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Houve um motivo que deu início à depressão?

Fabiana Oliveira

Troquei de trabalho e era muita pressão, comecei a desenvolver crises de pânico, ansiedade e muita dificuldade para dormir. Piorava a cada dia. Como sempre fui muito extrovertida e comunicativa, minha família e os amigos não perceberam os primeiros sinais porque eu vivia uma realidade para a sociedade e outra de solidão interna. 

Em meio a um surto, me lembro apenas de flashes, me joguei na frente de um carro na John Young Parkway. O carro parou a tempo, mas no dia seguinte à noite saí vagando pelas ruas e meu esposo foi atrás. 

Meu esposo decidiu me levar ao psiquiatra e fui internada em um hospital psiquiátrico. Quando tive alta, tentei me afastar do trabalho, mas disseram que eu não podia, então continuei mesmo sem condições.  

Certo dia, em uma reunião, acabei tendo outra crise. Depois disso, fui afastada e fiquei meses sem querer sair de casa, me isolei de tudo e de todos. Não tomava banho, comia compulsivamente, não cuidava da casa, nem da família, só chorava muito e dormia. Foram anos de grande desespero, sem ver uma solução. 

Os primeiros tratamentos não ajudaram?

No início, eu mentia para a psicóloga por vergonha e medo. Levou um tempo para eu me abrir. Em 2019 foi o auge das crises, foi quando tentei me matar e acabei internada. Depois disso, mesmo em tratamento com psicólogo, psiquiatra e tomando vários remédios eu ainda tinha crises, eles não resolviam e eu me sentia frustrada. 

Chegou a pensar outras vezes em suicídio?

Sim, tentei algumas vezes. Cortei a rede do meu apartamento e tentei pular. Me joguei em frente de carro. Tomei vários remédios. Às vezes ia atravessar e pensava em me jogar em frente dos carros. 

Agora, o tratamento tem sido eficaz?

Depois de um longo período de terapias e remédios, meu psicólogo e minha psiquiatra conversaram e me sugeriram um novo tratamento – o TMS. Relutei no início, não acreditei que ia me ajudar, mas dois meses depois iniciei o tratamento. 

No final de 36 sessões eu já era outra pessoa e todos à minha volta percebiam a diferença. Até já diminuí os medicamentos. Hoje só tomo um para a depressão em dose baixa e outro para ADD ou TDAH. 

Como você está agora? 

Ainda sigo com acompanhamento psicológico e psiquiátrico, mas me sinto 90% recuperada, retomando a vida. Hoje, com minha fé restaurada, o apoio da família, dos amigos e de  excelentes médicos, consigo viver e conviver bem. Hoje amo ir à igreja, estar com a família e amigos, voltei a ajudar na comunidade, voltei a estudar e tenho muitos planos para o futuro. Quero viver e ser feliz ao lado das pessoas que amo. 

O que diria pra quem está passando por isso?

Busque ajuda o mais rápido possível, não sofra calado, as pessoas não sabem o que você sente. Busque um profissional, seja verdadeiro e, se precisar de remédios, não tenha medo, dependendo do caso eles são necessários. 

Depressão: cuidado com essa armadilha

Eliana Barbosa

Tendo sido comemorado, no dia 10 de setembro, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, com o objetivo de aumentar a conscientização sobre esse tema tão sensível e devastador, vamos refletir juntos sobre um sofrimento mental que, a meu ver, é a causa primeira das tentativas e das ocorrências de suicídio – a depressão! 

Sem dúvida, a depressão é um dos grandes males deste século, e tem arrasado muitas vidas e relacionamentos. E é preciso que fiquemos atentos, porque ela geralmente se inicia de forma sorrateira, e vai, pouco a pouco, invadindo o nosso cotidiano.

Muitas pessoas relatam sobre uma tristeza constante, falta de ânimo para viver a  rotina e até para conviver com seus parceiros, falta de “cor” na própria vida. Outras, principalmente as mulheres, se dizem deprimidas porque seus filhos cresceram e “bateram asas”, e elas não se prepararam para essa fase, na qual poderiam aproveitar para se dedicar à vida amorosa, viajar ou mesmo fazerem novas amizades.

Se você tem se sentido assim, veja como agir para se livrar dessa “armadilha” chamada depressão:

• Primeiramente, procure o apoio de um profissional do comportamento humano para que você se conheça melhor, possa desabafar suas dores e medos e aprender a traçar planos para sua mudança interior e cura. 

• Se esse profissional detectar que você está com depressão mesmo – séria doença mental – e se ele não for médico, é hora de você consultar um psiquiatra, porque o tratamento adequado da depressão necessita de remédios alopáticos, além do acompanhamento psicológico. Lembre-se que psiquiatra, ao contrário do que dizem os desinformados, não é “médico de doidos”, e sim, médico de qualidade de vida! E você sabe: quem tem depressão tem uma vida totalmente sem qualidade! 

• Faça também sua parte: situe-se no presente, no “aqui e agora”. Isso mesmo! A tristeza que se torna depressão é bem comum em pessoas que guardam ressentimentos, decepções e culpas – sentimentos do passado – e são inseguras quanto ao futuro – daí a ansiedade, que é um dos sintomas da própria depressão. 

• Ao ficar preocupado demais com o futuro, ou cheio de mágoas, culpas e saudades do passado, você simplesmente perderá o equilíbrio de sua vida e, assim, se tornará vulnerável às doenças, sejam físicas ou mentais. 

• Guarde bem: sua vida é como se fosse um navio e sua mente é o capitão desse navio. Se sua mente (o capitão do navio) está em desarmonia ou desequilíbrio, sua vida (o navio) com certeza perderá o rumo. 

• Dessa forma, preste atenção em sua mente – escolhendo pensamentos otimistas, gratidão, bom humor, novos amigos e aprendizados -, bem como em suas emoções – curando sentimentos tóxicos –, e aprimore sua espiritualidade – alinhando suas ações ao seu propósito de vida. 

• E, assim, de forma integral, cuidando do corpo, da mente e da alma, permita que a alegria esteja de volta em todos os dias de sua vida! 

Acredite: Você merece!

DEPRESSÃO

Luciana Bistane

Considerada o “mal do século” pela Organização Mundial de Saúde, a depressão afeta, em todo o mundo, cerca de 300 milhões de pessoas de todas as idades, e vem crescendo entre os adolescentes. A Covid-19 teve participação importante no aumento nessa faixa etária. 

Um estudo feito pela Universidade de Calgary, no Canadá, que teve a participação de mais de 80 mil jovens de várias regiões do mundo, concluiu que cerca de 25% deles apresentaram sintomas altos de ansiedade devido à pandemia e entre eles os sintomas de depressão duplicaram em comparação com estimativas feitas antes de 2019.     

Os fatores podem ser genéticos, biológicos, ambientais ou psicológicos. A intensidade pode ser leve, moderada ou grave. Um transtorno que afeta a capacidade de dormir, trabalhar, comer, se relacionar e nos casos mais graves pode levar ao suicídio. 

Segundo a Organização Panamericana de Saúde, cerca de 800 mil pessoas se matam por ano e o suicídio já é a segunda causa de morte entre pessoas com 15 e 29 anos. Sim, depressão é coisa séria. 

Quando o motivo é mais evidente, como a perda do emprego, luto na família ou trauma psicológico, é mais fácil identificar o problema. Mas em muitos casos, a depressão vai se instalando aos poucos. Os sinais são variados e nem sempre claros: um cansaço extremo, irritabilidade, angústia, pensamentos obsessivos, perda de apetite ou comilança exagerada, comportamentos compulsivos, problemas ou disfunção sexual, entre outros. A duração depende da pessoa, do motivo e de como a questão foi enfrentada. 

Embarcamos nesse tema para alertar sobre o problema. Uma dessas entrevistadas não quis ser fotografada, mas as duas abriram seus corações para compartilhar suas experiências. 

A corretora de imóveis Fabiana Oliveira chegou ao fundo do poço, mas conseguiu se livrar do sofrimento e está retomando a vida. A estudante Camila Brasil também conta como superou a pior fase. E em artigo assinado por ela, a psicóloga Eliana Barbosa dá várias sugestões que podem ajudar a enfrentar e vencer a depressão. 

Boa leitura!

Coisa de Louco!

Já foi o tempo de se rotular como “louco” um indivíduo que sofre de depressão. Quem pensa assim deveria ser taxado de preconceituoso ou ignorante. A ciência já avançou o suficiente para entender que a depressão é uma doença de difícil diagnóstico. E, apesar de não garantir cura completa, é um transtorno que pode ter bons resultados com terapias e uso de medicamentos corretos. 

Apesar disso, o difícil para o paciente acometido pela depressão é enfrentar a discriminação entre seus pares. Somente quem já passou pela experiência, -seja com episódios de depressão, ansiedade, bipolaridade, déficit de atenção, hiperatividade, síndrome do pânico, irritabilidade-, sabe a sensação de desespero em não conseguir manter o controle no momento do episódio.

Médicos apontam que os sintomas podem ocorrer por um desbalanceamento químico, formação genética, personalidade e fatores ambientais. Geralmente vem seguido de traumas como luto, parto, perda de emprego, separação conjugal, estresse e baixa autoestima. Seja o que for é muito difícil conviver com estas bruscas oscilações de humor, pânico, medo, euforia, tristeza e discriminação social. 

O assunto é complexo e preconceituoso. Convidamos 6 pessoas e somente 2 concordaram em participar da pauta. Agradeço a coragem de Fabiana e Carolina por compartilharem suas experiências com o leitor do B&B. 

Boa leitura.

Escritores brasileiros na Flórida entre os mais votados do Focus Brasil NY 2021

Nereide Santa Rosa

O Focus Brasil New York 2021 e a Academia Internacional de Literatura Brasileira, que hoje congrega quase 600 membros, todos eles escritores brasileiros com obras publicadas, de todas as partes do mundo, recentemente anunciaram os cincos escritores mais votados em oito categorias do Prêmio Awards Destaques Literários de 2021. Entre os 40 escritores mais votados, aqui destacamos os escritores brasileiros residentes nos Estados Unidos. Parabéns a todos!!! A literatura brasileira também se destaca entre a comunidade brasileira nos Estados Unidos.

Angela Bretas reside nos EUA desde 1985, escritora, jornalista e poetisa. Idealizou e coordenou duas antologias nos Estados Unidos “Brava Gente Brasileira em Terras Estrangeiras” volume I e II , coletâneas pioneiras de escritores brasileiros radicados no exterior. Possui livros de poesia, de poetrix e de contos. Foi condecorada com prêmios na área da literatura; duas vezes vencedora do Brazilian International Press Awards, palestrante convidada na Universidade da Geórgia, participou do Focus Brasil NYC; é acadêmica da Academia Internacional Poetrix. Angela é catarinense e divide sua vida entre Flórida e Brasil.

Maristela Rocha Cerqueira, advogada, pós-graduada em Processo Civil, Pós-graduada em Desenvolvimento de Produto com Formação em Gestão de Grandes Projetos e Mídias Sociais, estudante, filha, mãe e empresária, construiu, além de uma linda família, uma empresa de sucesso que figurou entre as empresas que mais cresceu no Brasil. Seu livro “Think About It! – O poder da reflexão” narra a sua trajetória, uma mulher comum que soube extrair das muitas adversidades da vida o combustível para vencer no competitivo mundo empresarial e construir uma carreira vitoriosa sem abrir mão do melhor de sua essência. Ao apontar e analisar os caminhos que percorreu, Maristela conduz o leitor a uma profunda reflexão que o ajuda a rever suas escolhas pessoais. Este livro é também uma poderosa ferramenta para todos os que desejam fazer mudanças de carreira e até mesmo de país. O desafio de parar, refletir, decidir e agir levou Maristela a conquistar seus sonhos profissionais e pessoais, e pode ajudar igualmente qualquer pessoa que se predisponha, com sinceridade e fé, a fazer semelhante jornada de sucesso e paz interior.

Deocleide Britos vive em Orlando,FL há 22 anos é professora do ensino fundamental, pedagoga, pós-graduada em psicopedagogia. Casada com Amilton, mãe do Wesley e Sarah (in memorian). Coordenadora pedagógica do Projeto Português Como Língua de Herança do New Hope Assistance Center onde cria todo o programa curricular para o projeto. Há 6 anos trabalha na Hunter’s Creek Middle School como Portuguese Paraprofessional. Atualmente vem desenvolvendo uma Proposta Curricular para o Ministério de Educação Infantil da Igreja Nova Esperança. Em 2015 escreveu o livro “Sarah Britos Uma História de Amor e Fé”, onde ela conta a trajetória da família com a filha diagnosticada com Neuroaxonal Distrofy. Em 2017 ganhou o Prêmio Mulher Brazil USA, e, em 2018, ganhou o prêmio Focus Brasil/Personalidade da Língua Portuguesa. Atualmente está lançando o livro “Ostra feliz não produz pérolas”.

Patricia Fraga Rocha Rabelo é PhD em arquitetura, educadora e autora de diversos capítulos e livros na área de educação, arquitetura e urbanismo. Patrícia Fraga é fundadora da Abayomi, presidente da Planeta Ética, Inc e consultora para felicidade nos ambientes. PhD em arquitetura, educadora e autora de diversos capítulos e livros na área de educação, arquitetura e urbanismo, vem se destacando nos últimos anos pelo trabalho na aplicação da Metodologia Abayomi, uma proposta pioneira de promoção de espaços inteligentes e felizes. Publicou seu mais novo livro, “Cidades Inteligentes e Felizes: convergências e conexões”.

Marcos Rossi é romancista, descendente de italianos, brasileiro do interior paulista e morando nos EUA desde 2004, Marcos é o que se pode chamar de cidadão do mundo, tendo visitado a trabalho ou a lazer, mais de quarenta países em cinco continentes. Ele é fluente em inglês, português e espanhol e têm seus três livros publicados no Brasil e nos EUA.

Formado em Economia e em Administração de Empresas pela Unicamp, tornou-se especialista em Logística, trabalhando nesse campo por mais de duas décadas e ensinando a disciplina em uma grande universidade na área de Miami.

No entanto, seu profundo interesse pela psicologia e natureza humana o levou a estudar o assunto e a obter a certificação como Life-coach. Hoje ele ajuda organizações e pessoas a alcançar um patamar mais alto.

Espiritualista, Marcos estudou as principais religiões e aproveitou suas viagens para visitar sítios arqueológicos, templos budistas e hindus, mesquitas, sinagogas e igrejas cristãs, inserindo tais experiências em seus escritos.

Ele também ama História e usa a maior parte de seu tempo livre lendo e assistindo documentários relacionados, o que o levou a concentrar seus romances em momentos históricos de sua preferência.

Seu mais novo romance “A Mais Bela Travessia” conta a saga de Matteo, um jovem que imigra da Itália para o Brasil no final do século XIX e passa pelas mais diversas aventuras e experiências de vida em uma terra estranha, imerso em uma cultura e idiomas que ainda não entende. Ambientado em um Brasil de um século atrás, o drama aborda temas intrigantes, polêmicos e atuais como o racismo, sincretismo religioso, pandemia, emancipação feminina e disputas ideológicas. Mas Marcos segue com novos projetos e diversificando sua atuação como escritor, trabalhando agora em uma biografia. Marcos vive em Miami, é casado com Vania e é pai de Gianlucca e Gianpietro.

Mentalidade do Imigrante

Jean Chamon

Dando continuidade ao nosso texto da edição anterior que falava sobre mentalidade de crescimento, vamos aprofundar fazendo a correlação com a mentalidade do imigrante que geralmente atravessa múltiplos desafios nessa jornada. 

É sabido que cada pessoa tem sua própria configuração genética, mas hoje se acredita que por meio de experiências, treinamento e esforço pessoal muitas habilidades podem ser desenvolvidas durante um ciclo de vida. Atualmente, a postura e mentalidade tem a capacidade de mudar seu perfil psicológico e os resultados em sua vida, negócio ou família.

Conforme afirmado pela Dra. Carol Dweck em seus estudos, quando pessoas acreditam que suas qualidades básicas podem ser desenvolvidas e melhoradas, as falhas, desafios e frustrações quando acontecerem irão de toda forma trazer dificuldades e dores, mas certamente não serão definidores de uma postura ou situação. 

No caso do imigrante vejo que essas afirmações são um exercício diário, pois mindset de crescimento estimula o alcance de objetivos por meio de ações e trabalho duro (Yeager, Dweck, 2020). Analisando do ponto de vista do imigrante, o mindset de crescimento estimula uma melhor adequação e adaptação em vários estágios do seu processo imigratório como por exemplo: Podemos elencar inúmeras questões em que a mentalidade de crescimento favorecerá o imigrante para ser mais bem sucedido em suas escolhas de vida, encarando de forma aberta e plena os desafios e aprendizados oferecidos.

A Dra. Dweck (2006) apresentou estudo que podemos relacionar com a vida do imigrante. O estudo se deu sobre o aprendizado de línguas na Universidade de Hong Kong analisando os perfis de mentalidade fixa e de crescimento. As classes regulares na universidade são ofertadas em língua inglesa e muitos alunos não possuem proficiência na língua. A universidade pesquisou se a oferta da disciplina de língua inglesa para alunos não proficientes seria bem recebida pelos calouros. Como resultado da pesquisa os alunos identificados com mentalidade de crescimento afirmaram enfaticamente que teriam interesse em fazer a disciplina. Entretanto, os alunos com mentalidade fixa, negaram a possibilidade de fazer parte da disciplina ofertada.

Em uma análise simples relacionada ao expatriado, é sabido que muitos por questões de não proficiência na língua nativa do país em que vivem optam, por receio de falhar, em viver somente em comunidades de imigrantes da mesma etnia e continuar falando a língua pátria. Correlacionando com o estudo da professora Carol Dweck vejo um espelho que muitos dos imigrantes pelo pensamento fixo se colocam em situação de evitar desafios ou potenciais derrotas. De forma direta podemos inferir que o imigrante com pensamento e mentalidade de crescimento tem maior chance de aprendizado da língua local do país que decidiu viver.

Outro fator que podemos correlacionar o tema ao mundo dos negócios e carreiras. Muitos imigrantes de mindset fixo buscam continuar os mesmos tipos de negócios e atuações profissionais que anteriormente exerciam em seu país de origem, sem observar que o cenário mudou completamente.

De outra forma, bem como os CEOs de sucesso, a mentalidade de crescimento no imigrante pode auxiliar a possibilidade de inovar e desenvolver produtos, aptidões, carreiras e habilidades que lhe forem apresentadas entrando em um ciclo de aprendizado contínuo em toda a sua vida. Historicamente, muitas nações foram e são desenvolvidas por imigrantes inovadores que certamente apresentam mentalidade de crescimento em muitos casos.

O imigrante que foca cada situação como oportunidade de aprendizado, sairá ao final da jornada muito mais forte e preparado do que quando se posiciona de forma negativa e estagnada, visualizando apenas os problemas. Modificando o pensamento, tão logo construirá novos hábitos que resultarão em ações impactantes para os objetivos que querem alcançar. 

Positividade sempre! 

Forte abraço!

O Oriente Médio (novamente) em chamas

Peter Ho Peng

Parte III – A guinada mundial

O que há então de novo? O mundo repudiou Israel nesse conflito. A Europa quase inteira (menos a Hungria, não me perguntem por quê) irá reconstruir a Palestina. Não classificaram publicamente as ações de Israel de Terrorismo Estatal, mas para o bom entendedor meia palavra basta. Mesmo dentro de Israel os oponentes do primeiro-ministro Netanhyahu se unem para fazer um governo de coalizão, que substitua o atual. Essa coalizão vai de A a Z, compreende todo o espectro político do país. A maldade das “margaridas” israelenses foi tão óbvia que os judeus mundiais não querem se identificar com essas flores. A Anti Defamation League, organização judia anti-zionista, tradicionalmente liberal e associada à esquerda americana, está quieta.

Quem fez Israel foram os americanos, após a Segunda Guerra, e, com a simpatia mundial, após o holocausto, foram com tudo em cima dos palestinos, apropriando-se de suas terras paulatinamente. Houve retaguarda militar de outros países, mas não se enganem: foram os americanos que fizeram Israel. O século XX foi o século da pax americana; tudo que se fazia no mundo era feito com um só corretor: os EEUU. 

O dinheiro da ajuda humanitária mundial vai reconstruir a Palestina, mas deveria ser totalmente dinheiro americano; quem fez a cacáca foram eles, mas o resto do mundo vai ter que limpar. Porém os americanos estão dando uma guinada na sua política. Tradicionalmente o Partido Democrata sempre foi o maior apoiador de Israel. Agora a política atual de Israel não encontra eco no Partido Democrata. A condenação a Israel veio principalmente dos congressistas democratas. Enquanto Trump e Netanyahu, o chefe de Israel, eram gêmeos univitelinos, agora mesmo o Partido Republicano está em silêncio. Leitores do B&B, vós notastes esse silêncio? 

Biden prometeu ajudar na reconstrução de Gaza. Com um pequeno caveat, mais para inglês ver: diz que vai canalizar a ajuda americana não para Hamas, que os EEUU chamam de organização terrorista, mas vai canalizar dinheiro para a Autoridade Palestina, um governo que não funciona, corrupto e disfuncional. E sempre afirmando seu apoio incondicional a Israel. Biden tem que ajudar na reconstrução de Gaza. Claro, foram eles que fizeram o estrago. Como posso fazer essa afirmação? 

Aqui tem um dito popular: Follow the money = Siga o rastro do dinheiro. Como o seu dinheiro, ou o nosso dinheiro, os impostos que pagamos, como isso contribui para a guerra no Oriente Médio? Simples. Grande parte dos fundos americanos que vão para Israel, são arrecadados via um canal que o IRS (Internal Revenue Service) chama de 501(c)(3). São ONGs, filantropias que vivem de doações, os doadores recebem abatimento do imposto de renda. Judeus americanos, ricos ou não, e americanos simpatizantes com as vítimas do holocausto, contribuem para Israel. Existem mais de 20 tipos de ONGs 501(c). Mas essa filantropia é solicitada para pesquisa e desenvolvimento, educação, defesa, coisas desse tipo; não poderia ser destinada para ataque, destruição e ocupação. É evidente que os helicópteros Apache e suas bombas são usados singularmente para ataque e destruição. Nenhum contribuinte para Israel quer se identificar com o que Israel fez agora. Israel sempre fez isso, mas agora passou da linha. Aqui o IRS não dá moleza. Vejam o próprio Trump enroscado com o IRS. Essa torneirinha pode e deve ser fechada. Mas será fácil mudar de roupa.

Um probleminha: Como exército ocupacionista, Israel controla tudo que entra e que sai da Palestina. Essa ajuda humanitária, para reconstruir hospitais, escolas, usinas de tratamento de água e esgoto, moradias, vai ter que pagar imposto de entrada, os custos do exército ocupacionista para abrir,  vistoriar, inventariar, conferir, reconferir, fechar e lacrar cada contêiner. Fazer todo esse trabalhão deve custar os olhos da cara; digamos, 30% do valor dos conteúdos de cada contêiner. A nossa famosa rachadinha, vestindo outras roupas, ternos e chapéus pretos. 

Mostrei nos artigos anteriores como os EEUU, esse mesmo país, ele próprio, foi construído da mesma maneira que Israel vai sendo, destruindo a Palestina, no caso atual; e os americanos destruindo os nativos, no caso anterior. Os americanos dão aulas de moral ao resto do mundo, mas para quem conhece História, os EEUU não possuem autoridade moral para dar lições de moral ao mundo. O pobre Biden, com todos os seus pepinos que tem por aqui, ainda tem que descascar abacaxi no Oriente Médio (abacaxi plantado e cultivado por eles mesmos). O Biden fala ainda no “two-state solution”, a criação de um estado palestino, que possa conviver pacificamente com um estado vizinho. Eu não creio na sinceridade disso; afinal, fala-se nisso desde que Israel existe. Enquanto isso, o seu plano de tentar usar investimento estatal feito com dívida orçamentária para infraestrutura vai sendo diluído pelos republicanos. Mas o investimento estatal em tecnologia para combater a China vai em frente.

Já que falei na China, notaram que eles ficam quietos nesse questão do Oriente Médio? É da cultura chinesa não botar azeitona no pastel dos vizinhos. E os americanos, vivem fazendo isso, botando azeitona no pastel dos outros, enquanto os seus pastéis estão furando e afundando no óleo, já preto de tanto uso. 

Minhas previsões: 

– Os quadros do Hamas vão engrossar exponencialmente.

– Netanhyahu vai ser despojado do poder e vai enfrentar a justiça israelense por corrupção. Israel vai ter nova liderança mas não vai mudar.

– Se houver alguma solução, não será liderada pelos EEUU. Ninguém mais acredita em  pax americana. É simples: os EEUU tem um montão de problemas neste momento. China. Covid. China. Orçamento. Fraude eleitoral. China. Racismo. Xi. Aquecimento global. Mais racismo. As iniciativas republicanas para supressão eleitoral. 5G. Captação de recursos para financiar seu plano de investimentos estatais para competir com a China. Inflação. Eleições de 2022. Tratado nuclear com o Irã. China. Os 30% da população que não quer ser vacinada. Furacões. De novo  China. Ai ai ai. Sim, o Biden bem que gostaria de dizer: danem-se vocês aí no Oriente Médio. Mas ele tem que estar no meio da confusão. E falando sempre pelos dois lados da boca, pois não pode perder votos em 2022. E em 2024 tem a volta do Trump. Fraude eleitoral vai sair da primeira página. Voltará a China à primeira página.

Balanço final. Quem venceu essa guerra? Não foi Israel. Não foram os EEUU. Não foram os civis palestinos. Não foi Hamas. Não foi o povo de Israel. Não foram os judeus externos que sustentam Israel com doações.  Não foi Netanyahu. É isso.

O Fracasso Ensina

Eliana Barbosa

Muitas são as pessoas que, ainda hoje, apesar de tanta inteligência e potencial para o sucesso, não conseguem se destacar na vida profissional e nem serem felizes em seus relacionamentos. Provavelmente você conhece indivíduos que são esforçados ao extremo, estudiosos, mas que se consideram “sem sorte” porque nada que empreendem dá certo. Eles querem vencer e se sentir realizados, mas sempre ficam com a sensação de que falta alguma coisa nessa trilha da vitória. 

O primeiro passo para se resolver essa questão é o autoconhecimento, o olhar pra dentro de si, conscientizando-se de que a tão almejada transformação interior só é possível quando se decide mudar a postura diante das adversidades, do fracasso e das perdas, no sentido de desenvolver o autocontrole –habilidade que nos permite gerenciar emoções, desejos e reações, mantendo o foco em objetivos relevantes, e de persistir, mesmo em situações mais problemáticas.  

Autocontrole é uma das mais fortes características da inteligência emocional. 

Esse preparo para enfrentar problemas ou mesmo as derrotas, e acatar os “nãos” que a vida oferece, é uma competência que vem sendo bastante estudada em vários países. 

Neurocientistas e psicólogos têm descoberto que as crianças que, ao longo de sua educação, aprenderam a lidar com perdas e frustrações, sem negativismo e autopiedade, apresentaram um melhor rendimento escolar, afastaram-se dos vícios, conseguiram poupar  dinheiro, e tornaram-se adultos mais felizes e bem sucedidos. 

Nesse estímulo para o desenvolvimento de suas personalidades, foi ensinado a elas a importância de se combater o sentimento de urgência, compreendendo que mais vale uma recompensa maior no futuro do que uma recompensa menor disponível no presente. 

Embora a habilidade de controlar impulsos decorra, em parte, de nossa herança genética, é importante saber que há também influência do ambiente, ou seja, da família e escola. Por isso, com o objetivo de desenvolver o autocontrole de seus alunos e estimulá-los a encontrar soluções para desafios, no mundo todo tem aumentado o número de escolas que criam jogos cujo prêmio depende da habilidade em lidar com a frustração, fazer escolhas melhores e adiar decisões, quando necessário. 

Por isso, para que pais e educadores consigam realizar suas missões com louvor, é importante que estejam prontos para preparar crianças e jovens para as naturais dificuldades da vida. Como diz o psiquiatra e escritor Augusto Cury, “Bons jovens se preparam para o sucesso. Jovens brilhantes se preparam para as derrotas. Eles sabem que a vida é um contrato de risco e que não há caminhos sem acidentes”. 

E lembre-se: nunca é tarde para mudar, adquirir novas habilidades, e ser feliz e bem-sucedido. Basta afastar de sua mente a idéia da perfeição e fazer de cada fracasso vivido uma experiência de motivação e aprendizado.

Criptomoedas podem revolucionar os investimentos em cidades americanas

Ilton Caldeira

Um novo capítulo na história das moedas virtuais está surgindo no horizonte: as criptomoedas lançadas por governos locais. A primeira iniciativa do gênero foi apresentada no início de agosto pela cidade de Miami, na Flórida (EUA). A MiamiCoin é a primeira CityCoin lançada com o objetivo de apoiar projetos de interesse público na Magic City (apelido da cidade) com a possibilidade de gerar lucros aos investidores por meio da valorização desse ativo.

Em sua essência, uma criptomoeda é o equivalente a dinheiro digital descentralizado, projetado para ser usado na internet. O Bitcoin, lançado em 2008, foi a primeira divisa virtual e continua sendo de longe o ativo mais popular nesse segmento. Mais de uma década depois, o Bitcoin e outras criptomoedas cresceram e ganharam presença nos mercados mundiais como alternativas digitais ao dinheiro emitido pelos Bancos Centrais.

A moeda virtual de Miami, ainda em fase inicial, prevê que cerca de 30% dos ativos sejam direcionados para uma carteira específica para uso em investimentos na cidade. Os investidores, por sua vez, seriam remunerados via Bitcoins. Além de Miami, a cidade de San Francisco, na Califórnia, também prepara o lançamento de uma iniciativa nos mesmos moldes, com sua própria CityCoin.

O movimento capitaneado da Flórida pode se espalhar rapidamente pelos EUA. Miami e o próprio condado de Miami-Dade, onde a cidade está localizada, estudam ampliar o uso de criptomoedas para permitir que os cidadãos paguem impostos utilizando ativos virtuais conversíveis em dólares e que funcionários públicos sejam remunerados por meios da moeda local. Para isso, uma força-tarefa foi criada com 13 membros locais para examinar a viabilidade de permitir que os residentes paguem seus impostos municipais, bem como taxas e serviços, usando moedas digitais.

Especialistas em finanças nos EUA avaliam que especificamente no caso de Miami a criptografia poderia ser atraente para os residentes devido à grande população da cidade ser oriunda de outros países. Como a criptografia é armazenada em carteiras digitais e não está vinculada a um país específico, os investidores estrangeiros e residentes não precisariam pagar taxas de câmbio para mudar sua moeda local para o dólar e vice-versa.

Mas para que essas propostas ainda nascentes possam de fato conquistar terreno e diversos “cripto hubs” se espalharem, questões legislativas e regulatórias precisam caminhar em paralelo. Para avançar com seus projetos, Miami não pode fazer isso sem que o poder legislativo do estado da Flórida aprove um pacote de leis pró-criptografia.

Miami tem como vantagem sobre outros centros de criptografia emergentes, até mesmo Wyoming, que já tem leis estaduais de suporte à criptografia, ser uma cidade internacional com uma infraestrutura bancária desenvolvida, e ter capitalistas de risco e indivíduos com alto patrimônio interessados ​​em financiar a inovação e o mercado de ativos digitais.

Todos esses pontos são importantes, mas a clareza e a segurança jurídica são questões centrais para que esse ambiente financeiro aflore de fato. A maior parte do trabalho jurídico precisa acontecer no nível federal. O foco maior na discussão atual em Washington está voltado para o combate à lavagem de dinheiro, uma melhor cooperação internacional entre os diversos governos nacionais (países) e subnacionais (Estados, condados e cidades), a recuperação de ativos e uma estrutura bem azeitada de fiscalização tributária. 

As criptomoedas nasceram em território livre e sem amarras regulatórias, mas em um ambiente mais seguro e com regras claras é provável que se tornem mais presentes nos serviços financeiros, com mercados emergentes acelerando a utilização desses ativos, assim como os mercados mais desenvolvidos expandindo e criando novos produtos de financeiros baseados nesses ativos.

“Coloco minhas fichas no Texas”

Alex Colombini

Baiano de Jequié, Alex Colombini, 43 anos, trocou o Brasil pelos Estados Unidos há 15 anos. Mesmo antes da pandemia, em 2017, seduzido pelo bom clima da Flórida, trocou Boston por Orlando. E diz que está muito satisfeito com a mudança. 

“Em Boston e região norte o inverno é longo e rigoroso. Aqui as crianças aproveitam o clima o ano inteiro e podem fazer atividades ao ar livre” – diz ele.

Nos Estados Unidos, o casal Alex e Fernanda teve 3 filhos, Alex Jr, Giovanna e David, hoje com 13, 12 e 6 anos. A alteração – pra melhor – na rotina da família, não atrapalha em nada a vida profissional do pai, que incorporou o home office. Formado em Direito, ele é dono do Jornal dos Sports, que existe há 29 anos; e de uma agência de publicidade. Não consegue se beneficiar do pagamento menor de impostos porque as empresas continuam em Massachussetts, mas garante que o trabalho remoto está dando super certo:  

“Trabalho nas áreas de jornalismo e publicidade, com uma equipe incrível: jornalistas, distribuidores de jornal, diagramador, design gráfico; uma equipe muito boa que facilita bastante o trabalho à distância. Mas o contato olho no olho e o cafezinho com o cliente tem um peso muito forte, por essa razão vou a Boston duas vezes por mês. Quando estou em Orlando, trabalho pelo telefone e internet. A pandemia potencializou ainda mais o trabalho remoto; atendo muitos clientes via vídeo conferência. Com internet e uma boa equipe é possível trabalhar à distância e fazer um trabalho de qualidade, atingindo o objetivo final que é atender com excelência nossos anunciantes e leitores”. 

Atento às novidades, ele tem acompanhado com interesse essa onda de tecnologia que chega a Miami, mas não concorda que a região será o novo Vale do Silício. Acredita que por trás há uma jogada de marketing muito forte. Sua aposta é outra: “Coloco minhas fichas no Texas, que também está nessa briga por esse título de Novo Vale do Silício”.

“Orlando deve focar no turismo mesmo que já está consolidado e tem grande estrutura para isso” – ele conclui.