Decidi trocar o Brasil pelos EUA – e agora?

Fernanda Cirino

Principais desafios que enfrentam os brasileiros que decidiram trocar o Brasil pelos EUA

Da saudade da família, passando pela dificuldade inicial de comunicação e pelas leis e costumes mais rígidos – os desafios que os imigrantes enfrentam quando escolhem trocar o Brasil pelos Estados Unidos são diversos e têm um enorme impacto em suas vidas.

O primeiro é a adaptação. Pode parecer “chover no molhado”, mas transpor a barreira de uma língua diferente e deixar certos hábitos para trás, além da família e dos amigos, pesa. E muito. Tanto que muitos brasileiros desistem no primeiro ano de “América”. Por isso dizemos aos recém-chegados que o primeiro ano é sempre o mais difícil. Mas se passar por ele, consegue passar por todos os outros.

Adaptar-se a uma nova cultura, novos costumes, novas regras exige paciência. Ao decidir vir morar nos Estados Unidos, o brasileiro deve primeiramente se esforçar para entender a língua e buscar se adequar à comunidade em que está. Sair um pouco da zona de conforto e  se envolver também com pessoas que não falam português ajuda muito. 

Outro desafio que pesa bastante é o econômico. Muitos  imigrantes se arriscam no exterior independentemente das dificuldades. Custa muito dinheiro para começar uma nova, e totalmente diferente vida, nos Estados Unidos. E se não for algo muito bem planejado, o desafio de não conseguir pagar as contas pode vencer. 

Aí vem o susto porque aqui tudo envolve dinheiro. É cash. É dinheiro na hora ou não leva. Tipo isso. Mas os EUA são também o país das oportunidades para se ganhar dinheiro. Para quem quer e não se incomoda em trabalhar bastante, o dinheiro vem. Por isso é importante conhecer como funciona o “sistema” americano.

Para se ter uma ideia, o Ministério das Relações Exteriores estima 1,2 milhão de brasileiros vivendo nos EUA. Só na Flórida somos em torno de 370 mil, segundo o Consulado-Geral do Brasil em Miami. Isso porque todos os dias chegam mais conterrâneos e essa contagem é uma estimativa.

Cada brasileiro que vive nos EUA tem a sua realidade. Mas sabemos que os desafios são mais difíceis para uns do que para outros. Para aqueles que se arriscam a entrar no país sem visto ou permanecem depois do prazo e passam a viver na “ilegalidade”, só de conseguir viver tranquilo já é um desafio superado. Os outros incluem trabalho, locomoção e todos os já citados.

Já para brasileiros que se mudam legalmente e com tudo planejado, mesmo assim, há obstáculos que muitos não estão preparados. Abrir uma empresa, vir como empregado de uma multinacional, vir para estudar. Todos passarão pela fase de adaptação.

O fator tempo também é outro desafio para os imigrantes brasileiros. Não pense que porque está ganhando em dólar vai ter resultados da noite para o dia, irá conseguir comprar uma casa ou alcançar a estabilidade financeira (exceto aqueles que já as têm, é claro) no primeiro ano.

Por exemplo, para os que conseguem abrir o próprio negócio são pessoas que se estabeleceram nos Estados Unidos há pelo menos mais de duas décadas, segundo pesquisa do National Bureau of Economic Research.

Cumprir prazos e ser pontual. Nem sempre os brasileiros conseguem encarar de forma clara esses requisitos que são essenciais para viver nos Estados Unidos. Atrasos, salvo um motivo muito importante ou inesperado, não são bem recebidos pelos americanos ou por cidadão de outros países. A política de dar uma desculpa para depois fazer o trabalho não “cola”, como muitas vezes acontece (dependendo do lugar ou da empresa) no Brasil.

Ou seja, prazos devem ser cumpridos e resultados devem ser entregues, independentemente da turbulência pela qual você estiver passando. Isso vale também para seguir as regras. Não dá para sair fazendo “o que der na telha” sem ter que arcar com as consequências.

Por último e não menos importante -talvez o maior desafio de todos- esquecer “o jeitinho brasileiro”. A ideia de que dá para resolver algum problema fazendo o que der vontade e  achando que tudo tem uma saída com o “jeitinho brasileiro”, inclusive quando se trata de justiça, é pedir para se prejudicar e até – dependendo do caso – voltar mais cedo para o Brasil.

Sendo assim, os EUA são onde milhões de brasileiros e brasileiras tentam aproveitar as oportunidades de trabalho e realizar seus sonhos. A vida é bem diferente do que no Brasil e de uma luta cotidiana e sofrida para muitos, mas, superados os desafios, se transforma em realização e conquistas para os imigrantes.

FERNANDA CIRINO
Paulista formada em comunicação social pela UNAERP – Faculdade de Ribeirão Preto, vive nos EUA desde 1999. É Editora Chef do Grupo Gazeta News. Iniciou sua carreira na comunicação aos 17 anos de idade, no seguimento de rádio FM e hoje coordena a Rádio Gazeta News. news@gazetanews.com