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Autismo: seus aspectos e seus espectros

Luciana Bistane

Chegar ao diagnóstico já é um grande desafio. Pra começar, o autismo não é uma doença, é um transtorno, com vários espectros, que vão do mais leve ao mais severo. Já se sabe que a descoberta precoce faz toda a diferença para a criança, se houver um acompanhamento adequado, com médico, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, psicólogo e pedagogo. Mas, não é fácil levantar essa suspeita, especialmente para as mães de primeira viagem, sem filhos mais velhos para comparar o comportamento das crianças. 

Também não existem exames laboratoriais ou de imagem que ajudem a identificar o autismo. Pra complicar ainda mais, o desenvolvimento físico é o esperado, o que vai chamando a atenção, no início, são sinais discretos e que podem confundir, como um atraso para dizer as primeiras palavras, uma demora para atender chamados. Com o tempo, podem surgir transtornos de linguagem, repetição de movimentos e palavras e, em casos mais sérios, apatia ou inquietação exacerbada e até gestos violentos.   

O autismo costuma ser identificado entre 1 a 3 anos. O TEA evidencia algumas características comuns, mas cada indivíduo apresenta habilidades e dificuldades próprias. A comunicação, a adaptação e a capacidade de aprendizado podem ser afetadas. A forma classificada como baixa funcionalidade exige tratamento para a vida toda. Na média funcionalidade, a pessoa tem dificuldade de comunicação e repete movimentos e comportamentos. Na alta funcionalidade, o portador pode estudar, trabalhar, constituir família.

As pesquisas sobre o autismo começaram na década de 1940, mas as causas ficaram nebulosas por décadas. Somente nos anos 1980, os cientistas chegaram a conclusão que o transtorno é ligado a falhas no desenvolvimento neurológico, que podem ser provocadas por disfunção metabólica ou anomalias cromossômicas. 

A organização Mundial de Saúde estima que o autismo afete 70 milhões de pessoas no mundo todo. Nos Estados Unidos, de acordo com o Centro de Controle de Doenças e Prevenção, uma em cada 59 crianças apresenta traços de autismo.   

Um tema que o B&B aborda nessa edição por considerar importante a divulgação de informações que contribuam para o bem dessas crianças e das famílias que enfrentam o desafio de acompanhá-las nessa jornada da vida. 

Ouvimos quatro mães de crianças no espectro autista. A enfermeira Kalina Barros Cysneiros chama atenção para a importância do diagnóstico precoce. A empresária Adriana Almeida Matos conta sobre as dificuldades que enfrentou até chegar ao diagnóstico do filho Jonathan. A farmacêutica bioquímica Regina Maki Sasahara revela sua estratégia para manter a família unida e resguardar a harmonia do casal. E a especialista em marketing, Renée Lobo dá o caminho das pedras para uma viagem especialíssima para as famílias especiais.

“Me esforço para dar minha opinião com calma”

Monique Vasconcelos

Para Monique se tornar avó “foi renascer”. E com Camille veio a certeza: “a função de uma avó é levar aos netos beleza, poesia, encantamento e, sobretudo, alegria”. 

“Viver é uma chance única, e deve ser aproveitada com todo vigor. Esta foi a mensagem que meus pais me passaram. E é a minha mensagem para meus netos”, ressalta.

Como fazer isso? 

Ela dá um exemplo: 

“Comprei uma tenda e mandei fazer um colchãozinho. Cobria a tenda com um cobertor para ficar bem escurinho. A partir dos 6 meses, ela começou a dormir no nosso quarto, na tenda, sobre o chão. Na hora do sono, introduzi um cd de músicas clássicas, adágios, porque são calmas. Ela criou gosto musical e passou a mergulhar no sono com rapidez”.

Quando os netos Camille e Lucas foram crescendo, a avó passou a recitar poemas, sempre de Manuel Bandeira, porque, segundo ela, “são sonoros e muitos deles são ótimos para crianças”.

As historinhas eram adaptadas para o contexto das crianças e “a gente vivia cada uma delas brincando”, Monique lembra e segue dando exemplos de como encantar a criançada.  

“Um dia, resolvemos fazer um museu no escritório de casa, com tudo de estranho que havíamos encontrado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Nossa! Como a gente aproveitava!!!”

“Outra farra  era o banho. Descobri bolas que coloriam a água da banheira. Eles ficavam fascinados. Com todas estas atividades, nossa relação foi criando raízes profundas”.

Vó à distância 

Camille e Lucas imigraram para Orlando, a menina com 6 anos e ele com três. 

“Foi um baque” – assim ela define esse momento. Teve que reinventar a relação e nada mais atual do que uma avó recorrer ao facetime, recurso que passou a ser utilizado todo domingo. Mas não costuma segui-los nas redes sociais para “poupá-los do mico perante os amigos”.

“Quando nos revemos em Orlando é uma festa! Vamos ao teatro, colhemos laranjas, fazemos Madeleine – biscoito francês, seguindo o Youtube. Quando me despeço deles para retornar ao Rio, digo: “Logo, logo vovó estará de volta. Aproveitem bastante a vida .” 

Monique se considera uma avó à moda antiga, que “se preocupa em transmitir valores e hierarquia”. E diz: “na casa deles, quem manda são os pais. Na educação deles, quem manda são os pais. Quando estão na minha casa, quem manda sou eu. Mas, não faço todas as vontades deles não, e imponho limites”. 

Quando discorda dos pais procura ser diplomática: “me esforço para dar minha opinião com calma”, mas não deixa de se posicionar.

“Procuro ser uma avó atual, seguir os conceitos do mundo atual, complexo e plural. Quanto a alegria de viver, esta não custa um tostão. Ela é simples, é clássica! Nunca sai de moda”, ela conclui.

“Nossa função é ajudar com a experiência e a maturidade”

Rosana Almeida

A empresária, Rosana Almeida, mora em Orlando, há mais de 20 anos e nunca deixou de trabalhar. Vive ocupada, mas sempre acha tempo para o neto Lucas. 

“Meu neto me fez voltar ao tempo: brincamos de massinha, pinturas, vemos desenhos animados e agora ele está aprendendo as bandeiras,  está com 4 anos, mais esperto, já demostra mais interesse”.

Rosana entende quem não quer ou não pode ser “avó full time”, mas para ela ser avó tornou-se sua prioridade. 

“Não deixo minha vida profissional mas, não abro mão de acompanhar o crescimento de meu neto Lucas, que amo de paixão” – se declara. 

Lucas tem 4 anos é uma relação “incrível” com a avó, segundo ela:    

“ Me liga pelo I cloud, quer sempre estar em casa, e sempre dou um jeito, encontro tempo para levar e buscar na escola, ficar com ele, levá-lo para dormir em casa. Durante a pandemia, o ensinei a nadar. Temos uma relação muito próxima”.  

E ao contrário de muitas avós que trabalham e se sentem culpadas, ou, ficam tristes quando não podem ajudar os pais nos cuidados com os filhos, Rosana é bem resolvida. “Minha filha e meu genro até me protegem quando percebem que estou ocupada e não posso ficar com o Lucas, eles me poupam. Não há ressentimentos por parte deles, nem culpa da minha parte”.

Quando discorda dos pais da criança, espera um momento oportuno e se manifesta: “dou minha opinião e eles decidem. Minha filha, às vezes, não gosta, mas escuta, analisa com o marido. Aliás, acredito que é nossa função ajudar com nossa experiência, maturidade”.

Rosana segura o neto Lucas enquanto compartilha a foto com os bisavós do menino
Com 4 anos de idade, Lucas já demonstra aptidão para as Artes
Vovó Full Time

Recylda Passos

Me considero uma avó tradicional e coruja. Acompanho meus 3 netos desde que nasceram –dois meninos, William e Walter, hoje com 7 e 3 anos; e uma menina, Elza, com 4 aninhos. Minha outra neta, Zelda, com 1 ano, foi a única que não vi nascer por causa da pandemia. Ela mora em Nova York e só fui conhecê-la no primeiro aniversário, em maio de 2021, embora tenha acompanhado a gravidez à distância.  

Faço as comidas e sobremesas que gostam. Sou até mais severa que os pais, mas acabo cedendo – deixo comer chocolate, chupar balas, ver desenho na televisão e no telefone. Eles adoram ficar na minha casa. E até mudamos da Flórida para Kansas para ficar mais perto deles.   

Como os pais são muito ativos na educação dos meus netos, não sinto obrigação de ser uma educadora. Pelo contrário, quero que se sintam livres, como quando estão com os amigos, sem pressão, mas, claro, sempre no limite do bom senso. E eles sabem que na casa deles a pressão volta ao normal.

 Minha vida mudou radicalmente com a chegada dos netos; eu brinco, rolo no chão, até esqueço do reumatismo e dos 72 anos nas costas.  Adoro sair e viajar com eles. Os pais estão na linha de frente. Fico na retaguarda, como suporte se e quando necessário. Isso me faz sentir útil. E sempre estou disponível para cuidar dos meus netos. Acomodo minha agenda para poder estar presente em todas as atividades e aplaudir o progresso deles. É muito prazeroso quando vejo que o de 7 anos já está lendo e a de 4 já está até ensinando ao de 3 tudo o que aprende. 

Nossa relação com o mundo digital também é forte e a tecnologia nos aproxima. Durante a pandemia tiveram aulas online e eu assisti algumas de suas apresentações. Nos vimos frequentemente pelo face time. Eles ainda não usam Whatsapp ou marcam encontro pelo computador, mas falta pouco!

Para uma avó de primeira viagem eu diria que sua vida vai mudar para melhor. Mas esteja preparada para o gap de gerações, não deixe a sua experiência negar aceitação à diversidade de opiniões e decisões deles. Devemos aceitar a individualidade dos nossos netos. É um constante aprendizado.

Em Kansas, a vovó Recylda não desgruda os netinhos, William, Walter e Elza Henry
Zelda Fox, que vive em Nova York, curte a vovó Recylda pelo Facetime
…Procuro entrar no mundinho dela.

Marcello Pires

O empresário carioca Marcello Pires chegou nos Estados Unidos há 24 anos com a mulher e 3 filhos, duas meninas e um menino. Há um ano, uma das filhas lhe deu a primeira neta, a  Isabella Mayse. 

“Uma das coisas que mais me tocou foi ver minha filha – mãe”, ele conta.

Marcello diz que a relação dele com a neta é “muito gostosa, só diversão. Quando estamos juntos procuro entrar no mundinho dela, me coloco como um amiguinho com tempo e paciência para brincar, jogar, dançar. A maior herança que se pode deixar para quem se ama é o tempo e os momentos que passamos juntos”. 

Na opinião dele, o papel do avô é dar suporte, dar um alívio para os pais, “uma vez que tempo integral com a criança desgasta, cansa muito.”

Marcello procura ajudar no que pode, mas acredita que se a primeira mulher, avó da menina, estivesse viva, ela poderia ficar ainda mais próxima da neta.

“Infelizmente não consegui substituir a avó de sangue no cuidado com Isabella”, ele lamenta. 

Habituado aos costumes americanos, ele avisa sempre quando vai visitar a neta, em respeito ao genro que é americano. Marcello também não ultrapassa os limites impostos pelos pais da criança. Ele não discute, acata porque acredita que é assim que os avós complementam a educação. 

“ A cumplicidade deve ir até o ponto que não crie choque e desavença com os pais”, ele afirma.

A importância dos avós nos dias de hoje

Eliana Barbosa

Tem coisa melhor do que nos lembrar dos nossos avós e sua presença em nossa criação? Sim, melhor do que isso é nos tornarmos avós! Falo com propriedade, pois tive avós muito queridos e presentes, e, hoje sou avó de três lindas crianças. 

Os avós, em todos os tempos, representam um elo de união e fortalecimento das famílias, que, com sua paciência e amorosidade, transmitem sabedoria, contando histórias, compartilhando experiências e preservando valores. No entanto, é preciso que estejam abertos para outros aprendizados, tais como a internet e redes sociais – o que os aproxima das novas gerações -, e que tenham cuidado para não impor seus conhecimentos aos netos. 

Nos dias de hoje, temos os avós aposentados, com tempo e disposição para cuidarem dos netos; os que vivem na mesma casa dos netos; aqueles que ainda estão ativos profissionalmente, sem tanto tempo para se dedicar aos netos; aqueles que se isolaram ou foram isolados pela família, perdendo a chance dessa convivência tão salutar; e os avós distantes, que felizmente têm ao seu dispor as novas tecnologias que amenizam a saudade.  

Se você, avô ou avó, vive com seus netos, ou mesmo cuida voluntariamente deles, de forma sistemática ou de vez em quando, saiba o quanto é importante se livrar desta crença de que avós deseducam os netos. Não!!! Avós precisam atuar alinhados com os pais das crianças e adolescentes, para que estes cresçam com limites, respeitosos e amorosos. Vocês, avós, não devem, em hipótese alguma, comprar o amor e a atenção de seus netos. Vocês já são amorosos, doces, e, com a maturidade que têm, são muito mais pacientes do que os pais de seus netos. Porém, essa paciência não pode significar permissividade, e sim, mais compreensão e diálogo com eles. 

Aos avós que ainda trabalham, recomendo que jamais se sintam culpados pelo pouco tempo de convivência com seus netos. Lembrem-se que vocês são modelos para eles, no sentido de que envelhecer não é desistir dos sonhos, e sim, buscar sempre algo novo para fazer e descobrir. Meu sogro de 94 anos, bisavô dos meus netos, viaja todos os dias para sua fazenda, é ativo e independente, e é o xodó da criançada, cheio de planos, muitas conversas, e juntos dão boas risadas. Um exemplo para todas as gerações!

Para as crianças, os quitutes saborosos, o passeio de carro, os filmes na TV, os jogos de tabuleiro, enfim todas as experiências alegres vividas com seus avós são de extrema importância para o desenvolvimento de uma personalidade sadia, porque os avós, de forma geral, são fontes de amor duplicado, abraços, incentivos e orientações. 

E para os avós, os netos são uma fonte rejuvenescedora, pela alegria e vitalidade que representam. 

E mais… Um estudo da Universidade de Boston, entre os anos de 1985 e 2004, concluiu que através desta interação entre avós e netos é possível diminuir o risco de depressão em quem já passou dos 70 anos, bem como nos jovens também.

Enfim, é uma bênção para avós e netos vivenciar momentos e lembranças juntos, enquanto a vida permitir! 

Portanto, aproveitemos!

A importância dos avós

Luciana Bistane

O mundo mudou muito nas últimas décadas e com ele a composição das famílias. Os filhos têm pai e mãe biológicos, adotivos; dois pais, duas mães, só mãe, só pai. O que não mudou em nada foi o posto dos avós.

Ok, com o ingresso em massa das mulheres no mercado de trabalho, muitos avós têm atualmente vida profissional e social muito mais agitadas. E mesmo os aposentados ou donas de casas também já não se encaixam no esteriótipo da velhinha de xale na cadeira de balanço. 

Hoje os idosos são antenados, conectados e se aventuram no mundo digital, muitas vezes, só para estar perto deles, os netos. Mas, algo em geral – do mais tradicional ao mais moderno – permanece intacto: o amor por esse filho alheio, que também é seu, duplamente seu. 

No poema a “Arte de Ser Avó”, Rachel de Queiroz nos lembra que “um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe põe nos braços um menino…aquela criança, longe de ser um estranho, é um menino que se lhe é “devolvido”. E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito sobre ele, ou pelo menos o seu direito de o amar com extravagância; ao contrário, causaria escândalo ou decepção, se você não o acolhesse imediatamente com todo amor”. 

…“A avó oferece a sedução do romance e do imprevisto. Faz coisas não programadas. Leva a passear, não ralha nunca. Deixa lambuzar de pirulito. Não tem a menor pretensão pedagógica. É confidente nas horas de ressentimento, o último recurso nos momentos de opressão, a secreta aliada nas crises de rebeldia. Uma noite passada em sua casa é uma deliciosa fuga à rotina, tem todos os encantos de uma aventura. Lá não há divisória entre o proibido e o permitido, antes uma maravilhosa subversão da disciplina”. 

Não é preciso ser especialista para saber o quanto tudo isso cativa uma criança. Casa de avó é mesmo porto seguro, fonte de afeto. Mas, e os psicólogos, o que dizem dessa liberalidade toda, desse amor sem limites, dessa cumplicidade incondicional? 

Em seu artigo para esta edição do B&B, a psicoterapeuta Eliana Barbosa, explica porque é importante os avós agirem alinhados com os pais das crianças. E aponta o diálogo com os netos como a melhor forma de explicar limites e impor respeito amorosamente. 

A empresária Monique Vasconcelos, que mora no Brasil, conta como dribla a distância dos netos que vivem nos Estados Unidos. Ouvimos também a dona de casa Recycla Passos, uma avó “old fashion”, daquelas que mudam até de cidade para ficar perto dos netos. Já o Marcello Pires ficou viúvo e ocupa o lugar da avó, mas teve que se adaptar aos costumes de outro país.  Você vai ver ainda o depoimento da Rosana Almeida, uma avó moderna e ocupada, mas que sempre dá um jeito de abrir espaço para o neto Lucas na sua agenda. São histórias diferentes que mantêm o poema de Rachel de Queiroz, escrito no século passado, mais atual do que nunca!

Top Team CSS ergue taça em Orlando

Mais uma vez, o futebol brasileiro  é destaque na região da Flórida Central. Desta vez, foi no torneio amador da Yael Soccer League, onde o time brasileiro Top Team CSS se consagrou campeão. O campeonato conta com 16 times, formado por jogadores das comunidades hispânica, americana e brasileira, com partidas disputadas aos domingos. 

O Top Team Css é comandado pelo conhecido técnico Pacheco Jr.; e seu assistente, Moises Jr, que acaba de completar 20 anos à frente de equipes brasileiras, e, neste momento, a equipe  conta  com a participação de jogadores amadores, jovens e com a presença de atletas profissionais, que tiveram carreira de sucesso atuando em vários times no Brasil e no exterior. 

Alguns nomes de destaque estão: Renato Abreu (Flamengo); Léo Lima (Palmeiras); André Lima (Grêmio): Bruno Vieira (Fluminense); Ricardo Villar (FC Dallas); Jr Negão (França Montpelier), entre outros.

O TopTeam Css tem o apoio de Marco Meccia, presidente do Celebration Soccer Star onde se encontram os melhores campos de Futebol de  Orlando, 

Técnico, Pacheco Junior, faz um selfie campeã

Pacheco gosta de afirmar que este trabalho somente é possível com o apoio que recebe de empresas da região que patrocinam o evento, como: Churrascaria Boi Brazil; Kingdom Sushi; Kingdom Açaí; ROV Roofing; Tiles Supply; M3DC e Tropical Villas.

No mês de maio, o Top Team Css fará uma partida beneficente para ajudar as vítimas de Covid-19.

“Quero agradecer aos nossos patrocinadores que confiam no elenco da equipe TopTeam Css; e ao Jornal Brasileiras & Brasilerios, que sempre apoia eventos culturais e esportivos da comunidade brasileira”, finalizou o técnico Pacheco.

Os filhos são resultado dessa felicidade

A jornalista Patrícia Pioltini pode se considerar uma privilegiada. Ela sempre quis ter filhos, mas preferiu priorizar a carreira e só depois de seis anos de casada, teve o primeiro filho, aos 36 anos. O segundo aos 38 e o terceiro aos 40 anos.

Privilegiada porque muitas mulheres que fazem o mesmo, quando se decidem pela gravidez, nem sempre o relógio biológico ajuda. E o sonho de ser mãe acaba se tornando uma frustração.

“Ser mãe um pouco mais tarde me trouxe mais tranquilidade, me senti segura na decisão. Acredito que ser mãe é bom em qualquer idade. As mais jovens podem ter mais energia, disposição, mas uma das vantagens de esperar um pouco é estar mais estruturada emocional e financeiramente” – diz ela.

Patrícia considera a maternidade um enorme desafio. “Ser mãe – complementa – é o melhor presente que uma mulher pode receber. Dar a vida a alguém e poder ensinar esse alguém com o seu melhor é gratificante”.

Em momento nenhum ela se arrepende de ter tido os filhos, mas se tivesse que tomar a decisão hoje, com a maturidade dos seus 51 anos, não sabe se os teria e justifica: “O mundo está muito cruel, perdeu a base familiar. Hoje há muito extremismo. E não consigo ver um mundo melhor para os meus filhos. Na minha época, a gente brincava na rua, não tinha violência. Além disso, o mundo está muito virtual. A tecnologia trouxe progresso mas afastou o ser humano. Não consigo me imaginar começando a tarefa de ser mãe nesse mundo tão carente de amor”.

Para ela, os filhos selam uma união, mas o casal deve se bastar, independentemente de ter filhos ou não.

“Antes de sermos pai e mãe, somos amigos, companheiros, amantes. Os filhos são resultado dessa felicidade. Não acredito que a cumplicidade do casal aumente por causa dos filhos e se aumentar será um problema porque os filhos crescem e se vão”.

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Patricia Pioltini é Graduada em JORNALISMO/COMUNICAÇÃO pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP) (Dez/1988). Tem PÓS-GRADUAÇÃO pela University of California (UCLA), em Telejornalismo Comunitário.  Trabalhou nas emissoras SBT, TV RECORD, TV GLOBO e presta serviço de assessoria de imprensa na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.

Criar um filho é um ato político

Luana Cunha

A produtora cultural Luana Cunha está grávida de dois meses do primeiro filho. “Uma gravidez muito consciente e desejada, embora não tão bem planejada”, diz ela.

Luana lembra que o fato de engravidar em plena pandemia revela isso. Convenhamos, é um motivo e tanto a mais de preocupação. Outra preocupação é com a questão financeira. No momento em que estava deslanchando a carreira em Lisboa, onde mora há 5 anos, o setor cultural foi um dos que mais sofreram abalo.

“Nesse contexto e, sabendo que depois de ter a criança, a gente reduz a carga de trabalho, o ideal é ter uma reserva. Um cuidado que não tivemos. Minha geração já passava por uma instabilidade profissional e financeira porque está havendo uma mudança drástica no modelo de trabalho. Muita gente trabalhando por conta própria, sem direitos trabalhistas. Se pensar muito fica difícil engravidar, a gente desiste”, afirma sorrindo.

O que ameniza um pouco, ela ressalta, é que conta com o apoio do Estado: “a escola pública é ótima e no setor público de saúde você sabe que será bem atendida e a criança também. Não estaria cogitando ter filho agora se estivesse morando no Brasil”.

Luana também agradece por estar longe do Brasil nessa pandemia, país onde os casos explodiram. Mas, as regras duras de combate ao vírus em Portugal despertam o receio de ter que encarar a sala de parto sozinha.

“Essa pandemia soma angústias para uma mãe de primeira viagem. No auge da crise ninguém era autorizado a acompanhar as mães na hora do parto”, ela lembra.

Instinto materno

Luana não acredita que as mulheres nascem com esse instinto, ela defende que a “maternidade é muito romantizada”, o que torna mais penoso para quem desafia o script imposto:

“Nem todo mundo tem vontade real de ter filho, acaba tendo porquê a pressão do relógio biológico é grande e também pesa o fato da mulher que decide não ter filho ainda ser vista como um ser estranho. É danoso a pessoa ter um filho só porque seria o caminho natural e, depois, ter que abrir mão de coisas que não estava disposta; essa relação não vai ser positiva”.

Ela aponta outros indícios dessa idealização da maternidade:

“Estou lidando mal com os sintomas do início da gravidez – azia, enjôo, cansaço e mal estar físico. Isso deveria ser mais discutido e não minimizado o lado difícil do processo….isso passa, são só 3 meses!!! Tá bom, pode passar, mas é difícil. As mulheres têm direito a essas informações até para fazer escolhas. Quem quiser um filho, sem passar por isso, pode adotar ou ter uma barriga de aluguel, permitido em alguns países”.

“Emocionalmente – acrescenta – essa romantização da gravidez também causa danos. Ok, tem mulheres que ficam felizes na gravidez, ou porque sonharam muito com isso, planejaram, sempre quiseram ser mãe. A ditadura é para as outras que não estão nesse pique. Eu, por exemplo, estou contente, mas quando passo muito mal me aborreço; e, ainda, me culpo por não estar radiante; é como se a gente tivesse essa obrigação. É uma carga de expectativa tão grande que a gente não corresponde, se angustia”.

Luana diz que, como tudo na vida, a maternidade tem lados positivos e negativos.

“Entre outras coisas, a maternidade impacta na vida profissional da mulher, muitas vezes adiando sonhos, diminuindo recursos ou impondo um acúmulo de funções e tarefas”.

Para ela, todos os prós e contras devem ser colocados na balança para que a decisão de ter um filho seja muito consciente.

“Criar um filho é um ato político, assim como não ter filho também pode ser. Educar impõe a responsabilidade de formar uma pessoa ética, emocionalmente equilibrada, responsável socialmente, empática com o próximo, pessoas mais sensíveis. Ser mãe não é só bonito, é um ato de responsabilidade no mundo em que vivemos hoje” – ela conclui.