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DEPRESSÃO

Luciana Bistane

Considerada o “mal do século” pela Organização Mundial de Saúde, a depressão afeta, em todo o mundo, cerca de 300 milhões de pessoas de todas as idades, e vem crescendo entre os adolescentes. A Covid-19 teve participação importante no aumento nessa faixa etária. 

Um estudo feito pela Universidade de Calgary, no Canadá, que teve a participação de mais de 80 mil jovens de várias regiões do mundo, concluiu que cerca de 25% deles apresentaram sintomas altos de ansiedade devido à pandemia e entre eles os sintomas de depressão duplicaram em comparação com estimativas feitas antes de 2019.     

Os fatores podem ser genéticos, biológicos, ambientais ou psicológicos. A intensidade pode ser leve, moderada ou grave. Um transtorno que afeta a capacidade de dormir, trabalhar, comer, se relacionar e nos casos mais graves pode levar ao suicídio. 

Segundo a Organização Panamericana de Saúde, cerca de 800 mil pessoas se matam por ano e o suicídio já é a segunda causa de morte entre pessoas com 15 e 29 anos. Sim, depressão é coisa séria. 

Quando o motivo é mais evidente, como a perda do emprego, luto na família ou trauma psicológico, é mais fácil identificar o problema. Mas em muitos casos, a depressão vai se instalando aos poucos. Os sinais são variados e nem sempre claros: um cansaço extremo, irritabilidade, angústia, pensamentos obsessivos, perda de apetite ou comilança exagerada, comportamentos compulsivos, problemas ou disfunção sexual, entre outros. A duração depende da pessoa, do motivo e de como a questão foi enfrentada. 

Embarcamos nesse tema para alertar sobre o problema. Uma dessas entrevistadas não quis ser fotografada, mas as duas abriram seus corações para compartilhar suas experiências. 

A corretora de imóveis Fabiana Oliveira chegou ao fundo do poço, mas conseguiu se livrar do sofrimento e está retomando a vida. A estudante Camila Brasil também conta como superou a pior fase. E em artigo assinado por ela, a psicóloga Eliana Barbosa dá várias sugestões que podem ajudar a enfrentar e vencer a depressão. 

Boa leitura!

Coisa de Louco!

Já foi o tempo de se rotular como “louco” um indivíduo que sofre de depressão. Quem pensa assim deveria ser taxado de preconceituoso ou ignorante. A ciência já avançou o suficiente para entender que a depressão é uma doença de difícil diagnóstico. E, apesar de não garantir cura completa, é um transtorno que pode ter bons resultados com terapias e uso de medicamentos corretos. 

Apesar disso, o difícil para o paciente acometido pela depressão é enfrentar a discriminação entre seus pares. Somente quem já passou pela experiência, -seja com episódios de depressão, ansiedade, bipolaridade, déficit de atenção, hiperatividade, síndrome do pânico, irritabilidade-, sabe a sensação de desespero em não conseguir manter o controle no momento do episódio.

Médicos apontam que os sintomas podem ocorrer por um desbalanceamento químico, formação genética, personalidade e fatores ambientais. Geralmente vem seguido de traumas como luto, parto, perda de emprego, separação conjugal, estresse e baixa autoestima. Seja o que for é muito difícil conviver com estas bruscas oscilações de humor, pânico, medo, euforia, tristeza e discriminação social. 

O assunto é complexo e preconceituoso. Convidamos 6 pessoas e somente 2 concordaram em participar da pauta. Agradeço a coragem de Fabiana e Carolina por compartilharem suas experiências com o leitor do B&B. 

Boa leitura.

Criptomoedas podem revolucionar os investimentos em cidades americanas

Ilton Caldeira

Um novo capítulo na história das moedas virtuais está surgindo no horizonte: as criptomoedas lançadas por governos locais. A primeira iniciativa do gênero foi apresentada no início de agosto pela cidade de Miami, na Flórida (EUA). A MiamiCoin é a primeira CityCoin lançada com o objetivo de apoiar projetos de interesse público na Magic City (apelido da cidade) com a possibilidade de gerar lucros aos investidores por meio da valorização desse ativo.

Em sua essência, uma criptomoeda é o equivalente a dinheiro digital descentralizado, projetado para ser usado na internet. O Bitcoin, lançado em 2008, foi a primeira divisa virtual e continua sendo de longe o ativo mais popular nesse segmento. Mais de uma década depois, o Bitcoin e outras criptomoedas cresceram e ganharam presença nos mercados mundiais como alternativas digitais ao dinheiro emitido pelos Bancos Centrais.

A moeda virtual de Miami, ainda em fase inicial, prevê que cerca de 30% dos ativos sejam direcionados para uma carteira específica para uso em investimentos na cidade. Os investidores, por sua vez, seriam remunerados via Bitcoins. Além de Miami, a cidade de San Francisco, na Califórnia, também prepara o lançamento de uma iniciativa nos mesmos moldes, com sua própria CityCoin.

O movimento capitaneado da Flórida pode se espalhar rapidamente pelos EUA. Miami e o próprio condado de Miami-Dade, onde a cidade está localizada, estudam ampliar o uso de criptomoedas para permitir que os cidadãos paguem impostos utilizando ativos virtuais conversíveis em dólares e que funcionários públicos sejam remunerados por meios da moeda local. Para isso, uma força-tarefa foi criada com 13 membros locais para examinar a viabilidade de permitir que os residentes paguem seus impostos municipais, bem como taxas e serviços, usando moedas digitais.

Especialistas em finanças nos EUA avaliam que especificamente no caso de Miami a criptografia poderia ser atraente para os residentes devido à grande população da cidade ser oriunda de outros países. Como a criptografia é armazenada em carteiras digitais e não está vinculada a um país específico, os investidores estrangeiros e residentes não precisariam pagar taxas de câmbio para mudar sua moeda local para o dólar e vice-versa.

Mas para que essas propostas ainda nascentes possam de fato conquistar terreno e diversos “cripto hubs” se espalharem, questões legislativas e regulatórias precisam caminhar em paralelo. Para avançar com seus projetos, Miami não pode fazer isso sem que o poder legislativo do estado da Flórida aprove um pacote de leis pró-criptografia.

Miami tem como vantagem sobre outros centros de criptografia emergentes, até mesmo Wyoming, que já tem leis estaduais de suporte à criptografia, ser uma cidade internacional com uma infraestrutura bancária desenvolvida, e ter capitalistas de risco e indivíduos com alto patrimônio interessados ​​em financiar a inovação e o mercado de ativos digitais.

Todos esses pontos são importantes, mas a clareza e a segurança jurídica são questões centrais para que esse ambiente financeiro aflore de fato. A maior parte do trabalho jurídico precisa acontecer no nível federal. O foco maior na discussão atual em Washington está voltado para o combate à lavagem de dinheiro, uma melhor cooperação internacional entre os diversos governos nacionais (países) e subnacionais (Estados, condados e cidades), a recuperação de ativos e uma estrutura bem azeitada de fiscalização tributária. 

As criptomoedas nasceram em território livre e sem amarras regulatórias, mas em um ambiente mais seguro e com regras claras é provável que se tornem mais presentes nos serviços financeiros, com mercados emergentes acelerando a utilização desses ativos, assim como os mercados mais desenvolvidos expandindo e criando novos produtos de financeiros baseados nesses ativos.

“Coloco minhas fichas no Texas”

Alex Colombini

Baiano de Jequié, Alex Colombini, 43 anos, trocou o Brasil pelos Estados Unidos há 15 anos. Mesmo antes da pandemia, em 2017, seduzido pelo bom clima da Flórida, trocou Boston por Orlando. E diz que está muito satisfeito com a mudança. 

“Em Boston e região norte o inverno é longo e rigoroso. Aqui as crianças aproveitam o clima o ano inteiro e podem fazer atividades ao ar livre” – diz ele.

Nos Estados Unidos, o casal Alex e Fernanda teve 3 filhos, Alex Jr, Giovanna e David, hoje com 13, 12 e 6 anos. A alteração – pra melhor – na rotina da família, não atrapalha em nada a vida profissional do pai, que incorporou o home office. Formado em Direito, ele é dono do Jornal dos Sports, que existe há 29 anos; e de uma agência de publicidade. Não consegue se beneficiar do pagamento menor de impostos porque as empresas continuam em Massachussetts, mas garante que o trabalho remoto está dando super certo:  

“Trabalho nas áreas de jornalismo e publicidade, com uma equipe incrível: jornalistas, distribuidores de jornal, diagramador, design gráfico; uma equipe muito boa que facilita bastante o trabalho à distância. Mas o contato olho no olho e o cafezinho com o cliente tem um peso muito forte, por essa razão vou a Boston duas vezes por mês. Quando estou em Orlando, trabalho pelo telefone e internet. A pandemia potencializou ainda mais o trabalho remoto; atendo muitos clientes via vídeo conferência. Com internet e uma boa equipe é possível trabalhar à distância e fazer um trabalho de qualidade, atingindo o objetivo final que é atender com excelência nossos anunciantes e leitores”. 

Atento às novidades, ele tem acompanhado com interesse essa onda de tecnologia que chega a Miami, mas não concorda que a região será o novo Vale do Silício. Acredita que por trás há uma jogada de marketing muito forte. Sua aposta é outra: “Coloco minhas fichas no Texas, que também está nessa briga por esse título de Novo Vale do Silício”.

“Orlando deve focar no turismo mesmo que já está consolidado e tem grande estrutura para isso” – ele conclui.

Orlando está na “corrida” para a tecnologia

Eraldo Manes Junior

Orlando já sente os reflexos da nova febre tecnológica que toma conta de Miami?

Eraldo Manes: A onda migratória que acontece nos Estados Unidos, formada por pessoas procedentes de estados como Califórnia, Texas, Nova York com destino à Flórida  não é algo exclusivo de Miami. Claro que Miami leva uma vantagem geopolítica entre as demais cidades do Estado, por dispôr de infraestrutura que favorece diferentes indústrias, como: comércio, negócios, finanças, transportes, saúde, turismo, etc. Miami tem porto, aeroportos, serviço alfandegário, excelentes rodovias, emprego, vida noturna, lazer, cultura, hospitais, escolas e praias. 

A cidade funciona como um hub que liga os EUA às Américas Central e do Sul, Europa e África; e atrai turistas do mundo inteiro. Especula-se que Miami pode se tornar o novo polo de tecnologia no país, semelhante ao que aconteceu nos últimos 40 anos na região conhecida como “Vale do Silício”, na Califória, que liga as cidades de San Jose a San Francisco, berço de empresas como Apple, Google, Ebay, Oracle, Tesla, Air BandB, Uber, Instagran, Yahoo etc. Apesar disso, Orlando está competindo fortemente nesta corrida.

Segundo a associação de corretores de Miami, os preços estão subindo com o aumento da procura?

Eraldo Manes: Sim, é fato que a pandemia do Covid-19 trouxe uma revolução nos costumes. O isolamento proporcionou a experiência do trabalho remoto. Logo, as empresas perceberam maior satisfação dos empregados, menor desperdício em deslocamentos, e maior produtividade. A logísitca foi então transferir esta mão de obra qualificada de estados com alto custo de vida e impostos, para estados menos onerosos, como a Flórida, que era tradicionalmente conhecida por receber turistas e público da Terceira Idade. 

Agora, a Flórida atrai perfis como “baby boomer”, “geração Y” e “millennium”. Apenas para efeito comparativo, de acordo com o site Zillow, uma casa de 1960 sq/ft, de 4 quartos, 2 banheiros construída em 1965, em San Carlos, Califórnia tem um valor estimado de $2,383.200. Com $700,000 é possível comprar uma casa nova, em Lake Nona, Orlando, Florida, com 2,952 sq/ft, com 4 dormitórios, 4 banheiros e piscina.  

Quais os benefícios e as desvantagens que esse momento pode trazer? Valorização dos imóveis para quem pretende vender?

Eraldo Manes: Isto já vinha acontecendo antes da pandemia. Em 2019, o déficit imobiliário nos EUA já era de, aproximadamente, 4 milhões de unidades. A pandemia também contribuiu para o aumento do preço da madeira de construção e a escassez de material de acabamento. Em 2010, uma casa que demorava entre 4 a 7 meses para ser construída e cumpria com o material do memorial descritivo, atualmente, os grandes construtores acabam utilizando materiais similares para entregar a obra entre 9 e 12 meses prometidos. 

O juro baixo para financiamento da casa própria é outro fator relevante para estimular o boom imobiliário nos últimos 5 anos. Isso torna o mercado favorável para o vendedor e complicado para o comprador. Com poucas casas à venda e muitos interessados, os preços sobem muito. No mercado de imóveis novos, é comum os interessados ficarem em lista de espera. Quanto aos usados, acaba ocorrendo uma “disputa” para conseguir que uma porposta seja comparada com outras 5 ou 10 oferecidas pelo mesmo imóvel. 

Maior difícil acesso à moradia para as classes de renda inferior? 

Eraldo Manes: Os tipos de financimanto da casa própria nos EUA são na forma de cash, ou através de financiamentos: convencional, FHA e VA. A primeira opção, fica geralmente para os investidores, enquanto as formas de financiamentos são adequadas a pessoas com estabilidade de emprego, bom histórico de crédito e aporte financeiro para entrada e custos de escritura. 

O FHA (Federal Housing Administration), programa que recebe subsídio do governo, chega até 96% do valor do imóvel e é oferecido para pessoas com crédito moderado. 

Os modelos VA são subsidiados para atender veteranos do serviço militar. Famílias de baixa renda, -que ganham menos de $30,000 por ano, no estado da Fórida,- acabam não qualificando para nenhum destes programas. 

O governo local do Orange County tem mostrado alguma iniciativa de criar moradia para público de baixa renda. Algumas áreas abandonadas da cidade, que ficam no entorno do downtown de Orlando, já recebem projetos que incluem comércio no piso térreo, apartamentos verticais, área de lazer e cultura para incluir a população mais carente.

Qual a sua mensagem para quem está pretendendo investir em imóveis, nesse momento? 

Eraldo Manes: No primeiro semestre de 2021, registraram-se vários negócios que receberam múltiplas ofertas logo depois de serem listados no mercado. Com previsão de inflação alta para 2021 e juros baixos com possibilidade de subida, a corrida para o investimento em imóveis foi enorme. Entretanto, já existe uma sinalização de estabilidade de preços no mercado de Orlando. Até o fechamento desta edicão, o MLS (Multiple Listing System) já mostrava um recuo nos preços de 1.5% em algumas propriedades listadas no mês de agosto. No dia 31 de julho, terminou o prazo da moratória que o governo americano havia oferecido para inquilinos se manterem em suas residências. De posse de seus imóveis, alguns proprietários estão preferindo vender suas propriedades para aproveitar os preços altos, do que relocá-los. 

Ainda é um bom negócio ou os preços já não estão tão convidativos?

Eraldo Manes: Qualquer coisa que disser é somente uma opinião. Empresas como Amazon, Walmart -que instalaram centros gigantes de distribuição de mercadorias por venda online-; a Disney promete relocar seus funcionários da Califónia na região da Flórida Central; o contínuo crescimento da Universidade da Central Flórida, -com mais de 60 mil alunos para o ano de 2021-, a migração natural de americanos mencionada nesta pauta levam a crer em um momento de celebração. Diferentemente de Miami, Orlando tem muito espaço para crescer. Com excelente infraestrutura de vias de acesso, novas escolas e hospitais vão continuar impulsionando a pujança do mercado imobiliário nas imediações como Kissimmee, Winter Garden, Windermere, Celebration, Davenport, Clermont, Minneolla, Oviedo, St. Cloud, Poinciana, Haines City, Winter Springs, entre outras preferidas pela classe média. 

Com o fim da pandemia, a Flórida deverá retomar o mercado do Turismo e voltar a atrair investidores no mercado imobilário como os asiáticos, latinos e brasileiros.

Eraldo Manes é paulistano, formado em Comunicação Social. Vive em Orlando há mais de 30 anos.

É fundador e publisher do Jornal Brasileiras & Brasileiros. (1994-2021).

Ex-presidente da Central Florida Brazilian American Chamber of Commerce (2016-2018); sócio fundador da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (2006-2021).

É Corretor de imóveis, licenciado pelo estado da Flória, e é Sales Agent na Pointon Realty. 

eraldo@pointonrealty.com

Buddy Dyer empenha-se para diversificar a economia em Orlando

Prefeito de Orlando Buddy Dyer

Orlando está num novo epicentro tecnológico. As cidades da Flórida já formam um centro financeiro que atrai investimentos estrangeiros de todo o mundo, principalmente da América Latina. Agora, estão trazendo startups de tecnologia e pessoas conectadas ao mundo da tecnologia. Orlando segue esse movimento?

Buddy Dyer: Como cidade, uma das nossas prioridades é abrir o caminho para o sucesso de empreendedores e start-ups, cuja profundidade de experiência e engenhosidade é um fator chave para o nosso sucesso como região. A cidade de Orlando está se esforçando para se tornar a principal cidade preparada para o futuro da América. Ser uma cidade preparada para o futuro significa estar preparado para aproveitar as vantagens dos avanços tecnológicos que vêm em nossa direção. Isso significa diversificar nossa economia e estabelecer novas empresas e carreiras com foco em inovação e tecnologia. À medida que essa indústria cresce em todo o estado, isso pode significar mais recursos para a indústria, mais empregos para o estado e um crescimento que irá melhorar a qualidade de vida dos residentes.

A pandemia do coronavírus afetou em cheio o setor de turismo e Orlando, um dos destinos mais visitados do mundo, sentiu os efeitos da crise.  Um fator a mais para o prefeito democrata Buddy Dyer, no cargo desde 2003, empenhar-se em diversificar a economia da Flórida Central. 

“Para isso, Dyer quer atrair novas empresas e aposta no setor de tecnologia – que gera empregos bem remunerados. Aqui, o prefeito de Orlando explica o já foi feito até agora e como espera concretizar o objetivo de firmar a cidade no mapa tecnológico mundial.

O governo da cidade de Orlando está criando incentivos para trazer empresas de tecnologia para a área? A cidade de Orlando tem interesse em se consolidar nessa área? 

Buddy Dyer: A cidade de Orlando criou recentemente o STRIVE Orlando Program (Strategic Targeted Recruitment Incentive for Valued Employment) para incentivar empregos com salários altos e medianos em setores específicos, sendo o de tecnologia um desses setores. Além disso, o Orlando Downtown Development Board aprovou recentemente um programa para incentivar empregos de alto valor e altos salários criados por empresas que se mudaram ou se expandiram no centro de Orlando. Orlando é um lugar que promove inovação, tecnologia e empreendedorismo. Construir um ecossistema mais forte para tecnologia e startups tornou-se uma prioridade para toda a nossa comunidade. À medida que esta indústria cresce na cidade, ela melhora nossa comunidade ao trazer empregos de alto valor e salários elevados para a região, um desenvolvimento significativo e impactante, e nos coloca no mapa como um centro de tecnologia de classe mundial.

Miami 2.0

Carlo Barbieri

Miami e Orlando sempre atraíram muitos turistas, jovens americanos em busca de praia e calor, muitos latino americanos e investidores estrangeiros. Não é de hoje que Miami é um consolidado centro financeiro; agora desponta como um novo polo de tecnologia, chega a ser comparada ao Vale do Silício, na Califórnia. Quais os motivos, na sua opinião?

Carlo Barbieri: Com a pandemia, muita coisa foi colocada em perspectiva e, muitos técnicos e mesmo empresas, se mudaram para estados vizinhos ou para a Flórida, que historicamente, era uma região referência nos mercados de entretenimento, imobiliário e turismo. E fatores macroeconômicos, incentivos governamentais e descentralização do mindset do Vale do Silício conspiram a favor de uma Miami 2.0.

São Francisco era incrível. O Vale do Silício e São Francisco se tornaram o epicentro da revolução tecnológica que mudou o mundo. Mudar-se para São Francisco foi como o Gold Rush de novo.

Agora, com a decadência econômica da Califórnia, altos impostos e alto custo de vida, o qual consequentemente resulta em salários mais altos que de outros estados para as empresas, esta realidade mudou. Ficou um local com pouca higiene e altos custos.

Empresas de tecnologia geram empregos. Além dos investidores que pensam em abrir uma startup, quem mais deve estar atento a esse movimento?

Carlo Barbieri: Nos últimos anos, vimos um aumento na economia dos “creators”. Junto com a explosão de NFTs e tecnologia blockchain, você já nota uma intersecção entre tecnologia, criatividade e arte que faz parte de um renascimento cultural.

Miami tem acesso direto a esse tipo de criatividade, já que Miami Art Basel é uma das principais feiras de arte do mundo, e traz até 4.000 artistas e mais de 260 galerias internacionais. A indústria criativa e das artes de Miami pode se beneficiar muito bem desse movimento.

No que tange a tecnologia, Orlando já tenha se tornado uma referência em outras áreas, fora entretenimento, nas áreas de medicina, tecnologia e até mesmo produção cinematográfica.

Seguramente os setores dependentes de IA (Inteligência Artificial), devem e precisam ficar atentos, pois são os principais beneficiários desta nova realidade na Flórida em geral e nestas cidades em particular. 

Um pequeno investidor consegue entrar nesse mercado? O que seria uma quantia modesta e mínima para se arriscar nessa

Em Orlando, por outro lado, a UCF Technology Incubator ajuda a desenvolver startups, e a The Hispanic Business Initiative Fund Florida fornece assistência bilíngue a aqueles que tentam estabelecer ou expandir seus negócios na área?

Carlo Barbieri: O estado da Flórida e, em especial, as cidades de Miami e Orlando, oferecem inúmeros incentivos e ajudas para quem quer começar um negócio. Só para dar uma ideia, Miami Beach oferecerá entre US$ 180.000 e US$ 240.000 para cada empresa qualificada que pretende criar novos empregos na cidade, e também, uma startup qualificada e focada em pesquisa e desenvolvimento pode usar um crédito contra US$ 250.000 por ano em impostos sobre a folha de pagamento. As empresas podem reivindicar o crédito mesmo que não paguem imposto de renda e independentemente de sua rentabilidade.

Em Orlando, por outro lado, a UCF Technology Incubator ajuda a desenvolver startups, e a The Hispanic Business Initiative Fund Florida fornece assistência bilíngue a aqueles que tentam estabelecer ou expandir seus negócios na região. A Florida High Tech Corridor Council também ajuda a desenvolver negócios de tecnologia da Flórida. O Programa BANC (Business Assistance for Neighborhood Corridors) do Condado de Orange fornece subsídios para pequenas empresas locais.

E, também existe o SBA (Small Business Administration). Um dos programas é Small Business Innovation Research (SBIR) e Small Business Technology Transfer (STTR), A Enterprise Florida também oferece o SBIR/STTR Phase 0 Grant Program. O SBA também oferece o 504 Loan Program, que ajuda empresários a encontrar lenders para fornecer um empréstimo ao negócio, tudo com o apoio e recomendação do SBA.

O prefeito de Miami, Francis Suarez, embarcou nessa ideia e fez campanha para que realmente o novo polo faça jus à comparação com o Vale do Silício. O senhor acredita que essa onda tecnológica diminuirá no curto prazo, é mais uma jogada de marketing, ou, é realmente promissora e veio para ficar?

 Carlo Barbieri: A pandemia continuou a ter um efeito borboleta nas migrações domésticas nos Estados Unidos, da Califórnia e Nova York  à Flórida. Cerca de 10-12 mil driver’s licenses estão transferidas do estado de New York para a Flórida, mensalmente.

De dezembro de 2020 a janeiro de 2021, Miami registrou uma migração líquida de 145%, enquanto a região da Área do Vale do Silício-Baía registrou migração líquida de -47,2%. Houve 40% mais mudanças para Miami do que fora de Miami em 2020 e 2,3 vezes mais pessoas se mudaram da Área da Baía de São Francisco em 2020.

A Flórida é um dos 9 estados que não cobram imposto de renda estadual. É significativo para um investidor que quer se aventurar por aqui? 

Carlo Barbieri: Muitos investidores que fogem do Vale do Silício estão se mudando para estados que não tributam renda pessoal, incluindo Flórida, Texas e Washington. Os impostos podem fornecer a alguns investidores uma nova razão urgente para deixar a Califórnia, particularmente se eles tiverem grandes ganhos, incluindo os obtidos no mercado de ações, por exemplo. Califórnia tem a maior taxa marginal de imposto de renda para pessoas físicas no país, que vai até 13,3%, para quem ganha em torno de $500,000.  

Como esse movimento de migração chega a fortalecer a Flórida, como um todo? Tampa e Orlando, por exemplo, podem ser beneficiadas? De que maneira? 

Carlo Barbieri: Orlando recentemente sediou o desenvolvimento de novos negócios com a Digital Orlando, e Tampa é o lar da Synapse, uma comunidade de inovação da Flórida que traz pessoas em tecnologia em todo o país para dois dias de seminários e oportunidades de networking.

A paisagem da Flórida é vibrante e diversificada e recentemente Tampa Bay foi classificada como uma das 40 principais cidades dos EUA para empreendedores e o mercado mais bem classificado para empresas de propriedade feminina.

O mercado imobiliário sentiu os reflexos dessa nova febre – as ofertas estão escasseando e os preços aumentando, e antigos moradores estão recebendo ordem de despejo porque os proprietários querem vender o imóvel – segundo a associação de corretores de imóveis. O que isso pode gerar a médio prazo, levando em consideração que Miami – uma cidade muito desigual – já vive uma crise histórica de moradia? E Orlando que tem o mesmo boom?

 Carlo Barbieri: É uma abertura que tem imóveis do sul da Flórida salivando. Desenvolvedores, corretores e proprietários de escritórios estão antecipando esse Gold Rush das Big Tech que se basearia no sucesso recente que Miami teve com empresas financeiras. 

Na parte imobiliária residencial, o aumento foi muito alto e poderá haver um reajuste nos preços imobiliários, mas não sofrerá como em 2008. Pessoas se deslocando do norte e com as taxas de juros muito baixas gerou uma maior demanda para casas, mas vamos ver logo em breve uma equilibrada nesses valores. 

Miami tem um problema de espaço, não existe muito mais para onde crescer mas não chega a ser como San Francisco que é bem mais apertada. Em Orlando, isso não é bem a realidade, pois há bastante terreno para se expandir dentro da cidade e principalmente nas suas redondezas.

Carlo Barbieri é consultor, jornalista, analista político, palestrante e educador, empreendedor, ativista cívico e líder de muitas organizações relacionadas ao Brasil, seu país de origem e CEO do maior grupo de consultoria para brasileiros nos EUA, o Oxford Group.

Formado em Economia e Direito com mais de 60 cursos de especialização no Brasil e no exterior, cursos estes realizados em diversas Instituições, como: Fundação Getúlio Vargas, Universidade Federal de Brasília, Universidade Mackenzie, Sorbonne, University of Chicago, Harvard e Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Flórida: península do Silício

Luciana Bistane

Miami tem levado a fama de “novo Vale do Silício”, mas não está sozinha na intenção de transformar a Flórida num polo global da indústria tecnológica. As políticas do governador Ron de Santis incentivando as empresas a migrarem para o estado e os altos custos operacionais na Califórnia estão colocando também Orlando e Tampa nesse mapa tecnológico. 

Miami leva a vantagem de ter praia e porto – o que favorece as importações e exportações. Em compensação, Orlando, por exemplo, tem espaço para crescer, o metro quadrado é mais barato e muitas empresas como a Amazon e a Tesla já têm na cidade depósitos de distribuição de produtos.

Mas como nem tudo são flores, acaba trazendo também efeitos indesejados, como o aumento dos preços de imóveis.” 

Os prefeitos também estão empenhados. O de Miami, Francis Suarez, vem proporcionando eventos e oferecendo incentivos para atrair startups e se refere a cidade como “Miami 2.0”. O de Orlando, Buddy Dyer, conversou com a gente e garante que “construir um sistema mais forte para a tecnologia se tornou prioridade”.

E a disputa pelas empresas de tecnologia tem outro concorrente de peso: o Texas, com a economia praticamente livre de regulações, inserida no conceito de não interferência do Estado, defendida pelo partido Republicano. 

Elon Musk, dono da Tesla e gigantes do setor, como a Oracle e a Hewlett-Packard, se mudaram para Austin, a capital do estado que já vem sendo chamada de Sillicon Hill´s – a Colina do Silício. Pelo visto, a briga é boa e vai render muitos frutos ainda.  

Mas, o que tudo isso tem a ver com os moradores dessas cidades? Por quê o B&B entrou nesse assunto? A resposta é simples: esse boom tecnológico movimenta a economia, o fluxo de pessoas, gera empregos mais bem renumerados e está criando novos nas áreas de logística, armazenamento e transporte de cargas. Mas como nem tudo são flores, acaba trazendo também efeitos indesejados, como o aumento dos preços de imóveis. 

O corretor de imóveis, Eraldo Manes, mostra quais os reflexos desse boom no mercado imobiliário. O economista, Carlo Barbieri, indica os setores que devem estar antenados para surfar nessa onda tecnológica e dá o caminho das pedras para os pequenos investidores que querem entrar nesse mercado. E o empresário, Alex Colombini, dono de jornal, que trocou Boston por Orlando, aponta os fatores fundamentais para que o trabalho remoto dê super certo.

Bater não resolve

Eraldo Manes

Um palavrão, um castigo rigoroso, uma humilhação em público podem traumatizar uma criança mais que uma palmada? Nem me atrevo a opinar. Neste assunto polêmico: “A Difícil Tarefa de Educar Filhos” é melhor para especialistas responderem. Não é um tema fácil. Na prática, fica muito difícil usar a teoria que aprendemos. Sabemos o que devemos e não devemos fazer, e ainda assim, vamos errar. Seres humanos são imperfeitos e muitas vezes se excedem na hora “H”. 

Gerações estão em constante mutações, culturas idem, ciência também. Comparar diferentes formas de educação dos nossos antepassados, da nossa e dos nossos filhos é chover no molhado. De modo geral, os pais sempre pensam em acertar na hora de melhor educar seus filhos. O importante é manter o bom senso e recorrer à ajuda de profissionais, livros, familiares, educadores para se manter atualizado na tarefa de educar um filho. Confira a opinião da psicóloga e de algumas mães que participaram da enquete.

Nesta edição, agradeço e dou as boas vindas a Ilton Caldeira, jornalista com larga experiência em Economia, que vai dividir suas análises com nossos leitores e fazer parte do time de colaboradores do B&B, que “vestem a camisa” há décadas, e nos brindam mensalmente com suas opiniões. 

Boa leitura!

A difícil tarefa de educar filhos

Luciana Bistane

Filho não vem com manual de instrução, também não existem cursos que ensinem pais a educá-los. E quando a gente se depara com birra, falta de atenção ou atitudes que recriminamos, o que fazer? 

As gerações anteriores adotavam o castigo, o grito, a surra. Os adultos que tiveram pais bravos não se tornaram, obrigatoriamente, pessoas ruins, é verdade. Mas, os especialistas ensinam que um tapinha dói sim, e que castigar não é sinônimo de educar. As agressões físicas ou verbais marcam uma criança e podem trazer consequências, como deixá-los agressivos ou antissociais. 

Se o objetivo é impor limites – que eles tanto precisam – e ensinar como enfrentar conflitos, ter responsabilidade, respeitar o próximo e ser boas pessoas, as novas linhas de pedagogia ensinam o caminho.

Primeiro de tudo: a criança tem que entender o porquê da sua atitude ser recriminável; quais as consequências dos seus atos. Já os pais devem procurar saber porque o filho agiu daquela maneira. Queria chamar atenção? Está infeliz ou incomodado com algo? Está disputando com os irmãos? Ou está fazendo birra porque apenas está com sono, com fome, ou com algum outro desconforto físico ou emocional?

E para isso não há outra opção a não ser uma boa conversa, de preferência, num tom afetuoso para que a criança se sinta acolhida, só assim ela vai entender que apesar dos pais não terem gostado do modo que agiu, os sentimentos em relação a ela não mudaram.   

Se a criança estiver muito irritada, nervosa, descontrolada, o melhor é um abraço. Nada como um abraço para acalmar a situação e só aí, então, ter uma conversa, mantendo contato visual, se colocando à altura dela.

Para isso, os pais também precisam se preparar para não reagir intempestivamente. Nada como respirar e pensar um pouco antes de qualquer reação. E, claro, educar também exige paciência. Sim, talvez seja preciso repetir várias vezes a mesma mensagem. E o mais importante, exemplos valem mais do que sermões.

Para tratar desse assunto, o B&B deste mês ouviu a arquiteta Cláudia Sucena Patat e a bailarina Joice Henry. Elas contam como enfrentam os eventuais conflitos que surgem com os filhos. Em artigos assinados por elas, a pedagoga Renata Loyola, mãe de 3 filhos, e a psicóloga Gabriela Ribeiro Filipouski, especialista em crianças e adolescentes, também dão dicas importantes de como educar crianças saudáveis emocionalmente.

Boa leitura! 

A cultura do terror

A extorsão,

o insulto,

a ameaça,

o tabefe,

a bofetada,

o golpe,

o açoite,

o quarto escuro,

a ducha gelada,

o café da manhã 

obrigatório,

a comida obrigatória,

a proibição de sair,

a proibição de dizer o 

que pensa,

a proibição de fazer o 

que se sente,

a humilhação pública

são alguns dos métodos 

de penitência e tortura 

tradicionais na vida 

de família. 

Para castigo da 

desobediência e 

escarmento da 

liberdade, a tradição 

familiar perpetua uma 

cultura do terror que 

humilha a mulher, 

ensina os filhos a 

mentir e contagia a 

peste do medo.

Os direitos humanos 

teriam que começar 

em casa.

(Do livro “O livro dos abraços”, 

do escritor uruguaio Eduardo Galeano)