Procurar por:
Violência Doméstica nos EUA

Anna Alves-Lazaro

A violência doméstica é um crime com violência ou abuso em ambiente doméstico, como em coabitação ou casamento. Frequentemente usada como sinônimo de violência por parceiro íntimo, que envolve um cônjuge ou parceiro íntimo. Porém, pode acontecer a qualquer pessoa de qualquer idade e pode ocorrer tanto em relações heterossexuais como em relações homossexuais. A violência doméstica também pode incluir violência contra crianças, pais ou idosos e pode assumir várias formas, incluindo abuso físico, verbal, emocional e sexual.

O agressor geralmente acredita que o abuso é um direito, aceitável, justificado ou improvável de ser denunciado. As vítimas, muitas vezes, sentem-se presas pelo agressor em situações de violência doméstica por meio do isolamento da família e amigos, falta de dinheiro, medo, vergonha, aceitação cultural, poder e controle.  As vítimas podem desenvolver deficiências físicas e problemas crônicos de saúde, bem como distúrbios psicológicos graves.

Nos Estados Unidos, cerca de 10 milhões de pessoas sofrem violência doméstica todos os anos. De acordo com a Coalizão Nacional contra a Violência Doméstica, cerca de 20 pessoas por minuto são abusadas fisicamente por um parceiro íntimo. Cerca de 1 em cada 4 mulheres e 1 em 9 homens experimentam violência física grave pelo parceiro íntimo, violência sexual e / ou perseguição do parceiro com lesão, PTSD, contração de DST, etc.

Se você ou alguém que você conhece é vítima de violência doméstica, vários recursos estão disponíveis para ajudar.  

Ligue para a Linha Direta Nacional de Violência Doméstica em 1-800-799-SAFE (7233). Em Orlando, Flórida a  Hope & Justice Foundation atende vítimas de violência doméstica através de equipe multidisciplinar com profissionais licenciados na área de aconselhamento, saúde e jurídica. Além de oferecer Programas de suporte às vítimas.

Entre em contato com a Hope & Justice Foundation através do e-mail: contact@hopeandjusticefoundation.org e conheça os serviços e programas oferecidos. 

Quebre o silêncio, busque ajuda! 

2 anos na luta contra o Tráfico Humano e Violência Doméstica

Anna Alves-Lazaro

A Hope & Justice Foundation completou, neste último 7 de setembro, 2 anos de existência e de muitas conquistas. A celebração ocorreu com um culto de Ação de Graças e um coquetel na sede da fundação, em Orlando, onde estavam presentes os diretores, conselheiros, voluntários, parceiros e amigos da fundação. Nesta ocasião, proferi meu discurso dirigido aos presentes, o qual agora dirijo a toda comunidade através deste espaço. Aproveito aqui para também registrar publicamente a minha eterna gratidão a este importante veículo de comunicação pelo grande apoio que tem dado a nobre causa pela qual lutamos desde o seu início. Segue o discurso:

A consciência é o maior tributo dado por Deus ao ser humano. É algo que nos identifica como humanos. Anular a própria consciência é a maior prova de mediocridade, alienação e tolice que existe. 

Estamos aqui hoje, celebrando a vida, a liberdade, a coragem e a independência. Não por coincidência, mas pelos propósitos de Deus, a Hope & Justice completa dois anos de lutas e vitórias. Para cumprir esta nobre e desafiadora missão, que é fazer prevalecer a Justiça, a Esperança e a Liberdade para todos os injustiçados, desesperançosos e cativos.

Quando atuamos de acordo com a nossa consciência e permitimos que esta seja guiada por Deus, podemos testemunhar magníficos e abençoados frutos como resultado do nosso trabalho. Ao longo dessa caminhada, enfrentamos os mais diversos desafios, sendo um deles fazer prevalecer a verdade em tudo que realizamos, na certeza de quem é o autor e consumador dessa missão, sei que a verdade sempre prevalecerá, pois a falsidade não sobrevive e nem deixa legado algum. Acaba perdendo-se em sua própria arrogância. Isso pode até parecer algo óbvio e banal, mas quando lidamos com os mais diversos tipos de seres humanos, nesta árdua missão, lidamos com situações inimagináveis.

Quando os homens maus se juntam, os bons devem se associar, do contrário, cairão, um por um.

E parafraseando o filósofo conservador Edmund Burke: “Para o Triunfo do mal, só é preciso que os bons não façam nada.”

O fato aqui é que para que eu pudesse cumprir essa grande missão, eu precisava convidar os bons para que eles verdadeiramente abraçassem essa causa, aceitando o chamado de sua própria consciência e assim formássemos o exército do bem. E eles vieram, corajosamente aceitaram tal desafio. E pela Graça de Deus, continuam a chegar. A realidade é que cada um de nós deve assumir a responsabilidade pela própria vida, pela vida de seus familiares, por nossa comunidade, e por nossa Nação.

Devemos estar vigilantes, atentos e unidos, pois existem muitas más associações por aí. A exemplo de tantas organizações criminosas. Caso cada um de nós se ocupe unicamente com nossos interesses, esse nosso egoísmo certamente irá nos levar a nossa ruína, e não apenas a nossa, mas a ruína de todos aqueles que desejam construir uma sociedade melhor. 

Um outro desafio por mim enfrentado que quero compartilhar com vocês hoje, é que ao convidar pessoas para essa guerra contra esses crimes hediondos, era e ainda é o de despertar a coragem que essas pessoas  inerentemente têm dentro delas e ajudá-las a combater o medo. Nenhuma paixão rouba tão eficazmente os seus poderes de ação e raciocínio quanto o medo. Se tem algo terrível que o medo faz na vida das pessoas é a paralisia. Você não tenta por medo, não se expressa por medo, não falha por medo, procrastina por medo, e assim jamais cresce, jamais avança, jamais vence. É o medo o mais ignorante, o mais injusto e cruel dos conselheiros. A única coisa que o medo não paralisa é o tempo, o seu tempo irá passar indubitavelmente. E assim passarão as oportunidades de crescimento, de trabalhar para promover o bem e a felicidade sua, de sua família e de sua comunidade. Quando o medo chegar, coloque-se em ação e faça algo significativo ou até mesmo algo simples. As concessões dos fracos, são as concessões do medo. Quando a coragem nos falta deixamos de ser livres, estaremos cativos quando as escolhas e decisões passam a ser produtos do medo. Que escolhas temos feito? Elas refletem o nosso eu mais livre, responsável e corajoso? Como estarão nossas mãos diante de Deus no grande dia da prestação de contas ao Senhor? Vazias? 

Devemos constantemente refletir sobre nossa fidelidade aos nossos princípios e propósitos. Ser virtuoso é ser fiel ao propósito, é realizá-lo com determinação, disciplina e amor. Só ama verdadeiramente aquele que está livre para doar-se aos outros. O amor não é um sentimento, nem emoção. Amor está profundamente relacionado com doação. “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá sua vida para seus amigos.” João 15:13. 

Somos livres a medida que desenvolvemos o autoconhecimento e o conhecimento do mundo que nos cerca. O ser humano livre jamais age com dolo, mas sempre com boa fé. É vital que afastemos de nós, pelo meio que nos pareça mais seguro e lícito, tudo aquilo que existe na natureza das coisas que julgamos ser mau,ou seja que  julgamos poder impedir que existamos e que desfrutemos de uma vida racional.

Quão valiosa é a liberdade para você ? Mas o que é a liberdade sem a sabedoria e a virtude? Precisamos lutar por liberdade com toda nossa capacidade e devemos usar dessa liberdade com responsabilidade. 

A verdadeira liberdade não consiste na escolha entre o bem e o mal, e sim no poder voltar-se para o bem e renunciar o mal. 

É para cumprir este propósito que a Hope & Justice Foundation existe; voltar-se para o bem e renunciar o mal. Levando esperança, promovendo a justiça e lutando por liberdade. Servir a comunidade, a Nação sempre pautada nos Princípios Cristãos, Constitucionais, na Lei e na Ordem. 

O propósito destas minhas palavras como Fundadora e Presidente da Hope & Justice Foundation é apresentar nesta data solene e comemorativa os Princípios, Valores e Virtudes que são os Fundamentos da nossa instituição, além de exortar todos vocês à uma vital reflexão sobre a responsabilidade de cada um como cidadão e cristão nessa grande guerra que estamos travando contra os inimigos da vida, da dignidade humana, da justiça, do bem e da paz.

Louvo a Deus por essa tão valiosa oportunidade de humildemente servir aos meus irmãos, a toda sociedade e a essa grande Nação. Louvo a Deus pelas vidas preciosas que abraçaram essa nobre causa, e as que estão por vir. Rogo a Deus que encaminhe as vítimas que clamam por socorro até nós. E por fim, registro publicamente a minha eterna gratidão a todos que apoiam o nosso trabalho.

Anna Alves-Lazaro.

Jovens desabrigados e o Tráfico Humano

Anna Alves-Lazaro

De acordo com as últimas  pesquisas, estima-se que 4,2 milhões de jovens (13-25 anos) vivem desabrigados anualmente, incluindo 700.000 menores desacompanhados de 13 a 17 anos. Muitos desses jovens se tornarão vítimas de tráfico sexual ou de trabalho.

Através de estudo e pesquisas, especialistas descobriram taxas de tráfico entre jovens que vivem sem-teto variando de 19% a 40%.  Usando a estimativa mais baixa de 1 em cada 5 jovens que vivem na rua também sendo traficados para sexo, trabalho ou ambos, isso significa que, aproximadamente, 800.000 jovens que vivem na rua também são sobreviventes do tráfico de pessoas. Também sabemos que tanto a falta de moradia quanto o tráfico ocorrem em todas as comunidades americanas – incluindo cidades, subúrbios, comunidades rurais e reservas indígenas americanas.

Ao analisar sobre os caminhos para o tráfico sexual e de trabalho e os caminhos da falta de moradia para os jovens, perceberemos que eles são muito semelhantes – marcados por traumas e por estarem em situações de vulnerabilidade. Alguns jovens que vivem em situação de rua são mais vulneráveis ao tráfico humano do que outros; e as entrevistas com esses jovens ilustram alguns temas comuns:

A falta de necessidades básicas, como não ter um lugar seguro para dormir à noite, muitas vezes desempenha um papel em suas experiências de tráfico.

Os traumas precoces, como a falta de moradia e a exploração, começam cedo, geralmente bem antes dos 18 anos.

Os jovens LGBTQ + são particularmente vulneráveis; ​​e vivenciam o tráfico em taxas mais altas do que outros jovens sem-teto.

Os jovens que estiveram em orfanatos também enfrentaram taxas mais altas de tráfico do que outros jovens que vivem sem teto.

Jovens que vivem em situação de rua que também foram vítimas de tráfico sexual são mais propensos a ter problemas de saúde mental e uso de substâncias, ter sofrido abuso físico e emocional por pais ou responsáveis; e ter um histórico de abuso sexual.

Atender a jovens que vivem em situação de rua evita o tráfico de pessoas e aumenta o apoio aos sobreviventes do tráfico

Jovens vítimas de tráfico – sexo, trabalho ou ambos – não costumam divulgar isso quando comparecem a um programa de serviços para jovens baseado na comunidade. Muitos provedores de jovens só descobrem que um jovem é um sobrevivente do tráfico meses depois de entrar no programa.

O que isso demonstra é a necessidade de uma abordagem de portas abertas para servir aos jovens que vivenciam qualquer forma de falta de moradia ou tráfico – qualquer que seja a necessidade ou questão que o jovem se identifique. Tal abordagem, associada a investimentos ousados, reduziria drasticamente a prevalência e as consequências de longo prazo tanto da falta de moradia entre os jovens quanto do tráfico de pessoas.

Os caminhos da falta de moradia ao tráfico podem e devem ser interrompidos com mudanças de políticas e práticas, incluindo colaboração intersetorial e aumento de recursos em todos os níveis de governo.

Se a Lei da Juventude em Fuga e Desabrigados, o único programa federal voltado para identificar e atender jovens e adultos jovens que vivenciam qualquer forma de falta de moradia, tivesse maiores recursos governamentais, os EUA poderiam fazer um progresso real na redução drástica da falta de moradia e tráfico humano.

Além de aumentar a oferta de serviços abrangentes e opções de moradia para os jovens que precisam ser removidos de situações que os tornam vulneráveis ao tráfico, e  também fortalecer a capacidade das comunidades de servirem aos sobreviventes do tráfico.

Nem todos os sobreviventes precisam ou querem um programa específico e restrito de  tráfico humano,  principalmente eles querem alguém que realmente se preocupa com seu bem-estar e segurança, com opções de moradia segura e oportunidades para se curar de traumas e alcançar seu potencial completo por meio do acesso à educação e emprego. 

Saiba mais sobre o Tráfico Humano e como você pode contribuir em por um fim a essa triste realidade. 

Entre no www.hopeandjusticefoundation.org e ajude a salvar vidas.

Hope & Justice Foundation no Dia Mundial Contra o Tráfico Humano

Anna Alves-Lazaro

A cada ano, em 30 de julho, ocorre uma mobilização mundial para conscientização, prevenção e combate ao tráfico humano. O tráfico de pessoas é um fenômeno global que está intimamente ligado às violações dos direitos humanos, migração, violência, aspectos culturais e falta de informação.

Este ano é o vigésimo primeiro aniversário da Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional e seu histórico Protocolo para Prevenir, Reprimir e Punir o Tráfico de Pessoas, especialmente Mulheres e Crianças, a Convenção de Palermo. 

As recentes estatísticas apontam que existem mais de 40.3 milhões de vítimas do tráfico humano no mundo. Homens, mulheres, adolescentes e crianças são alvos de traficantes em seus próprios países e no exterior. Todos os países do mundo são afetados pelo tráfico de pessoas, seja como país de origem, trânsito ou destino das vítimas. 

Quase todas as nações lutam para impedir efetivamente esse crime, devido à natureza da indústria do tráfico humano, muitas pessoas traficadas estão desavisadas com pouca educação e envergonhadas com medo de reportar às autoridades. Em muitos lugares, a polícia está mal equipada ou às vezes envolvida no processo, por falta de recursos, corrupção ou simplesmente ignorando o problema por questões “mais importantes” e imediatas. 

Una-se a Hope & Justice Foundation para promover a conscientização e o combate ao tráfico de pessoas. 

A Hope & Justice Foundation é uma organização civil, não governamental, sem fins lucrativos, localizada na cidade de Orlando, Flórida e que tem como principal objetivo lutar contra o tráfico humano e advogar pelos direitos fundamentais dos sobreviventes desse crime hediondo. Entende portanto, que a sociedade civil organizada com os seus cidadãos de bem unidos, podem e devem mobilizar todos os recursos necessários para enfrentar e por um fim ao tráfico de pessoas. A Hope & Justice Foundation fornece assistência direta às vítimas, acolhendo-as, tratando-as e proporcionando  a estas um recomeço para uma vida digna e feliz. 

Aqueles que foram explorados por traficantes de seres humanos têm necessidades variadas e requerem diferentes tipos de assistência para garantir sua recuperação social, física e psicológica. Mas a necessidade comum de todas as pessoas traficadas é serem reconhecidas como vítimas de um crime, e não tratadas como criminosas, mesmo quando podem ter sido forçadas a cometer crimes. A Hope & Justice Foundation enfatiza uma abordagem centrada na vítima que se alinha com o paradigma “3P” de “Prevenção”, “Processo” e “Proteção”, formulada sob o Protocolo sobre Tráfico de Pessoas. Esse paradigma serve como estrutura fundamental, e muito usada por governos e organizações não governamentais em todo o mundo para combater o tráfico humano. 

No dia 30 de julho de 2021, a Hope & Justice Foundation estará mobilizando seus voluntários, colaboradores, apoiadores e parceiros para esse importante evento de conscientização e apoio às vítimas do tráfico de pessoas em sua Sede na Central Flórida. Um evento de suma importância para a comunidade em Orlando e adjacências. Devemos quebrar este ciclo desumano de discriminação e injustiças se queremos um dia eliminar o tráfico de pessoas. Una-se a nós nessa luta. Você pode escolher não se importar, mas não poderá dizer que não sabia. 

www.hopeandjusticefoundation.org – contact@hopeandjusticefoundation.org – @hopeandjusticefoundation.org

Devemos quebrar este ciclo desumano de discriminação e injustiças se queremos um dia eliminar o tráfico de pessoas. 

Una-se a nós nessa luta. 

Tráfico Humano, Mitos e Verdades.

Anna Alves Lazaro

O tráfico humano é caracterizado pelo “recrutamento, transporte, transferência, abrigo ou recebimento de pessoas, por meio de ameaça ou uso da força ou outras formas de coerção, de rapto, de fraude, de engano, do abuso de poder ou de uma posição de vulnerabilidade ou de dar ou receber pagamentos ou benefícios para obter o consentimento para uma pessoa ter controle sobre outra pessoa, para o propósito de exploração”. A definição encontra-se no Protocolo Relativo à Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas, em Especial Mulheres e Crianças, complementar à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional, conhecida também como Convenção de Palermo.

É um crime transnacional que tem vitimado mais de 40 milhões de pessoas ao redor do mundo. Uma triste e cruel realidade que precisa ser combatida.    No entanto, para fazer uma mudança real, precisamos entender a questão – que é ainda maior e mais complexa do que a maioria das pessoas imagina.

Por meio da minha experiência de estudos e  pesquisas sobre tráfico humano tive a oportunidade   de  compreender  as origens, redes e cultura por trás desse crime hediondo.

O tráfico de pessoas ocorre em quase todos os países e tem uma vasta rede de agentes criminosos bem articulados e infiltrados em praticamente todos os setores da sociedade ​​dificultando sobremaneira as investigações.  De acordo com as Nações Unidas, existem mais de 40 milhões de escravos no mundo.

O Departamento de Estado dos EUA cita que 600.000 a 800.000 pessoas são traficadas através das fronteiras todos os anos.  Mas esses números geralmente são subnotificados e as vítimas geralmente ficam escondidas nas sombras, o que significa que as estatísticas têm um certo grau de relatividade.

Além disso, há muitas informações incorretas que são propagadas tornando mais difícil ainda a prevenção e proteção das vítimas. Fala-se sobre o tráfico de pessoas como um problema que precisamos enfrentar e erradicar, mas para isso, primeiro precisamos separar os fatos da ficção.

Aqui estão alguns dos mitos de tráfico mais comuns e a verdade sobre o que realmente está acontecendo.

Mito: Tráfico de Seres Humanos e Contrabando de Pessoas são a mesma coisa.

Embora os dois termos sejam freqüentemente usados ​​alternadamente, tráfico de pessoas não é contrabando de pessoas.  Tráfico é o recrutamento, transporte, abrigo ou recebimento à força de uma pessoa para explorá-la para fins de prostituição,venda de órgãos, casamento forçado,  trabalho forçado ou escravidão.  O contrabando de pessoas, por outro lado, é o transporte de um indivíduo de um destino para outro, geralmente com o consentimento dele – por exemplo, além de uma fronteira.

É uma distinção importante – e que deve ser clara para que os responsáveis ​​pela aplicação da lei e os formuladores de políticas abordem cada questão de maneira adequada.

Mito: a maioria dos traficantes é o que os filmes mostram a você.

Os traficantes nem sempre são gangsters poderosos da maneira como filmes convencionais como Taken tendem a retratá-los.  O tráfico de pessoas ocorre  em uma ampla gama de classes socioeconômicas, e as pessoas envolvidas podem ser qualquer um – não existe um tipo único de traficante. Em muitos casos, os traficantes são  políticos, policiais locais e personalidades famosas. Em muitas situações, tais traficantes  são empresários, donos de restaurantes, hotéis e escolas, e hospitais.

Embora o crime organizado desempenhe um grande papel no tráfico global de pessoas, as comunidades, os governos locais e até as famílias também estão frequentemente envolvidos no processo.  Muitas vezes, é unicamente sobre o aspecto financeiro – aqueles que vendem seus filhos podem não ser pessoas “más” ou “más”, eles simplesmente sentem que não têm outra escolha para sobreviver e dar uma “melhor condição de vida” aos filhos. 

Mito: Tráfico de Seres Humanos Refere-se Apenas à Prostituição Forçada. 

Existem milhares de crianças, mulheres e homens em todo o mundo forçados ao trabalho escravo em minas de carvão, na agricultura, em fábricas. O tráfico de pessoas nem sempre é igual à prostituição – pode incluir servidão contratada, outra exploração na força de trabalho e até mesmo o comércio de órgãos.

Mito: Somente Mulheres são Traficadas. 

Homens e meninos também são traficados e freqüentemente recebem muito menos atenção do que as mulheres traficadas.  Em parte porque é muito difícil tirar meninos do tráfico, especialmente do trabalho sexual, porque a atividade gera o tipo de dinheiro rápido que não pode ser feito em nenhum outro lugar.  Homens e meninos muitas vezes permanecem invisíveis no diálogo sobre o tráfico, ou presume-se que são traficados apenas para trabalho. 

Mito: Todos os traficados são sequestrados ou enganados.

Quando pessoas respondem a anúncios de entretenimento ou empregos de garçom ou garçonete, elas correm o risco de cair em agências de colocação fraudulentas, que podem confiscar seus documentos e forçá-las a trabalhar com sexo.

Mas outras vezes, as vítimas de tráfico entendem claramente as situações em que estão entrando e sabem que serão exploradas.  Eles optam por ir de qualquer maneira porque acreditam que no final terão lucro.  Alguns optam pelo tráfico devido à falta de empregos em suas comunidades.  Em outros casos, as famílias pobres enviarão suas próprias filhas para o trabalho sexual ou trabalho para o pagamento único lucrativo, bem como o potencial para mais no futuro – assim que uma pessoa traficada saldar sua “dívida” (a viagem  e as taxas de documentos que os traficantes dizem às suas vítimas que eles devem), ela pode começar a ter lucro.

Quando as crianças estão envolvidas em trabalho forçado ou trabalho sexual, elas não fizeram essa escolha por si mesmas.  Isso em todos os casos é tráfico humano.

Mito: o tráfico só acontece em outros países, não nos Estados Unidos. 

Embora o tráfico seja frequentemente considerado algo que acontece além das fronteiras internacionais, também acontece na América – todos os dias.  De acordo com o Polaris Project, existem de 100.000 a 300.000 crianças prostituídas na América e muitas mais em risco.

Embora seja assustador – e às vezes deprimente – tentar entender o tráfico humano em nível global e local, também é fortalecedor.  Depois de conhecer a realidade do tráfico humano, você estará mais bem preparado para aumentar a conscientização e começar a agir.

Aprenda como se proteger e proteger sua família, informe-se e compartilhe as informações.  Não silencie, denuncie. Visite o site da Hope & Justice Foundation e saiba como você pode fazer a diferença. 

www.hopeandjusticefoundation.org

Hope & Justice Foundation no Enfrentamento da Violência contra a Mulher

Anna Alvez-Lazaro

Você sabe quais tipos de violência que uma mulher pode sofrer? Você conhece alguma mulher que está sofrendo algum tipo de violência? Leia a carta aberta à mulher vítima de violência, escrita por uma das voluntárias da Hope & Justice Foundation e se você precisar de ajuda, entre em contato conosco através do e-mail: gamvv@hopeandjusticefoundation.org  – GRUPO DE APOIO À MULHER VÍTIMA DE VIOLÊNCIA. 

Carta aberta à mulher  vítima de violência

 “Eu posso não lhe conhecer pessoalmente, posso não saber da sua história, posso não lhe ver, mas eu lhe escuto e sei que você está aí. Você não é culpada pelo seu abuso e pelo que aconteceu com você. Você não pediu por isso. Você não deveria ter que fingir que nada aconteceu. Você não deveria ser silenciada. Você merece ser ouvida. Você não deveria sentir como se não tivesse valor. Ninguém tinha ou tem o direito de lhe violar. Você é uma sobrevivente de abuso e agressão e esta violência contra você é um erro. Você deveria e deve ser tratada com dignidade e respeito.

 Você se acostumou a viver com medo. O seu agressor pode ter violado sua mente e seu corpo, tornando você receosa em agir, com medo de irritá-lo. Ele lhe machucou de maneiras inacreditáveis, usando as mãos e palavras. Você não entende o porquê das punições e agressões. A verdade é que você não merece isso, mas ele fala que foi você quem causou. Você não entende como num dia ele está violento, mas no outro ele está calmo.

 Controlada por ele, sem ter a escolha de ver quem quiser, de escolher um amigo, de ir a qualquer lugar, de comprar o que deseja, de vestir o que gosta. Você sente como se fosse uma marionete e ele o manipulador. Você não sabe mais o que é ter liberdade. Mas eu quero que saiba que tudo que seu agressor lhe falou é mentira.

 Eu sei que é difícil, que às vezes sente-se como se não conseguisse sobreviver, mas você consegue. Sei que pode-se sentir como se estivesse em pedaços, usada e esquecida. Mas quero que saiba que você pode se recuperar, que existe esperança e ajuda. Pedir ajuda e achar uma saída é difícil. Seu agressor pode ter lhe ameaçado ou, então, ameaçado seus filhos ou família. Você sente que fugir dessa violência é impossível, que sua autoestima e confiança são inexistentes. Mas não desista e, sim, persista.

Não precisa se sentir humilhada por ter que pedir ajuda, isso na verdade é ter coragem. As dificuldades não foram feitas para lhe desencorajar, mas para lhe ajudar a ser mais forte.

 Esse é um dos primeiros passos para livrar-se da constante agressão. Você pode se sentir desmotivada, mas existem pessoas para lhe ajudar. Você não está sozinha. Deixe sua mente processar as mudanças, você precisa de tempo para se recuperar e ajustar. Procure pessoas que possam lhe ajudar, organizações que lhe apoie, encontre atividades que lhe faça feliz, que lhe acalme. Você não é mais uma prisioneira. Você não tem nada para se envergonhar. Mas o mais importante é: lembre-se de que você consegue seguir em frente.

 Quero lhe lembrar que você tem valor. Quero lhe ajudar a se reerguer, mostrar que, por mais que você tenha presenciado tanta violência, a vida ainda tem muito a ser vivida, coisas que podem lhe alegrar e lhe dar esperança. Não tenho ideia do que se passa na sua mente, mas quero que coloque tudo para fora, que não guarde apenas para si. Compartilhe a dor, você não precisa carregar isso sozinha. Mesmo que as pessoas lhe julguem, lembre-se de tudo que enfrentou para estar aqui nesse momento, livre. As memórias podem não sumir completamente, mas agora é a sua vez de criar lembranças boas, que lhe encham de paz e que, aos poucos,  substituam as memórias ruins. Estou aqui para ouvir você rir, chorar, gritar e desabafar. Você é uma sobrevivente.”

O Direito não socorre aos que dormem 

Anna Alvez-Lazaro

É fato que onde há sociedade há lei como instrumento regulador dos direitos individuais e coletivos. Como sociedade civil organizada e moderna onde se tem amplo acesso às informações em tempo real. Se queremos justiça e reivindicar os nossos direitos  devemos acionar o Poder Judiciário na figura do Estado-Juiz no qual estamos inseridos. Há uma conhecida máxima no Direito que para tudo existe uma solução, desde que pleiteada formalmente e tempestivamente, “Dormientibus non sucurrit jus”– o Direito não socorre aos que dormem.  

Considerando tal perspectiva, e trazendo para realidade dos imigrantes vítimas de violência doméstica, tráfico humano, exploração laboral, trabalho escravo e abuso sexual, entre outros crimes que ferem a dignidade da pessoa humana e os Princípios Fundamentais do indivíduo, aos que vivem nos EUA, para os quais, agora dedico esse artigo na esperança de que possa trazer um despertar para a busca dos Direitos destes. 

A vulnerabilidade do imigrante está diretamente relacionada com a dificuldade de comunicação (barreira do idioma), o desconhecimento da cultura, dos costumes locais, das leis e regras que pautam as relações sociais impondo deveres e conferindo direitos. Além dos aspectos sócio-econômico, psicológico e emocional. No entanto, irei aqui focar na importância do conhecimento dos direitos que estão postos para o imigrante vítima de violência nos EUA. Diariamente tenho me deparado com imigrantes que estão sendo submetidos aos piores e mais indignos tratamentos dentro de sua própria casa. Estas pessoas vêm sofrendo abusos e agressões física, emocional, psicológica e patrimonial. Estão sob ameaças de seus cônjuges, ou até de seus pais e/ou filhos. Tais abusos nas relações intra-familiares são identificados diariamente em nossos atendimentos.  

Muitos imigrantes, especialmente as mulheres, enfrentam desafios relacionados à violência doméstica quando dependem de um cônjuge cidadão americano, ou LPR (Legal Permanente Residente) para solicitar a residência para a vítima através do sistema de imigração com base na família. Pode também ter o seu status legal vinculado ao emprego do cônjuge. Tal situação gera vulnerabilidade e mais ainda se há dependência financeira. 

Cônjuges abusivos costumam atrasar, revogar ou deixar de apresentar petições para seus familiares. Muitos cônjuges abusivos usam de ameaças de deportação se a vítima não “obedecer” suas ordens e vontades.  

Mesmo quando o status legal da mulher não depende de um cônjuge abusivo que patrocine um visto, as mulheres não-cidadãs podem ter medo de denunciar o abuso ou exploração à polícia por temer que sejam deportadas e separadas de seus filhos e/ou familiares. Isso definitivamente fornece aos agressores uma ferramenta para silenciar suas vítimas.

Na quase totalidade dos casos atendidos diariamente pela Hope & Justice Foundation, através de um dos Programas da Fundação, o  GAMVV-Grupo de Apoio às Mulheres Vítimas de Violência, desconhecem completamente os Direitos conferidos pelo Estado aos imigrantes vítima de crimes, independentemente do status imigratório. É evidente que existem formalidades a serem cumpridas para a obtenção de tais Direitos. 

Há Leis Federais que conferem Proteções a imigrantes vítimas de crimes. Nas últimas três décadas, o Congresso fez inúmeras mudanças nas Leis de Imigração dos EUA para oferecer proteções às vítimas não-cidadãs de violência e crimes domésticos. 

A Lei da Reforma da Imigração de 1990, permite que vítimas de violência doméstica que obtiveram Residência Condicional Permanente com base em seu casamento com um cidadão ou cidadã americanos, possam requerer a remoção dessa condicionalidade sem a assistência do seu cônjuge abusivo. Em 1994, o Congresso dos EUA aprova a Lei de Violência Contra as Mulheres (VAWA-Violence Against Women), que permite que vítimas não-cidadãs de violência doméstica obtenham ajuda da Imigração independentemente de seu cônjuge ou pais abusivos por meio de um processo chamado “auto-petição”. Em 2000, o Congresso aprova a Lei de Proteção às Mulheres Imigrantes Vítimas de Violência Doméstica, o VAWA 2000. Essa lei criou novas formas de ajuda da imigração para vítimas não-cidadãs de crimes violentos através do Visto U e para vítimas de agressão ou tráfico sexual através do Visto T. 

Em 2005, a Lei de Violência Contra as Mulheres que expandiu essas proteções para mais algumas vítimas de abuso, pessoas idosas, por exemplo. 

Finalmente, se você é vítima de algum desses crimes mencionados neste artigo, saiba que tem Leis Federais nos EUA que protegem independente do seu status imigratório. Procure em sua cidade um profissional da área devidamente habilitado e competente para prestar orientações. Informe-se sobre os seus Direitos e lute por eles. Lembre-se: o Direito não socorre aos que dormem! 

www.hopeandjusticefoundation.org/asking-for-help-2

 Se você vir alguma coisa, diga alguma coisa! Quebre o silêncio. Denuncie!

Gratidão

Hope & Justice Foundation celebra o 1o aniversário na luta contra o tráfico humano 

A palavra gratidão tem origem no termo do latim “gratus”, que pode ser traduzida como reconhecimento. Também deriva de “gratia”, ou seja; Graça, Dom de Deus! 

A Gratidão é uma virtude do ser humano, um sentimento nobre que se revela em atitudes e palavras dóceis, harmoniosas com bastante  significado para quem as recebem.

Sentir-se grato pode ser comparado a um estado de espírito; e revela a paz e felicidade naquele que  sabe agradecer  as conquistas , realizações e registros  de  fatos que provocam muita alegria.

No entanto, essa sensação relacionada a bons acontecimentos  pode também vir por experiências desagradáveis em algum momento ruim. Saber ser Grato nessas ocasiões dolorosas demonstra uma capacidade de percepção e amadurecimento acima da média para entender que essa não só é uma palavrinha “mágica” como seus efeitos são extremamente gratificantes. Portanto, entender que embora seja negativo, o que está vivenciando é motivo de ser grato pelo aprendizado e pelas experiências advindas do sofrimento, que essas ações carregam levando-o  ao  crescimento pessoal.  Somente aquele que assimila  a gratidão tem uma elevada consciência   que o faz com clareza discernir que: “tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus”, como descrito nas Escrituras Sagradas em Romanos 8:28.

Nessa atmosfera da Gratidão posso afirmar que esta é a palavra que me define, especialmente nesse momento de comemoração do aniversário da Hope & Justice Foundation. O que estou vivendo nessa Missão de combater um dos mais hediondos crimes de tráfico humano extrapola o sentimento de dizer milhões de vezes: meu muito Obrigada à equipe que me acompanha com dedicação e zelo no trato dessa problemática que assola o mundo, bem como a todos que diretamente ou não, dão o suporte necessário para avançarmos ainda mais nessa luta contra o Tráfico Humano, o Abuso e Exploração Sexual Infantil, que comemora  seu primeiro ano nesse setembro de 2020.

É gratificante no primeiro ano de existência do Hope & Justice termos um balanço  infinitamente satisfatório para tão pouco tempo do início dos trabalhos, essencialmente voluntário a que estamos vinculados. O desafio é gigante, mas a vontade de vencer essa luta é maior em todos que; “vestem” a camisa dessa missão: diretores, colaboradores, patrocinadores e amigos da Fundação o meu muito obrigada, pois sem Deus à frente dos trabalhos e toda a equipe que integra o Hope & Justice Foundation de mãos dadas comigo certamente eu não conseguiria. GRATIDÃO no seu mais alto grau de entendimento que a palavra expressa é o que tenho por toda nossa unida “família” da Esperança e Justiça! “Até aqui nos ajudou o Senhor”. 

A nossa missão na Hope & Justice Foundation é algo que demanda muita responsabilidade, dedicação e coragem. Nosso trabalho está longe do fim, mas o que já realizamos juntos fez uma enorme diferença na vida de muitas pessoas, entre elas; especialmente a comunidade brasileira do Estado da Flórida.

A Hope & Justice Foundation é alicerçada e dirigida por princípios, valores e virtudes. Uma das virtudes que faz parte desse alicerce é o altruísmo. Graças a esse dinamismo do grupo é que a nossa Fundação vem sendo reconhecida internacionalmente, ampliando o respeito da sociedade e das autoridades constituídas. 

A participação voluntária e altruística de quem junto comigo abraçou essa causa foi decisiva para o patamar que nos encontramos  hoje. Se fizemos muito em apenas um ano, imaginem o que poderemos fazer nos anos vindouros.

Esse artigo é um especial de celebração do Primeiro Ano da Hope & Justice Foundation – Human Trafficking No More e é para você que nos apoia e faz a diferença para o bem da humanidade: GRATIDÃO ! 

Visite o website da Hope & Justice Foundation, www.hopeandjusticefoundation.org 

Os apoiadores dos nossos projetos e metas merecem aplausos efusivos. Precisamos de mais e mais pessoas para se unir ao grupo e prestar um bom serviço em nome dessa bandeira. Visite nossa mídia social  para que conheçam as atividades desenvolvidas nesse primeiro ano de atuação! 

Que Deus nos proteja!

Conexão do tráfico humano com a violência doméstica

Anna Alves-Lazaro

O tráfico humano é um grande problema social que requer políticas e respostas práticas em conformidade com a realidade factual que lhe é inerente, e o que também, se aplica à violência doméstica. Os riscos do tráfico humano para homens, mulheres e crianças e os consequentes efeitos psicológicos, emocionais e físicos demonstram a necessidade de que a  sociedade civil  organizada se envolva de maneira mais efetiva com o trabalho social, especialmente nas áreas da violência e nos aspectos culturais que as incitam, promovendo a prevenção e o combate a esses crimes. Necessário se faz, observar as semelhanças na dinâmica do abuso por cônjuges e familiares com o tráfico humano. As organizações que atendem às vítimas de violência doméstica e de agressão sexual devem ser capacitadas para além de fornecer os serviços inerentes à missão das mesmas, também ser capaz de identificar vítimas de tráfico humano dentro do âmbito doméstico. Urge realizar um amplo debate público sobre as práticas de prevenção e combate ao tráfico humano no ambiente doméstico para apresentação de soluções dessa problemática.

É fundamental compreender melhor os tipos de tráfico humano que ocorrem em casa, praticado por um parceiro íntimo da vítima ou por membros da família e essa sobreposição com o conhecimento existente sobre a manipulação do perpetrador através da Roda de poder e controle.

Na roda de poder e controle, os tipos mais frequentes de abuso são o uso de privilégios, abuso físico, abuso econômico, isolamento e abuso sexual. Com elementos de tráfico sexual, especificamente sexo comercial forçado por um cônjuge, namorado ou membro da família; também  com elementos de tráfico de trabalho, como servidão doméstica, exploração em uma empresa familiar por um cônjuge ou membro da família, ou ambientes de trabalho por familiares e não familiares; além de elementos de Tráfico para o trabalho e exploração sexual, que incluem também, parcerias servis e casamento forçado. 

A exploração do tráfico humano por um cônjuge, namorado, membro da família ou em ambiente doméstico não é incomum.  Relações íntimas com um traficante, coerção psicológica e ameaças podem reduzir a denúncia de abuso, a subseqüente prestação de serviços e resultar em classificação incorreta como vítima de violência doméstica por um cônjuge ou namorado. Deve-se lançar luz sobre essa variedade de tipologias de Tráfico Humano  e exploração no ambiente doméstico, expandindo ainda mais a base de evidências do movimento anti-tráfico para intervenção, combate e prevenção ao tráfico humano.

Há muito tem se apontado as conexões  entre a violência doméstica e o tráfico humano. O Governo  Federal já vem reconhecendo tais conexões, admitindo casos  que inicialmente pareciam ser violência doméstica e que na verdade mascaravam  tráfico sexual e de trabalho. Compreender as conexões entre o tráfico de pessoas e a violência doméstica é a chave para identificar soluções criminais, civis e de imigração.

 Não é incomum em processos federais de tráfico de pessoas que o traficante seja o marido, namorado ou parceiro romântico da vítima. O fato de um traficante ser casado com ou ter um relacionamento íntimo com sua vítima não deve viciar o crime de tráfico. Sexo forçado não comercial pode ser qualificado como servidão involuntária, mesmo no contexto de um relacionamento com parceiro íntimo.  E os parceiros íntimos também podem manter esposas e namoradas em trabalhos forçados.

Em alguns casos, um casamento ou relacionamento íntimo pode ser uma fraude instigada pelo traficante desde o início. Esse padrão de fato é particularmente comum em casos de tráfico sexual, em que jovens vítimas são atraídas para casamentos ou relacionamentos românticos apenas e são exploradas por seus parceiros por meio da prostituição forçada.

O tráfico de pessoas pode ocorrer junto com a violência doméstica, especialmente quando outros membros da família dirigem o trabalho forçado. Os traficantes podem usar o medo da vítima de retaliação por parte de sua comunidade ou parentes como uma forma de coerção. Também pode incluir roubo de identidade, fraude fiscal e apresentação de declarações de impostos falsas. Essas declarações fiscais fraudulentas podem resultar em ações de fiscalização do IRS contra as vítimas de tráfico, mesmo anos após sua fuga. A fraude fiscal perpetrada pelo traficante é um risco para todas as vítimas de tráfico, mas tal risco é particularmente pronunciado em situações de violência doméstica e tráfico controlado pela família.

O crescente reconhecimento da conexão entre a violência doméstica e o tráfico de pessoas permitirá que os sobreviventes consigam justiça e alívio para a situação legal, psicológica, emocional, social e imigratória, se for o caso.

Se você vir alguma coisa, diga alguma coisa. Promova Esperança & Justiça para as vítimas do tráfico humano e da violência doméstica. Denuncie: www.hopeandjusticefoundation.org 

Se você estiver em perigo imediato, entre em contato com o 911. Para obter assistência imediata, ligue para a Linha Direta Nacional de Tráfico Humano em 1-888-373-7888.

Você pode entrar em contato com a Hotline 24 horas por dia, 7 dias por semana em mais de 200 idiomas. 

Todas as ligações são confidenciais e atendidas ao vivo por Advocates da Linha Direta Anti-tráfico altamente treinados.www.humantraffickinghotline.org

E-mail: help@humantraffickinghotline.org.

National Domestic Violence Hotline 1-800-799-SAFE (1-800-799-7233) – 1-800-787-3224 (TTY) www.ndvh.org

Sinais de alerta de tráfico humano

Anna Alvez_Lazaro

Você conhece alguém que já foi ou está sendo traficado? O tráfico de pessoas está acontecendo na sua comunidade?

O reconhecimento de possíveis sinais de alerta e o conhecimento dos indicadores do tráfico de pessoas são um passo fundamental para identificar mais vítimas e ajudá-las a encontrar a assistência de que precisam.

Uma das formas mais comuns de aliciamento de vítimas pelos traficantes são as propostas e promessas de uma vida melhor em países estrangeiros. São promessas de vida próspera com excelentes trabalhos e remunerações feitas em geral a pessoas que vivem uma vida de muitas dificuldades financeiras em seu país de origem e a jovens mulheres que sonham com uma carreira de modelo profissional.

As vítimas de tráfico são frequentemente de outros países e elas podem apresentar comportamentos e características típicas de pessoas traficadas. Mas o tráfico de pessoas também acontece dentro do próprio país, a vítimas são traficadas entres os Estados e até mesmo entre as cidades. Medo de autoridades policiais, por exemplo. O medo está sempre presente no olhar, nos gestos e atitudes, e na fala da vítima. Essas vítimas passam por um cruel processo de manipulação para submissão aos traficantes sob ameaças contra a própria vítima e seus familiares e isso faz com que a própria vítima proteja o seu traficante e não tente escapar.

Exibem sinais de trauma físico e/ou psicológico, como ansiedade, falta de memória de eventos recentes, hematomas, ferimentos não tratados.

É comum muitas dessas vítimas não se darem conta de que foram traficadas, ela acreditam que se apaixonaram pela “pessoa” errada, ou que apenas estão em um emprego ruim, ou que a “pessoa” que está fazendo isso não é de toda ruim , apenas é o “jeito”, “cultura” dessa “pessoa”.Esse é um comportamento característico de vítimas que são acometidas pela Síndrome de Estocolmo ou síndroma de Estocolomo (Stockholmssyndromet em sueco) é o nome normalmente dado a um estado psicológico particular em que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia e até mesmo amor ou amizade perante o seu agressor.

Vítimas do tráfico humano tem a sua liberdade de movimentação limitada, seu direito de ir e vir livremente sem “supervisionamento” é restringido. Exerce “trabalho” não remunerado ou insignificantemente remunerado. Todo seu dinheiro e documentos ficam retidos por “gerentes”. Não tem nenhum ou quase nenhuma acesso a cuidados médicos, pois os médicos e hospitais podem reportar a polícia qualquer situação suspeita.

As vítimas do tráfico sempre estão em dívida com alguém , pois essa dívida nunca é quitada. Elas não tem passaporte ou o passaporte está em posse de terceiros.

Uma das estratégias utilizadas por traficantes de pessoas para desviar a atenção sob eles e suas vítimas é sempre estar mudando as vítimas de lugares, áreas, cidades, Estados e Países, o que dificulta muito a localização e resgate dessas vítimas.

Os traficantes de pessoas são exímios manipuladores, verdadeiros mestres da manipulação, não é incomum eles controlarem suas vítimas através de rituais satanicos e bruxarias.

Identificando os sinais de vítimas 

de Exploração Sexual

As casas em bairros residenciais, motéis, resorts, hotéis turísticos, hotéis residenciais comuns estão sendo usados ​​cada vez mais para prostituição e para manter vítimas do tráfico para exploração sexual. Além de lugares mais tradicionalmente usados para esse propósito como bordeis, strip clubs, casas de massagens, saunas, etc.

As pessoas forçadas à exploração sexual são transportadas entre esses lugares mencionados, e também de cidade para cidade, ficando “hospedadas” neles. Pode-se observar nessas pessoas uma quantidade limitada de roupas, das quais a maioria são roupas sensuais e provocativas, roupas tipicamente usadas por protitutas. Essa pessoas são forçadas ao uso de drogas ilícitas, forçadas, coagidas e intimidadas a prestarem serviços sexuais e são submetidas a sequestro, agressão e estupro.

Não viajam sozinhas e livremente, repassam o dinheiro recebido para um cafetão e/ou traficante.

É comum essas vítimas serem tatuadas como “gado”, as tatuagens exibidas identificam que são propriedades de um traficante. As tatuagens mais conhecidas são: código de barra, símbolo do dinheiro ($), nome do cafetão como “propriedade de John”, ou o nome “Daddy”.

Identificando vítimas do 

trabalho forçado

Onde todo o trabalho é feito sob a ameaça, coação , intimidação e imposição de uma penalidade caso a pessoa não realize bem o trabalho . Quando a pessoa não se ofereceu voluntariamente  foi forçada e não consegue sair da situação, pois é mantida presa ou sob ameaça.

Se for observado ameaça ou dano físico real com restrição do direito de ir e vir ou confinamento. Além disso servidão por dívida, ou seja, trabalhando para pagar uma dívida ou empréstimo, muitas vezes a vítima recebe muito pouco ou nada pelos serviços, devido as deduções, retenções ou reduções excessivas de salários. Também, retenção de documentos, passaporte. Ameaça de revelar às autoridades um status de imigração irregular. Empregador é incapaz de produzir os documentos necessários para oficializar a relação de trabalho, não cumprir as normas de saúde e segurança adequadas. Utilizar de requisitos para pagar por ferramentas e alimentos, ou local de acomodação, dedução de impostos realizadas pelo “ empregador” sem nenhuma base legal, salário inferior ao salário mínimo, sem acesso ao contrato de trabalho, horas de trabalho excessivas / poucas pausas está caracterizado o crime de trabalho escravo, trabalho e, regime de escravidão e então esse “empregador” criminoso deve ser denunciado.

Identificando sinais do Abuso e 

Exploração Sexual infantil

Crianças e adolescentes são os alvos mais vulneráveis, mais fáceis de serem alcançados pelos predadores. Pela inocência da criança, pela rebeldia e impulsividade da adolescência, por todas as características de vulnerabilidade dessas fases são as mais frequentes vítimas. Os predadores são conscientes da fragilidade desses alvos e se sentem poderosos e dominadores diante deles desenvolvendo assim as mais diversas formas de abordagens. Tais abordagens podem ser de forma rápida, violenta e fatal, ou podem ser de forma lenta, astuciosa, sensível e constante . É muito importante a vigilância ininterrupta dos pais e responsáveis sob suas crianças e adolescentes.

Você pode perceber quando uma criança ou adolescente pode estar sendo vitimada por um predador através de muitos sinais, mas vejamos aqui, alguns deles: crianças e adolescentes que passam muito tempo longe dos pais sem que estes saibam onde eles estejam e com quem estejam , escondem amizades, conversas, criam uma atmosfera de segredos e exigem privacidade. Privacidade é algo para adultos responsáveis e independentes, não para crianças e adolescentes.

Quando a criança ou adolescente aparece constantemente com dinheiro e/ou presentes inexplicáveis, sinais de uso de álcool ou drogas.

“Amigos” mais velhos sempre prontos a ajudar, presentear, fazer as vontades há grandes chances desse “amigo” ser um predador.

Está sendo convidado por pessoas mais velhas para atividades que não condizem com a idade da vítima. Visto entrando e saindo de veículos e casas de adultos desconhecidos. Evidências de agressão física e sexual, doenças sexualmente transmissível, apresentando sinais de baixa auto-estima, auto- mutilação, transtorno alimentar, agressividade, isolamento e medos.

Identificando algumas atividades criminais associadas ao crime 

de Tráfico Humano

A pessoa (vítima do tráfico) é recrutada e forçada/aliciada a realizar alguma forma de atividade criminosa, como furtar carteiras, cultivo de maconha e se beneficiar de fraude.

Propriedades utilizadas para os crimes tem suas janelas permanentemente cobertas por dentro com placas de madeira, papelão e uso de grades. As visitas a estes locais ocorrem em horários incomuns. A propriedade pode ser residencial ou comercial . Barulhos, ruídos incomuns vindos da propriedade. Mau cheiro, odores estranhos, pessoas vigiando as entradas e saídas, vigiando a área externa da propriedade.

Se você passar por uma propriedade e identificar tais sinais não se omita, ainda que você não tenha 100% de certeza. Seu gesto poderá salvar vidas. Lembrando que as denúncias podem ser anônimas.

Identificando os sinais do tráfico 

humano para a servidão doméstica

A escravidão doméstica é forma particularmente grave de negação da liberdade; isso inclui a obrigação de fornecer determinados serviços e a obrigação de morar na propriedade de outra pessoa sem a possibilidade de alterar essas circunstâncias. Em geral a vítima vive e trabalha para uma família em casa particular. É tratada de forma rude, fria, humilhante, sendo proibida de comer na mesa da família, não pode utilizar os demais banheiros e dependências comuns da residência e tem um pequeno quarto e banheiro separados do restante da família. Forçada a trabalhar 24 horas por dia, sem direito a descanso. Proibida de sair sozinha, sai somente como o empregador. Apresenta desnutrição, medo, tristeza e até marcas de violência física. Vive sob a ameaça do “empregador” em ser acusada de crime se tentar escapar.

Para solicitar ajuda ou denunciar suspeita de tráfico de seres humanos, ligue para a Linha Direta Nacional de Tráfico de Pessoas, 1-888-373-7888 ou envie o texto “Help” para BeFree (233733). Junte-se à luta!

Receba alertas e atualizações de ações sobre tráfico de pessoas através do Instagram @hopeandjusticegroup