Procurar por:
Mercado editorial em perspectiva

Nereide santa Rosa

2020. Um ano para esquecer ou para lembrar? Ansiosamente a primeira opção surge como resposta imediata. Mas…refletindo racionalmente, este foi um ano de aprendizado. Aprendemos a nos reinventar, a encontrar novas soluções, a enfrentar nossos maiores medos. Como esquecer? Saímos de uma fictícia sociedade segura e controlada, para vivermos o imponderado, o inevitável, o assustador. 

A crise alcançou todos, a nível global. Porém, novas relações pessoais se estabeleceram virtualmente, inclusive a família se fortaleceu pela união no confinamento. Felizmente, o ser humano tem uma capacidade de adaptação rápida e criativa. E novos caminhos começaram a ser trilhados. Não sabemos ainda se retornaremos a valores antigos, mas há certeza que seguiremos em frente, conquistando tecnologias avançadas, e quebrando barreiras que separam ideias e ideais. 

Como CEO da Underline Publishing, uma editora norte-americana sediada na Flórida, que publica autores brasileiros, tive a alegria de publicar mais de vinte livros ao longo de 2020, sempre com qualidade editorial e gráfica. 

Impacto

Mas, aqui nos Estados Unidos e principalmente no Brasil, o  setor editorial sofreu sério impacto causado pela pandemia: cancelamentos de eventos literários, livrarias fechadas, e editoras repensando suas metas. 

Nos Estados Unidos, as editoras se adaptaram aos novos tempos, surgiram novos títulos e novos autores, afinal, um livro atualmente pode ser impresso sob demanda, o que reduz os custos e otimiza a produção. As vendas online cresceram de maneira consistente: nos Estados Unidos, o mercado editorial é atendido com qualidade de impressão e eficiência na entrega, ajudando os leitores a confiarem na produção online. Quanto ao ebook, diferentemente do paperback, é tido como mais uma opção; porém, como editora observo que o livro físico ainda é o preferido dos leitores e dos autores. 

Quanto aos escritores, a ansiedade foi geral, grande parte causada pela consciência do que vivemos, o que causou uma grande produção de textos, em diferentes gêneros literários. Surgiram poemas, contos, crônicas, romances, ensaios sobre os dias de confinamento da pandemia. Os temas se multiplicaram e os escritores produziram mais do que nunca em seu espaço de criação. 

O resultado foi uma grande produção ofertada a editoras que ainda estão enfrentando o desafio de selecionar textos, analisar o mercado futuro para produções literárias e estudar as biografias dos autores. 

Produção

Algumas editoras optaram em não se arriscar com novos autores, devido ao corte de gastos com funcionários. No Brasil, houve casos de livrarias e distribuidores de livros que não pagaram suas dívidas com editoras, o que acabou refletindo diretamente na produção editorial. Porém, um fato relevante foi a produção editorial em home office, diminuindo gastos. No final de 2020, por exemplo aconteceu a tradicional Bienal do Livro de São Paulo, de forma virtual quebrando recordes de audiência e de expositores. 

A Underline Publishing tem como meta dar continuidade às publicações, visto que estou com o cronograma de lançamentos para 2021 já fechado e aceitando apenas projetos para 2022. E, tão logo seja possível, a editora voltará a participar de feiras de livros, de palestras, encontros, e outros eventos presenciais. 

Superação

Como escritora, eu continuo o meu trabalho solitário, mas sempre atento aos fatos do cotidiano, e ao que a sociedade solicita. A capacidade do escritor está em seu conhecimento de mundo, sua leitura, suas descobertas e sua transformação. Assim é o meu trabalho, com paixão e dedicação, e se tudo der certo, superaremos essa fase e continuaremos a produzir muita literatura, mais e melhor. 

NEREIDE SANTA ROSA é escritora, arte-educadora e pedagoga.  Nasceu em  São Paulo e vive nos Estados Unidos desde 2017. 

Tem formação em  Arte, Música, Matemática  e Pedagogia. Desde 1990, desenvolveu  a carreira de escritora atingindo a cifra de mais de meio milhão de livros vendidos publicados em várias editoras brasileiras.  

Até 2020, publicou cerca de 85 livros e recebeu prêmios pela Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil e ABBY e no ano de 2004, foi agraciada com o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro.  

Atualmente continua escrevendo e publicando no Brasil e no exterior,  é colunista do JornalBB na Flórida, CEO da editora norte-americana Underline Publishing e coordenadora do Focus Brasil NY – Encontro Mundial de Literatura Brasileira, onde coordena a Academia  Internacional de Literatura Brasileira.  

contato: underlinepublishing@gmail.com

Momento para investir

Juliana Scolari

O mercado imobiliário na Flórida tem atraído investidores brasileiros há mais de uma década. O crescimento na Moneycorp entre buscas por investidores brasileiros transferindo recursos do Brasil para investimento no exterior cresce desde 2010, o que impulsionou a estratégia da nossa empresa em se tornar um banco de câmbio no Brasil devido à extrema demanda. 

Mesmo com a pandemia, ainda apresentamos crescimento, o que reflete o apetite do investidor brasileiro, mesmo em situações de incerteza.  Investir no mercado imobiliário é uma maneira de diversificar o seu portifólio e dolarizar parte do seu patrimônio. 

Dólar

O dólar é de fato considerado entre as moedas o que chamamos de “safe heaven”. (porto seguro)  Os investidores procuram portos seguros para limitar sua exposição a perdas em caso de desaceleração do mercado ou em tempos de turbulência. Que é exatamente o que se cria em uma pandemia. Somado à isso, é importante mencionar que a crise atual não é considerada pelos economistas como uma crise imobiliária, e sim uma crise de saúde e econômica. O momento favorável, contudo, é uma decisão individual de cada investidor, o qual deve realizar a sua devida diligência. 

Câmbio 

As oscilões cambiais sempre existirão como uma variável em investimentos envolvendo duas moedas. Um imóvel nos EUA é mais uma ferramenta de investimento muito utilizada como uma possibilidade de hedge (se proteger) contra uma maior desvalorização do real. Dependendo do tipo de imóvel, ele ainda pode oferecer receita de aluguel, além de potencial valorização. O investimento no mercado imobiliário é um investimento que geralmente oferece um retorno de médio a longo prazo. Para aqueles que se integram nesse tipo de apetite, considero ser um ótimo negócio.  

Burocracia

Em termos gerais considero não só fácil como simples O sistema imobiliário nos EUA é super estruturado. Um profissional licenciado de imóveis é provido de diversas ferramentas desde a busca de múltiplos imóveis pelo sistema MLS até o suporte das demais organizações envolvidas no processo, como a title company -empresas de títulos geralmente atuam como um agente neutro, protegendo os interesses do comprador e do vendedor na transação. 

Qualficação

O passo mais importante para o investidor é ter certeza que ele estará qualificado para essa compra. Para clientes que optarão financiar, conversar com um profissional da área -como um mortgage broker ou um lender – e para aqueles que irão optar por trazer recursos do Brasil para pagamento à vista ou para a entrada do imóvel, que esses investidores tenham a confirmação que estão autorizados a transferir recursos para fora Brasil através da instuição financeira que fará a sua operação de câmbio.

Remessas

Existe um processo de aprovação seguindo regras do Banco Central do Brasil e não é somente uma simples transferência doméstica. Esse ponto é de extrema importância e como especialista, sugiro sempre como um dos primeiros passos a serem tomados em relação à compra de imóvel no exterior. 

Reaquecimento

Acredito em um rápido reaquecimento. Com o anúncio da vacina, já estamos sentindo a retomada do mercado. A demanda está represada, mas ansiosa para finalizar as suas decisões de investimento de sua tão sonhada casa na Flórida.

Juliana Soclari e Kelly Cutchin

Juliana Scolari

Originalmente do Brasil, Juliana obteve seu diploma de Bacharel em Gestão Hoteleira, em São Paulo e se mudou para o Estado da Flórida em 2004 para trabalhar no Walt Disney World Resorts. 

Juliana ingressou na Moneycorp, em 2010 e chefia o desenvolvimento do corredor EUA-Brasil da empresa, produzindo crescimento significativo ano após ano. O negócio cresceu mais de 400% em 3 anos. 

Juliana é fluente em Espanhol e Português e tem mais de 15 anos de experiência em lidar com a clientela de negócios internacional.

Ela usa sua forte ética de trabalho, e sua personalidade positiva e expansiva para garantir uma comunicação e atendimento eficaz aos clientes.

Juliana possui Mestrado em Administração de Empresas pela Universidade Stetson na Flórida.

Vacina injeta ânimo na economia

Luciana Bistane

A economia vive de expectativas. E com a chegada de uma vacina, o mercado já começa a fazer planos, acredita o jornalista Adalberto Piotto, especialista e palestrante na área de economia.  

“O que perdemos com essa pandemia foi a previsibilidade, que a vacina vai devolver. Se a vacina atingir o alvo, como é o esperado, teremos uma maior estabilidade econômica”, diz ele. 

A confirmação de um reaquecimento, no entanto, vai depender de três variantes: como será o controle da pandemia daqui pra frente, qual a postura dos governantes e o comportamento das pessoas.   

Ele lembra que em relação ao consumo, que move uma alavanca importante da economia, fatores culturais das sociedades interferem. Não basta ter dinheiro em circulação, é necessário que haja desejo de consumo. Os americanos, tradicionalmente, são mais consumistas que os europeus, por exemplo.  

Outros fatores podem tornar essa recuperação mais rápida ou mais lenta. Um deles é a agilidade que cada setor terá para regularizar a falta de insumos, de matéria prima, outro problema criado pela pandemia. Mas, o mais significativo é a capacidade que cada país vai ter de superar as dificuldades.   

Os Estados Unidos, na opinião de Piotto, são uma potência nas áreas educacional e científica, diplomática, militar e econômica. O país, naturalmente, tem mais condições de reagir. Do Brasil, o jornalista destaca o agronegócio como um trunfo. Com ajuda da tecnologia, o campo está cada vez mais produtivo e preparado para atender uma demanda crescente de alimentos. Mesmo nesse ano conturbado a safra de grãos deve bater novo recorde. A previsão da Companhia Nacional de Abastecimento CONAB é de 268 milhões de toneladas, principalmente de soja e milho. E é um setor que gera emprego e impostos para o governo, além de ter um peso importantíssimo na balança comercial. 

Estamos falando de previsões para 2021, mas não podemos nos esquecer que há um curto espaço de tempo até lá, com casos de Covid em alta nos Estados Unidos, Europa e boa parte da América Latina. Período a que ele se refere como “uma vírgula”. A economia, nessa segunda onda, na opinião do jornalista também vai depender muito de cada governante. O futuro presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, por exemplo, já anunciou que não vai decretar o lock down, o que Piotto considera acertado. 

Seja como for, ele acredita que alguns setores não vão avançar. As empresas mais afetadas pelo coronavírus vão demorar mais a se restabelecerem, assim como deve demorar um pouco a volta dos empregos ceifados por essa crise.  

Mas, fazendo uma analogia com outros momentos difíceis que a humanidade já enfrentou, como a gripe espanhola ou a segunda guerra mundial, ele diz:  

“A dor de um corte no dedo, feito hoje, dói mais que um pé quebrado há um ano, porque o dedo está doendo agora. Mas temos que lembrar que o número de pessoas infectadas em 2020 que se recuperaram é muito maior do que os recuperados  durante a gripe espanhola. Mesmo assim, houve uma saída naquela época. E vamos encontrar também uma agora”, conclui o jornalista.

Adalberto Piotto dirige e apresenta o talk show de realidade brasileira “Pensando o Brasil”, em parceria com a TV CIEE. 

É jornalista com especialização em economia pela FEA-USP, âncora de notícias em rádio e TV, documentarista e diretor e produtor do filme “Orgulho de Ser Brasileiro”. 

É produtor e autor de séries em tv, web e cinema sobre realidade brasileira.

Pausa para pensar

Soco Freire

Está sendo muito mais um momento de pensar do que exatamente executar. Alguns projetos que eu faria com muito mais rapidez, hoje tenho mais tempo para pensar melhor na criação. Por outro lado, isto de certa forma melhorou a qualidade dos meus projetos. 

Com essa nova rotina, eventos e exposições foram cancelados e de certa forma isso acaba agravando as diferenças que já existem entre os grandes e pequenos artistas e galerias.

Questões como galeria digital e vendas online, por exemplo, ainda estão em fase de adaptação para o público e o artista. Medidas para promover mais acesso às plataformas digitais são necessárias para uma maior abertura no mercado das artes. Não é só o artista que tem que construir isso, cabe sim o total apoio do meio cultural para promover estes estímulos.

Porém nada chegará perto do que o contato direto com o público, com a emoção. Não tem nada a ver com essa linguagem mais fria que é a internet. Artistas, galerias e museus estão se adaptando, mas não descobrimos ainda a melhor maneira de apresentar a arte de uma forma digital sem comprometer as sensações que a arte te mostra ao vivo. 

Desejo que em 2021 possamos encontrar o jeito certo de lidar com toda esta transformação global e poder novamente trocar emoções, abraços e carinho com o público.

Soco Freire nasceu no Brasil e iniciou sua carreira artística, em 1996; e, hoje, é uma artista com grande projeção internacional. 

Soco passou a vivenciar o mundo das cores influenciado pelos desenhos de seu pai, que agora são referências ao seu trabalho. 

Em 2015 conquistou um espaço na renomada TAG Heuer. 

Soco Freire exibe sua arte em várias galerias, boutiques TagHeuer, edições da Art Basel Miami e edições do Red Bull Canvas, com grande destaque entre as celebridades.

socofreire@hotmail.com

TENDÊNCIAS 2021

Luciana Bistane

O ano que colocou todo mundo no mesmo barco e transformou uma vacina no objeto do desejo da humanidade, termina deixando marcas profundas e equações difíceis de resolver. 

Problemas muito diferentes dependendo de como os governantes enfrentaram a pandemia e da localização do planeta. Não é preciso ser especialista em economia para supor que determinados países vão ter mais fôlego que outros, para sair da crise.  

A chegada da vacina que tem a missão de nos proteger de um inimigo invisível e insidioso, basta para colocar o mundo em ordem? 

Em quanto tempo? 

O trabalho vai deixar de se intrometer na rotina familiar ou o home office veio para ficar? 

Tudo voltará a ser como era ou, nada mais será como antes? 

Como esse momento que atravessamos vai ditar os rumos que vamos tomar em 2021?  

Ainda são muitas as incertezas, mas a certeza da vacina já acalma o mercado financeiro, diz o jornalista Adalberto Piotto, que foi ouvido pela corresponde do B&B, Luciana Bistane.   

Sendo assim, já é hora de investir, fechar negócio? 

No ramo imobiliário da Flórida, sim, garante Juliana Scolari em artigo assinado por ela para essa edição. Juliana é diretora do setor de desenvolvimento de negócio para a América Latina da Moneycorp, empresa especialista em câmbio. Está acostumada a orientar brasileiros que querem comprar imóveis nessa região dos Estados Unidos e assegura que o setor está atravessando essa crise muito bem, obrigada.   

Já a área de entretenimento e cultura foi atingida em cheio pela pandemia. O isolamento social provocou o fechamento de livrarias, cinemas, museus, galerias e teatros. Cada setor se virou como pôde em busca do público perdido. 

Até mesmo museus renomados, como o MOMA de Nova York e a edição deste ano da Art Basel, em Miami e Hong Kong aderiram às exposições virtuais. 

E daqui pra frente, os novos formatos permanecem? 

O que muda nesse universo? 

A artista plástica Soco Freire e a escritora Nereide Santa Rosa, CEO da editora Underline Pubishing, também nos enviaram artigos, onde falam sobre os reflexos dessa crise nas suas áreas de atuação e como deverá ser a reação nesses setores. 

Opiniões que compartilhamos agora com nossos leitores, desejando que as boas previsões se concretizem em 2021.