Hope & Justice Foundation no Enfrentamento da Violência contra a Mulher

Anna Alvez-Lazaro

Você sabe quais tipos de violência que uma mulher pode sofrer? Você conhece alguma mulher que está sofrendo algum tipo de violência? Leia a carta aberta à mulher vítima de violência, escrita por uma das voluntárias da Hope & Justice Foundation e se você precisar de ajuda, entre em contato conosco através do e-mail: gamvv@hopeandjusticefoundation.org  – GRUPO DE APOIO À MULHER VÍTIMA DE VIOLÊNCIA. 

Carta aberta à mulher  vítima de violência

 “Eu posso não lhe conhecer pessoalmente, posso não saber da sua história, posso não lhe ver, mas eu lhe escuto e sei que você está aí. Você não é culpada pelo seu abuso e pelo que aconteceu com você. Você não pediu por isso. Você não deveria ter que fingir que nada aconteceu. Você não deveria ser silenciada. Você merece ser ouvida. Você não deveria sentir como se não tivesse valor. Ninguém tinha ou tem o direito de lhe violar. Você é uma sobrevivente de abuso e agressão e esta violência contra você é um erro. Você deveria e deve ser tratada com dignidade e respeito.

 Você se acostumou a viver com medo. O seu agressor pode ter violado sua mente e seu corpo, tornando você receosa em agir, com medo de irritá-lo. Ele lhe machucou de maneiras inacreditáveis, usando as mãos e palavras. Você não entende o porquê das punições e agressões. A verdade é que você não merece isso, mas ele fala que foi você quem causou. Você não entende como num dia ele está violento, mas no outro ele está calmo.

 Controlada por ele, sem ter a escolha de ver quem quiser, de escolher um amigo, de ir a qualquer lugar, de comprar o que deseja, de vestir o que gosta. Você sente como se fosse uma marionete e ele o manipulador. Você não sabe mais o que é ter liberdade. Mas eu quero que saiba que tudo que seu agressor lhe falou é mentira.

 Eu sei que é difícil, que às vezes sente-se como se não conseguisse sobreviver, mas você consegue. Sei que pode-se sentir como se estivesse em pedaços, usada e esquecida. Mas quero que saiba que você pode se recuperar, que existe esperança e ajuda. Pedir ajuda e achar uma saída é difícil. Seu agressor pode ter lhe ameaçado ou, então, ameaçado seus filhos ou família. Você sente que fugir dessa violência é impossível, que sua autoestima e confiança são inexistentes. Mas não desista e, sim, persista.

Não precisa se sentir humilhada por ter que pedir ajuda, isso na verdade é ter coragem. As dificuldades não foram feitas para lhe desencorajar, mas para lhe ajudar a ser mais forte.

 Esse é um dos primeiros passos para livrar-se da constante agressão. Você pode se sentir desmotivada, mas existem pessoas para lhe ajudar. Você não está sozinha. Deixe sua mente processar as mudanças, você precisa de tempo para se recuperar e ajustar. Procure pessoas que possam lhe ajudar, organizações que lhe apoie, encontre atividades que lhe faça feliz, que lhe acalme. Você não é mais uma prisioneira. Você não tem nada para se envergonhar. Mas o mais importante é: lembre-se de que você consegue seguir em frente.

 Quero lhe lembrar que você tem valor. Quero lhe ajudar a se reerguer, mostrar que, por mais que você tenha presenciado tanta violência, a vida ainda tem muito a ser vivida, coisas que podem lhe alegrar e lhe dar esperança. Não tenho ideia do que se passa na sua mente, mas quero que coloque tudo para fora, que não guarde apenas para si. Compartilhe a dor, você não precisa carregar isso sozinha. Mesmo que as pessoas lhe julguem, lembre-se de tudo que enfrentou para estar aqui nesse momento, livre. As memórias podem não sumir completamente, mas agora é a sua vez de criar lembranças boas, que lhe encham de paz e que, aos poucos,  substituam as memórias ruins. Estou aqui para ouvir você rir, chorar, gritar e desabafar. Você é uma sobrevivente.”

About Jornal Brasileiras & Brasileiros