Houve um motivo que deu início à depressão?

Fabiana Oliveira

Troquei de trabalho e era muita pressão, comecei a desenvolver crises de pânico, ansiedade e muita dificuldade para dormir. Piorava a cada dia. Como sempre fui muito extrovertida e comunicativa, minha família e os amigos não perceberam os primeiros sinais porque eu vivia uma realidade para a sociedade e outra de solidão interna. 

Em meio a um surto, me lembro apenas de flashes, me joguei na frente de um carro na John Young Parkway. O carro parou a tempo, mas no dia seguinte à noite saí vagando pelas ruas e meu esposo foi atrás. 

Meu esposo decidiu me levar ao psiquiatra e fui internada em um hospital psiquiátrico. Quando tive alta, tentei me afastar do trabalho, mas disseram que eu não podia, então continuei mesmo sem condições.  

Certo dia, em uma reunião, acabei tendo outra crise. Depois disso, fui afastada e fiquei meses sem querer sair de casa, me isolei de tudo e de todos. Não tomava banho, comia compulsivamente, não cuidava da casa, nem da família, só chorava muito e dormia. Foram anos de grande desespero, sem ver uma solução. 

Os primeiros tratamentos não ajudaram?

No início, eu mentia para a psicóloga por vergonha e medo. Levou um tempo para eu me abrir. Em 2019 foi o auge das crises, foi quando tentei me matar e acabei internada. Depois disso, mesmo em tratamento com psicólogo, psiquiatra e tomando vários remédios eu ainda tinha crises, eles não resolviam e eu me sentia frustrada. 

Chegou a pensar outras vezes em suicídio?

Sim, tentei algumas vezes. Cortei a rede do meu apartamento e tentei pular. Me joguei em frente de carro. Tomei vários remédios. Às vezes ia atravessar e pensava em me jogar em frente dos carros. 

Agora, o tratamento tem sido eficaz?

Depois de um longo período de terapias e remédios, meu psicólogo e minha psiquiatra conversaram e me sugeriram um novo tratamento – o TMS. Relutei no início, não acreditei que ia me ajudar, mas dois meses depois iniciei o tratamento. 

No final de 36 sessões eu já era outra pessoa e todos à minha volta percebiam a diferença. Até já diminuí os medicamentos. Hoje só tomo um para a depressão em dose baixa e outro para ADD ou TDAH. 

Como você está agora? 

Ainda sigo com acompanhamento psicológico e psiquiátrico, mas me sinto 90% recuperada, retomando a vida. Hoje, com minha fé restaurada, o apoio da família, dos amigos e de  excelentes médicos, consigo viver e conviver bem. Hoje amo ir à igreja, estar com a família e amigos, voltei a ajudar na comunidade, voltei a estudar e tenho muitos planos para o futuro. Quero viver e ser feliz ao lado das pessoas que amo. 

O que diria pra quem está passando por isso?

Busque ajuda o mais rápido possível, não sofra calado, as pessoas não sabem o que você sente. Busque um profissional, seja verdadeiro e, se precisar de remédios, não tenha medo, dependendo do caso eles são necessários.