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ART BASEL MIAMI BEACH

Nereide Santa Rosa

 A História da Arte deve ser contada passo a passo, em diferentes culturas e múltiplos espaços, através de diferentes sistemas de representação e linguagens. Os signos não-verbais de cada cultura em cada tempo podem modificar-se, mas há uma universalidade que permeia todos eles, seja o signo gestual, o sonoro , o linguístico, o imagético ou o corporal: se trata de uma forma de comunicação humana, a qual se transforma e se forma pelos valores culturais e estéticos de cada tempo, cujas rupturas e aquisições constroem o patrimônio natural e o construído. Conhecer Arte, nesse contexto, é propiciar a conscientização e a fruição sobre esse patrimônio. 

Desde o paleolítico até a contemporaneidade as artes visuais, cênicas e musicais estabelecem relações atemporais, mostrando influências que se relacionaram ao longo do tempo, fatos complementares, histórias 

curiosas, artistas mulheres, os artistas que quebraram barreiras, romperam técnicas e estabeleceram novas relações artísticas, porém, sem dúvida, fica claro que existiram muitos anônimos que não tiveram a oportunidade de se tornar famosos, mas contribuíram para o seu tempo. 


Divulgação Art Basel Miami Beach

Por muito tempo a Arte foi meio, não valorizada por si mesma, com um fim utilitário para seu grupo, num viés místico, ritualístico, xamanístico, com forte conotação social. Decorreu para a função naturalista cujo conteúdo da obra se tornou o principal referencial. E finalmente adquiriu um caráter formalista, quando o signo define o seu significado, à partir da experiência estética, que propicia o conhecimento. No ensino da Arte, busca-se o saber na estruturação dos códigos em múltiplas dimensões, seja os elementos da composição do produto, seja seu contexto histórico, político, social. 


Divulgação ART Basel Miami Beach 

Neste final de 2021, mais uma vez acontece a Art Basel Miami Beach uma feira de galerias de arte vinda de 35 países, inclusive do Brasil, com obras de mais de 4000 artistas no Centro de Convenções de Miami Beach. 

Trata-se de uma feira inspirada na Art Basel original, fundada em Basel, Suíça em 1970, sendo que a edição de Miami Beach é um evento anual que aocntece no início de dezembro desde 2002. A ideia de um trio de galeristas suíços, Ernst Beyeler, Trudi Bruckner e Balz Hilt, fez com se reunissem artistas que representavam, bem como colecionadores, curadores e críticos de todo o mundo para a primeira Art Basel na Suíça. Sua proposta foi um sucesso e mais de 16.000 pessoas compareceram à primeira feira. 


Divulgação ART Basel Miami Beach 

Miami foi selecionada como um destino irmão ideal com sua posição única entre a América do Norte e América do Sul. Com o passar dos anos, com a benção da Art Basel, Miami se tornou um destino de arte próspero o ano todo, com uma cena vibrante de galerias, museus de última geração e arte de rua de classe mundial. 

Uma terceira edição do Art Basel foi lançada em Hong Kong em 2012. A cidade fica simbolicamente no cruzamento da cultura oriental com a ocidental. Art Basel Cities é uma nova iniciativa lançada em setembro de 2018 em Buenos Aires, Argentina. A Art Basel Cities traz a feira de arte a uma cidade internacional diferente a cada ano. 

A Art Basel Miami Beach acontece entre 2 e 4 de dezembro, porem a arte em Miami pode ser apreciada em multiplos locais. 

Os principais museus de arte de Miami exibem suas exposições mais impressionantes do ano durante a Miami Art Week. Uma visita ao Pérez Art Museum Miami (PAMM) com vista para a Baía de Biscayne dentro de seu edifício histórico projetado pelos arquitetos vencedores do Prêmio Pritzker, Herzog e de Meuron, é obrigatória. 

Além disso, não deixe de visitar o Institute of Contemporary Art de Miami, Wolfsonian-FIU, o The Patricia e Phillip Frost Art Museum-FIU e o Lowe Art Museum da Universidade de Miami para exibições especiais durante o mês de dezembro. 

Miami também abriga algumas das coleções particulares de arte mais impressionantes do mundo. A cidade inteira se transforma em uma tela para instalações efêmeras e acontecimentos artísticos. Faça um passeio por South Beach, Midtown, Wynwood ou Downtown para apreciar as visitas. 

E para encerrar, pessoalmente, quero desejar aos meus leitores e à equipe do JornalBB meus votos de um Feliz Natal e Feliz 2022, com muita saúde e conquistas. 

Qualidade de vida é pauta na Flórida

Nereide Santa Rosa

Conheça essa brasileira que está se tornando uma referencia no tema tão necessário e atual sobre aquecimento global e melhoria da qualidade de vida. Patricia Fraga, moradora na Flórida, é mãe de 5 filhos, arquiteta e urbanista, escritora, palestrante internacional, professora, PhD em arquitetura e possui PhD (ABD) em Educação. Fundadora e Chief Happiness Officer na Abayomi LLC, diretora executiva na Abayomi Academy e presidente da Planeta Etica Inc, tem experiência multidisciplinar e intercultural, navegando na Engenharia, Construção, Tecnologia, Educação, Educação a Distância, Cidades Inteligentes, Sustentabilidade, Promoção da Felicidade, Pesquisa e Inteligência, entre outras. 

Nereide: Conte para nossos leitores sobre seu percurso profissional e como foi a sua opção de vir morar na Flórida? 

Patricia: Desde criança, eu já demonstrava interesse pelos temas relacionados ao urbanismo e à arquitetura. Me lembro que, aos 11 anos, desenhei uma “cidade ideal” e, ao entrar na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFBA, anos mais tarde, descobri que havia desenhado uma “cidade-jardim”. Também sempre fui muito inquieta em relação a conhecer o mundo, outros idiomas e outras culturas. Estudei inglês, francês, espanhol, catalão e japonês, dança afro, flamenco, ballet e capoeira. Na adolescência, participei de grupos de acolhida a estudantes de intercâmbio que chegavam na Bahia. Recebemos uma estudante da Costa Rica que passou a ser minha irmã, mais tarde minha comadre e vive em Maryland. Nunca fui apenas arquiteta e urbanista. Meu sangue estava ligado à educação. Com pais educadores, fiz meus estudos na faculdade de arquitetura e minha prática na faculdade de educação. Participei do programa pioneiro em Educação a Distância no Brasil, pela Faculdade de Educação da UFBA em 1990. Ao concluir o curso, queria morar em outro país, viver uma experiência internacional e fui aceita no Doutorado na Universidade Politécnica de Catalunha, aos 21 anos e me mudei para Barcelona. Um ano depois de me mudar, meu irmão mais velho faleceu, decidi voltar para Salvador e fiquei na ponte-aérea por mais 2 anos. Ainda realizando o doutorado, comecei a dar aulas em cursos de pós-graduação, depois entrei para a universidade e segui a carreira acadêmica com docência e pesquisa em diferentes universidades no Brasil e no exterior, paralelamente à carreira de consultoria nos temas de ambientes, educação e tecnologia. Em 2014 nos mudamos para Maryland com o objetivo de dar uma oportunidade para os filhos de viver outra cultura e aprender o inglês. O que seria temporário já leva mais de 7 anos e virou permanente. Em 2018 nos mudamos para a Flórida pelas oportunidades de trabalho, para ficar mais perto do Brasil e fugir do frio. Continuo trabalhando com arquitetura, urbanismo, tecnologia e educação através da Abayomi LLC e da Abayomi Academy em contato com profissionais dos quatro cantos do planeta.

Patricia Fraga

Nereide: Sobre seus projetos literários que envolvem sua família, como foi esse processo de descoberta sobre ser arquiteta, escritora e produtora? 

Patricia: Meus pais, Nívea Rocha e Fernando Floriano Rocha, eram escritores e herdei deles essa paixão. Meu pai escreveu seu primeiro livro técnico quando tinha 19 anos e ainda estava entrando na universidade. Eles sempre foram minha inspiração e principais apoiadores. Eu gostava de escrever contos e poesias, mas só fui começar a publicar depois de concluir a faculdade. Comecei publicando textos para o jornal A Tarde de Salvador sobre Educação Ambiental e Urbanismo, há mais de 25 anos. Publiquei diversos artigos científicos em português e alguns em inglês e artigos para livros também. A parceria com meus pais me levou a me inserir ainda mais nesse meio. Eu gostava de saber o que estavam fazendo, aprender e contribuir. Colaborei nos 17 livros da coleção “Educação, Desenvolvimento Humano e Responsabilidade Social: fazendo recortes na muldisciplinaridade”, realizada por minha mãe ao longo de 15 anos. Ela também foi a responsável por inserir meus filhos nessa jornada de autores. Foi com ela que eles começaram a escrever o “Planeta Ética” entre 3-11 anos de idade. E não pararam mais. Acredito que o incentivo e o exemplo da família contribui para despertar o amor pela leitura e pela escrita, como outras habilidades também.

Nereide: Conte sobre a Abayomi e sua proposta sobre Cidades Inteligentes.

Patricia: Meus interesses na arquitetura e no urbanismo eram voltados para a sustentabilidade e o bem estar, desde criança, quando desenhei a tal “cidades-jardim”. As pesquisas na área da tecnologia e da construção despertaram o interesse pelo estudo das Cidades Inteligentes. Mas o fato de ser denominada “inteligente” e focar exclusivamente em tecnologia, me incomodava. Em 2014, logo após me mudar para os Estados Unidos, comecei a estudar as Cidades Felizes e desenvolver uma análise crítica sobre estes conceitos. Em 2018 tive a oportunidade de apresentar minhas ideias na Assembléia de Cidades Inteligentes na Georgetown University, com a proposta de evolução do conceito de Cidades Inteligentes para Cidades Inteligentes e Felizes e esse foi o começo do que hoje é a Abayomi – uma empresa de consultoria voltada à promoção de ambientes que além de fazerem o uso mais inteligente dos recursos disponíveis, ajudam a promover a felicidade das pessoas. A Metodologia Abayomi foi desenvolvida a partir de anos de estudos e discussões com uma equipe de profissionais multidisciplinares, a maioria brasileiros, e “costurada” juntamente com meu amigo e colega arquiteto, Arnaldo Lyrio, do Rio de Janeiro. Nessa metodologia, a análise dos ambientes envolve não somente a parte física do espaço, mas é complementada com proposta de gestão inovadora, de comunicação, de relações humanas e de saúde e bem estar. Após a pandemia, a discussão sobre promoção da felicidade a partir dos ambientes tem se intensificado ainda mais. As pessoas não querem apenas morar em uma casa legal ou ter um trabalho que pague bem. Elas querem ser felizes nas suas casas e nos seus trabalhos. E a Abayomi ajuda a conquistar esse ambiente. Por ser um tema muito novo e haver uma demanda muito grande por educação, surgiu a Abayomi Academy, uma associação de membros sem fins lucrativos com o objetivo de cuidar da parte educacional e de pesquisa relacionadas a essas temáticas. Entre as atividades que a associação oferece, temos a revista SHE – Smart & Happy Environment, que reveza publicação em português e inglês e o blog disponível para os associados, com matérias e contribuições de profissionais internacionais multidisciplinares. Cursos de certificação nos temas também são oferecidos para membros, profissionais em geral e empresas.

Nereide: Quais as próximas atividades que vocês vão realizar? 

Patricia: Em novembro, a Abayomi Academy estará realizando o II Smart Cities, Happy Citizens World Summit 2021, online, promovido em parceria com o Instituto Happiness do Brasil (São Paulo), com o intuito de inspirar profissionais para esse novo mundo pós-pandemia. Teremos palestrantes de diversos países do mundo trazendo suas experiências e conhecimento. O evento acontece em português e inglês. Workshops presenciais estão sendo planejados para São Paulo e Salvador para novembro e outras atividades para 2022, incluindo países da Europa e Ásia no roteiro. A Abayomi está formalizando parcerias com investidores e empresários para a criação de novos empreendimentos no Brasil e nos Estados Unidos que já vão nascer baseados no conceito de ambientes inteligentes e felizes. 2022 promete ser um ano de muito trabalho, conexões e realizações.

O escritor Laurentino Gomes é homenageado no Focus Brasil NY 2021

Nereide Santa Rosa

A Fundação Focus Brasil tem como missão a celebração da Cultura e da Imagem Positiva do Brasil e dos Brasileiros no Exterior. Todas as atividades e premiações desenvolvidas pela Fundação Focus Brasil estão irredutivelmente comprometidas com a diversidade cultural, étnica e social. O foco é ser uma plataforma dinâmica de promoção do Brasil e dos brasileiros no mundo, através da Arte, Cultura, Educação, Negócios, Empreendedorismo e Responsabilidade Social.

O Focus Brasil NY é uma realização da Fundação Focus Brasil voltada exclusivamente para a Literatura Brasileira com o objetivo de estimular e promover a literatura brasileira, cultura, as ciências sociais e as artes do Brasil no exterior, contribuir para a preservação da memória de escritores brasileiros, apoiar iniciativas e eventos literários, socioculturais desenvolvidos pela Focus Brasil Foundation na formulação e implementação de políticas culturais de interesse da comunidade brasileira no exterior e desde 2019 conta com a parceria com o Consulado-Geral do Brasil em Nova York. Reiteramos a importância dessa parceria com o Consulado-Geral do Brasil em Nova York, o qual seu apoio foi e é fundamental para o sucesso do evento, como reconhecimento pela produção literária no Brasil e no exterior. Agradecemos especialmente à Sra Embaixadora Maria Nazareth Farano Azevedo pela sua presença na abertura do evento

O 1o Encontro de Literatura Brasileira do Focus Brasil NY em 2019 aconteceu de forma presencial na sede do Consulado-Geral Do Brasil, em Nova York e teve a participação de 80 escritores brasileiros residentes apenas nos Estados Unidos que se apresentaram em 10 painéis, feira de livros, além da inauguração da biblioteca Guimarães Rosa na sede do Consulado com livros doados pelos participantes. Devido ao sucesso alcançado, o evento em 2020 se tornou mundial e o 2o Encontro Mundial de Literatura Brasileira que já estava planejado em conjunto com o Consulado, aconteceu de maneira virtual e teve a participação de 120 escritores brasileiros residentes em vários países, painéis, depoimentos, book fair virtual, premiações.

Nesse sentido, neste mês de setembro aconteceu o 3º Encontro Mundial de Literatura Brasileira, ainda de forma virtual, com a participação de 160 escritores brasileiros de 15 países, entre os dias 16 a 22 de setembro através da Plataforma digital Focus Brasil, com 10 painéis de discussão sobre vários aspectos da Literatura Brasileira e 85 participantes individuais membros da Academia Internacional de Literatura Brasileira, com sede em New York, a qual, atualmente conta com 580 membros, todos escritores brasileiros residentes ou não no Brasil. A Academia Internacional de Literatura Brasileira – AILB, fundada em 12 de setembro de 2020, é uma entidade de caráter cultural, sem finalidade lucrativa, criada pela Focus Brasil Foundation.

Todos os 22 segmentos do Focus Brasil NY 2021 foram transmitidos ao vivo pela Plataforma Digital da Focus Brasil Foundation, no Facebook e no canal Focus Brasil do You Tube.

E o grande homenageado com o Prêmio Outstanding Achievement Award dos Destaques Literários 2021 é o escritor Laurentino Gomes, que se tornou famoso como escritor graças à sua autoria do best-seller “1808 – Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil”, livro que narra a chegada da corte portuguesa ao Brasil. Em 7 de setembro de 2010, faz na Bolsa Oficial de Café, na cidade de Santos, o lançamento nacional da obra 1822. Data que marca também o aniversário de 88 anos do edifício da Bolsa. Ao fim de março de 2012, a Globo Livros anunciou a assinatura de contrato para o lançamento do próximo livro de Laurentino 1889, livro que chegou ao mercado no segundo semestre de 2013. A tiragem inicial foi de 200 mil exemplares. Sobre a obra, Laurentino diz:

“’No terceiro e último volume da série, explicou porque o país permaneceu como a única monarquia das Américas, por mais de 67 anos e mostrar como foi a Proclamação da República, em 1889. Em maio de 2015, anunciou uma nova trilogia sobre a escravidão no Brasil. O primeiro dos três livros foi lançado em 2019, sob o título Escravidão. Em 2008, o livro 1808 recebeu o prêmio de melhor ensaio da Academia Brasileira de Letras e da 53ª edição do Prêmio Jabuti de Literatura na categoria de livro-reportagem e de “livro do ano” da categoria de não-ficção. Em 2008, a Revista Época elegeu Laurentino uma das 100 pessoas mais influentes do ano, pelo mérito de conseguir vender mais de meio milhão de exemplares de livro de História do Brasil. Sete vezes ganhador do Prêmio Jabuti de Literatura, um dos mais importantes do Brasil, Laurentino Gomes é autor dos livros 1808, 1822, 1889 e “Escravidão”, obras que venderam até agora mais de três milhões de exemplares e foram editadas no Brasil, em Portugal, nos Estados Unidos e na China. Seu primeiro livro também foi eleito o Melhor Ensaio de 2008 pela Academia Brasileira de Letras. 

Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná, com pós-graduação pela Universidade de São Paulo, é membro titular da Academia Paranaense de Letras. Além de Laurentino Gomes, o Focus Brasil NY apresenta nove escritores vencedores do Awards da Academia Internacional de Literatura Brasileira em 2021 e o lançamento do 2o Catálogo Internacional de Escritores Brasileiros publicado pela Academia Internacional de Literatura Brasileira com o apoio da Underline Publishing.

Escritores brasileiros na Flórida entre os mais votados do Focus Brasil NY 2021

Nereide Santa Rosa

O Focus Brasil New York 2021 e a Academia Internacional de Literatura Brasileira, que hoje congrega quase 600 membros, todos eles escritores brasileiros com obras publicadas, de todas as partes do mundo, recentemente anunciaram os cincos escritores mais votados em oito categorias do Prêmio Awards Destaques Literários de 2021. Entre os 40 escritores mais votados, aqui destacamos os escritores brasileiros residentes nos Estados Unidos. Parabéns a todos!!! A literatura brasileira também se destaca entre a comunidade brasileira nos Estados Unidos.

Angela Bretas reside nos EUA desde 1985, escritora, jornalista e poetisa. Idealizou e coordenou duas antologias nos Estados Unidos “Brava Gente Brasileira em Terras Estrangeiras” volume I e II , coletâneas pioneiras de escritores brasileiros radicados no exterior. Possui livros de poesia, de poetrix e de contos. Foi condecorada com prêmios na área da literatura; duas vezes vencedora do Brazilian International Press Awards, palestrante convidada na Universidade da Geórgia, participou do Focus Brasil NYC; é acadêmica da Academia Internacional Poetrix. Angela é catarinense e divide sua vida entre Flórida e Brasil.

Maristela Rocha Cerqueira, advogada, pós-graduada em Processo Civil, Pós-graduada em Desenvolvimento de Produto com Formação em Gestão de Grandes Projetos e Mídias Sociais, estudante, filha, mãe e empresária, construiu, além de uma linda família, uma empresa de sucesso que figurou entre as empresas que mais cresceu no Brasil. Seu livro “Think About It! – O poder da reflexão” narra a sua trajetória, uma mulher comum que soube extrair das muitas adversidades da vida o combustível para vencer no competitivo mundo empresarial e construir uma carreira vitoriosa sem abrir mão do melhor de sua essência. Ao apontar e analisar os caminhos que percorreu, Maristela conduz o leitor a uma profunda reflexão que o ajuda a rever suas escolhas pessoais. Este livro é também uma poderosa ferramenta para todos os que desejam fazer mudanças de carreira e até mesmo de país. O desafio de parar, refletir, decidir e agir levou Maristela a conquistar seus sonhos profissionais e pessoais, e pode ajudar igualmente qualquer pessoa que se predisponha, com sinceridade e fé, a fazer semelhante jornada de sucesso e paz interior.

Deocleide Britos vive em Orlando,FL há 22 anos é professora do ensino fundamental, pedagoga, pós-graduada em psicopedagogia. Casada com Amilton, mãe do Wesley e Sarah (in memorian). Coordenadora pedagógica do Projeto Português Como Língua de Herança do New Hope Assistance Center onde cria todo o programa curricular para o projeto. Há 6 anos trabalha na Hunter’s Creek Middle School como Portuguese Paraprofessional. Atualmente vem desenvolvendo uma Proposta Curricular para o Ministério de Educação Infantil da Igreja Nova Esperança. Em 2015 escreveu o livro “Sarah Britos Uma História de Amor e Fé”, onde ela conta a trajetória da família com a filha diagnosticada com Neuroaxonal Distrofy. Em 2017 ganhou o Prêmio Mulher Brazil USA, e, em 2018, ganhou o prêmio Focus Brasil/Personalidade da Língua Portuguesa. Atualmente está lançando o livro “Ostra feliz não produz pérolas”.

Patricia Fraga Rocha Rabelo é PhD em arquitetura, educadora e autora de diversos capítulos e livros na área de educação, arquitetura e urbanismo. Patrícia Fraga é fundadora da Abayomi, presidente da Planeta Ética, Inc e consultora para felicidade nos ambientes. PhD em arquitetura, educadora e autora de diversos capítulos e livros na área de educação, arquitetura e urbanismo, vem se destacando nos últimos anos pelo trabalho na aplicação da Metodologia Abayomi, uma proposta pioneira de promoção de espaços inteligentes e felizes. Publicou seu mais novo livro, “Cidades Inteligentes e Felizes: convergências e conexões”.

Marcos Rossi é romancista, descendente de italianos, brasileiro do interior paulista e morando nos EUA desde 2004, Marcos é o que se pode chamar de cidadão do mundo, tendo visitado a trabalho ou a lazer, mais de quarenta países em cinco continentes. Ele é fluente em inglês, português e espanhol e têm seus três livros publicados no Brasil e nos EUA.

Formado em Economia e em Administração de Empresas pela Unicamp, tornou-se especialista em Logística, trabalhando nesse campo por mais de duas décadas e ensinando a disciplina em uma grande universidade na área de Miami.

No entanto, seu profundo interesse pela psicologia e natureza humana o levou a estudar o assunto e a obter a certificação como Life-coach. Hoje ele ajuda organizações e pessoas a alcançar um patamar mais alto.

Espiritualista, Marcos estudou as principais religiões e aproveitou suas viagens para visitar sítios arqueológicos, templos budistas e hindus, mesquitas, sinagogas e igrejas cristãs, inserindo tais experiências em seus escritos.

Ele também ama História e usa a maior parte de seu tempo livre lendo e assistindo documentários relacionados, o que o levou a concentrar seus romances em momentos históricos de sua preferência.

Seu mais novo romance “A Mais Bela Travessia” conta a saga de Matteo, um jovem que imigra da Itália para o Brasil no final do século XIX e passa pelas mais diversas aventuras e experiências de vida em uma terra estranha, imerso em uma cultura e idiomas que ainda não entende. Ambientado em um Brasil de um século atrás, o drama aborda temas intrigantes, polêmicos e atuais como o racismo, sincretismo religioso, pandemia, emancipação feminina e disputas ideológicas. Mas Marcos segue com novos projetos e diversificando sua atuação como escritor, trabalhando agora em uma biografia. Marcos vive em Miami, é casado com Vania e é pai de Gianlucca e Gianpietro.

Talentos musicais brasileiros fazem sucesso nos EUA

Nereide Santa Rosa

A cuidadosa retomada das atividades musicais ao redor do país, trouxe boas notícias aos talentosos músicos brasileiros nos Estados Unidos. A partir deste mês de agosto, dando continuidade à sua promissora carreira, o maestro brasileiro Alan Anibal passa a comandar a Napa Valley Youth Symphony, mostrando como o talento brasileiro é reconhecido no mundo da música erudita. Antes do período pandêmico, em 2018, nosso maestro regeu o Festival Opera Love, Lust & Laughter e apresentou as operas Tosca e La Boheme de Puccini e Dir Fledermaus de Johann Strauss II em Walnut Creek, também na Califórnia.

Estabelecida em 2002, o Napa Valley Youth Symphony recebeu muitos elogios, incluindo o reconhecimento pela conquista da senadora dos Estados Unidos, Barbara Boxer e convites para se apresentar no Carnegie Hall, em 2008; e, novamente, em 2014. O grupo embarcou em sua primeira turnê em 2008, viajando para Nova York e se apresentando no Carnegie Hall. Em 2010, o NVYS ganhou prêmios de ouro no Los Angeles International Music Festival, se apresentando no Walt Disney Concert Hall. E embarcou em sua primeira turnê internacional, em 2012, para a Europa Central com apresentações em Salzburg, Viena (Rabenstein) e no Festival Internacional de Mahler. A cidade de Nova York foi mais uma vez o local de uma excursão sinfônica de Napa Valley, em junho de 2014. NVYS também se apresentou na Band Shell no Central Park e no Carnegie Hall. 

Em 2016, o NVYS fez uma turnê na Irlanda e no Reino Unido, apresentando-se na Catedral de St. Patrick em Dublin, na University of York, em York e na St. John’s Smiths Square, em Londres.

Desejamos sucesso ao maestro Alan Anibal e o parabenizamos por estar no comando desta prestigiosa orquestra, e que continue a abrilhantar os palcos da música erudita nos Estados Unidos.

Enquanto isso, no estado da Flórida, um grupo de mulheres se destaca por suas atividades musicais. Brazilian Voices foi fundado em 2001 por Loren Oliveira e Beatriz Malnic, uma organização sem fins lucrativos, e tem por objetivo promover a música e a cultura brasileiras nos EUA. O grupo já se apresentou em Barcelona, Madrid, Londres, México, Nova Iorque e Arizona. Recebeu 14 prêmios (Focus Brasil) entre outros, e gravou 7 CDs que foram distribuídos nos EUA e Canadá. 

Brazilian Voices também promove a cultura brasileira em escolas, hospitais, centros de tratamento de câncer, asilos, além dos concertos anuais em teatros e eventos corporativos. O dia 15 de setembro de 2016, foi oficialmente proclamado pelo prefeito do Condado de Broward – Martin Kiar, como o “Dia do Brazilian Voices” em 31 cidades, por sua contribuição positiva na comunidade. 

O Brazilian Voices foi conquistando o público americano gradativamente através de muito esforço e dedicação das cantoras e voluntários que têm como missão inspirar suas integrantes e representar o Brasil. O grupo tem também cantoras nascidas no Panamá, Argentina, Peru, Philadelphia, Nova Iorque e Califórnia. E conta com o apoio financeiro e institucional do condado de Broward, Miami Dade, Estado da Flórida, NEA (National Endowment for the Arts), FAB (Funding Arts Broward), Miami Foundation, das próprias integrantes do grupo, doadores, empresas americanas e brasileiras. Até hoje, mais de 180 mulheres brasileiras e de diferentes nacionalidades já participaram do treinamento vocal e de mais de 600 apresentações. Durante a pandemia o grupo vocal cancelou todas as suas atividades presenciais, mas produziu 67 ensaios virtuais durante o ano de 2020. O Brazilian Voices montou um estúdio de produção “live-streaming”, e o trio de diretoras foi contratado para apresentações virtuais para pacientes em tratamento, no Miami Câncer Institute (Baptist Health South Florida), UM Sylvester Câncer Center, entre outros.

A organização também produziu 36 apresentações virtuais para crianças e adultos autistas e suas famílias em parceria com UM NSU CARD/ Broward Center for the Performing Arts e também para alunos da Greater Miami Youth Symphony. Em Setembro, celebrando 20 anos, o grupo Brazilian Voices lançará seu primeiro EP com composições originais, produzido virtualmente pelas diretoras e cantoras num evento beneficente, em Fort Lauderdale. 

Nos dias 22 e 23 de outubro, o grupo se apresentará em Gainesville na Universidade da Flórida com o Brazilian Music Institute. O grupo convida todos a visitarem seu novo website que foi desenvolvido por uma das cantoras (Silvana Baars Florez) e a participarem de campanhas de doações (dedutíveis de impostos) para que a organização continue expandindo seus programas na comunidade na Flórida.

Maestro Alan Anibal. 

A arte de Edson Campos no Albin Polasek Museum

Nereide Santa Rosa

O carioca Edson Campos desde jovem se interessou por artes visuais em múltiplas mídias. Mudou-se para os Estados Unidos, em 1978, e a partir de então, tornou-se um artista consagrado expondo em várias cidades norte-americanas, culminando com Orlando Modern Art Collection lhe homenagear com o título de “Artista do Ano”, em 2003. Em 2021, retomando a vida cultural na Flórida, Edson Campos comemora sua exposição no Albin Polasek Museum, em Winter Park.

Entre os museus de arte na Central Florida, mais especificamente em Orange County, Albin Polasek Museum & Sculpture Gardens é destaque e referência. Fundado em 1961, o museu tem uma coleção de arte com foco principalmente na escultura do artista Albin Polasek. O museu oferece visitas guiadas à histórica residência de Polasek, um jardim de esculturas ao ar livre, uma galeria com exposições rotativas e uma loja de presentes. 


Albin Polasek Museum & Sculpture Gardens 

“Fall of a dream”, Edson Campos , 82″ x 40″ 
Obra premiada com medalha de ouro no Historic French Salon,
em 2020 que estará exposta.

Nascido na província da Morávia (atual República Tcheca), Albin Polasek imigrou para os Estados Unidos como um jovem entalhador, em 1901. Mais tarde, frequentou a Pensylvania Academy of Fine Arts na Filadélfia e a Academia Americana de Arte em Roma. Durante sua influente carreira artística e educacional, Polasek ganhou muitos prêmios por seus trabalhos e foi encarregado de criar inúmeras esculturas públicas, agora encontradas em vários países da Europa e na América. 

Polasek dedicou sua vida ao incentivo ao estudo, apreço e aprofundamento da arte e aposentou-se quando morava, em Winter Park, Fl, em 1950, após quase trinta anos como chefe do Departamento de Escultura do Art Institute of Chicago. Albin Polasek projetou sua casa com um estúdio em funcionamento no centro, rodeado por jardins pitorescos. Em 1961, a Fundação Albin Polasek foi formada a pedido do escultor, e sua galeria foi aberta ao público como um museu. A partir de 1998, os curadores do museu renovaram seu compromisso de promover ativamente o legado de Albin Polasek com base em um plano de melhoria de longo prazo e, em 2008, o museu foi reformado e pintado de novo com fundos gerados de maneira privada. Este plano em andamento se concentra na renovação e expansão do museu, aumentando a conscientização pública sobre o museu e desenvolvendo o profissionalismo cultural e educacional. Como resultado desses esforços, o museu foi adicionado ao Registro Nacional de Lugares Históricos. Albin Polasek recebeu a honra de Great Floridian 2000 e foi incluído no Hall da Fama dos Artistas da Flórida em 2004.

Uma curiosidade sobre o prédio histórico que faz parte do complexo do museu, a histórica Capen-Showalter House, em Winter Park que seria demolida em 2013. Com a apoio do Museu, dos Amigos da Casa Feliz e centenas de apoiadores da comunidade, a casa histórica, um prédio de 200 toneladas, foi resgatada e literalmente movida por empreiteiros que cortaram a casa em duas metades – apelidados de Fred e Ginger – e flutuaram as partes através do Lago Osceola em um evento único que atraiu cobertura nacional de notícias. O processo de renovação incluiu a reinstalação das duas metades da casa, restaurando os pisos originais de pinho de 1885 e equipando a estrutura com banheiros acessíveis. O projeto ganhou o Prêmio de Realização Organizacional de 2014 do Florida Trust for Historic Preservation em reconhecimento a essa conquista notável. E a arte de Edson Campos, um artista visual brasileiro se faz presente neste museu tão especial. A exposição, A Classical Conversation: Jack Hill and Edson Campos revela a forma clássica e a beleza dos dois talentosos artistas, Jack Hill e Edson Campos, residentes na Flórida. Uma versão moderna e às vezes surrealista do corpo humano executada de forma graciosa e hiperrealista, que alude às inspirações clássicas de cada artista, respectivamente. A exposição estará aberta entre 20 de julho e 3 de outubro de 2021.

Vale a pena conferir e prestigiar Edson Campos, um dos nomes mais representativos da arte de brasileiros na Florida e nos Estados Unidos. 

Retomando a Arte em nossas vidas

Nereide Santa Rosa

A possibilidade de retomada da normalidade nos Estados Unidos traz a esperança para os artistas, músicos, pintores, e todos os profissionais que trabalham com Arte. A reabertura dos espaços artísticos como museus, orquestras, teatro e dança, nos traz esperança de um tempo de normalidade e a Arte poderá novamente estar próxima de nós, trazendo divertimento e conhecimento. Para reconquistar e rever a Arte, vale a pena relembrar alguns espaços expositivos na Flórida. Na cidade de Naples, um jardim botânico abriga uma ótima surpresa para nós, brasileiros: um mural de Burle Marx, considerado um dos arquitetos paisagistas mais influentes do século XX, premiado pela American Institute of Architects (AIA), em 1965. Ao se inspirar em mais de 50 espécies de plantas nativas encontradas nas paisagens exuberantes do Brasil, ele revolucionou o design de jardins fazendo composições abstracionistas, além de ser o responsável das famosas curvas sinusosas das calçadas de Copacabana. 

Por tudo isso, e muito mais, seu aluno, Raymond Jungles, um arquiteto paisagista norte-americano, instalou um mural de Burle Marx no Jardim Botânico de Naples, cidade localizada na West Coast da Flórida. O parque tem uma área de 170 acres, fundado em 1993, e desde então, incorporou jardins com temas de diferentes partes do mundo. 

O mural de Burle Marx foi instalado em novembro de 2009 no ponto alto de uma praça no espaço Jardim Brasileiro Kapnick, numa especie de palco, acima de uma cascata, podendo ser visto de vários pontos do parque. O mural é composto de um mosaico de 1325 quadrados de cerâmicas vitrificadas coloridas com o tamanho total de 8×17 fts, sendo o único do artista nos Estados Unidos. 

O mural ficou guardado por quinze anos até Jungles se decidir pelo Naples Botanic Garden. Foi montado em três dias de trabalho, e o resultado é maravilhoso. O mosaico colorido com diferentes espessuras brilha sob a luz do sol, refletindo luzes e cores na cascata e no lago, que abriga as nenúfares gigantes da Amazônia, ou para nós, brasileiros, nossa Vitória-Regia, flor de eterna inspiração para as lendas indígenas no Brasil.

Em Miami, o Pérez Art Museum Miami, é uma excelente opção.Localizado à beira da Bay Biscayne, cercado por uma paisagem extremamente generosa na luz e no brilho, o museu oferece espaços amplos com arte de qualidade, exposições de sua coleção permanente e as temporárias. Um dos destaques é o jardim das esculturas com obras de renomados artistas, perfeitamente integradas ao espaço, como a obra do artista brasileiro Ernesto Neto.

E na cidade de Saint Augustine, temos o privilégio de poder conhecer a maior coleção de obras fora da Europa e a maior dos Estados Unidos do pintor catalão Salvador Dali, um gênio da artes.

The Dali Museum possui, até o momento, um acervo com mais de 2100 obras do artista, entre pinturas, fotografias, esculturas e desenhos. O museu possui ainda um teatro, biblioteca, uma loja para os visitantes, um café e um agradável jardim com esculturas incluindo uma espécie de árvore dos desejos, onde os visitantes penduram fitas coloridas.

A premiada arquitetura do seu prédio chama a atenção dos visitantes. O arquiteto Yann Weymouth usou formas geodésicas nas grandes janelas, obra batizada O Enigma, feita com 1062 vidros triangulares à prova de furacão. Em seu interior, a escada em espiral foi inspirada na forma da molécula do DNA, a qual tantas vezes serviu de inspiração para o artista.



Ernesto Neto, Espaço divisório mínimo, 2008 Cor-Ten steel. Collection Pérez Art Museum Miami, gift of Jorge M. and Darlene Pérez. Imagem da autora
CONNIE ROCHA

PROGRAMA MOSAICO:  ARTES DO BRASIL

Nereide Santa Rosa

Connie Rocha é a âncora do Programa Mosaico produzido pela Focus Brasil Foundation diretamente da Flórida, EUA; e transmitido pela sua plataforma digital atingindo centenas de espectadores ao redor do mundo. O programa Mosaico apresenta as novidades sobre Arte e Cultura brasileiras em várias cidades: realmente é um mosaico composto de arte visual, cinema, literatura, artes cênicas e muita música.

Conheça a história da jornalista brasileira Connie Rocha e seu mais recente sucesso como apresentadora do Mosaico e assistam todos os domingos.

Nereide S Rosa: Conte aos nossos leitores sobre o seu percurso profissional no Brasil e nos Estados Unidos.

Connie Rocha: Sou baiana, nascida em Salvador, me formei em Publicidade/Marketing e em Jornalismo no Rio de Janeiro. Vim para a Flórida, em fevereiro de 2000, para cursar uma pós-graduação em Broadcasting na Barry University, em Miami e nesse mesmo ano fui contratada para trabalhar como jornalista no Gazeta Brazilian News, jornal que ainda hoje assino a coluna semanal “Bastidores”. Alguns anos depois, tive a surpresa de reencontrar-me em Miami, com o jornalista Carlos Borges, que foi amigo e colega do meu pai no jornalismo e televisão, em Salvador, Desde então, passei a fazer parte das produções de TV e apresentação dos eventos Miss Brasil USA, Talento Brasil, Brazilian Press Awards e Focus Brasil, onde atualmente apresento o programa Mosaico. Durante esses 21 anos aqui nos EUA, passei por diferentes empresas de mídia, como editora da Acontece Magazine, produtora On-Air da HBO Latin America, AMC Latin America e Discovery Channel, onde trabalhei também em produções originais do Discovery Kids. Sou dubladora de séries, novelas, filmes e documentários em português e tenho uma agência/produtora em Miami (On Production) em parceria com o meu marido Emi Perez (que também é produtor e editor de TV) com produções de vídeo e comerciais para Globo Internacional, Rede Record, e canais hispânicos e americanos como NBC, Telemundo e Univision.

NSR: Quais os desafios de ser âncora do Mosaico, um programa que está alcançando excelente audiência a nível mundial?

CR: Mais que um desafio, o Mosaico é um programa que traz uma enorme alegria pra mim e para o Carlos, que assim como eu, é apaixonado por televisão e pela arte e cultura do Brasil. O Mosaico é a materialização de um projeto, que sempre esteve nas nossas conversas ao longo desses mais de 15 anos de amizade e parceria e agora, está sendo realizado na plataforma digital do Focus Brasil. Acho que o nosso maior desafio é, na verdade, escolher, entre tantos talentos brasileiros, os que serão destaques em cada edição. E eu me sinto completamente feliz no comando de um programa que tem revelado e divulgado, esses grandes talentos espalhados pelo mundo.

NSR: O Programa Mosaico do Focus Brasil divulga a arte e a cultura dos brasileiros ao redor do mundo. Como vocês selecionam as matérias?

CR: As matérias são selecionadas pelo editor do programa, Carlos Borges, com a colaboração de vários jornalistas que atuam diretamente no Focus, como Dóris Pinheiro, da Bahia, Antônio Albuquerque, de São Paulo, Claudia Nunes, da Itália, Mario Makuda, do Japão, e Andrea Vianna, do Sul da Flórida. Sempre procuramos cobrir o máximo das áreas de arte e cultura envolvendo os brasileiros de várias partes do mundo e para isso é fundamental a estrutura global do Focus.

NSR: Na sua opinião, qual é o papel da Arte seja visual, escrita, musical ou cênica no mundo atual?

CR: Acho que a arte, em qualquer uma das suas vertentes, tem o poder de levar alegria, conhecimento, reflexão, e até a cura. Principalmente num momento tão difícil como o que estamos vivendo, quando as pessoas estão muito mais sensíveis pela falta do contato físico, do abraço e, por toda ansiedade provocada pela pandemia. A arte acalenta os corações, faz bem para a alma, seja pela música, dança, pintura, teatro ou cinema. A arte tem o poder de transformar e espalhar amor, empatia, valores que estamos precisando muito no momento atual.

NSR: Mande uma mensagem aos nossos leitores.

CR: Quero agradecer a todas as pessoas que estão acompanhando o Mosaico todos os domingos, sempre com mensagens de incentivo e agradecimento a esse espaço tão importante que revela para o mundo, o talento de brasileiros nos quatro cantos do mundo. Que o Mosaico sirva de inspiração para muitos outros programas culturais e que o nosso programa seja um momento em que as pessoas sintam-se mais felizes e unidas pela Arte, mesmo que virtualmente.

Espero vocês, todos os domingos, no Mosaico, na plataforma digital do Focus Brasil!

Artes para imaginar

Nereide Santa Rosa

Para a produção de uma obra de arte, seja visual, sonora ou corporal, o artista precisa definir a sua intenção ao produzir a obra e escolher uma técnica. Tudo depende da intenção do artista. Ele pode contar uma história, denunciar fatos, homenagear pessoas, mostrar como vive a sua comunidade, fazer algo que encante as pessoas ou fazer algo que surpreenda as pessoas.

Para atingir a sua intenção, o artista pode escolher um tema, ou não. Existem artistas que descobrem o tema só depois que terminam a obra, e existem artistas que não gostam de temas e não se preocupam com isso.

Depois que o artista define a sua intenção ao fazer a obra, ele escolhe a linguagem artística e a técnica que vai usar. Pintar, cantar, tocar, dançar, escrever poemas e textos literários, filmar, fotografar e muito mais, são formas de representação do pensamento do ser humano.

A Arte é a maneira como o ser humano expressa e representa seus sentimentos, suas ideias e sua visão de mundo, expõe os problemas e as conquistas da sua comunidade.

Como uma pessoa é diferente da outra, cada um tem um jeito próprio de expressar o que sente e pensa sobre o mundo em que vive. Por isso uma produção de arte é única. Pode ser uma pintura, um poema, um grafite, um passo de dança, a cena de um filme ou tudo isso junto. E esse conjunto de produções faz parte da cultura de um povo. As lembranças também são fatores importantes para o artista. A obra de Arte representa o que o artista observou e aprendeu durante sua vida. E as imagens feitas pelos artistas nos ajudam a entender as mudanças que ocorrem com o passar do tempo.

Tarsila do Amaral

Esta é a imagem da pintura A Gare da artista brasileira Tarsila do Amaral. Quando ela pintou esta obra, Tarsila estava interessada em representar temas urbanos. Esse período de sua vida ficou conhecido como Fase Pau Brasil, pois ela tinha a intenção de mostrar o modo de vida nas cidades brasileiras.

Ao apreciar esta imagem, qual é a figura que você olhou primeiro? O que você vê nesta imagem? Figuras de trem, chaminé, casas, trilhos de trem, fábrica, telhado, árvores, lustre, torre de ferro.

Heitor Villa-Lobos

O trem também foi tema para Heitor Villa-Lobos. A melodia “O trenzinho do caipira” é uma obra musical composta por ele. E tal como Tarsila do Amaral, buscou a inspiração nos trens para realizá-la. A sua intenção ao compô-la era resgatar as viagens de trem que realizou no início do século 20 para conhecer os costumes e a cultura brasileira, e relembrar as lembranças sonoras do seu tempo de criança.

Heitor Villa-Lobos nasceu no Rio de Janeiro em 1887 e faleceu em 1959. Foi um compositor brasileiro que compôs obras musicais para orquestra, cantores e conjuntos instrumentais. Suas composições são obras de arte inspiradas em temas da cultura popular brasileira.

E a Literatura também se relaciona com outras maneiras de se fazer Arte. Afinal a literatura é uma forma de arte que usa as palavras.

A música “O trenzinho caipira” foi composta por Heitor Villa-Lobos no ano de 1930 e faz parte de uma obra chamada Bachianas Brasileiras n.2 para ser tocada por orquestra. Anos mais tarde o poeta, escritor, crítico, biógrafo e ensaísta, Ferreira Gullar ou José Ribamar Ferreira que nasceu em São Luís no Maranhão. escreveu vários textos com estudos sobre Arte. Entre suas obras ele escreveu uma poesia para a melodia de Villa-Lobos. Se possível, pesquise e ouça a melodia “Trenzinho do Caipira”, cante a letra da poesia e imagine o trem de Tarsila do AmaraL saindo da estação da cidade e seguindo como diz estes versos da poesia:

“vai pela terra, vai pela serra, vai pelo mar. Correndo entre as estrelas a voar. No ar no ar”….

Trenzinho do caipira  autor Ferreira Gullar 

Lá vai o trem com o menino 

lá vai a vida a rodar 

lá vai ciranda e destino 

cidade noite a girar 

lá vai o trem sem destino 

pro dia novo encontrar 

correndo vai pela terra, vai pela serra, vai pelo mar 

cantando pela serra ao luar 

correndo entre as estrelas a voar no ar, no ar, no ar. 

(Link: http://www.vagalume.com.br/heitor-villa-lobos/trenzinho-caipira.html#ixzz2r9evOofG) .

Retratos da Vida, a arte de Naza McFarren

Entre tantos artistas visuais brasileiros que fazem sucesso nos Estados Unidos, vale destacar Naza McFarren, radicada aqui por mais de 30 anos. Sua obra é reconhecida tanto pela técnica como pelos temas. Atualmente utiliza suportes digitais avançados tecnologicamente e os temas se referem a personalidades e assuntos contemporâneos de destaque. O resultado pode ser visto em imagens que despertam no espectador encantamento e curiosidade, tanto pela composição arrojada como pela sua leitura de mundo feita por um olhar único e expressivo.

Obra: Poor World, de Naza McFarren 

Sua entrevista esclarece um pouco sobre sua vida e seu processo de descoberta e construção visual que se tornou sua marca registrada.

Nereide: Conte um pouco de sua história de vida até ser uma artista visual brasileira de sucesso nos Estados Unidos. 

Naza: Nasci em Santa Cruz do Piauí quando ainda não era cidade. Era um vilarejo pertencente a Oeiras, PI. A medida em que ia precisando de graus mais altos de estudo, fui para cidades maiores para estudar. A maior foi Fortaleza. Em 1996, decidi me mudar para Brasília e lá comprei materiais de pintura e comecei a pintar. Assim, sem mais nem menos. Daí até a vinda para os Estados Unidos foi uma odisseia. Morei em Mato Grosso do Sul, Fortaleza, Recife e voltei para o Piauí. Ali, conheci o oficial do exército americano que se tornaria meu marido e esse foi o motivo de minha vinda para os Estados Unidos.

Nereide:  Até que ponto suas experiências pessoais influenciaram em sua obra artística?

Nasa: Minha arte é extremamente influenciada por minha vida. Meus interesses e preocupações, minha opinião, meus sentimentos mais profundos, como as mágoas e as alegrias. Mas houve uma fase em que praticamente todos os meus trabalhos mostravam o que estava se passando comigo e ao meu redor. Foi quando o casamento desandou e logo depois da separação, os trabalhos eram super abstratos, mas representavam a história claramente. 

Nereide: Como você escolhe o tema de seus quadros? 

Nasa: Os temas vêm naturalmente, quase sempre algo que representa uma preocupação com o que está acontecendo à minha volta, tanto no micro universo quanto no macro. Às vezes eu “farejo” uma coisa que está para acontecer, como quando pintei uma abelha. Fazia um tempo que uma amiga havia sugerido abelha como um de meus temas, mas a emoção não me empurrou por um tempo. Então, um dia visitando a família em Picos, PI, fiquei muito desconfiada porque não havia os mosquitos imensos de lá e não via abelhas. Picos é a capital brasileira do mel de abelha. Então, alguém me falou que as abelhas estavam evitando “trabalhar na área da cidade por causa das árvores NIM, trazidas da Índia há mais de uma década. Pesquisei e descobri que o pólen das flores de Nim tornavam a segunda geração de abelhas infértil. Fiquei pasma. Foi então que fiz o quadro da abelha. Na mesma semana apareceu a notícia no mundo todo anunciando as abelhas como ameaçadas de extinção. Às vezes faço quadros por encomenda. O cliente normalmente já tem um tema e o tamanho, mas me deixam livre para criar. Quando o tema é o retrato de alguém, aí fico menos livre, pois tenho que agradar o cliente. Por isso mesmo, não considero os retratos como uma forma pura de arte. Eu até que crio no fundo e as vezes por cima da pessoa, mas não posso mudar as feições, pois é um RETRATO. 

Nereide: Voce é especialista em retratos? Diga alguns nomes que você destacaria que você retratou. 

Nasa: Não me considero especialista em retratos. Eu sempre fiz retratos porque é meu ganha pão. Pintei Barack Obama, Ayrton Senna, Viviane Senna, Mick Jagger, John Glenn, Chico Bento, Ivana Trump, Senador Heraclito Fortes, a família do General Noriega, entre outros. Alguns me fizeram assinar non disclosure releases (acordo de confidencialidade). Graças a esses retratos, pude sempre ser livre na minha criação dos outros quadros, não aceitava comprometer meus princípios, mas isso não me fazia passar fome, pois já ganhava a maior parte do sustento com os retratos. As pessoas na América Latina gostam de ser eternizadas em uma obra de arte. Eu antes pensava que era por vaidade. Agora penso que o motivo principal pode ser um desejo muito profundo e inconsciente, para garantir a continuação da raça humana. Com o tempo, tenho visto muitas situações em que os descendentes de meus retratados dão graças pelo fato de tê-los consigo, de uma forma que só o artista pode possibilitar. Um dia eu estava em São Luís, MA e senti uma atração por uma revista que estava em cima de uma mesa de centro. Comecei a folhear e vi um retrato que eu pintei há mais de 20 anos em uma reportagem sobre a filha de minha cliente, já falecida. Pediram para a entrevistada escolher os bens mais preciosos que ela tinha em casa e um deles era o retrato da mãe. Fiquei emocionada. Quando alguém pede para pintar o retrato, conscientemente ou não, quer estar sempre presente na vida dos seus descendentes. 

Nereide: Como você se expressa durante o processo de retratar uma pessoa? Qual é a sua técnica? 

Nasa: A maior parte de meus retratos é a óleo sobre tela. Eu começo fazendo o rosto e depois vou para o cabelo. Essa parte é uma “fronteira” entre a preocupação com os detalhes e a expressão o mais parecida possível e o começo de minha liberdade de criação. No cabelo, já começo a “abstracionar” e a desobedecer ao padrão de “foto”. O resto do quadro é uma continuação abstrata da pessoa e do mundo dela, ou pelo menos é a minha visão. Tento escolher as cores obedecendo minhas emoções, mas sem perder as noções técnicas, tipo, cor para usar nas sombras o vermelho, o amarelo, evitar erros de composição etc. Desde o final do ano passado, estou também criando muitas obras digitalmente. Depois de mais de 15 anos treinando, agora consigo fazer alguns dos meus quadros usando o computador como ferramenta, sem apelar para filtros ou outros artifícios automáticos. Eu uso os pincéis e as cores como se estivesse pintando com um pincel de madeira e fibra com tinta em uma tela. Quando fica pronta, a imagem é transferida para uma tela de primeiríssima qualidade. O original e único. Somente uma tela e impressa (e vai com um certificado de autenticidade). As vezes o cliente manda fazer uma pequena série em outro tamanho e numerada, para usar no escritório ou dar de presente aos filhos ou aos pais. Os direitos autorais de qualquer uma de minhas obras de arte pertencem a mim e elas só podem ser reproduzidas com minha autorização. Quando uma pessoa compra uma obra de arte não está comprando os direitos autorais do artista, a não ser que façam um contrato e o preço de direitos autorais é diferente do preço da obra. Existem acordos para reprodução por um período para um projeto específico e há a compra integral dos direitos, o que é muito raro. Nem sempre a encomenda é um retrato. Já fiz abstratos e vários assuntos por encomenda. Os direitos autorais de obras que não são retratos são muito mais valiosos, pois não se pode prever se no futuro vai haver ou não muito interesse de usar essas imagens de diversas formas, até muito depois do artista morrer.

Nereide: Voce já fez seu autorretrato? Fale sobre esse tema.

Nasa: Sim. Umas 4 vezes e meia. Digo isso porque fiz um quadro bem livre, para o qual usei a mim mesma como modelo, olhando pelo espelho. Pertence a um colecionador de Recife. Um deles é muito dolorido. Eu o pintei olhando pelo espelho, quando tinha 25 anos. Estava em uma fase horrível. Cada vez que vejo esse quadro, eu noto mais símbolos nele. Tem um pássaro tentando atravessar minha cabeça, tentando levantar voo, mas a asa está ferida.. Os outros dois, eu pintei para ter um exemplo de retrato, pois as pessoas levavam os seus e eu ficava sem nada para mostrar. Depois de uns anos, o retrato ficava “defasado”, pois quem olhava para mim e para o retrato provavelmente pensava que eu havia me embelezado muito, pois no momento estava mais jovem. O quarto retrato, eu o fiz quando vivia em Arlington, Virginia, área de Washington DC. Na última mudança entre Arlington e a Florida, foi rasgado. Tom Di Salvo, um artista cujo trabalho eu admirava muito, um dia comprou esse retrato rasgado. Até chorei. Foi um dos maiores elogios que meu trabalho já recebeu. 

Nereide: Mande uma mensagem aos nossos leitores. 

Nasa: Aos leitores artistas, principalmente os jovens, eu aconselho que terminem um curso superior e tenha um emprego paralelo para garantir o pagamento das despesas de sobrevivência e, assim, ser sempre livre para criar uma arte pura, como vem de seu coração. Uma renda fixa, mesmo que pequena, serve para construir uma aposentadoria. Aos não artistas, agradeço de coração vocês terem lido até o final e se interessarem por minha arte e minha pessoa. Se puderem, repassem. Nos, artistas, precisamos de todos os empurrões que pudermos receber.

Mick Jagger