“Coçar, vovô!”

Eraldo Manes

Fernanda nos presenteou com dois netos maravilhosos. Aprendemos a conviver com Grabriela, 8 e, Leonardo, 6, logo nas primeiras semanas de vida. Minha filha não se cansa de agradecer pelo “sacrifício” que tivemos em cuidar dos netos, durante seus  plantões semanais. Entre sua casa e o hospital, ela fazia uma escala na nossa casa. Por volta das 18h, o banho já estava morno, o jantar pronto, a cama preparada para receber as crianças. Se tudo corresse bem durante a madrugada, o serviço terminava com o café da manhã. Esta rotina terminou em 2021, quando Fernanda passou a trabalhar durante o dia. 

Já dá saudades de lembrar dos perrengues que passamos com tarefas que variavam entre dar de comer, limpar cocô, decifrar dor e distinguir choro de verdade de manha fora de hora. Para acalmar os netos usávamos uma palavra mágica: “Coçar”. Para eles era: “Scratch My Back”. A técnica não falhava e garantia o silêncio no quarto e um sono profundo. 

Graças a Deus, nós,  avós, temos a paciência, a sabedoria e a energia necessária para cuidar de netos, que muitos pais não têm. É um processo inexplicável mas real. Reconheço que fui um pai impaciente, mas confesso que me tornei um avô corujão. 

Ser avô tem sido um dos melhores momentos  da minha vida.