Coppola completa 80 anos e se prepara para rodar “Megalopolis”

Francis Ford Coppola, autor de alguns dos maiores clássicos do cinema, como “O Poderoso Chefão” e “Apocalypse Now”, completa 80 este mês com o firme propósito de começar a rodar em breve seu ambicioso “Megalopolis”, um projeto que prepara há décadas.

O anúncio foi feito pelo próprio cineasta ao site especializado “Deadline”, na qual revelou que espera começar a filmagem desta obra de ficção científica, “épica e de grande escala”, ainda este ano.

Embora Coppola tenha escrito esta fábula futurista da Nova York do século 21 no início dos anos 80, foi postergando sua produção e preferido outros projetos menos complicados.

Quando finalmente estava preparado para iniciá-lo, aconteceram os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 em Nova York, que mais uma vez atrasaram os planos do diretor devido à sensibilidade do argumento.

A história de “Megalopolis”, com influências de “Metropolis”, de Fritz Lang, e “Vontade Indômita”, de King Vidor, gira em torno da figura de um arquiteto que pretende reconstruir a cidade de maneira utópica após um desastre que arrasa seu território.

“Sim, planejo iniciar este ano minha antiga ambição de fazer uma obra maior empregando tudo o que aprendi na minha longa carreira”, disse Coppola ao site, ressaltando o fato de que porá a serviço da produção o que aprendeu nos trabalhos experimentais que marcaram sua trajetória nos últimos anos, como “Velha Juventude” (2007) e “Tetro” (2009).

“Isso culminou no que acredito que seja minha própria voz e aspiração. Não é o tipo de cinema que se produz agora, mas pretendo, desejo e estou animado a começar a filmagem este ano”, acrescentou.

Segundo o site, Jude Law é o ator desejado por Coppola para viver seu protagonista, um papel para o qual se ventilou, no passado, nomes como Warren Beatty, Robert De Niro, Paul Newman e Russell Crowe. Se finalmente se realizar o sonho de Coppola – algo que passa por reunir o financiamento para o projeto, sobre o qual não foram informados detalhes -, este seria seu primeiro filme desde “Virgínia”, outra das suas experimentações, lançado em 2011.

Por enquanto, só é dada como certa sua presença na próxima edição do Tribeca Film Festival no final de abril, onde apresentará uma nova versão de “Apocalypse Now”, com o subtítulo de “Final Cut” (a montagem que mais lhe deixou satisfeito), e participará de uma sessão de perguntas e respostas com o diretor Steven Soderbergh.

Vencedor do Oscar em seis ocasiões – como roteirista de “Patton”, “O Poderoso Chefão” e “O Poderoso Chefão Parte II”; como diretor e produtor de “O Poderoso Chefão Parte II”, além do honorário entregue pela Academia em 2011 -, Coppola continua sendo um dos nomes mais ilustres e venerados de Hollywood, embora seu cinema tenha se tornado mais inacessível para o grande público.

De fato, os últimos filmes do diretor que se saíram bem nas bilheterias foram dois dos seus trabalhos mais impessoais: o drama judicial “O Homem que Fazia Chover” (1997), com Matt Damon e Danny DeVito como protagonistas, e a comédia “Jack” (1996), com Robin Williams à frente do elenco.

Mas, no passado, se acumulam títulos tão notáveis como “Drácula de Bram Stoker” (1992), “O Poderoso Chefão Parte III”(1990),”Peggy Sue – Seu passado a espera”(1986) e “Cotton Club”(1984), e joias contundentes como “Vidas Sem Rumo” e “O Selvagem da Motocicleta”, ambas de 1983, e “A Conversação” (1974).

Firme crente na noção de que não existe arte sem risco, Coppola tem claro que ainda lhe resta pelo menos um grande filme no seu interior e que nem a idade nem as tendências atuais lhe vão impedir de tentar surpreender o público mais uma vez.

“As pessoas sempre refletem sobre suas vidas e dizem: ‘Gostaria de fazer isto ou aquilo’. Esse é o verdadeiro risco. Portanto, basicamente, eu tento dizer mais vezes sim que não”, comentou em 2009 este artista que criou um vasto império econômico à margem do cinema graças aos seus negócios de vinhos e hotéis.

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