Cientista diz que alteração de DNA poderia deixar bebês mais inteligentes

Um cientista afirmou que existe a possibilidade de os cérebros das duas gêmeas manipuladas geneticamente “ilegalmente” pelo cientista chinês He Jiankui para resistir ao HIV sofrerem mudanças que poderiam melhorarar a cognição e “deixá-las mais inteligentes”, embora também tenha ressaltado que essa alteração não deveria ocorrer.

“O mais provável é que seus cérebros tenham sido afetados”, afirmou o neurobiólogo da Universidade da Califórnia em Los Angeles, Alcino J. Silva, à publicação especializada “MIT Technology Review”, citada pelo jornal “South China Morning Post”.

Silva, cujo laboratório descobriu em 2016 este novo efeito do gene CCR5 sobre a memória e a capacidade do cérebro para formar novas conexões, afirmou que “a interpretação mais simples é que essas mutações provavelmente terão um impacto na função cognitiva das gêmeas”.

Segundo o “MIT Technology Review”, várias pesquisas demonstram que, além de proteger contra o HIV, a supressão do gene CCR5, à qual foram submetidas as bebês Lulu e Nana antes de nascer, está relacionada com uma melhoria cognitiva.

A mesma alteração introduzida no DNA das gêmeas, “não só faz com que os ratos sejam mais inteligentes, mas também melhora a recuperação do cérebro humano depois de um derrame cerebral”, apontou.

No entanto, Silva disse que é impossível prever o efeito exato na cognição das meninas e “por isso é algo que não deveria ser feito”. Em novembro de 2018, o cientista chinês surpreendeu a comunidade internacional ao afirmar ter conseguido criar as primeiras gêmeas manipuladas geneticamente para resistir ao HIV, o que acarretou várias críticas.

As autoridades chinesas, após uma investigação preliminar, asseguraram que He “realizou a pesquisa ilegalmente para conseguir fama pessoal e lucro”. Também determinaram que “evitou a supervisão, arrecadou fundos e organizou pesquisadores por sua conta para realizar a pesquisa sobre edição genética de embriões humano com fins reprodutivos, algo que é proibido pela lei chinesa”.

Mais de 120 acadêmicos da comunidade científica chinesa fizeram então uma declaração conjunta na qual disseram que “qualquer tentativa” de fazer mudanças no embriões humano mediante modificações genéticas é “uma loucura” e que dar à luz a estes bebês teria “um alto risco”.

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