Autismo: seus aspectos e seus espectros

Luciana Bistane

Chegar ao diagnóstico já é um grande desafio. Pra começar, o autismo não é uma doença, é um transtorno, com vários espectros, que vão do mais leve ao mais severo. Já se sabe que a descoberta precoce faz toda a diferença para a criança, se houver um acompanhamento adequado, com médico, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, psicólogo e pedagogo. Mas, não é fácil levantar essa suspeita, especialmente para as mães de primeira viagem, sem filhos mais velhos para comparar o comportamento das crianças. 

Também não existem exames laboratoriais ou de imagem que ajudem a identificar o autismo. Pra complicar ainda mais, o desenvolvimento físico é o esperado, o que vai chamando a atenção, no início, são sinais discretos e que podem confundir, como um atraso para dizer as primeiras palavras, uma demora para atender chamados. Com o tempo, podem surgir transtornos de linguagem, repetição de movimentos e palavras e, em casos mais sérios, apatia ou inquietação exacerbada e até gestos violentos.   

O autismo costuma ser identificado entre 1 a 3 anos. O TEA evidencia algumas características comuns, mas cada indivíduo apresenta habilidades e dificuldades próprias. A comunicação, a adaptação e a capacidade de aprendizado podem ser afetadas. A forma classificada como baixa funcionalidade exige tratamento para a vida toda. Na média funcionalidade, a pessoa tem dificuldade de comunicação e repete movimentos e comportamentos. Na alta funcionalidade, o portador pode estudar, trabalhar, constituir família.

As pesquisas sobre o autismo começaram na década de 1940, mas as causas ficaram nebulosas por décadas. Somente nos anos 1980, os cientistas chegaram a conclusão que o transtorno é ligado a falhas no desenvolvimento neurológico, que podem ser provocadas por disfunção metabólica ou anomalias cromossômicas. 

A organização Mundial de Saúde estima que o autismo afete 70 milhões de pessoas no mundo todo. Nos Estados Unidos, de acordo com o Centro de Controle de Doenças e Prevenção, uma em cada 59 crianças apresenta traços de autismo.   

Um tema que o B&B aborda nessa edição por considerar importante a divulgação de informações que contribuam para o bem dessas crianças e das famílias que enfrentam o desafio de acompanhá-las nessa jornada da vida. 

Ouvimos quatro mães de crianças no espectro autista. A enfermeira Kalina Barros Cysneiros chama atenção para a importância do diagnóstico precoce. A empresária Adriana Almeida Matos conta sobre as dificuldades que enfrentou até chegar ao diagnóstico do filho Jonathan. A farmacêutica bioquímica Regina Maki Sasahara revela sua estratégia para manter a família unida e resguardar a harmonia do casal. E a especialista em marketing, Renée Lobo dá o caminho das pedras para uma viagem especialíssima para as famílias especiais.

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