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Flórida: península do silício

Eraldo Manes Junior

Tradicionalmente, a Flórida é um estado que não taxa imposto de renda sobre seus residentes. É uma região que sempre atraiu turistas e aposentados que apreciam praias e calor. Estudantes americanos, de todos os estados, escolhem a Flórida para curtir as férias de spring break. Nas últimas décadas, o estado tem atraído investimentos estrangeiros no setor imobiliário. Cidades como Miami, Orlando, Tampa e Jacksonville hospedam empresas de alta tecnologia; e já se  discute comparar este movimento como o novo “Vale do Silício”.

Para este debate, o jornal B&B entrevistou o prefeito de Orlando, Buddy Dyer, o economista do Sul da Flórida, Carlo Barbieri, o corretor de imóveis, Eraldo Manes e o ex-migrante de Boston, Alex Colombini, que escolheu a Flórida Central para viver com a família. 

O que esta nova onda migratória significa para o mercado imobiliário? O que isto poderá afetar nos transportes, empregos, saúde, segurança, educação e lazer? 

O trabalho e a educação remotas provocaram uma corrida por imóveis maiores. A forte demanda elevou os preços a índices inimagináveis, dificultando o acesso à casa própria a pessoas de baixa renda e jovens que querem comprar sua primeira casa. Os bancos exigem mais cuidado antes de aprovar um financiamento, preocupados com uma possível bolha imobiliária. Será que isso é só uma onda? 

Confira nesta edição.

Jovens desabrigados e o Tráfico Humano

Anna Alves-Lazaro

De acordo com as últimas  pesquisas, estima-se que 4,2 milhões de jovens (13-25 anos) vivem desabrigados anualmente, incluindo 700.000 menores desacompanhados de 13 a 17 anos. Muitos desses jovens se tornarão vítimas de tráfico sexual ou de trabalho.

Através de estudo e pesquisas, especialistas descobriram taxas de tráfico entre jovens que vivem sem-teto variando de 19% a 40%.  Usando a estimativa mais baixa de 1 em cada 5 jovens que vivem na rua também sendo traficados para sexo, trabalho ou ambos, isso significa que, aproximadamente, 800.000 jovens que vivem na rua também são sobreviventes do tráfico de pessoas. Também sabemos que tanto a falta de moradia quanto o tráfico ocorrem em todas as comunidades americanas – incluindo cidades, subúrbios, comunidades rurais e reservas indígenas americanas.

Ao analisar sobre os caminhos para o tráfico sexual e de trabalho e os caminhos da falta de moradia para os jovens, perceberemos que eles são muito semelhantes – marcados por traumas e por estarem em situações de vulnerabilidade. Alguns jovens que vivem em situação de rua são mais vulneráveis ao tráfico humano do que outros; e as entrevistas com esses jovens ilustram alguns temas comuns:

A falta de necessidades básicas, como não ter um lugar seguro para dormir à noite, muitas vezes desempenha um papel em suas experiências de tráfico.

Os traumas precoces, como a falta de moradia e a exploração, começam cedo, geralmente bem antes dos 18 anos.

Os jovens LGBTQ + são particularmente vulneráveis; ​​e vivenciam o tráfico em taxas mais altas do que outros jovens sem-teto.

Os jovens que estiveram em orfanatos também enfrentaram taxas mais altas de tráfico do que outros jovens que vivem sem teto.

Jovens que vivem em situação de rua que também foram vítimas de tráfico sexual são mais propensos a ter problemas de saúde mental e uso de substâncias, ter sofrido abuso físico e emocional por pais ou responsáveis; e ter um histórico de abuso sexual.

Atender a jovens que vivem em situação de rua evita o tráfico de pessoas e aumenta o apoio aos sobreviventes do tráfico

Jovens vítimas de tráfico – sexo, trabalho ou ambos – não costumam divulgar isso quando comparecem a um programa de serviços para jovens baseado na comunidade. Muitos provedores de jovens só descobrem que um jovem é um sobrevivente do tráfico meses depois de entrar no programa.

O que isso demonstra é a necessidade de uma abordagem de portas abertas para servir aos jovens que vivenciam qualquer forma de falta de moradia ou tráfico – qualquer que seja a necessidade ou questão que o jovem se identifique. Tal abordagem, associada a investimentos ousados, reduziria drasticamente a prevalência e as consequências de longo prazo tanto da falta de moradia entre os jovens quanto do tráfico de pessoas.

Os caminhos da falta de moradia ao tráfico podem e devem ser interrompidos com mudanças de políticas e práticas, incluindo colaboração intersetorial e aumento de recursos em todos os níveis de governo.

Se a Lei da Juventude em Fuga e Desabrigados, o único programa federal voltado para identificar e atender jovens e adultos jovens que vivenciam qualquer forma de falta de moradia, tivesse maiores recursos governamentais, os EUA poderiam fazer um progresso real na redução drástica da falta de moradia e tráfico humano.

Além de aumentar a oferta de serviços abrangentes e opções de moradia para os jovens que precisam ser removidos de situações que os tornam vulneráveis ao tráfico, e  também fortalecer a capacidade das comunidades de servirem aos sobreviventes do tráfico.

Nem todos os sobreviventes precisam ou querem um programa específico e restrito de  tráfico humano,  principalmente eles querem alguém que realmente se preocupa com seu bem-estar e segurança, com opções de moradia segura e oportunidades para se curar de traumas e alcançar seu potencial completo por meio do acesso à educação e emprego. 

Saiba mais sobre o Tráfico Humano e como você pode contribuir em por um fim a essa triste realidade. 

Entre no www.hopeandjusticefoundation.org e ajude a salvar vidas.

Watts que gastamos para ir e vir

Rafael Vergne Viana

Este assunto é amplamente discutido no mundo automobilístico e, este mês, trago esta novidade. Quero falar sobre a Ford, que com uma série de lançamentos clássicos, trouxe de volta um período de ouro da fábrica, de Detroit. A empresa anunciou a chegada do executivo Jim Farley, que tem a tarefa de mudar o destino da montadora.

A gigante passou por maus bocados num passado recente, e foi muito criticada em manter no comando da empresa um dirigente fora do setor automotivo. A Ford esteve à beira da falência, durante o período de recessão que teve início em 2008.

Um dos produtos líderes da marca é a pick-up F-150, que vem ganhando diversas atualizações para competir no acirrado mercado de pick-ups e SUVs.  Está em prática um plano de investimento na área de veículos elétricos, na casa dos trinta bilhões de dólares, até 2023. Caminhonetes já saem de fábrica com geradores nas caçambas, e outras inovações trazem finalmente concorrência à altura da Tesla, que já tem o domínio de mercado com a Cybertruck: pickup elétrica mais esperada e recordista de vendas, apesar de ter um design ainda incompreendido pela maioria dos consumidores. Quesito este, que as F-150 são campeãs; com suas formas quadradas, que se encaixam como uma luva às necessidades do dia a dia do trabalhador. O modelo tem presença garantida no mercado há décadas; e, inclusive, é líder de vendas nas categorias movidas a derivados de petróleo, como gasolina e diesel.

A Ford acaba de apresentar a Lightning, modelo que carrega características campeãs há décadas, recebe banco de baterias e no lugar do motor um grande porta malas, que detém de 4 tomadas e duas portas USB para o deleite dos proprietários. Com características inovadoras, como segurar a carga elétrica de uma casa em até quatro dias em caso de apagão, e por aí vai, a pickup contabilizou 55000, (cinquenta e cinco mil) pedidos nas primeiras 48 horas, e a marca demonstrou total sucesso nos esforços para o feito, tal como a compra de uma empresa de gestão da área somente para a nova categoria de suporte para clientes de frota e negócios, e a criação da linha PRO, que nada mais é do que carros voltados para integrar linhas de trabalho, com a oferta de redução de custos e aproveitamento máximo do investimento do cliente empreendedor da montadora.

Existem várias propostas de montadoras neste seguimento automobilístico. Peço que você busque sites para se aprofundar conhecimento neste produtos. Há uma explosão de novidades no setor, que emerge pós pandemia e me parece estar nos levando ao futuro a centenas de quilômetros por hora.

Tenho admiração pela minha caminhonete movida a gasolina. Mas quero ressaltar sobre os novos lançamentos e o impacto que estão causando no mercado. O relançamento do Ford Bronco, totalmente redesenhado e que já está com fila de dois anos para entrega das encomendas. A Van Ford Transit Elétrica e a pick up de pequeno volume batizada de Maverick, que também deixa qualquer consumidor com o dedo trêmulo e pronto para clicar em “comprar” no site da Ford. A mais tradicional fábrica de automóveis do mundo, que agora se reinventa, e hoje se comporta como uma empresa incubadora do tipo StartUp.

Os concorrente estão se mobilizando, e podemos nos preparar para uma tempestade de maravilhas movidas a elétrons, como a Dodge/Ram que promete lançamento de seus carros musculosos e sua pick up 1500 no formato elétrico, criando uma briga de muita faísca como sempre ocorreu entre as 2 marcas.

A Chevrolet também anunciou que a Cadillac vai ter modelos elétricos para um futuro próximo. Vai se acostumando, nos próximos 5 anos, iremos viver uma revolução no mercado automobilístico. Escapamento barulhento  será coisa do passado. Ficará apenas na memória dos entusiastas de automóveis antigos a cada dia, fica mais distante do nós, e mais perto do fim. 

ºTermino com uma pergunta para a reflexão: a sua garagem tem tomada de energia?

Um abraço a todos! 

Bater não resolve

Eraldo Manes

Um palavrão, um castigo rigoroso, uma humilhação em público podem traumatizar uma criança mais que uma palmada? Nem me atrevo a opinar. Neste assunto polêmico: “A Difícil Tarefa de Educar Filhos” é melhor para especialistas responderem. Não é um tema fácil. Na prática, fica muito difícil usar a teoria que aprendemos. Sabemos o que devemos e não devemos fazer, e ainda assim, vamos errar. Seres humanos são imperfeitos e muitas vezes se excedem na hora “H”. 

Gerações estão em constante mutações, culturas idem, ciência também. Comparar diferentes formas de educação dos nossos antepassados, da nossa e dos nossos filhos é chover no molhado. De modo geral, os pais sempre pensam em acertar na hora de melhor educar seus filhos. O importante é manter o bom senso e recorrer à ajuda de profissionais, livros, familiares, educadores para se manter atualizado na tarefa de educar um filho. Confira a opinião da psicóloga e de algumas mães que participaram da enquete.

Nesta edição, agradeço e dou as boas vindas a Ilton Caldeira, jornalista com larga experiência em Economia, que vai dividir suas análises com nossos leitores e fazer parte do time de colaboradores do B&B, que “vestem a camisa” há décadas, e nos brindam mensalmente com suas opiniões. 

Boa leitura!

Talentos musicais brasileiros fazem sucesso nos EUA

Nereide Santa Rosa

A cuidadosa retomada das atividades musicais ao redor do país, trouxe boas notícias aos talentosos músicos brasileiros nos Estados Unidos. A partir deste mês de agosto, dando continuidade à sua promissora carreira, o maestro brasileiro Alan Anibal passa a comandar a Napa Valley Youth Symphony, mostrando como o talento brasileiro é reconhecido no mundo da música erudita. Antes do período pandêmico, em 2018, nosso maestro regeu o Festival Opera Love, Lust & Laughter e apresentou as operas Tosca e La Boheme de Puccini e Dir Fledermaus de Johann Strauss II em Walnut Creek, também na Califórnia.

Estabelecida em 2002, o Napa Valley Youth Symphony recebeu muitos elogios, incluindo o reconhecimento pela conquista da senadora dos Estados Unidos, Barbara Boxer e convites para se apresentar no Carnegie Hall, em 2008; e, novamente, em 2014. O grupo embarcou em sua primeira turnê em 2008, viajando para Nova York e se apresentando no Carnegie Hall. Em 2010, o NVYS ganhou prêmios de ouro no Los Angeles International Music Festival, se apresentando no Walt Disney Concert Hall. E embarcou em sua primeira turnê internacional, em 2012, para a Europa Central com apresentações em Salzburg, Viena (Rabenstein) e no Festival Internacional de Mahler. A cidade de Nova York foi mais uma vez o local de uma excursão sinfônica de Napa Valley, em junho de 2014. NVYS também se apresentou na Band Shell no Central Park e no Carnegie Hall. 

Em 2016, o NVYS fez uma turnê na Irlanda e no Reino Unido, apresentando-se na Catedral de St. Patrick em Dublin, na University of York, em York e na St. John’s Smiths Square, em Londres.

Desejamos sucesso ao maestro Alan Anibal e o parabenizamos por estar no comando desta prestigiosa orquestra, e que continue a abrilhantar os palcos da música erudita nos Estados Unidos.

Enquanto isso, no estado da Flórida, um grupo de mulheres se destaca por suas atividades musicais. Brazilian Voices foi fundado em 2001 por Loren Oliveira e Beatriz Malnic, uma organização sem fins lucrativos, e tem por objetivo promover a música e a cultura brasileiras nos EUA. O grupo já se apresentou em Barcelona, Madrid, Londres, México, Nova Iorque e Arizona. Recebeu 14 prêmios (Focus Brasil) entre outros, e gravou 7 CDs que foram distribuídos nos EUA e Canadá. 

Brazilian Voices também promove a cultura brasileira em escolas, hospitais, centros de tratamento de câncer, asilos, além dos concertos anuais em teatros e eventos corporativos. O dia 15 de setembro de 2016, foi oficialmente proclamado pelo prefeito do Condado de Broward – Martin Kiar, como o “Dia do Brazilian Voices” em 31 cidades, por sua contribuição positiva na comunidade. 

O Brazilian Voices foi conquistando o público americano gradativamente através de muito esforço e dedicação das cantoras e voluntários que têm como missão inspirar suas integrantes e representar o Brasil. O grupo tem também cantoras nascidas no Panamá, Argentina, Peru, Philadelphia, Nova Iorque e Califórnia. E conta com o apoio financeiro e institucional do condado de Broward, Miami Dade, Estado da Flórida, NEA (National Endowment for the Arts), FAB (Funding Arts Broward), Miami Foundation, das próprias integrantes do grupo, doadores, empresas americanas e brasileiras. Até hoje, mais de 180 mulheres brasileiras e de diferentes nacionalidades já participaram do treinamento vocal e de mais de 600 apresentações. Durante a pandemia o grupo vocal cancelou todas as suas atividades presenciais, mas produziu 67 ensaios virtuais durante o ano de 2020. O Brazilian Voices montou um estúdio de produção “live-streaming”, e o trio de diretoras foi contratado para apresentações virtuais para pacientes em tratamento, no Miami Câncer Institute (Baptist Health South Florida), UM Sylvester Câncer Center, entre outros.

A organização também produziu 36 apresentações virtuais para crianças e adultos autistas e suas famílias em parceria com UM NSU CARD/ Broward Center for the Performing Arts e também para alunos da Greater Miami Youth Symphony. Em Setembro, celebrando 20 anos, o grupo Brazilian Voices lançará seu primeiro EP com composições originais, produzido virtualmente pelas diretoras e cantoras num evento beneficente, em Fort Lauderdale. 

Nos dias 22 e 23 de outubro, o grupo se apresentará em Gainesville na Universidade da Flórida com o Brazilian Music Institute. O grupo convida todos a visitarem seu novo website que foi desenvolvido por uma das cantoras (Silvana Baars Florez) e a participarem de campanhas de doações (dedutíveis de impostos) para que a organização continue expandindo seus programas na comunidade na Flórida.

Maestro Alan Anibal. 

Barreiras na Vida Financeira

Eliana Barbosa

Você já percebeu quanta gente existe que tem todo o potencial para ser rico materialmente – excelente emprego, ótimos rendimentos, inteligência vivaz, dentre outras qualidades – mas que parece que nunca consegue enriquecer? São pessoas que não controlam as suas despesas, gastam compulsivamente, desvalorizando, assim, a poderosa e abençoada energia do dinheiro. 

O que eu vejo em indivíduos com estas características é um sutil e inconsciente medo da riqueza e do sucesso. Um medo arraigado, talvez nascido das crenças limitantes que os acompanharam ao longo da vida ou padrões de pensamentos negativos em relação à riqueza, muitas vezes cultivados pela sua própria formação religiosa. 

Embora não seja de fácil percepção, a verdade é que há um número muito grande de pessoas que têm um medo inconsciente de superar seus pais, quer na área material, moral, física, espiritual ou profissional. Como cresceram “endeusando” seus pais, acabam por desenvolver em si mesmas um temor oculto de os magoar, se forem melhores do que eles. O que é uma grande tolice, pois, se estamos vivendo em um mundo cuja tendência é a evolução, nós, filhos, temos a obrigação de ser melhores do que nossos pais e devemos, da mesma forma, liberar e incentivar nossos filhos para a superação de nossos próprios talentos. 

Temos que considerar também o temor de muitos indivíduos em relação ao poder que o dinheiro pode lhes conferir. O poder, muitas vezes, chega a ser assustador, principalmente para pessoas que confundem poder posicional com poder pessoal. 

O poder posicional é aquele que a pessoa ocupa no momento – na profissão ou na sociedade – e, é claro, não tem garantia nenhuma de durabilidade; já o poder pessoal é o carisma, a energia positiva e agradável, a amabilidade e a sinceridade que torna muito marcante a presença de quem o possui, e é um poder que ninguém perde, a não ser por sua própria permissão. Mas, nesta confusão entre estes poderes, muitas pessoas demonstram um grande receio de que a riqueza possa “lhes subir à cabeça”, tornando-as vaidosas e arrogantes. Dessa forma, vejo indivíduos muito carismáticos e bem relacionados (poder pessoal) escondendo-se das oportunidades (poder posicional), por medo das “tentações” da riqueza. 

Outro fator que pode bloquear a energia do dinheiro em sua vida é a culpa, sentimento que coloca a pessoa que se sente culpada como sua própria barreira, que não a deixa avançar. E culpa é uma emoção que não acrescenta nada, a menos que o culpado aprenda a lição com seus erros e se disponha a acertar da próxima vez. Se você perceber que sua vida financeira está balançando, sem um ponto de equilíbrio, exercite o autoperdão, dizendo para si mesmo, repetidas vezes por dia: “Eu me perdôo e declaro para o Universo que saio da minha frente e paro de atrapalhar a mim mesmo!” Esta é uma declaração poderosa, porque mostra sua verdadeira responsabilidade por tudo que lhe acontece e que é você, com suas emoções e seus pensamentos, quem escolhe a vida que quer ter pela frente. 

E, finalmente, a barreira-mestra que leva as pessoas às dívidas e às altas dificuldades financeiras: a mágoa, principalmente em relação àqueles ligados à sua criação – pais, avós, irmãos mais velhos, etc. Quem carrega ressentimento dentro de si não se permite crescer, porque, de forma inconsciente, precisa chamar a atenção para seus problemas, para sua “síndrome do coitadinho”, do menos amado, do rejeitado… Predispondo-se aos exercícios de perdão, a pessoa passa a julgar menos os outros e, ao poucos, aprende a se desapegar do passado e das lembranças menos felizes. E, com isso, com sabedoria, assume a direção de sua vida, em busca da prosperidade em suas finanças pessoais. 

Portanto, amigo leitor, cuidado com seus pensamentos e emoções, porque eles estão criando seu presente e seu futuro. E, ao invés de colocar suas expectativas de sucesso no mundo externo, assuma, de uma vez por todas, seu poder diante da vida – um poder sem limites, se assim você acreditar!

Um velho argumento – Parte II

Como o inevitável acontece (em três partes) – O Oriente Médio (novamente) em chamas 

Peter Ho Peng

Esse argumento de antepassados de há várias gerações terem sido donos de alguma terra sem história formal de posse, é bastante antigo. Quando os mórmons tomaram à força as terras dos nativos-americanos do Estado de Utah, usaram o argumento que essas terras haviam sido originalmente colonizadas por habitantes da Galiléia, antepassados dos mórmons, que teriam sido navegadores há milhares de anos, antes dos chineses e dos espanhóis, italianos e portugueses. Depois, os nativos-americanos de Utah teriam roubado essas terras dos antepassados dos mórmons. Assim, essa nova geração de fanáticos fundamentalistas estariam simplesmente reavendo a terra de seus antepassados. Nenhuma marca de alguma cultura que não seja a nativo-americana existe em Utah, e nenhuma evidência existe de que os antigos israelitas tenham sido navegadores. Mas nada disso importa: o que importa é que a liderança mórmon doutrinou seus seguidores e justificaram moralmente suas ações militares contra os nativo-americanos. Mentira funciona; os próprios mentirosos acabam crendo nelas.

Isso foi feito não apenas em Utah, mas foi feito em toda a América, Canadá incluso. A recente declaração do ex-senador e candidato a presidente dos EEUU Rick Santorum, que os EEUU construiram uma nação a partir do zero, perpetua esse tipo de mentira e abuso.

Voltando à Palestina

Como você se sentiria se fosse despejado de sua casa, que foi a casa de seus pais, seus tios, seus avós, sob a alegação de que sua terra pertenceu, há várias gerações passadas, a judeus? Não há prova de propriedade de nenhuma parte, pois a Palestina não é um estado constituído. 

Hamas atacou em protesto. E quando Hamas atacou Israel com bombas, Israel atacou com aviões e helicópteros Apache, soltando bombas precisas, com o argumento de estarem destruindo os túneis construídos por Hamas. Os generais de Israel declararam que seu objetivo foi destruir Hamas, fazer impossível seu re-erguimento. Porém esse argumento cai por terra quando vemos o saldo dos bombardeios israelenses: mais de 50 hospitais, escolas, templos, e centenas de pequenos negócios, prédios residenciais e escritórios foram destruidos na faixa de Gaza, centro do território onde moram os palestinos. 

Plantas de desalinização de água, estações de tratamento de esgoto, todo esse tipo de infraestrutura foi destruído por Israel. Ao todo,1800 prédios foram arrasados, a maioria residências e pequenos negócios. Apenas 20% dos túneis foram destruídos.  O que Israel destruiu não foi Hamas. Foi o resto da Palestina, Israel destruiu a Faixa de Gaza inteira, inclusive o que os palestinos chamavam de Champs Elysées- a avenida com as melhores lojas e prédios em Gaza. Civis indefesos.

Durante a segunda guerra, o filho de Benito Mussolini que pilotava um avião bombardeiro se divertia bombardeando grupos de civis indefesos, chamando isso de “margarida” – a forma dos corpos espalhados em torno do ponto central da bomba, como as pétalas da flor. Eu sei o que é maldade quando vejo uma. Eu sei que os judeus fazem maldades na Palestina. Não há outro termo para descrever a ocupação, os despejos e destruições de uma civilização. Para mim é um genocídio lento, deliberado. É Terrorismo Estatal.

O médico Dr. Abu al-Ouf do Hospital al-Shifa, chefe do grupo de atendimento a vítimas do covid-19, morreu soterrado num desses bombardeios, junto com doze membros de sua família, incluindo pais, esposa e filhos adolescentes. O comando militar israelense declarou que fez o necessário para Hamas nunca mais se reerguer. Mas o que fez foi para os palestinos nunca mais se reerguer. Hamas foi o bode expiatório. A mensagem de Israel foi clara: vocês, palestinos, não valem nada, exceto para nossos pilotos desenharem margaridas no solo. Cerca de 300 civis pereceram, incluindo 66 crianças. Quem são os terroristas? A estratégia de Israel é clara. Apagar a Palestina dos mapas. O restinho que sobra no mapa da Figura 2. Na próxima edição, e no terceiro e último capítulo desta série, dissertarei sobre o que mudou nessa equação.

Mindset Vencedor: “I Can, I Will”

Jean Chamon

Nosso texto mensal vai tratar de um ponto primordial para darmos equilíbrio em nossas vidas. Trataremos de forma breve o tão chamado Mindset que de forma simples e direta é a forma como encaramos, agimos e pensamos em nossas situações diárias e cotidianas. O Mindset nos conduz de forma padronizada diante de desafios positivos e negativos. A contribuição desse mês é baseada em material didático da Must University que desde já agradeço e cito como fonte utilizada.

Em muitas situações de nossas vidas nos sentimos em um beco sem saída e nos colocamos em um modelo mental ou Mindset em que enxergamos a vida sob uma única perspectiva. Ou seja, nossos pensamentos estão fixos naquela situação então não conseguimos encontrar as soluções. Vejo que nesse último ano de pandemia muitos de nós, às vezes, nos observamos em situações semelhantes focados nos problemas e nas angústias.

Segundo a autora Carol S. Dweck podemos observar em situações de desafio dois tipos de postura e forma de pensar. Uma forma encarando situações desafiadoras de forma desestimulante e de forma oposta podemos enxergar a situação difícil como uma oportunidade de aprendizado.

Dedicação, esforço e possibilidade de mudança fazem nossa forma de pensar ir muito além da simples aceitação de que o jogo já está pré-determinado. Como nos esportes, nossa vida ainda está em pleno desenvolvimento e o resultado depende da forma como vamos nos conduzir diante de momentos complicados.

Basicamente temos duas formas de nos colocarmos diante de situações desafiadoras:

• Mindset Fixo

• Acreditar que nossas competências, intelecto e habilidades são imutáveis.

• Se colocar de forma passiva e aceitar as condições impostas. Evitar sair da zona de conforto.

• Achar que mudança e aprendizado não geram desenvolvimento e crescimento pessoal.

• Enxergar o esforço como algo desagradável e observar o sucesso dos outros como mera sorte ou algum dom inato.

• Mindset de Crescimento

• Acreditar que podemos desenvolver novas habilidades mediante esforço e dedicação.

• Mesmo em situações desafiadoras encarar os desafios com otimismo e esforço.

• Observar pontos negativos e positivos das situações e enxergar dificuldades como oportunidades de crescimento.

• Estar em constante aprendizado em todas as situações.

Esse tema é longo o bastante para darmos continuidade nos próximos meses falando sobre fé inabalável, crenças limitantes e tantos outros assuntos que desenvolvem nosso autoconhecimento. 

Para finalizar quero deixar a mensagem que sempre podemos aprender em qualquer situação se mantivermos nosso Mindset vencedor que será determinante para o alcance do resultado positivo.

“Como imigrantes que somos, creio que se forçarmos cada situação como oportunidade de aprendizado, sairemos ao final da jornada muito mais fortes e preparados do que se nos posicionarmos de forma negativa e estagnada, visualizando apenas os problemas. Modificando nosso pensamento, tão logo construiremos novos hábitos que resultarão em ações impactantes para os resultados que queremos alcançar.” 

Hope & Justice Foundation no Dia Mundial Contra o Tráfico Humano

Anna Alves-Lazaro

A cada ano, em 30 de julho, ocorre uma mobilização mundial para conscientização, prevenção e combate ao tráfico humano. O tráfico de pessoas é um fenômeno global que está intimamente ligado às violações dos direitos humanos, migração, violência, aspectos culturais e falta de informação.

Este ano é o vigésimo primeiro aniversário da Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional e seu histórico Protocolo para Prevenir, Reprimir e Punir o Tráfico de Pessoas, especialmente Mulheres e Crianças, a Convenção de Palermo. 

As recentes estatísticas apontam que existem mais de 40.3 milhões de vítimas do tráfico humano no mundo. Homens, mulheres, adolescentes e crianças são alvos de traficantes em seus próprios países e no exterior. Todos os países do mundo são afetados pelo tráfico de pessoas, seja como país de origem, trânsito ou destino das vítimas. 

Quase todas as nações lutam para impedir efetivamente esse crime, devido à natureza da indústria do tráfico humano, muitas pessoas traficadas estão desavisadas com pouca educação e envergonhadas com medo de reportar às autoridades. Em muitos lugares, a polícia está mal equipada ou às vezes envolvida no processo, por falta de recursos, corrupção ou simplesmente ignorando o problema por questões “mais importantes” e imediatas. 

Una-se a Hope & Justice Foundation para promover a conscientização e o combate ao tráfico de pessoas. 

A Hope & Justice Foundation é uma organização civil, não governamental, sem fins lucrativos, localizada na cidade de Orlando, Flórida e que tem como principal objetivo lutar contra o tráfico humano e advogar pelos direitos fundamentais dos sobreviventes desse crime hediondo. Entende portanto, que a sociedade civil organizada com os seus cidadãos de bem unidos, podem e devem mobilizar todos os recursos necessários para enfrentar e por um fim ao tráfico de pessoas. A Hope & Justice Foundation fornece assistência direta às vítimas, acolhendo-as, tratando-as e proporcionando  a estas um recomeço para uma vida digna e feliz. 

Aqueles que foram explorados por traficantes de seres humanos têm necessidades variadas e requerem diferentes tipos de assistência para garantir sua recuperação social, física e psicológica. Mas a necessidade comum de todas as pessoas traficadas é serem reconhecidas como vítimas de um crime, e não tratadas como criminosas, mesmo quando podem ter sido forçadas a cometer crimes. A Hope & Justice Foundation enfatiza uma abordagem centrada na vítima que se alinha com o paradigma “3P” de “Prevenção”, “Processo” e “Proteção”, formulada sob o Protocolo sobre Tráfico de Pessoas. Esse paradigma serve como estrutura fundamental, e muito usada por governos e organizações não governamentais em todo o mundo para combater o tráfico humano. 

No dia 30 de julho de 2021, a Hope & Justice Foundation estará mobilizando seus voluntários, colaboradores, apoiadores e parceiros para esse importante evento de conscientização e apoio às vítimas do tráfico de pessoas em sua Sede na Central Flórida. Um evento de suma importância para a comunidade em Orlando e adjacências. Devemos quebrar este ciclo desumano de discriminação e injustiças se queremos um dia eliminar o tráfico de pessoas. Una-se a nós nessa luta. Você pode escolher não se importar, mas não poderá dizer que não sabia. 

www.hopeandjusticefoundation.org – contact@hopeandjusticefoundation.org – @hopeandjusticefoundation.org

Devemos quebrar este ciclo desumano de discriminação e injustiças se queremos um dia eliminar o tráfico de pessoas. 

Una-se a nós nessa luta. 

Alternativas para fortalecer a geração de empregos e renda nos EUA

Ilton Caldeira

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, assinou no início de julho uma Ordem Executiva com o objetivo de estimular a competição e remodelar a economia do país. Entre as 72 iniciativas listadas, três frentes têm como foco melhorar as oportunidades para os trabalhadores da América.

No documento, o presidente Biden solicita à Federal Trade Commission (FTC), a agência federal encarregada de proteger consumidores e a livre concorrência, que limite ou proíba acordos de não-competição (Non compete agreements), reveja o requisitos para a concessão de licenças profissionais e trabalhe na mudança das regras para o compartilhamento de informações salariais entre as áreas de recursos humanos das empresas.

Em um momento crucial para a retomada da economia americana, em um cenário de escassez de mão-de-obra, a valorização do esforço laboral com regras mais transparentes faz todo o sentido. E em um país como os Estados Unidos, que se desenvolveu com base nos valores da livre concorrência, ainda que seja um primeiro passo positivo, a medida chega um pouco tardia para fomentar um novo e necessário arranjo social.

Os acordos de não-competição, por exemplo, impedem trabalhadores de ir para uma empresa concorrente ou iniciar um negócio no mesmo setor, dentro de um determinado período de tempo após deixar seu emprego. Entre 36 milhões e 60 milhões de trabalhadores do setor privado nos EUA estavam sujeitos a acordos de não-competição em 2019, segundo um estudo elaborado pelo Economic Policy Institute. 

Essa prática afeta trabalhadores nos mais variados setores da economia e não apenas altos executivos. O único dos 50 Estados Americanos onde a regra não se aplica é na Califórnia. Mas ainda assim existem outros entraves para abolir de forma plena esse modelo de contrato nas relações de trabalho.

Outro ponto importante, e que pode beneficiar diretamente muitos profissionais imigrantes, é a determinação para que a FTC reveja ou proíba requisitos considerados desnecessários para conceder uma habilitação ou licença profissional a trabalhadores com carreiras já consolidadas e sólida formação. Cerca de um terço das vagas de empregos abertas nos EUA exigem algum tipo de licença de atuação, segundo estimativas da própria agência federal. 

A ausência de portabilidade entre os Estados ou de licenças que sejam válidas nacionalmente impedem que muitos profissionais capacitados ocupem as vagas de trabalho disponíveis. Além disso, essa prática cria uma reserva de mercado, gera um alto custo para que um profissional esteja em conformidade com a regra em cada Estado. Esse cenário não condiz com as boas práticas de concorrência e eficiência profissional, limita o fortalecimento da economia e torna ainda mais complexa a mobilidade dos profissionais entre as diversas regiões do país.

Na ordem executiva, Biden também solicita ao Departamento de Justiça e à FTC que fortaleçam as diretrizes para evitar que as empresas compartilhem informações sobre salários e benefícios de funcionários. Muitas empresas costumam utilizar essa estratégia para determinar o valor da hora trabalhada, bloqueando a possibilidade de uma disputa mais aberta pelos melhores profissionais com melhor remuneração e benefícios.

A prática atual permite que empregadores e consultorias de recursos humanos disponibilizem dados salariais aos empregadores sem estarem sujeitos a uma investigação antitruste. Mas os trabalhadores, por outro lado, não têm o direito de saber como sua remuneração se compara ao salário de outros trabalhadores com experiência e habilidades semelhantes. Essas informações poderiam ajudá-los a negociar melhores salários com os empregadores.

O caminho é longo e deve sofrer forte oposição. Os monopólios que se formaram nos EUA em alguns setores não planejam perder suas receitas. Mas os pontos que a nova geração de economistas e de reguladores deseja combater são justamente  as  consequências negativas dessa consolidação corporativa.

O atual cenário tem lá suas curiosidades e contradições. Somos testemunhas de uma era onde inovação e capital de risco nunca foram tão abundantes. Mas setores estratégicos para o bom andamento da economia americana permanecem pouco ou nada competitivos. 

Quando não existe competição, as empresas podem cobrar mais dos consumidores por seus produtos e serviços e pagar menos aos seus funcionários. A competição pode reduzir esses desequilíbrios e recompensar a qualidade dos que se destacam, sejam empresas ou trabalhadores.

Ilton Caldeira é Jornalista com mais de 30 anos de experiência em Economia, Política e Relações Internacionais. Membro fundador do Valor Econômico, principal jornal brasileiro de Economia e Negócios. Foi Editor de Economia do Portal iG e Diretor de Comunicação no Governo de SP (Secretaria de Planejamento). 

Recebeu os prêmios: BM&F BOVESPA de Jornalismo (2001), Selo Animec (2002), ambos em reconhecimento a coberturas jornalísticas sobre o mercado de ações no Brasil. Em 2012 recebeu o Citi Journalistic Excellence Award, programa da Universidade Columbia em Nova York, que reconhece os melhores jornalistas de Economia no mundo. É especialista em Relações Internacionais pela (FGV-SP) e colunista de opinião do site O Especialista, plataforma de conteúdo jornalístico que pertence ao Banco Safra. Nos Estados Unidos é fundador da consultoria Go Mind Company. www.gomindcompany.com. info@gomindcompany.com