Procurar por:
A ARTE TRANSFORMA A VIDA

Nereide Santa Rosa 

O tema deste artigo é comentar sobre a Arte como meio para transformar, polemizar, comunicar e contribuir para nos tornarmos mais felizes. Um tema amplo que pode ser interpretado em diferentes âmbitos, que vale fazer uma breve reflexão. Nem sempre a felicidade está acessível. Onde está a felicidade? Ao apreciarmos uma pintura? Ao lermos um livro? Ao ouvirmos uma música ou assistirmos uma performance?

A felicidade é um estado de espírito desencadeado por fatores diversos que nos cercam: família, atitudes, comportamentos, reconhecimentos.



Será que o artista é feliz? Será que o leitor é feliz?

Como estabelecer uma relação real entre o artista, o escritor e o leitor, seja por imagens ou de palavras?

Para atingir sua proposta o objeto artístico necessita de significado. Como uma obra de arte transforma o ser humano e a sociedade?

O artista ou o escritor é um constante insatisfeito… ele sai em busca de algo a mais para pintar, esculpir ou escrever. No processo de construção ele se sente feliz. Mas pode se angustiar… o que lhe faz feliz? O processo ou o resultado?

As relações artísticas entre o indivíduo e a sociedade perpassam por questões que devem discutir as relações entre apropriação e transformação, entre identidade e multiculturalismo, entre especularização das manifestações artísticas e novas associações que se estabelecem nas heranças das variadas matrizes.

Se uma obra é significativa ao espectador ela é efetivamente uma obra de arte, seja em diferentes linguagens: plástica, musical, cênica e digital. E quando uma obra de arte é significativa?

A obra de arte é significativa quando, ao a apreciarmos, ela nos comunica algo, nos intriga, nos ensina e nos cativa. Ao apreciarmos uma obra é importante considerar a intenção do artista e para tanto devemos conhecer o seu contexto social, cultural histórico. Dessa maneira podemos compreender sua intenção, a sua proposta e os recursos que ele tem ou tinha disponível ao produzi-la. A apreciação ainda passa pela observação da imagem, como ela foi produzida, seus recursos, a estrutura da composição, a questão da perspectiva, volume, luminosidade. De qualquer forma, a arte possibilita ao observador o que o produtor nos quer comunicar, o seu olhar e sua leitura do mundo onde vive ou viveu.

Quando a Arte é pública inserida nas cidades ela se torna mais um meio de questionamento e pode trazer um momento de êxtase ou até mesmo uma sensação de felicidade para quem a aprecia. Um painel, um grafite, uma escultura, a arte pública se mistura com a construção do espaço, seja lúdico ou estético.

A produção em Arte é fruto da ação de indivíduos que vivem em sociedade. O fazer artístico faz parte da cultura, dos valores compartilhados por esses indivíduos. A cultura popular aglutina os saberes e os pensamentos, contribuindo para a formação da identidade e para a organização social. O saber coletivo contribui para o saber artístico. A Arte se torna uma representação pessoal do que é ser feliz. Onde está a felicidade? perguntam os poetas e pintores.

Os seres humanos fazem música, dançam, dramatizam, pintam, desenham, cada um à sua maneira, de acordo com seus valores e heranças. Para além de um padrão universal, cada cultura encontra os seus modos de expressão. Existem variações significativas, definidas pelas necessidades de cada coletivo, que identificam, ampliam e transformam as manifestações de cada grupo, o qual de acordo com sua especificidade, adota seus valores.

Quem vivencia uma experiência estética se torna coparticipante da obra que observa, ouve, interage: o ato de apreciar envolve interesse e compreensão de quem aprecia: gostamos do que conectamos e passamos a conhecer.

Assim a ARTE TRANSFORMA A VIDA. Faça sua parte. Escreva, pinte, cante, e quando puder, retorne as visitas aos museus, a assistir concertos e shows. Vamos contribuir para uma sociedade mais feliz.

A arte de escrever de Beti Rozen

Nereide Santa Rosa

Beti Rozen é mais uma brasileira de sucesso nos Estados Unidos. Sua surpreendente carreira foi o tema da entrevista deste mês. Uma escritora que comemora uma carreira vitoriosa com prêmios e reconhecimento internacional. Sua perseverança, envolvimento e a busca incessante por novos desafios fizeram com que Beti se tornasse uma personagem que se confunde com a literatura brasileira nos Estados Unidos. Atualmente atua no comando do programa Mostra Sua Cara Kids, seus versos são musicalizados e continua publicando novos livros. Um exemplo de mulher escritora que conquista e assume seus espaços. Conheçam mais sobre Beti Rozen.

Nereide Santa Rosa: Conte um pouco de sua história de vida até ser uma escritora brasileira de sucesso nos Estados Unidos. Até que ponto as suas experiências pessoais influenciaram a sua obra literária?

Beti Rozen: Comecei escrevendo poesias no Brasil e, com o boom da literatura infantil, resolvi escrever livros infantis e meu primeiro livro foi editado em 1984, depois do de poesias, em 1982. Depois publiquei dois outros livros, para jovens e crianças. Muita batalha no início, batendo na porta de editoras, vendendo livros em bares/restaurantes no Rio de Janeiro. Buscando patrocínio para meus livros, como foi o caso de “Diário de Uma Jovem em Israel”, que foi patrocinado por uma agência de viagens e distribuído aos passageiros que viajavam para Israel. Até o meu livro “Robinho, o Robozinho e outras Histórias” foi distribuído nas excursões da Cidade da Criança e adotado em escolas no Rio de Janeiro. Um dos contos foi traduzido para o chinês e hebraico e publicado em revistas infantis na China e Israel. Outro conto do livro foi adaptado para teatro e esteve em cartaz no Rio. Isto tudo através do meu networking e também batendo em portas. Morei em Israel e lá batalhei bastante. Tive um poema traduzido para o hebraico e um conto editado na revista Pilon. Depois de todo o meu trabalho no Brasil e em Israel, vim para os Estados Unidos com um título que gostaria de editar e conheci meu marido Peter Hays, também escritor, que na época somente escrevia peças de teatro, e juntamente com um outro sócio, que não está mais na parceria, criamos a Sem Fronteiras Press para editar este livro. Foi uma edição bilíngüe, português e inglês e adaptado para o português de Portugal. Aí começou a nossa trajetória pelas comunidades brasileiras e portuguesas. Mais tarde, editamos o mesmo livro reilustrado em inglês e depois começamos as parcerias com editoras no Brasil e foi lançado “Um Coração a Procura de Abrigo” adaptado ao português do Brasil. Lançamos outros livros em inglês e vendemos direitos para editoras do Brasil mesmo porque começamos a visitar muitas feiras de livros internacionais e divulgar nossos livros. Em uma destas feiras conseguimos vender direitos para dois de nossos títulos em espanhol para a Colômbia. Assim minha carreira já estava em diversos países. Minhas experiências pessoais têm muita influência nos meus livros. O que vejo, minha família, minhas viagens, meu mundo interior, minha vida de imigrante, como os livros “Dois Continentes, Quatro Gerações” e “Sem Palavras”.

NSR: Como você escolhe o tema de seus livros? 

BR: Baseados em várias experiências da minha família, imigrante, minha vida em Israel, o que aconteceu com meu filho, e um em especial “Annabelle: Uma Criança a Caminho” uma inspiração baseada num bebê que não vingou, aborto espontâneo. O livro “Temos que Encontrar o Froggy” foi baseado numa experiência que aconteceu com nosso filho na Califórnia.

NSR: Os seus livros em português são muito apreciados pela comunidade brasileira nos Estados Unidos. Dê a sua opinião sobre o uso de seus livros em projetos que envolvem o ensino de Português como Língua de Herança.

BR: Os nossos livros em português são muito utilizados, além do Brasil, nos Estados Unidos em escolas da Flórida e outras. Creio que com a minha experiência de vida e vivendo quase 30 anos nos Estados Unidos, tenho histórias que se adaptam muito a realidade das crianças que vivem aqui e dos pais delas também. Mas alguns temas são universais e gosto muito de mensagens positivas e educativas. Muitas são espiritualizadas, mas sem tratar de religião. É muito importante passar esta mensagem hoje em dia, pois me preocupo muito com o materialismo excessivo. Isto é tratado no meu livro “A Heart Alone in the Land of Darkness” (Um Coração a Procura de Abrigo). O livro “Without Words” (Sem Palavras) trata da adaptação de um menino que veio do Brasil e tenta se adaptar nos Estados Unidos. Muitos pais e filhos se identificam com isto.

NSR: Quais são os seus planos para o futuro? 

BR: Meus planos para o futuro seriam cada vez mais ajudar as novas gerações com meus livros, sempre editando novos, fazendo peças de teatro e gostaria de fazer um filme com um de meus livros. Mas isto tudo, só Deus sabe. Podemos fazer planos, mas temos que ser flexíveis pois a Terra está passando por um processo de regeneração, e tudo muda de repente. Espero que meus livros criem leitores e transmitam sempre mensagens positivas. No programa Mostra sua Cara kids tento divulgar a literatura infanto-juvenil, pois entrevisto educadores, ilustradores e escritores. Todos que contribuem para esta literatura ficar cada dia mais forte.

NSR: Mande uma mensagem aos nossos leitores.

BR: Para os pais: leiam para seus filhos, sempre estimulem a leitura. Para os filhos: leitura pode ser uma coisa divertida, podem acompanhar esta era tecnológica, mas nunca esqueçam que ler um livro também pode acompanhar um vídeo game. Tudo é válido! Mas ler livros também pode ser uma atividade que possa dar prazer. Aí estão uma diversidade incrível de escritores, ilustradores, livros interessantes para serem lidos.

Uma história de sucesso – Conheça Adriana Sabino

Nereide Santa Rosa

Recentemente foi destaque no meio literário brasileiro o Festival Literário de Miami com a presença de renomados escritores como Nelida Pinon, Mary Del Priore, Beti Rozen, Toni Brandão e Chico Moura. Organizado sob a batuta de Adriana Sabino, o FLI Miami foi um sucesso reconhecido pela qualidade das palestras e o extremo cuidado de Adriana ao escolher seus palestrantes.

Adriana Sabino é a co-fundadora e presidente do Centro Cultural Brasil-USA da Flórida (CCBU), uma organização não governamental, sem fins lucrativos, fundada em 1997, por voluntários, em Miami, Flórida. Na sua atuação como presidente, ela se envolveu na criação dos programas e eventos que fazem o CCBU cumprir a sua missão: divulgar cultura brasileira no Sul da Flórida. Ela formou-se em arquitetura pela FAU-UFRJ (Escola de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ) e tem um curso de pós graduação em Urbanismo pela FAU-UFMG (Escola de Arquitetura e Urbanismo da UFMG). Em 1989 ela fundou a sua própria companhia de planejamento de interiores em Key Biscayne, Miami-Dade.

A seguir, conheça mais um pouco dessa brasileira que atua em prol dos brasileiros na Flórida, trazendo arte, cultura, informações e conhecimento.

Descreva quem é Adriana Sabino.

Sou uma brasileira-americana, residente em Key Biscayne, FL desde quando cheguei na Flórida, em janeiro de 1984. O interessante nessa história -essa aventura de vida que já tem mais de 36 anos-, começou de maneira casual. Sou carioca e recém formada em arquitetura pela FAU-UFRJ. Casei com um mineiro de Belo Horizonte e lá tive 2 filhas. Em Belo Horizonte também comecei a minha vida profissional, me tornando uma das sócias de uma firma boutique de arquitetura.

Em 1983, meu marido me propôs uma temporada de seis meses em Nova Iorque onde ele faria um curso sobre o sistema bancário americano, na NYU. Eu estava certa de que voltaria para Belo Horizonte no final desse ano. Ao final do curso meu marido apresentou outra proposta: uma temporada curta em Miami, a pedido da companhia, para averiguar oportunidades de negócios. Essa curta temporada foi se prolongando, ele criou negócios, criamos as duas filhas em Miami-Dade e continuo aqui até hoje.

Em 1996, notando o aumento de brasileiros que se mudavam para Miami e Key Biscayne, tive uma ideia, que propus ao então Cônsul Geral do Brasil, Luiz Fernando Benedini: criar um acervo de materiais sobre o Brasil no Consulado, um acervo brasileiro onde as famílias brasileiras pudessem apanhar emprestado bandeiras, trajes típicos, símbolos, mapas, para que as crianças representassem o Brasil nos dias internacionais em que as escolas locais celebram a herança cultural dos alunos. O Cônsul não só cedeu o espaço, mas sugeriu que eu fundasse um Centro Cultural, dentro das novas diretrizes do Itamaraty de transferirem para as crescentes comunidades brasileiras no mundo a representação cultural do Brasil. Encontrei um grupo de brasileiros que, como eu, acreditava que a melhor maneira de marcar presença numa comunidade multinacional como a de Miami, seria mostrando a riqueza da cultura brasileira. Em 1997, o Centro Cultural Brasil-USA da Flórida, Inc., nasceu formalmente como uma corporação sem fins lucrativos da Flórida, com status 501.c.3 (com isenção de imposto de renda). Sua missão desde então é divulgar a cultura brasileira no Sul da Flórida.

As primeiras iniciativas do CCBU foram os cursos de português como língua de herança – Origens e Raízes, criados por professoras brasileiras, especificamente para o CCBU.

Em seguida passamos a fazer parcerias com universidades, as redes de bibliotecas locais e de Broward County, outras organizações culturais, e promotores culturais para apresentar programas que mostrassem os mais diferentes aspectos da nossa cultura.

Já em 1999, fomos contatados pelo sistema escolar público de Miami-Dade para ajudá-los a criar o quinto programa bilíngue e bicultural na rede escolar pública -o programa português/inglês. A rede já oferecia os programas espanhol-inglês, francês-inglês, alemão-inglês e italiano-inglês. Durante quatro anos trabalhamos juntos e, finalmente, em 2003, foi criado o primeiro programa português-inglês, com conteúdo acadêmico brasileiro no sistema escolar público americano, na escola fundamental Ada Merritt K-8 Center. Um marco histórico na diáspora brasileira.

Como presidente do CCBU, qual é a sua mensagem para os brasileiros residentes na Florida?

Eu me orgulho muito da história pioneira do CCBU -que pode ser pesquisada no nosso website, www.centroculturalbrasilusa.org. Abrimos caminhos para a cultura brasileira em Miami e ajudamos a inseri-la na comunidade multinacional de Miami-Dade. Os alunos, brasileiros, hispânicos e americanos dos dois programas bilingues existentes na rede escolar pública -na Ada Merritt K-8 Center e na Downtown Doral Charter Schools serão, para sempre as pontes entre o Brasil e os EUA. E muitas iniciativas marcaram a presença brasileira em grandes eventos como a feira internacional do livro de Miami, em festivais de bibliotecas, em eventos comunitários.

Conte aos nossos leitores como foi a FLI MIAMI e qual é a sua expectativa para a próxima edição.

Em novembro, depois do sucesso pioneiro do primeiro Festival Literário de Miami – FLI MIAMI, estamos lançando o primeiro livro que registra as contribuições brasileiras em Miami – BRAZILinMIAMI. Outra ação pioneira que vai marcar a presença brasileira no exterior.

2021: A felicidade e o coletivo

Caros leitores, o final do ano está se aproximando. Geralmente um tempo de reflexão e planejamento. Planos e mais planos foram feitos no final de 2019 e muitos deles, simplesmente, evaporaram diante da situação inédita que enfrentamos a nível global. E agora? Vale a pena planejar 2021? Sem dúvida, vale!  Os desafios continuam imensos mas, como diz a nossa entrevistada Patrícia Fraga, “quando nos apoiamos mutuamente, promovemos felicidade coletiva e a nossa felicidade vem junto.” O tema desta edição é a felicidade e o coletivo, um assunto para refletirmos o que queremos em 2021. Desejo, aos meus leitores, um Natal em paz e saúde, em família, e que 2021 seja um recomeço com esperança de um mundo mais humano e feliz. 

Com vocês, Patricia Fraga, uma empreendedora brasileira de sucesso na Flórida. 

Nereide Santa Rosa: Conte aos nossos leitores sobre seu percurso como escritora e como criadora da Abayomi. 

Patricia Fraga: Sempre gostei de escrever, desde pequena: contos, poesias, textos descritivos. Meus pais foram incentivadores e fonte de inspiração. Aos 22 anos, já arquiteta e urbanista preocupada com a questão ambiental e os espaços urbanos, comecei a publicar artigos em jornais e publicações científicas. Estou lançando um livro sobre Cidades Inteligentes e Felizes, falando sobre a Metodologia Abayomi e a promoção da felicidade a partir do ambiente. Fui editora e autora em vários dos 17 livros da coleção “Educação, Desenvolvimento Humano e Responsabilidade Social: Fazendo Recortes na Multidisciplinaridade”. Também sou editora da Coleção “Planeta Ética”, disponível na Amazon, em mais de 13 países, em português e inglês, escrito e ilustrado por crianças e adolescentes que abordam a ética e os valores humanos com o olhar deles. Um dos meus sonhos era viajar o mundo, conhecer culturas e pessoas. Ao terminar a faculdade, fui aceita para realizar Doutorado na Universidade Politécnica da Cataluña, em Barcelona/ Espanha. E lá fui eu, com 22 anos, iniciar uma nova trajetória. No doutorado, tinha muito o que escrever. Acho que escrevi mais de mil páginas no total. A preocupação com o espaço urbano e o cidadão estava só no começo dos estudos. Hoje entendo que o que estudei lá atrás, embora com outros nomes, era a busca da felicidade a qual hoje norteia a Abayomi e a Abayomi Academy.. Do uso do espaço urbano, passando pela sustentabilidade, tecnologia na construção, gestão do conhecimento, cheguei às cidades inteligentes há uns 7 anos. Mas falar de cidades inteligentes ou casas inteligentes somente olhando a questão da tecnologia e do alto custo, me incomodava. Aí surgiu a Abayomi, pois acreditamos que um espaço inteligente é aquele onde as pessoas são felizes. 

NSR: Descreva os objetivos da Abayomi e suas principais ações. 

PF: A Abayomi LLC é uma empresa de consultoria com sede na Flórida que conta com profissionais multidisciplinares de vários estados dos Estados Unidos e do Brasil. O objetivo principal é oferecer um suporte à pessoas, empresas e gestores públicos para adaptar, reformar ou construir um espaço que faça o uso inteligentes dos recursos disponíveis (financeiros, tecnológicos, humanos, naturais) e promova a felicidade de seus usuários. 

Como ainda é um tema bastante novo, apesar de ter ganho uma maior visibilidade e percepção de sua necessidade com a pandemia, desde o começo, tínhamos uma demanda de educar profissionais e cidadãos. Realizamos vários debates – Abayomi Talks – aqui nos EUA e no Brasil, desde 2018. No mês passado, foi criada a Abayomi Academy, uma organização sem fins lucrativos para promover educação e pesquisa voltados à temática de ambientes inteligentes e felizes e promoção da felicidade. Os cursos da Abayomi Academy começarão em 2021, mas pré-inscrições estarão disponíveis agora em novembro. Com a pandemia, as pessoas perceberam o quão é importante o espaço doméstico, de trabalho e urbano. Importante no sentido de bem viver, de saúde/ 

NSR: Na atual conjuntura econômica social e cultural devido ao isolamento social, na sua opinião, a urbanização das grandes cidades será alterada ao longo do tempo? 

PF: Física e mental, de relacionamento humano, do ponto de vista financeiro e de felicidade. Já está havendo uma transformação no uso dos espaços abertos e fechados. Essa transformação não tem volta. A forma como vai acontecer em cada cidade, em cada empresa, pode ter um tempo diferente, mas as mudanças estão aí e são necessárias. O uso do espaço urbano ganha mais destaque por contribuir para menor risco de contágio do vírus, mas vai muito além disso: a presença da natureza é um dos elementos mais importantes para a percepção da felicidade no espaço, contribui para a atividade física (mesmo que seja uma caminhada) que ajuda na sensação de bem estar e felicidade, exige menos recursos financeiros e muitos outros benefícios. O cidadão começa a ter mais percepção dessas coisas e vai exigir dos gestores públicos essas mudanças. A atuação da Abayomi é personalizada para cada ambiente. A partir da TM 

NSR: De que maneira a ABAYOMI está atuando para melhorar a qualidade de vida nas cidades para tornarem as comunidades mais felizes? 

PF: Metodologia Abayomi Digitais, Gestão, Saúde e Bem Estar, Comunicação e Educação e Relacionamento Humano. Nosso trabalho sempre começa com um diagnóstico do local, incluindo todos os seus usuários para perceber como o local está construído e funcionando e quais são seus pontos fortes e suas debilidades no que diz respeito ao uso dos recursos e percepção de felicidade. A partir daí, fazemos uma avaliação dos resultados e traçamos diretrizes para adequação do espaço (arquitetônica, urbana, interiores, construtiva), para gestão e para comunicação. Esse trabalho pode ser realizado em residências, condomínios, empresas, bairros ou cidades. Temos cinco dimensões de estudo: Espaços Físicos e 

Uma atividade também muito importante que realizamos é a assistência para projetos em fase de idealização. Estamos com algumas propostas muito interessantes no momento, para projetos de hotéis e restaurantes no contexto pós-pandemia, que pretendem virar franquia internacional. São propostas que já começam com uma visão muito forte para o uso inteligente dos recursos, para a sustentabilidade, a saúde física e mental e, principalmente, a felicidade. 

NSR: Como brasileira atuando nos Estados Unidos, o que você recomenda para os brasileiros que queiram desenvolver ideias criativas para suas cidades e comunidades?

PF: Recomendo para qualquer pessoa que não desista dos seus sonhos. Se você tem uma ideia de algo novo, transformador, que vai melhorar a vida da sua comunidade, da sua cidade ou de outras pessoas, é uma ideia que vale a pena. Sempre vai ter quem não dê valor à sua ideia, mas você vai encontrar muito mais pessoas conectadas com seu propósito. Comece com sua família e amigos. Estude tudo que for relacionado com o que você pretende fazer, veja o que já foi feito em outros países, abra-se para o mundo e para novas conexões. As redes sociais podem ajudar muito. Aprenda a usá-las de maneira inteligente. E, principalmente, seja aquele(a) que apoia os outros. Quando nos apoiamos mutuamente, promovemos felicidade coletiva e a nossa felicidade vem junto. 

Focus Brasil Foundation lança a AILB

A Focus Brasil Foundation anuncia a criação da Academia Internacional de Literatura Brasileira: AILB, fundada em 12 de setembro de 2020. Trata-se de uma entidade de caráter cultural, sem finalidade lucrativa, cujos objetivos são:

• Estimular e promover a literatura brasileira, cultura, as ciências sociais e as artes do Brasil no exterior;

• Contribuir para a preservação da memória de escritores brasileiros;

• Apoiar iniciativas e eventos literários, socioculturais desenvolvidos pela Focus Brasil Foundation na formulação e implementação de políticas culturais de interesse da comunidade brasileira no exterior;

• Colaborar com estudos e pesquisas, programas e projetos sobre a memória e a história cultural da Literatura Brasileira no exterior;

• Fomentar a cooperação e o intercâmbio entre academias e entidades congêneres.

A Academia Internacional de Literatura Brasileira conta com 10 membros honorários que foram determinados pelo Voto Popular no FOCUS BRASIL NEW YORK/Encontro Mundial de Literatura Brasileira. Foram 120 nomes listados em duas categorias, Ficção e Não-ficção, gerando 6 vencedores, 3 em cada categoria com um surpreendente total de 25.333 votos enviados este ano pelo público em geral para selecionar os Destaques Literários da ACADEMIA INTERNACIONAL DE LITERATURA BRASILEIRA

Esses seis vencedores se juntaram aos 4 previamente selecionados pela direção do evento, e formam o grupo de dez premiados na edição 2020, além do que, serão incluídos na Galeria de Honra da Academia Internacional de Literatura Brasileira.

Esta galeria já inclui os três premiados na edição de 2019: Sylvio de Abreu (dramaturgo e Diretor de Teledramaturgia da Globo), Domício Coutinho (criador da Biblioteca Machado de Assis, em NY) e Else R. P. Vieira (pesquisadora da Quenn University of London).

Confiram os vencedores da edição 2020:

Atualmente a Academia Internacional de Literatura Brasileira já conta com mais de 150 membros inscritos. A Academia é constituída por autores brasileiros, de todo e qualquer tipo de produção literária, que serão inseridos no espaço virtual da Academia.

Os membros são aceitos mediante inscrição no site oficial da Academia e, posteriormente, são solicitados a enviar uma foto pessoal e fotos de capas dos seus livros já publicados. Esses itens são mandatórios para legitimar a inclusão na Academia.

A oficialização dos integrantes aprovados ocorre no site oficial. Cada escritor escreve um texto com até 100 palavras sobre o seu próprio trabalho, num formato de minibiografia que estará disponível na página digital da Academia.

Os membros terão acesso prioritário aos eventos produzidos e promovidos pela Academia. Também poderão votar na escolha dos vencedores do Destaque Literário da Academia Internacional de Literatura Brasileira, dentro do evento Focus Brasil.

A Direção Geral da AILB é dividida pelos fundadores: Carlos Borges (CEO do Focus Brasil Foundation) e Nereide Santa Rosa (CEO da Underline Publishing) e Coordenadora do Focus Brasil NY – Encontro Mundial de Literatura Brasileira

Os integrantes da Academia – respeitando os valores éticos da entidade – podem utilizar o logo oficial que será fornecido exclusivamente pela própria Academia aos seus membros. Podem votar e serem votados anualmente nos Destaques Literários da AILB e participarem dos eventos da Academia em condição prioritária.

Se você é escritor brasileiro, publicou seu livro participou de antologias, você pode se inscrever gratuitamente na Academia Internacional de Literatura Brasileira acessando este endereço: http://focusbrasil.org/academia-internacional-de-literatura-brasileira/

Kleiton & Kledir (Músicos/Escritores)
João Paulo Guerra Barrera (Escritor infantil)
Luís Eduardo Salvatore (Escritor e Fotógrafo)
Joyce Cavalccante (Escritora
Clara Arreguy (Escritora)
Fernanda do Valle 
(Escritora/Fotógrafa)
Chris Hermann (Escritora)
Geraldo Peçanha de Almeida (Escritor)
Heloísa Schurmann (Escritora/Ativista)
Márcia Kambeba 
Margarette Mattos: quando a Arte resgata vidas
Nereide Santa Rosa

Em tempos de isolamento social, a busca pela justiça social e o grito da sociedade se tornaram mais fortes, abrangentes, significativos e determinantes. E a Arte acompanhou esse movimento de explosão de sentimentos que estavam guardados esperando um motivo para mostrar a sua força. Logo após esses movimentos eclodirem, surgiram manifestações artísticas para representá-lo: painéis, grafites, pinturas, arte digital, e tantas mais ainda irão surgir.

A Arte é conhecimento, é história, é compreender o que somos e o que fomos. A Arte nos faz conhecer culturas diversas, nos faz aceitar o outro e a diversidade cultural de povos e países. Conhecer diferentes artistas, suas histórias e as diversas mídias visuais amplia a nossa leitura de mundo e nos faz compreender a história de cada ser humano. Margarette Mattos é um dos nomes mais atuantes no panorama das artes visuais dos brasileiros nos Estados Unidos. Seu ateliê em Cambridge, Massachusetts, demonstra sua intensa produção, em meio a telas, pinceis, pigmentos e a diversidade de materiais que utiliza em suas obras. Realizou inúmeras exposições individuais e coletivas em diversas cidades nos Estados Unidos, na Europa e no Brasil, com grande sucesso de público e da crítica especializada, por suas obras de arte. Ganhou diversos prêmios e reconhecimentos, entre eles o “Focus Brasil Visual Awards”.

Margarete nos conta sobre sua vida e trajetória.

Nereide Santa Rosa: Conte um pouco sobre o seu percurso profissional.

Margarete Matos: A Arte surgiu em minha vida há cerca de 30 anos, em Vitória, Espírito Santo, durante um período difícil em razão de uma depressão. Já estava casada e com filhos. Por sugestão de meu marido, entrei em um curso de Arte e me apaixonei. Comecei então a participar de eventos e exposições, e desenvolvi uma técnica própria e única, trabalhando com minérios e pigmentos. Desde então, estou envolvida com o mundo maravilhoso da Arte.

NSR: Qual é a sua inspiração para suas obras?

MM: Vejo as obras de arte como portais. Quando produzo penso em portas e janelas que me levam para um mundo de cores, texturas e emoções. Vou então, seguindo minha intuição, reforçada pelo contato de minhas mãos, meus instrumentos de trabalho, com os materiais que utilizo, criando minhas obras.

NSR: Como você define o seu estilo de Arte visual?

MM: Minhas obras podem ser definidas como “arte expressionista abstrata”, composta por figuras geométricas com cores fortes, materiais únicos e texturas diferenciadas.

NSR: Comente sobre a sua participação no Focus Brasil Visual Awards.

MM: Detentora de diversos prêmios e reconhecimentos, considero os mais importantes os recebidos durante os eventos do Focus Brasil Visual Awards, criado por Carlos Borges, em razão de serem votados inicialmente pelo Board do Focus e, no último estágio, pelos próprios artistas, o que lhes assegura uma importância ímpar.

NSR: Deixe uma mensagem para nossos leitores.

MM: Estou envolvida agora, junto com o artista Sid Degois, no projeto “Mostra sua Cara”, que acontece na plataforma Zoom, de segunda-feira à sexta-feira às 7:10 pm horário da costa leste. No “Mostra sua Cara” batemos um papo com os convidados, pertencentes a várias áreas profissionais, principalmente ligadas às artes. Também, com a criação e envolvimento no projeto “VidArte”, onde trabalho com pessoas que sofrem de depressão através da Arte, sempre digo que “Arte não é só um quadro na parede, Arte resgata vidas”.

Experimentem!

Arte e Literatura Dois artistas, dois escritores.

Nereide Santa Rosa

Literatura é Arte? Antes de respondermos, cabe discutir o que é Arte e suas múltiplas linguagens. A Arte é a representação de nossos significados, de nossos valores e de nossa cultura. Cada civilização produz, ou produziu ao longo do tempo, suas formas de representação que constituem sua Arte. As múltiplas mídias auxiliam o artista a construir sua Arte, seja com imagens, com formas tridimensionais, digitais, verbais, gestuais ou textuais. Nesse contexto, a literatura é a Arte de escrever, construir textos onde as palavras e as frases são os instrumentos de criação e o pensamento é representado pela mensagem escrita. Cabe ao leitor apreciar ou não o texto, tal como uma pintura, uma escultura, um filme ou uma peça de teatro.

Outra relação fundamental entre Arte e Literatura acontece no teatro e no cinema, nos dramas e nas comédias, cujos roteiros são criados e construídos a partir de obras literárias.

Arte e literatura caminham juntas e se integram em seus significados.

No Encontro Mundial de Literatura Brasileira do Focus Brasil NY, em 2020, será marcante essa relação com a presença de dois escritores e artistas visuais brasileiros que já se destacaram para a comunidade brasileira nos Estados Unidos.

Lucas Ksenhuk acaba de publicar seu livro “Uma história Real em traços Coloridos” onde conta sua trajetória pessoal e sendo autista, como a Arte foi seu caminho para encontrar reconhecimento e expressar visualmente seus sentimentos mais profundos. Lucas já realizou inúmeras exposições e participou das Parades, que são exposições de rua como a Egg Parade, Cow Parade, Elephant Parade, Football Parade e Vitruvian Parade.

Sua obra encanta pelo uso da cor e dos traços em múltiplas formas. Ele explica: “Nas telas reconheci no meu trabalho uma chance de ir mais longe e, logo, fiz minha primeira exposição com 30 quadros, todos vendidos em poucas horas”.

Ton Costa

Ton Costa é um artista nato com longa carreira profissional. Suas obras fazem parte de acervos nacionais, estendendo-se ao exterior; Europa, EUA e América do Sul. Participou de  aproximadamente 200 exposições, entre coletivas e individuais, com premiações em mais de 110 delas.

Recentemente publicou o livro “Visita Intimista à alma do artista”, cujo texto comenta, com sensibilidade, sua biografia desde os primeiros desenhos na infância até a conquista do público em Miami.

Ton participou da Art Brazil nos anos de 2015 e 2016 e com destaque, aconteceu seu vernissage em 2017. Um artista brasileiro reconhecido pela sua Arte que encanta pela abstração de sentimentos e emoções em suas cores.

 

 

Sonho Sonhado

poema de Ton Costa
Sonho para quem quer sonhar
Sonho sonhado
Sonho de criança que sonha com a alegria
Com o amor do sonho sonhado
Sonho da noite, sonho do dia, sonho da vida
À noite, o dia, passou e o sonho despertou para ser construído e realizado, pois foi sonhado.
De onde eles veem, do coração, da mente, da alma ou da cumplicidade deles
O aconchego, a aquietação é que eles veem
Coloridos como a infinidade de tons
Ou não, mas com o brilho das estrelas
Estão presentes para iluminar os caminhos a percorrer e a vencer
Sonhos para serem conquistados
Sonhos não para ficarem esquecidos pelo coração, mente e alma
Sonhos sonhados
Sonhos imaginados
Sonhos vividos
Sou o sonho do meu sonho
Sonho sonhado e realizado
Desejo de concretizar, dar vida a ele
Aquele sonho sonhado.
Poema retirado do livro
“Visita intimista à alma do artista”

 

Arte de Ton Costa

A Arte precisa de todos nós
Nereide Santa Rosa

Museus fechados. Exposições de arte adiadas. Como fica o mercado de arte?

Aarte visual necessita de público. O artista necessita do público. O mundo precisa de Arte. As produções digitais são interessantes, porém não suprem a ansiedade e o contato físico com um quadro, uma escultura, uma instalação. Precisamos sentir visualmente, entender o artista e sua intenção, em sua escolha de material e de forma, de textura e de cor. O contato visual com a arte é feito de emoções e significados. Até que ponto uma imagem digitalizada em seu celular produz esses efeitos?

Virtualmente temos acesso aos grandes museus de arte pelo mundo. Louvre, Moma e tantos outros disponibilizaram em seus sites acessos gratuitos ao seu acervo. Realmente isso colabora com o conhecimento e a permanência do interesse do público por Arte. Talvez incentive, no futuro, que as pessoas visitem pessoalmente esses locais e possam apreciar realmente de perto um Leonardo Da Vinci, um Portinari, um Basquiat, e tantos mais.

Arte é feita pra você

Quando tiver oportunidade e se sentir seguro o suficiente para visitar parques e espaços ao ar livre, a arte pública estará lá. Você, leitor, poderá apreciar as esculturas nos jardins do Museu Menelle, em Orlando, do Museu de Arte Pérez, em Miami Beach, do Museu Salvador Dali, em Saint Petersburg ou os grafites, em Miami.

A arte faz a gente respirar e renovar nossas esperanças.

Jardins do Museu Salvador Dali, em St. Petersburg, FL.

Jardins do Museu Menelle, em Orlando,FL.

Jardins do Museu de Arte Perez, em Miami Beach,FL

 

 

 

 

 

 

 

 

Como os artistas visuais podem auxiliar as pessoas a enfrentarem esse momento difícil que estamos vivendo?

A sensibilidade de um brasileiro chamou a atenção na mídia e repercutiu em todo o mundo. O artista brasileiro Kobra conhecido por seus traços, cores e formas em grafites, produziu um mural cujo significado representa união, respeito e gratidão. Ele anunciou que fará um leilão on-line com serigrafias de suas obras e toda a renda arrecadada será destinada a ajudar os moradores de rua. Arte pública verdadeira, real e emocionante.

O seu mais recente mural mostra cinco crianças representando crenças e nações diferentes em pose de oração. Medindo 6 metros de largura por 2,89 de altura, o mural foi pintado no próprio estúdio do artista, mas em breve será feito um em São Paulo e outro em Nova York, revelou. “Eu e minha família estamos totalmente isolados aproveitando para criar e desenvolver novos painéis”, disse Kobra.

Parabéns Kobra, sensível artista brasileiro. Mais uma vez constatamos que a Arte dos brasileiros vai além de fronteiras, de crenças e quebra barreiras para fazer este mundo melhor e mais humano.

Nereide Santa Rosa: Arte-educadora e escritora especializada em Arte, História e Cultura. Escreve sobre arte-educação, biografias de artistas e exposições de artes. Atua como palestrante nos Estados Unidos e Brasil. Publicou cerca de oitenta livros, vencedora do Prêmio Jabuti. Publisher Manager da Underline Publishing LLC e coordenadora do Focus Brasil NY. nereideschilarosanta@gmail.com

 

Arte em isolamento – Crônica de um tempo
Nereide Santa Rosa

O tema desta coluna sempre foi Arte e Você. Agora é tempo de Arte sem você.

Escrever sobre Arte e sobre os artistas brasileiros que atuam de forma brilhante nos Estados Unidos é sempre um prazer. No entanto, neste momento em que estamos vivendo um hiato nas produções artísticas, é tempo de algumas reflexões sobre o papel da Arte em nossas vidas, e sua função numa sociedade distanciada. Os efeitos desse isolamento na produção artística está sendo (foi) terrível. Museus e cinemas fechados, peças teatrais e espetáculos cancelados, shows populares sem previsão de acontecer, milhares de artistas e profissionais que atuam nesse mercado estão sem trabalho.

Música executada nas sacadas de apartamentos

Que tempo é esse que estamos vivendo?

A realidade de um tempo em que a Arte está suspensa.

Suspensa no pensamento e na ação, no conjunto ao vivo e em cores, de distanciamento ao invés de proximidade. Fomos surpreendidos e em poucos dias o mundo se transformou.

A arte está suspensa…

Não podemos sentir o palco, a sala de cinema, os sons e os burburinhos do público, o sinal de chamada, as falas e vozes de pessoas comentando os espetáculos, as risadas, as queixas. Não vemos os detalhes de uma bailarina se equilibrando na ponta das sapatilhas. Não vemos a beleza de um quadro na parede do museu, a textura da tinta, as pinceladas do artista, as cores e a sua identidade. Não vemos os músicos afinando seus instrumentos antes do concerto. E a respiração ofegante do maestro ao domar o grupo. O sorriso de êxtase ao final do concerto. Os sons da coxia. Os sons da orquestra. Restou o silencio, afinal. Não escutamos mais o silêncio do apreciar uma obra de arte. Não vemos o gesto e a expressão do ator ao entrar em cena. Não vemos os figurantes ao fundo caminhando sorrateiramente. Ou o diálogo carregado de uma emoção única que acontece apenas naquele momento numa peça de teatro. Nada substitui o momento da Arte. Que falta nos faz a Arte em carne viva!

Andrea Bocelli- Catedral de Milão, 12 de abril de 2020.

Mas, o mundo continua e Arte nos salva das ansiedades tanto para os artistas que continuam produzindo, escritores que continuam escrevendo, bailarinos continuam dançando em suas casas. Para o artista, o público é fundamental para que a sua mensagem e sua ansiedade sejam resolvidas, e surge a Arte online. Ao mesmo tempo, todos cantam, dançam, pintam e desenham em frente às suas telas ou nas suas janelas.

A arte continua ali, junto de nós. Em frente a tela do computador. Interagimos com artistas, amigos e desconhecidos, amadores e profissionais.

Apreciamos espetáculos que muitos não teriam acesso em teatros ao redor do mundo, operas, concertos, balés, ou mesmo um cantor solitário numa igreja em Milão que, sozinho, emocionou o mundo. Podemos frequentar museus de arte do oriente ao ocidente sem sair de casa.

Assim foi…assim será. A Arte não nos abandona. Ela está aqui, agora, em meu teclado. E chega ao mundo, até como forma de agradecer e celebrar os soldados desta guerra nos hospitais e nas ruas, entre os voluntários que transformam o mundo epidêmico em algo melhor e esperançoso. Sim a Arte também está lá. Logo sentiremos as mesmas emoções que a Arte ao vivo nos permitia, seja num jardim, seja numa sala de teatro. Logo sentiremos o aconchego do som, do ritmo, da música viva e palpitante. Logo ficaremos próximos de obras que nos encantam há séculos. Essa é a nossa História. Porque, afinal, sempre superamos os tempos ruins. Nossa História, nossa Arte. O encontro está marcado, enquanto isso leia um bom livro!

 

 

Nereide Santa Rosa
Arte-educadora e escritora especializada em Arte, História e Cultura. Escreve sobre arte-educação, biografias de artistas e exposições de artes. Atua como palestrante nos Estados Unidos e Brasil. Publicou cerca de oitenta livros, vencedora do Prêmio Jabuti. Publisher Manager da Underline Publishing LLC e coordenadora do Focus Brasil NY.
nereideschilarosanta@gmail.com
Beti Rozen:  A arte de escrever para crianças
Nereide Santa Rosa

A escritora brasileira Beti Rozen está lançando o livro Sem Palavras em português aqui nos Estados Unidos. Residente desde 1991, Beti é escritora de sucesso internacional, reconhecida por seus textos inclusive adotados em escolas bilingues e junto aos programas de Português como língua de Herança.

Conheça sua trajetória: um exemplo para novos escritores brasileiros que vivem no exterior.

Nereide: Qual foi sua motivação para se tornar escritora de livros infanto-Juvenis?

Beti Rozen: Eu comecei escrever poesias aos 17 anos. Participei de concursos de poesias, tive alguns prêmios e meu primeiro livro de poesias Bolas de Sabão, em 1982. Em 1984, meu primeiro livro infantil foi Robinho, o Robozinho e outras Histórias, traduzidos para o chinês, hebraico e italiano, publicado em revistas infantis na China e Israel adaptado para teatro, em 1987. Em 1986, publiquei Tancredo Neves: Gente pra Gente Lembrar e Relembrar, sobre a vida do ex-presidente para crianças.

Em1988, foi editado o Diário de Uma Jovem em Israel, sobre minha vida naquele país. Vindo para os EUA em 1991, publiquei, em 1994, o meu primeiro livro bilingue, Um Coração Sem Dono no País das Trevas/A Heart Alone in the Land of Darkness, depois veio Stolen Spirit, Without Words pela Sem Fronteiras Press, que agora está sendo lançado em português, Sem Palavras, pela Underline Publishing, Annabelle: A Child on the Way (EUA), Two Continentes, Four Generations, Temos de Encontrar o Froggy. Minha motivação para escrever para crianças surgiu com um amigo escritor de livros infantis na época-Reynaldo Vallinho Alvarez. Ao escrever para crianças libertei a criança que sempre esteve dentro mim, e o meu imaginar. Nunca abandonei a poesia e recentemente tive dois poemas musicados por Jo M. Alcoforado.

Nereide: Como você escolhe o tema de seus livros?

Beti Rozen: Os temas variam sobre espiritualidade, temas brasileiros, história do Brasil, imigrantes e até inspirados na minha família como o Dois Continentes, Quatro Gerações.

Nereide: Conte um pouco de sua parceria autoral com seu marido Peter Hays.

Beti Rozen: Escrevemos diversos livros. Ele é autor teatral, com vasta experiência, e adaptou dois livros para teatro: A Heart Alone in the Land of Darkness e Stolen Spirit.

Nereide: Recentemente você lançou o livro Sem Palavras. Qual é a importância desse livro para os jovens imigrantes e filhos de brasileiros?

Beti Rozen:  O tema do livro Sem Palavras é direcionado aos que vivem entre dois países, os imigrantes, seus filhos, uns nascidos aqui e outros que vieram do Brasil e a sua adaptação no exterior. Como disse Daniel,  “considero um livro politicamente correto para crianças porque traz uma mensagem de alerta importante para os adultos sobre a importância de se combater o preconceito contra os imigrantes.”

Nereide: Quais são os seus planos futuros?

Beti Rozen: Pensamos na continuação do Dois Continentes, Quatro Gerações. O mundo está mudando, e nossos temas também. Por exemplo, eu e Peter usamos outros tipos de linguagem como a dança a partir de cenas do livro A Heart Alon, poemas musicados e teatro.

Nereide: Deixe uma mensagem para nossos leitores.

Beti Rozen: Através dos nossos livros, eu e Peter Hays passamos valores de elevação espiritual, como não nos apegarmos apenas aos valores materiais e a busca excessiva pelo poder. Começando pelas crianças e jovens, onde está o futuro de nosso planeta. Daniel Azulay contribuiu muito neste mundo com sua espontaneidade, alegria, ensinando as crianças a desenhar, colorir este mundo. E sou muito grata por um dia ter tido a oportunidade de conhecê-lo e ter ilustrado Without Words que agora sai em português com o título Sem Palavras.

Daniel Azulay, nossa homenagem ao desenhista recentemente falecido no Brasil.