Hora de voltar

Este mês, o Jornal B&B traz um assunto de difícil decisão para a maioria das pessoas que escolhem deixar o país de origem em busca do sonho de uma vida melhor em um país estrangeiro. O novo estatus de imigrante é de difícil assimilação; e a primeira dificuldade está em escolher o novo país. Fatores como idioma, facilidade de visto, clima, cultura, distância, custo são aspectos preponderantes para uma tomada de decisão. Na maioria das vezes, a opinião de um amigo, um parente, que já tenha imigrado anteriormente, acaba influenciando nesta escolha; e os novos imigrantes optam por um lugar que aparenta oferecer uma certa “segurança”.

Não importa o tempo: dias, meses ou décadas que levou alguém a decidir voltar ao país de origem. E, muito menos, os motivos que fizeram o indivíduo a desistir de seu sonho. Fatores como trabalho, saudade, visto, dificuldade de aprender a língua, saúde, educação, entre tantas outras experiências acabam a levar ao retorno.

Há casos de pessoas, que uma vez que não deram certo na primeira tentativa, regressaram imediatamente ao país natal. Estes geralmente sofrem pela falta de trabalho, visto, saúde, saudade ou aposentadoria. Enquanto, outros preferem se dar uma segunda chance na busca de um novo país como imigrante. Este segundo grupo geralmente escolhe mudar por discordar da cultura do país anterior, por diferenças ideológicas, pelo alto custo da moradia, da saúde, da educação, segurança, entre outros.

Sempre que se aborda este tema, a primeira impressão é que houve falta de persistência, erro de planejamento, falta de resiliência para aguentar a realidade do imigrante, entre outros aspectos negativos. Ou seja, conota uma sensação de derrota. Porém, quando nos aprofundamos mais sobre o assunto, entendemos que existem tantos outros motivos importantes e particulares que devem ser respeitados nesta decisão. Entre os mais relevantes são aqueles quando envolvem saúde, família e filhos menores de idade. Neste caso, o sentido de “derrota” perde para a responsabilidade.

Convidamos 3 personagens que viveram nos Estados Unidos por algum tempo e decidiram deixar o país. As razões de cada um são inúmeras e todas de igual importância. O objetivo deste artigo é compartilhar estas experiências para quem está nos EUA e tem dúvida entre ficar ou voltar; e aos que ainda estão no Brasil e tem o sonho de imigrar.

Não existe uma fórmula mágica de como proceder. A decisão, o motivo, o envolvimento familiar, a dificuldade, a falta de recursos financeiro fazem parte desta equação para que possa trazer felicidade.

Toda mudança é possível e nem sempre necessária.

Toda escolha resulta em um ganho e uma perda.

É preciso muita calma, pesquisa, planejamento, conhecimento do local que pretende morar, de preferência pessoalmente antes de decidir, coragem e determinação. Ter um plano B, caso não dê certo. Não se arrepender de arriscar e não se culpar caso não dê certo.

Acompanhe nas próximas páginas, a íntegra das experiências de Edilberto Mendes, Alice Mesquita e Luis Sombra.