Decisão: ter ou não ter filhos

Eliana Barbosa

A maternidade deve ser uma escolha consciente e sensata, embora, ainda em pleno século XXI, possa configurar, para muitas mulheres, como uma obrigação social. E esse é o grande perigo e dilema presentes no universo feminino. 

A forma como a maternidade é romantizada pelas pessoas causa nas mulheres muitas dúvidas e até culpa, em algumas situações, porque a verdade é que ser mãe, desde a gestação, é um caminho com desconfortos, obstáculos, dores, dúvidas, medos, decepções e, consequentemente, instabilidade emocional. Mas pouca gente comenta sobre estes percalços… Sem falar também na insegurança das mães em relação ao próprio corpo, e as críticas que possam surgir. 

Por isso, ao escolher ser mãe, mais do que uma realização pessoal, toda mulher deve estar amadurecida emocionalmente e preparada para enfrentar os naturais desafios de criar um ser humano com amor e limites, exemplificando valores como dignidade, compaixão e bondade. Este amadurecimento vem do autoconhecimento (em que a futura mãe deve olhar para si mesma, encarando suas forças e fraquezas, e aceitar que terá que abrir mão de muitos sonhos), da busca de informações sérias sobre a maternidade, e do aprimoramento de sua autoestima (para que, abastecida de amor próprio, possa ser fonte de amor verdadeiro, sem apego ou dependência emocional, para este filho que vai gerar). 

A mulher preparada para ser mãe não se deixa levar pela ilusão de que filho salva casamento (porque não salva, definitivamente!), e não idealiza que o filho será seu apoio quando chegar à velhice. Ela não cria idealizações em relação ao filho (profissão, casamento, netos…), porque sabe que são estas expectativas que podem trazer profundas decepções. 

Às mães de primeira viagem, não se culpem se o amor pelo bebê não for assim tão intenso no começo da gestação. Cada caso é um caso, e muitas vezes, esse amor é alimentado no dia-a-dia, quando o bebê dá seus chutes na barriga, e quando nasce, em cada sorriso, nos seus balbucios, nesta interação amorosa. O importante é que os pais conversem muito com o bebê, desde a gestação, com palavras positivas e de incentivo, coloquem música erudita para ele, e, ao amamentá-lo, olhem profundamente em seus olhos. Isso sim fará uma grande diferença no desenvolvimento emocional de seu filho.

Quanto à mulher que escolhe não ser mãe, não se deixe levar pela culpa ou medo das críticas e cobranças que virão. Só você sabe o que é melhor para sua vida, ninguém mais. Infelizmente, este julgamento da sociedade ainda é comum neste mundo.

Fique firme em sua escolha, aproveite a liberdade de ser e viver como você bem quiser, tenha sonhos e metas e batalhe para que todos eles se realizem, mas jamais deixe de fazer o bem, onde e quando puder. Seja fonte de amor para quem carece de afeto e atenção, visitando orfanatos, creches e asilos de idosos, levando alegria e otimismo por onde passar. 

Lembre-se: você não precisa ser mãe para ser boa, caridosa, generosa e atuante em uma sociedade carente de boas ações. O importante é ser feliz e contribuir para a felicidade à sua volta.

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Eliana Barbosa é psicoterapeuta, life coach, terapeuta de Florais de Bach, articulista de jornais e revistas internacionais, autora de 5  livros no campo do autodesenvolvimento, co-fundadora do Centro de Cura dos Sentimentos, e ministra palestras transformacionais no Brasil e nos Estados Unidos. Mais informações: www.elianabarbosa.com.br. Contato: eliana@elianabarbosa.com.br

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