CONTE COM A CIÊNCIA PARA ENVELHECER COM SAÚDE

Em nossos dias há muitas teorias discrepantes sobre o que pode ter um impacto profundo no envelhecimento humano e nos processos relacionados à idade. Neste campo, ainda não existem estratégias baseadas em evidências para mudar significativamente nossa expectativa de vida, na forma de um comprimido. No entanto, a ciência já tem provado que algumas táticas específicas podem aumentar drasticamente a nossa expectativa de vida e reduzir a ocorrência de doenças associadas à idade.

É o caso, por exemplo, de pessoas altamente sociáveis. Estas têm 50% mais chance de sobrevivência do que os solitários, de acordo com a psicóloga Julianne Holt-Lunstad, da Universidade Brigham Young. Ela analisou mais de 100 estudos sobre a relação de longo prazo entre atividade social e saúde. Os estudos seguiram as pessoas por sete anos e meio. Um estilo de vida misantrópico, poderia ser tão insalubre quanto fumar mais de uma dúzia de cigarros por dia, relatou Dr. Holt-Lunstad, em PLOS Medicine, um semanário médico que abrange todo o espectro das ciências médicas.

Com a idade, a produção de hormônios muda, nosso corpo começa a armazenar mais gordura e você perde entre 3 e 8% da massa magra por década a partir dos 30 anos. Alguns desses processos podem ser revertidos através de exercícios e terapia hormonal, mas seus ossos são um outro assunto. Você só pode aumentar sua densidade mineral óssea até cerca de 25 a 30 anos de idade. Depois disso, o que você tem é o que você tem e, qualquer coisa que você fizer a partir de agora (incluindo exercícios) poderá manter os seus ossos. Mas você não pode mais construí-los.

No entanto, ao mesmo tempo, há uma melhora na função cognitiva em alguns domínios, incluindo vocabulário e compreensão semântica, na medida em que envelhecemos. As pesquisas nas últimas décadas lançaram nova luz sobre o que pode causar declínio cognitivo relacionado à idade. e o que não é mais considerado verdadeiro.

Pesquisas mostram que há declínios constantes em várias funções cognitivas diferentes, como memória e velocidade de processamento, da idade adulta jovem até a idade avançada.

Acreditava-se, até há algum tempo, que perdemos um número significativo de células nervosas na medida em que envelhecemos, particularmente nas áreas importantes para aprendizagem e memória. Mas os dados agora mostram que perdemos menos do que se pensava anteriormente. De fato, nosso cérebro é capaz de neurogênese, tanto na idade adulta quanto até na velhice.”

Segundo a University of California, Riverside, na análise de 20 estudos publicados, as pessoas mais diligentes e cuidadosas têm maior probabilidade de viver mais. Se você for bom em cumprir com as obrigações e aparecer na hora certa, provavelmente será bom em se apegar a uma dieta saudável e bons hábitos de vida. Um temperamento descontraído também pode conferir uma vantagem de sobrevivência.

Estudos de centenários descobriram que estes são mais descontraídos do que a população em geral e mostram mais otimismo em relação ao futuro. Por outro lado, pessoas com tendências pessimistas são mais suscetíveis a pressão alta e depressão. Mas se você for um desses preocupados ou um pessimista, tenha coragem. Você pode ensinar a si mesmo a observar seus próprios pensamentos negativos habituais e reformulá-los de uma forma mais positiva, mas ainda realista.

Por exemplo, se você estiver convencido de que morrerá de câncer por ter sido frequente com sua família, poderá, em vez disto, decidir por se concentrar em como minimizar seu risco, adotando hábitos de vida saudáveis e realizando exames regulares. Mudar a maneira como você olha o mundo pode melhorar sua saúde mental e física ao longo da vida.

Um pequeno mas intrigante estudo de 2014 é o primeiro a sugerir que a perda de memória no Mal de Alzheimer pode ser revertida através de um programa terapêutico de que inclui mudanças na dieta, estimulação cerebral, exercícios, sono melhorado e outros métodos que afetam a química do cérebro.

Depois de passar pelo processo complexo, nove dos 10 participantes, que sofreram de algum comprometimento cognitivo ou perda de memória associada à doença de Alzheimer, apresentaram melhora na memória, em três a seis meses no programa – uma joint venture entre o Mary S. Easton Center for Alzheimer’s Disease Research. na UCLA e no Buck Institute for Research on Aging.

O grande salto na pesquisa de Alzheimer tem sido a imagem de dois elementos proeminentes que se acumulam no cérebro e supostamente estão por trás da doença: placas, aglomerados anormais de pedaços de proteína beta-amilóide encontrados entre células nervosas e emaranhados, fios torcidos compostos principalmente da proteína tau que são encontrados dentro das células. Durante mais de uma década, investigadores estão estudando a proteína TAU, encontrada no interior das células do cérebro, e apontada como possível culpada para o Alzheimer.

“Somente era possível  ver as placas através de uma autópsia, mas agora podemos visualizar a beta-amilóide no cérebro vivo, observando como ela muda antes que alguém apresente sintomas clínicos”, diz Laurie Ryan, da Divisão de Neurociências do Instituto Nacional do Envelhecimento (NIA).

Embora as imagens ainda estejam em seus estágios iniciais, Ryan espera que elas ajudem no desenvolvimento de novas drogas e que se possa encontrar um biomarcador sanguíneo para o risco de Alzheimer (assim como o colesterol serve como um marcador para o risco cardiovascular), o que mudaria drasticamente o campo, em termos de como os médicos poderão diagnosticar e tratar de cada paciente.

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