Flórida: península do Silício

Luciana Bistane

Miami tem levado a fama de “novo Vale do Silício”, mas não está sozinha na intenção de transformar a Flórida num polo global da indústria tecnológica. As políticas do governador Ron de Santis incentivando as empresas a migrarem para o estado e os altos custos operacionais na Califórnia estão colocando também Orlando e Tampa nesse mapa tecnológico. 

Miami leva a vantagem de ter praia e porto – o que favorece as importações e exportações. Em compensação, Orlando, por exemplo, tem espaço para crescer, o metro quadrado é mais barato e muitas empresas como a Amazon e a Tesla já têm na cidade depósitos de distribuição de produtos.

Mas como nem tudo são flores, acaba trazendo também efeitos indesejados, como o aumento dos preços de imóveis.” 

Os prefeitos também estão empenhados. O de Miami, Francis Suarez, vem proporcionando eventos e oferecendo incentivos para atrair startups e se refere a cidade como “Miami 2.0”. O de Orlando, Buddy Dyer, conversou com a gente e garante que “construir um sistema mais forte para a tecnologia se tornou prioridade”.

E a disputa pelas empresas de tecnologia tem outro concorrente de peso: o Texas, com a economia praticamente livre de regulações, inserida no conceito de não interferência do Estado, defendida pelo partido Republicano. 

Elon Musk, dono da Tesla e gigantes do setor, como a Oracle e a Hewlett-Packard, se mudaram para Austin, a capital do estado que já vem sendo chamada de Sillicon Hill´s – a Colina do Silício. Pelo visto, a briga é boa e vai render muitos frutos ainda.  

Mas, o que tudo isso tem a ver com os moradores dessas cidades? Por quê o B&B entrou nesse assunto? A resposta é simples: esse boom tecnológico movimenta a economia, o fluxo de pessoas, gera empregos mais bem renumerados e está criando novos nas áreas de logística, armazenamento e transporte de cargas. Mas como nem tudo são flores, acaba trazendo também efeitos indesejados, como o aumento dos preços de imóveis. 

O corretor de imóveis, Eraldo Manes, mostra quais os reflexos desse boom no mercado imobiliário. O economista, Carlo Barbieri, indica os setores que devem estar antenados para surfar nessa onda tecnológica e dá o caminho das pedras para os pequenos investidores que querem entrar nesse mercado. E o empresário, Alex Colombini, dono de jornal, que trocou Boston por Orlando, aponta os fatores fundamentais para que o trabalho remoto dê super certo.