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Vamos mudar a oratória sobre o imigrante brasileiro?
Antonio Martins

Muitos brasileiros que chegam aos Estados Unidos já trazem na bagagem preconceitos com sua própria nacionalidade. Já vi muitos casos de pessoas que têm medo e se afastam de brasileiros quando passam a viver no país e, com isso, se distanciam da nossa cultura. Percebo que para estas pessoas a vida fica mais difícil, mais pesada e as perdas culturais na mudança, em muitos casos, são tão grandes, que fazem com que eles acabem voltando ao Brasil, achando que não valeu a pena!

Já existe uma boa estrutura social de brasileiros, principalmente na Flórida. Além do Consulado que pode ajudar na chegada, existem associações de negócios, eventos sociais, grupos religiosos, esportivos, de mães, empresários, além de jornais e revistas brasileiras com dicas de eventos, de produtos e serviços, que auxiliam na comunicação e na familiarização do imigrante. Existem também uma infinidade de agentes facilitadores – uns bons e outros nem tanto – que podem, ou pelo menos tentam, transformar a adaptação dos brasileiros em algo muito mais prazeroso. Quem chega ao país pode contar com esta rede de apoio.

Sou do time que se orgulha pelo sucesso e incentivo dos brasileiros de bem, pois somos filhos do mesmo país.

Manter este elo cultural é muito importante, pois nunca deixaremos de ser brasileiros e é muito bom poder ser quem somos, poder mostrar para os filhos nascidos e criados nos EUA que não somos diferentes, que os amigos brasileiros se comportam de forma parecida. Que temos hábitos alimentares diferentes, nos vestimos diferentes, beijamos e abraçamos as pessoas por qualquer motivo. Enfim, somos muito distintos das famílias americanas dos amigos da escola. Nesta hora, temos a chance de ensinar a eles o significado da palavra cultura e porque as coisas podem possuir significados diferentes para cada pessoa, depende do grau educacional, da origem e dos valores que cada um acredita.

Precisamos aprender a falar o inglês, mas manter a língua portuguesa em casa com nossos filhos é um trabalho bastante árduo e necessário, afinal, não queremos que eles não sejam capazes de se comunicar com a família que mora no Brasil. E isso não os afeta em nada na oportunidade de aprender, pois sabemos que a primeira língua de qualquer criança nos Estados Unidos será o inglês, mas se podemos nos dar ao luxo de expôr nossos filhos a dois ou mais idiomas é bom demais, não é mesmo?

A classe média e alta do Brasil criou um estigma “brazuca” de que os brasileiros só vêm aos Estados Unidos para fazer o “pé de meia”. Mas isso não é verdade, o perfil mudou muito. Desde 2008, muitos brasileiros que chegam por aqui procuram segurança e qualidade de vida. Antigamente, a grande maioria chegava para trabalhar para terceiros, normalmente americanos. Hoje, muitos brasileiros chegam com capital, estrutura e conhecimento, compram casa, carro, colocam os filhos em escolas particulares, empreendem e geram trabalho.

Assassino, ladrão, estelionatário, enganador, aproveitador, enrolador: temos muitos com estes perfis aqui também! Aparecem em tamanhos e cores diferentes e falam diferentes idiomas, com e sem sotaque, uns nasceram aqui e outros acabaram de chegar. Por favor, parem de achar que isto é exclusividade brasileira. Por isso, a minha recomendação para o brasileiro ou qualquer imigrante que chega aos Estados Unidos; ou em qualquer lugar do mundo é: continue sendo você e haja sempre com cautela. Antes de contratar um serviço ou uma pessoa, averigue sua experiência na área, peça referências, currículo, compare com outros e faça um teste antes de entregar nas mãos de qualquer pessoa seus bens. Pesquise bastante, não tenha medo de gastar tempo, pois isto pode lhe facilitar a vida e salvar muito dinheiro.

Ouço e me incomodo muito com frases como “cuidado com pessoas que vieram do país que eu vim”.  Isso é uma discriminação generalizada e errônea que a desvaloriza! Por isso, meu recado, como brasileiro com vivência de tantos anos nos Estados Unidos é: vamos trocar esta oratória. Temos vários exemplos positivos de brasileiros que fazem coisas magníficas em suas áreas de atuação. E tenho certeza que muitos que estão chegando também se tornarão bons exemplos. Sou do time que se orgulha pelo sucesso e incentivo dos brasileiros de bem, pois somos filhos do mesmo país.

Sejam bem-vindos!

Foto: Leo Vicário
Antonio Martins
Brasileiro residente em Miami há 31 anos, atua como publicitário em sua agência de publicidade ACM Productions fundada em 2002. Tem 54 anos, é Pós graduado em Marketing e Treinamento Desportivo e vice presidente da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABI Inter). Também é Diretor de Sales e Marketing desde 1999 do Grupo ACONTECE (Acontece Magazine e Acontece.com).
O Reinventar do Imigrante
Fernanda Pontes
Fotos: Claudio Castanhola

Trocar de País não é uma tarefa fácil, no primeiro instante você se sente feliz, empolgada com o lugar e a nova vida, mas logo começam a cair as fichas, os questionamentos, as saudades e a vontade de ser abraçada, acolhida por este lugar no qual você escolheu para chamar de seu, o seu novo lar.

Quando cheguei nos EUA, logo descobri que estava grávida do meu segundo filho, fiquei um pouco assustada. Não me sentia em casa, não tinha amigos, aqueles lugares que eu gostava de frequentar eram bem diferentes e até mesmo o meu sobrenome tinha mudado, era chamada pelo sobrenome do meu marido, achei tudo muito esquisito, mas aos poucos fui me sentindo mais em casa.

Logo voltei a exercer a minha profissão, a criar a minha rotina e tudo foi se encaixando. Entendi que precisava me reinventar dentro da minha própria profissão, entender qual era o meu público e o que as pessoas gostariam de assistir, claro sem perder a minha essência e verdade.

Me envolvi, me joguei de cabeça e me tornei sim uma imigrante. Entendi e aprendi que nós Brasileiros somos uma potência, mas que as vezes é preciso sairmos da nossa zona de conforto para nos reinventarmos e realizarmos todos os nossos sonhos.

Ser imigrante é ter a oportunidade de se conhecer, experimentar sensações, sentimentos e alegrias de uma vida que nem sempre é fácil, mas gratificante por todas as oportunidades que ela nos trás.

Fernanda define sua vida como uma verdadeira maratona feliz, de forma leve e como todo imigrante com muita garra.

 

Fernanda Pontes é de Niterói, atriz, apresentadora e mãe da Malu de 8 anos e do Matheus de 5. Formada em Jornalismo e Artes Cênicas. Há seis anos trocou o Brasil por Orlando e hoje podemos dizer que construiu uma linda história de sucesso nos EUA.

No Brasil, Fernanda comandou durante alguns anos  a TV Globinho, atuou em novelas como Gabriela, As Cariocas e Flor do Caribe, da Globo Internacional. Apresentou dois Programas no canal Multishow até chegar aos EUA como apresentadora da Globo Internacional.

Durante 5 anos comandou não só o Planeta Brasil, na Globo Internacional, mas fez a diferença na vida de muitos imigrantes Brasileiros. Conquistando não só o público, mas  as autoridades Brasileiras e Americanas, sendo nomeada porta voz dos Brasileiros nos EUA, recebendo do Governo da Flórida um dia seu na cidade, onde 3 de julho se comemora oficialmente o Fernanda Pontes Day.

Ao longo desses cinco anos a Apresentadora fez uma Peça em Orlando ao lado do ator Thiago Martins, comandou um programa de rádio e fez uma super participação em Malhação gravada em território americano.

No ano de 2018 Fernanda também foi nomeada Embaixadora da Lingua Portuguesa como Língua de Herança, um cargo de muita responsabilidade onde Fernanda realiza palestra em todos os EUA divulgando, incentivando e buscando elevar ainda mais esta causa tão nobre para propagação da nossa cultura Brasileira.

Há um ano, Fernanda lançou a Fundação IFYOU Foundation, onde seu compromisso será gerar oportunidades e motivar aqueles que almejam um futuro ainda melhor, ampliando e validando ações sociais e ONGS que já existem aqui nos Estados Unidos, além de uma ação Global, onde prestaremos todos os serviços comunitários àqueles que necessitam. A IFYOU vem para somar ainda mais, abraçando diversas causas em prol de ONGS que fazem a diferença na vida dos Brasileiros e Americanos nos EUA.

UM DESAFIO ENCANTADOR
Anica Beara

A coragem de mudar sua vida às vésperas de completar 60 anos.

Para muitos pode parecer loucura, pois em uma fase da vida na qual a grande maioria começa a buscar mais tranquilidade e quietude, quase encerrando as atividades profissionais, eu segui na contramão e decidi dar uma grande guinada.

É sim perfeitamente possível. Fácil? Claro que não! Afinal, deixar para trás um programa de TV que comandei por 18 anos (na TV Alphaville, bairro onde morei por mais de 30 anos), a família, a estabilidade, os amigos de uma vida inteira e simplesmente começar do zero, sem saber onde trabalhar e o que fazer?

O que me motivou? Meus pais haviam falecido e meu único filho Alex, estudava em Massachussets. A saudade aumentava cada vez mais. Morar na Flórida seria o ideal, para  visitar meu filho com maior frequência. Como eu não gosto de frio, Massachussets estava fora dos meus planos. Orlando, eu já conhecia, pois havia feito inúmeras gravações e entrevistas para os especiais de férias do meu programa na TV Alphaville. Minhas primeiras matérias foram realizadas com Richard Harary da Macrobaby, Tony e Clô Santos da Innovation, Gilson Rodrigues, na época com o Vittorio’s e Pablo Rosemberg da Perfumeland. Os quatro me foram apresentados pelo morador de Alphaville João Arruda Pires, que era o presidente da Câmara do Comércio. Depois conhecí Rosana de Almeida, que se tornou uma grande amiga e me ajudou muito. Costumo dizer que conheci as pessoas certas e isso foi fundamental para eu tomar minha decisão sobre viver em Orlando.

“Não duvide de sua capacidade. Não desista. Não desanime. Só você pode acabar com seus sonhos.”

Claro que no início, tudo é bem mais complicado. Em Alphaville circulava com facilidade no meio empresarial, social e político, era uma pessoa muito conhecida e com uma carreira reconhecida. Recebi vários prêmios como apresentadora e promotora dos eventos da região.

Afinal, o programa Anica Beara era o mais tradicional da TV Alphaville. Entrevistei Pelé, Hebe, Antonio Fagundes, Fábio Junior, Maitê Proença, The Platters, Gugu Liberato, e muitos outros.

E quando decidi morar em Orlando, em outubro de 2014, sabia que seria uma conquista diária. Deveria construir meu nome, minha marca, mostrar para as pessoas o meu trabalho, minha longa trajetória profissional feita com muito amor e dedicação.

Como a maioria de nós imigrantes, passei momentos bem difíceis de adaptação, como a falta de conhecimento e domínio do local, mas nunca desanimei. Sempre tive muita fé e Deus colocou pessoas especiais em meu caminho. Impressionante como construímos uma nova família aqui, ganhei irmãs, irmãos e muitos sobrinhos. É lindo ver como as pessoas que vibram na mesma sintonia que você, vão entrando em sua vida e tudo fica mais leve, mais feliz.   

Esse meu espírito inquieto, herdei dos meus pais. Imigrantes da antiga Iugoslávia, que após a segunda guerra, iniciaram uma nova vida no Brasil. Eram pessoas determinadas e sempre prontos a recomeçar.

Quando olho para trás, vejo que minha vida foi um constante recomeço, que o novo sempre é desafiador e fascinante. Comecei a trabalhar muito cedo, com 15 anos, como recepcionista. Passei por diversos departamentos e aprendendo sempre, aos 17, já estava trabalhando na Du Pont do Brasil e tinha uma bela carreira pela frente. Mas o desejo de ser manequim falou mais forte e abandonei a promissora  carreira na Du Pont para iniciar do zero uma profissão bastante difícil na década de 70. No início foi bem complicado, mas durante os 7 anos de passarela construí uma sólida carreira e tive o prazer de desfilar para grifes de sucesso e para os mais importantes nomes da alta costura brasileira, inclusive com desfiles feitos em Paris, Lisboa e Buenos Aires. Deixei as passarelas para produzir desfiles e fotos, até que surgiu o convite para ser Coordenadora de Moda da Santista Têxtil, uma das maiores indústrias da moda. Anos mais tarde, abriu-se uma nova porta em minha vida profissional, a TV. Um novo recomeço, desafiador, mas apaixonante. Como sempre em minha vida.

E agora, além dos eventos e apresentações que faço entre Orlando e Alphaville-SP, tenho um novo desejo: retomar a carreira de modelo, já que as sênior models estão cada vez mais em alta. A vida me ensinou a nunca dizer que é tarde ou que é difícil. Não duvide de sua capacidade. Não desista. Não desanime. Só você pode acabar com seus sonhos.

E como meu sonho é voltar a ser modelo, bora lá, mais um desafio encantador!

Decidi trocar o Brasil pelos EUA – e agora?
Fernanda Cirino

Principais desafios que enfrentam os brasileiros que decidiram trocar o Brasil pelos EUA

Da saudade da família, passando pela dificuldade inicial de comunicação e pelas leis e costumes mais rígidos – os desafios que os imigrantes enfrentam quando escolhem trocar o Brasil pelos Estados Unidos são diversos e têm um enorme impacto em suas vidas.

O primeiro é a adaptação. Pode parecer “chover no molhado”, mas transpor a barreira de uma língua diferente e deixar certos hábitos para trás, além da família e dos amigos, pesa. E muito. Tanto que muitos brasileiros desistem no primeiro ano de “América”. Por isso dizemos aos recém-chegados que o primeiro ano é sempre o mais difícil. Mas se passar por ele, consegue passar por todos os outros.

Adaptar-se a uma nova cultura, novos costumes, novas regras exige paciência. Ao decidir vir morar nos Estados Unidos, o brasileiro deve primeiramente se esforçar para entender a língua e buscar se adequar à comunidade em que está. Sair um pouco da zona de conforto e  se envolver também com pessoas que não falam português ajuda muito. 

Outro desafio que pesa bastante é o econômico. Muitos  imigrantes se arriscam no exterior independentemente das dificuldades. Custa muito dinheiro para começar uma nova, e totalmente diferente vida, nos Estados Unidos. E se não for algo muito bem planejado, o desafio de não conseguir pagar as contas pode vencer. 

Aí vem o susto porque aqui tudo envolve dinheiro. É cash. É dinheiro na hora ou não leva. Tipo isso. Mas os EUA são também o país das oportunidades para se ganhar dinheiro. Para quem quer e não se incomoda em trabalhar bastante, o dinheiro vem. Por isso é importante conhecer como funciona o “sistema” americano.

Para se ter uma ideia, o Ministério das Relações Exteriores estima 1,2 milhão de brasileiros vivendo nos EUA. Só na Flórida somos em torno de 370 mil, segundo o Consulado-Geral do Brasil em Miami. Isso porque todos os dias chegam mais conterrâneos e essa contagem é uma estimativa.

Cada brasileiro que vive nos EUA tem a sua realidade. Mas sabemos que os desafios são mais difíceis para uns do que para outros. Para aqueles que se arriscam a entrar no país sem visto ou permanecem depois do prazo e passam a viver na “ilegalidade”, só de conseguir viver tranquilo já é um desafio superado. Os outros incluem trabalho, locomoção e todos os já citados.

Já para brasileiros que se mudam legalmente e com tudo planejado, mesmo assim, há obstáculos que muitos não estão preparados. Abrir uma empresa, vir como empregado de uma multinacional, vir para estudar. Todos passarão pela fase de adaptação.

O fator tempo também é outro desafio para os imigrantes brasileiros. Não pense que porque está ganhando em dólar vai ter resultados da noite para o dia, irá conseguir comprar uma casa ou alcançar a estabilidade financeira (exceto aqueles que já as têm, é claro) no primeiro ano.

Por exemplo, para os que conseguem abrir o próprio negócio são pessoas que se estabeleceram nos Estados Unidos há pelo menos mais de duas décadas, segundo pesquisa do National Bureau of Economic Research.

Cumprir prazos e ser pontual. Nem sempre os brasileiros conseguem encarar de forma clara esses requisitos que são essenciais para viver nos Estados Unidos. Atrasos, salvo um motivo muito importante ou inesperado, não são bem recebidos pelos americanos ou por cidadão de outros países. A política de dar uma desculpa para depois fazer o trabalho não “cola”, como muitas vezes acontece (dependendo do lugar ou da empresa) no Brasil.

Ou seja, prazos devem ser cumpridos e resultados devem ser entregues, independentemente da turbulência pela qual você estiver passando. Isso vale também para seguir as regras. Não dá para sair fazendo “o que der na telha” sem ter que arcar com as consequências.

Por último e não menos importante -talvez o maior desafio de todos- esquecer “o jeitinho brasileiro”. A ideia de que dá para resolver algum problema fazendo o que der vontade e  achando que tudo tem uma saída com o “jeitinho brasileiro”, inclusive quando se trata de justiça, é pedir para se prejudicar e até – dependendo do caso – voltar mais cedo para o Brasil.

Sendo assim, os EUA são onde milhões de brasileiros e brasileiras tentam aproveitar as oportunidades de trabalho e realizar seus sonhos. A vida é bem diferente do que no Brasil e de uma luta cotidiana e sofrida para muitos, mas, superados os desafios, se transforma em realização e conquistas para os imigrantes.

FERNANDA CIRINO
Paulista formada em comunicação social pela UNAERP – Faculdade de Ribeirão Preto, vive nos EUA desde 1999. É Editora Chef do Grupo Gazeta News. Iniciou sua carreira na comunicação aos 17 anos de idade, no seguimento de rádio FM e hoje coordena a Rádio Gazeta News. news@gazetanews.com
Viver o “sonho” americano
Marco Alevato

Quando chegamos por essas terras; eu, a Lilian e os meninos; queríamos sair do Brasil porque havia começado o aparelhamento do PT e das esquerdas progressistas. Meus parceiros comerciais ficaram e se adaptaram. Eu e a Lilian não conseguimos nos adaptar com as coisas erradas. Isso é bom por um lado e ruim por outro. Mas isso, vou deixar vocês entenderem com a leitura. Espero ser claro e objetivo num assunto tão fácil, que é imigração. Para me entender melhor, seria legal se tivessem lido o Mito da Caverna de Platão.

Vivemos em um momento de globalização imigratória. Com a precarização do trabalho, a crise econômica, a falta de segurança, a celeridade das mudanças de paradigmas ideológicos, o Brasil vive em tempos de extrema insegurança. Tudo gera incerteza e a saída para muitos compatriotas é imigrar. Os Estados Unidos estão no topo da lista de escolha.

Os desafios na terra onde é necessário trabalhar de verdade

Os desafios para os brasileiros que decidem mudar para a América começam ainda no Brasil. Como todos sabem, é preciso ter um visto de permanência. Muita gente, sequer, tem condições de obter um dos mais de 100 tipos de vistos. Isso fez com que o número de brasileiros que tentaram entrar em território americano de forma ilegal batesse recorde. De acordo com o Centro de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos, de outubro de 2018 a setembro de 2019, mais de 18 mil brasileiros foram apreendidos pelas autoridades americanas tentando entrar no país sem um visto válido. O número é 11 vezes maior que no período anterior. Números significativamente assustadores. Estas pessoas terão dificuldades para encontrar moradia, não terão acesso a saúde e, com certeza, vão ter que se acostumar com o subemprego e o medo constante da deportação.

Muitos chegam com visto válido: como turista, estudante, investidor, por ter habilidades especiais, etc… O certo é que quem não tem o sonhado green card se depara com o subemprego, crédito limitado, e outras tantas dificuldades. Para se tornar residente legal, além das taxas do departamento de imigração americano, é necessário constituir um advogado. Aí, é preciso ter bolso cheio. As custas não saem por menos de 6 mil dólares e tem gente cobrando até 30 mil dólares. Garantia de sucesso nessa empreitada? Só o tempo vai mostrar. Posso dizer que nos anos 90, era muito mais fácil a jornada imigrante, e em muitos aspectos.

Percebi nesses 24 anos que muita coisa mudou. O que mais modificou foi o nível de saturação. Como em qualquer química, atualmente, temos uma maior quantidade de brasileiros, e isso possibilita que o Brasil e seus problemas se façam mais presentes. Me assusto com algumas histórias que acontecem. Infelizmente, nossa natureza é extremamente competitiva e não associativa. Participo de alguns grupos comunitários e, a cada dia, isso se torna mais constante. O que mais me deixa indignado é a relação interpessoal entre os imigrantes brasileiros. Um relacionamento competitivo, de baixa qualidade, na base do vale tudo.

• Vale tudo para conquistar o sonho americano, nem que para isso tenha que passar por cima do próprio caráter.

• Vale tudo para ganhar dinheiro, nem que para isso tenha que dar golpe. Se a pessoa já foi passada para trás, é um tal de repassar golpes.

• Vale tudo para conquistar o mercado empreendedor, nem que para isso tenha que jogar sujo e usar o famoso jeitinho brasileiro. Só que nos Estados Unidos, para trabalhar com seriedade e honradez, não existe jeitinho.

Aqui é o país em que poste é poste, e cachorro é cachorro. Nada se confunde. Como empreendedor americano, vejo aventureiros baixando os preços e fazendo promoções apenas para pagar o próprio aluguel ou a conta do telefone. Já vi padarias, mercados, oficinas, revendedoras de carros usados, jornais, revistas e tantos outros negócios fecharem. Os chamados “empresários”, lesam os clientes, lesam a si próprios e retornam frustrados, ou pior, viram zumbis sociais. O que fazer? Bem, o melhor seria observar, arrumar um emprego, aprender inglês e, em 1 ou 2 anos sair para o mercado empreendedor. Mas muita gente não vai concordar. Sabe por quê? Por conta do “leftover”. Do que sobra das ações frustradas, sobra do estoque de LED, sobra de um carro ou uma televisão.

Meu conselho:

Cuidado! Quem não se cuida, vira comida de leão. A melhor coisa é matar o leão que aparece em sua vizinhança enquanto ele é pequeno.

É ou não é desafiador?

Boa sorte!

 

 

 

 

 

 

 

 

Marco Alevato é advogado, administrador e publicitário, pós-graduado e com MBA em Marketing. Em 1996 veio viver nos Estados Unidos. Hoje é publisher da revista Facebrasil, diretor da Powerhouse Printing, diretor da Prima Marketing, diretor da Câmara de Comércio da Central Flórida, membro do Conselho de Segurança de Orlando e do Conselho de Cidadãos, Presidente da Associação Brasileira de Imprensa Internacional.

Imigrante, desafio constante!
Paulo Corrêa

A verdade é que o desafio do imigrante já começa antes de sair do Brasil com a primeira grande decisão: a de ser imigrante.

Afinal, por que imigram? Os motivos são variados como: procura de trabalho e melhor salário, satisfação profissional, segurança, união da família, necessidades de sobrevivência, etc. Mas o custo psíquico da partida, seguido do choque de “se sentir estrangeiro” quando chegam as dificuldades com a falta do conhecimento do idioma, da cultura, legalização, entre tantas outras barreiras a serem vencidas são terríveis, especialmente se envolver filhos.

As dificuldades chegam a gerar depressão, estresse, ansiedade, aumentando a desorientação da grande descoberta para a segunda decisão: a necessidade de ter certeza do “Eu sou imigrante, não estou imigrante e tenho que me reinventar constantemente”.

Sei que os EUA é um pais de imigrantes e com uma capacidade extraordinária de absorção de milhões de imigrantes, mas, ainda com 11 milhões em busca da legalização para a liberdade de ir e vir, trabalhar, etc.  Mas o caminho nunca foi livre de obstáculos, e hoje está muito pior que há 30 anos quando cheguei.

O Imigrante deve chegar inovando e se reinventando sempre para superar os muitos desafios!

Esta é uma região dos EUA, tradicionalmente multiétnico e multicultural por ter um turismo globalizado e fica um pouco mais fácil, a grande Orlando tem no “seu DNA” a hospitalidade ao estrangeiro como elemento essencial para se viver melhor. São milhares de imigrantes residentes que desenvolveram uma globalização quase que forçada, gerando uma sensação de que quase tudo tem o seu lado estrangeiro.

Me sinto um imigrante na fase madura – 3 décadas de América. Pioneiro do jornalismo e produção cultural comunitária e do guia profissional de turismo, participei dos jornais ‘Florida Review’, ‘Orlando Review’, ‘Brasil-USA’, ‘The Brazilian Post’, ‘Orlando News’, B&B e das revistas ‘Florida na ABAV’, ‘Momento’ e ‘Plus Magazine’, onde exerci  diversas funções editoriais e de produção”, também pioneiro nas produções de grandes shows nos anos 80 e 90 de artistas conhecidos, tais como: Belchior, Fagner, Geraldo Azevedo, Guilherme Arantes, Osvaldo Montenegro, Família Lima, Léo Gandelman, Pierre Onassis, Asa de Águia,  dentre outros.

Lembro-me que como todo imigrante, tive grandes dificuldades para me adaptar ao ritmo dos Estados Unidos. “Hoje, já não tenho nenhum problema, mas, antigamente, a saudade dos familiares, amigos queridos e a falta de envolvimento na nossa cultura e arte era o que mais complicava”, explica. Hoje tenho consciência que uma das minhas principais dificuldades foi lidar com a maneira de ser dos americanos. São reservados e a falta do inglês fluente sempre me fez falta. Este talvez tenha sido o meu maior erro, o de me entregar de corpo e alma à nossa comunidade e não me esforçar para a integração real na sociedade americana desde sempre. Por outro lado, acredito que devemos manter a nossa cultura, especialmente o idioma e nos comunicarmos em português entre si, prioritariamente em nossas casas, deixando o inglês quando for em ambiente profissional, escolar, ou em frente de americanos, etc.

Tenho como meta e quero deixar como legado, o de sempre oferecer algo ligado à cultura do Brasil, por isto venho com muito esforço mantendo o festival cultural, Brazilian Day Orlando e a radio web Radio Orlando News.

O Brazilian Day Orlando é realizado desde 2009 e tem como principal objetivo o de reunir as famílias, amigos e vizinhos de brasileiros da região da Flórida, estado que abriga aproximadamente 400 mil brasileiros e recebe algumas centenas de milhares de turistas durante todo o ano para festejar e divulgar a cultura brasileira. Além de ajudar a integrar a nossa comunidade às comunidades hispânica e norte-americana, o Brazilian Day Orlando é feito por brasileiros para mostrar que o nosso Brasil com ‘Z’ está cada vez mais unido e consciente de que temos que nos organizar para as novas gerações”.

Já a Radio Orlando News, é uma rádio web, que ressalta a importância do imigrante se informar sobre imigração, saúde, turismo, beleza, entretenimento, gastronomia, investimento, negócios, educação, esporte, a nossa riqueza cultural da hospitalidade no nosso DNA, que são únicas no mundo.

Em síntese, parece existir uma boa relação entre o Brasil com Z e a sociedade americana com as diversas comunidades de imigrantes de vários países aqui residente. Vejo que de um modo geral a sociedade americana é aberta à diversidade de culturas e os imigrantes sentem-se integrados e satisfeitos em nossa região.

Suzana Muricy e Paulo Corrêa
Paulo Roberto Correa
Jornalista, produtor cultural e profissional de turismo, nasceu em Nazaré, Bahia, em 6 de dezembro. Radicado nos Estados Unidos há mais de 30 anos, já fez de tudo dentro da área de comunicação comunitária e, hoje, seu nome está ligado ao Brazilian Day Orlando e à Radio Orlando News, seus “filhos”. Ele não pára nunca; está sempre atrás de uma nova atividade. Por isso seu nome está por trás de significativas iniciativas que beneficiam a comunidade como um todo: o São João, Independência Show, Reveillon, Brazilian Night, Miss Brasil-USA, entre outros. BrazilianDayOrlando@gmail.com
Há sempre um propósito maior e melhor
Marcia Romero

Nascida e criada numa cidade tensa, porém maravilhosa, solteira, empregada como Gerente Financeira, Marcia Romero vivia uma vida estável. Morava com seus pais e viajava todo final de semana. Em Setembro de 1996, ela recebeu o Aviso Prévio da empresa que trabalhava há 16 anos. Estavam dispensando seus serviços, sem justa causa, devido a um corte nos custos da organização.

Apesar de graduada em Administração de Empresas e especializada em Finanças, por quase três meses, procurou um novo trabalho, porém recebeu muitas recusas gerando um processo de desânimo e depressão. Vendo seus pais preocupados tomou uma decisão temporária: aceitar o convite de uma ex-colega de trabalho para mudar para Orlando, FL, onde já se encontrava.

Relutante, Marcia deixou seus pais e seu país temporáriamente, por seis meses, para estudar inglês e voltar para o Brasil (este era seu plano).  Porém, “quando Deus tem algo maior e melhor para nós, nada impede que os Planos Dele se realizem”, diz Marcia.

A MUDANÇA DE PAÍS

Desembarcando em Orlando, FL, no dia quatro de dezembro de 1996, Marcia não tinha idéia do Plano o qual ela seria a protagonista. Com o saldo do seu Fundo de Garantia e a venda do carro, Marcia chegou neste país sozinha e com nove mil dólares na bolsa… nada mal para 1996.

Dividindo um quarto na casa da ex-colega de trabalho, dormindo em um colchonete e compartilhando o banheiro, não foi difícil. Desafiador foi trabalhar de camareira de um hotel, de segunda a sábado, limpando 24 quartos e ainda estudar à noite por três horas no curso de inglês. “-Vamos que vamos, serão somente seis meses”, pensava Marcia.

Antes de completar seis meses de estadia no país, Marcia solicitou a extensão de permanência. Para sua surpresa, neste período de estadia prolongada conheceu um rapaz e se casou. Em seguida mudou de profissão: foi trabalhar em uma empresa americana como Assistente Administrativa de Contratos.

Após quatro anos de América, para quem veio por apenas seis meses, era demais! Adaptada à cultura e ao estilo de vida americano, Marcia respeita a educação que esta cultura dispensa ao próximo; a seriedade em tudo e a política de punição para àqueles que não seguem as leis. Entretanto, a vida de Marcia tomou outro rumo. Seu esposo pediu o divórcio e ela decidiu “sacudir a poeira, dar a volta por cima” e triunfar. No final do mesmo ano, conheceu seu atual esposo, e este, a apresentou à pessoa que mudaria sua vida em todos os sentidos… esta pessoa é JESUS DE NAZARÉ.

A ENFERMIDADE

Casada, empregada na área contábil-financeira e a família completa, em 31 de dezembro de 2007, depois de três meses sofrendo de uma dor de cabeça, Marcia foi diagnosticada com um “subdural hematoma” no lado direito do cérebro. Na Emergência, ela deu entrada no Hospital Orlando Health, sofreu duas cirurgias e entrou em coma por 5 dias. Com o cérebro e órgãos entrando em falência, os médicos a condenaram a 30% de chance de vida.

Orações vindas de diferentes lugares contribuíram para Marcia acordar do coma, em 7 Janeiro 2008, porém tinha perdido a habilidade de andar, falar e reconhecer pessoas, mas estava viva. Os dias se passaram e o Milagre foi completo!  Recuperou as habilidades perdidas e hoje não apresenta qualquer sequela desta assustadora experiência.

O encontro que teve com Jesus enquanto no leito do quarto do hospital fez toda a diferença em sua existência.  Uma visão de Jesus surgiu em sua frente e uma voz incomparável lhe disse que a válvula do amor de seu coração estava enferrujada e entupida e que não O estava agradando. Em seguinda, um coração humano voava em sua direção. “Aquele momento mudou o meu ser…tornei-me uma pessoa diferente, comecei a sentir um amor singelo e genuíno pelas pessoas…é muito gostoso”, lembra Marcia.

“PROPÓSITOS DA VIDA” QUE NÃO ENTENDEMOS

Depois de recuperar sua rotina, Marcia entendeu que Milagres acontecem para um propósito e oito meses depois de sua cirurgia, em 2008, pediu demissão do trabalho e se dedicou ao trabalho social comunitário.

Em 2011, em oração, questionou a Deus qual era Seu plano para ela. “Então ouvi uma voz, saindo de minhas entranhas me dizendo: Quero que cuide das pessoas enfermas”, conta Marcia. No mesmo ano, Marcia realizou vários eventos beneficentes para membros da comunidade e fundou a PEOPLE WHO MAKE A DIFFERENCE FOUNDATION.

Em 2015, graduou-se em Capelã Hospitalar, pelo Flórida Hospital. Ela visita os doentes internados levando suporte espiritual, orando por eles e exercendo o “Ministério do Silêncio”. “Ter ouvidos disponíveis para ouvir o outro está cada dia mais difícil. Quando paramos para ouvir o que o outro tem para falar é muito gratificante…é humano, é amor incondicional”, garante Marcia.

“Diante dessas experiências entendi que havia sido chamada para este Propósito. Deixando o Criador orientar o meu caminho, com certeza os obstáculos e dificuldades NÃO deixariam de existir, mas ultrapassaria e sobreviveria a todos com o sabor da missão cumprida”, celebra Marcia.

Conselho

Se você deseja ser imigrante em algum lugar, deixo essa reflexão para você: “Nós fomos criados a imagem e semelhança de Deus, assim eu creio; todos temos a livre escolha, uma opção que o próprio Criador nos deu; todos temos desejos, sonhos e objetivos; todos nós. Aqui vai o que funcionou para mim:

1) descubra o propósito de SUA vida na terra;

2) seu propósito deve beneficiar alguém, pois tudo que emana de você, voltará para você;

3) siga as orientações Dele e deixe-se guiar pelo Criador.

SALDO ATUAL DA MINHA JORNADA COMO IMIGRANTE

Um saldo de gratidão a Deus pelas oportunidades vividas como imigrante. Em 23 anos de América, posso dizer que “uma vida com significado é uma vida com propósito”. Eu vivi, chorei, sofri, quase morri, renasci em Jesus, casei, formei família, ajudei e fui muito ajudada, aprendi a amar e a ter domínio próprio, aprendi que tudo na vida vale a pena quando você tem um Deus que você sabe que te ama, te protege, te livra do mal, te CURA, te

consola, te presenteia com detalhes, faz suas vontades, e apenas requer de volta OBEDIÊNCIA a Ele e a seu Amor sem fim.

Muito importante é que você jamais esqueça que está se mudando para outro país. Outra cultura, outro idioma, outras regras e outras leis, OUTRO TUDO!  Faça todo o esforço do mundo para respeitar e se adaptar ao novo ambiente que você escolheu viver. Isto é muito sério e fundamental. É a SUA BASE DE SUCESSO.

Sempre faça a analogia que você é um visitante na casa de alguém. Você não deve abrir a geladeira, colocar os pés para o alto ou mesmo ouvir a televisão em alto som. Aprenda as regras da casa que está hospedado e SIGA-AS, ADAPTE-SE! Assim fazendo, tenha certeza que você será bem-vindo e convidado a ficar por um bom tempo. Jamais se esqueça disto e aplique ao seu dia a dia.

Eu me esforcei e atingi meu objetivo de fazer o meu melhor, e esse povo maravilhoso desta terra chamada Estados Unidos da América me recebeu de braços abertos. Aprendi que se eu respeitar, serei respeitada, se eu obedecer terei minha recompensa! Agradeço ao meu Amigo Jesus por tudo que me proporcionou até aqui e pelo que ainda está por vir.

 

MARCIA ROMERO
Márcia Romero é nascida no Rio de Janeiro, Brasil e mudou-se para os EUA em Dezembro de 1996.  É formada em Administração de Empresas, possui trinta anos de experiência na área administrativa e financeira em médias e grandes empresas no Rio de Janeiro, Brasil e em Orlando.  Em 2015 graduou-se em Capelania Hospitalar pelo Advent Health Hospital. Ela é casada, tem uma enteada, genro, um netinho chamado Matheus de nove anos e Gabriella que está a caminho e sendo esperada para o mês de Fevereiro. marciaromerousa@gmail.com
Laine Furtado

Laine Furtado

Os desafios de morar nos Estados Unidos

Somos imigrantes brasileiros, queremos conquistar o nosso sonho americano e temos uma história marcada pela perseverança e capacidade de se reinventar

Morar nos Estados Unidos é uma decisão que reflete em mudança de paradgimas. Quando você escolhe viver num país que não é o seu, com certeza, você está tomando uma decisão que vai mudar a sua vida, e de sua família, radicalmente. Você jamais será a mesma pessoa porque a nossa vida é um somatório de experiências. Podemos ver isso quando retornamos ao nosso país, para férias ou quando regressamos depois de um período de tempo, e tudo mudou. Na verdade, nós mudamos. Você já passou por esta experiência?

Acredito que o maior desafio que o brasileiro enfrenta quando escolhe trocar o Brasil para viver nos Estados Unidos é conseguir mudar sua mente. O brasileiro pensa diferente do americano na forma de fazer negócios, por exemplo. Aqui não tem o famoso “jeitinho brasileiro” e para quem pensa em abrir um negócio nos EUA, o retorno é muito mais lento. Precisamos realmente de uma pesquisa de mercado, de cash flow e de fazer negócios no padrão americano de preço, qualidade do produto (ou serviço) e atendimento ao cliente.

No caso do imigrante que vem em busca de uma oportunidade de trabalho, a qualificação é fundamental. Precisamos ser melhores do que os americanos e quando somos bons de verdade, as oportunidades surgem e temos sucesso. A fluência da língua e o entendimento do “American way of life”  fundamentais para que possamos ter o “modus vivendi” americano. Um conselho que dou a todo imigrante que chega aos EUA hoje é que não perca a oportunidade de continuar crescendo no seu “field” de trabalho. Não podemos parar no tempo, especialmente num país como os Estados Unidos, onde temos todas as ferramenttas para sermos melhores.

Sobre a adaptação familiar, acredito que os brasileiros aprendem a conviver com a vida longe da família com o tempo. Os primeiros seis meses são os mais difíceis porque precisamos de tempo para nos adaptarmos a uma nova vida. Nas primeiras semanas tem o momento “euforia” onde tudo é novo, mas quando não podemos participar dos momentos especiais em família, sentimos que realmente tudo mudou.

Não dá para fazer uma visita na casa da mãe, comer o bolo de aniversário com o irmão, ir ao velório de um parente ou amigo. E precisamos ter estrutura psicologica para viver esta nova realidade. No entanto, hoje, com as redes socais, estamos mais próximos de nossos familiares e amigos e parece que a distância encurtou um pouco, não é verdade?

Gostaria de ressaltar que existe uma diferença muito grande na imigração que vemos hoje em relação há 20, 30 anos. Naquela época, os primeiros imigrantes brasileiros, desbravadores com certeza, tiveram uma experiência muito mais difícil do que os brasileiros que chegam hoje aos Estados Unidos. Nossa comunidade nos EUA era muito menor, na verdade não tinhamos uma comunidade, mas poucos brasileiros espalhados pelos Estados Unidos. E tudo era mais complicado.

Sou parte desta leva de brasileiros que chegaram nos anos 90 com garra para desbravar a terra realmente “desconhecida”. Meu objetivo num primeiro momento foi de ficar nos EUA por um ano e retornar ao Brasil. Diferente da maioria dos brasileiros que chegaram naqueles tempos, vim para a Flórida porque meu esposo, na época namorado, morava aqui e tinha duas opções: vir para os EUA ou para São Paulo. Acho que fiz a melhor escolha.(rsrsrs). Depois de morar um ano no Brasil, retornamos aos Estados Unidos para ficar. E realmente fincamos nossas estacas e vivemos o “American Way of Life”.

No entanto, muitos brasileiros, inclusive meu esposo nos seus primeiros 2 anos de América, vieram para explorar a terra, ganhar dinheiro e voltar ao Brasil. Quantas pessoas que chegaram no final dos anos 80 com o propósito de ficar aqui por um tempo e retornar ao Brasil estão aqui até hoje? Milhares. Mudaram suas prioridades e resolveram ficar, fazer dessa terra nossa nova pátria. E hoje temos dois amores: Brasil e Estados Unidos. Já não estamos aqui mais para explorar a terra, mas passamos a sermos como os pilgrims que chegaram nos EUA para fazer desse país sua nova casa.

Hoje, os brasileiros chegam para morar. E querem se inserir no contexto americano. São profissionais liberais e empresários, trabalhadores e estudantes, vindos de todos os cantos do Brasil, prontos para adotar os EUA como país. Chegam preparados para fincar estacas, investir e criar raízes. E isso é muito legal. No entanto, esses novos brasileiros muitas vezes querem implantar nos EUA seu “modus vivendi” brasileiro. E isso não dá certo porque quando estamos aqui precisamos viver de acordo com as regras do jogo americano. E isso é mais certo, não é verdade?

Diante desta análise, de quem já vive nesse país desde 1991, acho que os desafios existem para ser vencidos. Se chegamos há quase 30 anos (como é o meu caso) ou este ano, somos brasileiros vivendo na terra do Tio Sam. Somos desbravadores, prontos para conquistar o nosso sonho americano. E que possamos sonhar alto, porque nos Estados Unidos, a terra das oportunidades, o céu é o limite.

Laine Furtado é jornalista, formada pela UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora-MG, e editora da revista Linha Aberta, que este ano celebra 25 anos de circulação na Flórida. Laie Furtado foi presidente da ABI Inter (Associação Brasileira de Imprensa Internacional) por dois mandatos consecutivos. Apaixonada por moda e viagem, recentemente ela abriu um novo instagram @fashionandtravelreporter para compartilhar suas experiências de fashion and travel. laine@linhaaberta.com
Eleonora Paschoal
Desafios do Imigrante: começam antes mesmo de sairmos do Brasil

Organizar a vida profissional e pessoal é o primeiro desafio que enfrentamos independente do novo país que escolhemos para morar. No caso da vida profissional temos que verificar contatos que poderão ser úteis no futuro, conversar e explicar porque estamos mudando e, considerar a possibilidade de continuarmos prestando algum tipo de serviço ou consultoria à distância.

Outra coisa importante que deve ser resolvida antes de sair do Brasil é ter o visto certo para entrar nos Estados Unidos. Sem documentos em ordem, você não está buscando vida nova mas, sim, novos problemas. Estar ilegal ou irregular (quando a pessoa entra no país com visto de turista – por exemplo – vence o tempo permitido para a permanência mas continua como residente) significa desafios maiores, pois, tudo vai ser mais difícil e complicado, começando pelo trabalho. Uma pessoa sem status imigratório na maioria das vezes tem que se sujeitar a sub empregos e corre o risco de ser enganada e explorada, sem falar no medo de ser pega pela imigração e deportada.

Aqui vale um: Alerta Geral !!!

Para obter o visto correto você vai precisar de um advogado de imigração e, para não correr o risco de ser enganado, ter seus sonhos destruídos, ser vítima de um mal profissional ou de alguém que não é advogado mas se faz passar por um faça uma pesquisa rigorosa. Veja, não basta ter a indicação de um amigo que conseguiu o documento. Green card pode ser confiscado se o governo americano constatar fraude. Ter a permissão de trabalho e viagem também não lhe dá garantia de permanência no país, pois, estes são documentos fornecidos para facilitar a sua vida enquanto seu processo de imigração está sendo analisado.

Então, antes de fechar contrato com qualquer advogado de imigração verifique os registros que o profissional tem, por exemplo, na Flórida, o equivalente a OAB do Brasil é o Flórida Bar. Outra dica é olhar muito bem o currículo do profissional, ver se ele ganhou prêmios, se está ligado a associações… quanto mais referências documentadas você conseguir mais segurança de estar entregando o seu dinheiro, sua vida e o seu sonho nas mãos da pessoa certa.

Vencidos os desafios iniciais no Brasil. Chegamos! E agora?

Desafio número um: a língua

Uma coisa é vir passar férias e outra é morar. No dia a dia há um número impressionante de gírias e expressões que nos deixam, às vezes, sem entender o que a pessoa está falando, sem contar os diferentes sotaques. Assistir televisão com legenda pode ajudar a acostumar o ouvido a pronúncia e ajuda com o vocabulário. Mas, o destino é a Flórida…o fato da colônia brasileira ser muito grande neste estado cria uma falsa impressão de que tudo vai ser mais fácil. Há pessoas que estão, faz anos, morando em Orlando e não falam mais que meia dúzia de palavras em inglês. A vida profissional e social delas é restrita a comunidade brasileira o que é um limitador para quem quer começar vida nova e vai ser difícil acompanhar a vida dos filhos que vão se comunicar com escola e amigos em inglês.

Desafio número dois: trabalho X custo de vida

Muitas profissões precisam que se “americanize”o diploma para que se possa trabalhar e, em alguns casos é preciso voltar para a escola e enfrentar alguns anos de curso até ser considerado apto a exercer a profissão.

Nessa situação você deve considerar ter um “pé de meia” para garantir as despesas. Pode ser interessante antes de vir pesquisar como está o custo de vida no estado em que escolheu para morar. Na Flórida uma família com 4 pessoas que precisa pagar: casa, carro, despesas com luz, água, telefone, alimentação… etc… vai precisar de cerca de 5 mil dólares por mês (em média) desde que não tenha que pagar escola. Já, em Washington DC só o aluguel de um apartamento com um quarto pode passar de US$4 mil dólares.

Outra coisa importante é que dependendo do lugar que escolheu para morar transporte público é artigo de luxo e ter um carro é uma questão de sobrevivência.

Desafio número três: escola e saúde

Se você tiver entrado legalmente no país colocar as crianças na escola é uma coisa relativamente simples mas burocrática. É preciso ter todos os documentos traduzidos, estar com vacinas em dia ( até os 19 anos é gratuita no serviço público). Esteja atento pois seu filho só vai poder estudar na escola do seu bairro. Por isso preste atenção: encontre primeiro a escola e depois procure a casa para morar.

College e Universidade são pagos e o valor para quem não é residente e não tem boas notas é incrivelmente alto. Pesquise!

E, pesquisar plano médico que, aqui, é seguro saúde é fundamental. Esqueça tudo o que você sabia de plano médico no Brasil. Esqueça se você, por qualquer coisa, corria para o hospital. Nos EUA, mesmo com seguro saúde, você vai sentir no bolso quanto “custa uma saudade”. Nem todos os procedimentos são cem por cento pagos pelo seguro e a conta nunca é entregue no dia mesmo que você ache que está pagando. Sempre há algum tipo de cobrança que chega pelo correio e pega você de surpresa. Então, ir para o hospital só se você estiver morrendo para não morrer depois.

Desafio número quatro: América é para os fortes!

Não desista do seu sonho americano.

Há quem diga que se conseguir sobreviver aos quatro primeiro anos você vai vencer na América. Ainda não sei se é verdade. O que posso dizer é que não é fácil começar. É isso mesmo, começar e não recomeçar. Quando chegamos a sensação é bem parecida com aquela do primeiro dia de aula, do primeiro dia no primeiro trabalho onde a única certeza que temos é que não sabemos nada e que o caminho vai ser duro e, algumas vezes até cruel. O importante é não desistir. Quando a caminhada ficar muito pesada respire fundo. Lembre daquelas carroças dos filmes do velho Oeste. A família toda numa estrada seca e poeirenta em busca da terra prometida. A busca por essa terra prometida é o lugar onde “O sonho americano” se torna realidade. É aqui. O American Dream é a liberdade para ser quem você quiser, é ter a chance de conquistar sucesso e prosperidade usando suas habilidades independente de sua classe social. O Sonho Americano está tão entranhado em cada pessoa que nasceu ou escolheu esta terra para viver que ele faz parte da declaração da Independência dos Estados Unidos: “todos os homens são criados iguais” com direito a “vida, liberdade, propriedade e a busca pela felicidade”

Eleonora Paschoal
jornalista radicada há 4 anos nos Estados Unidos, onde trabalha como correspondente das televisões SBT e Bandeirantes, sendo a primeira jornalista brasileira a atender dois veículos de comunicação diferentes mas do mesmo segmento. Eleonora trabalhou, também, nas TVs Record, SBT, Bandeirantes, Band News e Globo no Brasil. Especialista em média training fez palestras e treinamentos em vários estados brasileiros, países da África e Argentina. prevenção e gerenciamento de crises na área pública e privada
Carlos Borges
Carlos Borges

Irmãos, é preciso coragem…

Na minha opinião, o diagnóstico cabível a quem deixa seu país para iniciar uma nova vida em outro país, certamente vai detectar certa dose de loucura, espírito aventureiro e muita coragem. Na grande maioria das vezes o imigrante, como eu, nem pára prá pensar no coeficiente de coragem que ele teve e segue tendo que superar essa monumental transição. Eternamente inacabada.

São raros os imigrantes que, de fato, se integram de forma ao novo país que a antiga terra natal passa a ser uma referência puramente nostálgica, quando muito. As pesquisas estão, há décadas, mostrando que a ligação do ser humano com a terra onde nasce é inequivocamente umbilical. Neste caso, as exceções só servem mesmo para confirmar a regra.

Quando decidi mudar do Brasil para os Estados Unidos, eu e minha então esposa tínhamos uma idéia mais romântica do que prática, sobre como seria essa “nova vida”. Éramos,  e somos até hoje (não mais casados, mas muito amigos e próximos um do outro), pessoas que se acreditavam sem medo e dispostos a desbravar possibilidades.

Profissionalmente, eu havia chegado a um ponto na carreira em que precisava “implodir” a acomodação e buscar novos desafios. Esta foi, de fato, a minha motivação. A pressão de amigos, parentes e na empresa foi muito grande. Achávamos que, tendo a situação que tínhamos na Bahia, era absoluta loucura deixar aquilo para se aventurar nos Estados Unidos. Até porque, o que tínhamos como “seguro” era um trabalho específico e sob contrato que duraria um ano…

Os primeiros 5 anos como imigrante, entre Tampa Bay e Miami, foram de grande aprendizado no qual uma filosofia nos ajudou imensamente: não brigar consigo mesmo em nenhuma hipótese e lembrar, a cada dificuldade no processo de adaptação, que estávamos aqui por livre e espontânea escolha.

“A rotina dos imigrantes é de desafio contínuo”

Mesmo quando enfrentamos situações limite, doença grave, escassez de oportunidades profissionais ou o longo processo de obtenção da residência permanente, em nenhum momento tivemos dúvida de que, embora adoremos o Brasil, era aqui que queríamos viver. Isso ajudou muito…

O nascimento de nossa filha, Amanda, quando estávamos aqui há 3 anos, foi um “turning point”. Não que houvessem dúvidas de que queríamos viver definitivamente aqui, mas a chegada de um filho muda radicalmente a perspectiva de qualquer pai ou mãe. A prioridade passa ser completamente o filho, sua vida, suas perspectivas e todo um conjunto de coisas atreladas ao lugar onde se vive. O país onde se quer que eles, nossos filhos, cresçam.

Sim, é possível se apoiar na filosofia para seguir em frente num processo que muitas vezes parece uma interminável corrida de obstáculos: idioma, leis, comportamento, cultura, distância de seres amados, valores éticos, e o escambau (como se diz na minha terra).

Um aspecto que me parece importantíssimo: entender o mais profundamente que se possa, a natureza do povo e do lugar que escolhemos para viver. Nem sempre é fácil para nós brasileiros, que herdamos um legado dos mais desanimadores e complicados quando se trata de civilidade, respeito às leis, etc…; exercitar a humildade e fazer da dificuldade uma plataforma de possibilidades.

Me orgulho imensamente do que conquistamos nesses 30 anos “de América”, como se diz no jargão americanóide. E sempre me pergunto como estaria hoje, na Bahia, um profissional de 64 anos, que nos Estados Unidos vive a plenitude de seu trabalho, atividade intelectual e criativa.

Os Estados Unidos são, ao mesmo tempo, uma nação complexa e desafiadora em todos os aspectos possíveis e imagináveis. Para uma ampla maioria de imigrantes brasileiros, o  enfrentamento cultural é bizarro. Por isso são muitos os segmentos da comunidade brasileira que, em alguma medida, se “guetizam” para encontrar na comida, nos shows, no futebol ou no bate papo sobre as novelas e a política, o território comum, a zona de conforto e o próprio lenitivo para, horas depois, fazer a reimersão na “vida paralela”, a vida de imigrante.

O desafio do brasileiro imigrante é esse:  fazer, quase todo dia, dos limões uma limonada. E fazer disso um ritual, um ato de contrição em respeito a suas escolhas.  

Carlos Borges

 

Carlos Borges nasceu em Alagoinhas, Bahia, e antes de completar dois meses já estava em Salvador, cidade que tem como sua alma e coração. Jornalista desde 1972, rapidamente desenvolveu uma carreira em duas áreas: imprensa escrita e televisão. Antes de completar 21 anos já comandava o Núcleo de Produção da TV Aratu (então integrante da Rede Globo, na Bahia). Mesmo tendo na TV as oportunidades e recompensas que seriam menos alcançáveis na mídia impressa, ele jamais se afastou de sua paixão original: a escrita.
Em 1989, quando já atingira o topo de sua profissão no Brasil, dirigindo os setores de produção das duas maiores emissoras do estado (Itapoan e Aratu), Borges tomou uma decisão inesperada: aceitar o convite para participar do núcelo original que lançou, em Orlando (Flórida), o canal Nickelodeon. O que deveriam ser 12 a 18 meses de uma aventura com data de encerramento pré-determinada, se tornaram três décadas de vida e trabalho nos Estados Unidos.
Empreendedor por índole, Carlos Borges construiu uma reputação internacional como promotor cultural e ferrenho defensor das artes e cultura brasileiras. Seu trabalho vem sendo reconhecido nos Estados Unidos, Japão, Reino Unido, Itália e Brasil. Foi condecorado, em 2014, com a Ordem do Rio Branco, explicitamente por seu trabalho “em promover a imagem positiva do Brasil e dos brasileiros”.
São, até aqui, 67 troféus, medalhas, diplomas, proclamações e reconhecimentos. Mas o que sempre ressalta toda vez que lhe perguntam sobre seus 46 anos de carreira (em 2019), apenas reafirma sua inexorável baianidade, seu amor incondicional à cultura brasileira e sua dedicação aos milhões de brasileiros que vivem fora do país. Manter a chama brasileira sempre acesa nos corações imigrantes é sua missão e propósito.