Como comparar um hambúrger com uma moqueca de siri mole com farofa de dendê?

Amanda Borges Stroud

É difícil ter certeza de como as coisas teriam sido se meus pais tivessem ficado no Brasil. Minha vida tem sido abençoada e meu caminho aberto porque nasci nos Estados Unidos e tenho as oportunidades por ser cidadã. Também adquiri o senso de comunidade brasileira que meus pais ajudaram a criar em mim. Isso não seria o mesmo se meus pais não tivessem criado iniciativas como o Focus Brasil, o Press Awards, e o Miss Brasil-USA para a comunidade brasileira nos EUA.

Graças a Deus nunca sofri nenhum tipo de preconceito. De fato, recebi várias vantagens na Universidade por ser filha de imigrantes. Mas imagino que a minha experiência possa não ser a mesma de outros imigrantes e de sua segunda geração. Tenho plena consciência de que muitos sofrem preconceito sim, especialmente negros, morenos ou aqueles que não falam bem o inglês.

Amanda Borges com o esposo, Benjamin Stroud

Quando eu era pequena, todos os anos eu viajava, algumas semanas, para o Brasil com meu pai ou minha avó. Eu adorava! Mais tarde, viajei várias vezes sozinha no avião. Eu adorava o senso de aventura e de independência que sentia quando me comunicava com aeromoças e quando passava pela alfândega, apresentando meus passaportes! Chegava no Brasil e ficava com minha avó em Salvador, BA passava o tempo, relaxava, lia livros, caminhava na praia, fazia shopping e, até mesmo, assistia novela. Tenho muita saudades dessa época simples e inocente, e muito mais da minha avó maravilhosa, que Deus a abençoe. Desde os 17 anos só havia ido para Salvador. Em 2018, conheci o Rio de Janeiro com minha mãe, uma tia, uma prima e meu marido. Foi a primeira viagem dele para a América do Sul, e sua alegria em conhecer o Brasil fez com que todos nos divertíssemos ainda mais. Foi ótimo e já estamos planejando outra viagem para o Brasil assim que for possível.

São culturas extremamente diferentes em todos os aspectos. A comida, o modo em que as pessoas lidam uns com os outros, o business, a música, a dança, tudo é diferente. Acho a Cultura brasileira bem mais vibrante e mais alegre que a americana. Você sente um calor humano e uma afeição entre as pessoas -amigos pessoais e desconhecidos- que simplesmente não existe da mesma maneira nos EUA. A comida brasileira também me agrada mais. Como comparar um hambúrger com uma moqueca de siri mole com farofa de dendê? Ao mesmo tempo, sinto que as coisas de modo geral são bem mais organizadas e seguras nos EUA. Aqui, raramente me sinto insegura, e com um pouco de cabeça é fácil evitar situações perigosas. Não tem essa neurose de não poder usar bijuteria, jóia ou qualquer objeto valioso nas ruas. Não posso nem imaginar uma pessoa entrar no meio da rua com uma arma em pleno sol do dia para assaltar meu carro. Simplesmente não é uma coisa com que as pessoas se preocupam aqui, e isso tem muito valor em termos de segurança e bem-estar mental.

Amanda entre os pais, Andrea Vianna e Carlos Borges

Como posso saber o que o futuro vai me trazer? Por enquanto não tenho plano de sair dos EUA. Mas, as coisas aqui também não estão lá muito bem e estou super decepcionada com vários aspectos da sociedade e do governo americano. Eu e meu marido, que é cidadão da Inglaterra, já pensamos seriamente de nos mudar pra lá. Mas uma mudança grande assim não seria nem fácil nem barata, e, realisticamente, estamos felizes e confortáveis aqui nos EUA. Nunca considerei me mudar para o Brasil. A não ser que tivesse uma razão relacionada com o trabalho, não creio que moraria no Brasil.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Amanda Borges Stroud nasceu, em Miami, FL em 1992, e é filha de brasileiros.
Estudou na John I. Smith Elementary School,  na Doral Middle School, na Ronald Regan Doral Senior High School e na New York University Tisch School of the Arts
Formada em Digital Producer, Amanda é casada com o britânico/americano, Benjamin Stroud, desde 2019.