batistel e Leandro, o salão cresceu 120% em um ano. “Nosso movimento começou a melhorar com o início da campanha de vacinação nos Estados Unidos. Agora esperamos que haja um novo boom, mas reconheço não tem sido fácil encontrar profissionais com as qualificações que desejamos para acompanhar o esperado crescimento na demanda”.  

Para os empresários, as constantes altas do dólar frente à moeda brasileira devem atrapalhar o turismo de menor renda, que tipicamente vem com o objetivo de passear em parques. Por isso, eles também consideram que, quando a quarentena deixar de ser exigida, o perfil de visitantes será majoritariamente de classe alta.

“A abertura se dará em um momento oportuno, no início da alta temporada. Muitas clientes vêm passar o final de ano por aqui, visitar suas propriedades e se não estiveram antes por aqui é porque não queriam ter de cumprir quarentena”.

Mesmo sem experiência empresarial prévia, Leandro ressalta que fazer gestão no mercado americano não é muito complicado. “Aprendemos como empresariar no dia a dia mesmo. Vejo, por exemplo, como por aqui, ao contrário do Brasil, fica fácil encontrarmos produtos de alta qualidade a um preço acessível”.

Leandro conta ainda que o fato de ter aberto durante a pandemia não trouxe nenhuma vantagem específica. “Não tivemos desconto na locação do espaço nem para equipar o salão”, mas sabia que, com sua experiência profissional, que inclui anos de bancada no Brasil e, mais recentemente, em Miami, eles iriam prosperar em Orlando. 

Hoje seu público é composto por 60% de brasileiras, 20% de americanas e 20% de hispânicas. “Notamos que o público brasileiro aumenta pelas recomendações pessoais, o tradicional ‘boca a boca’. Já a consumidora americana opta pelo salão pelas avaliações que encontra no Google”, conta Leandro.

O profissional avalia que não tem a pretensão de concorrer com salões americanos com o Edro’s, ao mesmo tempo em que revela que a cliente brasileira é visivelmente mais exigente que a americana, a quem considera bem mais fácil de agradar. 

“Investimos em qualidade. Não queremos ser o maior salão brasileiro nos Estados Unidos, mas sim um salão de referência. O mercado de beleza e estética no Brasil é muito mais dinâmico. Nós sempre trabalhamos em grandes salões, e na bagagem trazemos um histórico de cursos feitos em Paris, Nova York, Milão, Buenos Aires, Rio e São Paulo. Agora mesmo o Edson está indo ao Brasil para fazer um curso de atualização em mechas com o renomado Romeo Felipe”, revela.

Prateleiras Arrumadas

Yes Brasil

Antever o perfil do turista que deve chegar a Orlando a partir de novembro é fundamental para que a loja de produtos Yes Brasil, localizada na International Drive, e cuja clientela é composta por 90% de pessoas que visitam a cidade, consiga maximizar seu volume de negócios. 

Uma das decisões cruciais a ser tomada diz respeito à composição do mix de produtos da loja, para que esta oferta esteja o mais aderente possível ao perfil desse novo turista. 

“Acredito que, com as dificuldades econômicas vividas hoje no Brasil e com a forte desvalorização do real ao longo dos últimos anos, não veremos mais tantos turistas das classes C e D, e lidaremos quase que exclusivamente com um público com alto poder aquisitivo, que não vê problemas em pagar mais de mil dólares em um modelo recente de óculos da Gucci”, analisa o gestor Christian Moraes.

Christian conta que sempre foi um consumidor voraz de notícias, mas que, com a pandemia, se viu obrigado a ampliar consideravelmente o volume de veículos consultados.

“Sem exagero, procuro ler diariamente quase duas dezenas de jornais entre americanos e brasileiros, assisto ao noticiário no rádio e na televisão, busco sites de confiança para obter informações e conseguir tomar as decisões que possam impactar favoravelmente os nossos negócios”, conta o gestor.  

De fato, a definição do mix de produtos é apenas uma das decisões que são tomadas quase que diariamente na gestão da loja, que ficou fechada por 16 meses e foi reaberta ao público em julho de 2021. 

“Desde o início a gente vinha acompanhando a cobertura da pandemia. Mas quando, em março de 2020, soube que a Disney iria fechar, foi que me ative o quão profundamente a crise atingiria os nossos negócios”, relembra.

Christian reputa a correção das decisões tomadas até então à estrutura montada ao longo dos 32 anos da Yes Brasil no mercado. “Uma das coisas que optamos foi por não fazer um saldão do nosso estoque. Vi que muitas lojas fizeram essa escolha, mas sabíamos que uma hora a pandemia iria acabar e não poderíamos abrir as portas com as prateleiras vazias”.   

O gestor conta que os novos turistas que visitarem a Yes Brasil encontrarão agora basicamente dois tipos de produtos: os que tinham sido adquiridos pouco antes do fechamento das portas e os novos lançamentos.

“Nosso estoque vai atender o turista que já tinha a viagem contratada, mas que vem com um perfil de consumo mais racional, por conta da crise econômica e do câmbio. Já os novos lançamentos chegarão com preços consideravelmente mais elevados. Esses atenderão ao turista de alto poder aquisitivo, que não tem vindo a Orlando porque não queria fazer quarentena”, conclui Christian.

Recuperação deverá ser gradual

Carlo Barbieri

A reabertura dos voos entre o Brasil e os Estados Unidos fazem florescer novamente as expectativas de muitos dos negócios que têm nos Estados Unidos, em geral, na Flórida e Orlando em particular, e que têm um nível de dependência forte da presença de brasileiros.

Isso se vê em quase todos os aspectos da economia, desde o turismo receptivo: pessoas que  recebem os passageiros nos aeroportos, os que os dirigem dentro da cidade, e oferecem passeios independentemente dos parques de diversão.

Também como os prestadores de serviços em geral, como o aquecimento de piscina nas casas de férias de brasileiros e também ocorrerá aumento do valor da locação das casas assim como nos restaurantes e outros negócios locais.

O comércio em particular, é extremamente dependente dos brasileiros, particularmente aqueles que estão ou estavam habituados a tê-los como o seu grande cliente, pois os brasileiros compram em média de cinco a seis vezes mais do que os turistas que vêm do norte dos Estados Unidos ou inclusive que vinham da Europa quando as fronteiras estavam abertas. Isso lógicamente está criando uma grande expectativa.

Claro, que isto não vai acontecer de uma hora para outra nem na quantidade desejável. O Brasil que normalmente levava aos Estados Unidos cerca de um milhão e duzentos até um milhão e seiscentos mil turistas ao ano. Isso vai demorar um certo tempo para recuperar essa quantidade.

Espera-se mais ou menos algo em torno de mil passageiros por dia para os Estados Unidos, ou seja, 30 mil ao mês, porém contando que esses voos inicialmente estarão distribuídos entre Miami, Nova York e Orlando, teremos um aumento da presença brasileira boa, mas insuficiente para suprir as expectativas dos empreendedores brasileiros na cidade.

As outras companhias que atendem brasileiros, como a Copa Airlines e Avianca tratarão também de atender a demanda dos brasileiros, mas ainda serão insuficientes para todo o público desejado que ficou acumulado durante os últimos dois anos. Mas gradualmente esse fluxo volta a ganhar espaço e defrontando-se com a limitação das empresas de transporte aéreo que ao longo desse tempo encontrarão novas rotas.

As empresas brasileiras de aviação reposicionaram seus aviões para voos domésticos, que não podem ser desassistidos de uma hora para outra. A Azul já está levando seu pessoal para treinar nos EUA , de tal maneira que poderá voltar a voar a partir do dia 8 de novembro, diretamente para Orlando e outras companhias estão fazendo o mesmo.

Há que considerar também que a falta de pilotos nos Estados Unidos vai fazer com que as companhias aéreas que voam EUA-Brasil tenham também dificuldade, não só apenas pela falta de equipamento como também a disponibilidade de pilotos para suas aeronaves.

Outro desafio, para o florescimento do negócio com os brasileiros, que vão ganhar um espaço significativo a partir da reabertura, é a questão dos vistos.

Há uma quantidade muito grande de pessoas que tiveram seus vistos vencidos durante o período da pandemia. Os consulados americanos estão marcando visitas para a renovação de passaporte até o ano de 2023. O cônsul americano em São Paulo espera que deve levar em torno de três anos para acertar toda essa posição de vistos atrasados, além dos novos vistos a serem solicitados.

Ou seja, deverá haver um aumento significativo adicional de uma nova demanda para pessoas que não tinham vistos para os Estados Unidos, e a estruturação do consulado para atender tudo isso não ocorrerá de uma hora para outra, mas de qualquer forma haverá um aumento significativo de brasileiros voltando a viajar para a Flórida. E vale a pena lembrar que o que foi dito pelo próprio ex-governador da Flórida Rick Scott, de que apenas os turistas brasileiros representavam o emprego de 320 mil pessoas na Flórida. Logicamente, esse número deve voltar a crescer de forma significativa a partir de 8 de novembro.

Orlando se prepara para receber turistas brasileiros

RB Russell

Muitas expectativas são geradas quando o assunto é o tão aguardado retorno dos turistas brasileiros a Orlando, sem a necessidade de quarentena. A maior pandemia dos últimos cem anos deixa marcas em nossas vidas que, por diferentes razões e em diferentes intensidades, jamais serão apagadas.

Uma delas é o impacto sobre os negócios. Ao redor do globo, uma grande quantidade de empresas sucumbiu, empregos foram perdidos, produções subitamente interrompidas e muita incerteza foi gerada.

Um dos setores que mais fortemente sentiu o impacto da crise oriunda da pandemia foi o de turismo. De súbito, assistimos a fronteiras serem fechadas, contratos cancelados, sonhos interrompidos. 

E Orlando é, como todos sabemos muito bem, uma cidade que vive e respira pelo turismo. Fomos atingidos em cheio por um furacão sem ventos, mas cujos efeitos se faz sentir de formas tão ou mais avassaladoras que os furacões literais.

Todos conhecemos a máxima que reza que em toda crise florescem oportunidades. O que para muitos pode soar um clichê vazio, para outros, a busca por oportunidades se tornou a única tábua de salvação em que se agarrar nessa longa tempestade. 

E esse é o espírito dessa série de matérias. A transformação do furacão metafórico em um sopro de esperança. Fomos encontrar exemplos de empresários e gestores que, com resiliência, experiência, inteligência e coragem, souberam navegar em águas revoltas e fazer de seus limões, limonadas.

Oferecemos aos nossos leitores observações sensíveis, que contam histórias de sucesso, mas que revelam também prudência e medo e explicita o desafio diário de antever o futuro. Não de forma premonitória ou profética, mas com método, com informação qualificada, com construção de cenários, mapas de risco e análises calcadas em probabilidade. São visões otimista e realistas, de quem entende que toda oportunidade também carrega seus riscos inerentes.  

Nossos turistas chegarão. Chegarão com fome de consumo, com poder aquisitivo, espera-se. E a nós cabe estarmos preparados para recebê-los com arte, com afeto, com produtos e serviços que superem suas expectativas. É o que todos queremos. 

Mas os desafios são grandes. Vivemos pressões inflacionárias, crise cambial que desvaloriza fortemente o real, dificuldades logísticas para que nossos fornecedores atendam as nossas necessidades, gargalos no mercado de trabalho, enfim, desafios que permanecerão nos fortalecendo até que sejam superados e que outros surjam.    

Como alguns dos nossos empresários estão se preparando para o início desse novo tempo? Que perfil de turista é esperado? Como suas empresas tem se transformado para lidar com esse “novo normal”? Nossa edição não tem a pretensão de esgotar esse assunto, claro, mas sim de trazer alguns exemplos que possam nos inspirar a fazer girar a roda da prosperidade. Boa leitura.

EUA reabrem para brasileiros vacinados
Eraldo Manes Junior

As restrições de chegada ao país estavam em vigor desde o início da propagação do novo coronavírus, em março do ano passado, ainda no governo do ex-presidente Donald Trump. 

O atual chefe de governo, Joe Biden, manteve as medidas ao assumir o cargo. Este anúncio e a data se aplicam tanto às viagens internacionais aéreas como terrestres, o que indica uma movimentação muito grande de turistas e passageiros a negócios oriundos da América Latina. Esta boa notícia está sendo levada a cabo na pauta desta edição onde fomos ouvir a opinião do comerciante local de como ele está se preparando para a chegada de novos clientes na cidade. Boa Leitura. 

O escritor Laurentino Gomes é homenageado no Focus Brasil NY 2021

Nereide Santa Rosa

A Fundação Focus Brasil tem como missão a celebração da Cultura e da Imagem Positiva do Brasil e dos Brasileiros no Exterior. Todas as atividades e premiações desenvolvidas pela Fundação Focus Brasil estão irredutivelmente comprometidas com a diversidade cultural, étnica e social. O foco é ser uma plataforma dinâmica de promoção do Brasil e dos brasileiros no mundo, através da Arte, Cultura, Educação, Negócios, Empreendedorismo e Responsabilidade Social.

O Focus Brasil NY é uma realização da Fundação Focus Brasil voltada exclusivamente para a Literatura Brasileira com o objetivo de estimular e promover a literatura brasileira, cultura, as ciências sociais e as artes do Brasil no exterior, contribuir para a preservação da memória de escritores brasileiros, apoiar iniciativas e eventos literários, socioculturais desenvolvidos pela Focus Brasil Foundation na formulação e implementação de políticas culturais de interesse da comunidade brasileira no exterior e desde 2019 conta com a parceria com o Consulado-Geral do Brasil em Nova York. Reiteramos a importância dessa parceria com o Consulado-Geral do Brasil em Nova York, o qual seu apoio foi e é fundamental para o sucesso do evento, como reconhecimento pela produção literária no Brasil e no exterior. Agradecemos especialmente à Sra Embaixadora Maria Nazareth Farano Azevedo pela sua presença na abertura do evento

O 1o Encontro de Literatura Brasileira do Focus Brasil NY em 2019 aconteceu de forma presencial na sede do Consulado-Geral Do Brasil, em Nova York e teve a participação de 80 escritores brasileiros residentes apenas nos Estados Unidos que se apresentaram em 10 painéis, feira de livros, além da inauguração da biblioteca Guimarães Rosa na sede do Consulado com livros doados pelos participantes. Devido ao sucesso alcançado, o evento em 2020 se tornou mundial e o 2o Encontro Mundial de Literatura Brasileira que já estava planejado em conjunto com o Consulado, aconteceu de maneira virtual e teve a participação de 120 escritores brasileiros residentes em vários países, painéis, depoimentos, book fair virtual, premiações.

Nesse sentido, neste mês de setembro aconteceu o 3º Encontro Mundial de Literatura Brasileira, ainda de forma virtual, com a participação de 160 escritores brasileiros de 15 países, entre os dias 16 a 22 de setembro através da Plataforma digital Focus Brasil, com 10 painéis de discussão sobre vários aspectos da Literatura Brasileira e 85 participantes individuais membros da Academia Internacional de Literatura Brasileira, com sede em New York, a qual, atualmente conta com 580 membros, todos escritores brasileiros residentes ou não no Brasil. A Academia Internacional de Literatura Brasileira – AILB, fundada em 12 de setembro de 2020, é uma entidade de caráter cultural, sem finalidade lucrativa, criada pela Focus Brasil Foundation.

Todos os 22 segmentos do Focus Brasil NY 2021 foram transmitidos ao vivo pela Plataforma Digital da Focus Brasil Foundation, no Facebook e no canal Focus Brasil do You Tube.

E o grande homenageado com o Prêmio Outstanding Achievement Award dos Destaques Literários 2021 é o escritor Laurentino Gomes, que se tornou famoso como escritor graças à sua autoria do best-seller “1808 – Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil”, livro que narra a chegada da corte portuguesa ao Brasil. Em 7 de setembro de 2010, faz na Bolsa Oficial de Café, na cidade de Santos, o lançamento nacional da obra 1822. Data que marca também o aniversário de 88 anos do edifício da Bolsa. Ao fim de março de 2012, a Globo Livros anunciou a assinatura de contrato para o lançamento do próximo livro de Laurentino 1889, livro que chegou ao mercado no segundo semestre de 2013. A tiragem inicial foi de 200 mil exemplares. Sobre a obra, Laurentino diz:

“’No terceiro e último volume da série, explicou porque o país permaneceu como a única monarquia das Américas, por mais de 67 anos e mostrar como foi a Proclamação da República, em 1889. Em maio de 2015, anunciou uma nova trilogia sobre a escravidão no Brasil. O primeiro dos três livros foi lançado em 2019, sob o título Escravidão. Em 2008, o livro 1808 recebeu o prêmio de melhor ensaio da Academia Brasileira de Letras e da 53ª edição do Prêmio Jabuti de Literatura na categoria de livro-reportagem e de “livro do ano” da categoria de não-ficção. Em 2008, a Revista Época elegeu Laurentino uma das 100 pessoas mais influentes do ano, pelo mérito de conseguir vender mais de meio milhão de exemplares de livro de História do Brasil. Sete vezes ganhador do Prêmio Jabuti de Literatura, um dos mais importantes do Brasil, Laurentino Gomes é autor dos livros 1808, 1822, 1889 e “Escravidão”, obras que venderam até agora mais de três milhões de exemplares e foram editadas no Brasil, em Portugal, nos Estados Unidos e na China. Seu primeiro livro também foi eleito o Melhor Ensaio de 2008 pela Academia Brasileira de Letras. 

Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná, com pós-graduação pela Universidade de São Paulo, é membro titular da Academia Paranaense de Letras. Além de Laurentino Gomes, o Focus Brasil NY apresenta nove escritores vencedores do Awards da Academia Internacional de Literatura Brasileira em 2021 e o lançamento do 2o Catálogo Internacional de Escritores Brasileiros publicado pela Academia Internacional de Literatura Brasileira com o apoio da Underline Publishing.

2 anos na luta contra o Tráfico Humano e Violência Doméstica

Anna Alves-Lazaro

A Hope & Justice Foundation completou, neste último 7 de setembro, 2 anos de existência e de muitas conquistas. A celebração ocorreu com um culto de Ação de Graças e um coquetel na sede da fundação, em Orlando, onde estavam presentes os diretores, conselheiros, voluntários, parceiros e amigos da fundação. Nesta ocasião, proferi meu discurso dirigido aos presentes, o qual agora dirijo a toda comunidade através deste espaço. Aproveito aqui para também registrar publicamente a minha eterna gratidão a este importante veículo de comunicação pelo grande apoio que tem dado a nobre causa pela qual lutamos desde o seu início. Segue o discurso:

A consciência é o maior tributo dado por Deus ao ser humano. É algo que nos identifica como humanos. Anular a própria consciência é a maior prova de mediocridade, alienação e tolice que existe. 

Estamos aqui hoje, celebrando a vida, a liberdade, a coragem e a independência. Não por coincidência, mas pelos propósitos de Deus, a Hope & Justice completa dois anos de lutas e vitórias. Para cumprir esta nobre e desafiadora missão, que é fazer prevalecer a Justiça, a Esperança e a Liberdade para todos os injustiçados, desesperançosos e cativos.

Quando atuamos de acordo com a nossa consciência e permitimos que esta seja guiada por Deus, podemos testemunhar magníficos e abençoados frutos como resultado do nosso trabalho. Ao longo dessa caminhada, enfrentamos os mais diversos desafios, sendo um deles fazer prevalecer a verdade em tudo que realizamos, na certeza de quem é o autor e consumador dessa missão, sei que a verdade sempre prevalecerá, pois a falsidade não sobrevive e nem deixa legado algum. Acaba perdendo-se em sua própria arrogância. Isso pode até parecer algo óbvio e banal, mas quando lidamos com os mais diversos tipos de seres humanos, nesta árdua missão, lidamos com situações inimagináveis.

Quando os homens maus se juntam, os bons devem se associar, do contrário, cairão, um por um.

E parafraseando o filósofo conservador Edmund Burke: “Para o Triunfo do mal, só é preciso que os bons não façam nada.”

O fato aqui é que para que eu pudesse cumprir essa grande missão, eu precisava convidar os bons para que eles verdadeiramente abraçassem essa causa, aceitando o chamado de sua própria consciência e assim formássemos o exército do bem. E eles vieram, corajosamente aceitaram tal desafio. E pela Graça de Deus, continuam a chegar. A realidade é que cada um de nós deve assumir a responsabilidade pela própria vida, pela vida de seus familiares, por nossa comunidade, e por nossa Nação.

Devemos estar vigilantes, atentos e unidos, pois existem muitas más associações por aí. A exemplo de tantas organizações criminosas. Caso cada um de nós se ocupe unicamente com nossos interesses, esse nosso egoísmo certamente irá nos levar a nossa ruína, e não apenas a nossa, mas a ruína de todos aqueles que desejam construir uma sociedade melhor. 

Um outro desafio por mim enfrentado que quero compartilhar com vocês hoje, é que ao convidar pessoas para essa guerra contra esses crimes hediondos, era e ainda é o de despertar a coragem que essas pessoas  inerentemente têm dentro delas e ajudá-las a combater o medo. Nenhuma paixão rouba tão eficazmente os seus poderes de ação e raciocínio quanto o medo. Se tem algo terrível que o medo faz na vida das pessoas é a paralisia. Você não tenta por medo, não se expressa por medo, não falha por medo, procrastina por medo, e assim jamais cresce, jamais avança, jamais vence. É o medo o mais ignorante, o mais injusto e cruel dos conselheiros. A única coisa que o medo não paralisa é o tempo, o seu tempo irá passar indubitavelmente. E assim passarão as oportunidades de crescimento, de trabalhar para promover o bem e a felicidade sua, de sua família e de sua comunidade. Quando o medo chegar, coloque-se em ação e faça algo significativo ou até mesmo algo simples. As concessões dos fracos, são as concessões do medo. Quando a coragem nos falta deixamos de ser livres, estaremos cativos quando as escolhas e decisões passam a ser produtos do medo. Que escolhas temos feito? Elas refletem o nosso eu mais livre, responsável e corajoso? Como estarão nossas mãos diante de Deus no grande dia da prestação de contas ao Senhor? Vazias? 

Devemos constantemente refletir sobre nossa fidelidade aos nossos princípios e propósitos. Ser virtuoso é ser fiel ao propósito, é realizá-lo com determinação, disciplina e amor. Só ama verdadeiramente aquele que está livre para doar-se aos outros. O amor não é um sentimento, nem emoção. Amor está profundamente relacionado com doação. “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá sua vida para seus amigos.” João 15:13. 

Somos livres a medida que desenvolvemos o autoconhecimento e o conhecimento do mundo que nos cerca. O ser humano livre jamais age com dolo, mas sempre com boa fé. É vital que afastemos de nós, pelo meio que nos pareça mais seguro e lícito, tudo aquilo que existe na natureza das coisas que julgamos ser mau,ou seja que  julgamos poder impedir que existamos e que desfrutemos de uma vida racional.

Quão valiosa é a liberdade para você ? Mas o que é a liberdade sem a sabedoria e a virtude? Precisamos lutar por liberdade com toda nossa capacidade e devemos usar dessa liberdade com responsabilidade. 

A verdadeira liberdade não consiste na escolha entre o bem e o mal, e sim no poder voltar-se para o bem e renunciar o mal. 

É para cumprir este propósito que a Hope & Justice Foundation existe; voltar-se para o bem e renunciar o mal. Levando esperança, promovendo a justiça e lutando por liberdade. Servir a comunidade, a Nação sempre pautada nos Princípios Cristãos, Constitucionais, na Lei e na Ordem. 

O propósito destas minhas palavras como Fundadora e Presidente da Hope & Justice Foundation é apresentar nesta data solene e comemorativa os Princípios, Valores e Virtudes que são os Fundamentos da nossa instituição, além de exortar todos vocês à uma vital reflexão sobre a responsabilidade de cada um como cidadão e cristão nessa grande guerra que estamos travando contra os inimigos da vida, da dignidade humana, da justiça, do bem e da paz.

Louvo a Deus por essa tão valiosa oportunidade de humildemente servir aos meus irmãos, a toda sociedade e a essa grande Nação. Louvo a Deus pelas vidas preciosas que abraçaram essa nobre causa, e as que estão por vir. Rogo a Deus que encaminhe as vítimas que clamam por socorro até nós. E por fim, registro publicamente a minha eterna gratidão a todos que apoiam o nosso trabalho.

Anna Alves-Lazaro.

Convivendo perigosamente com a inflação

Ilton Caldeira

O ano de 2021 tem se mostrado um período atípico e desafiador em muitos aspectos. Mas olhando do ponto de vista estritamente econômico, um velho conhecido também resolveu dar as caras, e apimentar ainda mais o cenário tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil: o dragão inflacionário.

Os motivos para esse ressurgimento diferem um pouco entre os dois países. A inflação ao consumidor nos Estados Unidos, acumulada em 12 meses até agosto, está em 5,3%, segundo dados divulgados em 14 de setembro pelo U.S. Bureau of Labor Statistics.

Parte dessa elevação se deve a alguns ajustes, devido ao represamento da demanda dos consumidores por produtos e serviços durante a pandemia. Mas boa parte da pressão na cadeia de produção pode ser um problema de duração mais longa do que se pensa, por conta da dificuldade nas redes de suprimentos e de transporte marítimo, e eventualmente podem criar problemas para os preços que podem perdurar para além de 2021.

Os rumos no mercado de trabalho, onde a falta de trabalhadores em diversos setores e a demanda por melhores salários, indicam que a pressão inflacionária pode ser mais persistente e mais alta do que o observado em um passado recente nos EUA.

Já no Brasil um misto de desconfiança com os rumos do país, temperado pelo embate institucional, somado com incertezas sobre o câmbio, escalada dos preços do petróleo e derivados,  têm fortes impactos na cadeia de produção, distribuição e consumo de produtos e serviços. Esses aspectos vêm castigando de forma severa todos os elos da corrente. 

Aliado a isso, o país vive um forte período de estiagem, cujo seu derivado, a crise hídrica, tem levado o preço da energia para as alturas.

No curto e médio prazos, as armas à disposição do Banco Central têm sido a elevação dos juros e as tentativas diárias via leilões cambiais para amortecer um pouco as oscilações do dólar, evitando um impacto maior sobre os preços locais. 

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, foi de 0,87% em agosto, o maior para o período em 21 anos.

Com isso, o indicador acumula alta de 9,68% nos últimos 12 meses, se aproximando de romper a barreira psicológica dos dois dígitos. Ou seja, o dragão voltando a aterrorizar com força.

Muitos brasileiros imigrantes na América possuem negócios ou parte da renda atrelada aos dois países. Nesses casos, será necessário ainda mais atenção e planejamento com a questão da inflação e do câmbio. Amenizar esse impacto virou questão urgente.

Para quem vive de repasses de recursos do Brasil para os EUA, esses efeitos potencializam ainda mais o impacto sobre as receitas, corroendo de forma implacável o poder de compra. Uma dolarização maior das receitas pode ajudar a amenizar parte desse impacto. 

Mas manter por um horizonte longo de tempo essa estratégia de transferência de receitas em reais do Brasil para uma vida baseada em dólar nos EUA é forma arriscada de flertar com o jogo voraz da economia, dobrando as apostas pelo risco.

Praias lindas e eu via tudo cinza

Camila Brasil

Atualmente, Camila está com 19 anos, mora em Lisboa há dois anos e o pior já passou. Mas lembra que aos 15 se mudou para a Austrália com a mãe e lá ficou bastante deprimida. 

“Praias lindas e eu via tudo cinza” –

 diz ela.  

A situação foi se agravando aos poucos. Foi perdendo o apetite e dormindo cada vez mais cedo pra evitar a noite, quando tudo “ficava pior”, até não querer ir mais para a escola. Chegava a ir de carro com a mãe mas se recusava a descer do carro e voltava para casa. 

Quando começou a frequentar a escola, não queria se enturmar, mas quando os grupos foram se formando, ela foi se sentindo excluída e isso piorava as coisas; não tinha amigos, não saia de casa e se sentia muito sozinha. Passou a ter questões existenciais. Nunca pensou em suicídio ou coisa parecida, mas se perguntava: qual o sentido da vida? Por que estamos aqui?   

Descobriu Nietzche e se identificou com o pensamento do filósofo alemão, além de se apaixonar pela leitura. “Encontrei nos livros grandes amigos que me faziam companhia“.

Hoje, analisando a situação, ela atribui a depressão a alguns fatores: de uma hora pra outra, tudo deixou de ser familiar, a comida, os costumes, além de ter ficado longe dos amigos e da avó, com quem cresceu. Além disso, como chegou no meio do ano, não conseguia acompanhar as matérias e não se sentia pertencente ao grupo de colegas. 

Camila acredita que muitos adolescentes que mudam de país devem passar por isso. “É uma ruptura em um momento que a gente está fortalecendo os laços de amizade”  diz ela.

Cada um tem sua história, mas na opinião de Camila, alguns fatores da modernidade afetam a todos e angustiam os jovens, como a necessidade de definir uma profissão, entrar na faculdade e a preocupação com o futuro profissional. Ela, por exemplo, gostaria de fazer filosofia ou artes, mas está se preparando para um curso de biotecnologia pensando na sobrevivência financeira. 

“Além disso – acrescenta – o mundo virtual também gera ansiedade. Tem gente que se aborrece porque recebe poucos likes, as coisas estão ficando muito superficiais, isso tudo causa uma insatisfação constante”.

Se mudar para Lisboa lhe fez bem. “Foi uma luz – conta – é muito difícil num lugar que a gente não gosta”. Em Portugal, ela fez amigos e está mais feliz. E olha de forma positiva tudo o que passou:

 “Me ajudou a amadurecer, não que eu tenha descoberto as respostas para os meus questionamentos, mas aprendi a aceitar o que não tem resposta. E aprendi a gostar dos meus momentos de solidão, até gosto quando estou sozinha”, ela conclui.