Crianças e animais

Lucia De Cicco

Neste artigo, vamos falar um pouco da relação da criança com os animais e como eles podem ajudar no desenvolvimento emocional de nossos filhos. Além do afeto, os animais também podem produzir outros benefícios para a saúde. É nisso que se baseia a “Terapia Assistida por Animais”. Segundo a Delta Society (http://www.deltasociety.org), organização internacional com sede nos Estados Unidos que se dedica a reunir pacientes a animais treinados. As terapias assistidas por animais são capazes de promover melhoras físicas, sociais, emocionais e cognitivas humanas.

Quando a criança começa a crescer e sensibilizar suas relações de afeto, os objetos passam a ser substituídos por seres vivos. De todos os animaizinhos de estimação, o mais comum e o que mais interage com o ser humano é o cão. Com ele, a criança pode brincar, correr, explorar o ambiente e vivenciar novas experiências. Há um ganho significativo aqui: a criança não mais interage com total poder sobre o objeto de afeição e suas ações provocam reações. O cachorrinho pode correr para apanhar o objeto lançado, pode rosnar e até morder. Ele reage ao carinho, abana o rabo, pula…e agride, se maltratado. E não é só o cão que interage com a criança, apesar de ser o mais comum, outros animais também fazem papel importante. O gato se encosta e se permite ser tocado. Os peixinhos se alvoroçam no aquário quando a criança lhes joga o alimento. O passarinho pega o alpiste na mão da criança. Além da relação de afeto que se desenvolve, do estímulo ao período sensório – motor, do tocar, do sentir, do explorar o corpo do animal e observar suas reações, muitos conhecimentos são adquiridos, do campo psicológico ao campo científico.

Ter um animal também requer cuidados e estes cuidados, orientados pelo adulto, estimulam a autonomia e a responsabilidade. Cuidar da limpeza do bichinho e do seu habitat, cuidar da sua alimentação, dividir o seu pão e lhe oferecer um pedaço do seu biscoito, medicá-lo quando necessário, também favorece o desenvolvimento do vínculo afetivo e a lidar com os mais diversos sentimentos, da frustração à alegria e até à morte. E nesta relação entre a vida e a morte que o animal de estimação tem um papel muito importante, a criança aprende lidar com a perda, com a dor. Um risco que todos correm e queremos evitar e poupar, mas o ciclo da vida está aí, mostrando a ordem natural das coisas.

Nesta convivência tão saudável e necessária, a criança está aprendendo e desenvolvendo suas relações afetivas para o futuro, influenciando na sua forma de se relacionar com as outras pessoas e respectivos parceiros, com segurança, compreensão, aceitação e respeito.

Alguns fatos que devem ser considerados importantes:

  A criança que convive com animais é mais afetiva, reparte suas coisas, é generosa e solidária, demonstra maior compreensão dos fatos, é crítica e observadora, se sensibiliza mais com as pessoas e as situações.

– Apresenta autonomia, responsabilidade, preocupação com a natureza, com os problemas sociais e desenvolve boa auto-estima.

– Relaciona-se com desembaraço com os amigos, torna-se mais sociável, cordial e justa. Sabe respeitá-los.

– Desenvolve sua personalidade de maneira equilibrada e saudável. Tem mais facilidade para lidar com a frustração, liberta-se do egocentrismo.

– Desde os cuidados com aquela planta do vaso da sala aos cuidados com o bichinho que escolheu para ser seu. A criança desenvolve uma nova consciência, onde o meio-ambiente, as questões ecológicas do  momento e as questões sociais, políticas e econômicas do mundo, sob uma outra ótica, contará com a colaboração de verdadeiros cidadãos.

CURIOSIDADES:

– Pacientes autistas foram “despertados” de seu estado constante de recolhimento na presença e no convívio com animais.

– Nos lares de pessoas idosas, a presença de um animal aumenta as expectativas de vida.

– A equoterapia (terapia complementar com auxílio de cavalos) é utilizada no desenvolvimento psicomotor de portadores da síndrome de Down e outras deficiências neuropsicomotoras congênitas ou adquiridas.

– Os animais são indicados para pessoas com deficiências sensoriais (cegos e surdos), dificuldades de coordenação motora (ataxia), atrofias musculares, paralisia cerebral, distúrbios comportamentais e outras afecções.

– O cachorro é capaz de pressentir antecipadamente as “convulsões” características da epilepsia quer seja do ser humano ou de outro animal.

– Todos os procedimentos científicos e técnicos vêm confirmar a relação afetiva que os animais são capazes de estabelecer com as pessoas. Além disso, é muito importante lembrar que todos nós interagimos no mesmo ecossistema.

Lucia H Salvetti De Cicco
Jornalista, Idealizadora, Diretora de Conteúdo
e Editora-Chefe do Portal Saúde Animal. Auxiliar Prático de Veterinária.
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