Empreender na América é possível

Jean Chamon

Hoje falaremos da questão do imigrante e do empreendedor. O foco do nosso artigo é no imigrante que veio nos últimos 10 anos devido a crise moral, política, social e econômica que assolou o Brasil.

Muitos imigrantes possuem ou possuíam carreiras consolidadas e de destaque em nosso país. Em rodas de amigos, sempre levantamos a questão que nossa pátria está exportando gestores, executivos, empreendedores, médicos, engenheiros, mestres, doutores, enfermeiros e vários outros profissionais que são a mola mestra de qualquer nação. Todos com o mesmo sonho envolvendo segurança, estabilidade e exercício do seu direito de ir e vir.

Adaptações brasileiras do tipo “gambiarra” nem sempre funcionam na terra do Tio Sam.

Observando a realidade da Flórida, um grande contingente de imigrantes brasileiros possui estabilidade financeira no Brasil e por conta da proximidade da cotação dólar x real conseguiam manter seus negócios no Brasil e viver com tranquilidade em solo americano. Com as altas cambiais dos últimos anos, para os que ainda não estavam empreendendo em solo norte-americano a diferença de quase 6 vezes ficou inviável, nos fazendo lembrar o jogo Brasil x Alemanha durante a copa de 2014, ou seja, um placar duro de empatar.

Vida nos EUA e renda no Brasil. Fica a interrogação em como fazer o chamado “make a living” em dólar.   Ficam duas opções: revalidação dos títulos e diplomas para continuidade da carreira ou empreender.

A grande questão é como empreender na América? Compreendo, que muitas vezes é difícil começar ou recomeçar do zero. Mais complexo ainda, em um outro país sem o conhecimento dos hábitos do consumidor, legislação, mercado, sistema tributário e as vezes da língua. Para tanto, sugiro a reflexão de alguns fatores:

  • • Reinvente-se como profissional e empresário participando de todas as etapas possíveis do seu projeto. O custo de mão-de-obra é muito mais elevado se comparado ao Brasil. Ignore essa sugestão se você imigrou milionário e não tem problemas em gastar (perder dinheiro) em seu novo empreendimento.
  • • Cerque-se de tecnologia substitutiva de mão-de-obra. A revolução 4.0, que devido ao alto custo, é inviável no Brasil aqui é um grande parceiro do empreendedor.     
  • • Tome cuidado ao tentar trazer um segmento de negócios do Brasil para os Estados Unidos. A princípio pode aparentar ser uma ótima opção. Entretanto, tenha cautela com a pesquisa de mercado, adaptação e adequação ao novo cenário. Realize o “soft landing” do seu negócio.
  • • Aprenda a língua local. A barreira imposta pelo não conhecimento da língua é um grande divisor de águas ao empreendedor brasileiro. Aprenda a língua inglesa o quanto antes e se possível o básico da língua espanhola.
  • • A dinâmica de negócios é diferente e o modo de fazer negócios também. Nós brasileiros somos prolixos se comparados ao norte-americano.  “Time is Money”.
  • • Esteja sempre cercado por bons profissionais, consultores, advogados, contadores. Aprender as regras do jogo constitui etapa fundamental.
  • • Faça um BP adequado a realidade e formato de negócios norte-americano. Adaptações brasileiras do tipo “gambiarra” nem sempre funcionam na terra do Tio Sam.

Saiba separar o joio do trigo. Cerque-se de bons profissionais que complementem as suas especialidades. Lembre-se que equipes multidisciplinares aumentam a possibilidade de sucesso do negócio.

Aproveite as oportunidades oferecidas por meio dos escritórios do SBA, Câmaras de Comércio e muitos outros atrativos. Finalizando, espaços de “Coworking”, fomento, incubação e aceleração podem ajudar nesse processo dando a liberdade e o know-how necessário ao seu negócio.

Pense positivamente!

Empreender é possível!

About Jornal Brasileiras & Brasileiros

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *