Escultoras brasileiras se destacam no cenário internacional

Na história da arte, a participação de artistas mulheres foi aumentando ao longo do tempo. Mas não foi um caminho fácil. O reconhecimento das obras feitas por mulheres artistas foi lento e por muito tempo, com pouca representatividade.

O comércio de obras de arte começou na época do Renascimento com o aparecimento de mercadores e banqueiros na Europa ocidental, e a arte começou a ser objeto de status social entre as classes emergentes da época. Os artistas renascentistas se tornaram reconhecidos e valorizados. Nesse tempo poucas artistas pintoras se destacavam e eram proibidas de assinar suas obras, não frequentavam ateliês, não tinham contato com modelos vivos, nem realizavam afrescos. Os temas que sobravam eram os retratos e as naturezas-mortas. Algumas aceitavam encomendas na qualidade de artistas de ofício, como as italianas Properzia De Ross e Sofonisba Anguissola, que chegou a se tornar a pintora oficial na corte do rei Felipe II. Mas a primeira mulher a ser admitida na Academia de Desenho de Florença, no ano de 1612, foi Artemisia Gentileschi que obteve a permissão para pintar cenas narrativas e religiosas. Recentemente sua vida foi tema para livros, filmes, peça de teatro e documentário de TV.

Os tempos sombrios para as artistas mulheres começaram a se dissipar lentamente pois séculos depois, a famosa e tradicional Escola Nacional de Belas-Artes, em Paris, ainda restringia a presença de mulheres entre seus alunos. A Academie Julian, em Paris, fundada em 1868, só permitiu a frequência de mulheres em 1897. No início do século XX, ali estudaram as pintoras brasileiras Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Georgina de Albuquerque e as escultoras brasileiras Nicolina Vaz e Julieta de França.

Waltzing Matilda, Alice Aycock, Marylin L. Mennello Sculpture Garden, Orlando, – imagem da autora do texto

A arte modernista no Brasil com Malfatti e Tarsila foi decisiva para abrir caminho a nomes como Lygia Clark, Djanira da Motta e Silva, Tomie Ohtake, Ligia Pape, Beatriz Milhases, Leda Catunda, e tantas mais. Nos Estados Unidos, surgiu o movimento da arte feminista na década de 1970, que fez crescer a conscientização do papel feminino nas artes visuais. Hoje podemos apreciar a arte feita por mulheres em diferentes suportes, desde pinturas, gravuras, instalações, vídeos, literatura, esculturas que mostram a sensibilidade e a crítica do olhar feminino para o nosso cotidiano. Mas ainda existe um árduo caminho a se conquistar, para que haja real oportunidade de expressão a mulheres artistas de todos os segmentos da população, sem nenhuma distinção.

Entre as escultoras brasileiras que vivem nos Estados Unidos, três nomes se firmaram no cenário internacional das Artes: Elizabeth Freire, Frida Baranek e Fernanda Frangetto.

A obra de Elizabeth Freire consiste em esculpir em mármore, terracota, bronze em maquetes. Expôs em espaços públicos como o Art Museum of the Americas em Washington e na Ann Norton Foundation em West Palm Beach. A proposta de Frida Baranek, artista brasileira que vive entre New York e Miami, vai muito além dos materiais tradicionais escultóricos. Suas obras são geralmente construídas com materiais industrializados. E é exatamente no uso dessa diversidade de formas que a artista representa seu olhar, sua intenção, sua crítica e expressão.

Curiosidade, transcendência, novos olhares e perspectivas fazem com que o trabalho de Frida se apresente em múltiplas facetas. Sua obra está presente no National Museum of Women in the Arts, em Washington, entre outros.

Liminaridade 1, Frida Baranek, 2019, malha de metal galvanizada pintada dourada Aproximadamente 320 x 200 x 200 cm. Foto gentilmente cedida pela artista para publicação no JornalBB.

Fernanda Frangetto é mais um nome que se destaca no mundo das artes. Brasileira residente em Doral, Flórida, suas instalações trazem mensagens e significados contemporâneos, integrando temas e discussões, ideias e conceitos aos espaços. Ela mesma explica “Para mim, escultura é a arte de pintar em três dimensões.” As obras de Fernanda puderam ser apreciadas no Hall in the City of Doral e no Consulado Geral do Brasil em Miami.

Com muito orgulho, celebremos estas três mulheres artistas, três brasileiras, três escultoras. Legitima arte brasileira em toda a sua dimensão.

Instalação Band (escultora Fernanda Frangetto e sua obra), Doral Goverment Center, Doral-Fl-Imagem gentilmente cedida pela artista para o JornalBB. Fotografia: Toddy Holland.

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