Eleonora Paschoal

Desafios do Imigrante: começam antes mesmo de sairmos do Brasil

Organizar a vida profissional e pessoal é o primeiro desafio que enfrentamos independente do novo país que escolhemos para morar. No caso da vida profissional temos que verificar contatos que poderão ser úteis no futuro, conversar e explicar porque estamos mudando e, considerar a possibilidade de continuarmos prestando algum tipo de serviço ou consultoria à distância.

Outra coisa importante que deve ser resolvida antes de sair do Brasil é ter o visto certo para entrar nos Estados Unidos. Sem documentos em ordem, você não está buscando vida nova mas, sim, novos problemas. Estar ilegal ou irregular (quando a pessoa entra no país com visto de turista – por exemplo – vence o tempo permitido para a permanência mas continua como residente) significa desafios maiores, pois, tudo vai ser mais difícil e complicado, começando pelo trabalho. Uma pessoa sem status imigratório na maioria das vezes tem que se sujeitar a sub empregos e corre o risco de ser enganada e explorada, sem falar no medo de ser pega pela imigração e deportada.

Aqui vale um: Alerta Geral !!!

Para obter o visto correto você vai precisar de um advogado de imigração e, para não correr o risco de ser enganado, ter seus sonhos destruídos, ser vítima de um mal profissional ou de alguém que não é advogado mas se faz passar por um faça uma pesquisa rigorosa. Veja, não basta ter a indicação de um amigo que conseguiu o documento. Green card pode ser confiscado se o governo americano constatar fraude. Ter a permissão de trabalho e viagem também não lhe dá garantia de permanência no país, pois, estes são documentos fornecidos para facilitar a sua vida enquanto seu processo de imigração está sendo analisado.

Então, antes de fechar contrato com qualquer advogado de imigração verifique os registros que o profissional tem, por exemplo, na Flórida, o equivalente a OAB do Brasil é o Flórida Bar. Outra dica é olhar muito bem o currículo do profissional, ver se ele ganhou prêmios, se está ligado a associações… quanto mais referências documentadas você conseguir mais segurança de estar entregando o seu dinheiro, sua vida e o seu sonho nas mãos da pessoa certa.

Vencidos os desafios iniciais no Brasil. Chegamos! E agora?

Desafio número um: a língua

Uma coisa é vir passar férias e outra é morar. No dia a dia há um número impressionante de gírias e expressões que nos deixam, às vezes, sem entender o que a pessoa está falando, sem contar os diferentes sotaques. Assistir televisão com legenda pode ajudar a acostumar o ouvido a pronúncia e ajuda com o vocabulário. Mas, o destino é a Flórida…o fato da colônia brasileira ser muito grande neste estado cria uma falsa impressão de que tudo vai ser mais fácil. Há pessoas que estão, faz anos, morando em Orlando e não falam mais que meia dúzia de palavras em inglês. A vida profissional e social delas é restrita a comunidade brasileira o que é um limitador para quem quer começar vida nova e vai ser difícil acompanhar a vida dos filhos que vão se comunicar com escola e amigos em inglês.

Desafio número dois: trabalho X custo de vida

Muitas profissões precisam que se “americanize”o diploma para que se possa trabalhar e, em alguns casos é preciso voltar para a escola e enfrentar alguns anos de curso até ser considerado apto a exercer a profissão.

Nessa situação você deve considerar ter um “pé de meia” para garantir as despesas. Pode ser interessante antes de vir pesquisar como está o custo de vida no estado em que escolheu para morar. Na Flórida uma família com 4 pessoas que precisa pagar: casa, carro, despesas com luz, água, telefone, alimentação… etc… vai precisar de cerca de 5 mil dólares por mês (em média) desde que não tenha que pagar escola. Já, em Washington DC só o aluguel de um apartamento com um quarto pode passar de US$4 mil dólares.

Outra coisa importante é que dependendo do lugar que escolheu para morar transporte público é artigo de luxo e ter um carro é uma questão de sobrevivência.

Desafio número três: escola e saúde

Se você tiver entrado legalmente no país colocar as crianças na escola é uma coisa relativamente simples mas burocrática. É preciso ter todos os documentos traduzidos, estar com vacinas em dia ( até os 19 anos é gratuita no serviço público). Esteja atento pois seu filho só vai poder estudar na escola do seu bairro. Por isso preste atenção: encontre primeiro a escola e depois procure a casa para morar.

College e Universidade são pagos e o valor para quem não é residente e não tem boas notas é incrivelmente alto. Pesquise!

E, pesquisar plano médico que, aqui, é seguro saúde é fundamental. Esqueça tudo o que você sabia de plano médico no Brasil. Esqueça se você, por qualquer coisa, corria para o hospital. Nos EUA, mesmo com seguro saúde, você vai sentir no bolso quanto “custa uma saudade”. Nem todos os procedimentos são cem por cento pagos pelo seguro e a conta nunca é entregue no dia mesmo que você ache que está pagando. Sempre há algum tipo de cobrança que chega pelo correio e pega você de surpresa. Então, ir para o hospital só se você estiver morrendo para não morrer depois.

Desafio número quatro: América é para os fortes!

Não desista do seu sonho americano.

Há quem diga que se conseguir sobreviver aos quatro primeiro anos você vai vencer na América. Ainda não sei se é verdade. O que posso dizer é que não é fácil começar. É isso mesmo, começar e não recomeçar. Quando chegamos a sensação é bem parecida com aquela do primeiro dia de aula, do primeiro dia no primeiro trabalho onde a única certeza que temos é que não sabemos nada e que o caminho vai ser duro e, algumas vezes até cruel. O importante é não desistir. Quando a caminhada ficar muito pesada respire fundo. Lembre daquelas carroças dos filmes do velho Oeste. A família toda numa estrada seca e poeirenta em busca da terra prometida. A busca por essa terra prometida é o lugar onde “O sonho americano” se torna realidade. É aqui. O American Dream é a liberdade para ser quem você quiser, é ter a chance de conquistar sucesso e prosperidade usando suas habilidades independente de sua classe social. O Sonho Americano está tão entranhado em cada pessoa que nasceu ou escolheu esta terra para viver que ele faz parte da declaração da Independência dos Estados Unidos: “todos os homens são criados iguais” com direito a “vida, liberdade, propriedade e a busca pela felicidade”

Eleonora Paschoal
jornalista radicada há 4 anos nos Estados Unidos, onde trabalha como correspondente das televisões SBT e Bandeirantes, sendo a primeira jornalista brasileira a atender dois veículos de comunicação diferentes mas do mesmo segmento. Eleonora trabalhou, também, nas TVs Record, SBT, Bandeirantes, Band News e Globo no Brasil. Especialista em média training fez palestras e treinamentos em vários estados brasileiros, países da África e Argentina. prevenção e gerenciamento de crises na área pública e privada