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UM TEMPO NA TERRA DA FANTASIA, ORLANDO – Reflexões saudosistas
Alice Mesquita

Foi com muita alegria, além da pitada de saudade de escrever nas páginas deste jornal, que recebi o convite para falar sobre meu tempo na América, em Orlando. E a razão pela qual mudei o plano e voltei.

Acredito que a experiência como imigrante, talvez a mais rica de toda minha vida, tenha sido por motivos diferentes da maioria dos que para lá foram. Fui viver um relacionamento, um romance, uma oportunidade de realizar um antigo sonho. Porém, o chegar imigrante é igual para todos, não importando os motivos que levam a esta experiência. Especialmente quase na primeira leva de inexperientes imigrantes, que desde o final da década de 80, buscavam saída para a crise brasileira com trabalho na atrativa era Reagan.

Antes de encontrar a comunidade brasileira em Orlando, encontrei a América e suas diferenças. Desde o funcionamento das torneiras até o comportamento no trânsito, onde as regras devem ser entendidas em sua razão e cumpridas. Aprendemos rapidamente a não passar primeiro numa porta, pois logo ouvimos alguém desculpando-se por ter atrapalhado; não encarar quem passa, pois constrangidos, acabam nos cumprimentando; o Stop Sign é para parar mesmo e contar até 3. Há muito para aprender e se encantar com a ordem, tranquilidade e praticidade da vida americana. Porém, é preciso observar e entender que é uma outra cultura, na qual vamos nos inserir e respeitar, sem perder nossas características ou querer impô-la. Um aprendizado fascinante para quem se propõe viver em harmonia.

Com o bailarino Fernando Bujones

Orlando é uma cidade multicultural, onde se pode dar asas à imaginação. Junto com as comunidades brasileira, hispana e americana, tive a oportunidade de ajudar a organizar inúmeros eventos culturais e musicais. E claro, cantei! Como colaboradora deste caro jornal, Brasileiras & Brasileiros, escrevi crônicas mensais, fiz entrevistas e cobri eventos culturais. Muitos encontros aconteceram…Peri Ribeiro, Léo Gandelman, o bailarino Fernando Bujones, Manfredo e Lili Fest, maestro Nilson Dizeu, maestro Armando Velasquez, Beth Tabakov, companheira de canto, Anthony Portigliatti, Maida e Eraldo, Chago Montez (que tocou com Carmem Miranda), Alejandro de La Fuente e seu flamenco, o Sheriff Beary, encantado com o Brasil, a prefeita Glenda Hood, e tantos…O 1º Encontro Musical de Orlando, a Associação Cultural Brasileira, a independência da CFBACC. As aulas de espanhol e português para americanos, indianos e cubanos.

Além dos acontecimentos, conheci muitas histórias, tantas. Algumas tristes, com denúncias, revelando o desagradável traço de desunião entre os brasileiros, “puxadas de tapete”. Porém havia amigos, tantos amigos que muito faziam pela imagem do Brasil. Gente que se orgulhava de ser brasileiro e havia entendido que cada um representava um imenso país. Tínhamos orgulho de nossa cultura, quando nos encontrávamos na pizzaria do João Neves!

No entanto, como dizem os americanos “a man’s got to do what a man’s got to do”. Meus pais precisaram de mim, pois a idade lhes chegou e os pegou sem apoio na cidade onde moravam. Fechei o American dream no coração, com saudade e muito aprendizado. E voltei sem querer voltar. Agora, tanto tempo depois, essa surpresa, este convite. Sempre lembro dos amigos de Orlando, alguns moram nas lembranças, outros voltaram para o Brasil e há outros que moram nas redes sociais, onde nos encontramos. 

Voltei sim, mas recomendo esta experiência fascinante de ser imigrante num lugar onde a cidadania e a verdade têm um valor inestimável e nos são recompensadas com a paz do cotidiano.

Alice Mesquita – Cantora, pesquisadora e palestrante na área de Literatura
alisss@uol.com.br
O alto custo não é fácil
Luis Sombra

Na verdade, quando chegamos na América a 4 anos atrás já programamos a troca da América pela Europa. Sabíamos que quando nossos filhos acabassem a High School teríamos o grande problema do alto custo das Universidades Americanas. Até por ser um imigrante, meu filho apesar de ser atleta em destaque em mais de um esporte na High School, o custo da sua Universidade passaria dos U$50,000 por ano. Na Europa, o custo de uma Universidade do mesmo nível não passa de U$1.100 por ano. A saudade não pesou nessa decisão, pois tínhamos parentes nos visitando o ano todo e os novos amigos supriram a saudade do Brasil.

Outra coisa que pesou bastante foi a saúde. Nos primeiros anos, usamos o plano de saúde anual porém com o tempo a seguradora de saúde não cumpriu os pagamentos ao Hospital utilizado alegando que seguro viagem não pode ser usado por um morador; isso nos custou U$13.000, somente por 5 horas em um hospital. Então, leve isso em consideração e siga este alerta se você pretende morar nos Estados Unidos.

Outros custos altíssimos são os seguro de carro, 3 vezes mais caro que na Europa. O IPTU (PROPERTY TAX) imposto residencial -que depende do valor da casa- chega a custar mais de U$5.000 por ano; e, por fim, o seguro do imóvel próprio que também é muito caro.

Deixamos investimentos e muitos amigos na América e também amamos o clima da Flórida. Logo que cheguei em Orlando formei a rede social Fácil com Sombra, que hoje somados passam de 600.000 seguidores, onde passo muitas dicas sobre Orlando e aconselho passeios pela Flórida. Então, voltamos pelo menos 3 vezes por ano para matar saudade e saber das novidades. Para finalizar, realmente o custo de vida na América é quase o dobro da Europa e isso com o câmbio atual faz muita diferença.

Meu conselho é: jamais vá para a América sem documentos legais e, se tem adolescentes, vá preparado para a dificuldade pós High School.

Luis Gustavo Sombra, 52 anos, economista, criador das redes sociais “Fácil com Sombra” participou da mídia de imprensa das Redes Disney e Sea World por 2 anos. Morou na Flórida por 4 anos até 2019. email: orlandofacilcomsombra@gmail.com
Legado de um visionário
Edilberto Mendes

O envelhecimento consciente, sereno e saudável é uma das maiores dádivas de Deus.

Entender a hora certa de parar e sair de cena é algo de consciência suprema.

Agir na hora exata de passar o bastão aos mais jovens para que prossigam e tentem novos passos, novos rumos é coisa de mestre. É assim que aprendemos e praticamos na vida… quando deixamos a escola, quando um filho se vai para a formação de uma nova família.

No meu caso, minha hora chegou e eu me retirei de cena. Entendi que o sonho que sonhei durante todo tempo fazer da comunidade brasileira uma presença forte na América, não foi em vão.

Tivemos conquistas expressivas. As próximas gerações hão de se orgulhar de nós, os precursores.

O retorno

Resolvi voltar ao Brasil em função de minha aposentadoria e para usufruir da companhia do que resta da minha família e de amigos…muitos deles já se foram e eu não estava aqui. Sensação de dever cumprido.

Hoje curto um Brasil diferente e genial, mas totalmente de cabeça para baixo, lutando para extinguir a corrupção. O país anda em busca de respostas.

As minhas considerações são importantes?

Sei lá… e nem sei se posso oferecer ideias para alguma mudança.

Mas como um Don Quixote estou sempre sonhando.

Ainda existe uma resistência muito grande de alguns setores, principalmente o cultural de aceitar ideias novas, de ouvir e aceitar a voz da experiência, mesmo que seja para melhorias significativas.

Muitos dos brasileiros que retornarem um dia à pátria amada gentil, na certa, sentirão a mesma sensação que eu tive em meu retorno.

Mas vale a pena tentar e descobrir um Brasil que a gente não conhece.

O Brasil é um pais maravilhoso, o brasileiro um ser humano sem precedentes, mas sem líderes de fato, sem propostas concretas, lutando contra a corrupção.

No meu entender, este é o pano de fundo.

Viver no Brasil não tem segredos

Viver o Brasil e no Brasil é coisa muito simples. Entender o país e seus problemas, suas mazelas e não comparar nada com aquilo que ficou para trás. Por mais idealista que seja não querer consertar nada e ninguém, mesmo que se tenha ideias geniais do primeiro mundo onde vivemos uma boa parte de nossas vidas.   

Por aqui encontra-se muito pouco aceitação. Let it be…

O país é lindo, o povo genial e uma natureza sem igual. Viver como é possível…

Uma pena… O sonho não foi em vão.

Simples e reto –  Nunca lamentar que as nossas muitas melhores ideias foram aplicadas no exterior, e não aqui, e algumas com absoluto sucesso.

Edilberto Luciano Mendes, morou nos EUA desde 1980. Visionário e idealista. Criou projetos ousados como a inclusão dos brasileiros no Census Americano, como uma etnia diferenciada de povos que falam português. Produtor executivo do Brazilian Day in N.Y e editor do jornal The Brasilians ,durante 30 anos. Um dos fundadores da ABI-Inter que aglutina a mídia brasileira no mundo. Vive atualmente em Belo Horizonte executando projetos culturais. edilbertomendes@gmail.com

 

Hora de voltar

Este mês, o Jornal B&B traz um assunto de difícil decisão para a maioria das pessoas que escolhem deixar o país de origem em busca do sonho de uma vida melhor em um país estrangeiro. O novo estatus de imigrante é de difícil assimilação; e a primeira dificuldade está em escolher o novo país. Fatores como idioma, facilidade de visto, clima, cultura, distância, custo são aspectos preponderantes para uma tomada de decisão. Na maioria das vezes, a opinião de um amigo, um parente, que já tenha imigrado anteriormente, acaba influenciando nesta escolha; e os novos imigrantes optam por um lugar que aparenta oferecer uma certa “segurança”.

Não importa o tempo: dias, meses ou décadas que levou alguém a decidir voltar ao país de origem. E, muito menos, os motivos que fizeram o indivíduo a desistir de seu sonho. Fatores como trabalho, saudade, visto, dificuldade de aprender a língua, saúde, educação, entre tantas outras experiências acabam a levar ao retorno.

Há casos de pessoas, que uma vez que não deram certo na primeira tentativa, regressaram imediatamente ao país natal. Estes geralmente sofrem pela falta de trabalho, visto, saúde, saudade ou aposentadoria. Enquanto, outros preferem se dar uma segunda chance na busca de um novo país como imigrante. Este segundo grupo geralmente escolhe mudar por discordar da cultura do país anterior, por diferenças ideológicas, pelo alto custo da moradia, da saúde, da educação, segurança, entre outros.

Sempre que se aborda este tema, a primeira impressão é que houve falta de persistência, erro de planejamento, falta de resiliência para aguentar a realidade do imigrante, entre outros aspectos negativos. Ou seja, conota uma sensação de derrota. Porém, quando nos aprofundamos mais sobre o assunto, entendemos que existem tantos outros motivos importantes e particulares que devem ser respeitados nesta decisão. Entre os mais relevantes são aqueles quando envolvem saúde, família e filhos menores de idade. Neste caso, o sentido de “derrota” perde para a responsabilidade.

Convidamos 3 personagens que viveram nos Estados Unidos por algum tempo e decidiram deixar o país. As razões de cada um são inúmeras e todas de igual importância. O objetivo deste artigo é compartilhar estas experiências para quem está nos EUA e tem dúvida entre ficar ou voltar; e aos que ainda estão no Brasil e tem o sonho de imigrar.

Não existe uma fórmula mágica de como proceder. A decisão, o motivo, o envolvimento familiar, a dificuldade, a falta de recursos financeiro fazem parte desta equação para que possa trazer felicidade.

Toda mudança é possível e nem sempre necessária.

Toda escolha resulta em um ganho e uma perda.

É preciso muita calma, pesquisa, planejamento, conhecimento do local que pretende morar, de preferência pessoalmente antes de decidir, coragem e determinação. Ter um plano B, caso não dê certo. Não se arrepender de arriscar e não se culpar caso não dê certo.

Acompanhe nas próximas páginas, a íntegra das experiências de Edilberto Mendes, Alice Mesquita e Luis Sombra.