Entre respeito ou obediência, Joice fica com o primeiro

Joice Passos Henry

A paulista Joice Henry conta que seus pais foram muito rígidos na educação dela. “Regras eram regras e pouco se falava como nos sentíamos ou como eles se sentiam”, ela lembra.

Por isso mesmo, ela sempre procurou conversar mais com seus três filhos, explicando porque certos comportamentos são inaceitáveis e que as escolhas tem consequências. E, de preferência, num tom ameno:

“Depois de um conflito, uma vez que estamos calmos, tento iniciar uma conversa e, geralmente, eles se abrem sobre o porquê fizeram ou não algo. Essas conversas são benéficas para ambas as partes. Compreendendo porque peço para que façam ou deixem de fazer algo, eles são mais propensos a acatar o pedido”.

Os filhos de Joice já sabem: quando aprontam alguma, precisam dar “um tempo” para a mãe respirar. Vão para o quarto até o momento da conversa.

“Depois de alguns minutos, conversamos como isso fez a outra pessoa se sentir ou se eles pensaram nas consequências”.

Mas isso não significa que a ex bailarina de produções da Broadway não seja firme, quando necessário:

“Algumas coisas são inegociáveis, como a limpeza do quarto, o tempo que ficam em frente às telas e a hora de dormir, por exemplo. Ensino a serem organizados e elogio quando está tudo bem feito. Mas, privilégios podem ser retirados como consequência de ações impróprias. Bater é o último recurso. Não é uma solução de longo prazo e na maioria das vezes é uma resposta do nosso temperamento e não uma forma de ensinar um comportamento melhor”, diz ela. 

O marido de Joice é da área da saúde, considerado um trabalhador essencial e, desde o início da pandemia, ela é quem está mais com os filhos.

“Talvez como uma tática de sobrevivência, passei a incentivá-los a resolver seus conflitos. Meu lema é: seja a solução, não o problema. Gostaria de dizer que sou uma mãe perfeita, que sempre posso manter a calma, mas isso não é realista. Todo dia é um aprendizado para eles e para mim”.

Joice aprendeu na prática o que todo mundo deveria levar em consideração: 

“Aprendi que as crianças são diferentes. Meu filho mais velho reage à punição melhor do que tirar algo que ele ama – legos, tempo na tela, tempo social. A do meio tem grande controle de impulso, se for avisada sobre a punição por vir, ela ficará dentro dos parâmetros aceitáveis. O meu terceiro não responde bem a castigo, sorri e conta uma piada, dá um abraço e espera que fique tudo bem. Fazemos muitos “intervalos” com ele e parece funcionar”.

Entre o respeito ou a obediência, Joice fica com o primeiro: “definitivamente, respeito antes da obediência, eles vêm juntos, de mãos dadas”.

Joice Henry nasceu em São Paulo, Brasil e com a família mudou-se para os EUA, em 1993. Ela morou na Flórida, Nova Jersey e Nova York. Joice passou alguns anos viajando pelo continente como bailarina para produções da Broadway; e agora se estabeleceu em uma pequena cidade no meio-oeste para desfrutar de uma vida mais tranquila com o marido e criar três filhos em uma pequena cidade. Por mais emocionante que fosse a vida antes dos filhos, ela diz que essa é a verdadeira razão de viver, eles fazem tudo valer a pena.

Talvez como uma tática de sobrevivência, passei a incentivá-los a resolver seus conflitos. Meu lema é: seja a solução, não o problema. 

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