Homem que ajudou esposa a morrer na Espanha diz que o fez por solidariedade

Ángel Hernández, o espanhol que ajudou sua esposa doente terminal a morrer, garantiu que seu gesto foi “um ato de solidariedade” e admitiu que foi uma decisão “terrível” de ser tomada. Hernández, de 70 anos, foi libertado, sem medidas cautelares, após prestar depoimento e admitir os fatos diante do juiz. O espanhol assegurou que não tem medo e que está muito tranquilo porque sua mulher deixou de sofrer depois de conviver com esclerose múltipla desde 1989 e estar com uma incapacidade de 82%.

Hernández convocou a imprensa em sua residência, onde falou sobre a necessidade de uma legislação que regulamente a eutanásia.

“O que me interessa não é que me apoiem e que reconheçam que eu fui corajoso ou o que fizemos, mas que isto sirva para que a eutanásia seja aprovada, pelo sofrimento de muita gente, como o da minha mulher”, disse Hernández aos jornalistas.

Hernández afirmou que sua mulher, María José Carrasco, foi quem realmente teve coragem, “porque é difícil dizer acabou”, e considerou que agiu “em solidariedade” a sua esposa. “Ela não podia fazer e eu tive que emprestar minhas mãos”, disse.

A regulamentação da eutanásia é um dos temas da campanha eleitoral na Espanha, que este mês realizará eleições parlamentares. A porta-voz do governo socialista, Isabel Celáa, disse em entrevista coletiva que é um compromisso do Poder Executivo impulsionar “a regulamentação do direito a uma morte digna com todas as cautelas”.

Por outro lado, os bispos católicos da Espanha afirmaram, através de seu porta-voz, Luis Argüello, que “a morte provocada não é a solução para os conflitos”.

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