Imigrante, desafio constante!

Paulo Corrêa

A verdade é que o desafio do imigrante já começa antes de sair do Brasil com a primeira grande decisão: a de ser imigrante.

Afinal, por que imigram? Os motivos são variados como: procura de trabalho e melhor salário, satisfação profissional, segurança, união da família, necessidades de sobrevivência, etc. Mas o custo psíquico da partida, seguido do choque de “se sentir estrangeiro” quando chegam as dificuldades com a falta do conhecimento do idioma, da cultura, legalização, entre tantas outras barreiras a serem vencidas são terríveis, especialmente se envolver filhos.

As dificuldades chegam a gerar depressão, estresse, ansiedade, aumentando a desorientação da grande descoberta para a segunda decisão: a necessidade de ter certeza do “Eu sou imigrante, não estou imigrante e tenho que me reinventar constantemente”.

Sei que os EUA é um pais de imigrantes e com uma capacidade extraordinária de absorção de milhões de imigrantes, mas, ainda com 11 milhões em busca da legalização para a liberdade de ir e vir, trabalhar, etc.  Mas o caminho nunca foi livre de obstáculos, e hoje está muito pior que há 30 anos quando cheguei.

O Imigrante deve chegar inovando e se reinventando sempre para superar os muitos desafios!

Esta é uma região dos EUA, tradicionalmente multiétnico e multicultural por ter um turismo globalizado e fica um pouco mais fácil, a grande Orlando tem no “seu DNA” a hospitalidade ao estrangeiro como elemento essencial para se viver melhor. São milhares de imigrantes residentes que desenvolveram uma globalização quase que forçada, gerando uma sensação de que quase tudo tem o seu lado estrangeiro.

Me sinto um imigrante na fase madura – 3 décadas de América. Pioneiro do jornalismo e produção cultural comunitária e do guia profissional de turismo, participei dos jornais ‘Florida Review’, ‘Orlando Review’, ‘Brasil-USA’, ‘The Brazilian Post’, ‘Orlando News’, B&B e das revistas ‘Florida na ABAV’, ‘Momento’ e ‘Plus Magazine’, onde exerci  diversas funções editoriais e de produção”, também pioneiro nas produções de grandes shows nos anos 80 e 90 de artistas conhecidos, tais como: Belchior, Fagner, Geraldo Azevedo, Guilherme Arantes, Osvaldo Montenegro, Família Lima, Léo Gandelman, Pierre Onassis, Asa de Águia,  dentre outros.

Lembro-me que como todo imigrante, tive grandes dificuldades para me adaptar ao ritmo dos Estados Unidos. “Hoje, já não tenho nenhum problema, mas, antigamente, a saudade dos familiares, amigos queridos e a falta de envolvimento na nossa cultura e arte era o que mais complicava”, explica. Hoje tenho consciência que uma das minhas principais dificuldades foi lidar com a maneira de ser dos americanos. São reservados e a falta do inglês fluente sempre me fez falta. Este talvez tenha sido o meu maior erro, o de me entregar de corpo e alma à nossa comunidade e não me esforçar para a integração real na sociedade americana desde sempre. Por outro lado, acredito que devemos manter a nossa cultura, especialmente o idioma e nos comunicarmos em português entre si, prioritariamente em nossas casas, deixando o inglês quando for em ambiente profissional, escolar, ou em frente de americanos, etc.

Tenho como meta e quero deixar como legado, o de sempre oferecer algo ligado à cultura do Brasil, por isto venho com muito esforço mantendo o festival cultural, Brazilian Day Orlando e a radio web Radio Orlando News.

O Brazilian Day Orlando é realizado desde 2009 e tem como principal objetivo o de reunir as famílias, amigos e vizinhos de brasileiros da região da Flórida, estado que abriga aproximadamente 400 mil brasileiros e recebe algumas centenas de milhares de turistas durante todo o ano para festejar e divulgar a cultura brasileira. Além de ajudar a integrar a nossa comunidade às comunidades hispânica e norte-americana, o Brazilian Day Orlando é feito por brasileiros para mostrar que o nosso Brasil com ‘Z’ está cada vez mais unido e consciente de que temos que nos organizar para as novas gerações”.

Já a Radio Orlando News, é uma rádio web, que ressalta a importância do imigrante se informar sobre imigração, saúde, turismo, beleza, entretenimento, gastronomia, investimento, negócios, educação, esporte, a nossa riqueza cultural da hospitalidade no nosso DNA, que são únicas no mundo.

Em síntese, parece existir uma boa relação entre o Brasil com Z e a sociedade americana com as diversas comunidades de imigrantes de vários países aqui residente. Vejo que de um modo geral a sociedade americana é aberta à diversidade de culturas e os imigrantes sentem-se integrados e satisfeitos em nossa região.

Suzana Muricy e Paulo Corrêa
Paulo Roberto Correa
Jornalista, produtor cultural e profissional de turismo, nasceu em Nazaré, Bahia, em 6 de dezembro. Radicado nos Estados Unidos há mais de 30 anos, já fez de tudo dentro da área de comunicação comunitária e, hoje, seu nome está ligado ao Brazilian Day Orlando e à Radio Orlando News, seus “filhos”. Ele não pára nunca; está sempre atrás de uma nova atividade. Por isso seu nome está por trás de significativas iniciativas que beneficiam a comunidade como um todo: o São João, Independência Show, Reveillon, Brazilian Night, Miss Brasil-USA, entre outros. BrazilianDayOrlando@gmail.com