Procurar por:
É a nossa salvação!

Kelly Ramirez

Entusiasmada com o ritmo de vacinação nos Estados Unidos, a Kelly Ramirez, que mora em Orlando e trabalha num escritório de remessas, espera a sua vez, ansiosa.

“A vacinação é nossa salvação. É o que poderá pôr fim à pandemia” – diz ela, que pretende também vacinar a filha Sophia, de 13 anos.

Mas, mesmo depois de vacinada, ela diz que vai manter os cuidados de usar máscara, evitar as aglomerações, lavar as mãos com frequência e utilizar álcool gel. 

No entanto, acredita que se sentirá mais segura para retomar atividades interrompidas pelo confinamento: visitar os amigos e familiares, ir ao cinema, ao shopping e fazer festas ao ar livre.

Kelly conhece pessoas que se recusam a ser vacinadas por receio de possíveis efeitos colaterais ou por acreditar em notícias falsas.

“Nunca recebi fake news em grupos de redes sociais, mas sei que elas circulam por aí e considero um desrespeito aos pesquisadores que estão empenhados em descobrir como exterminar o vírus” – afirma.

Ela chama a atenção também para o papel dos políticos, especialmente do presidente da República, que deve adotar medidas para solucionar um problema que já se mostrou muito maior do que se podia prever, no início da pandemia.

Por que não se vacinar?

Anna Alves-Lazaro

Inicialmente, se faz necessário deixar registrado que reconheço a importância histórica, social, especialmente na saúde pública das vacinas. Eu, meus pais, irmãos, filhos e netos recebemos todas as vacinas em conformidade com as regras de saúde pública e ainda as não exigidas por lei, mas disponíveis no mercado e recomendadas pela Medicina. Todos nós sabemos que as vacinas controlam doenças como a caxumba, o sarampo, o tétano e a gripe. No passado, foram capazes de erradicar doenças que podiam ser fatais, como a varíola. Entretanto, no que se refere a vacina contra a COVID-19 há de fato uma grande incógnita relativa à segurança e eficácia da mesma, em face do tempo médio de desenvolvimento dessas vacinas ser significativamente inferior ao tempo médio utilizado por todas as demais vacinas existentes no mundo, que são de 10 a 15 anos.  Esse tempo completamente atípico para o desenvolvimento dessa vacina compromete a avaliação de reações graves e tais reações podem causar danos graves irreversíveis e até morte.

Qual os riscos, na sua opinião?

Quanto aos riscos, acompanho a opinião de cientistas e médicos especialistas renomados os quais subscreveram a Carta Aberta publicada no dia 28 de outubro de 2020, na página da Gazeta do Povo de Curitiba, PR.

Não acha que um eventual risco pode ser ainda melhor do que contrair a doença?

Os últimos estudos em nível global mostram que a letalidade do Novo Corona vírus é 0,3%, índice considerado baixo, se considerarmos que o tratamento precoce utilizando fármacos com atividade antiviral e imunoterápicos se mostraram eficazes na redução da mortalidade, conforme os últimos estudos multicêntricos retrospectivos com milhares de pacientes. No entanto, dispõem-se de tratamento eficaz e de baixo custo. Concluo portanto, que os riscos de efeitos colaterais danosos irreversíveis e até mortais provocados por vacinas produzidas em tempo médio completamente atípico devem ser substituído pelo tratamento precoce com fármacos com atividade antiviral que têm se mostrado grandemente eficaz.

Quais são suas fontes de informação sobre as vacinas contra a Covid?

Além das minhas formações acadêmicas clássicas, sou autodidata e voltada à leitura e pesquisas. Tenho o cuidado de não buscar apenas as fontes que estão alinhadas com as minhas opiniões justamente para que minhas conclusões não sejam tendenciosas. Desde o início dessa pandemia venho acompanhando todos os debates e opiniões de profissionais especialistas sérios e renomados no tocante ao tema. Especificamente sobre a vacina contra a COVID-19 tenho acompanhado o posicionamento de todos os profissionais de saúde que assinaram a Carta Aberta sobre a obrigatoriedade de tal vacina.

Além do posicionamento do Dr. Geert Vanden Bossche, PhD, DVM, que trabalhou para grandes indústrias de vacinas como a GlaxoSmithKline (GSK), Novartis, a Fundação Bill & Melinda Gates e a Aliança Global para Vacinas e Imunização (GAVI), diz que: “as vacinações contra a Covid-19 em massa podem criar um “monstro imparável” e que as vacinações em massa durante a pandemia podem transformar o coronavírus relativamente inofensivo que vimos, pela primeira vez, (SARS-cov-2) em uma “arma biológica mortal de consequências inimagináveis”.

As vacinações em massa em andamento são “altamente prováveis de aumentar ainda mais o escape imunológico ‘adaptativo’, pois nenhuma das vacinas atuais impedirá a replicação/transmissão de variantes virais”; e também prejudica permanentemente a resposta imune inata às variantes futuras do coronavírus, deixando os indivíduos vacinados totalmente vulneráveis e indefesos contra a exposição às variantes mutantes do coronavírus.

São estes os posicionamentos dos renomados cientistas, estudiosos, médicos e autoridades no assunto pelos quais me baseio; e por isso estou aguardando o momento que julgarei apropriado para que possa receber a vacina contra a COVID-19.

Você acredita nos avanços da ciência?

Acredito. Os avanços da ciência são inegáveis. Concordo que as vacinas erradicaram muitas doenças, e lamento que pessoas recuem diante de uma conquista já consagrada.Foram dezenas de anos de pesquisas, estudos e testes e que ao final tiveram a eficácia e segurança não somente comprovadas nos experimentos em laboratórios como na saúde pública ao longo de muitos anos. No entanto, existem, o princípio ético de primeiro não fazer o mal e o princípio constitucional da inviolabilidade da vida humana e a dignidade da pessoa humana que devem ser respeitados. Da mesma forma como devemos respeitar as opiniões individuais, exatamente como diz a famosa frase da Evelyn Beatrice Hall quando ilustrava as crenças de Voltaire: 

“Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.”

Brasil, celeiro de variantes do Covid-19

Roberto Rodrigues Junior

A Organização Mundial de Saúde aponta o Brasil como um possível celeiro de novas variantes do coronavírus, depois da cepa que surgiu no Amazonas. Muito mais contagiosa, causou uma explosão de casos no país. Para o pneumologista Roberto Rodrigues Júnior, a preocupação é legítima:

“Quanto maior o número de casos, e até pela própria natureza da evolução e replicação dos vírus, novas variantes surgirão naturalmente. Isto não significa que obrigatoriamente serão mais agressivas ou transmissíveis, mas sempre há esta possibilidade”.

O Brasil passa pelo maior colapso sanitário e hospitalar da sua história. Mas as medidas de contenção do vírus não são uniformes. O presidente Jair Bolsonaro é contra o lockdown e a medida está sendo adotada em algumas regiões por determinação dos governos estaduais.

O pneumologista ressalta que a “situação é extrema, estamos com todos os hospitais públicos e privados na capacidade máxima de atendimento”.

Mesmo assim, o ritmo de vacinação ainda é lento. Ele lembra que o país tem grande experiência em vacinação e capacidade para imunizar toda a população, mas faltam vacinas, apesar de estarem sendo produzidas por dois centros de pesquisa – o Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz.

O médico Roberto Rodrigues Jr que também é coronel e professor universitário, diz que o governo federal demorou em fechar acordos para a compra de vacinas:

“Sofreremos alguns meses adicionais para conseguirmos a vacinação de toda a população elegível. Considerável número de pessoas ficarão doentes ou morrerão por não serem vacinadas em tempo hábil.

No intuito de recuperar o tempo perdido, o governo federal encomendou, agora, vacinas de diversas empresas farmacêuticas, mas os maiores lotes não serão entregues em curto prazo” – diz ele.

Na opinião do médico, faltou maior divulgação de mensagens para conscientizar a população da gravidade da doença e da importância do uso de máscaras. Ele critica também o chamado “tratamento precoce” sugerido pelo Ministério da Saúde:

“Os medicamentos como hidroxicloroquina e azitromicina, distribuídos pelo governo, comprovadamente não têm eficácia para a Covid-19; e, ainda, geram uma sensação de pseudosegurança na população – “se eu ficar doente basta tomar o remédio e curo”.

Para o médico, o Ministério da Saúde cometeu um equívoco ao não ouvir as opiniões das sociedades médicas brasileiras, em particular as de infectologia, pneumologia e de terapia intensiva, para traçar diretrizes de tratamento.

“Preferiu seguir aconselhamentos de pequenos grupos médicos que sugeriram tratamentos com base em experiências, por vezes individuais, sem a devida comprovação científica” – ele acrescenta.

Em relação ao lockdown o pneumologista também tem opinião diferente a do presidente da República:

“O lockdown é um remédio amargo, com muitos efeitos colaterais, mas que salva vidas em situação extrema. Portugal é um bom exemplo com grande redução no número de casos. Defendo a adoção de medidas radicais de lockdown nas regiões brasileiras mais acometidas, juntamente com estratégias para garantir adesão e eficácia; desenvolvimento de ações propiciando condições logísticas para a adequada adesão das pessoas às políticas de isolamento físico, especialmente nas regiões e populações em maior vulnerabilidade”.

Apesar do presente sombrio, o médico Roberto Rodrigues Jr se mostra otimista quanto ao futuro próximo:

“Após um ano de pandemia, aprendemos muito. A tarefa é extremamente complexa, estamos em guerra e o inimigo é invisível, mas já temos boa noção de como podemos vencer. A ciência é a nossa maior aliada neste momento, e nos forneceu ferramentas para identificar o vírus e tratar dos pacientes graves. Também ganhamos uma excelente arma de defesa, chamada vacina. Precisamos dos esforços de todos para juntos defendermos nossas vidas e daqueles que amamos. Ainda passaremos por momentos difíceis, mas temos um horizonte mais promissor e saudável”.

Roberto Rodrigues Junior Médico Pneumologista TE Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia

A vacinação em ritmo acelerado nos EUA…

Sergio Menendez-Aponte

O médico americano Sérgio Menendez acredita que ainda é cedo para se fazer uma afirmação. “Sabemos que as vacinas aplicadas nos Estados Unidos são eficientes para imunizar contra as variantes inglesa e brasileira, mas ainda não se sabe se serão eficazes contra a variante da África do Sul. Um bom parâmetro será a diminuição dos novos casos” – diz ele.

Mesmo assim, o médico de família afirma que o melhor a fazer é seguir em frente, tomando, claro, todos os cuidados, como evitar aglomerações, manter o uso de máscara e lavar sempre as mãos.

“Não fique isolado, isso machuca, 

saia de casa, continue sua vida o melhor que puder” – aconselha.

Mas para isso é importante também, segundo o médico, fortalecer o sistema imunológico, cuidando da saúde, mantendo bons hábitos alimentares e a prática de exercícios. E cita o próprio exemplo: “nunca fechei o consultório, atendi mais de 500 pessoas com Covid e não peguei”.

Sérgio Menendez dá também uma orientação para famílias grandes com pessoas de idades diferentes. “As crianças não devem estar perto dos velhinhos, elas podem ser assintomáticas, nem sentir nada, já os idosos morrem de covid. Os mais velhos com enfermidades crônicas são mais propensos, assim como quem tem diabetes ou é obeso”.

Se ocorrer a fatalidade de uma pessoa da família contaminar outra que acabe morrendo, ele acredita que essa pessoa deve ter um acompanhamento psicológico, sobretudo se for uma criança. 

“Essa é uma situação muito traumática – 

diz ele – e superar esse trauma vai depender muito da família e do próprio equilíbrio psicológico”.

No campo político, o médico acredita que “usaram a pandemia para desestabilizar o governo Trump e com isso, ganharam a eleição”. Sergio Menendez chega a duvidar que os Estados Unidos realmente sejam o país com o maior número de infectados e mortos, no mundo.


Sergio Menendez-Aponte, MD 
É especialista em medicina familiar, em Winter Park, Flórida
Tem 39 anos de experiência na área médica. 
Formou-se na faculdade de medicina da Universidade Nacional Autônoma do México, em 1982. 
É afiliado ao AdvantHealth Hospitals
Vacinar ou não?

Luciana Bistane

Um ano depois da Organização Mundial de Saúde declarar situação de pandemia, ainda batemos na mesma tecla: um inimigo invisível nos ronda, ceifa vidas, nos assusta e mantém a nossa rotina de cabeça para baixo.

Quando os casos começaram a cair, pela primeira vez e o controle parecia estar próximo, veio a segunda onda e o mundo já enfrenta a terceira. Mesmo com a vacinação em ritmo acelerado nos Estados Unidos, a diretora do CDC – Centro de Controle e Prevenção de Doenças, Rochelle Walensky, diz que os casos podem voltar a subir se os norte-americanos deixarem de cumprir medidas restritivas.

A essa altura, as lives permanentes já não despertam tanto interesse, o home office que, no início, parecia a melhor coisa do mundo, já não tem a menor graça; sem falar nas exaustivas reuniões em diferentes plataformas; abraços e beijos pela tela do computador, melhor que nada, é verdade, mas como era bom encontrar os amigos e as pessoas queridas da família. Apesar de almejarmos tanto que tudo isso passe, ainda não é hora de baixar a guarda.

De acordo com dados apresentados pelas farmacêuticas, fabricantes das vacinas, às agências reguladoras de saúde, só depois de quinze dias após a segunda dose é que a pessoa vai alcançar a proteção desejada, ou seja, o risco de ter covid cai entre 50% a 70%, mas não a zero.

O médico de família, Sergio Menendez, um dos nossos entrevistados desse mês, lembra que será preciso continuar dando preferência a encontros ao ar livre e não descuidar dos mais idosos, já que pode haver reinfecção, embora com menor risco de um quadro grave ou morte.

Já o pneumologista brasileiro, Roberto Rodrigues Jr. fala da situação no Brasil, que ele considera “extrema”. Atualmente, o país é o único a registrar mais de 3 mil mortes por dia. Ele explica também porque concorda com a preocupação das autoridades sanitárias mundiais que apontam o país como um provável celeiro de novas variantes.

Depois de desdenhar dos imunizantes, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro prometeu em rede nacional de televisão, acelerar o ritmo de vacinação para deter a escalada de casos e mortes. A vacina é a aposta da ciência para alcançarmos a imunidade coletiva.

A empresária Kelly Ramirez concorda. Para ela, “a vacina é a nossa salvação”. Mas também nesse quesito, as opiniões se dividem. Muitas vezes por receio ou por influência de notícias falsas, as chamadas fake news que proliferam pelo mundo, ou ainda por orientação de uma parcela de médicos que preconiza o tratamento precoce e põe em dúvida a eficácia das vacinas.

Esse é o caso da advogada Ana Alves-Lazaro, que não pretende se vacinar. Apesar de reconhecer a importância das vacinas no controle e erradicação de outras doenças, ela concorda com os cientistas que questionam a rapidez com que essas vacinas foram desenvolvidas, sem o devido tempo para avaliar possíveis reações adversas.

Que cada um tenha o direito de decidir pela própria vida é legítimo, mas torcemos para que  todos possam se conscientizar que o que cada um decide para si tem consequências para o todo.

Que as melhores previsões se concretizem e que possamos respirar livremente.

Boa leitura!