Canto da calma

Gabriela R. Filipouski

Educar é um processo desafiador, já que toda criança necessita, desde o ambiente familiar, ser capaz de se integrar socialmente, ser responsável, respeitosa e resiliente.

O fato de não terem maturidade cognitiva e emocional para lidar com o mundo que as cerca não significa que as crianças não tenham sentimentos e não estejam atentas ao que as cerca. Por isso, é importante que as aprendizagens sejam orientadas pelo afeto, valorizando a conexão com o meio familiar, o respeito e o aprendizado mútuo, aspectos que possibilitam que cresçam com autonomia.

Auxiliar as crianças em relação a seu comportamento é ensiná-las a lidar com situações da vida. A educação deve favorecer o pensamento crítico. Nesse sentido, castigos e punições são capazes de motivar obediência mas, se não forem acompanhados de reflexão, não auxiliam a compreender o que aconteceu, não se relacionam com aprendizagem nem favorecem a autonomia e a socialização infantis.

Educação e punição não devem ser associadas, mas – sempre que o castigo for adotado como forma de agir em situações de conflito com a criança – precisa ser colocado com firmeza, como consequência da ultrapassagem de limites anteriormente combinados. 

Mais valioso do que limitar é orientar, daí fazer sentido propor que a criança, ao ser castigada, tenha oportunidade de pensar sobre o que fez (alguns adotam o “cantinho do pensamento” como recurso, oportunidade em que os adultos também refletem sobre o ocorrido, sendo assim não seria melhor chamar este espaço de canto da calma) e depois, favorecer uma conversa que possa se aprofundar em valores e atitudes, quando o adulto se dispõe a ouvir as razões da criança e a dialogar com ela a respeito do ocorrido. Aprender a relação de causa e consequência é um ato importante para aprender a lidar com a vida lá fora.

Mas atenção, comunicação, clareza e valorização da autonomia entre crianças e adultos significa que todos devem ser ouvidos, respeitados e considerados em suas opiniões e capacidades, tendo em vista o cuidado e a vida em harmonia. As crianças podem definir se vão usar a blusa vermelha ou a verde, se vão comer primeiro a salada ou o prato quente, mas não devem sair de mangas curtas em um dia extremamente frio, nem escolher comer apenas alimentos ultraprocessados, por exemplo. 

Os adultos têm o dever de cuidar, educar, ajudar as crianças a resolver problemas, favorecendo a convivência social, no núcleo familiar e fora dele. Ao estabelecer parcerias e cooperação, pais e mães colaboram para formar crianças mais empáticas, mais atentas à convivência social. É sua responsabilidade auxiliar os filhos neste aprendizado.

Gabriela Ribeiro Filipouski, psicóloga, especialista em atendimento clínico de crianças e adolescentes, mestre em atenção à saúde da criança e do adolescente, atualmente em formação em parentalidade. Integrante da Repensar Infância, onde periodicamente publica conteúdos sobre desenvolvimento infantil. gfilipouski@gmail.com

Instagram: @repensarinfancia

Aprender a relação de causa e consequência é um ato importante para aprender a lidar com a vida lá fora.

About Jornal Brasileiras & Brasileiros